Disclaimer: Demorei tanto que não sou digna de lutar por ele. ( T.T )

Aviso: Vocês definitivamente irão querer me matar. Sim, eu tenho certeza disso.

oOo

- Como é odiar a própria mãe?- Eu tranquei minha respiração.

- Nada tão estranho quanto você possa imaginar.- Respondi não o encarando. Ele rolou os calcanhares e deu passos precisos em minha direção. Ironicamente, apenas passou reto por mim indo até a cozinha.

Limpei os últimos vestígios de lagrimas contidos em meu rosto e respirei fundo. Sentei no sofá, esticando as pernas o máximo que pude. Mordi os lábios impedindo que outras lágrimas caíssem.

O hanyou voltou então trazendo consigo um copo d'água. O estendeu pra mim, não fazendo menção alguma de se aproximar. Ele sorriu um pouco, mas não foi nada reconfortante, já que foi extremamente forçado.

- E então... será que pode me responder a pergunta como um ser humano com mais de vinte anos? – Eu não senti pitada alguma de humor vindo de sua frase. Foi calculada e precisa, como era de seu caráter.

- Eu respondi, mas infelizmente você não consegue agir como uma pessoa madura a ponto de entender algo tão simples.-

- Tão simples como o que? – Me perguntou casualmente.

- Tão simples quanto não querer responder sua pergunta, pois é algo que me incomoda. – Ele suspirou. Bebi lentamente a água que ele havia me entregue tentando diminuir o tremor de minhas mãos. Inuyasha sabia que eu estava tensa e parecia se esforçar muito para não tocar de forma rude meu passado, ou ainda mais, da mentira que eu havia lhe dito.

Então ele ousou se aproximar um pouco. Parecendo estar um pouco arrependido por algo segurando minha mão com leveza, o único problema é que eu não sabia dizer qual era o motivo para se encontrar arrependido.

- Desculpe te agarrar. – Disse rapidamente. – É quase impossível não reagir a você, Kagome. – Disse-me encarando longamente meus olhos. – Você é uma pessoa tão cheia de problemas... mas parece-me perfeita em todos os pontos. – Eu não evitei um pequeno sorriso em minha face, ainda que triste. – Nenhuma mulher me importou tanto quanto você, nem mesmo minha mãe. – Novamente lembrei-me de quanto não sabia sobre o meio-youkai, mas não queria entrar naquela questão.

Na realidade, também, eu nem me lembrava do incidente que ocorreu antes que o telefone algo rapidamente esquecido, pois não fora tão importante e impactante quanto ouvir novamente a voz de minha mãe.

Ele me empurrou um pouco se sentando ao meu lado, colado em mim.

- Você não precisava mentir pra mim. – Eu evitei fitar aqueles olhos dourados, ainda mais depois de ouvir aquela voz tão responsável. – Você poderia dizer que não queria adentrar o assunto que eu entenderia. – Cocei a garganta.

- Como entendeu que eu não queria lhe contar sobre meu passado? – Alfinetei-o involuntariamente. Meu psicológico infelizmente não se encontrava nas melhores condições. Sentia meus hormônios descontrolados.

- Se respondeu de forma tão dura é porque se arrependeu de ter mentido. – Franzi o cenho o olhando.

- Por que o mundo pra você gira ao seu redor? Eu definitivamente não queria que ela me ligasse Inuyasha, eu já passei por muitos maus bocados, e sinceramente não creio que esteja assim por estar arrependida de ter "mentido", isso é, ocultado uma verdade para você. – Ele apenas sorriu divertido.

Estranhamente eu não fiquei tão furiosa com o ato quanto eu imaginei que ficaria.

- E por que diz que ocultou? Desde que eu me conheço por gente, ocultar uma verdade é mentir. – Eu apertei minhas próprias mãos com força.

Inuyasha sempre conseguia piorar as coisas com aquele cinismo eternamente eterno.

- Eu disse que eles morreram, o que é uma verdade, já que morreram pra mim. – Eu suspirei longamente. – Eles me abandonaram por terem conseguido dinheiro, Inuyasha. O que você acha que é se apegar ao trabalho após ser abandonada por pais biológicos? Acha que é legal, e por isso está rindo? – Ele tossiu levemente.

- Não estou rindo de você.- Eu o encarei interrogativa. – Eu sinceramente não queria que você tivesse passado por isso Kagome, mas acho que se esqueceu o como eu sou egoísta. – Arqueei a sobrancelha. – Se nada disso tivesse acontecido eu nunca teria encontrado você, e sabe, no destino ninguém manda. Se antigamente você mentiu pra mim, é incrível imaginar que está se abrindo tanto comigo agora sem ao menos medir suas palavras. – Engoli seco.

Ele não desviava o olhar, por mais que eu parecesse extremamente desconfortável com aquilo. Passou o braço cima de meu ombro me puxando contra seu corpo másculo. Senti sua respiração lenta e uma de suas mãos brincando com meu cabelo.

- Sei que odeia quando lhe dão conselhos, mas acho que você deveria perdoá-la. Não precisa a ajudar, mas sim a você própria. Você se tornou uma pessoa não apenas depressiva, mas completamente frustrada... um passo para sua melhora é o perdão. – Coloquei as mãos em seu peitoral o empurrando lentamente, mas ele apenas apertou ainda mais o abraço. – Eu já passei por muita coisa ruim também, sabia? – Senti meus olhos lacrimejarem após ouvir aquela voz tão baixa e sofrida. Enfim, respirei fundo, cansada de me importar tão pouco com o meio-youkai.

- O que aconteceu então, Inuyasha? – Ele sorriu, enlaçando minha cintura. – Eu adoraria se pudesse conversar com você observando suas expressões. – Soltou-me completamente, então.

- Não nego que estou um pouco bravo com você pela antiga falta de confiança. – Eu girei um pouco os orbes. – Mas talvez tenha realmente chegado a hora de você entender um pouco sobre mim, minha cara. – Observei os dentes bem alinhados e sorri. Ele estava sendo sarcástico, mas ainda sim, completamente sincero.

- Então sinta-se livre para começar. – Piscou os olhos antes de se deitar no sofá de forma "esparramada", deixando seus braços no apoio, virado completamente para mim.

