Necessidade de você: 5° Capítulo

O início de uma necessidade

O som da porta batendo não foi suficiente para acordar Kagome do turbilhão de seus pensamentos. Imagens, cenas e vozes misturavam-se em um caos que já começava a dar uma dor de cabeça na jovem. Ela não conseguia tirar da mente o que acabara de acontecer, não conseguia entender o que se passava ao seu redor.- Por que agi daquele jeito?O que está acontecendo? Eu não consigo entender, mas eu sei que, na hora, a sensação foi boa...

A humana sentiu seu rosto esquentar ao constatar tais pensamentos. Cobriu os olhos com as mãos e deixou-se escorregar pela porta até o chão, passando a segurar a cabeça pelos cabelos com o rosto próximo aos joelhos. Ela estava nervosa e confusa, mas o que tinha percebido era que, ainda assim, aquilo tudo não lhe trazia mal estar interior e nem nada parecido, apenas uma inquietação, algo bem próximo da euforia e excitação diante do inesperado, imprevisível e desconhecido...ainda. Porém, Kagome não estava preparada o suficiente para entender essa confusão, e por isso a única coisa em que conseguiu pensar foi na ajuda de alguém que talvez entedesse mais que ela, alguém que a conhecesse há tempos, que muitas vezes enxergava mais do que ela própria - Sango. Assim, levantou-se um tanto mais decidida, objetivando chegar ao seu quarto para ligar para sua melhor amiga logo que tivesse oportunidade. Quem melhor para entendê-la do que ela?

-Kagome? É você?- A voz da mãe acabou por despertar a jovem de seus pensamentos embaralhados.

- Oi mãe, cheguei.- Ela pigarreou um pouco antes de falar, e sua voz acabou por sair um tanto desafinada e distante, como se não estivesse prestando atenção na mãe(o que era o caso).

- Por que demorou tanto a chegar, minha filha? Estava ficando preocupada, você não dá notícias desde que saiu!- A senhora Higurashi tinha um tom repreendedor, mas a filha não parecia estar muito concentrada nas broncas dela. A mais velha a encarava com as mãos nos quadris, em uma posição típica de mãe.

- Eu disse que ia fazer um trabalho, não disse, mãe? Pois então, o trabalho durou o dia quase todo. E fica tranqüila, o meu amigo me acompanhou até aqui.- Kagome não pôde evitar o ligeiro tom avermelhado que tomou conta de sua face ao se lembrar do meio-youkai, e por isso acabou por desviar o olhar na conversa. A mãe encarou a menina de um jeito desconfiado, analisando suas feições. Prova de que Kagome não estava prestando atenção era que nem havia se tocado que deveria ter ocultado a parte do "amigo acompanhou", visto que já conhecia o comportamento da mãe.

- E quantas vezes vou ter que te dizer pra me ligar pelo menos uma vez quando sair assim? E sobre andar com garotos por aí de noite? Você não me escuta, Kagome Higurashi.- Se ela já estava irritada antes, agora ficou ainda pior. A bonita jovem nada deveria ter comentado sobre "garotos", ela mesma já constatara isso.

- E eu já te disse pra não se preocupar com isso, mãe. Relaxa, eu tô bem, ok?- A conversa estava cansando ainda mais a menina, que esfregava a têmpora com os nós dos dedos para aliviar a dor de cabeça.

- Eu só vou parar de me preocupar quando você fizer o que eu falo para fazer. E o que eu falo pra não fazer também.- Até a senhora Arisa percebeu o cansaço da filha, e por isso apenas a encarou com as feições emburradas, e, antes de voltar para a sala, completou: - Coma alguma coisa antes de tomar banho para dormir.

Ela agradeceu mentalmente pela compreensão da mãe, já que seu cansaço era tal que nem aguentava discutir um pouco mais aquele assunto. Apenas acenou com a cabeça e seguiu rumo ao andar de cima, enquanto a mãe ficava encarando as costas dela sem nada dizer também, mas sem controlar os pensamentos -O que essa menina anda fazendo? Aí tem coisa...

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Kagome Higurashi encontrava-se sentada em sua cama penteando os cabelos úmidos devido ao recente banho que tomara. Entretanto, seus pensamentos estavam concentrados em lugares muito distantes do seu quarto. Ela estava meio eufórica com toda aquela situação relacionada ao seu novo grande amigo, cheia de dúvidas, incertezas e ansiedade. Contudo, preferira tomar um banho e comer alguma coisa antes de se dirigir à sua cama para descansar e, principalmente, ligar em paz para sua melhor amiga. A menina ainda permaneceu um tempo olhando seu quarto, sem realmente ver nada, até que acordou de seus devaneios e pegou o aparelho, discou o número e ficou esperando a resposta.

- Alô?- O som da voz de Sango era inconfundível para Kagome.

- Oi Sango, sou eu.- Kagome se ajeitou melhor na cama para falar.

- Ah, oi Kagome. Como você tá? Tudo bem?- O tom casual da morena não demonstrava sono, apesar da hora.

- Tô bem sim. Tava querendo te ligar apenas pra conversar mesmo.- Kagome já começara a sentir formigamentos no estômago com a aproximação do assunto.

-Hm...sei. Desembucha logo, Kagome, eu te conheço. O que aconteceu?- Sango conhecia a amiga bem de mais para saber quando ela estava enrolando para falar o que realmente desejava discutir.

- Aff, você nunca tem paciência pra esperar minha enrolação.- Ela riu um pouco com a experiência avançada de Sango sobre sua pessoa.

- Pois então pára de enrolar e fala logo que eu estou curiosa!- Ela riu também com a situação. Estava animada para saber, e algo lhe dizia que teria a ver comassuntos presentes em sua mente recentemente.

- Bom...assim...hm...em primeiro lugar, eu não quero que você tire suas conclusões malucas e adiantadas sobre seja lá o que for.- Kagome mordeu o lábio em sinal de inquietação antes de continuar, frente tanto ao que queria falar, quanto ao silêncio da interlocutora. Sango já estava em um nível alto de ansiedade, pois o mistério que a jovem de olhos azuis fazia estava criando expectativa. Ela resolveu então iniciar logo o assunto.- Hoje eu passei o dia com o Inuyasha, fomos para o centro da cidade.

- Poxa, que legal! Mas e aí? Qual é o negócio?- Sango estava achando difícil se controlar para não mostrar curiosidade de mais, pois o assunto muito lhe despertava interesse, visto que pensara consideravemente nele nos últimos dias. Riu internamente pelo triunfo de ter acertado o tema da discussão.

- Hm...bom, foi legal, eu gostei bastante. Nos divertimos andando por aí, comemos num restaurante, tomamos sorvete...Sabe, o Inuyasha é muito legal, ele fez meu dia valer bastante a pena.- As duas agradeciam aos céus por não conseguirem ver os rostos uma da outra. Kagome porque estava vermelha devido ao que falava, ou melhor, devido a Inuyasha; E Sango porque ria silenciosamente de forma maquiavélica, pois já percebera que suas desconfianças estavam certas.

- É, imagino que deve ter sido interessante mesmo. Só chega logo na parte que você está fazendo drama pra falar.- Dessa vez Sango não conseguiu controlar a curiosidade e o riso, logo começou a rir intensamente.

- Eu não devia ter falado nada, isso sim. Não quero nem pensar em você implicando comigo por causa disso durante semanas.- Kagome cerrou os olhos e passou a encarar sua janela com um suspiro forte e falar com um tom de desconversa. Porém, acabou rindo também com a amiga por causa de suas besteiras.

- Vou implicar mais ainda se você não falar logo.- Sango sabia torturar ela.

- Bom...assim...é que na hora de ir embora, tipo...ele veio me trazer aqui em casa.- Kagome teve que fazer uma pausa pois Sango soltara uma exclamação do tipo"Hm..sei.." em um tom cheio de intenções. Ela preferiu ignorar e continuar. - O negócio foi que, na hora de ir embora, no meio da conversa de agradecimento, de despedida e aquele papo sobre o que a gente tinha feito no dia, acabou surgindo uma situação meioesquisita, por assim dizer. Ou melhor, eu diria não usual.

Sango não ousava respirar violetamente para não interromper a amiga. As duas ficaram em silêncio durante a pausa na fala de Kagome feita em seguida.- Eu estava falando sobre ele ter feito meu dia ser bom e tudo mais, daí não sei como a conversa acabou por chegar em um ponto sobre o quanto eu estava apreciando essa aproximação com ele. Não sei explicar direito, mas na hora digamos que ficou um certo clima, senti a gente meio que perto demais, me deu uma vontade de abraçar ele, sentir melhor o perfume e...hm...sei lá.

Kagome encontrou dificuldade em terminar a fala com o que realmente estava em sua cabeça. As palavras embaralhavam em sua mente, as coisas pareciam girar. O pior de tudo mesmo era a vontade de meter a cabeça embaixo da terra, pois sentia um nervoso e um arrepio pela espinha a cada vez que lembrava de tais coisas, o que significava tons escarlate em sua face. Ela tentava organizar a mente, mas sua consciência insistia que, naquela hora, ela teve vontade de beijá-lo( deveria admitir isso para si mesma, mas seu estado de embaraço total dificultava bastante) e era exatamente isso que não conseguia dizer para Sango. Já esta ouvia tudo atentamente e deixava a imaginação solta para construir aquela cena em sua mente para tentar entender melhor o que estava acontecendo entre aqueles dois.

- Então você quer dizer que sentiu uma atração pelo Inuyasha hoje?- Kagome sentiu a garganta secar ligeiramente com a mania de Sango de ser tão direta.

- Bom...não sei dizer...assim...er...eu quis estar pert--- Kagome parecia à beira de um colapso, e nem Sango deixou ela terminar de falar o que estava tentando explicar.

- Pare de enrolações, Kagome. Admita pra você mesma que se sentiu atraída. Duvido até que não tenha sentido vontade de dar um beijo nele.- Sango realmente estava se divertindo em alfinetar Kagome. Eles, para ela, eram um casal muuuito previsível...

- Sango!!! Eu...eu não tô entendendo nada, tô confusa; Me dá um desconto! Eu e o Inuyasha nem nos falávamos há pouco tempo, e agora eu tenho vontade de beijá-lo?! O que é isso?!- A jovem acabou despejando parte do que realmente sentia, e mesmo que aquilo servisse para armar Sango mais ainda para provocações, indiretas, diretas e tudo mais, ela se sentiu melhor após isso.

- Então você admite que teve vontade de beijar o Inuyasha?- Ah, como ela ria no outro lado da linha.

- Bem.. eu..eu...ah, esquece! Finge que eu não disse nada.- Era em horas como essas que Kagome deixava seu lado menininha aflorar, pois o bico que esta fazia era digna da criança de 5 anos que Inuyasha tanto dizia Kagome parecer. Ela estava extremamente sem-graça por ter acabado de admitir a atração pelo meio-youkai.

- Calma, Kagome, eu não vou esquecer. E se eu fosse você, ficava mais tranqüila, pois o que está acontecendo não é nada horrível não. Você simplesmente está experimentando algo novo com o Inuyasha, e que eu saiba não há nada de proibido aí.- Sango estava se deliciando em suas gargalhadas pelas reações demonstradas pela amiga e pelo que ela mesma já estava imaginando deles. Entretanto, mesmo que ela soubesse que aquilo tudo significava uma atração entre os dois, algo mais envolvente e forte do que uma amizade, preferiu não esclarescer isso para Kagome. Achou que seria melhor que a amiga chegasse a essa conclusão por ela mesma, pois, caso contrário, alguns incoveninetes e confusões poderiam vir à tona. Se eles teriam alguma relação mais séria futuramente, que essa relação amadurecesse com eles próprios, e não por base de amigos do casal.

- Bem...hm...ah, isso me deixa muito desconcertada. Eu não sei o que fazer. E também não sei se é isso mesmo, Sango. Pode ter sido apenas uma sensação estranha pela aproximação. Foi como eu te disse, eu acho que não conheço o Inuyasha direito para dizer que estou tendo algo "especial" por ele.- Kagome parecia realmente transtornada, Sango sentia isso em seu tom de voz e dificuldade em escolher as palavras.

