Título: The boy next door.
Autora: Kuroyama Izumi
Resumo: Naruto é um advogado bem sucedido que leva uma vida perfeita ao lado da esposa e dos filhos. Mas ele não contava com a chegada de um novo vizinho, o jovem Sasuke, 17 anos, capaz de virar sua vida de pernas para o ar! UA, SASUNARU, e outros casais.
Disclaimer: Se Naruto me pertencesse, a batalha do vale do fim teria terminado com um lemon do cacete.
Apaixonados?
Após conversarem sobre tudo o que precisavam e mais um pouco, Naruto cortesmente ofereceu carona de volta para casa para o jovem Uchiha, que após uma leve hesitação, aceitou.
O Uchiha deveria confessar: Naruto tinha um ótimo gosto para carros. Porém, por dentro, o Audi Q5 do advogado era tudo o que não era por fora: um verdadeiro desastre. Havia embalagens de cup noodles vazias espalhadas pela parte traseira do veiculo, bem como papéis e mais papéis, amassados ou não. "Deveriam contratar uma empregada só para cuidar do carro" Ironizou mentalmente o moreno.
Ao chegarem ao prédio, já discutiam novamente.
- Dobe, não vai cair seu braço se você fizer a decência de organizar aquele carro. Pelo amor de Deus, não quero nem imaginar a comunidade de insetos que vive ali.
- Não tem insetos no meu carro, teme!
- Não, mas se você não tratar de arrumar aquilo em breve vai ter.
- Sakura-chan nunca reclamou do meu carro. – Resmungou, entrando no elevador de serviço, que já estava ali naquele piso mesmo, seguido pelo moreno.
- Imagino que ela deva ter reclamado um trilhão de vezes e você nunca prestou atenção...
Algumas imagens de Sakura falando alguma coisa na qual Naruto não conseguia prestar atenção vieram à cabeça do loiro naquele instante. Será que era sobre isso que ela falava? O loiro, com uma típica cara de quem se lembrou de algo relacionado ao assunto, encarou o Uchiha.
- É um dobe mesmo...
Naruto estava pronto para rebater quando sentiu um estrondo sacudir o elevador, e ele precisou se segurar nas paredes para não perder o equilíbrio. Sasuke fez a mesma coisa.
- Mas que infernos...? – Começou a dizer Sasuke, mas logo em seguida, as luzes se apagaram.
- O elevador quebrou...
- Eu sei, não vou besta que nem você!
- Ei!
- Mas que merda... – Grunhiu, puxando o interfone. – Alô? Senhor Hiratabayashi, eu e meu amigo estamos presos no elevador de serviço... Sasuke Uchiha e Naruto Uzumaki, do vigésimo andar... Valeu.
- E ai? – Perguntou o Uzumaki, na expectativa.
- Ele já liga de volta. Ia entrar em contato com o técnico. – Respondeu, passando a mão pelo cabelo. – Só me faltava essa... – Resmungou.
Cerca de cinco minutos depois, o interfone tocou e o Uchiha atendeu.
- Oi, senhor Hiratabayashi... Como? – Naruto pôde muito bem observar a careta de desgosto do moreno. – Tá, tudo bem... Ok. Tchau.
- E o que ele disse?
- O técnico virá daqui a cerca de uma hora, pode ser mais ou menos, não se sabe...
- O QUÊEEE??? Vamos ficar presos aqui por todo esse tempo?
- É o que parece...
- Ah não acredito!! – Suspirou. – Ei, o que você está fazendo? – Perguntou ao ver o moreno sentar no chão.
- Sentando, ué. Está começando a ficar quente e eu estou bastante cansado para esperar uma hora em pé. E para completar, - Disse mais para si do que para o loiro. – Amanhã eu tenho prova de física.
- Ha! – Sorriu o loiro. - Sabe, às vezes eu esqueço que você só tem dezessete anos!
O Uchiha arqueou a sobrancelha.
- Você age que nem um adulto. – Complementou o loiro.
- Hn...
-...
-...
- Ei, Sasuke...
- O quê?
- Você não tem namorada mesmo?
- Não.
- Por quê?
- Por que não. Garotas são muito irritantes.
Naruto ficou encarando o Uchiha por algum momento, com uma terrível e insultante cara de idiota, na opinião do moreno.
- Você é gay? – Perguntou, fazendo com que o Uchiha lhe encarasse com um quê de incredulidade.
