Capítulo Dois
BELLA vestiu o grosso roupão dos hotéis Swan sobre o corpo úmido, colocou os óculos e prendeu uma mecha de ca belo que se soltara. Ainda podia ouvir o zumbido da banheira de hidromassagem enquanto caminhava pela cobertura, indo do quarto para a sala.
Há muito deixara de achar estranho morar num hotel. Agora, apenas admirava a paisagem, o serviço de limpeza e a conveniên cia do serviço de quarto, disponível dia e noite.
O escritório ficava no terceiro andar do Fifth Avenue Inn. As sim, nos dias mais tempestuosos do inverno, tudo que precisava fazer para chegar ao trabalho era pegar o elevador.
Ligou a televisão e aninhou-se num canto do sofá. Era sexta-feira e já passava das 23 horas.
Ainda não tinha jantado. Pensou que uma tábua de queijos com um bom vinho cairiam bem com o noticiário econômico da TV. Sintonizou o canal de notícias e solicitou o serviço de quarto.
Alguns minutos depois ouviu a batida na porta e, ainda olhan do a televisão, apenas abriu a porta para que Korissa entrasse.
— Eles lembraram das uvas? — perguntou Bella, atenta ao noticiário.
— Não faço a mínima idéia — respondeu uma voz mascu lina.
Bella virou-se e viu-se frente a frente com Edward Cullen. Os olhos arregalaram-se de espanto e, num impulso, levou as mãos ao peito, verificando se o roupão estava bem fechado.
— Pensei que fosse a Korissa.
— Eu sou o Edward — respondeu ele, observando o roupão, os cabelos desgrenhados, os óculos sem graça.
— O que você está fazendo aqui? — Ela só esperava vê-lo na noite seguinte, no evento beneficente do Teddybear Trust. Não estava preparada para outra rodada de joguinhos verbais, ainda mais vestindo apenas um roupão.
Ele mostrou a pasta na mão esquerda.
— Pensei que você quisesse ver os meus rendimentos.
— Às onze e meia da noite?
— Você disse que queria um contrato pré-nupcial.
É claro que ela queria. Mas não agora. Agora ela queria dor mir e recuperar as forças para enfrentá-lo no dia seguinte.
— Eu não...
— Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje — inter rompeu-a Edward, olhando para o aposento enquanto entrava.
Quando Bella bloqueou a passagem, ouviu o carrinho do serviço de quarto aproximando-se.
Korissa parou no corredor e lançou um olhar inquisidor para Edward.
— Devo trazer mais uma taça?
— Seria gentil da sua parte — respondeu ele, e, antes que Bella pudesse reclamar, Edward esgueirou-se porta adentro.
Bella não estava disposta a fazer uma cena na frente de Ko rissa, mas Edward não ia ficar. Abriu passagem para o carrinho.
— Aconchegante — observou Edward, diante do tapete persa, da lareira de mármore e do lustre Tiffany.
— Obrigada — respondeu Bella, tensa, enquanto Korissa arrumava a tábua de queijos, o vinho e as flores sobre a mesa de jantar antes de sair e fechar a porta.
Bella ajustou o cinto do roupão. —A hora não é muito adequada.
Edward pousou a pasta sobre a mesa e juntou as mãos, num pedido de desculpas.
— Eu lamento, mas acabei de sair de uma reunião — ele se desculpou, voltando a olhar para os trajes de Bella.
— Imagino que esteve livre no fim da tarde.
— Não. Eu não estive livre no fim da tarde. Fiz uma ligação de negócios, aprovei três contratos com meus fornecedores e tive uma reunião com o contador que passou das dez da noite.
— Mas você está livre agora — disse ele, abrindo a pasta. Ela olhou para os próprios trajes.
— Pareço livre? Edward segurou o riso.
— Você parece...
— Deixa para lá.
— Eu ia dizer "encantadora".
— Você ia dizer "horrorosa".
— Por que você sempre...
— O que você quer, Edward?
— Quero trocar informações financeiras — respondeu ele, retirando um envelope da pasta.
— Ligue para mim amanhã. — Ela queria dormir. Só isso.
— Amanhã estou com a agenda cheia o dia todo.
— Bom, e eu estou com a agenda cheia a noite toda. Edward ficou paralisado. Olhou direto para o quarto.
— Você tem companhia?