- Como sabe eu sou um hanyou, e certamente deve saber o quanto nossa "raça" sofre preconceito por assim ser, não?- Concordei brevemente, mexendo as mãos para que continuasse. – Minha mãe foi a única pessoa que realmente cuidou de mim... entende? Ela sentia-se culpada por ninguém querer aproximar-se de mim ou tornar-se meu amigo. Eu inventava minhas próprias brincadeiras, e até mesmo meu meio-irmão me ignorava por eu ser o que eu sou. – Eu arqueei as sobrancelhas.

- Que horror! – Ele me encarou irritado. – Me perdoe, continue. - Coçou a garganta, passando a língua sobre os lábios.

- Não é tão ruim quanto imagina, Kagome. – respirei fundo tentando o ignorar. – Enfim, cresci sozinho. Minha mãe ainda está viva, e tudo o que eu tenho que ela possa precisar dou sem medir as conseqüências disso. Meu pai também tentava me conciliar e ajudar, mas nunca fora tão amoroso quanto minha mãe era. Talvez por isso eu respeite tanto as mulheres, mesmo não parecendo.- Ele cruzou os braços, como se esperasse eu dizer algo.

- Bom...- Comecei. – Essa parte eu já imaginava, na verdade. – Sorri amarelo, mas ele apenas riu um pouco.

- Como eu imaginei. Na verdade essa não é a história real, não sei porque vocês sempre tem essa imagem de nós. – Arqueei a sobrancelha deixando meu queixo cair. – Okay, tirando a parte do meu meio-irmão. Ele realmente me desprezava E despreza até hoje. – Fiquei o olhando fixamente tentando dizer algo. Então ele havia mentido aquilo tudo a troco de que?

- Qual é a sua, cara? – Perguntei com a face ainda abobalhada.

- Não sei... quis apenas imaginar a cara de idiota que eu fiz quando era você contando. – Deu ombros. – Mas sabe, Kagome, eu preferia ter tido essa vida. – Quando o fui insultar notei que seus olhos brotavam uma infelicidade imensa e não tive coragem de prosseguir. Naquele momento nenhum sorriso se encontrava em seu rosto, sendo irônico ou não.

- E então?- Ele suspirou.

- Minha mãe era muito doente quando nasci, Kagome. Meus pais sempre foram bem afortunados, mas por culpa da doença ela não pôde dar o melhor que o dinheiro poderia: amor. Eu acabei sendo posto em algumas "escolhinhas" a qual entrava pela manhã e apenas saia pela noite. Quando voltava encontrava minha mãe deitada na cama definhando. Meu pai virou um consumidor incrível de drogas pesadas apenas por não agüentar vê-la naquela situação. Felizmente hoje ele está curado... mas eu diria que eu não. – Vi que pequenas lágrimas teimavam em seus olhos.

- Não precisa sempre esperar que eu te interrompa, Inuyasha. – Minha voz saiu rouca. – Eu sei escutar quando o assunto é sério. – Ele sorriu de canto.

- Por mais incrível que pareça não era eu quem sofria preconceito. Como era uma escola para, digamos, "bem afortunados" apenas eu não era muito diferenciado, por assim dizer, e por mais que custe a acreditar. Mas, o que mais me doía era ver uma outra pessoa ser alvo de piadas infantes e desgostosas... e essa era minha mãe. Diziam que eu apenas sofreria por toda a minha vida por ela ter sido tão burra a ponto de se relacionar com um youkai e deixar com que eu nascesse, e claro, colocavam em primeiro lugar a hipótese de que ela era doente por algum tipo de "vingança divina". Tudo refletia em mim. Tudo, até o momento em que ela se curou. – Eu não consegui me manter sentada longe por muito tempo.

Mesmo sem perceber uma de minhas mãos parou em sua orelha e passou a massageá-la em conforto. Inuyasha apanhou meu pulso com força e o tirou de lá. Eu compreendi que não era por outro motivo a não ser por gostar que eu o acariciasse, portanto, parei.

- Quando ela se curou eu tinha quinze anos já, e não me relacionava muito com as demais pessoas por verem o que outras faziam a ela, a mulher mais forte que eu já vi em toda a minha vida. Sempre que eu a via chorando ela fazia questão de parar e perguntar sobre minha vidinha, por mais inútil que fosse. Ela me lia alguns livros, alguns contos, mas nada que durasse mais de uma hora. Ela não conseguia... – Trancou a respiração como se tentasse de alguma forma evitar um choro. – Quinze anos já era tarde, mas nunca a culpei por isso. Hoje ela está muito bem, e eu sempre a visito quando posso. A amo, demais, e papai também. Fico imensamente grato a ele por isso. – Mordi os lábios tentando evitar uma pergunta, mas não consegui.

- E seu irmão? – Perguntei, ele arqueou a sobrancelha.

- Oh, Sesshoumaru. – Ele coçou a garganta. – Ele está por aí casando com alguma pessoa que não lembro o nome. Ironicamente ela é uma humana, e alguns anos mais nova que ele, ainda por cima. Pagou por tudo o que disse, e sabe que vai pagar ainda mais quando decidir ter um filho. – Deu ombros.

- Ele culpava você pelo que acontecia com sua mãe? – Eu não ligava para o que eu estava fazendo e com que freqüência.

Eu apenas descobri... que me importava com ele.

- Não. Ele nunca ligou para minha mãe. Talvez ele fosse mais um que falasse dela, ou melhor, não, não. Ele era frio, quase nunca dirigia a palavra pra ela e nunca decepcionaria seu próprio pai. – Fiz um pequeno "hmm" e fiz sinal com a mão para que prosseguisse. – Enfim... depois de toda aquela confusão imensa tive que descontar minha frustração em algo. Diferentemente de você, que foi em álcool... bom, o meu foi em mulheres. –

- Eu tenho mesmo que ouvir isso? – O cortei ríspida. Ele riu.

- Você se importa?-

- E se eu disser que não? – Perguntei já automaticamente.

- Desculpe, Kagome, mas se quer saber de mim, terá que saber tudo. – Calei-me de imediato. – Como ia dizendo, eu descontava toda a minha frustração em mulheres. Não as espancava, embebedava e ofendia... eu apenas aprendi a amá-las, como se fossem minha mãe. Até que chegou Kikyou... – Meu coração apertou e eu tentei a custo não fazer uma careta de desgosto.

- Continue. – Queria poder controlar o tom de minha voz para que ela saísse um pouco mais alto naquele momento, infelizmente todo o cuidado era pouco.

