Ato XII: Magnífico

Eu nasci
Nasci para estar com você
Neste lugar e nessa Era.
Depois que tudo isso passou, eu não tinha a menor idéia
Só para não fazer mais sentido
Esta loucura pode deixar um coração negro e triste

Eu nasci
Nasci para cantar para você.
Eu não tive escolha, mas para levantar você
E cantar qualquer canção que você queira,
Eu te dou de volta a minha voz.
Até mesmo do útero, meu primeiro choro foi um alegre barulho

Só o amor pode deixar uma marca tão profunda.
Mas só o amor pode curar tamanha cicatriz.

Justificado até que morramos, você e eu glorificaremos:
"Magnífico!"

(U2 – Magnificent – 'adaptado')



Sirius chegou em casa, subiu as escadas... e as desceu, parando na sala, olhando chocado para Lupin, que via televisão:

- ...Posso saber porque tem uma MULHER dormindo na sua cama?

Lupin o olhou por cima do ombro, mudando de canal, parecendo bem cansado.

- ...Tem "uma mulher" dormindo lá? Não é "uma mulher", Sirius.

O bruxo passou a mão com força no queixo, quase tremendo, e, respirando fundo, reformulou a pergunta:

- Ok... então... eu farei MUITO FORÇA e farei a pergunta certa e direta. ...Por que... por que... por que a LÍLIAN está dormindo na sua cama?

- Parabéns, não foi tão difícil. – sorriu, ainda parecendo entediado.

Sirius tremia, e gesticulava:

- ÓTIMO, agora que eu perguntei, RESPONDA!

O amigo suspirou profundamente, e contou:

- Ela chegou aqui, extremamente chateada, sentou na mesa e desabou a chorar. Chorou tanto, parecia tão inconformada, que se cansou... e dormiu. Levei ela para dormir lá em cima.

- ...E o que fez ela ficar nesse estado?

Quem respondeu foi Snape, subindo do porão. Parou na porta, e disse:

- O motivo da pobre ruivinha estar assim você já deveria saber. Atende pelo nome... – ele fez uma expressão de tédio e tentou fazer uma voz bem sedosa, tentando imitar - ...de Leah.

Sirius pensou um pouco, e disse:

- ...Certo, e eu achando que elas finalmente estavam começando a se dar bem.

- Que ilusão. – disse Snape, balançando a cabeça – Elas passarão o resto da vida no mesmo passo de sempre, se engalfinhando e se agarrando pouco depois. E se engalfinhando de novo logo depois.

- Bom, a parte do se agarrar, não era algo assim tão constante. – riu Sirius, virando os olhos.

Lupin se levantou, bravo:

- Você dois querem calar a boca?

Os dois olharam o amigo longamente. Sabiam que Lupin sempre fora apaixonado por Lílian, de forma bem secreta, e provavelmente no fundo lhe irritava ver que, mais uma vez, suas "chances" seria poucas.

- Eu me encontrei com Dumbledore agora... – disse Sirius, coçando a nuca, suspirando – Parece que Leah vai passar a morar num lugar bem longe daqui, protegido magicamente. Como um dos capetões parece insistir em andar atrás dela, afastar ela e o tal Zz´Gashi da cidade vai facilitar nosso trabalho.

- Isso não devia ser desculpa pra fazer a Lílian se sentir mal. – comentou Snape – Mas enfim, que isso nos importa, não?


- Você vai gostar do lugar, Leah. – sorriu Joaquim, enquanto Leah subia no trem – demora um pouco a chegar, mas teremos uma carruagem lhe esperando na estação, para levá-la até o terreno da casa.

- É... – riu, coçando a cabeça – Vou morar na roça. Quem diria?

Dumbledore se aproximou, e lhe entregou um jarro prateado:

- Essa será sua chave de portal. Ela irá sempre funcionar, e fará você ir e voltar quando quiser e precisar.