Bella levou alguns segundos para entender a pergunta.
— Não, eu não tenho companhia.
— Sei lá. Uma aventura de fim de noite.
— Não sou o tipo de garota de "aventuras de fim de noite". Edward voltou a olhá-la de cima a baixo.
— Não mesmo?
— E se eu fosse, estaria vestida assim?
— Já disse que você está encantadora. Bella soltou um suspiro de frustração. Edward aproximou-se.
— Quer saber? Não sei por que você é tão insegura.
Ela não sabia o que responder. Ponto para ele.
— Você é uma bela mulher — disse, com suavidade na voz.
— Pare com isso — respondeu Bella, ríspida.
Era claro que o texto era ensaiado, para envolvê-la com suas mentiras e tirá-la do sério.
Edward ficou frente a frente com ela. A intensidade do olhar dele fez o corpo de Bella pulsar.
— Você não tem motivos para se depreciar desse jeito, Bella.
Ela tentava respirar normalmente; tentava esmagar a irrefutá vel onda de desejo que ameaçava tragá-la.
— Você tem um gosto... surpreendente. Edward esboçou um sorriso.
Sua boca era atraente, bem definida, muito sexy. Irradiava um brilho envolvente, fazendo com que uma mulher se sentisse única. Bella podia sentir a força daquele encanto.
— Você acha que eu prefiro seda ou cetim? — perguntou ele com doçura.
— Acho que você prefere renda negra e salto alto — respon deu Bella, arrependendo-se na mesma hora.
— É mesmo? — Os olhos dele refletiram o pensamento.
— Não em mim!
— Por que não? — perguntou ele, observando-lhe os seios. Aquilo já estava passando dos limites.
—Edward!
Ele apontou na direção do quarto.
— Tem alguma coisa ali dentro que possa me agradar?
Minha nossa. Pior que tinha. Um minúsculo baby-doll com binando com a calcinha de dormir. Tinha sido presente de ani versário de Rosalie.
Nem em sonho Edward veria aquela roupa.
— Águas paradas são profundas e perigosas — comentou ele, segurando o riso.
— Não. Nada do seu interesse — mentiu ela.
Edward tocou-lhe uma mecha de cabelo.
— Claro que tem. Vamos, Bella, deixe-me conhecer seus segredos mais ocultos.
Bella chegou a piscar diante daquele olhar incandescente. Resistiu bravamente às lavas daquele vulcão, prometendo a si mesma que não deixaria Edward assumir as rédeas da relação. Precisava ser forte. Precisava manter o foco. Ela possuía uma coisa que ele queria e ela ditaria as regras.
Foi então que ele pousou a mão em suas têmporas, e todos esses pensamentos perderam-se no tempo. O gesto de alisar seus cabelos com os dedos foi suficiente para enviar uma descarga de adrenalina pelo corpo de Bella, fazendo-a corar e amolecendo o corpo enquanto Edward pressionava-a contra o peito.
Edward deixou a mão escorregar pela nuca e segurou-a pelos cabelos, puxando-a para mais perto. Ele inclinou a cabeça e Bella acompanhou o movimento, esperando, ansiosa, o que viria a seguir.
Então ele parou. Bella sentiu a própria hesitação refletida em Edward. Sim, seu corpo inteiro pedia. Não, a razão respondia.
Bella podia sentir a respiração dele em seu rosto.
— Meu desejo mais oculto... — Ele parou de falar. — Eu quero... — Mais uma pausa seguida de um suspiro. — Quero ver seus rendimentos financeiros.
Aquelas palavras soaram como uma ducha de água fria.
E Bella ficou feliz.
De verdade.
Beijar Edward teria sido uma imensa estupidez. Ela sabia que mais cedo ou mais tarde isso acabaria acontecendo; mas não no apartamento dela; não sem ninguém por perto; não com ela vestida apenas com um roupão, seminua.
O que ela estava pensando?
Bella afastou-se, determinada.
— Tudo bem. Mas depois você vai embora.
Ele concordou, deixando escapar um brilho fugaz, porém in candescente, das profundezas daqueles olhos de aço.
Bella não estava disposta a explorar aquelas profundezas. Sequer queria pensar a respeito. Estava fazendo negócios.
Apenas negócios, disse a si mesma enquanto dirigia-se ao computador. Abriu o arquivo e imprimiu os dados do último trimestre.