- Kikyou era... – Ele riu. – Uma mãe pra mim. Sim, era uma mãe. Ela cuidava de mim de tal forma que eu me sentia acalorado, aquele vazio que eu sentia na infância diante ao ver minha mãe sofrendo parecia terminar onde Kikyou começava. Ela era tudo... sabe? Mas naquela época eu não sabia o que era realmente o amor. Amor de mãe e amor de verdade. E então, ela me traiu. – Eu estava encarando minhas próprias mãos que seguravam com força minha calça.

Senti sua mão embaixo de meu queixo o levantando, fazendo-me encará-lo.

- Não sinta-se mal. A melhor coisa que ela fez foi ter me traído, Kagome. Ela me usou, me fez de pano. Usou de meus sentimentos por saber que eu gostava muito dela, em demasia mesmo. Porém, se ela não tivesse assim feito eu poderia estar casado hoje, e, apenas depois de tudo perceberia que o que eu fiz foi um grande engano. Eu me preocupo com você. Eu sonho com você, eu anseio por você... eu cuido de você, Kagome. Ela cuidava de mim, ela lembrava minha mãe... enquanto você me lembra... uma mulher. A mulher que eu queria e quero ao meu lado. Pra sempre. – Fiquei pasma por alguns segundos.

O que havia sido aquilo? Apenas um teatro para me deixar ... feliz? Não encontrei rastro de mentira no que ele havia dito... e meu coração se aqueceu de ternura e compaixão. Por Inuyasha eu acabei esquecendo de minha mãe. Aquilo parecia absurdo, mas era real.

Se aproximou lentamente de meu rosto, pegando com certa força em minha nuca e me puxando em sua direção. Com uma força sobrenatural consegui virar minha face de forma com que apenas acertasse em minha bochecha.

- Obrigada, Inuyasha. – Ele me encarou atordoado.

- Pelo o que, exatamente? – Eu sorri.

- Por ter confiado em mim... – Mexi dois dedos os unindo, apenas para ter algo a fazer senão o olhar. Ele suspirou.

- Eu sempre confiei em você. – Eu ri levemente. – Acho que deveria se acertar com sua mãe, Kagome. Ela precisa de você. – Soltei os ombros com força.

- E quando eu precisei dela? – Ele riu, um pouco alto.

- E quem disse que você é tão baixa como ela, Kagome? Ora essa... você não precisa de uma vingança... você precisa se aliviar, baixar guarda... tente ser feliz, e pare de pensar se vai dar certo ou não. Pela primeira vez, lute pelo que quer, mas não caia como fez antes. Se você me fez renascer, como não consegue fazer o mesmo por você?– Eu então me coloquei um pouco pra frente, em um ato inesperado. Eu queria aquilo, eu ansiava por aquilo... e ouvir palavras como aquelas vindas de Inuyasha me fizeram querer ainda mais. Ele arqueou a sobrancelha quando me viu aproximar, e então quem puxou seus cabelos fui eu, fazendo com que seu rosto fosse pra frente e nossos lábios se chocassem.

Ele parecia perplexo, mas foi uma questão de segundos para me puxar para cima dele. Seus músculos pareceram ainda mais eficientes quando, sem força alguma, ele me levantou e me colocou em seu copo, com ele ainda sentado. Minhas pernas foram colocadas uma em cada lado dele e eu senti suas mãos percorrerem minhas costas, afoitas como ele. Ele soltou um longe gemido quando eu mordi levemente sua boca, lambendo-a logo em seguida.

Senti seu membro rijo embaixo de meu corpo e sua língua encontrava-se em minha orelha, murmurando coisas baixas e provocantes.

- Quero você pra mim, Kagome. – Pude ouvir perfeitamente, e, no momento da fala suas mãos apertaram meus ombros me empurrando para baixo, de forma com que eu o sentisse com ainda mais ênfase. Ele suspirou alto quando eu me afastei do beijo.

- Acho que por hoje está bom. – Ele deu um gemido alto de protesto me puxando contra ele.

- O que você está fazendo, droga? – Eu sorri o vendo agonizar embaixo de mim.

- Agindo como uma pessoa com mais de 20 anos que precisa ver o que fazer quanto sua própria mãe... – Tentei me afastar, mas suas mãos apenas me puxaram ainda mais contra ele e sua língua quente, completamente quente e sedenta, encontrou meu pescoço branco e o chupou com um pouco de força incalculada. Gemi um pouco.

- Geme pra mim, Kagome. Por favor, não me pare. – Ele pediu ao pé de meu ouvido. Eu apenas me afastei com rapidez, conseguindo me por de pé enquanto arrumava minhas roupas. O observei tentando se acalmar e respirando com força.

Ele me encarou. Aquele olhar âmbar repleto de malicia.

- Eu não disse que te perdoei, disse? – Ele mordeu o lábio. – Mas saiba que estou quase lá. – Dessa vez ele pareceu se assustar. Observei um brilho de esperança brilhar em seus orbes.

- Obrigada... – Ele sussurrou.

- Eu quem agradeço... – Sorri. – Se não fosse por você talvez eu acabasse como minha mãe, Inuyasha. Eu quem agradeço... – Virei às costas decididamente, pegando o telefone que eu havia jogado no chão.

Magicamente não foi o telefone que tocou, mas sim a campanhia desta vez.

oOo

- Nossa, quanto tato!- Exclamei notando a mulher em minha frente. Não havia demorado praticamente nada comparado ao tempo que havia desligado o telefone. A mulher, que me era aparentemente madura com cabelos curtos e acastanhados não me sorriu, como já imaginava. Os olhos caídos e cansados, os cabelos desgrenhados e as roupas não tão chiques como antigamente.

Dei um passo pra trás deixando com que ela entrasse, com aqueles mesmos passos lentos que me recordava brevemente.

- Não é questão de tato. Fui atrás de você por toda a cidade, e comicamente apenas encontro informações de você quando vou a um bar. – Sorri.

- Pior que isso é não encontrar em lugar algum. – Dei ombros. Inuyasha observava a cena sem conseguir tomar posição alguma. Notando isso apenas deu ombros se sentando no sofá.

- Quem é esse? Algum namoradinho? – Então ele sorriu.

- Apenas responda se for essa minha suposta sogra morta, Kagome. – Lhe encarei fuzilante. Não que eu me importasse com a minha mãe, mas ele realmente sabia como me irritar nesses momentos.

- Mãe morta? – Perguntou. Nesse momento notei que o hanyou queria que ela soubesse o que pensava dela.