- Olha, Kagome, você está se sentindo mal com isso? A perspectiva de uma atração pelo Inuyasha te causa algum mal estar ou algo parecido? - Ela entendia a confusão da amiga, mas, para ela, que conhecia Kagome e que assistia de fora, era mais fácil perceber quando algo começava a rolar entre eles. Contudo, preferia deixar que ela se livrasse sozinha de suas inseguranças.

- Não, disso tenho certeza. Eu sinto um embaraço no estômago, uma inquietação, mas isso não é ruim, é estranho.- Ela fez uma pausa, olhando longamente para a janela. Continuou em uma voz mais digna.- Não sei, acho que estou com medo. Medo por não saber como lidar e pelo desconhecido. Eu me desacostumei com esse tipo de sensação, por isso fico insegura e confusa. Tenho medo de errar de novo.- Ela estava agradecendo pela amiga não estar rindo de novo, pois se sentia bem constrangida e mexida com aquilo tudo.

- Olha, não se preocupa com isso, Kagome. Vai por mim, o melhor que pode fazer é relaxar e deixar rolar, seja lá o que for. Acho que com o tempo você pode entender melhor o que se passa com você e o Inuyasha, mas por enquanto só tenta curtir e viver essa aproximação e deixa o medo de lado. Eu sei que você teme o erro, mas tenta primeiro colocar um pouco de confinça em alguém pra depois ser retribuída. Planta pra colher, Kagome Higurashi. Eu acho que você tem muito a ganhar com isso...- Ela deu um sorriso doce com sua fala. Realmente desejava o melhor para Kagome, já que esta merecia alguém especial depois dos tempos nebulosos por qual passara.

- É, eu também quero que as coisas deêm certo...- A menina de olhos azuis encarou os próprios pés com um sorriso fraco, deixando seu olhar perdido.

- Veja bem, Kagome, também não precisamos nem ficar discutindo muito isso. Você mesma disse que pode estar errada com esse alarde todo, pode ter sido apenas uma sensação estranha pela aproximação. Vocês não se conhecem direito ainda, sabe-se lá o que pode vir daqui pra frente. Se vão ser amigos ou sei lá o que, não importa, o negócio é não se preocupar, ter cautela e não ter medo de ser feliz e errar. Apenas viva, menina.- As duas deram um sorriso doce com tais palavras, pois o apoio delas sempre significou muito. Com certeza era uma amizade vital para ambas. Kagome não hesitou em responder:

- Obrigada, Sango. Não sei o que eu poderia ser sem você. Obrigada mesmo.- A jovem já se sentia mais animada e confiante. Sabia que tinha feito certo em ligar para Sango.

- Sabe que eu adoro saber dessas coisas, Kagome, não liga. Aliás, eu quero saber sempre. Quero acompanhar o desenrolar dessa história tin-tin por tin-tin. E ai de você que me escape alguma coisa!- As duas amigas riram com gosto depois de tais palavras.

- Não tem nem como eu não te falar, Sango, você é quase minha segunda consciência. E que diabo de consciência perturbada!- Kagome continuou a rir mais ainda.

- É, mas a consicência perturbada aqui também dorme, então acho que nosso papo "mentes-da-Kagome" já pode ir chegando no fim, não é?- Sango começara a sentir o sono com seus bocejos.

- Você tá certa, também estou cheia de sono. Acho que a gente se vê na segunda então, né?- A púbere de olhos azuis já foi se ajeitando para colocar o telefone no lugar certo na despedida.

- É, se Deus quiser. Mal posso esperar pra te ver pra saber como as coisas vão rolar. Vou adorar ver a Kagome-Tomate!! Hauhauauahuahuah.- Ela realmente adorava se divertir com o embaraço de Kagome.

- Tá, vai, perversa. Exculaxa mesmo. Até lá, consicência ingrata.- As duas se preparavam pra se despedir.

- Até lá, minha Kagomezinha linda. Beijos pra você e boa noite.- Sango terminou mandando beijos pelo telefone.

- Beijos e boa noite, Sangozinha implicante do meu coração.- Ela então desligou o telefone, encarando-o no gancho antes de continuar seu caminho de volta à cama.

Realmente fora eficiente ligar para a melhor amiga, sempre funcionava; já estava sentindo-se melhor. Kagome olhou por sua janela o jardim lá embaixo, apreciando a paisagem das plantas e o bonito céu estrelado. Encarou a Goshinboku(N/A: Sim, coloquei a árvore sagrada. Porém, aqui, ela será meramente simbólica.) desejando que ela ajudasse a esclarescer suas dúvidas, pois havia todo um misticismo em volta da árvore, e ela sempre passou uma sensação de paz à garota. Deixou seus pensamentos devanearem enquanto encarava tal monumento, sentindo a cabeça mais leve.

Não conseguiu conter a dúvida sobre o que Inuyasha estaria fazendo e no que ele estaria pensando, se é que estava acordado.- Será que ele ficou tão transtornado quanto eu? Será que, pra ele, significou alguma coisa fora do normal como foi pra mim? Eu realmente gostaria de saber...eu gostaria de estar perto dele agora.- Ela acabou por arregalar os olhos com tais pensamentos, mas ele eram irrefreáveis. Se fosse sincera consigo mesma, teria de assumir tais vontades e pensamentos, pois realmente estava com o hanyou na cabeça. Mas nada era tão simples assim. Aquilo com certeza ainda renderia muito, talvez alguma dose de longas horas de insônia, mente perturbada e reviravoltas na cama.

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A perspectiva de mais um dia inteiro de aula em plena segunda-feira não era nem um pouco animadora para Inuyasha. Como se já não bastasse ter passado uma noite de sábado e um domingo inteiro com a cabeça cheia devido a certos acontecimentos, ainda tinha que ter disposição para a manhã maçante no Colégio Higawa. Ah, aquilo era sua grande tortura. Ele não se surpreenderia se estivesse à beira de uma crise de nervos, pois o estresse dos últimos acontecimentos da sua vida privada e, ainda por cima, a iminência da chegada de seu primo à cidade andavam enchendo sua cabeça. Este último ainda lhe rendia horas de discussão no telefone com o pai e o tio e saídas repentinas de casa para ver alguns detalhes da mudança, inclusive no próprio colégio.

A confusão era tanta que ele nem ouvia os costumeiros apontamentos e falatórios causados por sua chegada à escola; estava concentrado demais nos seus botões para reparar no exterior do mundo. O meio-youkai entrou na sala, já se dirigindo para o canto perto da janela, mas sem falar nada. Contudo, a dificuldade começou quando deu de cara com Kagome Higurashi, vermelha como só ela, que pronunciou um engasgado "bom dia". O hanyou, em sua confusão mental, não achou fácil organizar seus pensamentos o bastante para responder e, por isso, acabou não falando nada.

- Como sempre, muito educado.- A voz sarcástica de Sango despertou Inuyasha.

Ele a encarou com a expressão evidentemente mal-humorada, mas internamente admitiu que estava mesmo patético naquela situação. A realidade era que andava surpreendendo-se muito consigo mesmo, pois nunca havia agido de forma tão imatura quando se aproximou de alguma garota, seja ela a mais bela do colégio ou não. Tudo bem que sua cabeça não ficava cheia só com aquilo, mas ainda assim era patético para ele tal situação. Preferiu então se recompor e responder em um tom neutro:

- Bom dia para as duas. Satisfeitas?- Elas o encararam com as sobrancelhas erguidas antes de responder. Kagome, que antes estava constrangida, abandonou o embaraço e o substituiu por curiosidade por saber o motivo do comportamento dele(apesar de suspeitar de que aquilo não passava de seu normal mau-humor matinal).

- Vejo que acordou bem, Inuyasha. O que aconteceu? Caiu da cama ou é o de sempre, sua rabugisse cotidiana?- A jovem de olhos azuis percebera que nada adiantava mesmo o constrangimento, que deveria simplesmente agir como em todos os outros dias, e por isso era melhor relaxar. Passara tempo demais pensando naquilo, seria pior se tivesse crises na frente dele. Porém, admitia que queria saber o que se passava em sua mente quanto aos últimos acontecimentos e que também estava consideravelmente nervosa em seu interior.

- Um monte de coisas me aconteceram, Kagome. Não tente me pertubar a essa hora da manhã a não ser que queira uma morte lenta e dolorosa.- Ele já ia sentindo a dor de cabeça no começo do dia, por isso falava com uma das mãos na testa. Sentou-se na cadeira e largou a mochila de qualquer jeito sobre a mesa para, por fim, encarar a jovem a sua frente( seu mau-humor era tão grande que chegava a bufar às vezes e mantinha uma expressão emburrada). Ele, de certa forma, culpava Kagome por parte desse mau-humor, visto que ela era um dos grandes alvos de seus pensamentos. Sango meramente observava o casal sem nada dizer ainda.

- Como você é violento, homem. Se eu fosse você, ficava mais calminho, ou então vai acabar morrendo cedo de coisas chatas como ataque cardíaco. Não que eu queira isso, maaas...- Agora sim uma situação bem cômica para os dois. Se tinha uma coisa que eles gostavam de fazer, era alfinetar um ao outro. Kagome nunca perderia uma oportunidade, ainda mais quando ele estava dirigindo parte de sua rabugisse para ela, que nem entendeu o motivo. Além disso, a jovem já sabia como lidar com o hanyou. Sem falar que, em certos aspectos, ele era como qualquer outro homem, ou seja...por que não usar de puro feminismo para contornar esses contratempos? E, caros leitores, para um meio-youkai mal-humorado como Inuyasha Taishou, o que é melhor do que uma pequena dose do feminismo de Kagome Higurashi?

Dessa forma, no momento em que o hanyou encarou a jovem com sua expressão emburrada, ele deu de cara com o doce e intencional olhar de Kagome sobre sua figura. Ela falara com a voz mais macia ecínica do mundo e, enquanto isso, aproximara-se um pouco dele, apoiando-se em sua mesa. O grande truque era a forma de se aproximar, pois, nesse momento, ela jogou o corpo um pouco para frente, o que dava uma discreta e rápida visão do seu decote. Se Kagome queria deixar Inuyasha desconcertado, ela conseguiu. Esta obviamente percebeu, e por isso riu malignamente.

- Feh.- A forma mais fácil de ver Inuyasha não encontrando palavras ou não tendo nada melhor pra falar( às vezes por estar sem graça), era quando ele dizia "feh". O garoto não enrubesceu, mas sentiu parte de sua irritação esvair enquanto sua atenção era deslocada para pensamentos mais "impuros" sobre a jovem colegial formosa. Eles não mais estavam concentrados em lembranças sobre a noite de sábado, era mais proveitoso viver os outros dias com normalidade.

- Você é muito engraçado, Inuyasha. Queria te ver em uma seção terapêutica pro seu mau-humor, eu rolaria de rir com certeza.- Sango já se deliciava com a perspectiva de azucrinar Kagome sobre o que ela tinha acabado de fazer. A amiga sabia jogar sujo quando queria, e como sabia...

- Não vi a graça ainda. Eu não tenho nada de engraçado, vocês que são perturbadas. As duas.- O jeito claramente desconcertado e mais emburrado fazia as duas garotas sentirem mais vontade de rir ainda.

Elas continuaram a rir dele, que iria continuar a falar, mas foi impedido pela chegada do professor. As outras pessoas na sala eram alheias ao que acontecia no grupo, principalmente aos mais importantes acontecimentos da dupla intensamente comentada. Porém, isso não os impedia de observá-los e fofocar sobre sua estranha aproximação. Com certeza tinha gente muito insatisfeita com aquilo e doida pra saber mais um pouquinho do que via agora...

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A hora do intervalo de segunda-feira precedia a aula de geografia, especial naquele dia porque era a data de entrega da primeira parte do trabalho. Porém, nem Inuyasha e nem Kagome estavam se preocupando muito com isso, pois haviam concluído suas partes tranquilamente e nem precisaram ficar revendo e rediscutindo alguns pontos do texto, como percebia-se que algumas pessoas estavam fazendo no momento. A super dupla do Colégio Higawa encontrava-se sentada sem falar nada, Kagome com o rosto apoiado nos braços e uma expressão sonolenta, e Inuyasha posicionado de forma desleixada na cadeira enquanto encarava a janela.

