Título: The boy next door.
Autora: Kuroyama Izumi
Resumo: Naruto é um advogado bem sucedido que leva uma vida perfeita ao lado da esposa e dos filhos. Mas ele não contava com a chegada de um novo vizinho, o jovem Sasuke, 17 anos, capaz de virar sua vida de pernas para o ar! UA, SASUNARU, e outros casais.
Disclaimer: Se Naruto me pertencesse, a batalha do vale do fim teria terminado com um lemon do cacete.
Pondo o plano em prática
Sakura estava animada com a ideia de o novo vizinho vir almoçar em sua casa. Empolgada, resolveu cozinhar pela primeira vez em muito tempo, o que deixou Naruto um tanto enciumado por não ter tamanha atenção e o loiro acabou por se trancar no quarto durante o resto da manhã, saindo de lá somente quando ameaçado de morte pela esposa.
- Seja bem vindo, Sasuke-kun. – Ela disse, toda meiga, para o jovem à porta.
Sasuke estava casualmente vestido: uma calça jeans preta, uma blusa pólo branca e tênis All Star também brancos. Minato correu ao seu encontro para lhe cumprimentar, enquanto Nakuru, acanhada, permaneceu grudada à perna do pai.
- Obrigada pelo convite, Dona Uzumaki. – Disse cortesmente o menino. Aquela formalidade e aquele tom de voz meloso que o Uchiha usou assustaram Naruto, que era acostumado a ouvir as frases repletas de sarcasmo e desdém do moreno. – Boa tarde, senhor Uzumaki. – Disse, dirigindo-se a Naruto com um sorriso recatado. Realmente, era estranho ver o adolescente lhe chamar de 'senhor' Uzumaki.
- Você é tão educado! – Disse a mulher, maravilhada. – Entre por favor, já já sirvo o almoço!
- Muito obrigado.
- Naruto, entretenha o Sasuke-kun enquanto isso! Nakuru e Minato, não irritem nossa visita, arrumem algo para fazer! – Ordenou, correndo para a cozinha. As crianças obedeceram à mãe e foram para o quarto do menino, jogar videogame.
- Então, Naruto, entretenha-me. – Disse por fim o adolescente quando ele e Naruto ficaram a sós na sala.
O loiro se limitou a franzir o cenho. Ao que lhe parecia, o Uchiha estava ignorando completamente o fato de que ambos se evitaram a semana inteira desde o incidente.
- Temos que conversar sobre a audiência... – Respondeu em tom de voz baixo. – Assim que o almoço terminar, quando você voltar para casa, eu vou junto para falarmos.
- Ela não sabe? – Disse, em mesmo tom, sinalizando a porta da cozinha com a cabeça. – Que eu sou seu cliente?
- Sabe... Embora seja totalmente contra eu me envolver no caso Uchiha. Ela preferia que eu abandonasse. Por causa disso não gosto de falar sobre o caso na frente dela.
- Então por que ela aceitou que o Minato me convidasse para vir almoçar aqui? Meu sobrenome não diz nada?
- Por que ela acredita que temos que manter uma boa relação com todos os vizinhos, boa, mas não profunda. Pelo menos no seu caso. Além disso, ela simpatizou demais com você, apesar de tudo. – Esta última frase estava carregada de ciúmes.
- Ah, é? – Sorriu o moreno, ignorando o fato. – E você acha que nós temos uma boa relação como vizinhos?
- Nós...
- O que vocês estão cochichando ai, rapazes? – Perguntou uma voz animada, vinda de trás do sofá, que fez com que o loiro se assustasse.
- Hahaha, que susto, Sakura-chan!
- O almoço está na mesa. – Sinalizou a mesma com a mão. – Já podemos sentar.
- Ufa, até que enfim! Eu tava morrendo de fome. – Gemeu o loiro.
- Nakuru, Minato, venham! – Gritou a mulher. – Sente-se, por favor, Sasuke-kun!