- Por que a pergunta?
- Oras, você não tem namorada e acha as garotas irritantes, sendo que tem dezessete anos! Eu achava as garotas irritantes quando eu tinha seis anos! Ou você é gay, ou está com sérios problemas hormonais.
Sasuke pareceu ponderar um pouco.
- É, talvez... – concluiu por fim.
- Então te aconselho a consultar um endocrinologista, sabe...
- Está tudo bem com os meus hormônios, dobe.
- Ah, então... – Disse, voltando a por aquela cara de besta que irritava o Uchiha no rosto. – Você é gay?
O moreno sorriu de maneira maquiavélica e engatinhou até o lado oposto do elevador, onde estava sentado Naruto, parando bem próximo ao seu ouvido.
- Quem sabe... – Sussurrou. – Você queira me ajudar a descobrir isso?
O loiro sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha. Seu coração disparou e sua respiração tornou-se mais descompassada. Tal sensação remetia ao momento antes de seu primeiro beijo com Sakura na época em que era obsessivo pela garota, por volta de seus quinze anos.
Sentiu algo úmido brincar com o lóbulo de sua orelha, seguindo por seu pescoço e bochecha. Apertou os olhos enquanto inconscientemente entreabria os lábios para esperar um beijo que nunca veio. Quando reabriu os olhos, pôde ver claramente um sorriso um tanto diferente, uma mistura de diversão e desejo, desenhado no rosto do adolescente. Voltando a si, o loiro se preparou para dar uma bronca no Uchiha.
- Ora, seu pirral...
Mas não teve tempo. Dessa vez, Sasuke avançou sobre Naruto, prensando-o contra a parede do elevador. Apenas três centímetros separavam seus rostos. Era possível que um sentisse a respiração do outro.
- Não achei que você fosse capaz de ir tão longe... Naruto. – Sussurrou, para em seguida finalmente unir seus lábios aos do outro.
Naruto, primeiramente ficou em choque com aquelas palavras. Não imaginava que o Uchiha estivesse realmente brincando, ele parecia falar sério demais... Ou ele poderia estar testando o loiro para ver até onde aquilo tudo chegaria.
O fato era que estava indo longe demais.
O loiro não conseguiu reagir ante àquele ato do outro, pelo contrario, só conseguia corresponder. Abriu passagem quando sentiu a língua de Sasuke contra seus lábios permitindo com que ela explorasse toda aquela cavidade. Mas Naruto não deixou que somente o Uchiha dominasse a situação: fez com que sua própria língua se chocasse com a dele, mordiscava seus lábios, provocando-o. A esse ponto, o Uchiha já havia deitado Naruto no chão gelado do elevador, prensando suas mãos contra ele, sem interromper o contato entre as bocas.
- mmmm... Sasuke... – Gemeu o loiro.
Foi nesse instante que o moreno cessou o beijo para ficar encarando o outro: suas bochechas estavam muito coradas, os olhos continuavam fechados e os lábios, indecentemente vermelhos, entreabertos. Para um advogado, Sasuke tinha que concordar que Naruto era alguém passivo demais.
"O que eu estou fazendo?" Por fim perguntou a si mesmo.
Sem dizer nenhuma palavra, o Uchiha saiu de cima de Naruto e voltou para seu canto. Ele parecia aborrecido. O loiro logo percebeu isso e tratou de se levantar. Passou a mão pelos cabelos e suspirou fundo. Aquilo não podia estar acontecendo! Sasuke era um adolescente, seu cliente ainda por cima. Além disso, Naruto era casado! E tinha filhos! Não conseguia imaginar como fora capaz de aceitar aquilo tudo... E de ter gostado.
- Me desculpe. – Disse o Uchiha. Ele mantinha a cabeça apoiada na parede e os olhos fechados. Naruto pôde observar que os lábios do moreno estavam levemente inchados e que suas bochechas tinham um leve, mas bem leve tom de rosa. Olhando para si mesmo, no espelho do elevador, viu que não estava numa situação muito melhor.
