Disclaimer: Não, não e não! Mas agora tenho mais um ano inteiro pra conseguir!
Que todos os leitores tenham um ótimo 2009!
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O tempo piorou, assim como eu havia previsto e o champanhe já estava no quarto, assim como ele havia.
Eu era acostumada a beber, porém o champanhe estranhamente me deixara rapidamente sonsa. Não sabia dizer se era porque eu era acostumada com bebidas mais fortes, porém não me preocupava com nada.
Era melhor, eu me sentia mais a vontade e não me sentia tão ruim fora dos meus aposentos.
Inuyasha me sorriu quando viu que eu pulava a cada trovão que surgia. Eu passei a rir também, não muito. O pouco já era suficiente para eu não ser muito o "eu" que eu mesma era habituada afinal, quem mais seria?
- Estranho te ver sorrir. – Comentou ele, discretamente. A comida já estava no fim, ao contrário da chuva.
- Normalmente eu não tenho motivos. – Respondi, molhando meus lábios na bebida.
- Passou a ter? – Minha mão deixou o copo repousar em cima da mesa.
- Não é tão fácil quanto parece. – Era bizarro. Talvez ninguém me entenda um dia, tanto que espero que não, mas sempre que a felicidade é tocada nos assuntos sinto como se o pouco que sobrou de mim fosse quebrando-se, lentamente. Eu não era um "nada", eu era o "pouco", consideravelmente mais miserável. Ele arqueou a sobrancelha quando viu que meu copo já havia terminado e eu estava a completar o outro.
- Porque você bebe tanto? O que você pensa que vai acontecer com sua angustia?- Engoli vagarosamente a bebida. Meus olhos encontraram-se com os dele, sem brilho algum, supus eu mesma.
- Não é de seu interesse. – Foi tudo o que eu consegui dizer. Olhei ao meu redor e percebi que muitas das pessoas já tinham se despedido de seus lugares dentro do restaurante. Não fazia idéia de que horas eram, mas não me preocupei em saber.
- Que não é, eu sei. – Aqueles dentes brancos à mostra me deixavam a ferver de raiva. – Mas minha curiosidade é maior que você imagina, portanto é melhor responder agora que me agüentar por vários dias fazendo a mesma pergunta sendo que as farei sempre de formas diferentes. – Passei a língua sobre meus lábios então.
- Esqueceu-se de nosso trato? – Nossos sorrisos entraram em atrito a primeira vez naquela noite. – Ou será que terei que lembrá-lo? Pode ter certeza que eu o farei sem esforço algum!- Inuyasha posicionou-se melhor sobre a mesa.
Esperei dele palavras fortes, que me deixariam sem fala ou até mesmo com muito o que dizer. Entretanto me veio o detestável "meio-termo", atitude desprezível, eu diria.
- Vamos embora, antes que a chuva aperte. – E, voalá. Estava suportando uma leve tontura e apesar de ser acostumada com ela, parecia-me diferentemente não familiar desta vez. Juntamente a ela, o homem à minha frente, que usou a tática mais suja possível de se fugir de uma conversa.
- Vamos, então. – E eu, como uma pessoa extremamente patética, me pus a simplesmente não questioná-lo pela atitude que acabara de praticar. Sabia eu, que a partir dela muitas viriam e eu não saberia rebatê-las à altura. Ao menos, não naquele momento.
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- Ótimo!- Murmurei, ainda acompanhada da tontura, que apesar de eu ter ido embora do restaurante ela não havia permanecido lá. – Estamos em frente a uma enxurrada que, pode-se dizer de passagem, em uma das únicas ruas que levam a minha casa.- Ele demorou um pouco para responder. Senti que suas mãos seguravam forte o volante pensativo.
- Na verdade, esse seria o único. – Pensei por um leve momento que era realmente pequena a cidade em que morava, ou eu simplesmente me "escondia". – Pode passar a noite em casa, se assim preferir. – Não foi necessário gritar com ele. Simplesmente me segurei com o intuito de não vomitar palavras em cima do homem.
- Não. Já me fez muito em me tirar de casa, agora faça o favor de me devolver a ela. – Inuyasha apenas arqueou a sobrancelha em um leve momento sarcástico.