Edward olhou em silêncio para as vinte páginas impressas que Bella entregou-lhe.
— Obrigado — agradeceu ele e encaminhou-se para a por ta.
— De nada — respondeu ela, contando os segundos para que ele fosse embora.
Mas ele se voltou, e olhou-a com olhos frios.
— Bella...
— Boa noite — ela o interrompeu, bruscamente.
Edward respirou fundo mas não insistiu.
— Boa noite — respondeu, resignado.
E então ele se foi. Bella trancou a porta, os dedos colados na maçaneta. Tudo bem. Seja lá o que foi isso, não vai se repetir.
Ela fizera um acordo com Edward. Era um negócio como outro qualquer. Seu pai sempre se orgulhara de sua capacidade de ar regaçar as mangas e encarar o trabalho de frente.
Neste caso, não era bem o trabalho que teria de encarar de frente. Mas no fundo era a mesma coisa. Um dia ela e Edward tro cariam um beijo, mas seria um beijo de negócios. Um beijo para ser visto. Não seria um beijo trocado entre quatro paredes, com ela seminua e ardendo de desejo por ele.
Afastou-se da porta, o corpo trêmulo. Disse para si mesma que estava fazendo exatamente a mesma coisa que seu pai faria — dando o melhor de si numa situação ruim.
Quando a mãe morreu e ele ficou responsável pelas duas fi lhas, deu o melhor de si. Aprendeu a escovar os cabelos delas, a decorar o quarto e fazer bolos e biscoitos de chocolate. Quando o hotel em Montreal ardeu em chamas, ele também deu o me lhor de si. Destemido e sem nunca perder o otimismo, varreu as cinzas e recrutou os funcionários.
Bella também podia ser destemida e varrer os malditos hor mônios para algum lugar. Faria seu pai sentir-se orgulhoso dela, ou morreria tentando.
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Estava alerta no sábado à noite.
Quando saíram da limusine na entrada da Tavern of the Green, os repórteres já estavam de prontidão. Ela ajeitou o ves tido de festa e preparou-se para uma entrada triunfal.
Próximo à entrada principal, Edward virou-se para ela e, num galanteio, estendeu-lhe a mão. Ela recuou. Não queria tocá-lo. Não agora. Mas não havia como recusar.
Assim que seus dedos se tocaram, seu corpo foi invadido por ondas de calor. Sorriu galhardamente enquanto os flashes espocavam em todas as direções.
Seus olhos se encontraram, mas ela logo desviou o olhar enquanto Edward desempenhava seu papel diante das câmeras. Bella tentava ser simplesmente adorável sem olhar para ele. Já era horrível estarem de mãos dadas. Já era horrível ficar imagi nando algum tipo de conexão cósmica entre eles enquanto en frentavam o fogo cruzado das perguntas dos repórteres.
Foi então que Edward a enlaçou e parou para umas fotos. Os corpos ficaram obscenamente colados. Bella podia sentir a res piração dele.
— Aja como se me adorasse — disse ele entre os dentes.
— Estou tentando — respondeu ela, um sorriso nos lábios, amaldiçoando o corpo traiçoeiro que registrava cada centímetro do corpo de Edward.
—Precisa se esforçar mais — comentou ele, acenando para os repórteres e caminhando em direção à entrada.
Bella resistia à pressão da mão de Edward em suas costas.
— Rosalie e Jacob ficaram para trás.
— Eles podem se virar.
— Mas...
— Só vamos ficar expostos aos paparazzi depois que você desempenhar melhor o seu papel.
— Mas eu estou sorrindo!
— Sorrindo? Você está fazendo caretas!
— É a dor.
Edward imediatamente diminuiu a pressão sobre as costas de Bella.
— Estou machucando você?
— Estou aflita — respondeu ela, com sinceridade.
— Pare com isso! — reclamou ele.
Um homem calvo, muito bem vestido, aproximou-se para cumprimentá-los.
— Sr. Cullen. É uma honra tê-lo conosco.
— Boa noite, Maxim. Quero que conheça minha... minha na morada, Bella Swan.
O nome de Bella foi proferido com tamanha suavidade que, por uma fração de segundo, seu coração flanou pela terra dos sonhos. Maxim pareceu surpreso.
— Maxim é o presidente da Teddybear Trust — explicou Edward.