- Inu, tô entediada.- Seu rosto expressava claramente o que ela tinha acabado de falar. Sango, no momento, encontrava-se longe deles porque também fora resolver um imprevisto de seu trabalho, o que deixava a amiga sozinha com o meio-youkai. Como ele nada dizia, a situação acabou ficando bem monótona, apesar do potencial contexto anterior do casal.

- E o que você quer que eu faça? Aliás, desde quando você me chama de Inu? Eu me chamo Inuyasha, entendeu ou quer que eu desenhe?- Ele a encarou com a expressão fechada, mas de leve incredulidade. Sentiu um despencar no estômago quando ouvira a doce voz dela pronunciando tão fracamente o "apelido", por isso acabou tentando se fechar mais ainda para não deixar evidente.

- Cruzes, você tá muito chato hoje. Já disse que se continuar assim vai morrer cedo, não disse? E qual o problema de te chamar de "Inu"? Vou chamar assim desde agora, pronto.- Ela mostrou a língua para o hanyou, mas achou engraçado o jeito dele. Já este, encarou-a meio incrédulo com aquilo, já que ela sabia ser bem estranha às vezes.

- Kagomezinha, vira pro lado que eu sei que você tá com soninho. Não tem problema que o titio deixa você mimir em paz, tudo bem?- Ele adorava implicar com a púbere, sabia como ela ficava emburrada com aquilo. Apesar disso, aquela brincadeira acabou mesmo livrando-o de parte de seu mau-humor.

- Vai você...Inu Baka.- Ele riu gostosamente com a reação da garota, que cruzou os braços e o encarou realmente "emburradinha"- como ele previra -. Mas ah, como ele sabia que ela não era criança...

Entretanto, algo se passava longe deles sem que percebessem, mais especificamente os comentários de certas pessoas. Sim, o garoto mais odiado por ambos naquele colégio os observava de longe e comentava com um de seus amigos-capangas sobre isso. Porém, o diferente dessa vez era que ele o fazia de forma discreta.

- Por que eles estão tão felizes? Também não têm um trabalho de geografia pra fazer não?- O tal garoto-capanga não entendeu o porquê da dupla não estar organizando os detalhes na última hora como quase todo o resto da sala estava fazendo.

- Eles com certeza já terminaram, deve ser isso.- Bankotsu encarava-os seriamente, pensando no que fazer. Não estava gostando nadinha daquilo...

- Mesmo assim..por que vão ficar rindo desse jeito um com o outro? Achava que eles só iriam fazer um trabalho em dupla, e não virar amiguinhos.- O garoto tinha uma aparência ogra que traduzia seu jeito bruto e burro. O outro estava se irritando com esses modos, pois já não estava afim de admitir que realmente os outros dois estavam próximos demais, muito menos ficar aturando um idiota ao seu lado que provavelmente não sabia nem ler.

- Sei lá, você acha que eu sei? Eu não tô nem aí. A minha certeza é que, hora ou outra, a Kagome não me escapa.- Ele contorceu os lábios duramente para conter a raiva que estava sentindo. Ele sabia que teria Kagome alguma hora, mas também admitia para si mesmo(a muito contragosto) que isso seria incrivelmente mais difícil se ela tivesse por perto um meio-youkai forte, alto e protetor como Inuyasha.

- Vai ver ele tá pagando ela, sei lá.- A voz do ogro já muito estava irritando o outro humano, que deu de ombros e apenas disse antes de se afastar para sua mesa(a professora vinha entrando na sala):

- Acho que não, essa aí cobra muito caro pelo playground...

A agitação na sala foi perceptível pelo movimento de arrasta-arrasta das mesas e cadeiras, pois todos os alunos estavam em pé ou em lugares diferentes dos seus quando a professora atraverssou a porta. Quando a turma já se encontrava quieta e sentada devidamente, ela começou:

- Bom dia, turma. Hoje é uma data importante, estão lembrados?- Era óbvio que todos lembravam do dia, visto que há menos de 2 minutos estavam concluindo a tarefa. Ela continou: - Hoje quero a primeira parte do trabalho que passei há algumas semanas e depois falarei melhor sobre a segunda parte. Então, podem vir aqui em frente e deixem as pastas e folhas na minha mesa enquanto faço a chamada.

- Me dá aqui, Inu. Pode deixar que eu levo.- Kagome levantou-se e já foi pegando a pasta para levá-la na mesa da professora. O meio-youkai apenas acenou com a cabeça e murmurou para ela:

- Inuyasha. I-nu-ya-sha, entendeu?- O jeito repreendedor e briguento dele fez a estudante quase ter uma crise respiratória com um acesso de risos.

Pegou a pasta e saiu andando depois de se recuperar da crise, mas isso só aconteceu em tempos que a professora já estava terminando a chamada e quase todos já haviam entregue seus trabalhos. A jovem atravessou a sala em meio aos costumeiros, e hoje mais intensos, comentários. Ouviu coisas como "Será que o trabalho deles deu certo?", "Eles até estão conversando bastante" e "Deve estar um lixo, até parece que o hanyou ia fazer alguma coisa". Assim, ela preferiu cerrar os punhos e voltar à sua mesa sem nada dizer para evitar confusão, pensando sempre coisas semelhantes a "Gente idiota".

Já Inuyasha, este obviamente também estava ouvindo tais coisas devido a sua audição apurada, mas não era apenas isso que o irritava: como se não bastassem os comentários estúpidos de muitos daquele recinto, ainda tinha que aturar os olhares gulosos para cima de Kagome enquanto esta atravessava a sala. Não dá pra dizer que se surpreendera com tais pensamentos dele sobre ela, pois a verdade era que andava pensando tanto na garota e tinham acontecido tantas coisas, que já havia admitido seu familiar(para ele) sentimento de posse e proteção para com as pessoas próximas e, sinceramente, não estava com vontade de reprimir isso. Sabia que tal fato com certeza tinha relação com o que vinha sentindo pela garota e pelo que eles andavam fazendo ultimamente, mas como nunca fora de fazer draminhas ou mistérios quando conhecia alguém... por que o faria agora? O que quer que fosse acontecer, aconteceria e dane-se o resto. Afinal, o que tinha a perder? Só a ganhar, na realidade.

Porém, pouco antes de chegar à carteira, Kagome ouviu a voz da professora chamando-na e a Inuyasha. Ela deu meia-volta para encarar a mulher e seu companheiro apenas levantou a cabeça.

- Kagome e Inuyasha, vocês esqueceram de assinar ao lado de seus nomes. Por favor, venham aqui e façam isso.

Os dois então se dirigiram à mesa na frente da sala sem nada falar. Eles ouviram mais comentários, mas preferiram ignorar. Contudo, Inuyasha teve de colocar sua paciência à prova outra vez naquele momento: Os olhares para cima da colegial nada haviam mudado, mas a situação piorou quando ela pegou o papel para assinar.

Quando se curvou sobre a mesa para escrever, o hanyou pôde sentir gente prendendo a respiração, pois a posição curvada em que a garota se encontrava(que um olhar promíscuo poderia classificar como "comprometedora") fazia a saia dela levantar ligeiramente, o que poderia garantir visões para quem se abaixasse um pouquinho( tinha gente que estava mesmo se abaixando ou virando e caindo para o lado). Sem falar que, quem não queria ver melhor as belas pernas e o resto do "aparato" de Kagome Higurashi? Há, como se Inuyasha fosse deixar aquilo assim mesmo. Imediatamente ele se postou atrás de Kagome, bem perto, entre os alunos mais próximos e a garota, escondendo o que eles tanto queriam ver. Ele sorriu malignamente de costas para a turma.- Povo abusado, esse.- Já a garota, esta terminou de assinar o nome e ergueu-se novamente para dar espaço ao meio-youkai chegar à mesa.

O hanyou inclinou-se ligeiramente também para assinar o tal papel com o sorriso mais satisfeito do mundo. Se quisessem abusar do que Kagome poderia oferecer, antes teriam de passar por cima dele. A jovem, que nada havia notado, esperou ele assinar rapidamente e então os dois voltaram para seus lugares. Inuyasha ia andando próximo à garota com um olhar que desafiava quem decidisse enfrentá-lo, pois ele sentia cair sobre si a irritação daqueles que tentaram espiar Kagome.

- Bom, vejamos então o próximo passo para nossa jornada.- A professora sorriu enérgica e retomou sua aula com as instruções da etapa seguinte do trabalho sobre a cidade.

Os dois tempos prosseguiram com os detalhes sobre o procedimento da formatação do desenvolvimento de Tokushima por meio de fotos, para depois a professora continuar com a matéria. Contudo, ainda era possível ouvir alguns comentários da turma a respeito do trabalho da dupla polêmica do momento. Muitos se perguntavam se a parceria teria dado certo, se teria dado problemas, como as coisas poderiam ter evoluído até estarem no ponto em que estavam, tendo em vista que Kagome e Inuyasha falavam-se ultimamente muito mais do que antes de serem colocados como dupla de trabalho. A questão era: "O que aconteceu?". Porém, essa pergunta nem mesmo a tal dupla saberia responder com exatidão...

A aula seguinte, no entanto, retirava qualquer questionamento ou discussão da mente de todos ali, visto que era a maldita(para Inuyasha, Kagome e mais alguns) aula de Onigumo. O professor cumprimentou a colega que ia saindo do recinto naquele momento, e seguiu porta a dentro para a sala de aula. O meio-youkai e a bela jovem enrijeceram em seus lugares quando o viram, pois não era nada animador saber que teriam de enfrentar uma carga horária massiva com o professor que mais odiavam antes de se verem livres dele. Onigumo, ao se acomodar devidamente em sua mesa, logo foi percebendo a movimentação na turma ir dimuindo com a sua presença.

- E então...o que meus alunos me contam nessa segunda-feira nada convidativa para uma aula?- O tom cínico e traiçoeiro de sua voz despertava raiva no meio-youkai, que nunca gostara dele. O professor dirigira-se a Bankotsu quando perguntou, pois falara baixo e reservadamente enquanto encarava o garoto, e não para a turma inteira, a qual ainda estava em ligeira agitação. - Algumas coisas chatas apenas. Só tivemos que entregar agora uma parte de um trabalho idiota de geografia. A gente aqui tava se perguntando como a dupla perfeita ali teria se saído, não é?- Ele indicou com a cabeça os lugares em que Kagome e Inuyasha se encontravam e depois riu para os amigos. Deixou um risinho maldoso escapar ao imaginar o que estaria por vir agora que Onigumo estava a par dos acontecimentos.

- Então quer dizer que hoje vocês tiveram que entregar trabalhos?- Dessa vez o professor dirigira-se à turma, e não exclusivamente a Bankotsu. Assim, ao ouvir a voz ressonante do homem, a turma calou-se quase imediatamente. Era como se ele tivesse o dom de manter a classe quieta sem muito esforço(talvez fosse sua matéria, talvez fosse ele mesmo). Todos os indivíduos ali acenaram em confirmação para a pergunta que ele tinha feito.

- Quero ver quem vai se sair bem nessa droga, isso sim.- Bankotsu falou o que muita gente estava pensando, apesar de não ter feito isso de uma forma muito simpática, pois seu jeito era sempre arrogante e exibido.

- E com certeza esse trabalho vale uma grande pontuação, não é?- Era como se estivesse injetando malícia em cada palavra que Onigumo dizia, fazendo Kagome contrair fortemente os lábios em sinal de irritação ao imaginar o que viria a seguir.

- Ah sim, uma coisa retardada dessas tem que valer muito ponto mesmo.- O moreno riu maldosamente ao pensar naqueles que tinham feito trabalhos medíocres ou que nem sequer o entregaram. Nessa hora, Onigumo voltou-se para o nosso casal com o objetivo de, enfim, chegar aonde ele queria: importuná-los.

- Se bem me recordo, vocês dois eram dupla nesse trabalho, não eram?- Ele perguntou já obviamente sabendo a resposta, querendo apenas ouvir as palavras por eles mesmos. Ao obter a confirmação com breves acenos das cabeças de ambos, ele continuou:

- E aí? Fizeram alguma coisa? Ou você, pobre Kagome, cansou de trabalhar sozinha e resolveu deixar Inuyasha se ferrar também e não entregou trabalho nenhum, já que ele não queria fazer nada?- Ele deu um risinho para saborear melhor a sensação de humilhar o hanyou em sala. - Não se preocupe, a vida é assim mesmo. Sempre temos de conviver com pessoas que nos fazem carregar pesos sozinhos ou se aproveitam de nós. No seu caso, creio que isso possa acontecer em diferentes sentidos. É uma pena, não é, senhorita Higurashi?