- Obrigada. – agradeceu, pegando o pequeno jarro e colocando em uma das malas.

- Chegando em sua nova casa, apenas toque-o com a varinha e diga "ativar", que ele começará a funcionar. O ponto de chegada dele é a sala da casa dos aurores.

- Ah, certo.

- E, se não se incomodar... mandaremos dois aurores lhe escoltar até chegar em sua nova casa.

- Não, não me incomodo. – disse, calmamente.

- Ótimo. Sirius e Lílian embarcam na próxima estação. Boa sorte. – sorriu.

Leah levemente ergueu as sobrancelhas, não deixando transparecer um certo espanto ao escutar os dois nomes.

- ...Sirius? ...Lílian. – ela respirou fundo, e tentou parecer imparcial – Ok.


Leah viajou relativamente tranqüila, sozinha num banco. Cochilou e acabou perdendo a estação seguinte, olhou ao redor, pelo vagão, mas não viu nem Sirius nem Lílian. Pensou que eles provavelmente estariam em outro vagão, já que estavam "a serviço".

O trem entrou em um longo túnel, assim que começou a chover. E parou. As luzes internas se acenderam, fracas.

- ...Isso não tá com cara boa. – comentou Leah para si mesma.


No alto do trem, Sirius e Lílian caminhavam, curvados, com as varinhas em punho, iluminando ao redor.

- Vá para o vagão principal – sugeriu Lílian – eu vou até o fim do trem.

- Certo, mas tome cuidado – pediu Sirius.

Sentiram subitamente uma presença, e imediatamente se viraram, sacando as espadas e apontando as varinhas. Leah pôs as mãos na frente do rosto, sentindo a luz arder a vista, e se encolheu, longe das lâminas:

- Ei, ei, calma, gente. Sou eu, sou eu.

- Volte já para dentro! – gritou Lílian, abaixando as armas.

- Ah, qualé. – resmungou Leah, abaixando as mãos – Justo eu vou ficar fora da diversão?

- Naturalmente porque você não tem NENHUMA arma. – disse Lílian, óbvia.

E era mesmo, a varinha e a espada de Leah haviam ficado no vagão, guardadas. Mas a morena pensou, e disse:

- Ora essa, EU sozinha sou a melhor arma que pode ter.

Lílian balançou a cabeça, descontente:

- Vamos em frente, Sirius. Sirius? Ah. Ótimo.

Sirius já havia desaparecido, provavelmente correndo sorrateiro pra seu destino. Lílian olhou ao redor, procurando alguma coisa errada, e andava na direção do fim do trem.

- Ei, não me deixe aqui sozinha. – murmurou Leah, se apressando atrás da ruiva, saltando de um vagão pra outro.

- Você não era sozinha uma arma? – resmungou, caminhando sem olhar para trás – Então, não precisa de proteção.

- Não preciso. – sorriu, cínica – Mas já que vocês dois foram obrigados a me acompanhar.

Lílian parou e se virou, dando um sorrisinho torto:

- Não nos obrigaram. Nós nos colocamos à disposição.

Leah ficou em silêncio. De repente, Lílian saltou para o lado, e alguma coisa atingiu Leah em cheio, arrastando-a para o outro vagão. Lílian ergueu a espada e a desceu, partindo alguma coisa parecida com um tronco de árvore.

- O que foi isso? – gemeu, olhando para o fundo do trem, para onde a mesma criatura havia se recolhido imediatamente após ser atingida.

Leah empurrou a parte que havia lhe atingido pro lado: era como um longo e musculoso braço, com garras dedos grossos, que a segurou pelo tórax.

- Que é isso? Um demônio gigante? – gemeu, olhando aquilo que parecia mesmo ser uma grande mão.

Lílian corria pelos vagões, e ao chegar ao fim não viu nada. Ela saltou para os trilhos e olhou ao redor. Tinham de dar um jeito de fazer o trem sair daquela caverna o quanto antes.


