Ato X: O Único

Eu estou ganhando, e você perdendo

Eu estou caindo, e você agonizando

Pro fundo, e mais fundo ainda, antes de tudo

É sua memória esquecida

Meu céu, seu inferno

Estou matando sua fantasia

Mais e mais você vai

Se afastando da realidade

Você está tentando me pegar

Você está tentando me fazer

Isso é único

Me dê a única coisa

Estou cansado de tentar

Estou cansado de mentir

A única coisa que eu entendo é o que eu sinto

Identidade, fantasia

Esse absurdo me matando

Pro fundo, e mais fundo ainda, antes de tudo

É essa coisa que alimento

Hipócrita, Lunático

Fanático, Herege

Mais e mais, você vai

Se separando da realidade

(Static X – The Only)



Um grande demônio caminhava entre as árvores de uma floresta, subindo uma colina. Ele tinha mais de dois metros de altura, era meio homem, meio cavalo. Seus músculos pareciam ser feitos de aço. Ele tinha grandes chifres negros, e dentes afiados. Seu dorso, seus braços e sua cauda eram cheios de espinhos pontiagudos, como ossos que saíam de seu corpo. Usava um enorme cinturão dourado, e uma armadura de crânios e peles rasgadas.

Ele parou no alto da colina, olhando as luzes de uma cidade no horizonte, e respirou fundo, como se farejasse no ar. Em seguida ele sorriu, e disse, com voz rouca:

- Vamos lá, meus filhotes... nosso irmão está nos esperando.

Ao dizer isso, de suas costas, vindo da escuridão da floresta, inúmeros demônios menores, que pareciam pequenos insetos saltitantes, também cheios de espinhos nas costas, grunhiram, e correram, dando saltos, à frente do demônio maior, todos na direção da cidade.


Leah dormia agora num quarto no segundo andar da casa, e estava entre as cobertas, de lado, de olhos abertos, já há algum tempo acordada. Lupin bateu na porta e entrou, delicadamente:

- ...Leah? Hora de levantar. Temos que ir até a casa de Lílian, buscá-la e encontrar Joaquim.

- Já estou acordada. – respondeu, suspirando e se levantando.

Quando estavam de saída, encontraram Joaquim chegando.

- Boa dia, garotos! – sorriu – Dia ensolarado, não?... Mas está muito frio, o inverno está chegando. Resolvi caminhar, por isso preferi encontrá-los aqui.

- Moramos longe pra diabo. – exclamou Leah – São dez da manhã. O senhor está caminhando desde que horas?

- ...Acordo às quatro e meia. – sorriu, parecendo orgulhoso.

- Credo! Ás quatro eu estou indo deitar.

- Vamos, minha gente. Temos que ir logo. – riu Lupin, entrando no carro.


Ao chegarem na casa de Lílian, não encontraram ninguém. Chamaram, mas ninguém respondeu. Resolveram entrar, já que a porta estava aberta. Ao entrar na cozinha, Leah viu que vários potes estavam abertos na mesa e na pia, mostrando que ela estava, pela manhã, fazendo algum tipo de mistura. Leah pegou um dos potes, e percebeu do que se tratava.

- Ah, não... – gemeu Lupin, perdendo a cor. Leah e Joaquim o olharam, sem entender. Ele correu para o jardim detrás da casa. Lá, o taque da área de serviço estava com uma vasilha, e tanto ela quanto a louça branca, estavam sujos de vermelho vivo.

- Lupin, espera! – chamou Leah, balançando a cabeça, com o pote que havia achado na cozinha nas mãos, ainda – Não é o que você...

Mas ele ignorou, saiu por detrás da casa, chamando Lílian sem parar, desesperado. Atrás de Leah e Joaquim, a porta de um banheiro se abriu, e dele saiu Lílian, com as mãos e o roupão sujos de vermelho, e uma toalha enrolada na cabeça, também manchada.

- Lupin! Desculpe, não ouvi vocês me chamarem! – gritou Lílian, preocupada.

Ao ver a amiga bem, Lupin sentiu as pernas tremerem, e ele caiu de joelhos na frente dela, segurando suas mãos:

- Ah, Lílian, não me mate do coração! Por Deus, achei que você...

- Ahm... Não, não me matei de novo. – murmurou, meio constrangida, indo se sentar num banco de madeira, numa mesa ao sol.

- ...Porque está tão imunda de... pensei que fosse...

Lílian baixou a cabeça, tirando a toalha dos cabelos, esfregou a toalha manchada nos cabelos, e ergueu a cabeça de novo, jogando os cabelos pra trás, sem graça de ter deixado o amigo tão desesperado:

- Desculpe, só estava...

- ...Pintando o cabelo. – riu Leah, mostrando o pote plástico para Lupin e jogando-o para trás, acertando o tanque sujo.