- Sim, morta. Foi assim pra mim todos esses anos. Ou será que deu algum sinal de vida que eu não me lembre? – Ela tossiu um pouco. Não parecia bem... nada bem, para ser realista.

- Acho até pouco. – Admitiu. Arqueei a sobrancelha momentaneamente. – Não quero que pense que estou completamente arrependida do que fiz. Sabe como sou, Kagome. – O olhar severo não me aplacou nem um pouco.

- Eu não sabia antes, mamãe. – Sibilei. – Achei que fosse um pouco melhor que mostrou ser. De toda forma, o que tanto quer aqui? – Ela deu ombros.

- Achei que pudesse me ajudar. – Observei em seus olhos uma mágoa profunda. Não sabia o que havia se passado em sua vida, mas eu incrivelmente não estava disposta a sentir pena por causa disso. Mesmo se eu quisesse saber não teria como, nesse tempo que se passou.

- Oh, você achou que eu pudesse então? – Inuyasha parece ter sido completamente esquecido. – É apenas por isso que veio me ver? – Ela concordou.

- Sim. Posso ter sido medíocre, uma mãe nojenta e arrogante, Kagome, mas aprendi a ser um tanto quanto sincera. É mentira se eu disser que não senti sua falta... mas também é mentira se eu disser que não vim com urgência apenas por necessidade. – Respirei fundo, fingindo pensar.

- E o que ganharei como compensação? – Ela sorriu um pouco.

- Quem sabe uma mãe de verdade? – Ri baixo.

- Já passou do tempo. Já virei alcoólatra, quase pobre e morta. Sorte sua que não me prostitui... sabe como é, você odiaria ter seu nome sujo. – Pela primeira vez senti uma pequena tristeza emanando do corpo dela.

- Não importa meu nome. Ele está mais sujo do que você pode imaginar. Paguei pelo o que fiz pra você Kagome, acredite. – Eu levantei as duas sobrancelhas sem fazer uma expressão definida.

- Eu não tenho dinheiro agora. E sinceramente não sinto vontade de ficar muito tempo com você, não agora. Preciso colocar as coisas em ordem. – Ela mordeu os lábios.

- Então quer dizer que fico na rua? – Aquela pergunta me doeu. Bati os cílios algumas vezes antes de ouvir a voz masculina atrás de mim.

- Não. – Ambas o encaramos. – Fique na minha residência. Ela é grande, espaçosa e quente. Apenas peço para que não tente roubar nada de lá. Como sua filha sabe, é possível que minhas tampas não façam mais sucesso algum dia. – Ela sorriu. Eu tentei evitar arregalar os olhos, mas ela realmente estava sorrindo.

- Grande homem você conseguiu. – Ela disse dando ombros. – Mas eu apenas irei concordar se ver que Kagome quer que eu tenha lugar pra ficar.- Não posso dizer que não fiquei espantada com a confissão.

- Não quero que fique abandonada por ai. – Respondi simplesmente. – Não sou tão fria como você. – Respondi por fim. – Vamos Inuyasha. Vamos levá-la a sua casa, se é que falava sério. – Ele me sorriu maliciosamente.

- Mas se assim fizer terei que ficar aqui. – Torci a feição.

- Sinta-se a vontade. – Disse-lhe a contra-gosto sabendo no que daria alguns dias ao lado dele. – Não será por muito tempo, afinal, logo arrumo um dinheiro e lugar pra senhora Higurashi ficar. – Inuyasha e mamãe estremeceram ao ouvir o modo como falei. – Vou tentar seguir seu conselho Inuyasha, e conseguir um outro emprego. Sei que ainda tenho um bom dinheiro no banco, mas receio que não vá acabar, ainda mais agora. – Vi minha mãe arrumar a blusa de frio sobre os ombros e me seguir enquanto eu saia de casa.

O meio-youkai também foi atrás de mim, apesar de ser dono do carro. Estava um pouco frio fora de casa, mas nada muito devastador eu diria. Suspirei quando ele passou em minha frente, abriu a porta e mamãe entrou sentando-se no banco de trás.

Quando fui avançar senti uma leve tontura e parei colocando a mão em minha testa.

- Kagome? – A voz masculina não chegou certamente aos meus ouvidos. Veio falhada e com tons abaixo. – Você está bem? – Senti uma tontura maior e notei a presença de febre. Comecei a tossir com força e notei novamente minha mão vermelha, com um pouco de sangue.

A tontura aumentou relativamente e eu tive que respirar fundo para me manter em uma boa posição que não fosse no chão, estirada.

- Está me ouvindo? – Despertei do transe quando as mãos grossas de Inuyasha seguraram meus braços me forçando a encará-lo.

- Estou sim... – Minha voz saiu enrolada. Minha mãe se encontrava fora do carro me olhando com plena preocupação. Senti um pouco de revolta ao lembrar-me que aquele olhar me faltou por tantos anos, mas ainda sim me reconfortou um pouco, algo que eu não poderia notar.

- Ela não está bem, moço... Inu.. Inuy...-

- Asha.- Prosseguiu ele. – Realmente, ela não está bem. – Encarava os dois com os olhos arregalados.

- Vocês não estão me ouvindo? – Senti minha pele começar a ficar gelada. – Eu estou bem, eu já disse que estou bem! – Disse relutante. Dei um passo pra frente e perdi ainda mais o equilíbrio.

- Droga Kagome, me diga que raios está sentido AGORA!- Forcei a respiração e olhei para Inuyasha antes de soltar um gemido de dor.

- Ela está com sintomas de febre, Inuymama. – Disse mamãe.

- Asha. – Corrigiu ele. – Desculpe Ka, mas definitivamente não agüento mais vê-la desta forma. – Fui tentar negar fosse lá o que estava querendo dizer, mas, ao levantar o dedo senti como uma enorme energia fosse gasta de meu corpo.

Muitas vezes havia me sentido assim, aproximadamente por dois meses... contando o que eu já havia conhecido Inuyasha. Até então pensei obviamente ser pelo extremo consumo de álcool, mas naquele momento eu estava sóbria, e aquilo me assustou um pouco.

Senti minha visão clarear, vozes instalando-se em meu ouvido e depois se perdendo em meu cérebro.

Rapidamente tudo escureceu então.

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- É sério , doutor? – Abri um pouco os olhos inalando um pouco de oxigênio. Senti uma pequena repulsa ao me ver dentro daquele cubículo todo branco. Olhei para os lados procurando a voz que havia ouvido e encontrei minha mãe ao lado de Inuyasha. Ele estava com um braço passado por cima do ombro dela enquanto seus olhos encontravam-se úmidos. – Ela ficará bem? – Pareciam não ter notado que eu havia acordado.

