Disclaimer: me Inuyasha pertence não.
- Não me matem. Obrigada.
oOo
Dei um longo suspiro enquanto ouvia Naraku cantar enquanto se banhava. Ridículo e ainda mais nojento, se possível. Eram músicas românticas, que ao invés de me dar delírios, me davam medo e calafrios.
Remexi-me desconfortavelmente no chão, enquanto puxava meus pulsos tentando me livrar das algemas, coisa que eu sei que não conseguiria fazer, mas ainda sim tentava.
Via partes de meu corpo levemente arroxeadas, e gemi baixo quando me lembrei do homem apertando minha cintura com brutalidade.
Minto se disser que não sinto medo que ele faça ainda pior.
Ouvi o barulho do chuveiro sendo desligado, e em um ato de desespero puxei ainda mais as algemas, me debatendo.
Grande droga de destino, grande e imensa droga.
Saiu então do banheiro me encarando de cima pra baixo, apenas com uma toalha envolvendo sua cintura. A tirou então, lançando-a praticamente em cima de meu corpo, ato que odiei. Virei o rosto com firmeza quando vi que ele se aproximava, mas apenas colocou a cueca, essa, que repousava em cima da cama.
- Não se preocupe, anjo... – Sussurrou ele, se abaixando ao meu lado. – Aqui debaixo não há nada que não verá muitas e muitas vezes depois. – Riu lambendo meu rosto, logo se pondo em pé.
- Aonde vai? – Perguntei quando o vi colocando uma camiseta branca social (em meio a poucas roupas que jaziam em uma mala), com a esperança de que fosse sair, ignorando ser madrugada ou não. Ele abriu um sorriso imenso.
- Você acha mesmo que te deixaria sozinha? – Oh... – Estou apenas me vestindo do modo que você merece! Sempre fora tão intelectual minha doce Kagome, quer dizer que seus hábitos mudaram do dia pra noite, então? – Uma onda de tosse violenta percorreu meu corpo, e o homem agachou. – Quer dizer que te deixei com febre? – Perguntou com a feição levemente contorcida.
- Não!- Respondi, agora com a tosse acompanhada de sangue. – É normal! – O que foi, vocês realmente esperavam que eu respondesse o que?
Fingindo não estar sozinha... digna de pena.
Olhei para os orbes de Naraku, e esses pareciam furiosos.
- O que houve? Não é você quem está quase morrendo! – Disse-lhe, estressada com a situação. Eu estava literalmente irritada, sentia até mesmo meus olhos faiscarem ódio.
Maldito Naraku, e ainda mais, maldito hanyou nojento.
- Por isso mesmo! – Exclamou, com a voz grossa. – Droga Kagome, você não pode ficar doente, sua desgraçada!- Sinceramente, apesar de o apelido "anjo" não me agradar em seu total, preferia ele que os que aparentemente estavam por vir.
- E você acha que eu tenho culpa por estar doente? – Rangeu os dentes, me puxando pelos cabelos, como se esquecesse que a algema me impedia de ficar literalmente de pé.
- Claro! Você não se cuidou... eu espero anos pra te ter em meus braços, e quando aparece fica por aí cuspindo sangue? – Esbofeteou-me o lado direito da face, me deixando cair sentada no chão, como antes. Tentei massagear o local atingido, porém as algemas faziam o ato impossível.
Gemi, mordendo o lábio e esperando a tosse, agora fraca, passar totalmente. Naraku respirava continuamente, puxando o ar fundo em seus pulmões, tentando manter a calma.
- Isso também faz parte do castigo? – Ousei perguntar, detestando a posição inferior em que eu me encontrava.
Morrer, morrer... morrer seria melhor que passar o que eu estava passando, oras!
- Acredite, vagabunda.. – Começou ele, olhando dentro de meus olhos, como se afogasse minha alma. – Você tem culpa por tudo o que me fez passar, e eu te farei pagar por cada segundo que esteve longe de mim, trepando ou fazendo qualquer coisa por aí. – Trepando? Seria engraçado se ele soubesse o quanto eu adoraria ter "trepado" por todo esse tempo.
Levantou-me a mão novamente e eu apenas fechei os olhos com força, me acolhendo na parede. Entretanto, a agressão que estava por vir não veio, e eu abri lentamente os olhos, livrando-me da posição em que estava.
- Você chamou a polícia? – Eis então que tomei uma expressão assustada. Chamei a polícia? Só se fosse por telepatia!
- O quê? – Perguntei extremamente indignada. – Você me bateu, me algemou e ainda acha que eu conseguiria por meios sobrenaturais chamar policiais pra cá?- Então que, como imaginado, descontou o ódio em mim, puxando novamente os fios embaraçados de meu cabelo, me levantando e empurrando-me contra as paredes. Senti um filete de sangue escorrer por meu braço por um ferimento ocasionado pela algema.