Lupin soltou um longo "ow", sentindo-se um tremendo idiota. Joaquim sorriu, olhando Lílian:

- É... a senhora fica muito mais bonita com essa cor de cabelo.

- Francamente, você já foi mais detalhista, Lupin – riu Leah – Achei que iria reparar que as coisas que ela tinha deixado na cozinha eram os ingredientes que ela usa nessa tinta maluca, e que as manchas vermelhas não eram de sangue.

- Não reparei. – murmurou.

- Eu achei que chegariam mais tarde. – falou Lílian, desconcertada, olhando as mãos sujas de vermelho – Se incomodam de esperar eu tomar banho?

- De jeito nenhum, esperaremos aqui. – sorriu Joaquim, parecendo radiante de ver Lílian com os cabelos, apesar de molhados, já brilhando sob a luz do sol, vermelhos de novo.


Leah olhava Lílian terminar de se arrumar, encostada na porta de seu quarto. Ainda que estivesse anos mais velha, ter aqueles longos cabelos gritantemente vermelhos de novo pareciam fazer ela voltar a ser tão bonita quanto antes. Ou não.

- ...Sabe que eu acho que você conseguiu ficar mais bonita do que era? – comentou Leah, apática, de braços cruzados – Ficar mais velha e ter engordado fez bem pra você. Claro, não tão gorda quanto você estava, mas está melhor assim, um pouco mais cheinha que a magreza sua da juventude.

Lílian terminou de colocar seu brinco, ajeitou o cinturão do uniforme de Auror Supremo (que agora lhe cabia direitinho na silhueta, diferente de antes, que ficava largo), e foi na direção da porta. Parou na frente de Leah e puxou a mão dela, colocando as duas alianças nela.

- ...É muito feio devolver um presente.

Leah olhou a própria mão, e olhou Lílian, que parecia ofendida. Ela juntou as sobrancelhas, e disse, cínica:

- Não fui eu quem abandonei o presente primeiro.

- Você tinha tudo em mente desde o início, não tinha? – perguntou Lílian, lhe olhando estreitamente – Disse que era pra eu usar a aliança para lembrar de você. Você sabia que não ia ficar em Azkaban. Aliás, não ia querer ficar em Azkaban de novo. Preferiu se matar a isso.

- Sim. Sou rebelde e orgulhosa. Tinha tudo meticulosamente planejado desde o início. Se eu fosse condenada á morte ou á prisão perpétua, me mataria.

- Você acha nobre isso? Acha que foi fácil para mim, no fim das contas eu convivi com a perda de todas as pessoas que eu mais amei na vida.

- Você também se matou, não se esqueça.

- Eu não tinha mais ninguém na minha vida! Eu estava desesperada! – gritou, inconformada.

- Bom, algo irreal aconteceu, eu voltei e te trouxe de volta á vida, também.

Lílian respirou fundo, e antes de descer para a sala, olhou Leah uma última vez:

- O que realmente interessa, é que, pra mim, não mudou muita coisa, porque você continua morta.


Joaquim, Leah, Lílian e Lupin encontraram-se com Dumbledore numa sala secreta, em um prédio abandonado no subúrbio. Era onde geralmente se reuniam, para discutir os planos sobre os ataques dos demônios. Apesar do prédio abandonado, era uma sala ampla, iluminada e cheia de decoração medieval.

- Está linda, usando o uniforme de Auror, com seus cabelos vermelhos de novo. – elogiou Dumbledore – Por favor, Lílian, se aproxime.

Ela se aproximou, e Dumbledore lhe esticou um grande embrulho de veludo azul. Ela sorriu, radiante: sabia o que era aquilo. Sua espada mágica, que deixara sob tutela de Dumbledore quando abandonou a elite dos bruxos. Até então, estava duelando com sua varinha, e usando espadas comuns.

Lílian a retirou, e ela era muito grande, prateada, com detalhes brancos e transparentes. Os rubis cravados nela pareciam brilhar de satisfação ao serem tocados pela antiga dona novamente.

- Continua linda, como sempre. – sorriu Lílian, guardando-a na bainha de couro marrom, e lhe dando um beijo, antes de amarrá-la na cintura.

- Agora... o comunicado. – avisou o professor, suspirando – Recebemos a informação de que temos um poderoso demônio na região norte da cidade, já nos limites. Ele só aparece à noite, mas... ele é de um nível que não confrontamos até agora. Ele é capaz de guiar demônios menores. Eis aqui uma imagem dele.

Dumbledore colocou sobre a mesa um cristal, que brilhou e fez surgir sobre eles a imagem enevoada da noite anterior, do demônio avançando na direção da cidade, com seus pequenos subordinados juntos.

- ...Essa não. – gemeu Leah, sentindo a espinha gelar.