Forcei um pouco a visão encarando todos de costas para mim.

- Receio em dizer que a tuberculose avançou um pouco de estágio por esse tempo que se passou. Ela contraiu a bactéria há algum tempo, deveria ter se cuidado antes. Ao analisá-la notei que seus anti-corpos encontravam-se bastante fragilizados quando ela se contaminou.- Inuyasha respirou fundo.

- Por esses tempos senti alguns sintomas também... quer dizer que posso ter pego? – Ele riu um pouco.

- Ao que me parece você é um hanyou... ou melhor, sei bem disso. – Senti-o sorrir. - É capaz que tenha contraído a doença, mas seu próprio corpo é apto a expulsá-la.- Sorri um pouco ao ouvir o que o médico havia dito.

- Ela não se cuidava bem. – Ouvi o meio-youkai dizer e estremeci.

- Não sei se notaram, mas estou aqui. – Me arrependi de ter dito já que todos viraram de uma só vez. Odiava médicos, me dava angustia estar naquele lugar, mas digo que realmente não esperava estar doente daquela forma.

- O que tem? – Perguntou ele. Minha mãe sorriu largamente ao me ver e secou ainda mais o rosto. – Como eu ia dizendo, ela não se cuidou. Bebia muito, e creio que todos os sintomas que ela tinha convencia-se que era por culpa do álcool. – O médico colocou a mão embaixo do queixo.

- Faz sentido o corpo dela estar fragilizado. – Disse. – Tosse, febre, falta de apetite, emagrecimento...?-

- Nada que uma pessoa que vivia nas condições em que eu estava não tivesse. – Ele se aproximou colocando a mão em minha testa.

- Não os achava muito fortes, não? – Sorri.

- Não relativo ao que bebia. E fumava também.- Suspirei. – Qual é , então? Ficarei internada? – Meu coração acelerou perante a possibilidade. Ele negou.

- Terá que fazer alguns exames. Deles não estará imune, senhorita Kagome. – Arqueei a sobrancelha. – E o pior... terá que parar de beber e fumar por cerca de seis meses se quiser melhorar. – Prendi a respiração. Okay, um tanto quanto repentino. – Os remédios que irá tomar são fortes, e creio eu que você não está nem um pouco de ter hepatite. –

- Quais remédios? – Minha mãe se colocou em meio à conversa.

- Existem duas cápsulas vermelhas que ela deverá tomar contendo rifampicina e isoniazida e quatro cápsulas brancas que contém pirazinamida. – Sorri um pouco aliviada com a notícia. Nada de agulhas perfurando minha pele todos os dias. – Infelizmente terão efeitos colaterais tais como enjôos, vômitos, sintomas gripais e mal estar em geral.- Rolei os orbes.

- Nada do que eu não estivesse tendo. – Inuyasha me encarou severo. Senti em seu olhar que ele estava completamente furioso comigo. – Houjo deve ter todos esses remédios. Ele é lunático com esse tipo de coisa. – Disse tentando aliviar a tensão. O hanyou apenas desviou seu olhar do meu.

- Apenas tenho a lhe desejar boa sorte. Saiba que muita gente já morreu desistindo de tomar os remédios por culpa dos efeitos colaterais ou por terem de deixar certos "luxos" de lado. Espero francamente que não seja mais uma dessas pessoas. – Inuyasha parecia incrivelmente incomodado. Não apenas comigo, mas também com o médico ao seu lado.

- Obrigada Kohaku. – Disse um pouco contrariado. - Ligue para sua irmã depois para fazer alguns exames... ela manteve contato com Kagome por alguns dias.- O médico, Kohaku, concordou.

- Devo dizer a seu irmão que esteve por aqui? – Arqueei a sobrancelha os encarando.

- Meio –irmão. – Corrigiu antes de prosseguir. - Não. – Disse simplesmente. – Mesmo se quisesse fazer isso ele não ligaria pra você. No máximo mandaria calar a boca. – Notei alguém aparecer atrás de Inuyasha. As roupas brancas acompanhadas por uma máscara que não deixava com que seu rosto fosse visto. Os cabelos eram grandes e prateados como os de Inuyasha e ele tinha algumas veias roxas em seu rosto, sem contar o fato de ser extremamente belo.

- Não o mandaria calar a boca. Seria pouco, eu acho. – A voz fria me veio aos ouvidos e eu não nego ter sentido um pouco de medo. Parecia-me frio e imparcial.

- Feh!- Murmurou Inuyasha. – Não me importa o que você faz, Sesshoumaru. – Encarou-o com ódio.

- Eu não me lembro de estar falando diretamente com você. – Passou reto pelo meio-youkai o deixando ainda mais furioso. Senti que Inuyasha não suportava ao menos estar próximo ao irmão, o que me doeu um pouco. – Fui chamado apenas para entregar alguns exames a você, Kohaku. – Me encarou. Aquele olhar violeta e neutro me deu um novo tremor. – Pense antes de fazer bobeira. Isso é, se não quiser morrer logo. Seu corpo encontra-se completamente debilitado. Você deveria agir como uma pessoa normal e ter aparecido quando começou a sentir dores. Receito a você que, depois que terminar seu tratamento faça uma drenagem. Seu corpo expele álcool, mulher. – Virou-se me deixando um pouco pasmada com a atitude do mesmo.

- Não fale assim com ela, seu grande imbecil. – Proferiu Inuyasha. – Ela não é sua mulher pra você falar desse jeito. Não sei o que deu nesse pessoal pra te contratar. – Ele tirou a máscara. O notei ainda mais belo. Um sorriso cínico moldava seu rosto inexpressivo.

- Eles me contrataram porque sou bom em algo, irmãozinho, não apenas em fabricar tampas estúpidas. Modéstia parte nasci pra ser melhor que você e o sou. A única coisa que me revolta profundamente é imaginar o quanto você ganha em torno de uma invençãozinha tão banal, mas um dia acaba e quem sabe você morra logo e pare de existir de uma vez.- Comecei a me acostumar com o modo dele tratar as pessoas. – Aliás, senti seu cheiro de longe. Tome. – Esticou algo para Inuyasha.

Meio contrariado ele puxou o papel o lendo.