- Vadia! – Murmurou entre dentes. – Eu vou voltar, tenha certeza que eu vou voltar... e se você acha que é boa em esconde-esconde, saiba que eu também sou!- Cuspiu em mim, batendo minha cabeça com força na madeira da cama. Quando consegui o encarar, deferiu um beijo violento em meus lábios, apertando meu corpo contra o seu. – E saiba que será tão minha quanto um dia foi de alguém. – Ameaçou, soltando meu corpo e entrando por uma "porta" que dava acesso ao porão da casa, onde obviamente havia alguma forma de escapar do local.
Na hora em que a fechou vi a porta principal sendo arrombada, e alguns homens entrando por ela. Policiais abriram o local que dava acesso ao esconderijo assim que o revelei, e então vi um homem sem fardas "quebrar" as algemas e me abraçar com força. Lágrimas mancharam minhas roupas, e então observei as orelhas no topo da cabeça do rapaz...
- Inuyasha? – Chamei. Esse então me encarou e passou as mãos em meus cabelos, os arrumando enquanto debulhava em lágrimas.
- Me perdoe, pelo amor de deus, Kagome!- Pedia freneticamente enquanto distribuía beijos em todo o meu rosto. – Eu não soube o que fazer quando não sentia mais seu cheiro! Chamei os policiais, me perdoe à fraqueza, mas não fazia idéia, estava tão desesperado... – Eu apenas o encarei, a face gélida. – Eles me disseram que havia casas longe da cidade, e então corri pra cá, mas insistiram em me acompanhar, o que apenas tardou todo o processo. Quando cheguei à esquina já senti o seu cheiro forte juntamente com o de seu sangue e ah... não me segurei, corri pra cá e derrubei aquela maldita porta! – As palavras se engasgavam vez ou outra, e eu quase não entendia o que ele dizia por causa da rapidez com que falava.
Com meus pulsos agora finalmente livres, passei as duas mãos por seu rosto, o prendendo entre elas.
- Já fez o que deveria ter feito, agora vá embora. – Senti ele engolir seco e me olhar assustado. A respiração parecia ter parado e a face se entristecido ainda mais. – Não entendeu, pode ir? –
- Mas por qu... – O cortei, não querendo ouvir as migalhas que ele me lançava.
- Apenas vá embora Inuyasha. – Fui firme em minha ordem, não me deixando levar pela vontade de abraçá-lo com força. – Eu não estou feliz por ter-me "salvado" e sim por ter cometido a burrice de me levarem! – Lágrimas corriam livres por seu semblante, enquanto ele apertava minhas mãos entre as dele.
- Olha Kagome, eu sei que errei, eu sei! – Disse, me fitando hora ou outra. – Eu não deveria ter me entretido na conversa, eu não... eu não deveria ter nem mesmo deixado a Kikyou entrar, eu sei! Mas olha Kagome, eu não a amo, eu sei que não amo, por favor, vamos passar uma borracha nessa história! Você está bem, por deus... está viva e.. – Consegui me levantar com uma brutalidade a qual achava que não tinha forças para tal. O empurrei, passando por ele.
- EU ESTOU BEM? – Gritei, enquanto o encarava derrubado no chão. – Claro, Inuyasha, estou muito bem! Olhe só, NEM PARECE QUE FUI RAPTADA! – Apontei para os ferimentos em meu corpo e passei as mãos em meus cabelos, totalmente desarrumados. – E meus sentimentos? Ah, estão bem também! Imagine que NÃO ESTOU NEM UM POUCO TRISTE, Inuyasha! – Arregalava os orbes toda a vez em que eu aumentava o tom de minha voz. – Não venha me dizer como se eu realmente estivesse bem, é repugnante... quem está bem é você, por que conseguiu chegar antes que ele me estuprasse! – Agora eu mostrava-me mais calma, com as palavras baixas. – Se antes eu queria morrer, saiba que agora sim, me sinto como se estivesse morta. – Nos encaramos por alguns instantes, antes da ambulância chegar e me colocarem em uma maca, apesar de verem que conseguia me manter em pé.
Fizeram seu trabalho, então, aplicando soro em mim e colocando algumas gazes em meus machucados.
Chegamos ao hospital rapidamente, e observei que Inuyasha me acompanhou o trajeto todo, dentro do veículo.
Não trocamos palavra alguma, nem mesmo permiti que trocássemos olhares.
E então, apenas me senti confortável quando me vi deitada na cama, ainda que hospitalar. Odiava hospitais, mas aprendi a gostar depois do susto de alguns minutos atrás.