- Aproveitem a luz da lua nesta noite. Quero que vocês quatro vão até a região norte. Snape e Sirius já estão por lá desde ontem, mas apenas atacaram os menores. Agora que tenho você de volta, Lílian, me sinto mais seguro. Você e Leah juntas são invencíveis. – ele as olhou um tempo, e completou, sorrindo – Isso, é claro, se resolverem de uma vez por todas essas brigas e pendências tão persistentes.

Lílian virou os olhos, sem graça, enquanto Leah parecia mal humorada.

- Boa sorte para todos. Estarei lá assim que puder. – sorriu, liberando-os em seguida.


- Acho bom andarem atentos por aqui, aqueles demônios menores podem aparecer de qualquer lugar. – avisou Sirius, que havia encontrado os amigos e agora os escoltava entre uma mata, próximo do subúrbio, longe de alguns prédios abandonados e pixados por vândalos.

- Acho melhor nós nos dividirmos, não? – sugeriu Leah – Podemos avisar os outros, caso dermos de cara com o demônio maior. Ficar num só grupo seria pior.

- É uma boa idéia. – concordou Lílian.

Sirius relutou, mas Lupin o convenceu: Sirius e Leah foram para o lado dos prédios, Lupin e Lílian continuaram na floresta. Joaquim havia ficado para trás dos prédios, como se estivesse de vigia, porque ainda estava um pouco cansado do excesso de exorcismos que andava fazendo nas últimas semanas.

Leah começou a caminhar pelas ruas curvada, com as espadas na mão. Sirius andava com a varinha, sem tanta preocupação. O asfalto era cheio de rachaduras e buracos, e o mato já crescia nesses lugares. Os terrenos onde tinham capôs de futebol e quadras esportivas estavam abandonados, também cheios de mato, de lixo e com as grades tortas e enferrujadas.

- ...Parece preocupada demais, Leah. Tá sentindo alguma coisa? – perguntou Sirius.

- ...Acho que esse capetão é pior do que a gente pensava. PARE DE ANDAR.

- ...Que foi? – estranhou, olhando para trás.

- KAITEN KEMBU!

Sirius se agachou, desviando do ataque de Leah, o ataque dela rasgou o chão metros á frente deles, numa meia lua, e, para surpresa de Sirius, pedaços da carapaça dos demônios menores voaram para todos os lados. Ela, naquele ataque, pulverizou seis deles, que se escondiam debaixo do asfalto. Ela parou, ofegando.

- UAU! – exclamou Sirius – Como você percebeu que eles estavam na espreita?

- ...Eu sabia... – murmurou pra si mesma - ...É pior do que eu podia imaginar.

Os dois escutaram um assobio agudo, e saltaram a tempo de escapar de alguma cosia que caiu do céu, abrindo uma enorme cratera no asfalto. Dela, ergueu-se o demônio maior, sorrindo, balançando a enorme cauda. Ele estalou os dedos e inúmeros outros demônios apareceram do chão.

- Merda... danou-se. – gemeu Leah, se levantando.

Sirius sacou a espada, e apontou para o demônio:

- Essa é a hora que a gente pede reforços.

- NÃO! – exclamou Leah – Não chame os outros.

O demônio olhou Leah, e sorriu:

- ...Então é você, uh?

- Não, não sou eu. – murmurou Leah, que se levantou... e fugiu, desaparecendo entre os prédios.

- ...Leah? – gemeu Sirius, assustado – O que deu em você?!

O demônio gargalhou, e olhou Sirius:

- ...Você não me interessa, humano. Meus filhos irão se divertir com você.

E, assim, os outros monstros atacaram Sirius, que os matou um a um, enquanto o outro demônio cavalgou entre os prédios, atrás de Leah, sumindo da vista de Sirius.

- AH, DROGA! ...Você não param de brotar do chão?!

Leah corria entre os apertados corredores dos prédios abandonados, com o demônio na sua cola.

- Não posso enfrentá-lo. Seria pior. – pensava – Tenho de distraí-lo e fugir.

Ela parou de repente, e avançou contra o demônio, com a espada brilhando, em punho. Mas a mão dele atingiu seu rosto em cheio, agarrando-a no ar. Leah foi jogada de costas num muro, e sentiu alguma coisa lhe enterrar dolorosamente no ombro. Abriu os olhos e viu um enorme espinho de osso.

- ...Filho da puta. – gemeu, sentindo a dor se irradiar pro corpo todo.

O demônio chegou á sua frente, sorrindo:

- ...Achou que eu não iria sentir seu cheiro? O que faz aqui? Era para estar se divertindo há muito tempo. Era para ter dizimado quase metade da humanidade.

- ...Não tô muito a fim. – murmurou.

- É uma ordem de seu irmão mais velho, Thu'uban. Vais me desobedecer, meu caçulinha? – sorriu, malvado.

- ...Acha mesmo que eu iria me esquecer de alguém tão feio quanto você, "Tu-tu"? Minha resposta continua a mesma: se fode. Traduzindo, NÃO.