Sirius chegou à locomotiva, e desceu para dentro dela:

- Alô, alguém aí?

Ele desceu, e deu de cara com a locomotiva vazia., e o fogo apagado. Mas, nas paredes, ele viu os dois maquinistas, presos em uma gosta verde endurecida.

- Vocês estão bem? – perguntou, depois de livrá-los das cascas verdes.

- ...Obrigado. – agradeceram, sem fôlego – precisamos tirar o trem daqui o quanto antes...

- Sim, coloquem o trem para andar novamente, eu não vou permitir que nada de ruim aconteça. – disse Sirius.

E, assim, os maquinistas voltaram a colocar lenha na locomotiva, para fazê-la andar novamente.


Lílian estava na linha do trem quando ele começou a fazer barulho e lentamente se mover.

- Ah, ótimo, Sirius já resolveu o problema.

Ela se agarrou à pequena varada do último vagão, e subiu. Mas olhou para trás, escutando um longo chiado.

- ...Essa não.

Dois longos braços vieram com violência contra o vagão. Lílian girou a espada, e partiu um deles. O outro vacilou, ficando para trás. Mas, um segundo depois, se esticou, agarrando a auror pela perna e puxando-a para os trilhos. Ela de novo ergueu a espada e partiu o braço. E voltou correndo na direção do trem, que rapidamente pegava velocidade. Sentiu uma aguda dor na perna, e percebeu que tinha cortado a coxa – provavelmente a garra da criatura – o que a impedia de correr muito.

Leah abriu a porta do último vagão, e se assustou ao ver que a simpática varandinha havia sido destruída. Ela se agarrou ás laterais, e esticou a mão:

- Rápido, Lílian, suba!

- Estou indo o máximo que posso! – ofegou, a quase um metro do trem, mas ficando para trás.

- ...Ah, não. CUIDADO! – gritou Leah, olhando o fim do túnel escuro: uma nova garra vinha veloz.

Ela agarrou Lílian pela cintura, e a puxou com violência, arrastando-a pelos trilhos. Lílian deixou a espada cair, e tentou se agarrar aos trilhos, mas era impossível. Ao olhar para o túnel, se apavorou: uma enorme criatura a puxava para si. Tinha uma enorme boca, com umas três fileiras de dentes afiados. "Ah, aquele demônio iria COMER o trem inteiro?" foi o que ela pensou.

Nesse instante, inúmeros espinhos passaram velozes por Lílian, vindo de suas costas, e atingiram a boca do demônio, que fechou-a, guinchando de dor. A bruxa acabou batendo contra a boca fechada do animal, e, como ele era macio, acabou caindo de costas nos trilhos, como se apenas "quicasse"

O demônio recuou o braço, acudindo a dor. O túnel tremeu, derrubando muitas pedras. Lílian olhou para trás, quando escutou a grossa voz de Zz´Gashi:

- ...Vamos embora daqui. – Leah, na forma de Zz´gashi, baixou os olhos para Lílian e completou - ...Antes que ele se recupere da dor e se livre dos espinhos.

- ..É... – suspirou Lílian, se erguendo suja de terra e toda ralada - ...Você é mesmo uma arma inteira.

- Consegue correr? – perguntou. Lílian suspirou e sacudiu a cabeça negativamente. Leah então deu as costas e agachou-se – Então suba aí, que te dou uma carona.

Lílian, meio insegura, agarrou-se ás costas de Zz'Gahsi, segurando em seus espinhos. Mas, assim que Leah saltou e disparou correndo pelos trilhos, ela teve de se abraçar á eles, porque ela corria e balançava muito. Chegava a doer o rosto o vento. Olhou para trás, com dificuldade, e viu que mais uma vez os braços do demônio vinham velozes na direção delas:

- ...Os braços, CUIDADO! – exclamou.

