"Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor." Apocalipse 2:4
Ato VII: Primeiro os Anjos Caem
Um rosto de anjo sorri para mim
Debaixo de uma manchete de tragédia
Aquele sorriso costumava me trazer calor
Adeus - sem palavras pra dizer
Ao lado da cruz sobre a sua sepultura
e aquelas velas que queimam eternamente
Necessários em outro lugar
Para nos lembrar da rapidez do nosso tempo
Lágrimas derramadas por eles
Lagrimas de amor, lagrimas de medo
enterre meus sonhos,
desenterre minhas tristezas
Oh Deus, por que
os anjos caem primeiro?
Não revivido pelos pensamentos do Shangri-La
Nem iluminado pelas lições de Cristo
Eu nunca entenderei o significado do que é certo
Ignorância me carregue para a luz
Necessários em toda parte
Me cante uma canção
da sua beleza
do seu reino
que as melodias de suas harpas
consolem aqueles de quem ainda precisamos
Ontem, nós apertamos as mãos
Meu amigo
Hoje um raio de luar ilumina meu caminho
Meu guardião
(Angels Fall First – Nightwish)
- ...Aposto o que quiser que o seu tremendo mau humor atende por um nome próprio, com duas sílabas: Lí-lian. – disse Snape, esticando a cabeça para leah que entrava em casa, irritada. Lupin, que o ajudava a mapear magicamente um enorme pergaminho aberto na mesa da sala, também a olhou, mas quieto.
- Pro inferno, Snape. – murmurou Leah.
- Eu não, vai que eu vou e me chamam de volta. Não quero correr o risco de voltar que nem você. – sorriu.
- Seria sábio da sua parte não arrumar confusão com Lílian. Afinal... ela é esposa do 'seu' chefe, Tiago Potter. – comentou Lupin, riscando o mapa com a varinha mágica, marcando com a outra mão uma medida usando um esquadro.
Leah abriu a porta do porão e sumiu, provavelmente para se jogar dentro da banheira de poção mágica para recuperar as energias. Algum tempo depois, Sirius apareceu com roupas novas e desceu até lá:
- E aí, gata? – cumprimentou, chegando e pendurando as roupas novas de Leah nos canos da calefação da casa, que passavam pelo porão e serviam de cabide de panos, roupas e outras coisas que eles usavam ali no dia a dia – Quer que eu te passe a cantada de sempre para você voltar a ficar mais bem humorada? Ok: você fica tão sexy, cadavérica e nua nessa banheira de poção vermelho vivo. Parece que está deitada numa banheira de sangue.
- Isso não seria excitante, isso seria necrofilia. – murmurou, com a cabeça recostada na borda da banheira metálica branca, os braços esticados pelo lado de fora – Escuta... Lílian continua forte, heim?
- Continua, é? Nenhum de nós foi idiota ou ousado o suficiente pra tentar tirar a prova. Ou, quem sabe... indelicado. Afinal, foi escolha dela abandonar a vida de bruxa da elite pra se dedicar à família.
- Oi, o Apocalipse está começando, será que ela não acha que uma mãozinha seria bem vinda?
- Leah, Leah... as coisas mudaram. Conforme-se. E reconheça: Tiago até que se tornou um bom espadachim.
- Tiago não chega nem aos pés dela. – murmurou, se afundando na banheira, deixando só a cabeça de fora.
- Mas ele dá conta de alguns demônios. O resto, você se vira.
- Não é a falta de técnica que me preocupa em Tiago. Técnica ele até tem. O que falta nele... é o resto. – e, ao dizer isso, afundou-se por inteiro na banheira de poção, sumindo da vista de Sirius, que cruzou os braços, pensativo.
Leah subiu do porão já de noite, vestindo as roupas novas, já que as antigas eram quase trapos esfarrapados. Para variar ainda tinha que usar um capote enorme, um pano no pescoço, botas enormes, luvas, tudo para tapar o máximo do seu corpo.
Ao chegar na sala, viu o grande mapa de pergaminho pregado na parede, e reconheceu ser um mapa rascunhado de Londres e região, especialmente os lugares mágicos. Estava todo marcado, colorido, com desenhos.