O grande demônio, Thu'uban, gargalhou, batendo os cascos no chão. Enfiou a mão dentro de uma pequena bolsa de couro que tinha presa á armadura de crânios, e retirou dela um grande caco de uma pedra azul brilhante, que ele ergueu, e ela brilhou, cheia de luz.

- Não está mais em posição de dizer "não" para seu irmão, Zz'Gashi.


Sirius continuava lutando contra os demônios menores, mas eles eram muito numerosos. Não demorou, e Lupin e Lílian apareceram, para ajudar.

- ...De onde vieram tantos demônios? – perguntou Lupin, preocupado.

- Deve ser a presença do demônio maior, ele foi atrás da Leah. Ela pareceu apavorada quando o viu. – comentou Sirius, cansado.

- Foi atrás da Leah? – perguntou Lílian, intrigada.

- Foi. Parecia estar interessado só nela. A Leah, por outro lado, só correu dele.

- Para onde ela foi? – perguntou Lupin – Vou atrás dela. Assim que terminarem aqui, me procurem!

Sirius indicou o caminho, e Lupin avançou, matando os demônios no caminho, e correndo para o corredor. Lílian começou a ficar preocupada:

- ...Acho melhor acabarmos com esses daqui, e logo. – disse, ignorando que, a cada dois que matavam, três surgiam do chão.


Lupin correu pelos corredores, atrás de Leah, mas nada. Chegou até o corredor onde viu o rastro de sangue dela, nos fundos de um dos prédios abandonados, e o muro com a marca do furo do espinho, mas nem sinal de Leah.

- ...Procurando alguém, meu pequeno humano? – sibilou Thu'uban, se aproximando, vindo da garagem do prédio. Lupin se pôs em guarda – Ah, não se dê ao trabalho de me atacar. Não sou eu quem vou brincar com você.

- ...Onde está a Leah, demônio? Eu não vou perguntar de novo.

- ...Ela está muito melhor do que vocês, humanos frágeis e... ARGH!

Lupin atingiu o rosto do demônio com uma velocidade incrível, lhe abrindo um corte no rosto. Ele recuou, batendo os cascos no chão, e lupin se aprontou para um segundo ataque:

- Eu disse que não perguntaria de novo.

- ...Humano maldito. Vai virar alimento para meu irmão.

Lupin sentiu alguma coisa se aproximar, e saltou para trás caindo de pé sobre o muro. Inúmeros espinhos atingiram o concreto do chão. Ao olhar para frente, o demônio havia desaparecido.

- Filho da mãe... – murmurou. Outra saraivada de espinhos atingiu o muro fazendo ele saltar para uma grande quadra poliesportiva abandonada – Quem está aí?

Foi quando outro demônio saltou sobre a tabela da cesta de Basquete, agarrando-se sobre ela. Ele era grande, alto, e tinha o corpo coberto de espinhos. Sua cauda balançava sem parar, parecendo excitado de ter uma vítima, e sorria, malicioso.

- ...Outro demônio maior. – murmurou Lupin, se referindo á uma 'escala' de poder entre os demônios – É comparsa daquele maior?

- ...Não... – sorriu. Ele saltou do alto da tabela, e pousou suavemente na frente de Lupin, que se pôs em guarda. O demônio se ergueu, respirando fundo, ficando quase com dois metros de altura, e esticou a mão para Lupin, sorrindo – Sou irmão caçula de Thu'uban. Meu nome é Zz'gashi. Prazer em conhecê-lo.

Lupin recusou, ainda em guarda, o olhando fixamente:

- ...Já nos conhecemos? Como sabe meu nome?

- Será que a carne de um lobisomem é saborosa? – sorriu – Vamos experimentar.

Zz'Gashi atacou, e Lupin defendeu-se com a espada, fazendo os espinhos dele ricochetearem na quadra. O demônio se agachou, e fez aparecer nas costas da mão longas lâminas, levemente curvadas, e atacou. Lupin se defendia como podia, e, num vacilo do demônio, acertou-lhe um chute na barriga, lançando-o contra a parede, desmoronando-a.

- Você é bom de briga. – sorriu Zz'Gashi, de joelhos na grama.

- Digo o mesmo. – murmurou Lupin.

Mas o demônio desapareceu, afundando-se na terra. Lupin ficou confuso. Onde ele estaria? Caminhou pela quadra de concreto, sem saber onde encontrá-lo.

- APAREÇA, COVARDE! – gritou Lupin, olhando ao redor.

O bruxo caminhou de costas, olhando para os lados, até pisar em um pedaço do concreto que estava rachado, com o mato crescendo em seu buraco. Ao colocar o outro pé ali, sentiu alguém lhe lançar sobre seu corpo. No mesmo instante, uma fileira de espinhos rasgou as plantas e parte do concreto, vindo do chão numa velocidade superior a um piscar de olhos: se ele estivesse ali, estaria morto.

