Disclaimer: Antes tarde do que nunca.

Nota: Por favor, peço uma opinião dos leitores. Devo continuar a fic em primeira pessoa ou mudar para terceira? Qual vocês acham que se aplica melhor à fic?

Desde já agradeço.

oOo

Tudo bem, ta legal, eu admito. Aquele velho excesso que me deixava sempre bem me deixava mal da mesma maneira.

Engatinhava lentamente até a privada e novamente despejava tudo o que eu (não) havia ingerido na noite anterior.

As minhas olheiras eram extremamente aparentes. Aquela face pálida e lábios roxos me deixavam com aparência morta.

Estreitei os orbes e segurei com mais força a privada. Levantei com cuidado limpando meus lábios, enquanto me preparava para escovar meus dentes... novamente.

Era desgastante me olhar no espelho. No começo, quando estava me recuperando de todo o trauma e fama daquela "empresária" conhecida que era quebrei vários espelhos. Vários e vários, não saberia dizer quantos. Parei apenas quando me contentei em crer que aquela imagem destruída era mesmo a minha e não defeito do espelho.

De modo algum.

Por ironia do destino, de nada valeu escovar os dentes, já que me encontrava voltada de joelhos em frente à privada como antes.

Observei tudo ao meu redor com lentidão e me veio em mente o homem da noite anterior.

- Maldito invasor idiota. – Sussurrei, irritada com o fato de estar pensando nele. Eu não perdia meu tempo pensando nas pessoas fazia tempo e não me deixava nem um pouco alegre imaginar que voltaria agora. Gostava de ser apreciadora da solidão, adorava com todo o meu ser não passar nenhum mísero segundo pensando em outro ser a não ser eu.

Odiei-me severamente quando notei que ele, Inuyasha não me saia da memória. Aquele sorriso sarcástico, aquela ironia sutil e aquela beleza arrebatadora voltando a cada minuto.

Levantei indo em direção ao quarto e me jogando contra minha cama. Sim, Kagome Higurashi apenas queria morrer.

Era engraçada minha mudança súbita de humor e pensamentos, mas nada me fazia não sentir vontade de estar morta.

Nada, em momento algum me alegrava de forma a me deixar realmente feliz.

O telefone começou a tocar. Arregalei os olhos fitando aquele velho aparelho extremamente empoeirado tocar.

- Não sei por que não desliguei essa merda assim que tive oportunidade. – Engoli seco quando o telefone parou, e bem...,continuou.

Não que fosse difícil saber quem era, mas simplesmente não poderia ser quem eu pensava que era. Não, de maneira alguma.

Ele não seria tão insolente a tal ponto. Eis que deixei tocar até o fim e escutei a secretária eletrônica.

Coloquei as duas mãos embaixo do queixo esperando a pessoa do outro lado da linha se revelar.

- Kagome? – Droga. Sim, literalmente uma droga. – Não que eu me preocupe se você realmente se importa em eu ter descoberto seu telefone, mas achei engraçado o ficar tocando sabendo que você está com uma tanto enorme quando desgastante enxaqueca, não?- Meus olhos não demonstravam outro sentimento a não ser ódio.

Mordi os lábios me segurando para não atender o aparelho. Queria demonstrar que não me importava com ele e fazê-lo ir embora. Sinceramente, eu não queria e repudiava a idéia de voltarem a se aproximar de mim.

Aquela coisa toda "humana" apenas me lembrava amargura e eu não voltaria a fazer parte dela. Muito menos por uma pessoa que invadiu minha vida sem sequer minha permissão.

- Não adianta fingir que não está ai. Eu acabei de voltar do bar e você não estava lá. Se não estava por lá, certamente está no seu apartamento afinal, segundo seu querido amigo Bankotsu, sua vida se resume nisso.- Se eu tivesse qualquer vestígio de sorriso no rosto, este sumiria no exato momento em que ele terminou a frase.

Bankotsu, maldito insolente.