- Estivemos prestando atenção em todos esses ataques de demônios. – disse Lupin, vindo da cozinha, com uma xícara de chá quente nas mãos – E fizemos esse mapa, com as datas e os lugares em que eles mais apareceram. Eles têm aparecido com maior freqüência. E, que coincidência... mais perto de onde a gente passa. Ou deveria dizer... de onde você passa?
Leah olhou para ele, e deu um sorrisinho tonto:
- ...Ah, agora vão querer me enterrar de novo só porque toa achando que eu é que estou arrastando essa legião de demônios pra cá? Se liga, eu sou só mais um pobre coitado deles. A diferença é que sou escrava dos bonzinhos.
Lupin piscou, e disse, em voz baixa:
-...Não foi isso que eu quis dizer.
Leah deu as costas e voltou para o porão. Mas parou na porta, dizendo:
- ...Hoje se inicia mais um ciclo da Lua Azul. Zz'Gashi está morto, e não tem como ele voltar mais. Mas tenham certeza de que outros demônios igualmente barra pesada vão usar esse climão para poderem vir do outro mundo pra cá. Ainda mais aproveitando que meio portão do inferno parece que já tá aberto, né.
Leah desceu novamente, e se sentou sobre umas caixas que havia no fundo do lugar, e ali ficou a noite toda, olhando pela pequena fresta da janela do porão, bem rente ao chão do jardim. Não sabia o porquê, mas sentia-se extremamente cansada e desanimada. O que era estranho, afinal, na condição de morta vida, não sentia mais nada: nem sono, nem fome, nem sede, nem cansaço, nada. E continuou sentindo-se assim, nos dias seguintes. Nos agitados dias seguintes.
- Ele foi por ali! – gritou um dos bruxos, correndo por um dos apertados becos da cidade.
A luz da lua foi encoberta momentaneamente pela passagem do demônio, que voava entre os becos dos prédios.
- Cerquem ele o mais rápido possível!
O monstro parecia atordoado, e acabou batendo na parede e caindo entre latas de lixo. Se levantou, e começou a correr, com as quatro patas. Parecia um bizarro cruzame3nto entre um humano e um morcego, e tinha espinhos pelo corpo.
- ...Molbol não é tão fraco assim... bruxos mortais... – sibilou o demônio, tentando ficar ereto.
Dois bruxos lhes cercaram no beco.
- Chegou sua hora, demônio! – gritou um dos bruxos, de barba loira – Você vai sentir muita dor pra compensar os nossos companheiros mortos!
Mas antes que ele disparasse um feitiço, Molbol avançou, puxando-o pelo braço, e lhe cravou os dentes afiados no pescoço.
- ...Senhor Delux! – gritou o outro bruxo, ruivo, mais novo.
O demônio avançou, batendo o corpo do bruxo contra a parede, cravando-lhe mais ainda os dentes no pescoço, e o largou no chão, para depois engolir o tremendo pedaço de carne que lhe arrancara. Passou a longa língua azul pela boca ensangüentada e olhou o jovem bruxo, estreitando o olhar.
O jovem tremia. Molbol urrou, e avançou. O bruxo deu as costas e começou a correr, quase tropeçando nos próprios calcanhares. Olhava para trás, e o morcego trombava nas latas de lixo, nos caixotes, mas não desistia de perseguí-lo. O ruivo fez uma curva, por um beco mais longe e mais largo, com algumas portas velhas e trancadas. No fim do beco, uma parede de madeira e uma pilha de caixotes. O jovem continuou correndo, mas o demônio já se aproximava.
Molbol guinchou, e saltou. Mas na mesma hora uma das pesadas portas de metal se abriu, fazendo o monstro trombar dolorosamente contra ela, deixando a marca do seu corpo no ferro, espalhando poeira e fazendo os pedacinhos de papel do chão voarem, tamanho impacto.
E, da porta, veio um homem vestindo um longo capote marrom escuro, e um chapéu surrado e de aba larga enterrado na cabeça. Tinha cabelos e barbas brancas e longas. O jovem ruivo estava sentado no chão, assustado com a trombada que o demônio deu, e agora olhava o homem que surgia, despreocupado.