Naruto tomou a ponta da mesa, Sakura sentou à sua direita e Sasuke à sua esquerda, com Minato ao seu lado e Nakuru em frente ao irmão. O almoço transcorreu maravilhosamente bem, Sakura e Sasuke conversaram amigavelmente a maior parte do tempo, e certo loiro estava se remoendo por conta disso. Logo após terminarem e Sakura anunciar que já traria a sobremesa, o celular da mulher, que estava no bolso de sua calça, tocou. Ela deu uma olhada no número e disse:
- Um minuto, já volto. – Desaparecendo pelo corredor em seguida.
- Ei, e a minha sobremesa? – Reclamou Nakuru chorosa. – Eu quero!
Sasuke se levantou e cochichou no ouvido de Naruto algo que fez a pequena ficar curiosa. O loiro sinalizou a porta da cozinha e disse: "sobre o balcão", dando a entender que estava tão desorientado quanto os filhos em relação à atitude do adolescente. O moreno então foi em direção à cozinha, voltando logo em seguida com uma bandeja com um bolo de chocolate em cima.
- Era essa a sua sobremesa? – Perguntou.
O rosto da menininha se iluminou com um sorriso que ia de bochecha a bochecha. Afinal, Minato tinha razão: aquele menino não era tão assustador assim.
- Sim, sim! – Exclamou contente.
Naruto realmente se surpreendeu com o gesto da filha, geralmente arisca a desconhecidos. Olhou para Sasuke, que servia os pequenos enquanto conversava com eles, e seu coração acelerou quando o Uchiha percebeu o que o loiro fazia. Mas tudo que o moreno fez foi sorrir e voltar sua atenção para os pequenos.
Sakura voltou logo em seguida, desculpando-se pelo sumiço e descortesia.
- Acabaram de me ligar do hospital, precisam de mim para uma cirurgia de emergência. Naruto, Nakuru e Minato têm uma festinha às três da tarde, na casa do Chiaki, você pode deixá-los lá para mim?
- Tá.
- Sasuke-kun, foi realmente um prazer tê-lo aqui. Devo confessar que você é um adolescente incrível! Por favor, façamos almoços como este mais vezes.
- Será um prazer, dona Uzumaki.
- Tchau, crianças, se cuidem!
- Tchau, mamãe! – Responderam os gêmeos em uníssono.
Sakura já havia fechado a porta há um tempo quando Sasuke percebeu algo:
- Ela não vai levar o jaleco dela? – Perguntou para Naruto.
- Ih, é mesmo! – Disse, levantando-se com pressa para logo abrir a porta. – Sakura-chan, seu jaleco! – Gritou, mas constatou que a mulher já havia descido. – Como ela esqueceu isso? Tava pendurado na porta! – Resmungou o loiro, voltando para o apartamento.
Viu Sasuke na cozinha, com o interfone no ouvido.
- Diga à dona Uzumaki que ela esqueceu o jaleco dela... Ah, é? Tudo bem então. – Desligou. Por um momento, antes que isso acontecesse, Naruto viu o adolescente arquear a sobrancelha levemente e pôde jurar ver um mínimo sorriso desenhado em seus lábios.
- O que foi? – Perguntou o loiro. Sasuke relutou um pouco antes de dizer:
- Ela disse que sempre deixa um de reserva na sala dela.
- A Sakura-chan é sempre tão precavida! Se é assim, tudo bem. Minato e Nakuru já foram se preparar. Vou deixá-los lá e quando voltar, nós conversamos.
- Vou com vocês, não tenho nada melhor pra fazer mesmo.
Naruto fez uma careta e saiu da cozinha, para se preparar. Sasuke ficou olhando para o interfone com um sorriso sádico no rosto, lembrando muito bem de duas palavras de Sakura, que saíram quase que em um sussurro, mas perfeitamente audível para o jovem. "Pra quê, hein Sakura?"
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- Chiaki é o melhor amigo do Minato. – Explicou Naruto, enquanto Sasuke pegava sua chave para abrir a porta do apartamento. – Eles estudam juntos há um ano e meio.
- Ele é quantos anos mais velho que o Minato?
- Uns três ou quatro, não sei exatamente.
- Hn...