- De toda a forma, não deixaria que você saísse impune do que me fez minha querida. – Não passou de confusão. – Você acha que apenas porque quer ficar sozinha, todos vão te deixar sozinha, não é? Pena que cruzou seu belo e solitário caminho comigo e pensou que me deixaria inferiorizado, coisa que ninguém fez e nunca ousará fazer comigo, tenha certeza afinal, tenho o excepcional dom de perturbar pessoas, coisa que tenho certeza que não tinha ciência. –

Suspirei com longo tédio. Percebi naquele exato momento que não me deixaria em paz. Maldito erro estúpido de tê-lo deixado falando sozinho. Maldito dia em que resolvi ir à espelunca de Bankostu. Maldito dia em que resolvi não estar morta.

- Portanto, espero que as 7 da noite esteja pronta. – Me preparei para ouvir a proposta que Inuyasha faria no momento. Senti medo de fato, já que o mesmo parecia fazer de tudo para me atingir de alguma forma. – Esteja pronta, pois estarei indo te buscar para jantar. Bankotsu diz que não come nada, e quando come é algum tipo de porcaria. Então, até as sete! – Arregalei os olhos sentindo meu coração disparar e minhas mãos soarem frio.

Corri até o telefone e o apanhei com força.

- Não faça isso!- Gritei,em desespero, entretanto apenas pude ouvir o barulho que indicava o fim da ligação. – Maldito! – Continuei a gritar enquanto literalmente quebrava o telefone quando o devolvia ao gancho, com raiva.

Havia tempo que eu não me sentia em tamanho desespero. Minha boca secou enquanto a dor da minha cabeça aumentava cada momento mais.

Apertei meus cabelos com força os puxando entre meus dedos. Aquela antiga cena doentia de ansiedade voltou ao meu sangue como uma overdose de emoções.

Odiava me sentir humana, odiava querer viver.

- Eu quero estar morta... quero morrer, sozinha, se possível. – Murmurei em uma pequena prece enquanto de meus olhos brotavam pequenas lágrimas.

Parecia impossível, mas minha essência as poucos...

Estava voltando.

oOo

Bateu na porta uma vez e não obteve resposta alguma. Bateu mais uma, e outra... e outra vez.

Nada, nenhum sinal de vida.

Tentava eu conter até mesmo a respiração, distante da porta para que ele não me percebesse lá.

Tudo escuro, extremamente apagado. As portas trancadas e janelas com trinco.

- Kagome abra, não temos tempo! Já fiz a reserva no restaurante e eles guardam nosso lugar apenas até as oito! – A voz suplicava, de fato. Eu o ignorei.

Não sentiria pena nem remorso por ele afinal, não fui eu quem havia me convidado, ou ainda o convidado pra sair, não é? Nem ao menos aceitei sua proposta dizendo que iria.

- Kagome não me faça abrir essa porta! Acho melhor que você mesmo a abra, assim você não poderá me acusar como fez ontem por estar "invadindo" sua privacidade. – Silêncio.

Minhas mãos voltaram a tremer e os olhos vermelhos apenas ficavam mais vermelhos ao decorrer do tempo.

Não havia colocado uma gota de álcool no boca. Não tive sequer coragem de sair de casa. Eu estava com medo ou o quê?

Não saberia responder, apenas sabia que o queria longe de mim. Meu olhar parou em algum ponto tão menos escuro da casa enquanto a dor de cabeça ia amenizando. Sim, ela me perseguiu até aquele momento.

Comecei a ficar impaciente quando percebi que ele ainda não havia partido.

- Sua última chance. Vai abrir a porta como uma pessoa normal e poderemos sair como duas pessoas normais, ou terei que abrir essa porta de outra forma e sair de outra forma, também? – Engoli seco, arqueando a sobrancelha.

Ele não iria arrombar a porta, não era louco o suficiente para fazer isso.

Seria?

- Ótimo, fez sua escolha então. – Fechei os olhos esperando o impacto na porta de madeira, quando este não veio. Arregalei os olhos quando apenas ouvi um pequeno virar de chaves. E para a minha surpresa, ela se abriu.

Não, não era possível.