Ele olhou a porta, amassada, e a fechou. E ergueu o olhar para o demônio, metros à frente, no chão, zonzo. Ergueu a aba do chapéu, revelando seus olhos azuis e seus óculos de meia lua, e sorriu:
- Ora essa... que cabeça dura você tem.
- ...Mestre Dumbledore! – gemeu o jovem - ...Cuidado com ele, ele é...
Dumbledore olhou o jovem, bravo:
- ...Quantas vezes tenho de repetir que vocês devem parar de me chamar de mestre? Não sou mestre de ninguém!
- ...CUIDADO!
Molbol se lançou contra Dumbledore, e o bruxo se virou. Segurou com a mão esquerda o braço do monstro, e pôs a mão direita sobre a boca dele, que já vinha lhe mirando o pescoço, os dentes afiados à mostra. E junto da mão direita, veio junto um feitiço em forma de esfera, laranja, com brilho vermelho, como fogo, que Dumbledore literalmente enfiou goela abaixo do demônio, e girou o corpo, jogando-o com força contra a parede, fazendo Molbol estremecer o prédio, e ficar literalmente encaixado nos tijolos, onde seu corpo formou um molde.
- ...E você... – disse, puxando seu sobretudo para fechá-lo novamente – Volte de onde veio.
- ...Será um prazer. – sorriu o arcebispo Joaquim, vindo de um dos becos. Apontou-lhe seu cajado, e, com uma luz branca, Molbol, com o maxilar e os dentes destroçados, desapareceu, debatendo-se e urrando.
Os dois bruxos se aproximaram do jovem, que ainda estava sentado, tremendo de medo. Dumbledore retirou seu chapéu, batendo-o para retirar o pó.
- Está bem, meu jovem? – perguntou o padre.
- ...Que bom que o senhor ainda está nos ajudando, mestre Dumbledore. – sorriu o jovem, se levantando.
Dumbledore murmurou, recolocando o chapéu:
- ...Ele ficará melhor assim que parar de me chamar de mestre, senhor Joaquim. – e olhou o bruxo ruivo – E eu não estou ajudando vocês, senhor Redfox, estou ajudando meus amigos.
- ...Os demônios estão cada vez mais fortes. O senhor não poderia ter deixado de nos auxiliar... o Ministro e o Potter não sabem o que fazem. Ele foi capaz de matar o senhor Delux, meu superior, e tantos outros...
- Poucas pessoas sabem que não faço mais parte de nenhum conselho ou órgão ou equipe do ministério, senhor Redfox. – sorriu Dumbledore, calmo – Se o senhor ministro e o senhor Potter acham que minha ajuda não é mais necessária, é uma decisão deles, não temos porque fazer alarde. Mas isso não significa que menosprezarei menos essas criaturas, nem que me recusarei a acabar com elas.
- Está tudo acabado por aqui. – suspirou Joaquim, olhando o jovem - Agora volte para o ministério, e informe tudo o que houve aqui. Eu e Dumbledore temos outros assuntos particulares a resolver.
E, assim, os dois sumiram entre os becos.
Sirius bateu o jornal na mesa do café com força:
- Certo, Tiago merece uma SURRA! Ele simplesmente mandou Dumbledore embora?!
- ...Eu passei minha vida escolar inteira querendo fazer vocês enxergarem isso. Tratem de surrarem eles sozinhos, agora. – murmurou Snape, apático, passando geléia na torrada.
- Tiago é o chefe da equipe que cuida dos demônios, não? – lamentou Lupin – Ele tem poder para isso. Aliás, acho que foi o próprio poder que subiu à cabeça dele. Ainda bem que Dumbledore aceitou o pedido nosso e de Joaquim, de nos ajudar por fora. Ele sabe que Tiago é imaturo e que tomou essa decisão por orgulho.
- Tiago é um idiota! – reclamou Sirius – Ele não vê que cada dia que passa fica mais difícil vencer esses demônios? – e apontou Leah, que vinha do porão – Veja só o trapo que tá a Leah, nem tem lugar pra costurar mais ela! Não sei nem como se mexe, de tanto que os demônios despedaçam ela e a gente tem que montar de novo!