Ao entrarem, Sasuke colocou a chave sobre uma mesinha atrás da porta e foi até seu quarto. Por um momento, Naruto hesitou em segui-lo, afinal, nunca passara da sala.
- Pode vir, dobe, só vou escovar os dentes.
"Vai ficar tudo bem, Naruto..." Pensou o loiro.
O quarto de Sasuke era realmente bonito. Tinha uma cama Box de tamanho King Size pouco além da porta. As paredes eram todas brancas e o lustre em forma de espiral ficava ao centro do quarto. Assim como o quarto de Naruto, o de Sasuke tinha um closet, mas a disposição das camas era diferente. Enquanto à de Naruto ficava de frente para a porta e, como conseqüência, para o closet, a de Sasuke ficava de lado, de frente para a porta do banheiro. A TV de LCD, um pouco menor que a de Naruto, ficava ao lado dessa mesma porta, pregada à parede.
- O que está olhando? – Perguntou o adolescente, com a escova de dente na mão.
- Esse lugar é organizado demais para um adolescente.
- Eu sei.
Naruto continuou a contemplar o cômodo enquanto o outro escovava os dentes. Viu, sobre a mesa de cabeceira do moreno, dois porta-retratos: em um, estavam uma criança sorridente de aparentes nove anos de idade, agarrada a um garoto sério de aparentes quinze anos e em outro, os mesmos meninos, ambos sérios e formalmente vestidos ao centro e um homem e uma mulher, quem o loiro concluiu serem os pais de Sasuke, em cada ponta.
- Meus pais e meu irmão. – Disse.
- Sua família é muito bonita, sabia?
- Era.
- Ah, desculpa...
- Não tem problema.
- Imagino que você deva sofrer muito com tudo isso... A morte de seus pais, o desaparecimento de seu irmão...
- Hn.
- Tá, já sei, você não quer falar disso. – Disse, fazendo bico.
- Então, qual o seu plano para a audiência?
- Bom, eu contratei um detetive, amigo meu, na verdade, para investigar Orochimaru e Madara. Ele já conseguiu provas bem satisfatórias: notas fiscais, vídeos, depoimentos e alguns documentos. Ele tem espiões na Akatsuki.
- Interessante. Vai apresentar aquela hipótese? – Perguntou o moreno, ligando a TV.
- Sim. Temos um ótimo álibi, vai ser difícil te incriminar, principalmente com Itachi desaparecido. Não se pode provar nada sem ele.
- É eu sei.
- Fico pensando que esse desaparecimento não foi por acaso...
- Você diz... Como se ele soubesse que sem ele o processo não andaria?
- Exato. E mais, sem ele, Orochimaru não tem muitas provas contra você. No final, você também não sabe onde ele está.
- Você é esperto, quando quer... – Comentou o Uchiha, enquanto zapeava pelos canais.
- Ei! Eu sempre sou esperto ta? Posso prever tudo!
Um sorriso pervertido brotou nos lábios do moreno.
- Tudo mesmo?
Naruto percebeu o que dissera e recuou um pouco ao perceber o Uchiha vindo em sua direção.
- Então você havia previsto isso e mesmo assim quis vir?
- Isso o q...
Naruto não tivera tempo de terminar a frase, foi derrubado na cama por Sasuke. O moreno sentou exatamente sobre o quadril do mais velho e prendeu suas mãos contra o colchão. Ficou encarando o loiro, com um sorriso diferente e um brilho estranho nos olhos... Aquilo era... Luxuria.
- Sa... Suke...
- Eu confesso que nunca tinha me atraído por alguém como você... Casado... Homem... Mas as escolhas nem sempre são nossas, não é?
O coração de Naruto estava acelerado. Aquilo, de alguma forma, foi uma declaração. Agora sim tinha certeza que o Uchiha sentia o mesmo. Chegou a pensar que aquele incidente do elevador se dera mais por ação dos hormônios em ebulição do moreno.