Apesar do meu desprezo pelo hanyou agradecia-o mentalmente por ter-me salvo a vida, ou o corpo, se assim preferir. Ele então se colocou ao meu lado, apertando minha mão.
- Olha eu queria começar de novo. – Não o fitei, mantendo-me calada. – Admito que pisei na bola, e sei que qualquer pedido mixuruca de desculpas não vai fazer com que me perdoe mas... você não sabe o desespero que senti ao ver que ele te levava Kagome, e ainda mais por não conseguir te alcançar, ser insignificante e incapaz! – A voz dele era chorosa, e até mesmo estranharia se não fosse. – Eu sei que não fui o homem perfeito em deixar que te levassem mas... – Coloquei o dedo por cima de seus lábios.
- Inuyasha... eu não quero mais ouvir. – Baixou o olhar, encarando o colchão tristemente. – Você simplesmente esqueceu-se de mim, e nem mesmo seu olfato apurado fez perceber que eu estava em perigo... apenas por que ela estava lá, entende? - tentei me manter forte e apertei a palma de minha mão com força. – Agora se quer honrar o pouco que resta de você, vá embora. – Ele me abraçou, desistindo de falar por alguns instantes.
- Eu não quero ir! – Disse finalmente, pegando-me levemente pelos ombros. – Não quero deixar você novamente. –
- Mas eu quero, e se essa é a minha vontade, por favor, respeite!- Dei um nó em minhas sobrancelhas, esperando por uma discussão que duraria horas.
Mas então, o mais surpreendente aconteceu.
Levantou-se da cadeira e, sem mais nada a dizer que um simples "melhoras" acompanhado com o olhar de suprema desistência...
Partiu.
oOo
Sim, minhas crianças... voltei a minha casa assim que me deram alta, pela manhã. Minhas roupas foram pegas por um taxista qualquer, a qual me fez esse favor por alguns dólares a mais que pude lhe oferecer.
Covardia ou não, não quis e nem conseguiria o encarar depois de tudo.
Deitei-me no sofá esticando minhas pernas. Meus olhos então centraram-se na mesa no centro do sala, e não pensei duas vezes antes de apanhar o maço de cigarros e o isqueiro prostrados por cima da mesma.
Acendi o primeiro então, e a leve sensação de podridão veio com a de calmaria. Meus olhos transbordaram-se em lágrimas então quando me lembrei de Inuyasha me dando costas.
Era o que eu queria, mas não... de uma maneira que confirmasse tão friamente todas as minhas suspeitas. Meus sentimentos simplesmente quebraram-se como um delicado fragmento quando percebi que ele a amava o suficiente para dar-me um adeus tão amargo.
Olhava ao redor de toda a minha casa e apenas encontrava solidão. Uma solidão triste, e não aquela que eu tanto queria... uma que me deixava ainda pior, deixava-me seca.
Caminhei até o meu quarto, observando a cama de solteiro, comicamente ainda desarrumada, como o dia em que a deixei. Toda a casa havia sido limpa, creio que por ordem de Inuyasha no mesmo dia que consertaram meu banheiro... menos a cama.
- E eu realmente acreditei que me amasse... – Suspirei me jogando contra ela e abraçando o travesseiro com força. Lágrimas cristalinas desciam livres e uma tristeza amarga apertava meu peito.
Se Bankotsu visse minha condição, teria motivos pra sorrir a tarde e a noite toda.
E bem... ele veria.
oOo
Contei mentalmente até vinte, já que até dez não foi suficiente. Conseguindo obter coragem o bastante e entrei no bar, caminhando até o balcão.
Bankotsu limpava alguns copos de costas viradas para mim, o que facilitou meu trajeto, e, apesar de não me encarar, sabia exatamente que havia alguém ali.
- O que deseja? – Perguntou, sem ainda virar-se. Coloquei-me totalmente debruçada, e finalmente consegui dizer algo.
- Qualquer droga que te tragam semanalmente. – Subitamente então parou de secar o copo ficando com o corpo rijo.
- Kagome, é você? – Perguntou lentamente. Estranhei o fato de não ouvir gargalhadas bizarras nem a voz dele sibilando ironia.
- Não, sou um mutante. – Não consegui segurar a resposta ríspida, já que sabia o que me aguardava.
Porém ( e sempre o maldito porém ), os olhos azuis de Bankotsu encontraram os meus e um imenso sorriso formou-se em seu rosto... de felicidade.
- Dama cadáver...- Apesar do apelido, ainda não encontrava nenhum tipo de deboche impresso em sua feição. – Pensei que não voltaria!- Confessou deixando o copo e saindo detrás do balcão, enquanto me abraçava fortemente.
Não evitei sorrir, mas ainda não entendia o que acontecera com meu velho amigo, que guardava horas de seu dia apenas para me atormentar.