- Bom, temos algumas sugestões para sua noite.- O esperei continuar, cruzando as pernas e o encarando, com o cinto já solto se é que fora preso alguma vez. – Ou eu decido virar um super-herói, saio do carro, o levanto, pulo com ele por cima da enxurrada e novamente volto a o conduzir até sua casa... – Deu uma leve parada, fingindo estar pensando em uma alternativa mais viável. Ele me olhou como se a primeira alternativa fosse possível, dei um nó em minhas sobrancelhas.
- Continue Inuyasha, e não me faça perder mais tempo que já perdi. – Ele então continuou a esbanjar talento com tamanha inutilidade.
- Em segundo, podemos ficar aqui esperando a enxurrada passar até ela arrastar o meu carro e nós morrermos afogados em alguma parte obscura e alagada de Tókio. – Fechei os olhos levemente, esperando o momento em que seria demais e eu teria de interrompê-lo. – Ou você simplesmente sai do carro e caminha até sua casa. É tão fácil ultrapassar essa água Kagome, que eu poderia sugerir que você vá nadando. – Entreabri um pouco os lábios perante tamanho absurdo. – O que houve? Ao menos chega mais rápido isso é, se souber nadar, pois caso não saiba as coisas podem dar um pouco erradas... – Respirei fundo e logo suspirei, da mesma maneira.
Lentamente fui me virando no banco sem lhe dirigir mais palavra alguma.
Sentia seu olhar preso em minhas costas, como se estivesse devorando-se de ansiedade. Minhas mãos então moveram-se com uma calma anormal até a maçaneta do carro. E então, abri a porta sem nenhum receio – aparente. Coloquei uma perna pra fora, que em segundos já mostrava-se completamente molhada por causa da ferocidade da chuva.
Inclinei um pouco mais o corpo indicando que havia, sem dúvida alguma, escolhido sair no temporal à ficar com ele.
Senti uma forte mão me puxando novamente para dentro e me colocando sentada. A mesma mão passou por cima de mim e bateu a porta com força, logo depois a trancando.
- Esqueci de te avisar que eu apenas faço as perguntas para pessoas que estejam psicologicamente bem para respondê-las e se responsabilizar por suas respostas. - Respirou fundo, ligando o carro de imediato. – Pensei que você fosse uma dessas pessoas, porém fui obrigado a descobrir que você não é e que para você, o único com sanidade capaz de opinar em seu lugar sou eu. – Minha face se encheu literalmente de raiva.
O que aquele homem pensava que era, afinal? Um amigo... até mesmo um inimigo ou o meu pai?
Bufava enquanto sentia meu sangue circular rápido pelo meu corpo. Segurava-me afim de não surrá-lo.
- Inuyasha..., - Comecei a frase entre dentes, enquanto minhas unhas machucavam a palma de minha própria mão. – Eu não sou uma pessoa famosa, eu não tenho ninguém para notar meu desaparecimento e tampouco amigos que me ligam de vez em quando para verificar se estou bem. Você não assinou nenhum termo de responsabilidade que dizia, em letras minúsculas no fim do acordo, para você me devolver em casa sã e salva de algum tipo de ferimento ou danos a minha saúde. Se eu morrer, ou ficar doente ou não acontecer nada, ninguém da face da terra vai ligar. Portanto, você não precisa me forçar a ficar nessa droga de carro se eu quero descer e ir logo pra minha casa. – Falava com dificuldade. Minhas pernas já tremiam de frio, ainda úmidas.
Ele deu uma rápida olhada pra mim, um olhar a qual eu não pude ler qualquer tipo de reação ou sentimento. Ele era completamente estranho pra mim.
- Olha, Kagome..., - Era evidente que ele me responderia, até tardou, poderia dizer. – Eu não assinei nenhum termo e ninguém vai dar falta de você se você sumir, isso eu sei. – Apenas posso citar que nunca doera tanto ouvir como agora. – Mas acontece, que nem sequer prostitutas Kagome, aquelas meras meretrizes a qual me olham como ouro, são deixadas como lixo. – Fingi que ele não me comparou a prostitutas, muito menos não me reduziu a lixo.