Só não entendia exatamente aquela atração que sentia pelo Uchiha. Não podia mais fazer de conta que não sentia, estaria mentindo para si mesmo se o fizesse. Mas ao menos esperava que fosse algo passageiro, talvez causado pela aparência exótica do rapaz ou pelo seu jeito de agir, que jurava que passaria logo. Não pensou que fosse algo com que realmente devesse se preocupar, apesar da estranha sensação de "alguma coisa vai acontecer" que sentiu quando viu o adolescente pela primeira vez. Talvez estivesse sendo negligente... Mas não podia, não podia contar à Sakura. E decidiu aquilo, ali. Ela não saberia de nada e em pouco tempo aquela história seria esquecida facilmente. Ou assim ele pensava.
- S... Sasuke...
- Hn?
- Eu... Digo, nós... A Sakura-chan...
- Ela não precisa saber disso.
- É. Não precisa.
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O Domingo estava bastante chuvoso e Naruto acordou cedo para aquele tipo de manhã. Até Sakura ainda dormia tranquilamente na cama. Naquele dia, quando saíram do elevador, Sasukee ele juraram não se manifestar com ninguém mais sobre o ocorrido, Naruto inocentemente achou que fosse ser simples como falar. Mas não era. A verdade era que desde aquela vez ele vinha tendo uns sonhos 'diferentes' envolvendo o moreno. E para completar, Sasuke sutilmente evitava esbarrar em Naruto e vice versa.
Ainda havia a questão da audiência, marcada para terça-feira, e por conta de tudo o que aconteceu Naruto mal pudera conversar com Sasuke sobre isso.
- É, acho que ta na hora de encarar... – Suspirou, resignado, bebendo um pouco do café que havia feito.
- Pai?
O loiro virou para trás, repousando a caneca sobre uma mesinha.
- Mi-chan, por que de pé tão cedo?
- Um trovão me acordou.
- Ah é? – Perguntou, sinalizando para que o filho sentasse em seu colo.
- É.
Minato correu até o pai, sentado no sofá da sala, e sentou em seu colo, sorridente. Naruto bebeu mais um gole de café.
- Convidei o Sasuke para vir aqui hoje. – Disse, animado, fazendo com que o pai se engasgasse.
- C-Como assim?
- Encontrei com ele no elevador outro dia, sabe. Daí eu não vi nada demais em convidá-lo para vir almoçar aqui. Sabia que ele não tem pais?
- Ah... É mesmo? – "Minato! Por que você faz isso comigo, moleque?" Pensou desesperado.
O menininho assentiu.
- Ele disse que gostaria muito de ter a mesma sorte que eu tenho, de ter alguém como você, papai! – Disse orgulhoso, enquanto se agarrava mais ao pai.
Dita por uma criança, ou até mesmo pelo próprio Sasuke, antes do incidente do elevador, Naruto não pensaria em levar essa frase para o lado da maldade. Mas esse não era o caso. Inevitavelmente o loiro pensou na possibilidade do Uchiha ter indiretamente, através de Minato, lhe dedicado uma cantada.
- Mi-chan, que tal você voltar para a cama? Ainda são seis da manhã, pequeno, acho que você deve descansar mais um pouco.
- Hmmmm, ta bom. – Sorriu, dando um beijo na bochecha do pai.
- Durma bem.
- Haha, ta, papai!
Naruto pegou seu celular e começou a escrever para logo enviar a seguinte mensagem: "Está acordado?". Cerca de trinta segundos depois, recebeu uma resposta: "Não, tô dormindo ainda. Quem mandou essa mensagem foi a loira do banheiro".
"Engraçadinho" Pensou de maneira irônica. "Preciso falar com você urgente, posso ir aí?" Enviou de volta. "Sim. Vê se não demora, e nem pense que vai ter café da manhã de graça."
Silenciosamente, o loiro entrou no quarto onde sua esposa descansava em um sono profundo, pegou um jeans e uma regata preta e saiu para se vestir lá fora. Deixou sobre o balcão um recado: Fui à casa do Sai, volto logo. PS: Já fiz o café.
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Sai morava sozinho em uma casa aconchegante, do mesmo lado da cidade que Naruto. Era lá que todos do escritório costumavam se reunir para conversar, beber ou tratar de negócios. Para os padrões masculinos, era uma casa organizada e agradável. Naruto apertou a campainha e pouco tempo depois Sai atendeu a porta.
- Espero que seja importante.
O moreno já não usava pijamas. Em vez disso, vestia uma calça preta com uma blusa de mesma cor.
- Você fala como se eu tivesse te acordado.
- Eu sei. – Disse, dando passagem para o loiro.