- Aconteça o que acontecer, NÃO PISE no chão nu! – exclamou Lílian, sobre ele, no chão.

Lupin ofegou, assustado, enquanto Lílian se levantava.

- Foi por pouco, heim? – riu Sirius, de cima do muro.

- Não tem graça nenhuma. – murmurou Lupin, se levantando também – Lílian, espere!

Lílian correu para fora da quadra. Deu quatro passos na grama e saltou para o alto. E, do chão, saiu Zz'Gashi, lhe dando um bote certeiro. Ela colocou a espada na frente do corpo, protegendo-se, e foi na arma que os espinhos, garras e dentes afiados do demônio pararam.

- Surpresa, Zz'Gashi! – exclamou Lílian, entre os dentes – Não vai ser tão fácil me pegar!

No ar, ela agarrou um dos espinhos da cabeça de Zz'Gashi, e girou o corpo, atirando-o contra o chão com tremenda violência, caindo á frente dele, em seguida.

Zz'Gashi não se encovou, ao contrário, se ergueu, sorrindo:

- Olha só... há quanto tempo...

Lílian esticou a espada em uma mão, apontando o demônio, e esticou o outro braço, e, com os dedos, literalmente o 'chamou para a briga':

- ...Pode vir. Vou tirar você do corpo da Leah nem que seja na base da pancada.

Zz'Gashi gargalhou, e avançou. Os espinhos em forma de lâminas atingiam a espada de Lílian, que se defendia. Lupin e Sirius correram na sua direção.

- Não se aproximem! – gritou Lílian.

O demônio esticou os braços para trás, lançando inúmeros espinhos. Os dois bruxos quase não conseguiram desviar deles. Em seguida Zz'Gashi agarrou a gola de Lílian, e a lançou com fora para longe. A bruxa voou, batendo de costas no alto da parede do prédio abandonado.

- ...Ai. – gemeu, entre as lascas de concreto que se desprendiam.

Ela sentiu o corpo se despregar da parede, começando a cair. Mas Zz'Gashi cravou os espinhos ao seu redor, lhe prendendo contra a parede. Sua espada escorregou, despencando para o chão.

- Ah, droga. – gemeu.

Lílian olhou para frente, e viu Zz'Gashi avançar nela. Fechou os olhos, prendendo a respiração, e sentiu o enorme corpo dele bater contra o seu, na parede. Achou que ele iria cravar os dentes em seu pescoço, estava completamente indefesa, mas ele não o fez. Ela abriu os olhos lentamente, e o olhou de esguio.

- ...Peguei você. – sorriu Zz'Gashi, agarrado á parede do prédio, apertando Lílian contra o concreto.

A bruxa respirou profundamente, engolindo alguma coisa muito dolorida. Olhava ele nos olhos, com medo. É, ele tinha conseguido.

- ...Como se sente, sabendo que pode virar meu lanche em qualquer segundo? – sorriu Zz'Gashi, suave e malvado.

Lupin e Sirius chegaram próximo do muro.

- Essa não, como vamos atacá-lo?! – gemeu Sirius – Podemos acertar Lílian

- ...Vamos arrumar um jeito. – pensou Lupin, exasperado.

- ...Não vai usar aquele antigo discurso de que posso não fazer nada disso? – perguntou o demônio, ainda olhando Lílian – De que eu tenho escolha?

Mas Lílian não tinha reação, não sabia por que. Olhava no fundo dos olhos brilhantes e violetas de Zz'Gashi, escutava sua voz, seu jeito cínico e cruel. E não conseguia ter reação, era como se estivesse enfeitiçada por ele.

- ...Você está muito chata. – reclamou o demônio, desapontado – Acho que vou mesmo matar e devorar você. Você deve ter um sabor muito melhor do que dos outros.

Zz'Gashi encostou a boca no pescoço de Lílian, e passou a língua áspera até próximo de sua orelha. Lílian prendeu a respiração, fechando os olhos, sentindo a espinha gelar. Imediatamente o demônio parou, com o nariz e a boca ainda quase encostados em sua orelha. Respirou fundo na pele de Lílian e a olhou, levemente intrigado:

- ...Sua temperatura corpórea subiu meio grau. E essa descarga de adrenalina, hormônios atrapalham bastante o sabor da carne. – reclamou, mau humorado. Ele olhou Lílian mais alguns instantes, e mudou de expressão. Piscou calmamente e sorriu torto - ...E eu muito menos costumo fazer minhas vítimas se arrepiarem.

Lílian apertou o corpo contra a parede, apavorada, mas de nada adiantou: Zz'Gashi simplesmente colou sua boca na dela, lhe beijando.

Sirius e Lupin, do chão, se entreolharam, sem saber o que fazer. Lílian fechou os olhos, prendendo a respiração. Instantes depois, ele afastou o rosto.

- É... você não estava querendo ser devorada. – sorriu, malicioso.