Inuyasha apertava as mãos em punho tão forte que chegava a machucar, pois essa foi a forma que encontrou para aliviar sua raiva imensa. A situação piorou mais ainda quando o meio-youkai presenciou os olhares rápidos que o professor cretino lançava a Kagome, os quais não eram nem um pouco dignos de uma relação professor-aluno, irritando mais ainda o hanyou. Já a menina, esta teve que se controlar para não esbofetear a cara do professor, pois as coisas que ele lhe dizia há muito tempo já a ofendiam. Porém, no momento, as circunstâncias estava um tanto piores, como se fosse quase a gota d'água. Um ligeiro tempo depois então, ela respirou fundo antes de responder:

- Não é preciso ter pena, professor. Meu trabalho com Inuyasha correu muito bem, creio que obteremos uma excelente nota. Ao contrário do que disse, Inuyasha é muito eficiente e dedicado, e isso é até uma questão de caráter, sabe? Não deixar trabalho nas costas dos outros. E caráter,professor, é uma coisa que uns tem, outros não. Talvez o senhor não conheça pessoas de bom caráter como eu conheço, não é? – Kagome pronunciava sua fala sublinhando as palavras "professor" e "senhor" com um tom mais polido que conseguiu usar no momento.

O silêncio era mortal na sala durante a fala da garota, pois aquele era o assunto que todos queriam saber um pouco a respeito. Os olhares corriam de Kagome e Inuyasha para Onigumo, a atenção tão presa neles que pareciam estar assistindo a uma final de um jogo muito importante. O professor em questão, ao ouvir a resposta da jovem, deu um pequeno sorriso maldoso, pois captara cada intenção naquela fala.

- Acha que tiraram notas boas? Olha, Kagome, é bom mesmo. Você é uma aluna bolsista nesta escola e por isso precisa obter notas boas. Dessa forma, acho que sua situação melhora se obtiver resultados acima da média em alguma outra matéria, pois assim compensa outras. Em física, no caso, eu diria que a senhorita anda se distraindo demais com coisas aleatórias ao conteúdo, entende?- Seu sorriso aumentou – Sua produtividade comigo ainda continua muito baixa, então é melhor acabar com as distrações e se concentrar mais aqui.

Depois dessa fala, Onigumo olhou significantemente para Inuyasha e depois virou as costas, começando a escrever no quadro para começar a aula. Nesse tempo, Bankotsu olhou para Kagome e riu de sua situação, mas acabou se irritando ao ver que ela não estava correspondendo sua atenção.

- Ele é um idiota.- Se os olhares mortíferos de Kagome e Inuyasha tivessem efeito, Onigumo certamente estaria morto.

- Eu sei, mas às vezes é melhor não ligar. Eu sei que é esquisito eu falar isso, mas o controle nessas horas é a melhor solução.- O meio-youkai estava em sua fúria contida, mas o tempo de constante provação com esse tipo de situação o dera experiência suficiente pra saber que deveria se manter quieto.

Os dois então passaram o resto da aula calados, cada um com seus pensamentos. A jovem tentando realmente prestar atenção, pois precisava mesmo de notas boas em física(como Onigumo dissera). Já Inuyasha, este ficou pensando mais no que o professor dissera a respeito das notas da púbere.

Quer dizer então que ela tem bolsa? Bom, ela é inteligente e estuda bastante, por isso se mantém na escola, mas eu nunca pensei que essa dedicação toda fosse também por obrigação. No caso, Onigumo até está certo...ela não pode ter distrações, nem ser prejudicada por outras coisas...- Ele bufou levemente antes de completar o pensamento – é melhor nos sairmos bem mesmo nesse trabalho...

Quando o sinal tocou indicando o fim daquela aula, Inuyasha ainda revelava o semblante fechado devido aos seus pensamentos sobre a situação de Kagome. Como o professor da próxima aula ainda não havia entrado, a turma iniciou uma nova agitação, e assim ele virou-se para Sango, aproveitando que Kagome estava distraída com seu material e por isso não o ouviria, murmurando:

- Ei, Sango! - A garota virou o rosto para ele antes dele continuar - Se a Kagome tiver notas baixas, ela perde a bolsa e tem que sair do colégio?- Ele colocou um tom casual em sua fala, mas a jovem captou a preocupação nele.

- Bom, a Kagome não tem dinheiro pra pagar a mensalidade daqui, então acho que teria de sair sim.- Ela o olhou um tanto demoradamente antes de perguntar em seguida: - Por que pergunta isso?

- Eu? Ah...hm..bom, é que eu não sabia. Só perguntei mesmo.- Ele acenou repetidamente e se embolou um pouco com as palavras, o que indicava que nem ele mesmo sabia o que responder. A morena riu um pouco e tornou a falar:

- Não se preocupe, ela consegue manter a bolsa. Não é fácil atrapalhar sua concentração para com os estudos e Kagome também é bem inteligente.-

- Não, não estou preocupado..só perguntei.- Inuyasha falou em um tom quase de desculpas, fechando a cara, mas Sango apenas riu de novo e continuou:

- Tudo bem, Inuyasha. Mas eu sei que, apesar de mostrar indiferença, o que acontece com as pessoas de quem gostamos sempre acaba nos afetando.

Ela piscou depois de falar e, em seguida, virou-se para frente, deixando um hanyou encabulado e com sua expressão tipicamente mal-humorada afetada pela confusão. Apesar disso, seus pensamentos suavizaram, pois as palavras de Sango o tranquilizaram em parte. Ele nem pôde argumentar alguma coisa com a garota, pois a professora de japonês vinha entrando na sala, para surpresa de todos.

- Eu sei que esse não é meu tempo, mas hoje o professor de história faltou e por isso eu vou substituí-lo, já que estamos mesmo precisando de mais aulas.-

Kagura Oyama era o nome dela; uma mulher bonita para sua idade, com cabelos castanhos lisos e curtos, uma pele um tanto morena, olhos castanho-claros e uma personalidade um tanto irritável demais. Não parecia gostar de verdade de sua profissão, apesar de ensinar bem, e tinha o claro defeito de possuir implicância com alguns alunos. Não era cretina como Onigumo, mas certamente não chegava a ser uma pessoa simpática. Porém, hoje ela tinha um sorriso satisfeito no rosto quando entrara em sala, mas ninguém sabia dizer por quê.

- Eu vou pôr algumas coisas no quadro e vocês copiem se quiserem tirar boas notas na prova, mas se quiserem levar zero em tudo podem continuar calados e sem fazer nada além disso, tudo bem?-

Ela virou de costas e começou a escrever, enquanto a turma toda acompanhava o movimento quase silenciosamente(Bankotsu cochichava e ria algo com o garoto ao seu lado). A sala permaneceu silenciosa durante uns cinco minutos, pois depois de um tempo Kagome levantou o rosto do caderno e disse:

- Sra. Oyama, posso beber água?

- Por que me pede isso se sabe que deve trazer uma garrafa d'água para sala, Higurashi?

- Bom..eu não sabia que deveria trazer uma garrafa d'água, professora.- A garota olhou para a mulher de frente para o quadro com as sobrancelhas erguidas. Infelizmente, uma das alunas que Kagura não gostava era Kagome, mas essa era outra coisa que ninguém sabia explicar, pois a jovem se saía muito bem em sua matéria.

- Mas como agora sabe, vai esperar a aula terminar para sair e da próxima vez trará a garrafa.

Ela terminou de falar e continuou o que estava fazendo antes, deixando uma Kagome um tanto irritada pela injustiça. Felizmente, aquela era a última aula do dia e por isso todos logo estariam livres da escola até o dia seguinte. A jovem de olhos azuis mal esperava para ouvir o sinal tocar e assim poder procurar um bebedouro, já que até agora não tinha bebido nem sequer uma gota de água. Assim, foi com um ar de comemoração que Kagome levantou e começou a guardar todas as suas coisas quando o tempo da aula acabou.

- Não precisa correr porque o bebedouro não vai fugir do lugar, garota.- Inuyasha levantou e já tinha terminado de guardar quase tudo em sua mochila, mas abriu um espaço no que estava fazendo para falar(importunar um pouco) com a estudante que se encontrava na sua frente. Ela estava tão cansada que nem respondeu à implicância.

- Eu queria mesmo saber o que essa mulher tem contra você, Kagome, é tão estranho...o normal seria ela te adorar, porque você só tira notão com ela e nem é uma aluna mal-comportada para ela reclamar. – Sango estava ao lado da amiga apenas esperando ela terminar para irem embora.

- Eu também não sei e gostaria de saber, mas no momento minha prioridade é a fuga da morte por desidratação.

- Você é meio azarada com as pessoas, Kagome.- Inuyasha riu da cara dela enquanto a acompanhava na saída da sala.

- Vai ver é inveja.- A morena de olhos castanhos disse com uma mão no queixo. O hanyou a encarou como se avaliasse o que ela disse.

- Que maluquice, Sango, ela só é antipática mesmo.- Kagome gesticulou com a mão como se espantasse a idéia. Ela andava rápido, e quase correu quando avistou o bebedouro.

- Kagura até que é uma coroa enxuta, não sei se é inveja não. Mas ela definitivamente não gosta muito de você.- Ele se encostou na parede enquanto esperava a menina terminar de beber sua santa água. Porém, quando ele falou, ela se engasgou e levantou rapidamente, enquanto Sango caía no riso.

- "Uma coroa enxuta"? Você fica olhando a Kagura na aula, Inuyasha? – Ela o encarou de forma um tanto acusadora. Achou até que tinha sido um tanto agressiva na sentença, mas foi porque sentiu uma certa pontada quando o ouvira e não se preocupou em saber por que isso aconteceu.

- Caramba, Inuyasha, você consegue coisa melhor hein.- Sango disse entre risos, sendo acompanhada por Kagome.

- Eu não disse nada demais, mas se vocês quiserem mesmo discursar sobre a minha beleza,elegância e capacidade com as mulheres, vão em frente. – O meio-youkai virou as costas e começou a andar, sendo acompanhado pelas duas jovens, cada uma em um lado seu.

- A gente só achava que você se interessava mais por mulheres com menos de 30 anos, desculpa. E não se preocupe, eu não tenho preconceito.- A morena de olhos castanhos colocou a mão em seu ombro para representar sua fala "consoladora". Ela e Kagome se acabavam de rir.

- Eu dispenso sua preocupação, ainda prefiro garotas da minha idade.

- Tem certeza? Eu tava pensando mesmo que você adora aqueles pés-de-galinha, mas não suportaria por muito tempo a rabugisse da idade.- Kagome falou batendo levemente no ombro dele, mas depois segurou seu braço porque estava se dobrando de rir, assim como Sango.

- Vocês riem por coisas tão idiotas...feh.- Ele fez sua cara mal-humorada e saiu andando com uma Kagome ainda pendurada em seu braço. Notou que algumas pessoas em volta registraram tal fato, mas não ligou e continuou andando normalmente, apesar de ter adqüirido um certo ar de satisfação.

-Fiquei emocionada com a sua declaração, mas agora é hora de ir. Vocês dois vão também ou ficam?- Sango virou-se de frente para eles.

- Eu tenho que ficar... resolver uma coisinha no colégio.- Ele falou isso apontando para o corredor às suas costas, e sua expressão mal-humorada se intensificou, pois o motivo para a permanência lá era -de novo- a mudança de seu primo.

- Eu vou com você, Sango, mas antes temos de resolver uma coisa.- E a jovem de olhos azuis disse isso enquanto voltava sua face para o meio-youkai.

- Temos que concluir a segunda parte do trabalho de geografia, e como a gente não tem muito tempo mesmo, tem que ser no fim de semana. Você ouviu a professora dizer que essa parte é mais simples, por isso ela deu um prazo bem menor.

- É, é...você até que tá certa. Vamos logo nesse sábado de manhã, que nem da outra vez.- Ele confirmou o compromisso e já foi virando para o corredor de novo para continuar seu caminho.

- Por mim tudo bem. Nos vemos amanhã então, Inu.- Ela riu divertida e acenou para ele enquanto descia a escada para o jardim de entrada com uma Sango ao seu lado, a qual observava o casal curiosa e atentamente.