- Pronto, agora levante-se debaixo dessa mesa e vá se aprontar. – Seu olhar estava prendido a mim naquela escuridão.

- Como... como está me vendo? – Perguntei com um fio de voz. Acendeu a luz, não tirando os olhos de mim.

- Digamos que apenas tenho uma ótima visão. – Respondeu, analisando todo o meu corpo ali literalmente "jogado".

- Não quero ir jantar. Você não me convidou, você afirmou que iríamos. Não confirmei minha presença a você, portanto vou ficar aqui e você não vai me tirar, pode ter certeza. – De meus lábios saíram palavras desafiadoras, porém ele sequer se mexeu.

- Ande, levante. Você está com uma imagem péssima, humana. – Respirei fundo.

- Se ontem você invadiu minha casa, pelo menos foi com ela já aberta. Posso saber onde conseguiu uma cópia da minha chave? – Arqueei a sobrancelha, engatinhando pra debaixo da mesa onde a luz batia mais forte em meu rosto.

- Eu apenas fui embora ontem quando reparei que havia três de suas chaves jogadas por aí. – Disse com desdém, como se fosse algo extremamente normal o que havia feito. – Apenas apanhei uma e fiz uma cópia. Agradeça com todo o seu coração por eu não ser um maníaco. –

- Saiba que pensei nisso todo o momento. – O tom de minha voz já possuía certo misto de raiva. – Da para... me deixar um pouco em paz?- Perguntei, sibilando para que fosse embora desta vez, para todo o sempre. Ele suspirou, se apoiando na parede.

- Estamos perdendo hora. Se ainda lembra o caminho do seu guarda-roupa, recomendo que vá para lá. Apenas quero que venha jantar e não me culpe, já que esta não tenho para mim. Não fui eu quem esnobou uma pessoa a qual não conhecia pensando que ela sumiria. Você deveria imaginar que dia ou outro isso que agora acontece, aconteceria. - Me levantei do chão com os olhos um pouco fechados. A luz machucava-os e a dor de cabeça se prolongava juntamente com a de meu corpo.

- Não quero passar mais nenhum minuto do seu lado, seja lá o que você for. Não adianta fazer um discurso bonito para me convencer a sair com você, meu caro. Se muitos já tentaram, nenhum deles conseguiu, então vá embora e deixe minhas chaves. – Ao invés de virar as costas e ir, apenas pensou em aproximar-se.

Segurei minha raiva por alguns instantes que me pareceram eternidades. Enquanto se aproximava, eu me afastava. E assim foi até encontrar a fria parede atrás de mim.

- Não me force a te carregar até seu quarto e te trocar. – De seus lábios surgiu um sorriso malicioso, esse, novo para mim. – Seu cabelo está despenteado. Seus olhos vermelhos e sua face pálida demais. Essa roupa amarrotada não combina com você. Então, não me faça esperar muito tempo. Facilite as coisas para nós dois e apenas contribua. – Eu sorri largamente. Aquele sorriso contendo o largo desejo de afastá-lo de mim a todo custo. De surrá-lo, ignorá-lo e ofendê-lo, entretanto, diferente de todos que já havia conhecido, não achava maneira para fazer nada que tinha em mente.

Era forte demais, irônico demais e orgulhoso da mesma forma.

- Eu não quero ir, será que não entende?- As palavras saíram separadamente, indicando que eu realmente não iria, dependendo ou não do que dissesse.

Em um movimento rápido ele me pegou com força, me ajeitando em seu ombro direito.

- Que bom que escolheu da maneira mais difícil. É mais engraçado de fazer. – Passei a dar-lhe pequenos murros em suas costas, afim de que me soltasse.

Gritei. Suas orelhas abaixaram-se um pouco e achei graça naquilo.

Passei a gritar cada vez mais alto mas, quando vi ele já me jogava violentamente contra a cama. O observei com ódio.

- Se eu for com você, o que ganho com isso? – Ele sorriu, com a face repleta de cinismo.

- Ganha comida de graça.-

- E se disser que não gosto de comer? – Riu então, aproximando-se novamente.