- Você não me parecia um homem a ser dar por tais luxos. – Não saberia dizer, mas por um momento a única questão que ressoava em minha mente era da confissão que ele havia acabado de me fazer, não intencionalmente, creio.
- O homem sempre há de se desvalorizar com estes Kagome, mas sabe que não é a questão. – Ele me olhava duramente nos olhos, sempre que via que podia por segundos desgrudar a atenção que tinha ao transito. – Você pode até ser acostumada a ser extremamente desvalorizada ou até mesmo se vangloriar por poder tomar suas atitudes a qualquer momento por deixar claro que ninguém se importa com o que você se tornou. – Minha boca ficou seca, enquanto eu me enchia de um estranho sentimento, diferente daqueles que estava acostumada a sentir. – Mas esqueça dessas regras ridículas que você mesma colocou na sua vida para se acostumar com o que você se tornou, ao menos perto de mim. Essa sua estupidez que coloca em suas atitudes não descendem menos que de um fracasso. - Quando ele terminou a frase, fiquei exatamente como não achei que iria ficar.
Sem palavras.
E sem palavras continuei até chegar à residência que ele morava. Não sabia se sozinho, não sabia se não. Eu simplesmente não sabia de nada, do mesmo jeito que ele não sabia de – quase – nada sobre mim, apenas o que eu lhe revelava.
Eu estava me estranhando. Eu não retruquei nada do que ele ousou falar a mim e me sentia mudada por dentro. Senti-me massacrada em algumas palavras que eu sempre me dizia, mas nunca me disseram, não daquela maneira.
- É aqui que você vai ficar. – Disse diretamente. Não escondi minha expressão surpresa ao observar a enorme casa a qual ele morava.
- Residem mais por aqui?- Perguntei com a voz consideravelmente rouca, de quem não abria a boca fazia tempo.
- Não, apenas eu. Se acha que só você na vida é sozinha, mude seus conceitos. – Retorci a feição levemente.
- Eu nunca disse isso. – Estacionou na garagem, abriu as portas e enfim me vi fora do automóvel. – Eu apenas deixo claro que me preocupo apenas com a minha solidão e que dela eu quem cuido. Nunca afirmei, de maneira alguma, que não existem centenas e milhares parecidos comigo, não, não. – Ele respirou fundo, pegando meu pulso e me guiando para dentro da casa com o assunto encerrado, como eu deixei que se encerrasse o dele.
Parecia que tinha medo que eu saísse correndo, virasse um fio de cabelo e passasse por entre as grades finíssimas e perigosas do local.
Adentrei, estranhando tudo a cada passo que eu dava. Não era de se admirar, já que há tempos o único lugar diferente que pisava era um bar pouco mais longe, quando o de Bankostu fechava.
Os belíssimos quadros espalhados por todas as paredes, a grande TV e os aparentes luxuosos quartos a qual a escada levaria eram tenebrosos. Sim, eu os definiria tenebrosos, pois nem tamanha beleza conseguia esconder a tamanha indiferença que jazia em meio dela.
- Seu quarto é o primeiro do segundo andar, virando à direita. – Disse-me, jogando sua blusa de frio por cima do sofá e já tirando os sapatos. – Caso queira tomar um banho, sinta-se a vontade. Apenas temo por queimar o chuveiro, pois pelo o que vejo a chuva tardara a terminar e os raios, igualmente. – Dei ombros como se tivesse ouvido tudo, mas também ignorado.
Timidamente , - e sim, eu ainda conseguia me sentir tímida -, subi as escadas com uma estranha e indesejada leveza, deixando minhas pernas me conduzirem até meu quarto. Quando fui entrar nele, que agora era meu, senti uma mão apalpar minha barriga e me puxar para trás em um movimento sorrateiro, logo me virando abruptamente.
Inuyasha me fitava com aqueles olhos cor âmbar, de uma forma que eu nunca havia visto antes. Seus lábios ficaram perigosamente perto aos meus e eu não segurei um olhar espantado perante o susto.
- Cada vez que age de forma humana, meu controle foge, como se suas mãos o sugasse!- A afirmação acabou por aí e terminou comigo tremula em frente ao cômodo que passaria a noite e Inuyasha entrando no seu.
Ele podia ser bem mais estranho que eu imaginava, às vezes.