Extremamente veloz, Zz'Gashi saltou pelas paredes, pelo teto, sem perder a velocidade. Os braços do demônio batiam nos lugares, sem conseguir atingí-las. Ela corria utilizando as pernas e os braços, lembrando um leopardo, ou um felino muito veloz, que usa para dar impulso um par de patas de cada vez.

- ...Accio Matadragão! – gritou Lílian, ao ver sua espada passar veloz por debaixo delas, caída nos trilhos.

Sua prateada espada voou direto para sua mão, no momento em que Leah saltava e se agarrava á traseira do trem. Lílian, ainda apoiada nos espinhos de Zz'Gashi, pendeu para o lado, e viu que a parte da frente do trem já saía do túnel.

- ...Vou desmoronar o túnel e soterrar o demônio. – avisou para Leah.

- Ah, certo. ...Ei, vai O QUÊ? – exclamou, olhando-a por cima dos ombros.

Lílian se concentrou, e fez a espada brilhar. Ela mudou de forma: a lâmina ficou maior, mais larga, e uma grande e comprida corrente saía dela, até chegar á uma ponta cheia de espinhos. Lílian cravou essa ponta de espinhos na parede do vagão, e entregou um pedaço da corrente para Leah:

- Segure a corrente... e me puxe.

- ...AHM?! – exclamou Leah, sem entender.

O demônio apareceu no fim do túnel, envolto na escuridão. O túnel todo tremia. Lílian respirou fundo, e disse, em voz alta:

- ...Não importa, FAÇA! – e saltou.

Saltou para a parede, enterrando a espada nela. A corrente deu um tranco, desenhando uma parábola, com Lílian em sua outra extremidade, cortando as paredes do túnel de fora a fora. As pedras começaram a cair, desmoronando. Várias caíram sob o demônio, que ficou para trás. Lílian sentiu um tranco, puxando-a para trás: Leah havia entrado no vagão, e puxado a corrente com toda a força, como lhe foi pedido, e puxava a corrente, rapidamente e com uma força desmomunal.

Lílian entrou voando pela traseira do trem, no momento em que Leah saltava a corrente e esticava os braços, para que ela não atingisse seus espinhos. Algumas pedras amassaram o último vagão, e o trem saiu completamente do túnel, que desmoronou. Uma enorme nuvem de poeira se ergueu.

A matadragão brilhou, e a corrente desapareceu, e ela voltou a ser a espada normal que sempre fora. Lílian ofegou, olhando ao montanha, parcialmente desmoronada. Virou-se para o lado, engatinhando, saindo do colo de Zz'Gashi, literalmente falando. Encostou-se na parede do vagão, ainda olhando a paisagem, e correndo os olhos para o fundo do vagão, completamente destruído. Ela suspirou profundamente, baixando a cabeça.

- ...Isso foi incrível. – comentou Leah, deixando a forma de Zz'Gashi, ficando agora com vários furos na roupa, feitas pelos espinhos - ...mas tente não me matar do coração da próxima vez.

Do alto da montanha, um conhecido demônio batia seus cascos sobre as rochas, observando o trem, correndo já longe no horizonte.

- ...É... – murmurou Thu'uban, mau humorado – Conseguiu escapar de mim de novo. Agora... tenho de esperar você voltar.


- Jura que eu perdi toda essa ação? Mas que droga! – gemeu Sirius, já descendo na estação.

- ...Não foi tão divertido assim. – murmurou Lílian, já com curativos e passando um pano úmido no rosto, limpando a poeira.

Os três entraram na carruagem que os esperava do lado de fora, e andaram na direção de uma grande montanha coberta de pastagem, com rochas no topo.

A viagem foi longa, e Sirius percebeu que nem Leah nem Lílian trocaram uma palavra, apesar de Leah parecer bem mau humorada.

Chegaram a uma casa de dois andares, de madeira, no alto da montanha. A vista era maravilhosa, e, ao redor do terreno, um campo gramado com minúsculas flores amarelas. Metros abaixo, do lado direito, com um caminho de pedras, havia um riacho límpido, que corria entre as pedras, com alguns pinheiros á sua margem.