- Eu acreditaria. – Dei um longo suspiro quando meu coração estranhamente passou a acelerar. Passei a língua sobre os lábios, mordendo-os fracamente.

- Tudo bem, eu vou. – Disse, desistindo de relutar contra aquele tremendo orgulhoso. – Me dê alguns instantes. Não te garanto uma princesa, apenas posso te prometer uma estranha um pouco menos desarrumada. – Tristeza camuflada de compreensão. Apenas isso eu conseguia demonstrar. – Mas, em troca quero que nunca mais apareça em minha vida e se assim cumprir, prometo que não saio correndo, roubando whisky e batendo em cidadãos do bem dessa grande cidade nojenta. – Ele não evitou achar graça no que eu havia dito.

- Trato feito. – Respondeu simplesmente, deixando um rastro de suspeita dentre minha surpresa. – Agora se apresse, antes que acabemos perdendo nosso precioso lugar que me valeu uma fortuna. – Fechou a porta me deixando completamente sozinha no quarto.

Eu não iria aceitar pensar que estava mudando de idéia a respeito de querê-lo ou não perto de mim.

Ele era como qualquer um, eu sabia disso.

Não me magoaria novamente e não valeria à pena tentar nada novo.

Estava com saudades da sensação embriagada que estaria caso ele não estivesse por aqui. Sim... eu estava.

oOo

Após substituir a face pálida por algo um pouco maquiado, a velha blusa larga por uma antiga, preta e de fato decotada e a calça por uma mais decente, decidi sair do quarto.

Meus cabelos não estavam em seu perfeito e natural cacheado, mas estava bonito. Bonito perto àquele que eu estava há algum tempo antes.

Desci as escadas o encontrando sentado no sofá.

Ele me olhou rapidamente assim que cheguei. Estranhei o fato de sua ótima percepção. Não seria ele um youkai, pois não possuía a personalidade arrebatadora que a maioria dos que conheci possuía.

Portanto aquilo não era de meu interesse, não no momento. Ele deixou um leve sorriso brotar em sua face quando o olhei.

- Não é que resolveu se vestir decentemente, Kagome? – Não esbocei reação alguma. Não queria ouvir elogios, tampouco me esforcei para me transformar em uma "pessoa com aparência decente". Resolvi então ignorar, me encontrando ao lado dele.

- Vamos logo, ou não? Não vejo a hora de voltar para cá. – Disse calmamente enquanto já me encontrava em sua frente.

Ele nada respondeu, apenas preocupou-se em me seguir. Abriu a porta e a fechou, com ambos do lado de fora.

Encarei o carro em frente de casa. Bonito carro, eu diria.

Entramos no Honda quando ele deu partida. Aquele silêncio, que sempre me deixou tão à vontade me deixava desconfortável agora.

Não saberia explicar por que. Na verdade, nem me esforcei para isso.

Comecei a bater os dedos em minha coxa observando onde passava por detrás do vidro.

Ele logo estacionou o carro. Desci do mesmo, olhando maravilhada para o grande restaurante em minha frente e logo depois, apavorada.

- O quê? – Perguntei baixo. Ele me observou, sem nada compreender. – Por que justo aqui, Inuyasha? – Perguntei desta vez a ele, tensa.

- Porque esse restaurante é o melhor da cidade? – Respondeu ele, em tom curioso. Eu nada respondi, apenas presenciei meu longo silêncio diante aquele restaurante, que eu freqüentava antigamente e há tempos não pisava por perto dele.

- Existem pessoas que talvez me conheçam por aqui. – Disse, não o encarando nos olhos. – De toda a forma, apenas procure não observar se alguns me olham de forma estranha e caso alguém se aproxime de mim, chama-me por outro nome. – Ordenei sutilmente, enquanto o puxava pela mão para entrar no restaurante.

Era o mesmo de sempre. Todo requintado, com velas espalhadas por entre as mesas, um espaço apavorante e aquela beleza estranha mergulhada entre os detalhes vermelhos que jaziam nas mesas e paredes.

Tudo muito belo e atrativo, diria.