- Eu quero muito ver aonde isso vai dar... – Sussurrou rente ao ouvido do loiro. Naruto se arrepiou quando sentiu a língua úmida e quente do moreno acariciar o lóbulo de sua orelha. As mãos do Uchiha adentraram a camisa do outro e habilmente o moreno foi traçando um caminho invisível com os dedos até chegar aos mamilos. Naruto fechou os olhos com força quando o adolescente começou a brincar com eles. O advogado estava super corado. Sentia-se exposto e a mercê dos caprichos do mais novo.
Parou e pensou em Sakura, não podia fazer aquilo com ela. Nem com as crianças. Então, pensou no que Sai lhe dissera, mas sentiu medo. E se não fosse uma mera atração sexual? E se aquilo se tornasse algo do qual Naruto dependesse inteiramente para se satisfazer? As conseqüências seriam desastrosas, o loiro sabia, mas... Ele não conseguia se controlar. Não conseguia resistir ao toque daquele menino.
A partir do momento que Sasuke lhe tirou a camisa, ele sabia que não poderia mais voltar atrás.
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Não acordou por causa de claridade e sim pelo barulho da TV. Esfregou os olhos de maneira preguiçosa e olhou para a pessoa ao seu lado. Sasuke estava deitado, apoiando a cabeça em seus braços. O moreno estava coberto pelo lençol até mais ou menos a altura da barriga. Dali para cima, estava despido, o que causou certo rubor no loiro, que percebeu que estava completamente sem roupa.
- Boa noite. – Saudou Sasuke com um sorriso pervertido no rosto.
- Que horas são?
- Sete. Não se preocupe. Minato já ligou e disse que é para você buscá-lo oito e meia. Sakura, ao que parece, ainda está no hospital e deve voltar umas dez.
- Você atendeu meu celular????
- Sim, sim. Antes que você se desespere pensando que eu seja capaz de lhe entregar, saiba que eu disse a ela que você bebeu além da conta e capotou, mas que já estava tudo bem e qualquer coisa eu buscaria o Minato. Ela não me pareceu muito feliz, mas acreditou direitinho.
- Você disse à minha mulher que eu sou um alcoólatra?
- Não.
- Disse sim! Agora ela vai ralhar comigo por causa disso!
- Bom, desculpa, mas você não acordava. Acho que sou areia demais para o seu caminhãozinho.
Naruto corou até as orelhas.
- Claro que não! É que eu não durmo direito há alguns dias!
- Sei... – Riu o moreno. Naruto fez bico.
Sasuke puxou o loiro para perto de si, abraçando-o de maneira possessiva.
- O que você está fazendo? – Perguntou Naruto desconcertado.
- Queria sentir seu cheiro. É bom. – Comentou o outro, mergulhando o rosto nas madeixas douradas do advogado, que sentiu seu coração quase saltar fora de seu peito.
Timidamente, Naruto puxou a cabeça de Sasuke e sentiu o cheiro de seus cabelos.
- Você cheira a mentos de vitamina C. – Disse, docemente.
- Isso é bom?
- É o meu favorito. – Sorriu.
- Então vou considerar como um sim. – Sorriu de volta, inclinando-se para dar um selinho demorado no loiro.
- Sasuke? – Perguntou o loiro, quando se separaram.
- Hn.
- Eu cheiro a quê?
- Na verdade, eu ainda não descobri nenhum cheiro como o seu. É o melhor que já tive o prazer de saborear – Disse, segurando a mão do outro contra sua bochecha, o que o fez corar ao extremo.
Naruto sentiu suas mãos ficarem geladas de uma hora para a outra. Sentiu seu coração bater mais lenta e mais fracamente, descompassado. Sentiu uma queimação ao longo da garganta e nas bochechas. Sentiu-se feliz. Sentiu-se triste. E quis chorar.
Estava apaixonado por Sasuke.
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Devagar, mas não para – esse é o lema. O meu objetivo agora é terminar essa história e a minha tradução paralela ainda nesse semestre. Basta agora dialogar com o meu tempo livre, né. Desculpem-me pelos atrasos, a questão é que eu possuo uma guerra interna entre deveres e ociosidade que torna o processo todo lento como uma burocracia. E agradeço a quem ainda lê essa bodega aqui.