- Considerarei isso uma prova de apreço ao meu corpo. Digo, cadáver. – comentou Leah, também sem ânimo.
- O fato é que dormimos ontem e acordamos hoje sabendo que Dumbledore não faz mais parte da Elite, nem do governo, que é quase um fora da lei, coitado. – disse Snape – De uma hora pra outra. Sorte nossa que o Arcebispo Joaquim pegou ele de madrugada para matar aquele demônio que estava estripando os bruxos de Tiago e o convenceu a continuar conosco.
Nisso o telefone tocou, e Lupin atendeu. Trocou algumas palavras e desligou.
- ...Falando no diabo... – e olhou Leah – Era Tiago. Quer você na casa dele agora.
- São sete da manhã, que foda. – gemeu Leah.
- Pelo jeito, ele está apressado, para usar o telefone mágico nosso, ao invés de mandar uma coruja ou outra coisa...
- ...Vou pegar minhas armas. – resmungou, descendo para o porão.
Quando Leah e Lupin estavam indo na direção do carro, Joaquim aparatou.
- Bom dia, filhos... para onde vão?
- Boa dia senhor Joaquim. – cumprimentou Lupin – Tiago chamou Leah agora, estamos indo para lá.
Joaquim olhou Leah, preocupado:
- ...Tome cuidado. Vim aqui avisá-los que sinto uma poderosa energia maligna na cidade. Acho que um demônio de magnitude maior aparecerá.
- ...Será por isso que Tiago me quer lá? – resmungou.
- Talvez, eu já passei o aviso para ficarem alertas.
- ...Cuidem-se por aí também, então. – foi o que Leah achou de melhor para dizer.
Quando chegaram na frente da casa dos Potter, Tiago já os esperava, com o carro estacionado na rua. Leah e Lupin saíram do carro, e foram encontrá-lo. Não comentaram nada sobre o que acontecera com Dumbledore. Nem comentaram sobre o curativo que ele ainda usava na cabeça – fruto do último encontro com Leah, ali na casa dele, uma semana e meia atrás. Mas as paredes da casa já estavam quase todas arrumadas.
- Bom dia. – cumprimentou Lupin, simpático.
- Estamos indo embora para o interior, e quero que você nos escolte. – disse Tiago, ignorando Lupin e olhando Leah – Nossas malas já estão no carro. Vamos eu, Harry e você agora.
Leah não ia ser idiota o suficiente a ponto de perguntar "e Lílian?", entoa, esperou que Lupin fizesse a pergunta. Mas nem ele se deu ao trabalho de perguntar, apesar de Leah ter certeza de que ele havia se ofendido intimamente de ver que Tiago estava levando a família para um lugar seguro e, aparentemente, deixando a esposa para trás. Mas o próprio Tiago resolveu falar, quase que como obrigação para os dois:
- A minha elite leva Lílian em seguida. Não posso correr o risco de por a família toda em perigo. Vamos sair agora, Lílian sai no começo da tarde. Deixo Harry em segurança com você, Leah, e parte dos bruxos da minha elite, e volto para buscar ela e iremos com o resto da elite.
Leah se calou, olhou Lupin, e caminhou até o carro de Tiago.
- ...O lugar para onde vão é seguro? – perguntou Lupin, olhando Tiago, que ia até a porta de casa, buscar uma outra mala.
- Sim, é. É longe do alcance de qualquer demônio. – disse, ríspido, indo para o carro, colocando seu xale no pescoço.
"Como se qualquer lugar do mundo fosse longe do alcance do Apocalipse", pensou Lupin.
- Bom dia, Harry, quer que a titia arranque algum dedo e dê ele pra você ir mastigando na viagem? – sorriu Leah, para Harry, que ria para ela, numa cadeirinha no banco da frente do carro.
Imediatamente a ponta da bengala negra de Tiago – sua espada disfarçada – lhe encostou no queixo.
- ...Pessoa sem senso de humor, como sempre. – sorriu Leah, apática.
- Pro banco de trás, diabo. Sem gracinha. – vociferou Tiago.