Inuyasha me guiou para uma das mesas que se encontravam no canto. Era um local mais afastado e eu sabia que ele assim havia feito, pois sabia que eu não saia de casa há um longo tempo. Sabia também que ele não sabia o porquê, mas ignorava o fato.

Sentamos então, os dois. Batia os dedos contra a mesa representado nervosismo. O coração acelerado, os olhos desviando rapidamente das coisas e minha boca seca.

Não, eu não queria estar ali.

- Por que está tão assustada? – a voz contendo riso me despertou a atenção. – Pensei que você não tinha medo e que era aquele ser extremamente detestável, olhe só! – Continuou ele, sarrista. – Você não é quase nada do que aparentava ontem.

- Não por enquanto. – Conclui, ainda desviando meu olhar, só que agora de maneira mais lenta.

- Você se encontra em pleno desespero por estar fora de casa. Ainda mais por não estar bêbada, sente o aceleramento de seu coração cada vez menos suportável, não? – O sorriso dele aumentou quando sua mão fez com que eu levantasse o rosto em direção ao dele. – Pare com isso, acho que está desfalecendo aos poucos. Não deveria deixar que isso acontecesse. –

- Eu já disse que você não sabe nada de minha vida, Inuyasha. – Disse secamente. – Não adianta fazer previsões a minha vida, nem me dar conselhos inúteis que certamente irei ignorar. – Ele não esboçou reação alguma. – Então, se percebeu que já me conseguiu tirar de um lugar a qual eu me sinto bem para me transportar para um que eu não sinto, não me chateie ainda mais. –

- Eu disse que iria te perturbar Kagome, e sou bom no que faço. – Disse quando o garçom se aproximou. – Não ache que apenas porque não faz parte daquele convencionalismo que conheço, você sairá impune de mim.- Quando o garçom nos olhou Inuyasha se encarregou de fazer o pedido.

Com muita calma pediu aquelas várias coisas que se pedissem para eu repetir os nomes, eu não saberia de fato. Pediu então também champanhe, a única coisa que eu realmente reconheci ali.

Tirei então imediatamente a idéia de que ele estava preocupado realmente com minha condição afinal, pedira algo alcoólico, o que me acalmou. Não teria ao menos alguém no meu pé revendo sempre os maus que a bebida causa ao ser humano e toda aquela coisa que sempre passa nos noticiários.

- Agora só nos resta aguardar, coração. – O apelidinho falsamente carinhoso me irritou em certo ponto. – Me sinto extremamente vitorioso sabia? –

- Aé? E posso saber por que você se sente "extremamente vitorioso", Inuyasha?- Perguntei com desdém. Ele respondeu, com charme.

- Talvez porque eu estou aos poucos conseguindo despertar seus sentimentos, novamente. – Fiz uma expressão desentendida, que realmente não foi apenas uma expressão. – Bankotsu disse que você não sentia raiva, rancor, felicidade ou tristeza. Que não sentia simplesmente nada, ao menos perante aos olhos de outrem. Haveria então forma mais deliciosa por eu me sentir vingado por aquele dia no bar?- Tossi baixo, fingindo não estar surpresa.

- Você só pensa em vingança, não é mesmo? – O tom cansado da minha voz despertou então a curiosidade que vi em seus orbes , aquele mesmo brilho da noite passada. – Se quer realmente uma "vingança" sugiro que apenas me deixe em paz. Creio que se você sente ódio de uma pessoa a ponto disso Inuyasha, o que mais você iria querer seria que ela terminasse sozinha e esquecida por todos, jogada em algum lugar por ai então, desculpe-me te lembrar, mas essa é a minha vida, então sua vingança seria concluída tão fácil quanto você poderia imaginar. – Abaixei a cabeça, respirando fundo. – Pouparia tanto seus esforços quanto seu dinheiro.

Ele nada respondeu. Senti que ele estava ali, fazendo o que estava fazendo por algum motivo mais profundo que uma simples vingança.

Então, eu me surpreendi quando senti uma de suas mãos segurarem a minha.