- Você vai se casar? – Perguntou, mesmo sabendo disso. – Você está me convidando? –

- Oras, achei que fosse demorar mais para entender isso. – O meio-youkai bufou. – Leve sua namorada ou não sei-o-que-sua e a mãe dela junto. Rin iria me matar se eu não te convidasse. – O encarou mais uma vez com sarcasmo. – Até o dia. – Disse-lhe levantando uma mão e caminhando para o corredor do hospital.

- Ele não é tão ruim assim. Se fosse não ficaria por aí revivendo e salvando pessoas. – Kohaku deu ombros. – Enfim Inuyasha, sugiro que tire essa cara de idiota e preste atenção em mim. – Inuyasha movimentou um pouco o rosto. – Cuide dela. – Disse. – Passarei a receita correta do que ela deverá tomar. Acho que ela precisa de incentivo. – Girou os calcanhares. – Daqui há algumas horas ela será liberada. Precisa terminar com o soro antes. – Observei o saco que mantinha o líquido ainda cheio.

- Merda. – Murmurei rilhando os dentes. – Odeio ficar nesse lugar. – Abruptamente senti dois braços me abraçando com força.

- Por deus, ainda bem que está viva! – Minha mãe segurava-me com uma força sobrenatural. – Juro que apenas senti que te perdia quando você desmaiou daquele modo em minha frente... não me perdoaria se morresse, Kagome...- Inuyasha me encarava com o semblante sério.

Com algum esforço coloquei uma de minhas mãos na cabeça dela acariciando seus cabelos. Ela estava chorando... e estava ali.

Ao meu lado.

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Após uma longa sessão tediosa de litros de soro me via livre. Meu corpo doía por ter ficado tanto tempo naquela posição.

Já havíamos deixado mamãe, mesmo ela não querendo muito, na casa de Inuyasha. Felizmente ela sorriu ao notar que era realmente luxuosa e ao saber que poderia ligar quando quisesse.

O meio-youkai não falava direito comigo desde que saímos do hospital. Ele parecia extremamente furioso com algo. Já havíamos pegado os remédios com Houjo (a qual eu tinha certeza que os teria) e estávamos sentados no sofá.

Eu passei o encarar, mas ele apenas olhava para a televisão desligada.

- O que foi? – Minha voz soou baixo.

- Nada. – Respondeu. – Nada. Nunca foi nada e por que seria agora? – Ele me perguntou ironicamente. – Quando você começar a sentir os efeitos do remédio também não será nada e se resolver beber e contrair hepatite TAMBÉM não será nada. Você vê Kagome, que é sempre nada? – Me encarou. Seus olhos contendo uma raiva inexplicável.

- Não fale comigo dessa forma, eu não causei mal algum a você! – Disse-lhe convicta. – Além do mais sei me cuidar? – Ele deu um curto riso alto e forçado.

- Ohh, claro! Todas as pessoas que se cuidam têm o corpo tão apto a contrair doenças a toa que podem levar a morte! Que tipo de absurdo estou insinuando? – Seu olhar era de completo sarcasmo. – Aliás, vou fazer o que deveria fazer faz tempo! – Disse se levantando apressadamente. O observei caminhar até as garrafas que jaziam no barzinho.

- Que tipo de merda você está pensando em fazer? – Ele sorriu.

- Nada Kagome, nada. – Pegando várias delas de uma vez, as mais cheias precisamente, se aproximou da pia. Arregalei os olhos pressentindo o que faria.

- NÃO PENSE EM FAZER ISSO!- Gritei pausadamente correndo atrás dele e segurando sua camisa.

- Oras, mas eu não estou fazendo nada, Kagome. – Tirou a tampa de uma a tombando completamente. Observei o liquido escorrendo pelo ralo e dei um gritinho agarrando em sua blusa com força. Ele era alto demais e eu apenas consegui ficar grudada a ele.

- PARE COM ISSO!- Ordenei novamente.

- Eu até pararia se estivesse fazendo algo. – Quebrou o gargalo de outra a jogando também. – Ora, pra que tanta calma já que não estou fazendo nada? – Perguntou a si mesmo quebrando a garrafa no meio, de modo com que fosse todo o rum de uma vez.

- ISSO ME CUSTOU DINHEIRO! – Todo o ar em meus pulmões estava acabando.

- Não, não. – Negou veemente. – Custou apenas sua saúde. – Revoltada, me virei e caminhei com passos firmes até o barzinho.

Apunhalei com força um conhaque o abrindo com vagarosidade. A verdade é que eu estava com certo medo de tomá-lo e também estava decidida a não fazê-lo, mas Inuyasha me provocara profundamente de forma desnecessária.

- Me passe isso também. – Em uma fração de segundos a garrafa saiu de minha mão trêmula e foi parar nas do hanyou. – Mais uma... – Continuou ele com aquele ritual sádico.

Apunhalei então o whisky com a maior velocidade que pude. Havia me custado uma fortuna, e eu não era de comprar bebidas caras. Apesar de tudo sempre fui economista... ou não ligava pra vida, tanto faz.

Como eu comecei a andar rápido demais apenas pensando que Inuyasha poderia me pegar não era de se espantar que eu tropeçasse. Quando meu corpo colidiu com o chão não cai em caco de vidro algum, mas senti algo molhando minha camisa.

- Por favor, seja sangue, pelo amor de deus, seja sangue!- Pedia a mim mesma, mas apenas senti o forte cheiro do whisky penetrando em meu nariz. – Puta-merda!- Fechei os olhos com força esmurrando o chão.

- E olha que eu nem precisei fazer nada com essa. – Ele me observava com mais duas garrafas na mão, essas de vodka. Nada de absolut ou smirnoff, não , não, apenas imaginem alguma marca podre e barata. O encarei como se implorasse.

- Pare com isso, por favor. – Ele sorriu.

- Parar com o que? – Cerrei o olhar com força franzindo o cenho.

- Seu grande estúpido! – Vociferei. – Seu grande ESTÚPIDO! – Ele havia terminado com praticamente mais da metade do estoque e me observou sardônico.

- EU sou estúpido, EU? – Ele respirava com força. – Não fui eu quem quase MORRI por não querer ir na merda de um HOSPITAL! Não fui eu quem fiquei me MATANDO pelos cantos, SUA, SUA e SUA GRANDE ESTÚPIDA! – Gritou. Seus olhos contendo uma enorme frustração. – E SE VOCÊ MORRESSE? SE POR ACASO TIVESSE ESSA CRISE LONGE DE MIM E NÃO ME CONTASSE, SE CONTINUASSE FUGINDO, DROGA? VOCÊ FAZ IDÉIA DO QUE VOCÊ SIGNIFICA PRA MIM? – Perguntou arfando.