Um feitiço atingiu as costas de Zz'Gashi, que gemeu e saltou para o alto do prédio, enquanto Lílian despencou, caindo dolorosamente no chão.

Sirius imediatamente lhe segurou:

- ...Machucou-se, Lílian?

- Ai... só na queda. – gemeu, sentindo as costas doerem. Ao olhar para cima, Lupin partia como um raio para o alto do prédio - ...Lupin precisa tomar cuidado!

- É, eu imagino porquê. – comentou Sirius, virando os olhos.

Lílian se levantou, dolorida, empurrando Sirius:

- Vá chamar Joaquim, AGORA!

- Mas você...

- RÁPIDO!

No alto do prédio, Zz'Gashi se erguia, com a mão nas costas, enquanto Lupin parecia realmente furioso.

- Ora essa... – gemeu o demônio – Isso machucou.

- Vou machucar você muito mais. – rosnou Lupin, avançando.

Entre os ataques, Zz'Gashi começou a vacilar. E a lâmina da espada de Lupin começou a lhe arranhar, fazendo-o sangrar. Com uma explosão mágica, Lupin o lançou contra a casinha onde ficava as antigas instalações do topo do prédio, fazendo-o despencar para o andar debaixo.

- ...O que houve com todo aquele poder? – gritou Lupin, do alto do terraço.

- ...Bruxo ciumento filho da mãe. – murmurou Zz'Gashi, saltando novamente para o terraço.

Lupin avançou, atingindo Zz'Gashi duas vezes, lançando-o no terraço do outro prédio. O demônio girou no chão, sentindo o corpo todo doer. Ao olhar para cima, viu Lupin saltar sobre ele, segurando a espada com as duas mãos, descendo num ataque fatal.

- NÃO O MACHUQUE!

Lílian abraçou Zz'Gashi com força, lançando-se na frente de Lupin, que atingiu uma barreira mágica. A explosão o lançou de costas no chão.

Ele se levantou, zonzo. Lílian abriu os olhos, viu que Zz'Gashi ofegava, sem forças, no chão, e olhou para trás. Lupin parecia chocado.

- ...O que pensa que está fazendo? – arfou Lupin.

- Pare de atacá-lo, Lupin. – ofegou Lílian – Por favor.

- Como PARAR de atacá-lo? Como... POR FAVOR?!

Zz'Gashi segurou a bota de Lílian com força, e murmurou:

- ...Me mate... por favor.

Lílian fechou os olhos, sem olhar para trás, respirou fundo, e disse, em alto e bom tom:

- Ele... é a Leah.

Lupin deixou a espada cair de suas mãos.

- ...O quê?

- É uma longa história, mas é a verdade. – gemeu Lílian, entre os dentes – Por favor, não o ataque.

Nisso, finalmente Joaquim e Sirius apareciam no alto do prédio. O religioso se aproximou de Zz'Gashi.

- ...Não adianta implorar... não jamais mataríamos você, Leah. – disse Joaquim, cabisbaixo. Mas ele ergueu o cajado no alto, e disse – Mas... Zz'Gashi é outra história.

- ...O que o senhor vai...? – Lílian não terminou, porque Joaquim cravou seu cajado no peito de Zz'Gashi, cegando todos com uma enorme luz branca.

Lupin agarrou Lílian, antes que ela avançasse. Zz'Gashi debateu-se, lutando contra Joaquim, que permaneceu firme, com o pé e a ponta do cajado sobre seu corpo. Em instantes, todos puderam ver um espírito negro sair, aos gritos, do corpo de Zz'Gashi, e se desintegrar na luz branca do ataque de Joaquim. O religioso se afastou, cansado, enquanto o demônio fechou os olhos, desmaiando.

Lílian se aproximou, olhando para Joaquim:

- ...O que o senhor fez?

- ...Leah... está livre. – sorriu Joaquim, olhando o corpo de Zz'Gashi.

Todos olharam Zz'Gashi, que estava desacordado. Lentamente, ele diminuiu de forma, e seus espinhos pareceram se 'recolher' para dentro da pele de Leah, que voltou a ter a cor normal. Os ferimentos que sangravam lentamente se fecharam, porque a Pedra Filosofal voltava a fazer efeito.

- Caramba... era a Leah mesmo. – gemeu Sirius, parecendo apavorado.

Lílian respirou fundo, agarrando-se aos ombros de Joaquim, e disse:

- ...Vamos para casa. Acho que temos que conversar bastante com vocês.


Estavam todos na casa dos aurores: Sirius, lupin, Lílian, Joaquim, Snape e Dumbledore. Acabavam de escutar de Lílian e de Joaquim toda a história de Leah e de Zz'Gashi.

- Caramba, era só o que faltava. – gemeu Sirius, com as mãos na cabeça – Leah ser um dos demônios fortes.

- ...Não acredito que Zz'Gashi voltaram a atormentar Leah – disse Dumbledore, calmo – Joaquim conseguiu acabar com a presença dele.