- Você está legal ou é alguma forma de me sacanear? – Perguntei desconfiada. Ele então fez com que eu o encarasse.
- Porra mulher, você me fez falta! – Eu poderia ouvir as batidas no meu coração, martelando. – Tudo bem, sei que não fui muito "legal" com você esses anos, mas como pôde simplesmente sumir assim? – Arqueei a sobrancelha, lembrando-me de quando conheci Inuyasha e...
- A culpa foi toda SUA! – Apontei o dedo em sua direção, o culpando. – Você passou a Inuyasha meu endereço e telefone, não é mesmo? – Engoliu sua própria saliva lentamente, abrindo um sorriso amarelo.
- Bem, eu não achava que ele fosse te fazer mal! – Estava prestes a insultar Bankoktsu. Abri a boca para que ele escutasse o que tanto ficou entalado por todos esses dias e... – Mas vejo que se deram bem, afinal, sinto o cheiro dele em seu corpo inteiro! – Sim, o sorriso malicioso me parou, tirando cruelmente as palavras de minha boca.
- Me dá logo algo pra beber. – O sorriso dele triplicou ainda mais quando evitei responder a pergunta. Então rodopiou e buscou um litro de conhaque, o colocando em minha frente.
- Esse vai de graça. – Disse enquanto se apoiava no balcão. – Mas acho melhor que pare Kagome... você me preocupa. – Os olhos dele realmente continham preocupação, e eu poderia jurar que estava ficando com medo dessa mudança de Bankotsu. – Vamos começar de novo? –
- Sério, o que você quer? – Perguntei de imediato assim que ele esticou a mão para que eu a apertasse.
- Qual é o problema, hem? Eu senti sua falta, eu admito, okay? Apesar de todos os tipos mesquinhos e ridículos de confrontos que nós tínhamos diariamente eu gosto de você Higurashi, e eu apenas mandei seu endereço porque aquele rapaz se interessou por você de uma forma em que eu vi que ele poderia me devolver a antiga Kagome! - Palavras que me deixariam feliz conseguiram me deixar imensamente triste. Apunhalei o litro que jazia no balcão e me virei em direção à porta.
- Conseguiu o que queria... e quanto a sua proposta de recomeçarmos, saiba que está aceita. – Antes que pudesse proferir mais qualquer palavra, continuei, deixando com que minha franja caísse ainda mais sobre meus olhos. – E quando digo que conseguiu, é porque realmente conseguiu... e saiba que por essa causa perdi totalmente o resto "oculto" da minha vontade de viver. Seu amigo que parecia me querer tão bem, era apenas mais um daqueles caras que simplesmente tentam enganar seus próprios sentimentos. Se você verdadeiramente queria me fazer algum bem... esteja ciente que não o fez.- Dei alguns passos severos, e levantei a mão direita, ainda de costas. – Até amanhã, Banko!- Antes que eu saísse completamente do local, ouvi a voz arrependida atrás de mim.
- Até amanhã, K-chan! – Suspirei, tentando esquecer-me um pouco as coisas enquanto voltava rumo a minha casa.
Observei uma pedra e comecei a chutá-la alegremente, com a mão livre dentro de meu bolso. Pensava em como os dias em que passei com o Inuyasha haviam sido felizes e intensos... eu tinha vontade de comer, sorrir e até mesmo motivos para festejar! Eu sentia-me como se tivesse um verdadeiro e único lar... feliz.
Abri o conhaque na rua mesmo, bebendo no gargalo. Ignorei os olhares alheios a minha pessoa, enquanto tentava enviar ao inferno toda a tristeza que sentia.
Lembrei brevemente de que nem cheguei saber se Naraku havia sido pego pela policia... mas sei que não me encontraria por aqui, afinal, foram anos e ele apenas me encontrou porque Kikyou literalmente o levou até mim.
Eu estava começando a acreditar que nada me jogaria mais ao fundo do poço, quando cuspi todo o pouco liquido que havia restado em minha boca.
Inuyasha havia virado a esquina, completamente bem vestido em um terno enquanto sorria largamente.
O problema não era o sorriso que Inuyasha vestiu em seu rosto, muito menos o terno que usava e a elegância que exalava, mas sim... quem o acompanhava.
- Puta merda ... – Foi à única coisa que consegui murmurar quando Kikyou enlaçou sua cintura e beijou-lhe a face com ternura.
Então ele me viu, e seus olhos cruzaram com os meus. Da maneira mais repugnante possível, acenou-me com um sorriso terno e voltou suas atenções a Kikyou. Entraram em seu carro estacionado no meio do quarteirão, e eu fiquei olhando a cena horrorizada, sem sequer me mover.