- Pare de me chamar assim, menina.- Mas ele nem deu muita atenção, pois virou as costas e saiu andando, deixando uma Kagome divida entre o riso e a vontade de rebater o "menina".

As duas garotas então foram para a entrada conversando, incluindo uma Sango importunando Kagome com algo como "Quer dizer que até apelidos carinhosos vocês têm agora?" e uma Kagome rindo com uma expressão corada e relutante.

Porém, alheios à situação, as meninas e o hanyou não repararam no que estava acontecendo um tanto próximo dali, mesmo que seus nomes estivessem envolvidos. Um jovem moreno de cabelos negros os observava atentamente encostado na parede, até ser interrompido por outra estudante.

- Por que você está encarando eles tão atentamente, meu querido - Ela se aproximou lentamente e se encostou no garoto como uma gata ronronando.

- Não enche, Tsubaki.- O garoto no momento não estava com paciência para aturar as pertubações da tal mulher e nem precisou olhar para saber que era ela.

- Ora, não seja tão grosso. Só vim aqui porque queria ver como estava o meu jogador preferido da escola, e não para encher o saco dele. Mas aproveitando a situação, me fale sobre o que está acontecendo. Por que Kagome e Inuyasha estão tão ligados? Eu ouvi o nome dos dois umas cinco vezes hoje.- Sua curiosidade e interesse eram tão evidentes que seus olhos chegavam a brilhar.

- Tsk, você é muito bisbilhioteira mesmo.- Ele virou as costas para o que tanto olhava, o casal que muito andava prendendo sua atenção.

- Como se você não estivesse nem um pouco interessado também.- A morena o acompanhou e os dois saíram andando pelo corredor na direção oposta aos outros alunos.

- É, mas no geral todos estão interessados nisso.- Os dois continuaram a andar calmamente.

- Pois então, eu queria saber o porquê disso e eu sei que você é a melhor pessoa pra me explicar.- Ela deu um leve sorriso sem encará-lo, falando enquanto olhava as pessoas que passavam por eles. Bankotsu ainda ficou avaliando se deveria falar ou não, permanecendo em silêncio durante um tempo. Depois de alguns minutos ele acabou cedendo.

- Começou há poucas semanas. Sabe o trabalho de geografia? O das fotos, relatório da cidade e tudo mais?- Ela acenou com a cabeça e ele continuou – Pois então. Kagome e Inuyasha foram sorteados como dupla.

- Então era verdade...- Ela sussurou mais para si mesma do que para o garoto. Ele tinha parado de falar quando ela se manifestou, e agora a encarava de forma curiosa.

- Como assim?- Ele deu um leve sorriso tremido como se não acreditasse no que ela falava. - Você não sabia?

- Mais ou menos. Eu tinha ouvido falar que Kagome estava fazendo um trabalho com Inuyasha, mas na mesma hora pensei que era um absurdo completo, um boato; nem aquela vadia chegaria a esse ponto. Não cheguei a procurar a fundo a verdade sobre isso, acabei deixando de lado. Agora vejo que foi um grande erro...- Ela suspirou rápido e olhou para o outro lado de novo.

- É, se eu não estivesse na hora do sorteio, eu também não acreditaria. Foi realmente muito estranho. Mas se tem uma coisa que posso dizer, é que a Kagome não iria fazer isso por vontade própria se tivesse escolha. Pode ver por todos os trabalhos que a gente sempre fazia, ela nunca tinha escolhido ele pra nada. Absolutamente nada.- Aquela conversa agora tinha um certo tom de desabafo, pois Bankotsu gesticulava e demonstrava sua irritação nas falas.

- Não sei não...você sabe que a Higurashi adora ter todo mundo falando dela. Aquela pose de menina correta, tsk..eu sei que ela não me engana. É uma puta vadia autêntica.- A expressão de Tsubaki era a de alguém forçado a comer algo muito amargo, tanto que ela chegava a torcer as mãos enquanto falava.

- Eu sei que ela não é o que parece. Mas a questão é que agora ela simplesmente anda pra cima e pra baixo com aquele hanyou fedorento!- O garoto parecia prestes a socar as paredes em volta. Os dois viraram em um corredor mais vazio, mas não se importaram com isso e continuaram a falar, procurando não deixar as pessoas ouvirem a conversa, apesar de isso estar se tornando muito difícil devido à irritação.

- Mas ela chega a falar com ele?- Seu tom era tão baixo e mostrava tanta incredulidade que era como se estivesse falando de algo proibido.

- Você por acaso é cega?- Ele deu um riso exasperado.- Não viu eles conversando agora há pouco? Tagarelando pelos corredores, rindo como se tudo fosse muito engraçado!- Ele virou a cabeça algumas vezes e passou a mão pelos cabeços em sinal de irritação e estresse.- Como isso foi acontecer?! Eu simplesmente não entendo, isso tudo veio do nada, do nada!

- Quer dizer então que ela decidiu apelar...eu não acreditava que podia ter mais nojo daquela vadia do que tenho. Mas ela superou minhas expectativas...hmpf..dando para um hanyou...- Ela mantinha um riso forçado que traduzia sua imensa vontade de torcer o pescoço da garota do qual falava.

- Aí também eu não sei. Eles estão conversando, mas não parecem fazer nada mais que isso. Inuyasha não conseguiria tanto, Kagome é demais pra ele...- Ele também riu maldosamente ao pensar no meio-youkai levando foras da garota que ele mais desejava naquela escola.

- Você não entende! A Kagome com certeza iria pra cama com ele se achasse que isso a colocaria por cima de tudo aqui. O seu problema é esse, você também acha que ela é certinha e tudo mais, fica endeusando aquela cobra como todos os outros idiotas desse lugar..

Bankotsu riu com gosto antes de responder, olhando-a com um sorriso maldoso.

- Você fala isso só porque tem inveja dela, sabe que a Kagome é bem mais gostosa que você...é natural as pessoas procurarem mais ela.

- Deixa de ser retardado, Bankotsu, eu não tenho razão pra invejar ralés como aquela garota.- O sorriso dela fraquejou e dali em diante pareceu mais irritada do que nunca.

- Eu adoraria ter ralés como a Kagome deitadas na minha cama todo dia.- Ele estava realmente se divertindo em provocar a outra garota.

- Mas isso não é muito difícil! Basta dar uma graninha pra ela que você consegue. E sejamos francos, até parece que você nunca teve nada com ela.- Tsubaki olhou de forma cínica sem notar que uma ruga aparecera na expressão do garoto.- Todo mundo sabe que aquele showzinho que a Kagome faz é só encenação pra chamar mais atenção ainda. Imagina só..um garoto como você, que muitas aqui são doidas pra ficar, e a Kagome rejeitando quase todo dia..não sei como você ainda não cansou disso. - Ela o olhou acusadoramente, seu rosto contraído em um sorriso rancoroso.

- Eu também sei que a Kagome só faz show comigo, mas eu não vou parar de investir nela porque eu sei que vale a pena.- Ele piscou e riu intensamente ao olhar a expressão mortífera de Tsubaki, ignorando qualquer indireta que ela possa ter dado a ele mesmo, incluindo os elogios feitos.- Vamos apenas ficar de olho naquele hanyou nojento, apesar deu duvidar que algo de mais aconteça. Mas você sabe que todo cuidado é pouco, não é?

- Vou ficar alerta na sua putinha preferida então, tudo bem. Mas é uma pena, você e esse bando de homem idiota conseguem coisa melhor.- Ela lhe deu um sorriso sugestivo.

-Fico lisonjeado com seus elogios, Tsubaki, mas o nosso caso já é muito antigo e eu também já disse que a Kagome é mais gostosa que você, então nem adianta tentar nada, ok? Mas fique atenta, talvez eu te dê um toque um dia desses pra gente relembrar os velhos tempos...

- Babaca idiota.- Ela bufou de raiva vendo um Bankotsu piscar e em seguida se afastar rindo de forma debochada para ela. Contraiu os lábios e fechou as mãos em punho. - Você não vai longe nessa, Kagome Higurashi, acredite em mim.

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A semana havia passado num piscar de olhos e, quando foram ver, já era sábado. O dia amanhecera ensolarado e com uma brisa fresca, mas todos sabiam que, ao meio dia, o clima esquentaria mais. Porém, ainda era cedo e fresco quando uma jovem de olhos azuis muito bonita e um meio youkai desciam do ônibus que levava ao centro da cidade. Quando eles desceram, olharam à volta e rapidamente notaram algumas diferenças no local.

- Isso aqui tá meio movimentado, não é?- Kagome deu um sorriso vacilante ainda olhando a rua, a qual estava com uma enorme quantidade de pessoas transitando de um lado para o outro.

- Movimentado? Aqui tá lotado, isso sim.- Seus olhos corriam de um lado para outro, tentando registrar o máximo de coisas possível.- Acho que tá rolando alguma espécie de festival, olha lá.

Ele apontara para uma fileira de barracas adiante, e daí a garota percebeu também uma espécie de palco mais adiante. Eles pararam para prestar mais atenção e viram que algumas pessoas estavam até de kimino(apesar de serem poucas), haviam muitas famílias com crianças também, e a rua estava decorada com bandeirinhas, lanternas e cartazes.

- Bom..por um lado isso até que vai ser bom, pois teremos mais pessoas para tirar foto, assim como poderemos colocar algo sobre esse festival no trabalho. O lado ruim é que será mais difícil de andar por aqui tranquilamente, porque tá bem cheio.- Ela terminou sua fala e olhou para o hanyou de novo, esperando sua resposta. Este não demorou em fazer isso.

- Vamos andando logo então que, quanto antes acabarmos, melhor.- Apesar de ter se animado para passar o dia com a garota, não gostava muito de toda aquela movimentação. Ele olhou mais uma vez para a calçada lotada e registrou um grupo de homens passando enquanto bebiam e falavam muito. Por isso ele completou: - A propósito, anda perto de mim só pra evitar possíveis contratempos.

Na mesma hora ela enroscou o braço no dele, causando uma séria reação no meio-youkai, o qual demorou para se acostumar.

E assim, os dois saíram caminhando pela rua, observando os locais mais importantes e, principalmente, tirando muitas fotos. Já tinham discutido antes o que tinham como prioridade que não poderia faltar no trabalho, por isso sabiam mais ou menos os lugares em que deveriam ir.

Depois de algumas horas, quando já tinha passado de meio-dia e o lugar já estava bem quente, os dois pararam perto de uma lanchonete para Inuyasha comprar algo pra beber. Tinham andado bastante, mas o trabalho estava sendo incrivelmente dificultado pela quantidade de pessoas, fazendo-os prosseguir muito devagar.

- Você tem certeza de que não quer nada, menina? Depois não vai ficar choramingando no meu ouvido hein...- Ele falou olhando o relógio para conferir as horas, mas sorrindo malignamente ao olhar para o rosto da colegial.

- Tudo bem, Inu-baka, não quero nada não. E pode deixar que se eu quiser alguma coisa eu vou me virar sozinha, já que você é tão paciente comigo.- Ela acenou com a mão para ele ir, o que ele fez depois de falar algo como "I-nu-ya-sha".

O lugar estava muito cheio e tinha uma fila considerável para o caixa, mas ele preferiu aquilo mesmo. Andou um pouco e parou atrás de uma mulher que estava no final da fila, esperando sua vez chegar com pouca paciência, pois já estava vendo que aquilo não seria rápido.

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Kagome estava parada na calçada olhando para os lados. Procurou avistar a fila de novo e viu que Inuyasha ainda estava bem atrás, fazendo ela soltar um suspiro cansado. Estava com muita vontade de ir ao banheiro, mas a lanchonete em que o hanyou entrara era pequena demais e por isso não deveria ter um banheiro. Olhou à volta tentando achar alguma coisa parecida, mas não via nada, até porque a quantidade de pessoas a impedia de enxergar muito longe. – Droga, eu realmente preciso ir no banheiro agora... – Ela olhou em volta de novo, mordendo o lábio inferior em sinal de insegurança.- O Inuyasha não vai ficar bravo se eu for no banheiro aqui perto rapidinho,não é? Deve ter um logo ali.