- Senta. – Sinalizou o sofá de três lugares. Naruto apenas acatou. O moreno sentou ao seu lado. – E então? O que quer falar que é tão urgente assim?
- Bem... Você sabe que dos meus amigos, ironicamente, você é o mais compreensível e o que tem os melhores conselhos, não sabe?
- Não, mas gostei de saber.
- De qualquer maneira... – Inspirou fundo. – Tem uma coisa muito importante que eu quero dizer. Na verdade, foi algo que eu fiz e pensei que não fosse ser nada demais... Mas acabou se tornando um problema... É sobre o Sasuke...
- O que esse peste aprontou?
- Não, ele não aprontou... Exatamente... Digo, mais ou menos...
- Ele tentou botar fogo na casa?
- Não!
- Ah bom... Então o que foi?
- Semana passada o elevador deu defeito e nós ficamos presos lá, sabe. Então conversa vai, conversa vem... AHHHH – Desesperou-se, bagunçando os cabelos com a mão. De repente, mudou o tom de voz e começou a falar como se estivesse na defensiva. – Veja bem, não foi premeditado. Ele fez uma brincadeira que eu acabei levando a sério. Quando ele viu que eu levei a sério, ele pareceu levar a sério. E uma coisa leva a outra e quando eu me dei conta, nós estávamos nos beijando! De língua!
- Espero que você não tenha beijado a feiosa depois disso. – Comentou o moreno com a mão no queixo.
- Sai! Estou falando sério! Desde aquele dia eu não consigo parar de pensar no Sasuke, eu até sonho com ele! Mas eu sou um homem casado, tenho uma carreira promissora e filhos a educar, não posso jogar tudo fora dessa maneira! Além disso, imagina como a Sakura-chan se sentiria!
- Bom, Naruto-kun, a situação aqui é claríssima, até você já percebeu que está atraído, senão já caidinho de amores, pelo meu primo Uchiha-bastardo. Sendo assim, sua única opção é conversar com ele e depois com Sakura sobre isso.
- Você está louco? Como eu vou dizer uma coisa dessas para a Sakura-chan?
- Como você vai esconder dela?
- Eu...
- A situação é bem complicada, senão polêmica. Se vocês estivessem em um relacionamento, de uma maneira ou de outra, ninguém poderia desconfiar, pois sua carreira depende disso. Não é todo mundo que tolera um advogado gay...
- Eu não sou gay!
- Tá, bi. De qualquer forma, é algo para se pensar. Mesmo que você tenha a melhor das intenções em não querer magoar a feiosa sobre isso, já pensou como ela vai se sentir quando vocês estiverem tendo um caso e ela descobrir? Creio que vá ser mais humilhante para ambos. E imagina como os seus filhos vão se sentir...
- Ah, valeu, agora você piorou a situação...
- Tenho certeza de que o trauma seria menor se tudo fosse posto a limpo. Mas não falemos somente dos outros, também temos que levar em conta os seus sentimentos.
- Eu... Eu não sei...
- Você ama a Sakura, Naruto?
- Eu, eu... Eu adoro estar do lado dela e eu me sentiria mal em deixá-la e magoá-la.
- Você a ama, Naruto?
O celular de Naruto tocou. Havia recebido uma mensagem de Sakura, pedindo para que voltasse o mais breve possível para casa, mas ela não explicava o motivo.
- Tenho que ir. – Suspirou, levantando-se. Sai o acompanhou até a porta.
- Não engane a si mesmo. Muito menos a Sakura. – Repreendeu o moreno. – E tome cuidado com o Sasuke, ele gosta de brincar com os sentimentos das pessoas.
- Mas eu realmente não sei o que fazer, Sai.
- Faça o seguinte: Durma com ele. Uma vez será o suficiente. Se essa atração cessar, vocês podem passar uma borracha nisso tudo, senão, é bom se preocupar. E trate de não se apaixonar mais por ele, sim?
-Dormir com ele? Isso é loucura! – Disse, enquanto entrava no carro.
- Se depois do beijo você continua atraído por ele, pode ser que um sexo casual dissipe essa atração ou não. – Rebateu o moreno, apoiado na porta do motorista que estava ainda aberta.
-...
- Você escolhe. – Sentenciou, fechando a porta. – Boa sorte.
"No fim, ele é exatamente como ela." Suspirou o moreno enquanto observava o carro se distanciar.
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Ah, e agora? O que o Naruto fará?