Se eu achava que estava no fundo do poço, saibam que até mesmo o fundo caiu.
oOo
- Esqueça ele Kagome, esqueça ele. – Murmurava a mim mesma continuamente enquanto o conhaque já varava pela metade da garrafa. – Ele não é nada, ele não presta e só te usou! Olhe, ele só te usou, poderia ter sido pior! – Ria nervosa, estalando meus dedos.
Virei mais uns goles de conhaque enquanto fumava um dos 20 cigarros que já eram aproximadamente 12. Não me importei com o fato, e dei alguns pulinhos de felicidade e nervosismo.
- Ótimo, eu estou feliz, eu estou feliz! – Repetia tentando me convencer de uma mentira. Eu sabia que não haveria mais ninguém para ameaçar arrombar a porta e me impedir de morrer, e sabia também que eu não teria com quem discutir e persuadir o quanto eu não me importo comigo mesma.
- A questão é que me importo. – Dizia enquanto arrastava algumas letras e chorava alto. – Droga, não é possível, aquele hanyou maldito! – Senti revirar meu estomago, e mesmo assim continuei a dar várias goladas, lançando o terceiro copo, ou ainda se não me engano o quarto contra a parede, o quebrando em vários pedaços.
Sofrer de amor? Eu não saberia dizer se chorava de amor, tristeza ou decepção. Ou os três, maravilha!
Então aquela coisa ridícula que sempre acontece em novelas realmente acontece com as pessoas sempre que possível? Sabe, eu sei que não sou uma pessoa religiosa, sei que não acredito em deus, anjos ou demônios, mas estou começando a crer que se realmente existe alguém sentado em um trono todo dourado, ele me odeia.
Ele simplesmente me odeia! Ele joga os dados quando quer e como quer e...
- O que eu estou dizendo?- Traguei o cigarro lentamente enquanto meus pensamentos difusos aos poucos paravam. – Ótimo.- Murmurei objetivamente enquanto meus olhos já pesavam. Pesavam tanto que nem senti a cinza do cigarro cair por cima de meu ombro desnudo, apenas vim a reparar depois.
A calmaria de antes estava voltando, e apesar de toda aquela mágoa, eu sabia que voltaria a tomar rumo em meus pensamentos e voltar a ser a mesma de antes... assim ao menos esperava.
- Senhorita Higurashi? – Ouvi uma voz baixa chamar meu nome enquanto batia fraco na porta. – Senhorita? – Ora, ora, então um de meus supostos vizinhos sabem meu sobrenome? Curioso, mesmo que para uma bêbada.
Levantei enquanto me saciava de mais um ou outra golada bem dada daquele conhaque. Então quer dizer que em menos de uma semana apenas uma garrafa de conhaque me deixa a trançar as pernas?
Sim, e ainda por cima de graça.
- Você está ai? – Apenas lembrei que alguém batia na porta quando voltou a bater novamente.
- O que quer? – Perguntei me aproximando enquanto o ser desconhecido demorava pra responder.
- Apenas vim verificar se está tudo bem.. – Sorri com a inocência com que o rapaz dizia. – Sou Houjo, moro do outro lado da rua. – Resolvi então abrir a porta o encarando. Era um jovem rapaz de cabelos castanhos e curtos, olhos azuis e com a expressão doce. Senti os olhos preocupados percorrerem meu corpo.
- Então já que perdeu seu tempo, saiba que estou! – Traguei o cigarro, soltando a fumaça na posição oposta ao rosto do jovem. – Pode ir, rapaz!- Ele arqueou a sobrancelha, tirando o toco do cigarro de minha mão.
- Você já está queimando o filtro! – Disse enquanto o lançava para longe. – E você não está bem, me parece altamente alcoolizada... você é tão bela, não deveria fazer isso. – Sorri amavelmente ao jovem prostrado na batente da porta. Não é que ele realmente parecia já me conhecer?
- Quer entrar? – Oh, estúpida! Houjo me deu uma longa olhada antes de sorrir largamente.
- Não me leve a mal... mas adoraria aceitar o convite! – Suas bochechas ficaram graciosamente rosadas, e senti que estava envergonhado. – Não que eu queira nenhum tipo de segunda intenção com você, mas é que me preocupo se piorar... adorarei te ajudar caso algo pior ocorra! – Dei espaço para que entrasse.
Se antes eu espantava as pessoas pra perto de mim, agora as aproximo.
Era essa a tal chamada "carência"? Medo de "ficar sozinha"? Não sabia dizer se era ou não, apenas sabia que no momento eu apenas queria esquecer de Inuyasha, sendo com alguma companhia que apareceu "do nada" assim como Houjo, ou sozinha, como antes.