- Eu te odeio como nunca odiei ninguém. – Revelou ele, o que me fez estranhar a reação. – O que me fez te odiar não foi o fato de ter me "esnobado" como insiste em dizer humana. O que me faz te odiar é o fato de você ter tudo para ser alguém, mas consegue ser mais ranzinza que eu e se destrói a cada dia mais. Está se tornando um ser extremamente inanimado e me irrita saber que não faz nada pra mudar isso. – Sua mão apertou forte a minha. – Eu te odeio por conseguir ser ainda pior que eu um dia. – Desviei meu olhar para o garçom, que chegava a nós.

- Apenas quero que me deixe desistir ainda mais se possível então. – Sussurrei enquanto o garçom já colocava os pratos em cima da mesa. – Como eu disse, não adianta nada tentar adivinhar minha vida. – Não o deixei responder, nem mesmo me olhar por mais um segundo.

Observei os pratos e a grandiosa refeição posta em minha frente. Não sentia fome, não sentia um mísero pingo de fome, mas sabia que ele me faria comer a todo custo então me aventurei a colocar algumas migalhas em meu prato.

Ele me olhou um pouco frustrado, puxando o prato de minha mão rapidamente.

- Você é uma alcoólatra ou algum tipo estranho de anorexa? – Arqueei a sobrancelha o vendo encher meu prato com as diversificadas receitas que ele havia pedido.

- Já disse, apenas não gosto de comer. – Ele terminou o que havia começado, deixando meu prato parado a minha frente agora. – Não sei por que se interessa tanto por isso. Se não agüento comer muito, não adianta nada me forçar a tal. – Terminou então de fazer o próprio prato, o deixando e passando a me encarar.

- Vamos, coma. – Disse friamente. – Ou será que serei obrigado a colocar comida na sua boca e tampar seu nariz?- A voz continuava séria e eu não percebia sinal algum de ironia no que ele dizia. – Você logo vai acabar ficando doente Kagome, apenas coma e não me pergunte mais nada, tudo bem? – Fui responder, porém ele abaixou a cabeça, demonstrando que o assunto estava realmente encerrado.

Comecei a comer. Cada garfada parecia um desafio para mim. Sentia falta de minhas porcarias e tudo mais.

O ritmo em que eu comia então passou a aumentar. Eu não me enchia tão rápido, como acreditei que seria. A fome não cessava e incrivelmente só passou a existir depois que comecei a comer.

Inuyasha me olhava sorrateiramente de vez em quando e eu pude sentir que de seus lábios, hora ou outra surgia um singelo sorriso.

O champanhe chegou e me senti tentada a beber um gole e bem, foi o que fiz.

- Sabia que não resistira. – Disse ele, pegando a garrafa e completando seu copo também. – Melhor parar, antes que vomite todo o sangue que resta em seu corpo. – Não se preocupou em me olhar. Ele era estranho, não saberia traduzi-lo, nem ao menos imitá-lo. Me intimidava sempre, já que quando eu pensava que saberia o compreender, ele mudava seu comportamento.

- Não me importo. – Minha resposta foi curta e seca. Ele parou de comer, soltando um longo suspiro.

- Eu também não. – Senti relutância em suas frases, observando-o voltar a comer.

Era estranho, tudo pra mim agora, mas como prometido, depois da janta ele me deixaria em casa e logo sumiria da minha vida.

Era um esforço que eu estava fazendo para conseguir o que eu queria... coisa que há muito tempo havia esquecido como se fazia.

Comecei a mexer o garfo "brincando" com a refeição. Ele me observou e mesmo eu não o vendo, senti que ele assim fazia. Segurou uma de minhas mãos.

- Não te disseram que é feio brincar com a comida, Kagome? – Perguntou, olhando diretamente em meus olhos. Senti um pequeno calafrio com o olhar que me mandou.

- Não, do mesmo jeito que não te disseram que é feio invadir a vida das pessoas. – Respondi não sendo tão intensa, porém muito precisa. Ele respirou um pouco, senti que queria cessar algum tipo de curiosidade e foi o que fez.

