Cap.5

Estava escuro...Muito escuro...

Estava frio também. Yuki só fazia tremer, assustado pela solidão em que se encontrava. Estava assustado.

- Tem alguém aí? – perguntou, desesperado – Isso é uma brincadeira? Se for não tem garça! – Anunciou, com a voz fraca.

- Yuki?

- Quem está aí? – Perguntou, virando-se rapidamente – QUEM ESTÁ AÍ?

- Yuki?

Aquela voz lhe era extremamente familiar...De onde Yuki se lembrava dela? Tinha certeza de que já a ouvira antes...

- Kyo, é você? Onde você está?

- Atrás de você, meu amor.

Yuki sentiu-se enlaçado por fortes braços e se sentiu seguro por um instante.

- Céus, por que não disse antes que era você? Pensei que fosse outra pessoa!

- Quem? O Akito, por acaso?

Yuki sentiu o tom de voz de Kyo mudar rapidamente, assim como a forma em que estava sendo abraçado, tornando-se extremamente possessiva. Virou-se para protestar, quando viu que não era Kyo quem o segurava.

- Akito – Disse, lívido.

- Achou que pudesse fugir de mim, Yuki – Sussurrou no ouvido do menor, fazendo-o estremecer – Não irei desistir de você, nem do nosso filho, querido.

- Filho? Você está louco? – Disse, pasmo.

Yuki sentiu um peso em seu ventre, olhando para baixo, gritou, em pânico. Estava com uma enorme barriga, como se estivesse grávido. Sentiu seus joelhos fraquejarem, mas não chegou a cair por estar nos braços daquela coisa asquerosa.

- Viu só, por que negas que esse filho é meu, meu amor? Tens o herdeiro dos Souma em seu ventre – disse acariciando-lhe. Yuki afastou suas mãos com violência e gritou, com lágrimas nos olhos.

- SE AFASTE DE MIM!!

- Souma-kun!

Yuki acordou. Sua respiração estava ofegante e um suor gelado descia por seu rosto. Sua primeira reação foi levar as mãos à barriga para certificar-se de que continuava normal. Suspirou, quando sentiu que continuava lisa e magra como de costume. "Foi só um pesadelo" pensou aliviado.

- Souma-kun! – Yuki sentiu alguém lhe abraçar com força – Você está bem?

Procurando se recuperar, o jovem respondeu:

- Acho que sim... Honda-san, o que você faz aqui? Como eu vim parar aqui?

- Você desmaiou e eu estou cuidando de você – sorriu gentilmente a garota – Souma-kun, por acaso você teve um pesadelo?

- Deve ter sido – disse, com a mão na cabeça – Honda-san?

- Sim, Souma-kun?

- É que eu queria pedir desculpas sobre ontem, sabe... Fui realmente rude com você.

- Não se preocupe com isso! Foi minha culpa. Fui muito intrometida.

- Não diga isso! Você só estava preocupada comigo! Eu é que fui grosseiro, me desculpe.

Tohru sorriu amigavelmente e beijou o garoto na testa.

- Senhor Hatori esteve aqui ontem e disse que você teve uma pequena recaída da última gripe e pediu para que você descansasse, por isso está aqui – Disse, maternalmente.

- Ah, sim...E quanto ao... – Sua voz baixou de tom na mesma hora e suas bochechas coraram – Kyo?

- Mandei ele dormir. Ele ficou a noite inteira aqui ao seu lado e parecia muito cansado, mesmo não querendo sair daqui. Então disse para ele que ficaria cuidando de você – a garota se aproximou de Yuki, como se fosse lhe confidenciar algo – Ele realmente gosta de você.

- Gosta? – engasgou-se o rato.

- Claro que sim! Ele mesmo me contou ontem.

'Gato estúpido! Não consegue sequer manter a boca fechada!'

- Então a senhorita já sabe? – Perguntou, desconfortável.

- Sim – respondeu corada. – Vocês formam um casal realmente fofo!

Yuki virou o rosto, provavelmente muito corado.

- Agradeço por ser tão compreensiva, Honda-san.

- Que é isso!? Souma-kun, quero que você e o Kyo-kun sejam felizes, mesmo se isso significar estar um ao lado do outro, como um casal.

A porta se abriu, causando um estrondo que ecoou pelo quarto. Com uma velocidade fenomenal, Kyo parou ao lado de Yuki e levou a mão a sua testa.

- Tudo bem com você? Não se sente mal?

- Não, está tudo bem – sorriu gentilmente, dando um selinho no gato.

- Bem, vou deixar essas coisas lá em baixo e preparar um lanche para o Sohma-kun – Disse, ainda admirada com a cena.