- Tudo bem, mas fique despreocupado! Não terá de me ajudar com nada!- Pisquei um olho (maldita mania a qual peguei de Inuyasha) e me joguei contra o sofá voltando ao campeonato de goles. Ele me olhava assustado como se nunca tivesse visto algo igual. Engoliu seco "n" vezes tentando falar algo, mas apenas abria a boca e logo após a fechava.
E foi assim até o momento em que tomou fôlego e se aproximou de mim, sentando-se a minha frente.
- Olha Higurashi, sei que não tenho nada a ver com que rumo toma a sua vida mas poxa... – Olhou-me diretamente nos olhos, perdido em suas próprias palavras. – Eu tenho ótimos remédios em casa e muitos deles até mesmo ajudam a cortar o vício sabia? – Coloquei os cotovelos em minhas pernas, chegando meu rosto a milímetros de onde encontrava-se o dele.
- Okay! Se algum dia eu encontrar algum amigo ou parente preso em algum vício te avisarei! – Quando nossos rostos quase estavam se chocando puxei meu corpo para trás em um solavanco, o deixando com uma expressão abobada.
- Mas bem... eu me referia a você! Aparenta-me ser tão jovem, e tenho medo de que sua saúde comece a piorar, muitos comentam por aqui a seu respeito. – Arqueei a sobrancelha, forçando a visão. Apontei o dedo em sua direção, isto é, não exatamente em sua direção devido a minha falta de coordenação, mas tudo bem.
- Como assim "muitos comentam por aí a seu respeito?" – Estreitei os olhos visivelmente interessada no assunto. Houjo respirou fundo e pude notar que ele martelava-se mentalmente diante ao comentário.
- Bom, Higurashi, acontece que você sempre está em casa, aparentemente não trabalha e muitas pessoas já viram à senhorita bêbada saindo ou entrando em sua residência... desculpe-me, mas normalmente vizinhos costumam comentar sobre a vida alheia das outras pessoas e... – O observei com o olhar pegando fogo.
- Um bando de "fofoqueiros", isso sim! – Bufei enquanto acendia descoordenadamente outro cigarro. – E o que mais dizem, posso saber? – O rapaz parecia pensar no assunto, mas em um ato inesperado sentou-se mais a "vontade" no sofá dando ombros.
- Sinceramente eles dizem coisas muito maldosas, sabe. – Abri um pouco a boca enquanto tentava controlar a raiva que havia acabado de nutrir por meus vizinhos, esses que eu ao menos sabia os nomes ou os reconheceria na rua. – Algumas pessoas dizem que você não faz nada, que não sabe o que é viver, apenas quer chamar atenção! Muitos até mesmo dizem que é "vagabunda" mesmo, e existem alguns comentários que quero até mesmo evitar de lhe contar pois são fortes... – Esperei que ele continuasse, mas ele apenas me encarou duramente. – Sobre de onde vem o dinheiro, entende?.. – Engasguei com a fumaça do cigarro, tendo uma curta crise enquanto tossia. Houjo que até então mantinha uma feição calma e conversava com uma certa "naturalidade" espantosa assustou-se e me deu leves tapas nas costas afim de me livrar da tosse.
O olhei com lágrimas nos olhos enquanto tomava fôlego novamente. Quase havia morrido asfixiada, afinal.
- Como assim, vagabunda? Eles ao menos me conhecem!- Disse em um tom alterado de forma até mesmo transtornada. – Olha Houjo, eu simplesmente nunca me importei com os boatos, mas de uns dias pra cá eu tenho passado por algumas crises que não tem me ajudado muito.... – ele pegou minha mão levemente, a beijando.
- Mas saiba, senhorita, que nunca participei desses comentários banais, já que não passam de inveja, falta de caráter e do que fazer das pessoas que a rondam! Todos aqui sofrem na boca desse povo que apenas pensam em julgar. Tenha em mente que sempre te observei ao longe e sempre te achei muito bela, totalmente deslumbrante! – Os olhos dele possuíam um brilho estranho, e logo começaram a marejar em lágrimas. – Nesse ultimo tempo tenho notado que emagreceu, e que sumiu nesses últimos dias, mas saiba que te admiro, e acho até mesmo que se assemelha a um anjo, Higurashi! É uma honra poder estar em sua companhia! – Engoli uma "bola de pelos", olhando para ele sem tomar reação alguma.
Reprocessando algumas informações... notei que pessoas que sequer conversei na vida perdem tempo falando a meu respeito e supondo coisas sobre minha vida, e, ao mesmo tempo, descubro que o jovem (que também não fazia idéia de quem era) que mora em frente a minha casa esconde uma paixão por mim desde que mudei para cá.
Ótimo.
- Bom eu... – Ele me olhava fixamente enquanto um sorriso começava a crescer em sua face. – Eu apenas... bom – Uma pequena lágrimas rolou por seu rosto enquanto sua mão apertava a minha.