E, pensando nisso, ela acenou levemente com a cabeça e saiu andando em direção a um lugar que parecia servir para ela, sem notar que desaparecera na multidão assim que andara alguns poucos passos.

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Depois de longos minutos, o hanyou finalmente chegara ao caixa. Foi agradecendo aos céus que ele ouviu o atendente perguntar:

- O que deseja?- O homem parecia divido entre a satisfação de ter tantos clientes e o fato de ter muita gente causar mais sujeira e gritaria.

- Uma coca e uma água.- É melhor comprar algo pra menina sim ou daqui a pouco ela vai reclamar de sede.- E riu levemente com seus pensamentos.

Porém, depois de pegar as bebidas e sair da lanchonete, foi com um certo choque que ele olhou em volta e não encontrou a jovem que o acompanhava.

- Kagome?- Ele falou alto para o vento, pois ela definitivamente não se encontrava ali. Ele olhou de novo para o local do qual acabara de sair para ver se ela entrara lá, e depois voltou a olhar para a calçada.- Onde foi que essa garota problemática se meteu?

E assim ele saiu andando pela rua, procurando enxergar o máximo que podia. Já ia sentindo uma dor de cabeça antecipada e até um leve temor, pois sabia que, se não tivessem sorte, não seria nada fácil encontrar Kagome com tanta gente na rua. Devido a isso, procurou não pensar muito nas consequências dela andando pelo lugar sozinha como uma tonta.

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Kagome olhou para os lados pela enésima vez e ainda não achara um lugar que tivesse banheiro. Porém, essa preocupação acabou sendo substituída por outra depois de um tempo, pois ela entrara em tantos lugares diferentes e virou em tantas ruas pensando que saberia como voltar, que agora não fazia idéia de onde estava e nem como acharia Inuyasha. Pensou no meio-youkai saindo da lanchonete e explodindo de raiva por não a encontrar. Deu um sorriso sem graça com tal pensamento e se concentrou na rua. – Eu tenho que achar um meio de voltar!

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- O que aquela louca fez?- Inuyasha rosnou levemente dividido entre a irritação e a preocupação, pois já andara muito e até agora não havi achado um sinal sequer de Kagome. - Menina, é melhor você estar pelo menos viva, que é pra eu poder te matar depois.

E em seguida ele saiu andando de novo com uma expressão de quem poderia matar o primeiro que o importunasse.

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Já tinham se passado horas quando Kagome sentou em um banco com uma cara de quem estava à beira das lágrimas. Tudo bem que, no final das contas, achou um banheiro e aproveitara o caminho para tirar muitas fotos, mas o problema era que as ruas do centro eram incrivelmente parecidas umas com as outras, fazendo ela se confundir a todo momento. Além disso, a quantidade de pessoas e coisas na rua fazia com que ela não conseguisse registrar direito os pontos de referência estáticos, como bares ou lojas. Desta forma, o dia já estava começando a perder a claridade e ela ainda não tinha encontrado seu companheiro de trabalho. Já tinha andando por todas as ruas do lugar, tinha até chegado uma hora em que encontrara de novo a lanchonete no qual deixara o hanyou, mas àquela altura obviamente ele não estava mais lá. Agora ela se encontrava sentada em um banco de praça, ainda perdida, com fome, sede e sem Inuyasha.

- Inu, por favor..aparece.- Ela parecia implorar ao vento que o trouxesse.

Ela não chegara a ter problemas andando pelo lugar, mas sentiu arrepios de medo quando encontrava coisas parecidas. Nessas horas, ela via a extrema necessidade de estar com o meio-youkai, mesmo que não tivesse realmente acontecido nada. De qualquer forma, sem riscos ou não, ela preferia estar com ele, pois só assim sentiria tranquilidade.

A jovem contraiu um rosto em determinação e acenou afirmativamente. Precisava voltar a procurar Inuyasha e encontrá-lo logo, antes que fosse tarde demais. Olhou para os lados e decidiu perguntar ao senhor que estava próximo a ela.

- Com licença, senhor, você poderia me informar se viu um jovem meio-youkai alto e de cabelos prateados? – O homem a encarou na mesma hora e ela se arrependeu um pouco de ter escolhido ele, pois viu que ele olhara de forma estranha para sua bolsa. Porém, ainda assim ele respondeu.

- Não, não vi.

- Obrigada.- Ela sorriu educadamente e na mesma hora se afastou, procurando não olhar para trás. Na realidade nem achava que o homem tinha intenções ruins de verdade, mas a situação a fazia ter medo de qualquer forma.

Viu-se, então, próxima a uma grande praça e a reconheceu como a que tomara sorvete com Inuyasha. Ela reparou no lago que tinha no meio dela e também na quantidade de casais perto das árvores próximas, apreciando o final da tarde de forma romântica. O local já estava bem mais vazio do que mais cedo, mas ainda assim tinha um considerável número de pessoas. Foi contornando a margem e se afastando da periferia da praça, olhando ora para o bonito lago, ora para sua volta em busca de qualquer sinal do meio-youkai. Foi andando assim até escutar uma voz dirigindo-se a ela.

- Está perdida, garota?- Um homem encasacado vinha se aproximando dela com uma expressão estranha. Na mesma hora ela sentiu um arrepio pelo corpo e o medo latejou por todos os seus poros. Era aquela mesma sensação que tinha constantemente quando estava sozinha em algum lugar que não deveria estar. Ela sentiu o homem caminhar em sua direção enquanto olhava para seu rosto e isso fez seu sangue congelar.

- O que aconteceu? Por que uma garota como você está andando sozinha nesse lugar? – Ele já estava suficientemente próximo para ela ver o quão amarelados eram seus dentes, o cheiro de cigarro emanando dele fortemente. A jovem tentou falar algo em resposta para se afastar e olhou para os lados para saber o que fazer melhor. Não sabia se o tal homem era ruim mesmo ou se queria ajudá-la, mas seu instinto lhe dizia que era a primeira opção e por isso ela ficava mais nervosa ainda. Era preciso ter sorte também nessas horas, e isso era o que estava faltando nela até aquele momento. Sim, até aquele momento.

- Felizmente, ela não está sozinha.- Foi como se o calor se espalhasse por todo seu corpo em uma chama forte e confortadora. Kagome soltou um gemido de alívio quando ouviu aquela voz e instantaneamente virou-se de costas para encarar quem se pronunciara.

- Inuyasha, finalmente!!- Ela encarou sua expressão firme que revelava um misto de irritação e alívio. Porém, todo vestígio de irritação, raiva e exaustão sumiu quando ele viu rapidamente o rosto da jovem de olhos azuis, agora levemente marejados, antes que sumisse por estar prensado em seu peito. O hanyou ouviu o homem que estava ali agora há pouco murmurar alguma coisa e se afastar, mas ele pouco prestou atenção, pois estava mais concentrado em retribuir o abraço da jovem e afagar seus cabelos.

- Olha, eu nem sei se eu brigo com você ou digo pra se acalmar, porque já está tudo bem.- Ele a afastou(com relutância, pois obviamente gostava daquilo) delicadamente para que pudesse encará-la.- Mas pelo amor de Deus, antes me explique o que aconteceu.

- Me desculpa, Inuyasha, eu juro que não tive intenção! Eu acabei me perdendo, não conseguia achar nenhum lugar e nem você. Fiquei desesperada, mas continuei te procurando.- Ela começou a falar rápido e a gesticular nervosamente.

- Eu sei que você se perdeu e não me encontrou, isso é meio óbvio. O que eu quero saber é por que você se perdeu.- Ele a encarou com a expressão fechada e inquisidora, mas mudou rapidamente para nervosa quando teve outro pensamento.- Não me diga que alguém te arrastou ou algo assim.

- Não, não, graças a Deus não.- Ele suavizou o rosto em sinal de alívio. Ela passou a encarar o chão, fazendo-o ficar mais calmo e com menos vontade de reprimí-la. Seu tom de voz agora era baixo e semelhante ao de uma criança se desculpando - Quando você entrou para comprar bebidas, eu vi que a fila estava bem grande e por isso poderia aproveitar para ir ao banheiro e voltar rápido que você ainda não teria voltado. O problema foi que achar um banheiro não era tão fácil assim e eu acabei me embolando no caminho, e aí me perdi mesmo. Andei pra cima e pra baixo e só te achei agora. Ou melhor, você me achou.- Ela o encarou ruborizada e depois passou a olhar o chão, para depois completar baixinho.- Me desculpa, eu sei que fui idiota.

- Durante esse tempo todo eu jurei que ia te dar um longo sermão antes de te matar, mas acho melhor deixar assim mesmo. Espero que você tenha aprendido a lição e não saia mais procurando banheiros sozinha num lugar que você não conhece, ainda mais em dia de festival. Não é sempre que você vai ter a sorte deu chegar nas horas certas. –

Seu olhar procurava ser repreendedor, mas ele não conseguia mantê-lo por muito tempo; não com uma Kagome fazendo cara de quem estava quase chorando. Quando terminou de falar, passou a encarar em silêncio o lugar em que havia sumido o homem que estava falando com a morena antes dele chegar. Os dois não falaram nada por um tempo, Kagome ainda encarando o chão.

- Você sempre chega mesmo nas horas certas.- Ela sorriu fracamente quando disse isso após alguns minutos, passando a encarar o hanyou a sua frente. Depois de mais um minuto assim, disse em um tom digno: - Obrigada.

- Apenas não faça uma burrada dessas outra vez, ok?- Ele correspondeu seu sorriso de forma sincera e depois completou: - Vamos andando então que já está tarde.

Os dois voltaram a caminhar lado a lado outra vez, como na outra oportunidade em que andaram pelo lugar para fazer a parte anterior do trabalho. Inuyasha ainda sentia a satisfação que foi ter o alívio de ver que a garota estava bem, pois o convívio com ela lhe dera a experiência para saber que não deveria deixá-la em situações como a daquela tarde sem esperar que algo ruim acontecesse. Os dois apreciavam a companhia um do outro, sentindo como nunca o quão bom era saber onde estava e com a pessoa que queria estar.

Após algum tempo andando, Kagome já tinha lhe contado que tirara boas fotos e que vira coisas legais, e agora o hanyou falava sobre a irritação que era ter de andar com muitas pessoas em volta. Porém, sua conversa foi interrompida quando eles viraram em uma esquina e encontraram um parque de diversões, daqueles que mudam de cidade para cidade todo tempo, instalado bem no centro do lugar. Eles se perguntaram como não tinham visto aquilo antes, mas depois chegaram à conclusão de que era porque estavam mais preocupados com a quantidade de pessoas em volta do que com parques, e também porque de noite(como era o caso agora) o parque chamava muito mais atenção, pois era cheio de luzes coloridas que piscavam e brilhavam longe.

Kagome encarou maravilhada o lugar, sorrindo radiante. Inuyasha olhou pra ela divertido e depois falou:

- É o seu sonho, não é? Toda criança adora um parque de diversões, você deve achar isso um paraíso.- Ele riu mais quando sentiu ela dar um leve tapa no seu braço.

- Um parque de diversões não é coisa só de criança, bobo. É muito legal sim.- E voltou seu olhar para o tal estabelecimento, seus olhos azuis refletindo todas aquelas luzes.

- E então, você vem?- A jovem passou a encarar o meio-youkai com surpresa e incredulidade. Este havia se adiantado a sua frente e estendia uma mão para ela, como se a convidasse para acompanhá-lo.

- Você tá falando sério?- Ela riu com satisfação.- A gente já está atrasado, está bem tarde. Já é de noite e não estou em casa, minha mãe vai me matar.- Ela não conseguia controlar o riso e a animação, mas a razão ainda chamava seu controle.

- Kagome, você já está atrasada de qualquer forma, então aproveita. E você pode inventar uma desculpa, ou dizer mesmo que estava comigo, tanto faz. A briga da sua mãe não compensa um parque de diversões, você não acha?- Seu sorriso travesso era tão incomum e tão estimulante para Kagome que ela não conseguia negar. Sorriu mais radiante ainda, demorando um tempo para apreciar as feições do hanyou tão bonitas naquela forma que ele raramente mostrava.

- Você é louco, mas eu adorei!- E assim ela pegou a mão dele e os dois adentraram o local como duas crianças no mundo dos seus sonhos.