Kyo e Yuki observaram Tohru se retirar e quando ela o fez, o quarto mergulhou em um breve silencio, logo quebrado por Kyo.

- Pensei que fosse te perder...Que nunca mais fosse sentir teu cheiro novamente... – Disse, cerrando os punhos e deitando sua cabeça no abdômen de Yuki.

- Kyo, não seja tão dramático! Não estou aqui com você? Como você poderia me perder? - disse yuki acariciando as madeixas alaranjadas que se espalhavam pela extensão de sua barriga.

- Dramático? Eu não estou sendo dramático! – Disse, se levantando e beijando Yuki.

No começo o beijo ocorreu inocentemente, até que Kyo tentou invadir boca de seu amado com a língua. Inicialmente, Yuki se assustou com a atitude e resistiu um pouco, mas depois lhe permitiu a entrada. Suas línguas dançaram, os dois estavam explorando suas bocas com elas. Só se retraíram quando precisaram de ar.

- Te amo

- Te amo também, meu gatinho – Respondeu Yuki, deitando-se no maior.

E os dois ficaram ali por um bom tempo, abraçados, sem se importar com ninguém.

- Kyo?

- hm?

- O que somos um para o outro? Namorados?

- Somos, por que? Não queres namorar comigo?

- Claro que eu quero seu bobo! Só que vamos ter um pequeno problema...Aliás, um grande problema.

- Qual?

- Akito! Não quero nem imaginar o que iria acontecer se ele descobrisse! Você poderia se machucar, e eu nunca me perdoaria por isso!

- Não vai acontecer nada! - disse Kyo com um tom seguro e super protetor de voz, mesmo que estivesse temeroso por dentro - Eu te prometo que ele não vai nos separar.

Yuki assentiu, sem responder nada, afundando a cabeça no peito do namorado. Esse foi um lado doce de Kyo que Yuki jamais vira antes.

-X-

Mais tarde...

Todos estavam concentrados na sala de jantar, menos Tohru, que após preparar o jantar, saiu correndo para a casa de Hanajima, juntamente com Uo, para terminar um trabalho. Tudo corria na santa paz de Deus até Ayame abrir a boca:

- Que decepção, Yuki! Meu querido irmão nos braços desse gato pulguento - desdém marcava a voz do mais velho.

- Já ouvi o suficiente. Já chega! -bufou o rato, autoritário.

- Que seja... - respondeu Ayame - Mas ainda estou decepcionado. O que Akito vai pensar?

- Além de idiota é surdo? - Bradou Kyo assustando a todos - Não quero ouvir esse nome aqui.

- Pra mim chega, fiquei sem apetite - disse Yuki, saindo da cozinha.

- Yuki, espere! - falou Hatori- Você pretende realmente esconder isso do Akito? Ele sempre descobre tudo e...

- Eu sei... - disse Yuki, desanimado

Kyo abraçou o ratinho e disse:

- Vamos esconder enquanto der...

- Kyo, eu sei que vocês se gostam, mas isso não pode acontecer. Esse relacionamento desvia vocês dos objetivos - Disse Shigure - Gato e rato não se dão bem e mesmo assim vocês fazem o oposto e isso me deixa orgulhoso , mas Akito não vai reagir da mesma forma que nós, aceitando os seus sentimentos. Por isso peço que tenham muito cuidado.

- Vamos ter - disseram os dois, subindo as escadas.

Yuki parou na porta do próprio quarto e Kyo seguia o seu próprio caminho mas parou e olhou o menor.

- Você está bem? - perguntou o gato, visivelmente preocupado.

- Fica comigo. - disse Yuki, com os olhos inundados - Por favor.

- Calma, vai ficar tudo bem. O Akito não vai nos fazer mal, eu não já prometi isso a você?

- Eu sei... - respondeu o rato, enquanto entravam no quarto.

Encararam-se por um bom tempo, até se beijarem suavemente. Yuki abraçou o gato com mais força e os lábios foram ficando mais ávidos.

- Kyo, nós vamos...? - Perguntou Yuki, meio sem graça.

- É o que você quer?

- S...si...sim

Então os lábios se encontraram como se fosse a última vez... Kyo tirou a blusa do violeta, depois a própria e passou a beijar o pescoço de Yuki. Este estremecia e se perguntava se era isso que ele aprendia a fazer no treinamento que teve nas montanhas...

As calças já estavam jogadas no chão quando Yuki viu o corpo do maior e se arrepiou. Nunca tinha pensado em como Kyo era musculoso e bonito. Por outro lado, Kyo não estava mas agüentando ficar apenas admirando aquele corpo alvo, um tanto feminino e muito sensual.