Meu coração começou a bater rapidamente quando notei que não seria fácil sair da situação em que eu estava.
Peguei o conhaque com a mão livre e voltei a bebê-lo de forma desesperada, enquanto o cigarro permanecia entre meus dedos. Ao abandonar a garrafa em cima da mesa ( e com a outra mão ainda presa a de Houjo), dei uma longa tragada no cigarro, segurando a fumasse e dando um outro longo gole de conhaque para apenas depois soltar a fumaça.
E se meu motivo era ficar ainda pior, eu consegui.
O rapaz soltou minha mão fitando tudo o que acontecera. Após a seqüência ridícula, soltei todo o ar preso em minha garganta tentando me acalmar.
- Você está bem? – Perguntou vagarosamente o jovem. – Quer ajuda em algo, ou sei lá, prefere que eu vá embora? – Captei o tom amargurado em sua voz, e neguei brevemente a pergunta.
- Não, de maneira alguma! – Lhe abri um sorriso amarelo ao mesmo tempo em que tentava descobrir o que eram exatamente todas aquelas visões embaçadas em minha mente. – Eu apenas não acho que esse é o momento propício para conversamos sobre um assunto tão sério, tal como seus sentimentos! Deixemos para um dia em que eu esteja sóbria, não quero magoá-lo com coisas que posso falar por estar sob o efeito do álcool! – Ficamos alguns segundos em silêncio assim que terminei de falar. Da forma mais bizarra possível Houjo abriu um imenso sorriso, rindo e dando alguns pulos de felicidade.
-Então quer dizer que não quer falar agora porque não quer me ver triste? – Arqueei a sobrancelha sem sequer piscar os olhos. – Não acredito, Higurashi! Sempre tive tanto medo de me aproximar, afinal, sempre foi de tão poucos amigos, notava sempre que afastava outrem de perto da senhorita e bem... – Piscou os olhos em admiração. – É realmente tão doce quando aparentava em meus sonhos. – Passando a língua sobre os lábios e sentindo uma longa ânsia me envolver, tentei manter a pose diante ao rapaz supostamente apaixonado.
Quando eu digo que eu não nasci para ser feliz, não é questão de eu ser extremamente pessimista sem motivos, não, não!
Eu estava passando por uma triste decepção amorosa que será motivo para me fazer chorar, "encher a cara" por vários dias e pensar o quanto fui estúpida para confiar naquele maldito hanyou, e, por mais que pareça ruim, terei ainda que suportar uma pessoa que parecia-me realmente sincera a declarar seus sentimentos sempre que cruzarmos, independente do local ou momento.
Houjo me fitava com o semblante iluminado, piscando os olhos descontroladamente enquanto sorria, voltando a puxar minha mão. Ótimo, iludi um pobre coitado da mesma maneira que Inuyasha.
Oh, não... Inuyasha me "comeu", é uma grande diferença.
Apertei as mãos com força quando meus olhos desviaram-se para a porta. Aquele meu pressentimento "meia-boca" não falhava... nunca.
Estreitei os orbes esperando para que se abrisse, e abriu.
- Precisamos conversar. – A expressão dura de Inuyasha não me fez arregalar os olhos, ou ficar assustada, de maneira alguma.
Ele esperava impacientemente enquanto olhava para minhas mãos entrelaçadas com as de outro homem. Começou a bater os pés no assoalho, enquanto eu observava sua feição ficar ainda mais enraivecida.
Soltei um suspiro em relutância.
Droga.
O que será que esse grande "filho da puta" quer aqui, agora?
oOo
O capítulo estava pronto desde quarta-feira. Perdoem-me fazê-los esperar, queridos leitores!
Eis que a faculdade não está me atrapalhando tanto, já que ainda consigo ficar de madrugada na internet, e claro, no Word.
Muito obrigada a quem mandou reviews! E um beijo a todos os que acompanham a fic!
Até logo.
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MEYLLIN – Sim, imagino que você destroçaria Naraku, se pudesse, eu também daria umas boas porradas nele xD! Ainda bem que gostou do capitulo, guria! E quanto ao Naraku aproveitar da "situação", sem sombra de duvidas! Ele adorou o fato de Kagome estar abalada sentimentalmente, isso com certeza é algo a qual não podemos negar. É meio complicado não mudar a personalidade de Kagome, pois ela varia sempre, em cada situação, mas fico feliz que tenha gostado do modo em que estou "brincando" com ela XD! Aulas de faculdade matam, não é mesmo? Mas agradeço MUITO pela consideração comigo, e claro, pelo esforço a cada review que me manda! Sobre ficar careca não se preocupe, já comprei uma peruca XD! Beijos Meyllin, muito obrigada pela review e até o próximo!