O homem corpulento abriu um largo sorriso enquanto cum primentava Bella.
— E a senhorita é a presidente da Swan Inns. Já ouvi muitos comentários positivos a seu respeito.
— Por favor, pode me chamar de Bella. — O sorriso era genuíno agora. — Tenho muito respeito pela Teddybear Trust.
Ano passado, a fundação construiu uma nova ala infantil no hospital St. Xavier além de financiar inúmeros projetos de pes quisa sobre câncer infantil.
— Queiram me acompanhar. As bebidas estão sendo servi das na varanda. Sugiro o Pavilhão como ponto de partida para os jogos no cassino.
— Blackjack?
— No ano passado você não foi muito feliz. Mas a senhorita vai lhe dar sorte esta noite.
— Prometo que vou tentar — respondeu Bella.
Edward tomou-lhe as mãos e beijou-as. Bella esforçou-se para manter-se firme. O lugar era magnífico, luxuoso. Olhou a imagem dos dois refletida em um espelho chanfrado. Podia ver a postura ereta de Edward e a mão firme pousada em seu dorso logo abaixo do decote em V nas costas de seu deslumbrante vestido.
— Quer uma bebida?
— Quero. — Cada um desempenhava seu papel. Aos olhos dos repórteres fingiam ser o par perfeito. Bella fingia que esta va gostando de tudo aquilo.
Desviou o olhar do espelho e jurou solenemente que ignora ria toda e qualquer faceta da atração sexual que Edward despertava nela. Precisava manter o controle.
Entraram no Pavilhão de Cristal e logo atraíram os olhares curiosos dos outros convidados.
Será que reconheceram Edward? Será que a reconheceram'? Ela olhou para trás, procurando pela irmã.
— Acho que nos perdemos de Rosalie e Jacob.
— Não precisamos de companhia.
— Mas...
— Hoje a noite é só nossa. — Edward sorriu e acenou para al guém do outro lado do Pavilhão.
Chegaram ao bar e ele pediu as bebidas.
— Você precisa relaxar e se distrair um pouco — Aconselhou ele.
Bella sequer conseguia pensar em relaxar naquelas circuns tâncias. Ainda mais com Edward por perto.
— Logo você vai começar a gastar o meu dinheiro.
— Eu nunca joguei — disse Bella, a fala entrecortada.
— Não sei por que isso não me surpreende — respondeu ele, servindo-se de um pouco de amendoim.
— O que quer dizer com isso?
— Quero dizer que você é muito conservadora.
— Não sou não — insistiu ela.
— É sim. Demais. Mas você pode me convencer do contrá rio. Encoste essa linda barriguinha na mesa de Blackjack e deixe todo mundo ver que eu estou bancando você.
Ela tomou um gole de vinho e deixou que o álcool fizesse a sua parte.
— Então é assim que o homem moderno demonstra o seu amor por uma mulher?
— É, já que é muito complicado pegar um touro à unha. Bella ocultou um sorriso, sorvendo mais um gole de vinho.
— E seu eu preferir que você pegue um touro à unha?
— Vai bancar a exigente é?
— Pode ser.
— Vamos. Vamos jogar.
— É sério, Edward, eu não sei jogar blackjack.
— É fácil.
Pela parede envidraçada, os jardins iluminados por lanter nas que flutuavam ao sabor da brisa serviam de pano de fundo para convidados bem-vestidos que circulavam pelo pátio e pelo restaurante. Os crupiês, de terno preto e gravata borboleta, reco lhiam as apostas e davam as cartas.
Edward posicionou-a diante de uma mesa com cadeiras de espaldar alto. A mesa era forrada com um feltro verde com peque nos quadrados brancos impressos no tecido.
— Ânimo, garota — sussurrou ele. Bella tentou manter-se impassível diante da proximidade dos corpos.
Quando o braço de Edward acidentalmente roçou as costas nuas de Bella, ela sentiu arrepios e ondas de calor percorrendo-lhe o corpo.
— Achei vocês. — A voz de Rosalie dissipou os calores. — Isso é fantástico!
— Fantástico — repetiu Bella, grata pela interrupção.
Rosalie sentou-se ao lado de Bella. Em frente a elas havia dois homens observando o crupiê. Ainda restava um lugar vago no meio.
Jacob ficou atrás da cadeira de Rosalie e Bella sorriu para ele.