- Você é tão sexy que... - Kyo só conseguiu completar a frase com um beijo de tirar o fôlego, colando-se ao corpo de Yuki em um abraço apertado e possessivo. - É isso mesmo o quer?

- Claro que sim.

Com isso kyo retomou o beijo, roçando ambos os membros. Já deitados, Kyo mostrou todas as suas armas para excitar o rato. Começou pelo pescoço, alternando entre beijos, lambidas e pequenas chupadas, passando pelos mamilos, pela barriga, até chegar no membro, onde, com um olhar devasso direcionado a Yuki, Kyo passou a acariciar e beijar com vontade, satisfeito e excitado com os gemidos que o ratinho soltava.

-Oh... Céus, Kyo.

- Você gosta? - A voz rouca do Gato deixava Yuki muito mais excitado.

-Uhuuuuum...

- Vou interpretar isso como um sim. - Kyo com um sorriso malicioso.

Yuki não demorou muito para chega no clímax. Satisfeito, Kyo deu outro beijo no menor.

- Kyo, eu quero você... – Sussurrou Yuki – Dentro de mim.

- Tem certeza? Eu não quero te machucar...

- Absoluta.

O gato, sem muita delicadeza, enfiou os dedos na entrada do rato, preparando-lhe para algo maior. Yuki delirou e, sem se controlar mais, pediu:

- Faça-me seu, Kyo... Agora!

Kyo, sem pestanejar, abriu-lhe as pernas e o penetrou, fazendo o menor gritar de dor... e de prazer.

- Sabe, Yuki...? Eu te amo.

- Eu também te amo – respondeu o menor, ruborizado.

Com um sorriso puro, Kyo começou a se mexer e, vendo a cara de dor do menor, passou a brincar de forma nada inocente com o membro de Yuki, enquanto lhe dizia certas coisas, por exemplo, o quanto era excitante ouvi-lo gemer tanto.

- Kyo, eu...

- Goze, goze!

Com um último gemido, ambos chegaram ao clímax. O coração de Yuki estava disparado e o seu corpo tremia por completo. Ele ainda estava tenso, mas Kyo, que ainda estava dentro de si, o relaxava com beijos e carícias já não tão ousadas. O gato tirou o membro do rato, mas não saiu de perto dele. Com um último beijo os dois adormeceram abraçados.

-X-

- Kyo...

- Não...

- Acorda, Kyo...

- Só mais um pouquinho – Disse, agarrando-se ao travesseiro.

- Estamos atrasados...

- Não...

- Honda-san já foi...

- Mas tá tão bom aqui...

- Mas já são quase oito horas! Estamos muito atrasados.

Kyo, no mesmo instante, abriu os olhos, mortificado.

- OITO HORAS???? YUKI, ESTAMOS ATRASADOS!

- Era isso que eu estava tentando avisar.

Kyo pulou da cama, pegou o primeiro conjunto de uniforme que encontrou e correu para o banheiro. Yuki, que já estava pronto, apenas suspirou. Era nisso que dava ficar fazendo determinadas travessuras até tarde da noite.

E como havia alertado, chegaram demasiadamente atrasados. Com muita sorte – e com a ajuda da influencia que Yuki possuía naquela escola – a professora permitiu a entrada dos garotos.

Acompanhados de suspiros das meninas, Kyo e Yuki se dirigiram as suas cadeiras. Kyo sentou no fundo, atrás de Tohru, enquanto Yuki sentou bem a frente, ao lado de Kasume, o que deixou certo garoto de cabelos laranja muito enciumado.

Passaram-se duas semanas sem muitos acontecimentos relevantes e repletas de reuniões do grêmio para Yuki, o que implicou na maior atenção por parte de Kyo sobre qualquer um que chegasse perto do rato. Principalmente, Kasume.

Kyo não era tão burro a ponto de não perceber que o desgraçado 'devorava' Yuki somente com o olhar e qualquer dia pensava que perderia o controle e voaria no pescoço do infeliz.

Quando bateu o intervalo, Kyo se apressou em procurar seu 'príncipe dos olhos violetas' para matar a saudade. Mas a cena que presenciou ao finalmente encontrá-lo foi realmente perturbadora.

-X-

A reunião havia terminado, e Yuki havia ido deixar uns papeis na secretaria. Agora, retornava para o pátio, a fim de esperar o intervalo e, conseqüentemente, Kyo. Enquanto estava parado, em um corredor vazio, percebeu que Kasume se aproximava.