No terreno da casa, alguns caminhos de pedra levavam para uma mesinha de madeira, que ficava no tempo, um lugar ótimo para poder jantar ou almoçar ou fazer um lanche tendo como paisagem aquele lindo vale. O pôr do sol era exatamente na frente da casa, no horizonte. E não tardaria para ele acontecer.

Depois que Sirius deixou todas as malas na sala, ele deu as costas, dizendo:

- Muito bem... boa sorte pra vocês duas. – despediu-se, dando um cínico sorrisinho, dirigindo-se para a carruagem, na pequena estrada de terra cerca de cem metros para baixo do terreno da casa.

- ...Pra nós duas? – gemeu Leah, olhando para trás, onde Lílian ainda desempilhava algumas malas.

Lílian, tranquilamente, entregou a jarra de metal para Leah:

- Você tem que ativar o portal. E, sim, eu vou ficar.

- Você não pode ficar. – gemeu Leah.

- Só estou cumprindo minha promessa. – disse, serenamente.

Leah sentiu a espinha gelar. E disse, pegando a varinha e colocando a jarra sobre a pia da cozinha da casa:

- Eu não disse aquilo na intenção de escravizar você. Ativar.

A jarra brilhou, e em seguida voltou ao normal.

- Não importa. Você não quis prometer que nunca mais me deixaria, então... eu dou um jeito de você não me deixar mais sozinha. – sorriu.

- E você sequer perguntou se eu queria sua companhia. – disse, seca.

Lílian parou e pensou, pegando uma das malas entre muitas, e colocando sobre o sofá da sala, dizendo lá de dentro:

- ...Tudo bem, se quer me mandar embora, eu volto. Tenho uma casa. E pessoas que adorariam que eu voltasse.

Leah saiu da cozinha e foi até a sala:

- ...Eu não deixaria você voltar. Está mais segura aqui do que lá. – murmurou.

- ...Então não tem problema. – sorriu Lílian, colocando a mala no sofá.

- E eu não vou deixar você morar no sofá. – avisou a bruxa, puxando a mala de Lílian – Vai ter que dividir o quarto comigo. Mas não se preocupe. – disse, olhando por cima dos ombros, sorrindo malvada – Se me deram o que eu pedi, é uma cama bem grande, não precisaremos chutar uma a outra por espaço.

- Bom, sinceramente meu receio não é ter que dormir com você. – comentou Lílian, virando os olhos – Meu receio é não conseguir dormir.

- Ai, não reclame. – resmungou, levemente ofendida – Eu não ronco nem peido. Ao menos, dormindo, eu me comporto. Agora trate de tomar banho, você ainda está fedendo à demônio.


Sirius se recostou na cadeira reclinável da sala de reuniões dos aurores, no Ministério, e suspirou:

- É, eu nem fiquei sabendo do demônio, mas era dos grandes. E elas deram conta direitinho.

- Realmente, me surpreendeu ver que Lílian se dispôs a ir morar com Leah. – comentou Joaquim. Ele pensou por um instante, e concluiu – mas, pensando bem, eu acho que não é uma atitude tão imprevisível assim.

- Não ter Lílian por perto vai fazer muita falta. – murmurou Lupin, tomando um copo d'água.

- Não se preocupe, Lupin. – disse Dumbledore, prestando bastante atenção na expressão do auror – Lílian estará todos os dias conosco, do meio da manhã até o fim da tarde. Utilizando a chave do portal, ela virá todos os dias, voltará para casa apenas para descansar.

- É, de fato, ela ficará em casa apenas na hora que realmente interessa para as duas. – sorriu Sirius, coçando a barba.

- Se será na hora que as interessa ou não, Sirius, não nos interessa nem nos diz respeito. – ponderou Dumbledore, olhando-o por cima dos óculos.