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Amanheceu enfim. O tempo estava nublado e minha cabeça como sempre, doendo. Levantei da cama lentamente, indo em direção ao banheiro enquanto levava uma forte tosse comigo.
Não me espantei ao observar o sangue que saia a cada tossida que eu dava. A mistura cigarros mais bebida não fazia bem obviamente ao meu organismo, que já se encontrava literalmente o destruindo. Mas, quem se importa?
Enxagüei a boca tirando o gosto amargo do sangue que costumava ficar nela. Minhas mãos estavam tremulas e ao me ver no espelho, me encontrei pálida.
- Então não é porque bebo que fico assim?- Perguntei em um leve sussurro, passando as mãos delicadamente sobre meu próprio rosto.
Senti meu estomago revirar e me ajoelhei para expelir aquilo que (desta vez) havia ingerido ontem.
Respirei fundo, pegando ar.
- Mas que merda é essa? – Perguntei, relutando a acreditar que estava de "ressaca" sem ter fortes motivos para a mesma.
Entretanto, não discuti muito o assunto comigo mesma. Eram exatamente nessas horas que eu reparava o quão eu não me importava comigo. Seria desgastante para outra pessoa reparar algo do gênero mas para mim, de fato, não.
Sai do banheiro, com os dentes escovados e cabelos penteados. Não sentia um pingo de fome, como já era habituada.
Sai do cômodo descendo as escadas, observando novamente a casa, agora com a luz do sol a iluminando.
Lindo. Tudo muito lindo e organizado. Lembrei-me brevemente de como era minha vida antes de eu me tornar digna de pena e bom, chegaria perto da que Inuyasha tinha se fosse por alguns zeros a mais em minha conta bancária, não muitos porém, admito.
- Já acordou? – A voz atrás de mim saiu calma. Não me assustei como deveria. Virei em direção á Inuyasha, que me olhava sério.
- Sim. Já estou pronta para me levar de volta pra casa. – Afirmei de prontidão. Inuyasha porém, não me sorriu. – hanyou... - Sussurrei, sem motivo algum. Inuyasha arregalou um pouco os orbes parecendo estar surpreso.
- Realmente não sabia o que eu era? Deixe de cinismo, mulher. – Pigarreou ele, voltando a expressão que tinha antes. Um pequeno sorriso brotou em minha face.
- Apesar dos demais traços que deixam evidente o que você é, eu realmente não sabia. – Disse, ainda contente com minha própria descoberta. – Desculpe, acho que esse tempo todo passei tão embriagada, que deixei de lado a noção que tinha para distinguir coisas simples. – Falei, já virando-me e deixando de lado o fato que acabara de descobrir.
- Se arrepende do tempo perdido? – Parei de andar para onde eu estava indo, sendo que eu não sabia de toda forma. Um suspiro longo foi dado como resposta.
- De maneira alguma. São os momentos a qual eu mais me sinto bem. – Eu não demonstrava relutância em minhas palavras e justamente por isso, senti que ele recebeu como se fossem verdadeiras. Ele colocou a mão em meu ombro o que agora, me fez assustar. – O que houve, Inuyasha? – Perguntei com um tom mais seco que o anterior. Sabia do dom que o homem, agora hanyou, tinha para conseguir confundir e transtornar pessoas. Meu receio era evidente, apesar de nunca ter sido.
- Não esperava outra resposta a ser essa. – Admitiu ele, o que achei desnecessário. – Mas eu gostaria de saber como uma pessoa pode gozar tanto de um momento de embriagues, sendo que cospe sangue e vomita todas as manhãs. – Minhas pupilas dilataram-se por um breve momento. Mordi meu lábio inferior, enquanto o hanyou ainda segurava meu ombro com força.
- Você sabe de coisas demais. – Repliquei, roubando a expressão séria que ele tinha no rosto. – Isso apenas me lembra que devo me manter distante de você. – Ele soltou meu ombro, voltando sua mão para o lado de seu corpo.
- Tudo bem, eu te levo para sua casa. – Disse, se virando e caminhando até a cozinha, que encontrava-se perto de nós dois. – Apesar de não ser essa minha vontade. – A sinceridade dele aplacou minha relutância. Preferi não responder nada afinal, nada que eu dissesse seria sincero.