Seus pés aproximaram-se de minhas mãos e ele me puxou para cima. Seus olhos se encontraram com os meus.

- Você sim, VOCÊ, é uma grande estúpida, SUA ESTÚPIDA!- Rangi os dentes.

- Já entendi INUYAS... – Ele me calou então. Seus lábios se apossando dos meus com uma urgência implacável. Suas mãos rodearam minha cintura e ele foi me empurrando, do lado em que os cacos não haviam chegado, até o sofá. Me lançou nele se colocando sobre mim. Suas mãos passaram para minhas pernas as apertando com luxúria e descontrole.

- Você morreria e eu também me sentiria morto. – Murmurou antes de tomar novamente meus lábios. – Você morreria sem ser minha novamente e por culpa minha também, que apenas dizia que te amava e não te fazia ir a um médico decente. – Senti sua mão deslizando até meu bumbum e o apalpando. Um pequeno gemido escapou de meus lábios vermelhos ainda meio contorcidos pela raiva.

- Pare com isso. – Pedi. Inuyasha pareceu não me ouvir quando seus lábios passaram a base do meu pescoço e o mordiscou. Sua mão rapidamente voltara a minha coxa a abrindo, fazendo com que seu corpo se encaixasse ainda mais sobre o meu de forma com que eu não pudesse fugir dele.

- Parar com o que? – Tentei empurrá-lo e estapeá-lo, mas apenas o sentia ainda mais rijo contra mim. – Com o quê, Kagome? – Ouvi o barulho de um pequeno rasgo e não fiquei surpresa ao notar que ele rasgava toda a lateral de minha blusa. Tentei o impedir, mas ele apenas forçou seu corpo ainda mais sobre o meu e apenas se levantou quando terminou de rasgá-la, ainda sim em um movimento que não pude acompanhar.

Meus seios estavam apenas protegidos pelo sutiã agora e encontravam-se espremidos contra o peito másculo do hanyou, ainda que ele vestisse uma camiseta. Senti meu sexo latejar, mas ainda sim rejeitava Inuyasha. Não queria me ferir novamente tão rápido ou de forma tão estranha.

- Desista, eu sinto o seu cheiro. –

- Pare... pare com isso agor... – Tomou meus lábios agora com certa fúria e seu desejo mostrava-se ainda maior que antes. Sua língua chocava-se a minha e ele a chupava e mordia vez ou outra.

- Com o que? Me responda com o que e quem saiba eu pare... – Sussurrou eroticamente em meu ouvido logo depois o lambendo e mordendo o lóbulo de minha orelha.

- Pare de tentar fazer sexo comigo, Inuyasha. – Senti a sua mão esfregando em meu ponto intimo compulsivamente o massageando por cima da calça. Gemi alto.

- Resposta errada. – Mordeu meu lábio inferior enquanto eu sentia meu corpo relaxando embaixo do dele. – Parar com o que, Kagome? – Minhas mãos involuntariamente foram as suas orelhas e as massagearam. Logo puxaram seu cabelo prateado com volúpia e desejo incontido. – Atitude errada. – Continuou. Deu uma trilha de beijos por todo o meu rosto e desceu para o vale de meus seios.

Beijo-o todo ainda não tirando meu sutiã. Sua mão apalpou o que sobrava mexendo nele com certa firmeza. Gemi ainda mais quando sua língua quente possuiu meu bico esquerdo, que encontrava-se duro naquele instante.

- Pare... – Pedi arqueando meu corpo.

- Com o que? – Perguntou-me rouco. Mordeu o bico de meu seio levemente e continuou a roçar seus dentes nele de forma provocante. – Hem? – O encarei fogosa. Os cabelos desgrenhados e os lábios ainda vermelhos.

- Pare de tentar fazer amor comigo, Inuyasha. – Ele parou. – Pare de querer me sentir descontroladamente de novo, pare de tentar me dar prazer.- Ele continuou parado, e então sorriu.

- Droga! – Rosnou baixo.

- O que foi? – Ele se levantou um pouco de meu corpo.

- Resposta certa... – Soltei um suspiro aliviado. – Mas na hora errada.., tarde demais. Esse seu rosto sensual está me matando. – Tomou novamente meus lábios passando as mãos grossas em minha nuca me forçando a retribuir. Apertou meus cabelos com um pouco de força e o balançou me fazendo gemer. – Oh, esse gemido, que delícia! – Sua voz saiu alta dessa vez e suas mãos passaram novamente para meu sexo, mas, dessa vez ele abriu meu zíper entrando completamente dentro de minha calcinha.

- Droga Inuyasha! – Chamei por seu nome em um grito. – Que droga! – Ele sorriu.

- Você está encharcada... – Disse escorrendo um dedo para dentro de mim. Meu corpo arqueou contra sua mão. – Ah pai do céu... – Sua respiração estava falhada, e ele afundou mais um dedo, me vendo gemer cada vez mais e mais alto.

- Não tem que ser assim... – Disse em um fio de voz. – Não precisa ser em um sofá, não depois de uma briga e não assim... – Ele me encarou.

- Você me deixa louco, Kagome, não importa a situação. – Ele disse ainda não parando com as caricias. Beijou o canto de meus lábios demoradamente e tirou a mão de dentro de minha calça, colocando os dois dedos em sua boca os chupando. – Esse seu gosto... – Coloquei as mãos em seu peito com calma.

- Desse jeito? – Em um impulso ele saiu de cima de mim, se colocado em pé arfante. Tirou a própria camiseta e colocou a mão sobre o peito.

- Tudo bem, tudo bem. – Disse ele passando a mão sobre os cabelos enquanto eu tentava cobrir meu corpo. – Ta, ta... mas não garanto que da próxima irei me segurar. – Ele falava rápido e suas mãos ainda passavam por toda a extensão prateada. – Vou usar seu chuveiro, tudo bem? Frio, frio e muito frio de preferência. – Me encarou mais uma vez. – Não faça besteira, tudo bem? – Eu concordei com o olhar baixo.

Ouvi seus passos se afastando e então suspirei.

Pensei e repensei o que havia acontecido nesses últimos minutos. Não sabia dizer se o que eu havia feito era certo ou errado, pois, apesar de resistência eu ainda o queria. Eu o queria demasiadamente. Seria certo pedir para que parasse, então?