- ...Desculpe. – sorriu, meio constrangido da cordial "chama de atenção" que levou.

- Mas o que me preocupa é se Leah não poderá nos ajudar em nenhum momento. – disse Joaquim, mudando de assunto – Sua forma de Zz'Gashi é indiscutivelmente poderosa.

- Leah não recusará nenhum pedido de ajuda. Tenho certeza. – disse Dumbledore, categórico.


Lílian saiu do banho e se sentou no canto da cama – que, de fato, era quase uma cama de um meio-gigante, de tão grande e fofa – e olhou pelas portas da varanda, vendo o céu, e a lua crescente. Enquanto isso, ia arrumando as coisas que usaria para refazer seus curativos: dois vidrinhos com um líquido azul, algodão, gaze e esparadrapo. Depois, pegou um espelho redondo que havia na penteadeira e colocou sobre a mesa de cabeceira, e começou a limpar os arranhões, com aquele líquido azul.

- Ai, como isso arde. – gemeu, passando na bochecha direita. Em seguida ela sentou-se novamente de frente, e puxou a camisola até a cintura, e olhou sua coxa, onde havia o maior corte. Respirou fundo, molhando outro algodão no líquido e gemeu – Ai, esse vai doer.

Leah saiu do banho também, havia entrado logo depois de Lílian, e ficou olhando as caretas que a ruiva fazia ao tentar se curar. Por fim, ela esticou a toalha no banheiro e voltou, rindo:

- Ah, qualé, Liloca, deixa de ser mulherzinha. – ela passou por ela, e pegou as coisas na penteadeira – Deixa que eu faço esse curativo.

- Não! Não! – gemeu, vermelha e com os olhos cheios de água. Isso arde MUITO!

- Pare de se debater, tudo que arde, cura, tudo que aperta, segura. – riu, ajoelhando-se na frente de Lílian, que empurrava a mão de Leah, choramingando de dor.

- É porque não é com você! – gemeu.

A bruxa balançou a cabeça, molhou outro algodão no líquido, e colocou sobre a perna de Lílian, que quase deu um salto na cama.

- Porra! – xingou Leah, tendo de segurar a perna de Lílian com a mão direita – Você vai me dar uma joelhada no queixo!

- ...Tá. Desculpe. – suspirou Lílian, virando o rosto e tentando segurar a dor – Vai em frente. Não pulo mais.

Leah se divertia imensamente vendo as caretas de dor contidas que Lílian fazia, só porque ela passava o algodão molhado no comprido corte que ela tinha na parte externa da coxa. Ás vezes Lílian respirava fundo e soprava, respirava fundo e soprava, o que fez Leah gargalhar, enquanto pegava uma longa gaze para cobrir o machucado:

- Francamente, Lílian você NÃO está num trabalho de parto! Quanta frescura.

- Arde. Arde. – suspirou, quase suando – E muito. Mas desculpe a frescura.

Lílian respirou fundo, abaixando a cabeça, passando os dedos nos olhos pra secar as lágrimas.

- Segure aqui pra mim, esticado. – pediu Leah, referindo-se á gaze que ela colocaria na perna de Lílian. A ruiva segurou a gaze sobre o machucado, enquanto Leah ia pregando ele em sua pele com tirinhas finas de esparadrapo.

- Trabalho feito. – disse, passando os dedos no esparadrapo, para ele aderir á pele.

- ...Obrigada. – agradeceu Lílian, apoiando-se nos braços esticados, inclinando-se um pouco para trás – Eu não teria tido sangue frio pra isso. – riu.

Leah sorriu, ainda de cabeça baixa. Deixou os dedos da mão deslizarem delicadamente dos esparadrapos para a pele da coxa de Lílian, que prendeu a respiração, arregalando os olhos, sentindo a espinha gelar:

- ...Leah, nã... – sussurrou.

Mas Leah ignorou. Baixou a cabeça e lhe beijou a perna, uma, duas vezes, sem deixar de lhe fazer carinho com as mãos.