Eu não tinha mais controle sobre mim. Não poderia mais distinguir mentira nem verdade, não se essas partissem de mim.
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Pisei nos assoalhos de minha sala, contente por ter voltado pra lá. Ninguém poderia negar que aquela casa cheirando a tristeza era completamente atrativa, para quem se encontrava em estágio depressivo – ou não.
Inuyasha me seguia, sem minha permissão. Não discuti momento algum para com ele, já que estava acostumada com aquele maldito invasor, que custava em entender que era errado entrar daquela maneira em propriedades que a ele não pertenciam. Mas estar de volta era minha única felicidade no momento.
- Cheira a álcool. – Comentou ele, atrás de mim.
- E vai continuar cheirando, prometo não te decepcionar. – Era estranho como eu sabia sempre quais eram as expressões dele apesar de não o estar vendo. Ri internamente ao descobrir que essa fora de desgosto.
- Você fuma? – Perguntou ele não muito alto, o que me fez perceber que não era uma novidade grande pra ele poder anotar em seu bloquinho.
- Você sabe que sim. – O olhei então pela primeira vez desde que entramos em minha casa. – Você é um hanyou e tem olfato apurado. Desde a primeira vez que me viu, sabia que eu fumava. –
- Apenas quis confirmar, já que não toma como vício.- Eu sorri pra ele, praticamente pela primeira vez.
- Eu não tenho vícios. – Ele engasgou um pouco, se aproximando de mim.
- Poderia dizer que o pior dos seus não-vícios é não se dar direito de amar ninguém, seja qualquer tipo de amor que pudesse ter. – Novamente repito que eu nunca irei entende-lo e por mais frustrante que seja, terei que o admitir sempre.
- Eu não acredito em amor. – Meus olhos não fugiam da direção que tinha os seus. – Amor é uma coisa ilusória, que o homem colocou em sua própria cabeça que era real.- Ele parecia-me curioso. – Não duvido que tenha a mesma opinião que eu. Mas não, não é verdadeiro. Mas sabe...., se tem uma coisa que realmente creio, é na atração. – Arqueou a sobrancelha, por mais clichê que fossem minhas palavras. – Atração é real. Desde os animais até os seres humanos, a atração é algo inevitável. E não digo apenas por aspecto sexual, mas sim por tudo em nosso redor. – Resolvi parar de falar, quando notei que havia um resto de conhaque em uma das garrafas –vazias- na prateleira.
Caminhei até ela e a apanhei, levando-a até minha boca e desfrutando do líquido que nela jazia. Foi então que não pude ler a feição do hanyou, já que havia temporariamente me esquecido dele.
- Por que faz isso?- A voz continha indignação, foi então que voltei ao mundo não projetável em que eu estava.
- Fizemos um acordo. Agora pode ir. – Minhas palavras foram frias e eu pude perceber que mesmo que quisesse ser mais ríspida não conseguiria, pois não foram intencionais. Era aquilo o que eu era, não podia deus ou o mundo negar.
Voltei a minha atenção a garrafa, que estava a milímetros de minha boca. Foi então que...
Ela se quebrou. Ela se quebrou caindo no chão, sendo que não fui eu que a havia derrubado.
Foi rápido e agressivo, quando me vi completamente presa a parede gelada do corredor. O olhar âmbar estava completamente furioso e penei para virar o rosto para direita a fim de não ver aquela reprovação.
Engoli seco, quando suas garras penetraram levemente em meus pulsos.
- Saia de cima de mim. – Ordenei, forçando para que ele me soltasse sem nenhum tipo de sucesso.
- Não. – Respondeu ele, com os olhos fixos em meu rosto. – Se eu pudesse descrever meu ódio latejando em minhas veias agora Kagome, você iria querer desaparecer, sabia? – A voz rouca estava sendo pronunciada ao pé do meu ouvido. Alguns arrepios tomaram minha pele.
- Como atreve dizer isso para uma pessoa que simplesmente quer sumir o tempo todo? – Não poderia saber com quanto de raiva eu dirigi minhas palavras a ele, mas o fiz sem remorso nem pensar. – Você realmente sabe o que fala? – Minha pergunta tomou tanto sarcasmo, que o fez me forçar a encará-lo.