— Compre umas fichas para mim — pediu Rosalie a Jacob. Bella viu Edward colocar algumas notas na mesa, na frente do crupiê.
— Pensei que fôssemos tentar a roleta — respondeu Jacob.
— Eu quero jogar blackjack — disse Rosalie.
O crupiê colocou quatro pilhas de fichas roxas na frente de Bella.
— O que eu faço agora? — ela perguntou a Edward num sus surro.
Ela quase podia sentir o sorriso dele. Sentia-lhe o perfume e o tecido do temo roçando-lhe as costas, suavemente.
— Faça uma aposta. No quadrado branco.
Um homem no canto da mesa apostou duas pilhas de fichas verdes e o outro, uma pilha de fichas pretas.
— O que significam as cores? — Bella perguntou.
— Não se preocupe com isso.
O crupiê acomodou pilhas de fichas pretas na frente de Rosalie.
Bella empurrou duas pilhas de fichas roxas na direção do quadrado em frente a ela e o crupiê colocou uma carta com a face virada para cima diante de cada jogador.
Ela olhou para as cartas, perguntando-se se o crupiê havia se enganado. Voltou-se para Edward.
— Eles podem ver...
— É assim mesmo.
— Mas os outros estão vendo a minha carta.
— Confie em mim.
Bella olhou-o nos olhos. Confiar nele? Ele estava brincan do? Edward deixou claro na noite passada, em algum momento da conversa sobre depreciação de capital e renda bruta, que ele estava ali para defender os interesses dele. Na verdade, chegou a aconselhá-la a fazer o mesmo.
É claro que, neste caso, era o dinheiro dele que estava em jogo. Quem se importaria se ela perdesse?
— Bella?
— O que foi?
— Olhe a sua mão.
Ela olhou. Tinha uma rainha e um ás.
— Você ganhou — disse Edward enquanto o crupiê empurrava as fichas para o quadrado dela.
— Você me bateu! — exclamou Rosalie.
Mesmo que fosse apenas um golpe de sorte, Bella sentiu-se orgulhosa. Ela ganhara. Era a primeira vez que jogava e ganha ra. O que quer que acontecesse dali para frente, ela ao menos podia dizer que ganhara.
— Estourei! — suspirou Rosalie.
Jacob balançou a cabeça. O crupiê retirou as cartas.
— Aposte mais alto agora — aconselhou Edward.
Bella adicionou mais uma pilha de fichas no seu quadrado.
— Nesse ritmo, a noite vai ser longa — suspirou Edward.
— Por que você não se senta aqui e faz as suas apostas?
Ele se inclinou, a mão deslizando pelos ombros nus de Bella.
— Porque queremos que todos vejam que eu estou gastando o meu dinheiro com você, esqueceu?
O nariz de Bella quase tocava o rosto dele. Seu perfume forte envolveu-a e a mão dele acariciou com mais suavidade seus ombros nus. Seria muito fácil mergulhar de cabeça nessa fantasia.
Ela se serviu de um pouco de vinho.
— E se você apostasse o meu dinheiro?
— As coisas não funcionam assim. Vamos. Aposte!
— Machista!
— É, sou mesmo. Vai se acostumando.
Tudo bem. Ele queria bancar o jogo?
Bella empurrou uma pilha inteira de fichas sobre o feltro verde.Vamos ver o quanto você agüenta, Edward Cullen.
— Essa é a minha garota!
— Minha nossa! — exclamou Rosalie.
Bella virou-se para a irmã.
— Você acabou de apostar dez mil dólares.
— O quê? — Bella quase se engasgou. A primeira carta foi aberta na frente dela.
— Essas fichas são as de quinhentos dólares — explicou Rosalie.
Bella sentiu um frio na barriga. Ela fez menção de pegar as fichas de volta, mas Edward não permitiu.
— Tarde demais.
Ela se virou, os olhos arregalados de pavor. Não podia apos tar dez mil dólares assim de uma vez. Era loucura.
— Fique atenta ao jogo — tranqüilizou-a Edward.
— Por que você não me disse?
— Dizer o quê? —Edward!
— Atenção ao jogo!
— Não dá — respondeu ela e fez menção de levantar-se, mas Edward mais uma vez a impediu.
— Você ganhou.
— O quê?