- ...Porque não contaram nada para a gente? – reclamou Lupin – Eu ia matar ela!

- Leah estava morta, porque iríamos contar isso para vocês? – disse Lílian, parecendo chateada – Só nós, o professor Dumbledore e poucas outras pessoas do vilarejo português sabiam que Leah era Zz'Gashi.

- Uma coisa foi escutar sobre a consciência de Zz'Gashi no julgamento, outra coisa foi ver ele ao vivo, não? Nem me lembrava disso. – falou Sirius – Se fosse eu, também o atacaria.

- O que passou, passou. – disse Joaquim – Conseguimos, de vez, eliminar Zz'Gashi, mas parece que o Thu'uban, que também é um demônio poderoso, da mesma linhagem de Zz'Gashi, ainda está por aí. Precisamos tomar cuidado.

- ...Vamos tomar. – avisou Dumbledore – Bom... vou embora. Leah está bem, em segurança. Se precisarem de mim, podem chamar. Fico feliz e aliviado que tudo tenha terminado bem.

- Obrigada, professor. – agradeceu Lílian. Em seguida ela virou-se para Lupin – Lupin, pode me levar em casa, por favor?

- Claro, levo. Você me acompanha, Sirius? – perguntou, sendo respondido com um aceno de afirmação.

- Obrigada. Vou lá em cima, ver Leah. Já desço. – comentou, desanimada.

Lílian subiu as escadas, saindo da vista dos amigos, que foram se arrumar para levá-la em casa. Ao chegar no quarto de Leah, viu que ela estava sentada na cama, terminando de abotoar a blusa do pijama.

- Já acordou? Que bom. – suspirou Lílian, aliviada, se aproximando.

- É. Já. – murmurou, meio sem graça. A ruiva se sentou na beirada da cama, enquanto Leah comentou, amargurada, olhando o braço direito enfaixado de Lílian - ...Pelo jeito, como sempre, vocês saíram mais machucados que eu, depois de enfrentarem Zz'Gashi. Ah, era a última coisa que eu poderia querer, voltar a ser ele.

- Joaquim lhe libertou, conseguimos destruir Zz'Gashi, dessa vez pra sempre. É verdade. – disse Lílian, segura – E não se preocupe, foi só um arranhão.

Leah olhou a amiga longamente, e disse:

- Thu'uban ainda está por aí. Ele é muito perigoso. MUITO mesmo. Por favor, não enfrentem ele.

- ...Ele é irmão de Zz'Gashi? Não sabia que existia esse tipo de hierarquia e parentesco.

- Enquanto eu estava no outro mundo, sofrendo as penitências dos meus pecados, não havia um só dia em que ele não aparecesse para me tentar. Sibilava palavras doces, tentadoras de vingança. Sorte que eu estava convicta a dizer não. Mas ele, pelo jeito, não desistiu de ter o irmão ao seu lado no Juízo Final. ...Não se aproximem dele, não fazem idéia do poder que ele tem.

Lílian pareceu ignorar a quantidade de avisos que Leah dava, e lhe abraçou com força, repousando o ouvido em seu peito, escutando seu coração:

- Não faz idéia de como estou aliviada de saber que Zz'Gashi não tomou conta de você por muito tempo.

- ...Essa não deveria ser sua preocupação principal, baixinha. – reclamou Leah, suspirando.

- ...Mas é. – disse, lhe beijando a cicatriz do peito, onde ficava a Pedra Filosofal – Bendita seja essa pedra que te trouxe de volta á vida. Joaquim disse que se não fosse por ela, não teria conseguido destruir Zz'Gashi.

Leah suspirou profundamente, olhando o teto:

- É... no fim das coisas, que ódio, eu não sou merda nenhuma sem você por perto.

Lílian ergueu o rosto, lhe olhando, com as sobrancelhas juntas:

- Puxa vida... isso deve ter sido horrível para você admitir.

- Nem me fale. – disse Leah, passando as costas dos dedos pela bochecha de Lílian, tirando o cabelo vermelho dela da frente do rosto. Com as duas mãos, ela colocou o cabelo da amiga atrás da orelha, e disse, tombando o rosto – Você fica mesmo muito mais bonita com o cabelo dessa cor. Você não faz idéia.

- Alguém andou reclamando que estava sentindo falta dessa cor. E, pensando bem, eu também prefiro assim. ...Como nos velhos tempos.

As duas se olharam, sem dizer nada. Leah respirou fundo, esticou o rosto sem tirar as mãos do rosto de Lílian, e fechou os olhos quando sentiu a respiração dela tocar sua pele. Alguém lá debaixo gritou "estamos prontos!", e Leah parou, tirando as mãos do rosto de Lílian e se recostando nos travesseiros.

- Eu... quero descer pra comer alguma coisa. Estou com fome. – disse, em tom baixo, respirando fundo, olhando as cobertas.