Meus olhos não demonstravam medo, mas sim uma raiva incontrolável.
- Você quer sumir porque afinal, mulher? – A voz ríspida e o apelido não me alegraram nem um pouco. – Que raios aconteceu com a merda de sua vida para te deixar tão amarga? – Sorri então, com não menos relutância que antes.
- Você não precisa saber e não irá. – Minha certeza fez com que a pressão em meus pulsos aumentasse.
- Eu preciso sim. – Disse com convicção, tanto na fala como no olhar. – Você pode até mesmo achar que não, mas sim, eu preciso.- o ênfase que ele havia dado em "você", "achar" e "preciso" eram de extrema percepção, coisa que ele queria quando pronunciou a frase.
- Me diga o por quê.- Provoquei, com aquele antigo deboche que me mantia viva. – Será que faço sua base tremer, Inuyasha?- O modo com que frisei seu nome fez com que ele realizasse a atitude mais desprezível que já havia cometido comigo.
O tempo parou, e suas mãos afrouxaram em meus pulsos quando a boca dele colada a minha roubava um beijo, extremamente fogoso de mim. Não correspondia, de forma alguma. Forçava para não retribuir o beijo, quando ele me tirou de forma mais violenta que havia posto, da parede.
- Não é você que acredita em atração, mulher? – Gritou ele, com os olhos queimando.
- Tudo tem o momento propício para ser realizado, hanyou. – Minha voz saiu alta, entretanto mais baixa que a dele. – Você acha que só porque estou nessa vida de lixo, você pode me usar como uma de suas meretrizes, Inuyasha? – Perguntei com nojo. Nojo que não deveria existir em uma pessoa que não se preocupava com os atos da outra.
- Está com ciúmes? – A ironia nunca fora tão grande.
Senti o assoalho em minhas costas agora, e um corpo pesado jazia acima do meu. Inuyasha partiu novamente para cima de mim, colando seus lábios nos meus, mas dessa vez não pude evitar que sua língua invadisse minha boca a explorando literalmente, e me fazendo repudiá-lo, se possível ainda mais.
- Maldito gosto de álcool!- Gritou, socando o chão com força. – Maldita Kagome. – Completou, segurando novamente meus pulsos e voltando a me beijar. Cada vez mais selvagem, cada vez mais... tentador.
Luxúria começava a invadir minhas entranhas, quando me dei ao desprazer de corresponder ao beijo com o mesmo desejo. Ele se alimentava de meus lábios e suas mãos de meus pulsos passaram para minha cintura, atitude que novamente não me agradou.
- Saia de cima de mim. – As palavras agressivas terminaram com os lábios já arroxeados de Inuyasha voltando a tomar os meus, possessivamente. Tentei esbofeteá-lo e minhas pernas tentavam a todo custo o espantar. Segurou minha cabeça, me fazendo ficar sentada, ainda não me dando espaço para que minha boca ficasse livre.
O beijo era rápido demais e não poderia negar, saboroso. O fato de eu nunca ter desfrutado de algo tão banal não necessitava ser notado agora. Inuyasha me beijava cada vez mais afoito, não me deixando até mesmo respirar.
E então, da mesma maneira em que ele havia me deixado na parede e no assoalho, me deixou no chão, sozinha.
Quando consegui me dar conta, ele estava saindo porta afora. Respirei com dificuldade, piscando os olhos enquanto tentava me recuperar do acontecido.
Inuyasha me deu uma última longa encarada, antes de partir.
- Não te devoro como uma delas Kagome. – Apenas consegui engolir seco, com o coração acelerado. – Nenhuma delas será tão bruxa como você é, nem me despertarão tamanha curiosidade e deslumbramento, garanto. – Virou as costas, sem nenhum tipo de cerimônia, questionamento ou explicação e com passos lentos, o vi sumir de minha vista.
Se não fosse pelo pequeno costume de estar com ele, estaria em choque agora.
Tudo bem...
Admito que esteja.
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Sim, acabou aí.
HAUHAUAHAUAHUAHAUHAUAHAU
Admitam que eu poderia ter sido mais maléfica simplesmente parando na hora do vamos ver, vai.