Balançando a cabeça lentamente e passando a língua sobre os lábios me levantei.

Tirei a roupa com lentidão ficando nua. Meu corpo se arrepiou um pouco pelo frio que senti de momento. Lembre-se que dali há algumas horas no máximo meu corpo sofreria por culpa do remédio e eu não pensaria em outra coisa a não ser vomitar ou me internar em minha própria cama.

Com passos calmos me aproximei do banheiro. Fechei os olhos com ainda mais força imaginando se ele me perdoaria por fazê-lo parar.

E então, aquilo já não me importava mais. Eu o amava e aquilo estava claro pra mim. Depois de tudo o que havia ocorrido senti que ele me amava também, e não era apenas uma suposição equivocada. Ninguém faria o que ele fez apenas por "achismo". Respirei fundo tomando coragem e abri com leveza a porta.

Ele estava lá, com a água límpida caindo por seu corpo escultural. Mordi meu lábio evitando gemer apenas por vê-lo daquela forma. Aqueles músculos e corpo bem moldado. Aquele pênis enorme, ainda ereto recoberto de água.

Assim que ele tirou a água do rosto ele abriu os olhos e me encarou. Seus olhos ficaram arregalados e sua boca abriu exageradamente.

- Kagome? – Perguntou em um murmúrio. Levantei o rosto sentindo-o corar. Ele saiu debaixo da água.

Com a boca sedenta e o olhar ainda mais apenas o vi sorrir de canto.

- Venha pra cá agora. – Ordenou.

Meu corpo ardeu em chamas e eu sabia que não poderia mais fugir.

Enfim, uma boa notícia.

oOo

Nota:

Não me matem pela demora. Não me matem por ter parado nessa parte. Não me matem pelos erros ortográficos e não me matem por mais nada que eu não tenha lembrado de citar aqui.

Próximo capítulo (obviamente) o hentai, e enfim, o último capítulo.

Não, eu não esqueci do Naraku e de Kikyou. Não, eu não vou deixar de escrever minhas fanfics e não... eu realmente não quero morrer.

Kissus, mil agradecimentos aos que ainda estão acompanhando, e claro! Até o próximo!

oOo

NADA MEIRELLES: Ah, convites de MSN são precários mesmo. Depois de muita reza braba e alguns exorcismos eles resolvem ceder pra gente. Coisa do capeta, de fato. Muito obrigada (sim!) por ter adorado o capítulo anterior! Se já havia gostado da hora em que "quase se pegam" não consigo nem imaginar agora que eles DE FATO chegam a se pegar. A Kagome ERA alvo de pena... por que agora com esse homem, meldels, a última coisa que eu teria dela era pena XD! Enfim , muito obrigada pela review e espero que tenha gostado desse capítulo! Kissus e Já Ne!

LADY AREDHEL ANARION: Manows... eu não ia dar esse capítulo enorme pra você revisar HAUEHUAHUEA tanto que você não tem obrigação com minhas fanfics de Inuyasha, apenas com as de HP né? XD! Até que eu tentei cara, mas o hotmail é tão bom (Lê-se: decepcionadamente desprezível) que ele estava simplesmente se negando a anexar o arquivo. Fiquei puta e desisti, beigos dorgas é vida (?). Mano! Eu não tenho culpa por gostar de finais emocionantes... mas acho que uma "mãe ligando" não foi mais cruel que "dois quase trepando", imagino! Quanto mudar do speedy eu concordo. A Net dá menos mio... mas não chega em casa. Merda de casa quase no sítio :D! Esse capítulo não teve hentai (NC ¬¬) mas o próximo já vai começar com, então sem crise XD! Sim, você pagou breja pra mim, então eu te pago um conhaque no fim de semana e fica tudo certo (Y)! Vou fazer uma one shot Kagome/Kouga pra você, prometo. One hentai, obviamente XD! Beijos cats, tinshoopo. Amo-te too! Até sei-lá-qual-fic-vou-escrever-agora.

MEYLLIN: Ah! A Kagome realmente foi bem sucedida com a Sango XD! Eu até tentei fazer uma parte melhor quanto a esse fato, mas não consegui. Acredite, não é só a Kagome que sofre por não saber dar conselhos viáveis que não necessitem de álcool ( e olha que eu faço psicologia \semata). Nossa mãe! Todas quereríamos um amigo como o Inuyasha! Intimo ou não, aceito de qualquer jeito, com qualquer roupa e qualquer humor XD! A mãe da Kagome foi verdadeiramente cara de pau, mas eu e meu bom senso (que deveria morrer) não deixamos com que ela acabasse por aí como uma mendiga (\droga). Obrigada por ter lido e adorado o capítulo, Meyllin! Agradeço também por ser minha leitora mais fiel, já que foi a única que não deixou de mandar review em qualquer capítulo que fosse! Espero que tenha aprovado esse e que continue acompanhando a fic na reta final! Beijos, querida, e até o próximo!

AGOME CHAN: Ah, minha filha, conseguir um "amigo" como Inuyasha só em fanfic, filme, novela, desenho... blá blá blá. Vida real que é bom, nada. Se bem que é meio difícil encontrar um ser humano com orelhas prateadas e felpudas no topo da cabeça mas tudo bem (eu entendi , sério AUEHUAHEUA). Pois é, como massagista de morrer *O*! Na realidade foi completamente o contrário! Agora que a mãe de Kagome apareceu os problemas começaram a desaparecer... bizarro, né? Vidinha contraditória, bandida XD! Espero não ter demorado tanto dessa vez! (Estou me dividindo em três pra escrever minhas três fanfics em andamento \morre). Até mais, Agome Chan , e até o próximo capítulo! Beijosmil!

KELLY-CHAN: Ola, Kelly, como vai? :D! Não lembro-me de você, então inicio agradecendo por saber que existem mais pessoas que lêem minha fic, viu? Fico extremamente ultra-super feliz por saber disso, sério! ÉÉ! Eu fiquei um tempão sem internet, e pelo que me parece o problema começou na central e depois passou pro meu modem. Sacoméné, pessoa sortuda é o que há de bom nessa vida :D! Eles ficaram juntos nesse capítulo... mas ficaram ainda mais "juntos" no próximo, isso eu garanto XD! Muito obrigada pela review, espero que continue acompanhando e ate o próximo guria! Kissus!