- E ai, Yuki? Como foi a reunião?

- Boa, boa – respondeu, sem prestar muita atenção no garoto – perdi muita matéria depois que saí?

- Não, a professora só corrigiu os deveres.

- Ah – disse, consultando o relógio.

- Yuki eu preciso falar seriamente com você.

- Sobre? – Perguntou, franzindo o cenho.

- Sobre nossa relação e sobre aquele maldito.

- Não estou entendendo aonde você quer chegar, Kasume.

- Vim aqui fala de nós dois e dos obstáculos que nos cercam – Respondeu, com um sorriso maroto.

- Nós? Obstáculos? Kasume, você enlouqueceu? Não existe 'nós'.

- Agora não, mas pode existir no futuro quem sabe? – O garoto fez uma breve pausa – sabe, desde a primeira vez que te vi, me apaixonei perdidamente – Continuou, empurrando Yuki na parede e o impossibilitando de sair de lá – Porque não saímos junto?

- Kasume, não querendo ser rude... Mas eu já tenho alguém – Disse, empalidecendo consideravelmente.

Kasume não permitiu que Yuki continuasse e o beijou. O menor não conseguiu empurrar se livrar dele, porque era muito mais fraco fisicamente. Mas tentava, mesmo assim.

- SEU BASTARDO!! O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO??? – Berrou Kyo, ao mesmo tempo em que empurrava violentamente Kasume.

- O que você quer? Você não tem nada a ver com isso, seu monstro asqueroso - retrucou Kasume.

- Filho da puta! – Disse, socando Kasume, que revidou.

E os dois começaram a trocar socos e chutes, chegando a ponto de arrancar sangue do nariz de Kyo. A briga só foi interrompida por um grito de Yuki.

-PAREM!!!!

O garoto estava sem fôlego e respirava ofegante.

- Yuki? Yuki, o que aconteceu? Você está bem? – perguntou Kyo, segurando-o em seus braços.

- claro que não está, idiota - disse Kasume irritado.

E então, Yuki desmaiou

-X-

Yuki acordou na enfermaria e viu Kasume e Kyo ao seu lado.

- Yuki, se sente melhor? – perguntou Kasume.

Yuki apenas assentiu.

- A enfermeira disse que você devia ir para casa e...

- Sai daí, seu desgraçado! Foi você que fez isso com ele - Disse Kyo com raiva, afastando Kasume do "seu Yuki".

Yuki viu que o clima voltou a piorar na sala e puxou o braço de Kyo, murmurando um 'vamos'. O rato se despediu de Kasume com um aceno de cabeça enquanto Kyo o ajudava a se levantar. Então, os dois seguiram para fora da sala, acompanhados por um olhar de profundo desprezo de Kasume.

Yuki e Kyo retornavam para casa em silêncio. Este foi quebrado por Kyo, quando ele propôs que fossem tomar sorvete.

'por que não?' pensou Yuki, concordando com a cabeça.

Durante o passeio, os dois conversaram sobre tudo que lhes havia acontecido até aquele momento. Riam ao se lembrar da época em que brigavam por tudo, e Kyo até comentou que ainda não havia perdido. Passada uma hora, os garotos resolveram retornar para casa. Ao chegarem, encontraram um pequeno bilhete sobre a mesa, com a assinatura de Shigure.

Yuki e kyo.

Tohru foi para a casa de uma amiga, e eu , Hatori e Ayame saímos para um dia de puro prazer. Tem comida na geladeira, é só esquentar.

PS: Vocês podem fazer sexo selvagem na sala, mas cuidado de não desarrumá-la muito.

- Esse bastardo pervertido não pensa em nada mais que isso, né? – Disse Kyo, corando.

- Não liga pra ele.

- Mas não seria uma má idéia fazer sexo selvagem na sala... – Disse, pervertido, puxando Yuki para um beijo.

Aprofundando-o, fizeram com que suas línguas se encontrassem e brincassem uma com a outra. Kyo eliminou qualquer distancia que os separassem, abraçando Yuki de maneira possessiva.

-Ora ora ora... Não pensei que fosse encontrar o casal do século na sua profunda intimidade. Devo confessar que me sinto honrado em presenciar essa cena.

Yuki e Kyo viraram, alarmados, na direção da voz. Ao ver o emissor, Yuki ficou lívido.

- Akito...

Atrás do chefe da família Sohma, estavam Shigure, Hatori e Ayame, todos muito preocupados.

Yuki apertou as roupas de Kyo. Suas mãos tremiam. Kyo o abraçou com força, na falsa esperança de protegê-lo contra aquele homem.

(continua...)