- ...Obrigada. – sussurrou, sem olhar para Lílian – Obrigada por não me deixar sozinha.

E ergueu os olhos, sorrindo de leve. Lílian, com a boca entreaberta de espanto, respirando fundo, disse, tentando não parecer nervosa:

- Ahm... não é nada. Você sabe que só estou... cumprindo a promessa.

Leah se ergueu, colocando os braços ao lado de Lílian, e se inclinou, fazendo-a sentir sua respiração:

- ...Essa não foi sua promessa. – sussurrou, também sentindo a respiração de Lílian em seu rosto – Foi a minha. A que eu não quis prometer.

- Ah. É. – concordou a ruiva – Mas enfim... quem se importa?

- Isso não é justo. Quero que você desfaça a promessa. – sussurrou de novo, olhando Lílian nos olhos – Não quero mais que você seja só minha. Dessa vez eu vou abrir mão do meu egoísmo. Quero que você seja livre. Quero que você seja de quem você quiser.

Lílian pensou alguns instantes, e respondeu, sorrindo:

- ...Tudo bem. Eu serei de quem eu quiser.

- Vai mesmo? – perguntou, sorrindo torto.

- Vou mesmo.

- ...Ótimo. – sussurrou, ainda sorrindo torto, antes de lhe dar um beijo no canto dos lábios. Depois encostou o rosto no dela, fechando os olhos, e lhe deu um beijo na bochecha, e outro abaixo da orelha, suspirando e sentindo o cheiro de banho. O xampu tinha um leve e doce cheiro de mel, e era delicioso. Lílian tombou o rosto, empurrando-o contra o de Leah, e encolheu os ombros, reclinando-se para trás mais ainda, também fechando os olhos, lhe beijando.

Alguns segundos se passaram, até Leah arrumar uma brecha e perguntar, em tom baixo:

- Me desculpe por deixar você triste tantas vezes.

Lílian entreabriu os olhos, sorriu torto, e ergueu as mãos, segurando o rosto de Leah, entrelaçando os dedos no cabelo negro brilhante dela:

- ...Não desculpo. – sussurrou, cínica - ...Mas posso perdoar.

- Ah, é? Melhor ainda. – sorriu, antes que Lílian lhe puxasse o rosto de novo.


Thu'uban surgiu na sala da casa fechada de Lílian, e caminhou, olhando para os lados. Atrás dele, um demônio coberto de ataduras, e curvado, caminhava, lhe acompanhando.

- ...Onde temos? Tenho certeza de que acharemos. – sibilou o demônio, sorrindo malicioso.

Procuraram pelas estantes, gavetas, até que Thu'uban achou: um porta retratos, e o entregou para o demônio que lhe acompanhava.

- Tome, Munnin. Divirta-se.

O demônio pegou o porta retratos e o olhou: nela, uma foto de Tiago Potter, sorrindo, com o terno do ministério e os óculos pendurados no bolso do sobretudo.

O demônio maior deu as costas, e desapareceu, aparecendo em seguida no jardim.

- Muito bem. Estamos prontos.

E, no segundo seguinte, Munnin surgiu atrás de Thu'uban, mas não na sua antiga e decadente forma. Agora ele estava na forma de um jovem e sorridente homem, com os cabelos morenos, atrapalhados, e o terno do ministério.

- É hora da diversão. – sorriu Munnin, retirando do bolso do sobretudo os óculos e colocando-os. Tornando-se um perfeito Tiago Potter.


N.A 1: Demorei, mas cheguei. :-P Doomsday chegando em seus capítulos finais. Sorriam!

N.A 2: Nada a acrescentar. Espero que tenham gostado, faz tanto tempo desde a última vez... e não me perguntem da EdD Réqueim, vcs sabem que eu começarei a escrever no caderno só dps que terminar a Dooms. Mas estou msm com pressa de terminar – e acabar – logo. Nhu. :-X