- Tudo bem, já vou descendo. – concordou Lílian, virando o rosto e se levantando - Preciso ir pra casa.

Lílian se levantou, olhando o tapete do quarto, e deu as costas, saindo. Respirou fundo, e balançou a cabeça, chegando na porta do quarto. Leah olhou para as próprias pernas, pensativa; respirou fundo e deu um murro na parte detrás da cama de madeira, e se levantou de uma vez. Caminhou, erguendo o corpo até Lílian, e a puxou pelo braço. Ela olhou para trás, mas antes que pudesse perguntar "o que foi?", Leah segurou suas mãos, e a apertou contra a parede, lhe beijando com firmeza durante alguns segundos. Depois se afastou, soltando as mãos de Lílian, e respirou fundo:

- ...Desculpe.

- ...Você tem uma grande desvantagem em relação ao Zz'Gashi. – disse Lílian, também respirando fundo, olhando-a fixamente.

Leah passou a mão na boca, fazendo um "hum?" sem entender, enquanto Lílian mais uma vez respirou fundo, recostando-se na parede, olhando o chão por um instante, antes de erguer o olhar e dizer, dando um sorriso meio derrotado:

- ...Você não tem a mínima capacidade de me decifrar o suficiente.

Dessa vez, Leah não perdeu tempo pensando: apenas piscou, antes de puxar as mãos de Lílian e colocá-las atrás do seu pescoço, para depois literalmente escorregar para seus braços, lhe beijando mais uma vez. Você sabe o que esperar mais de cinco anos para poder dar um beijo em alguém? Guardar ele pra si, sabendo que, talvez, ele nunca seria dado? Já ter quase certeza de que uma coisa dessas seria mesmo só algo para habitar no fundo do seu imaginário? Como você reagiria se, de repente, descobrisse que pode realizar, colocar isso pra fora, não importando se é por curiosidade, instinto, paixão, amor ou simples acaso? Preferiria continuar guardando só para si mesmo? Ou não perderia essa oportunidade por nada? Lílian não se afastou por nenhum instante, permitiu que Leah explorasse e saboreasse cada pedacinho da sua boca, e parecia que era isso mesmo que ela fazia; sem pressa alguma, ela era incrivelmente envolvente e sedutora, como se seus lábios, sua língua e até mesmo sua saliva tivessem uma espécie de veneno, capaz de deixar quem experimentasse seu beijo incapaz de querer parar. Lílian, por sua vez, era extremamente doce: parecia saber exatamente como fazer para que seu beijo fosse perfeito, poderiam jurar que ela saberia ler a mente de alguém, para tamanha tranqüilidade e certeza de como conquistar. Mas não, ela não lia nenhuma mente. Ela só... sabia.

Leah respirou fundo, e puxou o lábio inferior de Lílian entre os dentes, de propósito, abrindo os olhos e afastando um pouco o rosto. E quando Lílian abriu os olhos também, ela mais uma vez mordeu seu lábio inferior, sem parar de olhá-la, para depois apertar seu rosto contra o dela e lhe dar um apertado selinho. Lílian tirou os braços do pescoço de Leah, e os desceu pelos seus ombros, pelos seus braços, até segurar suas mãos, enquanto encostava o rosto no pescoço dela e sentia o cheiro de sua pele. Leah entrelaçou seus dedos nos dela, e também respirou fundo, sentindo o perfume de seu pescoço, e lhe deu um doce beijo atrás da orelha, entre os cabelos, antes de afastar o rosto.

As duas se olharam longamente, quando escutaram alguém chamando Lílian pela segunda vez. A ruiva respirou fundo, olhando para o lado, e voltou a olhar Leah, dizendo, em voz baixa:

- Certo, hora de ir. ...Boa noite.

Leah deixou ela soltar suas mãos, e respondeu, suavemente:

- Vai ser uma noite muito estranha. Mas vai ser uma excelente noite.

Lílian balançou a cabeça, sorrindo sem graça, e deu as costas, descendo as escadas. Leah esperou ela sumir de sua vista, e voltou para o quarto. Caiu de costas na cama, com as mãos na cabeça, parecendo um tanto atordoada. E demorou alguns minutos antes de descer para poder jantar.


N.A 1: EEEITA PORRA! XD

N.A 2: Dois capítulos da Apocalipse em menos de uma semana! Acho que vocês não podem reclamar, não é? xD

N.A 3: É... até Zz'Gashi tirou casquinha da Lílian nesse capítulo. Coitado do Lupin, platônico que é, que só ficou na vontade.

N.A 4: ...Por que vocês estão me olhando com essa cara? Õ_o ...Eu disse que a DoomsDay seria 'slash', não disse? Não reclamem... (brinks) =B

N.A 5: Até o próximo capítulo!

N.A 6: Ah, é: ZZ'GACHAN!!!!!! *___*