- O que sua mãe diz quando te vê assim, sempre tão contrariada? – Perguntou ele. Eu apenas suspirei.

- Ela morreu. – Respondi, quando o vi abaixar um pouco os olhos arrependido.

- Lamento, e desculpe a pergunta, não esperava que... – Cortei sua frase rapidamente, evitando que eu mesma sentisse dor.

- Não se preocupe. Gente morta normalmente me deixa menos triste que as vivas, como por exemplo, agora. - Ele sorriu um pouco, soltando minha mão.

- Não entendo porque é tão relutante. – Meus orbes percorreram toda a sua feição, já voltada para a própria comida.

- Deveria entender? – Coloquei mais comida em minha boca, a mastigando vagarosamente, não tirando os olhos dele.

- Não. - Respondeu simplista, ainda não voltando a fitar-me.

O tempo lá fora parecia piorar. Cada vez mais, a ventania aumentava e por mais que dissessem-me que vento era o oposto de chuva, eu passei a desacreditar na teoria quando vi os grossos pingos caírem contra a vitrine do restaurante.

A chuva aumentava cada vez mais e agora já era de se esperar uma dura tempestade. Observei tudo ao meu redor, lentamente.

Não sei por que, mas algo me diz que Inuyasha não sairá tão rapidamente da minha vida.

A não ser que meu pressentimento esteja errado... coisa que não costuma estar.

oOo

Sim, eu sei que foi cruel terminar o capitulo aí, mas achei melhor, já que o próximo se baseia no fim desse.

Agradeço muito as pessoas que me mandaram review, sério, foi o que me incentivou a escrever esse capitulo o quão antes possível!

Espero que tenham gostado, e qualquer duvida, critica ou sugestão é só entrar em contato.

Não se preocupem, eu não vou sumir de novo, como da outra vez! Ao menos não farei isso sem terminar a fic! AUHAUHAUA

Sério, isso.

Bom, vou responder as reviews agora. Agradeço a paciência!

Tahliannah-Olá, quanto tempo guria! AHAahuaHUA, claro que não me esqueci de você, apesar de ter que admitir que o que me ajudou a lembrar mesmo foi a tijolada na cabeça x.X!

Você mudou de Nick, não? Era outro, ao que me recordo! Mas sinto-me completamente feliz por saber que está acompanhando mais uma fic minha! Tem gente que nunca me abandona mesmo *_*! Muito, mas muito obrigada MESMO pela review, afinal, você foi a primeira a mandar, não é mesmo? Fiquei completamente feliz ao ver que alguém ainda lembrava-se de mim nesse site!

Aliás, esperava pelo próximo capitulo? Aqui está! Espero que tenha gostado, viu moça? Kissus, e até a próxima!

Day- Fazia tempo que não lia uma fic, como assim? Você não tem noção de como me deixa feliz saber que depois de tanto tempo justo a minha foi escolhida pra você ler! Sério, fazia mais de um ano que eu não dava as caras no site, e já de cara recebo uma review assim? Você não tem noção de como é gratificante pra mim como escritora *_*!

Boêmia, e linda? Well, well, não tenho nem como agradecer a tais elogios, que pareceram-me tão singelos. Uma Kagome sofrida, não? Gosta dessa idéia de fic, senhorita? De toda a forma, agradeço a review, e saiba que irei continuá-la sim, om toda a certeza! Até a próxima, e obrigada hem *.*!

Re- A última review na minha triste jornada pelo começo de fic! Igualmente as duas eu devo te agradecer por isso, afinal, foram as reviews que me incentivaram a continuar o segundo capitulo, que eu já estava escrevendo!

Achou o começo da fic interessante? Certamente, demorei pra conseguir achar um tema a qual os escritores do fanfiction normalmente não usam pra fic, espero que tenha obtido sucesso xD!

Vou continuar sim, disso você pode ter certeza! E está vendo como a fic vai ficar? Creio que já está imaginando os dois juntos, não é? HAUHEUHAUA! Espero que tenha gostado desse capitulo! Até o próximo, moça!