O parque era cheio de barracas divertidas, com todas as luzes e músicas que tinha direito. Muitas pessoas transitavam lá dentro, todas com sorrisos no rosto, inclusive um certo casal o qual não deveria estar lá- teoricamente. Eles caminharam durante um tempo ainda sem saber onde ir primeiro, até que o meio-youkai viu algo que lhe chamou maior atenção.

- Olha ali, tem tiro ao alvo. Deve ter aqueles ursões que todas as menininhas sonham ganhar, você deve ser louca por um desses.- Ele riu outra vez quando sentiu ela bater de novo em seu ombro.

- Eu não gosto desses ursos, mas a idéia do tiro ao alvo é legal. Quero ver se você acerta mais que eu.- E ela se encaminhou empolgada para a tal barraca, com um Inuyasha carregando um largo sorriso maldoso.

- Você vai se arrepender, Kagome Higurashi. Isso nem vai ter graça...- Ele encarou divertido a expressão desafiadora dela.

- Veremos!

A graça e a descontração estavam tão boas para ser verdade que Inuyasha chegava a duvidar que tudo estivesse correndo tão bem. Mas ele percebeu que as coisas não eram tão felizes assim pouco tempo depois, como percebeu na parada no tiro ao alvo. O casal havia se aproximado e estavam discutindo quais seriam os melhores prêmios, rindo divertidos com brincadeiras entre si, quando um homem que estava acertando segundos antes virou-se para Kagome.

- Quantos que a gata acerta hein?- Ele sorriu maliciosamente fazendo pose de galã, enquanto olhava atentamente a garota, em especial seus atributos.

- Com certeza mais que você.- Inuyasha se adiantou e respondeu antes da garota, que olhou de Inuyasha para o homem sem saber o que dizer.

- Ei, cachorro, fique quieto que eu não falei com você.- Ele forçou seu olhar para o jovem que acompanhava a bonita garota que ele cantara, sentindo uma irritação ao ver que ela não estava sozinha.

- E não precisa falar mesmo, você me fez um favor. Apenas caia fora e tudo se resolve.- Inuyasha sentia o sangue latejar em suas veias de tanta raiva que tinha ao presenciar idiotas como aquele cantando Kagome. Os outros jovens que o acompanhavam pararam para prestar atenção, assim como o dono da barraca.

- Idiota, por que um babaca como você merece ficar com uma garota dessas? Isso não é pra você não...- O garoto lembrava absurdamente Bankotsu com essas ações, o que irritava o hanyou mais ainda. Porém, antes que ele respondesse, a jovem em questão se adiantou:

- Olha, eu não quero confusão, então apenas deixa a gente em paz mesmo, ok? Eu não quero nada com você.- Ela procurou manter o olhar firme, mas achava uma certa dificuldade em fazer isso quando a pessoa parece estar te comendo com os olhos( o que deixava Inuyasha à beira de uma crise de nervos).

- Tsk, mas que desperdício.- Ele disse isso e se afastou um pouco, ainda observando o casal junto com seus amigos. Ele passou a conversar algo com eles que nem Inuyasha e nem Kagome procuraram saber do que se tratava.

- Obrigada.- Ela disse de novo naquela noite para o meio-youkai.

- Me agradeça conseguindo algum prêmio pra mim.- Ele indicou com a cabeça os alvos. Ela sorriu divertida e dirigiu-se ao homem da barraca.

- Por favor, moço, eu gostaria de atirar. Qual é o preço?- Ela perguntou educadamente.

- 120 ienes para 8 tiros, mas como você é bonita eu faço por 100.- Ele sorriu tentando ser galanteador para a jovem. Inuyasha se remexeu desconfortavelmente atrás dela, falando algo como "até aqui?".

- Eu aceito.- Ela esticou a mão com o dinheiro e pegou a arma.

- Vamos ver do que você é capaz, menina. São 8 alvos, duvido que você acerte 4!- Ele riu da cara que ela fez, e passou a observar atentamente ela se concentrar. Não só ele observava na verdade, como também o homem da barraca e os que importunavam o casal há minutos atrás.

- Esse é pra você.- Kagome sorriu decidida e observou com satisfação seu tiro acertar o alvo em cheio. Inuyasha ergueu as sobrancelhas em sinal de surpresa.

- É, mas o primeiro ainda não diz nada. Faltam 7.- E ele piscou implicante. Ela sorriu de volta e atirou mais 4 vezes. Não errou nenhum. – É, pode até ser que você tenha futuro.

- Você vai ver que eu consigo.- Ela mal disse isso e errou o próximo alvo.

- Foi só eu falar, viu?- Ele riu de novo.- Já vai perder pra mim. Eu disse pra você que não teria graça...

- Eu me desconcentrei por causa de você, baka.- Ela apontou de novo para o alvo e acertou. Inuyasha fingiu que aplaudia, olhando divertido Kagome continuar a atirar. Ela deu o último tiro e errou este por muito pouco.

- Realmente não vai ter graça, você vai ver.- Ele acenava o rosto com uma expressão de fingida conformação.

- Mas eu só errei o último por azar, passou bem perto mesmo.- Ela bateu o pé para mostrar a contrariedade. Ele riu de novo e pagou o homem da barraca para pegar a arma.

- Agora olhe e aprenda.- E com um sorriso presunçoso, ele atirou 5 vezes seguidas rapidamente e acertou todos os tiros.

- Ah, não vale, você enxerga melhor ou sei lá o quê... é covardia comigo.- Ela riu, mas fazia um bico de contrariedade. Inuyasha achou muita graça naquilo. Porém, foram interrompidos de novo.

- A gata é gostosa e ainda atira bem, não é?- O homem voltara à barraca para falar o que não conseguia tirar da cabeça.

- E daí que eu atiro bem? Não é da sua conta.- Ela já estava ficando irritada com aquilo.

- Vem cá, ela precisa desenhar pra você entender a frase "Não quero nada com você"? – Inuyasha não conseguia acreditar que ele tinha voltado.

- Pare de se intrometer de novo, cachorro. Só fica quieto no seu canto.- Ele virou o rosto contra o hanyou e encarou a garota que estava com ele.

- Não se intrometa você, não percebeu que está nos atrapalhando?- Ela virou as costas para ele na tentativa de se afastar. Porém, ele pareceu não gostar.

- Não vire as costas pra mim, garota, muito menos me deixe falando sozinho.- Ele havia segurado seu braço para impedí-la de continuar, estava com o rosto muito próximo ao dela. Porém, ele ainda não percebera o erro que foi fazer isso...

- Você falando besteira é uma coisa que até posso aturar sem quebrar a sua cara, mas se encostar nela de novo vai voar pelos ares com os dentes quebrados e o nariz dentro do rosto.- Inuyasha rapidamente afastara o indivíduo incoveniente e o segurava fortemente, falando com a voz baixa e letal. Kagome ficou parada onde estava com a mão onde o homem a segurara.

- Só me explica uma coisa.- Ele falou voltando a se dirigir para a jovem, pois captara o perigo que era ficar ali por mais tempo.- Por que uma garota como você está com um cara como ele?- Seu rosto chegava a revelar rancor pelo que estava acontecendo.

- Porque caras como ele podem ser muito mais legais e bom caráter do que a maioria dos homens por aí. É o caso dele, e eu decido por minha conta o que fazer da minha vida a partir daí.-

Ela falou seriamente sem deixar de encarar o homem. Inuyasha largou-o e voltou a ficar do lado da garota, pegando a arma de novo. Quando já estavam sozinhos ela falou:

- Desculpa por essas coisas.- Ele continuava a encarar o lugar onde o homem desaparecera, mas então voltou o rosto para a garota quando ela se desculpou.

- Não tem problema. Vamos terminar aqui e procurar outra coisa.- Ele atirou rapidamente e acertou tudo de novo. – O que você quer de brinde? Pode escolher.

- Você que acertou tudo, então o prêmio é seu.- Apesar disso, ela olhava atentamente a mesa dos brindes com um grande ar de interesse.

- Menina, você acha mesmo que eu quero alguma coisa daí?- Ele levantou uma sobrancelha e entregou a arma ao dono da barraca.

- Eu aceito mesmo você me chamando de "Menina", tá?- Ela sorriu contida, mas depois soltou-se ao apreciar a mesa.- Eu não sei o que quero...tem muita coisa.

A morena passou algum tempo olhando atentamente para tudo ali perto, um Inuyasha ao seu lado já ficando impaciente. Enfim, um minuto depois ela se pronunciou:

- O que acha daquela ali?- E apontou para uma lanterna que tinha vários fios na ponta, onde saía uma luz que deixava brilhante em várias cores cada uma das pontas dos fios. Parecia ser um bonito enfeite para o quarto.

- É, isso até que tá razoável para o que eu estava esperando de você. Já imaginava uma boneca ou algo assim...- Ele deu de ombros, mas sorriu internamente ao ver ela resmungar alguma resposta mal-criada para ele.

Os dois então voltaram a caminhar pelo parque, Kagome carregando alegremente o seu novo presente. Eles foram em várias outras barracas, riram e até comeram pipoca. Desafiaram-se muitas outras vezes, e Inuyasha tinha o péssimo costume(para Kagome) de ganhar. O meio-youkai também adorara a parte do trem fantasma, pois eles tinham escolhido o brinquedo por julgarem-no muito divertido, mas nada assustador. Porém, quando estavam se divertindo lá, um machado que parecia cair em cima deles acabou assustando tanto Kagome que ela quase pulou em cima de Inuyasha, rendendo a ele minutos a fio de muito riso e zuações com a garota( a parte do constrangimento dele na hora do susto em questão, já que a garota se agarrara nele, não conta, pois ele preferiu deixar quieto).

Quando já estavam um tanto cansados e já decididos a terminar o passeio, eles se viram de frente com a famosa roda-gigante. A jovem olhava abobada, seus olhos redondos como moedas de tanta admiração. Cada lanterna, cada vagão enfeitado com luzinhas coloridas, tudo, absolutamente tudo naquele brinquedo parecia encantar mais ainda aquele parque.

- Vamos!- A menina de olhos azuis nem se deu ao trabalho de perguntar a ele se queria ir, apenas puxou sua mão em direção ao brinquedo.

- Gosto de ver o quanto você aprecia a minha opinião e minhas vontades.- O hanyou a encarou de lado, mas deixando-se levar por ela tranquilamente.

- Não fale assim, eu sei que você vai adorar.- Seu sorriso era tão meigo e radiante que ele não conseguia tentar importuná-la.

Inuyasha se adiantou para pagar os bilhetes para a roda-gigante e, quando já estavam na fila para entrar, Kagome parecia contar os segundos de tamanha ansiedade.

Quando foram se aproximando da cabine, o meio-youkai deu espaço para a companheira entrar primeiro.

- Cuidado, minha filha.- Um senhor com o uniforme do parque e um rosto simpático advertiu Kagome para ser mais cuidadosa ao entrar.

- Obrigada.- Ela sorriu para o senhor e este retribuiu de forma doce, acenando com a cabeça e sorrindo também.

Já dentro da cabine fechada, esta era como um vagonete de trem muito pequeno, com as janelas vindo da altura abaixo da cintura até o teto. Havia também dois bancos, construídos um de frente para o outro, indo de uma parede a outra nos dois lados. Conforme ia se movimentando lentamente, mais o objeto se distanciava do solo, chegando a um ponto que podia oferecer uma maravilhosa vista da cidade.

- Uau, é bonito demais daqui de cima.- Kagome estava de pé com o rosto próximo à janela, totalmente encantada com o que via.

- É, é bonito mesmo.- Até Inuyasha não conseguia encontrar defeitos e motivos para reclamar, ainda mais quando tinha alguém exprimindo tanta felicidade com um simples brinquedo de parque de diversões.

Eles permaneceram em silêncio durante um curto tempo, apenas apreciando a vista enquanto o vagão se movia em baixa velocidade. Depois de um tempo, eles preferiram sentar, Inuyasha dividido entre a vista lá de fora e a vista dentro da cabine. Ele estava absolutamente encantado com a expressão de prazer e encanto dela, uma forma tão doce e bonita de seu rosto.- Ela é bonita demais, eu nem consigo acreditar.- Estava mesmo se sentindo um bobo, mas agora já não conseguia pensar em nenhuma forma que o livrasse daquela condição, tendo em vista o fato da garota ser realmente encantadora, ainda mais com aquele sorriso. Contudo, seus pensamentos foram quebrados quando ela chamou seu nome.