— Você ganhou de novo. Você devia jogar mais vezes. Bella olhou as cartas que tinha nas mãos. Um ás e um dez. Blackjack. Os joelhos ficaram trêmulos e voltou a se sentar.
— Estourei! De novo! — exclamou Rosalie.
— Quanto você perdeu? — Bella perguntou à irmã.
Jacob não parecia muito contente.
— Quinhentos dólares.
— Puxa!
Rosalie empurrou mais duas fichas no quadrado dela.
— Ainda acho que deveríamos tentar a roleta — sugeriu Jacob.
— Está divertido — respondeu Rosalie. — Estamos nos diver tindo, não estamos, Bella?
— Eu estou me divertindo — respondeu Edward, com um sor riso na voz.
Jacob respirou fundo.
Mais uma vez, o crupiê deu as cartas.
— Você sabia que acabou de apostar 15 mil dólares? — per guntou Rosalie.
Bella olhou as fichas sobre o feltro verde. Por que Edward não a impediu?
Após um longo e tenso minuto, ela ganhou, mais uma vez. Três cartas totalizando 19 pontos. Na mesma hora, virou a ca deira para levantar-se.
— Não agüento mais isso!
Edward segurou a cadeira com o joelho, impedindo-a de ficar completamente de pé.
— Você está ganhando.
As pernas de Edward e Bella se entrelaçaram e ela podia sentir o calor do corpo dele.
— Vou ter um ataque cardíaco. E estou falando sério. Bella quase perdeu o equilíbrio e Edward rapidamente ofere ceu-lhe a mão para ampará-la.
— Não se abandona o barco quando se está numa maré de sorte.
—Ah, não? Observe.
Agora Bella perdeu mesmo o equilíbrio, caindo direto nos braços de Edward. Se levantasse a cabeça, poderia beijá-lo nos lá bios, ou poderia afundar o rosto em seu cabelo e beijar-lhe o pes coço para ver se o seu gosto era tão bom quanto o seu cheiro.
É claro que não fez nada disso. Mas o desejo era forte. A imagem também era forte.
Edward olhou-a com olhos turvos por um longo momento.
— Tudo bem — disse ele finalmente. — Você já jogou dados?
— Não.
— Ótimo. — Ele fez um gesto em direção ao corredor. O encanto quebrara-se mais uma vez. — Vamos jogar dados.
Bella virou-se para a irmã.
— Você vem?
— Não vamos jogar dados — respondeu Jacob. Rosalie observou o namorado.
— Depois a gente se vê — disse ela. Bella assentiu com a cabeça.
— Não podemos pelo menos trocar por fichas de dez dóla res? — perguntou Bella a Edward.
— Não.
— Não posso apostar quinhentos dólares assim, numa só ta cada.
Edward podia estar acostumado com este estilo de vida de altas apostas e muita exposição pública, mas, definitivamente, Bella não estava.
— Você já ganhou alguns milhares de dólares.
Isso era verdade. Ela se sentiu um pouco melhor. Ela podia perder tudo que ganhara e isto não o afetaria em nada.
— É bom começar logo a perder, se não você vai levar a Teddybear Trust à falência.
Bella esquecera-se por completo da Teddybear Trust.
— Estou fazendo tudo errado, não é?
— Eu digo a você.
Bella suspirou, frustrada.
De repente, ele lhe beijou a testa.
— Você é encantadora, sabia?
Bella sentiu um aperto no coração diante daquele elogio. Mas assim que Mark e Frederick Waddington apareceram na frente deles, ela percebeu que o elogio e o beijo faziam parte da cena. Tudo naquela noite fazia parte da cena. Edward não era um calmo homem de negócios que defendia causas filantrópicas. Estava apenas desempenhando um papel.
Ela forçou um sorriso quando foi apresentada ao casal. Sem mais fantasias. Sem mais demonstrações de afetos. Sem mais reações físicas ao toque dele. A partir daquele momento, Bella não se esqueceu mais de que tudo aquilo era apenas um jogo.
Bom tá ai mais um capítulo para vocês !!! Vou confessar Bella Brandon Cullen que você me convenceu a postar o capítulo antes do que eu realmente iria fazer, sua review foi fofinha e vc ficou com o prêmio, que é um novo capítulo para ler.
Agora fique atenta, não só o casamento está prometendo, acho que antes mesmo disso coisas interessantes virão !!
Beijos,
Xarol