Leah sentou-se no banco de trás do carro, e assim foram embora. Leah olhou para a mansão dos Potter, e nem sinal de Lílian. O silêncio entre os dois adultos imperava no carro. Tiago ia dirigindo, enquanto Harry era o único distraído.
Já estavam no meio de uma estrada cercada de árvores e cheia de curvas, quando o céu ficou nublado, e começou a chover. E não demorou para que Harry quisesse começar a chorar. Leah começou a perceber que aquele ensaio de choro não era bem por causa da chuva...
- ...Não vá começar a chorar logo agora! – reclamou Tiago – Não posso fazer nada, e sua mãe ficou em casa!
- Não fique bravo com ele, seu broxado. – reclamou Leah – Não é assim que se trata uma criança.
- Quem é você para me dizer como eu devo tratar meu filho!? – gritou Tiago, bravo – E pare de chorar, Harry!
BLAM!
Tiago freou o carro, indo parar no acostamento cheio de brita. Harry parou de chorar.
- ...O que foi isso? – ao olhar o capô do carro, ele estava amassado... e com marcas de unhas.
- ...Tem um demônio atrás da gente. – gemeu Leah, pondo a mão no trinco da porta.
Imediatamente uma grande mão de unhas afiadas e peluda quebrou a janela lateral do carro, agarrou Leah pela gola do capote, e a puxou para fora do carro, jogando-a de costas contra uma árvore.
- ...Corrigindo. – gemeu, se erguendo em meio á poça d'água onde tinha caído - ...Tem um demônio atrás de mim.
O demônio atravessou a estrada correndo, e veio na direção de Leah: era como se fosse um gorila, parecendo um zumbi, com pedaço de pele faltando, dentes afiados, baba amarela escorrendo pela boca, unhas longas e negras e um olhar verde brilhante, feroz.
- Vem que tem, macaco. – resmungou Leah.
O gorila esticou os braços, e Leah ergueu as mãos, sacando as duas espadas que tinha na cintura, uma de cada lado. Os braços do demônio voaram longe. Ele parou, grunhindo, o sangue violeta dele se espalhou pelas pedras do acostamento da estrada.
- Pronto. Agora vai bater em quem com o quê? – desdenhou a bruxa.
Mas o gorila cerrou os dentes, urrou, e de onde havia apenas os ombros cortados, dois novos braços saíram, rasgando a carne. Leah deu um passo pra trás:
- ...Mas que merda é..?!
O demônio agarrou Leah, e lhe deu uma poderosa cabeçada, fazendo seu pescoço quebrar de forma ruidosa. E em seguida o demônio a bateu contra o chão, usando seus enormes e fortes braços. Por fim, jogou-a contra outra árvore. Vários ossos de Leah haviam se quebrado, e ela estava visivelmente toda torta.
- ...Filho da puta... eu vou...
Mas antes que ela terminasse de falar, a reluzente e fina lâmina da espada de Tiago perfurou a cabeça do gorila, saindo pela sua testa. O gorila rolou, guinchando de dor. Tiago apareceu, lhe apontando a varinha:
- Doí, não dói, demônio? Tenho aprendido vários truquezinhos divertidíssimos para poder acabar com todos vocês.
Ele murmurou algumas palavras que Leah não identificou que língua era, e um feitiço saiu de sua varinha, atingiu a espada, e tomou conta da cabeça do demônio, que literalmente explodiu. Tiago pegou sua espada de volta, a limpou com um lenço, e a guardou.
Leah teve certa dificuldade em colocar o máximo possível de membros de volta no lugar, e voltou pro carro.
Os dois voltaram para a estrada. Tiago parecia realmente bravo, e corria muito.
- ...Trazer você comigo foi péssima idéia, demônio. Se não fosse você, aquele bicho não teria vindo atrás da gente.
- ...Me sinto péssima por dizer isso, mas obrigada por me ajudar. – resmungou – Mas... sinto dizer que a culpa não foi minha. E vá mais devagar, essa estrada não é das melhores, descobrimos isso minutos atrás.
- Se alguma coisa acontecer com a minha família, eu acabo com você. – ameaçou Tiago, olhando Leah pelo retrovisor.