ANAMBBD – Não, de maneira alguma, não existe nada que "inibe" totalmente cheiros! A questão, é que devido ao rumo que quero tomar para fic, não posso ser totalmente fiel ao anime, se assim eu fosse, Inuyasha conseguiria facilmente "pular" em cima do carro assim que Naraku tentasse fugir, não é mesmo? É complicado explicar, mas chega uma hora em que o cheiro não fica tão forte, como por exemplo no episódio em que o Kouga rapta a Kagome ( no próprio anime), quando ele começa a subir a montanha o próprio Inuyasha não consegue sentir mais o cheiro dela, digamos então que na fanfic o cheiro de ambos diminuiu assim que entraram no "carro" e ainda mais quando ficaram distantes de Inuyasha, assim como já vi em muitas vezes no site. O olfato de Inuyasha é apurado, mas sabemos também que quando ele se encontra com Kikyou ele muitas vezes não percebe a presença de Kagome, talvez por seu foco ser a outra. O capítulo de hoje já estava em minha cabeça, e como se pode ver ao Inuyasha aproximar-se de onde Kagome estava ele sentiu fortemente o cheiro dela, pela aproximação, mas não a nada que impeça de ele parar de senti-lo com tamanho "ênfase" quando a distancia é grande, ainda mais quando estão em um local desconhecido e fechado. Espero que tenha esclarecido sua duvida! Muito obrigada pela review e pela observação! Beijos e até mais!
AGOME CHAN – AHUAHAUHAUAHA! O titulo desperta realmente o ódio do pessoal, que isso gente! Naraku é tão bonzinho XD! Quanto ao seu dragão ele pode mastigar o Naraku até virar pedacinhos, mas deixa ele intacto até terminar a fic, porque as vezes a gente precisa dele e você sabe, não é? XD! Eu não sei se vou realmente demorar pra postar, pois estou estudando a noite! O problema mesmo é se eu tiver que trabalhar, daí fode tudo ¬¬! Você faz faculdade de quê, hem? Eu adorei a idéia da cadeira elétrica... já pensou? A Kikyou morrendo desse jeito em uma fic? AHUAHAUHAUAHUAHAUA, morri só de pensar XD! O Inuyasha chegou cedo, ele sempre faz isso, esse safado ! E sobre o hentai não vai demorar muito, e nem tem como! As circunstancias levam ao ato (Gota). Pode deixar, Kikyou e Naraku se "foderão" no final, com o estilo de sempre! Pode deixar que eu capricho, mas manda mesmo as armaduras, via e-mail se puder XD! Beijos guria, e muito obrigada pela review! Até o próximo!
NANA-CHAN – Oiii! HAUHUAHA! Que bom que você ta acompanhando a fic, guria! Ah, eu também sou insegura, viu! Se um dia eu for traída eu corto os testículos também! Tadinha da K-chan mesmo! Mas é sempre bom ver ela sofrendo um pouco (MUAHAHAHA)! Logo, logo (segundo prevê a pobre escritora da fic) o Naraku levara muito mais que coices XD! Ah, o Naraku merece sofrer bastante, nisso eu também concordo! E sim, eu conheço a "cadeira da bruxa", seria realmente perfeito XD! Mas tem também aquela tática by Hitler de colocar um arame quente dentro da uretra, isso também seria bem cruel, também (Ai... dói só de imaginar, e isso porque é com homem, hem x.X)! Eu vou dar um jeito neles, pode deixar, adoro quando chega o fim da fic só pra fazer isso! Se bem que a Kikyou se deu bem na ultima fanfic que eu postei no site, mas tudo bem (gota). Muito obrigada pela review e pelo "boa sorte" na faculdade. Eu vou precisar, viu ._.! Desculpe a demora, e até o próximo!
BECKY BAH – Ahhh meu amor HAUHEUHAUEHA! Mundicia você, cara! Por sua culpa e daquele testezinho estou apaixonada por um celular, vê se pode ¬¬! Quanto ao poder ler a fic só quando mandou a review, eu acredito sim. Aulas matam a gente em todos os sentidos, não acha? ¬¬! Que bom que esta gostando da fic, isso me deixa muito felizona (olhos brilhantes). Seu lado psicopata gosta de ver a Kagome sofrer? E o meu então, que gosta de FAZER ela sofrer HAUHGAUHUAHAU! Finalmente está escrevendo sua fic! Porra, não sabe como eu gostei dela, quase morri quando vi que não tinha continuação Ç_ç! To feliz sim, pode ter certeza que sim ! Boa viajem quando for... se é que já não foi HUAHAUH! Um beijo Becky, sua morena viciada em café! Até o próximo!