Enfim! O capitulo não ficou tão bom quanto eu imaginava, mas eu precisava dessas cenas, já que precisamos de um atrito sentimental mais forte daqui em diante.
Finalizar fics é uma tarefa difícil, e não espero fazer tão já, mas também não vejo essa fic chegar há quase 30 capítulos, admito, portanto não quero demorar muito para chegar há algumas cenas, como por exemplo essa.
Mas calma, não se assustem, ainda tem fic pra caramba por aí, isso ao menos eu posso confirmar a vocês!
Muito obrigada novamente àquelas que mandaram review, e também para quem está acompanhando!
Que todos tenham gostado do capitulo! Até mais pessoal.
Reviews:
Lory Higurashi: Olá guria! Primeiramente muito obrigada pela review, e estou muito feliz ao ver que está gostando da minha humilde fanfic! Está se amarrando em ler? Poxa, obrigada *¬*, saiba que tomei rumo na minha vida e decidi postar sempre pelo menos toda semana! A continuação está ai, e espero do fundo do coração que tenha gostado, viu?! Mais uma vez obrigada, e até o próximo capitulo!
Meyllin: Olá olá! Um assunto interessante? Poxa, você não sabe o quanto eu esperei pra ouvir isso AHauHauahuA! Demorei muito tempo pra achar algum assunto que não fosse clichê no site, e por fim, esse! Fico contente por ele ter te alegrado, de fato! O Inuyasha realmente teve a finalidade de ser "misterioso" já que não fiz questão de revelar absolutamente NADA sobre ele quando o mesmo apareceu na fic! E poxa, obrigada pela opinião, vou deixar a fic em primeira pessoa mesmo, vejo que a essa altura não tem mesmo porque mudar! Muito obrigada pela review, viu? Ela foi muito importante pra mim *.*! Até o próximo guria!
Tahliannah: MENINAAA! HAuAHAUhAUA! Lembrei sim, seu código chave do tijolada foi praticamente infalível pra mim! xD! Balançou meus parafusos sim, e com certeza me fez arrepender de ter largado o site desse modo tão cruel e injusto, juro, estou arrependida! Que bom que gostou do capitulo, e vou deixar em primeira pessoa sim, fico feliz pela opinião! Quaisquer sugestões suas estão aceitas, viu? xD! Muito obrigada pela review, e até mais!
Nehereina: Olá! Adorou o tema que eu escolhi? Poxa, realmente, você não sabe o tempo que eu demorei tanto pra escolher quanto pra arriscar por ele no site! É que eu andava lendo algumas fics e a Kagome SEMPRE ficava bêbada nas fics, porém ficava uma bêbada extremamente feliz e fazia merda ou era estuprada, e nunca vi colocarem isso por vicio, ou por uma tristeza que até mesma se agravasse a cada vez que ela bebesse! Inuyasha conseguira fazer ela sair do tédio, com certeza, afinal, percebe-se que ele se irrita profundamente com o caminho que ela enfiou a própria vida, não? Agradeço pelos elogios, e espero que eu realmente esteja conseguindo fazer o leitor focalizar a cena como eu gostaria que ele focalizasse com a narração! Logo eu revelarei o porquê Kagome tomou esse rumo, e acredite, a vida dela se tornou uma tristeza antes mesmo de ela abandonar tudo e se afastar das pessoas! Espero que tenha gostado do capitulo, e muito obrigada pela review, foi muito construtiva, viu? Até o próximo capitulo *.*!
Lady Bella-chan: Manows, MANOWS! Sim, eu voltei a escrever HAUHEUHAEA! Pode parecer mentira, mas eu voltei ao tédio do xD! Sem contar que espero uma pessoa pra fazer uma outra fic, não é ¬¬? Mas enfim, realmente eu te dei uma palhinha, mas com certeza fiz tudo ao contrário do que até mesmo eu pensei que seria! Qualquer opinião manows, me avisa por MSN que eu enfio na fanfic ! E sim, vou deixar em primeira pessoa mesmo, pelo menos as pessoas conseguem focalizar tudo o que Kagome pensa e sofre ao decorrer da fic, seria difícil a entender sem realmente saber o que ela pensa perante diversos assunto xD! Valeu pela review, vadia ! E vê se não bebe muito senão vai acabar com cirrose :*!