- ...Pare de me olhar e olhe a estrada, seu escroto! – xingou Leah – E vai fazer o que? Morto você não vai fazer nada!
- Agora está jogando praga pra cima da gente? Eu não vou permitir que nada aconteça à minha família, Leah, NADA.
- Começou muito bem, expulsando Dumbledore.
Tiago perdeu o controle, e virou-se, cheio de fúria, apontando o rosto de Leah com a moa direita, segurando o volante com a esquerda:
- VOCÊ NÃO TEM QUE SE METER EM NADA DO QUE EU DECIDO! – urrou, furioso – EU SOU O LÍDER, EU DECIDO! SE VOCÊ NÃO TIVESSE VOLTADO DO OUTRO MUNDO, SUA DESGRAÇADA, NADA DISSO ESTARIA ACONTECENDO E...
- A ESTRADA, SE RETARDADO! – gritou Leah.
Mas não deu tempo, era uma curva muito fechada, e Tiago estava correndo demais. O carro derrapou, e no sentido contrário vinha uma enorme carreta carregada de toras de madeira. O som dos pneus cantando, da pancada, dos ferros batendo e se retorcendo, dos vidros se quebrando, foi a última coisa que Leah lembrou de ter visto e sentido.
Uma pancada capaz de fazer um zumbi como a Leah perder os sentidos. Essa foi a magnitude do acidente. Leah abriu os olhos, e viu o céu nublado, a estrada, e algumas gotas de chuva ainda caindo. Sentia que estava deitada em alguma parte do carro, parecia ser na parte de trás, porque via tudo de cabeça para baixo. Mexeu os braços, para erguer o corpo, mas caiu de cara no asfalto.
- Ai. Droga. – reclamou, olhando para trás. Foi quando percebeu que estava apenas com parte do corpo, da cintura para cima. A outra metade do seu corpo, da cintura para baixo, estava ainda dentro do que restou do carro: um amontoado de ferragens.
O óleo escorria pela pista, a fumaça dos motores subia, e havia malas e roupas por todo lado. Os pedaços do carro também estavam espalhados pela estrada. E Leah percebeu que por debaixo das ferragens vinha um fio de sangue, escorrendo junto da água da chuva. Ela esticou o rosto, arrastando metade do corpo, e entre o emaranhado de ferro prensado contra a frente do enorme caminhão, ela viu apenas um pedaço do braço de Tiago pendurado, sangrando, rasgado. E, do outro lado do carro, debaixo dele, já próximo do pneu dianteiro da carreta, os pedaços da cadeirinha onde estava Harry, e o cobertozinho branco da Criança, agora manchado de óleo e sangue.
- Ah, cara... – gemeu Leah, pondo a testa no asfalto molhado - ...Puta que pariu... fudeu de vez.
N.A 1: DoomsDay está de volta! Eu disse que ia demorar, não disse? Não reclamem, sábado que vem é meu aniversário, hahahahahah xD
N.A 2: Se eu cometer alguma gafe, perdoem, faz MUITO TEMPO que eu não escrevo a Dooms, eu lembro qual o plot e o que tem que acontecer, mas posso cometer algum erro em relação ao que escrevi. Mas em relação á explusão de Dumbledore, eu ñ deixei escapar nada, não, é isso mesmo: passa uns dias que eu não narro, e é nesse tempo que a fama sobe pra cabeça de Tiago e ele resolve que Dumbledore não é mais necessário.
N.A 3: Eu ia esticar esse capítulo até um próximo acontecimento, a que vocês verão qual é, e é por isso que eu vou REPETIR o título. Não estiquei pq... ora essa, os capítulos da Dooms devem ser mais curtos. xD
N.A 4: Espero "pegar no breu" e terminar a Dooms logo, mas isso NÃO IMPLICA adiantar a série EdD, o episódio Réquiem, porque eu ainda NÃO comecei ele – mas estou com mta vontade! – É que estou no meio de uma transição complicada, talvez eu tenha que nos próximos meses até mudar de estado, pq talvez eu consiga um emprego mto legal! Espero que dê certo e eu possa recomeçar a EdD na cidade nova, e no emprego novo, contando pra vocês onde é e o que é.
N.A 5: Até o próximo capítulo!