- Inuyasha.- Sua expressão já estava mais serena e a voz calma quando ela falou.- Eu não sei o que dizer...tem sido tão...- Ela abriu e fechou a boca sem emitir som algum e depois de um tempo continuou.- Começou com você chegando na hora certa, e você sempre chega na hora certa. Na verdade, tem feito tudo certo...e não só me defende quando preciso, como faz também qualquer momento em que estamos juntos parecer algo legal e divertido..- Ela sorriu docemente.- ...as últimas semanas têm sido ótimas pra mim. Eu queria te agradecer por me proporcionar isso...é realmente maravilhoso.-

O fato de estar consideravelmente escuro impedia o hanyou de ver os tons rubros da face da jovem, mas ele já imaginava que ela estivesse daquele jeito. Ele demorou um pouco para responder, pois seu cérebro ainda estava um tanto travado para processar aquelas palavras tão doces vindas dela. A garota tinha falado tudo ora encarando a vista, ora olhando em seus olhos, mas no momento ela olhava para seus sapatos com um tímido sorriso.

- Eu já disse umas cinquenta vezes que não precisa me agradecer por nada, Kagome.- Ela levantou o rosto um tanto surpresa por ele não a ter chamado de "menina". – Eu acho que me sinto de forma parecida a você, porque também penso que as últimas semanas foram ótimas mesmo, como nunca tinham sido desde que me mudei para cá. A minha vida no Colégio Higawa tem sido muito diferente desde o dia em que eu te ajudei com aquele problema, acho que você sabe disso. E não é que eu ligue ou não para os outros, mas é bom ter esse tipo de experiência com as pessoas, sabe? Além disso, eu não me importo com o que as pessoas falam de mim, mas o que elas fazem com aqueles que eu gosto é o que realmente me afeta.-

Kagome sentiu seu coração acelerar e um turbilhão tão intenso de sentimentos que nem notou que a roda gigante havia parado com eles no topo de todas as posições das cabines(N/A: não é que deu defeito, mas sim que as rodas gigantes costumam ficar paralisadas por alguns minutos e depois terminam de girar para dar vez aos próximos passageiros).

- Você não precisa me agradecer por te tirar de apertos, pois eu faço isso porque quero. Muitos menos precisa me agradecer por me dar momentos bons como este. – Ele olhou profundamente nos olhos da jovem, que sentiu-se estremecer.

- Eu sei que você já me disse para não agradecer, mas simplesmente não consigo não fazer isso quando tenho a oportunidade de conviver e conhecer alguém que tem feito tão bem a mim. – Ela abraçou o próprio corpo e, depois de olhar o chão de novo, voltou a encarar o hanyou com um sorriso pequeno e sincero. Tinha uma imensa vontade de abraçá-lo naquele momento, mas não criava coragem para fazer isso.

- Bom, você também me defendeu, acho que estamos quites.- Ele olhou para a garota com um leve sorriso vendo a expressão de quem não estava entendendo que ela usava.- " Caras como ele podem ser muito mais legais e bom caráter do que a maioria dos homens por aí. É o caso dele, e eu decido por minha conta o que fazer da minha vida a partir daí".- Inuyasha repetiu exatamente o que ela dissera algum tempo antes, e achou divertida a expressão confusa que a garota assumiu depois que ele fez isso.

- Você mesmo disse que faz essas coisas porque quer, e esse foi o caso. Eu quis fazer isso porque era o que realmente sentia. Mas mesmo assim, não é como o que você fez...- Seus olhos desviaram-se dos dourados por um breve momento naquele período de silêncio entre suas falas.- Aquele cara não tentou te agredir ou..ou...- Sua voz morreu de novo.- Eu simplesmente falei o que eu pensava, você fez isso e mais todo o resto.

- Kagome, pra mim, essas coisas têm o mesmo valor. A sua inteção já é suficiente para mim, assim como minhas palavras e "aparições" são para você.- Eles se encararam nos olhos de novo, sem saber o que pensavam ao acerto, mas tendo certeza que queriam diminuir a distância entre ambos. O problema era como fazer isso.

- Mas não são só palavras e "aparições".- Seu sorriso aflito não conseguia exprimir tudo que ela queria dizer.- Tem...não sei...você. – Sua fala era pausada porque não conseguia encontrar as palavras exatas, mas conseguiu forças para dizer o que veio em mente e agora se esforçava para encará-lo nos olhos de novo.

- Eu...- Inuyasha começou a falar, mas apenas fechou a boca e ficou encarando-a. Levantou uma das mãos e tocou um das mexas de seu cabelo, sentindo os fios deslizarem suavimente em seus dedos.- Obrigada.

Ela se surpreendeu com a palavra e sorriu para ele, pois agora ela via o quanto ele podia entendê-la e vice-versa. Os olhos azuis não conseguiam se desviar dos dourados, presos numa espécie de mágica deles. Kagome sentiu de novo aquela sensação de tê-lo longe demais, querendo encurtar a distância entre eles. Sabia que estava com o rosto afogueado em vermelho, mas não ligou. Seu corpo implorava por um contato físico mais próximo do que aquela mão que, no momento, aproximava-se do seu rosto.

Contudo, quando ela sentiu o contato com a pele dele e decidiu que aquela era a hora de dar um passo a frente em sua direção, os dois tomaram um susto. O barulho da movimentação da cabine da roda-gigante os despertou para o que estava acontecendo mais adiante de onde estavam, e assim puderam perceber que agora já se aproximavam do chão de novo para poder deixar a cabine.

Kagome estava mais vermelha do que nunca estivera antes, e o meio-youkai não sabia nem o que dizer. Rapidamente eles alcançaram o solo e Inuyasha se inclinou para abrir a porta, segurando-a aberta para deixar a jovem passar. Agradeceram ao funcionário do local e seguiram para fora do parque sem nada dizer, ainda muito constrangidos com o que estava acontecendo minutos antes. Inuyasha sabia que poderia voltar a falar , mas o problema era encontrar o que falar e por isso permaneceu calado mesmo. Já Kagome, esta estava insegura tanto sobre se deveria falar, quanto sobre o que iria falar, mantendo-se calada do mesmo jeito. E assim foi o caminho de saída do local e o percurso até o ponto de ônibus próximo à casa deles: cada um envolvido nos seus próprios pensamentos e confuso demais para dizer qualquer coisa.

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Na hora em que desceram do ônibus próximos de casa, já era tão tarde que Kagome nem queria começar a imaginar o que ouviria da mãe quando chegasse. Assim, decidiu que aquele era um momento crítico para se pronunciar:

- Olha, Inuyasha..hm..está bem tarde e eu sei que você está muito cansado. Não precisa se incomodar comigo e vai descansar que eu posso ir sozinha, eu sei que você quer chegar logo em casa. - O hanyou achou tão engraçado o jeito super constrangido dela que mal pôde segurar o riso. Mas, felizmente, ele se controlou e respondeu:

- Eu te fiz entrar naquele parque quando já era de noite, menina, eu arco com as consequências. O fato deu estar cansado não compensa o risco que é deixar você andando sozinha a essa hora. Sua mãe teria mesmo razões pra me matar se eu fizesse isso.

- Mas..

- Esquece, Kagome, vamos andando.- O tom firme dele era impossível de se contestar.

A garota então apenas calou-se e deu um tímido sorriso, o qual ele não percebeu por estar olhando a rua, pois na verdade gostava muito daquela atenção e cuidado reservados para ela. Passou a acompanhá-lo de perto nos passos, novamente em silêncio até chegarem em sua casa.

Na altura em que Kagome já estava sobre o primeiro degrau da escada que levava até a porta da casa, ela virou-se para o seu companheiro tentando reunir coragem para dizer o que queria. Acenou brevemente para si mesma com a cabeça, tentando se encorajar. Resolveu começar logo:

- Eu sei que já te enchi o saco com isso. Na verdade acho que eu já te enchi o saco de um monte de coisas, até mesmo quando você diz que eu não encho, porque toda hora eu falo disso.- Ela torceu as mãos em sinal de nervosismo por estar falando, mas o meio-youkai foi mais rápido.

- Não precisa agradecer.- Ele a encarou de forma simples e sincera.- Já te disse que faço porque quero.

- É, e eu sei que você me entende, sabe o que eu penso e o porquê deu fazer essas coisas.- Ela deu um sorriso fraco olhando para o chão para evitar os olhos dele.

- Bom, mais ou menos. Na verdade eu não sou vidente e nem telepata, ou qualquer outra coisa desse tipo.- Ela riu um pouco mais descontraída com a brincadeira.

- É sério, Inuyasha.- Kagome disse depois que voltou à seriedade.- É como estávamos falando na roda-gigante- Ela enrubesceu mais ao fazer referêcia a tais momentos, e Inuyasha sentiu-se desconfortável - São todas essas coisas que têm acontecido...e a cada momento eu me sinto mais grata por tudo que você faz por mim.

- Menina, você já me disse isso e eu já te respondi também. Você tá ficando mais chata que o normal hein..-

Ele tentou controlar suas reações, mas era muito difícil; sua voz chegava a estar rouca. A jovem o encarou de modo aflito, mas procurou responder mais normalmente.

- Eu imaginei mesmo que estava enchendo o saco...desculpa.- A queimação em sua garganta parecia querer estourar tudo, ela não sabia o que fazer. Apertou as mãos fortemente e passou a encarar o chão de novo. O meio-youkai reparou nisso e se arrependeu do que disse, pois ela parecia realmente nervosa.

- Olha, Kagome, tá tudo bem. - Ao sentir a mão dele sobre a sua, ela rapidamente levantou o rosto outra vez. O rosto dele estava mais próximo do que na roda-gigante, e assim permaneceram por um curto tempo, até ela tomar coragem para continuar a falar:

- Eu sei que você não aceita meus agradecimentos, mas eu também já disse por que faço isso. Tudo que eu te disse hoje é a mais pura verdade, é o que venho sentido nesse tempo. A questão é que eu preciso te agradecer e eu quero fazer isso.- Ela frizou a palavra "quero". - Isso é o que eu mais quero no momento.

Kagome Higurashi terminou sua frase em um quase sussurro, eliminando qualquer distância que tinha entre eles antes. Sentiu o peito do rapaz em contato com seu corpo, e encarou seus olhos. Quando, enfim, ela tocou seus lábios nos dele, foi como se algo maior a envolvesse, uma sensação que ela definitivamente não sabia explicar. Inuyasha, que se surpreendeu com aquele ato, não estava diferente de Kagome no momento. O cheiro dela o embriagava e sua cabeça girou mais ainda quando aquele beijo, antes tão delicado e superficial, passou a evoluir no momento em que sentiu sua língua encontrar a dela. Um turbilhão de sensações o invadiu e, de repente, sua única vontade era permanecer ali o máximo de tempo possível. Ele envolveu a cintura da jovem com seus braços fortes e ela enlaçou seu pescoço. As línguas brincavam umas com as outras em um ritmo único, ora lento, ora rápido. Eles procuravam saborear cada sensação, deixando-se levar pelo que vinha na cabeça. Na realidade, eles não sabiam muito bem o que tinham na cabeça naquela hora, pois pensar estava bem complicado. As mãos do hanyou passaram pelas costas da menina, acariciaram seus cabelos e depois voltaram à cintura, onde deixou um dos dedos entrar por baixo da blusa dela, exatamente como na situação em que ela acordara no colo dele quando estavam fazendo trabalho. Kagome sentia um arrepio agradável com as sensações que as mãos do hanyou causavam ao passear por suas costas, mas toda a situação estava de tirar o fôlego. Os cheiros, os carinhos, os sentimentos e as sensações...tudo parecia prendê-los mais e mais, seus corpos implorando por aquele contato.

Assim, depois de perderem a noção de quanto tempo ficaram entrelaçados naquele beijo, apesar de acharem que durou muito pouco, eles se separaram vagarosamente. A morena de olhos azuis encarava o jovem meio-youkai, ambos com a respiração acelerada, como se tivessem corrido muito. Quando Inuyasha se afastou o suficiente para soltar Kagome, esta parecia tonta, assim como ele precisou de alguns minutos piscando como se estivesse em choque para conseguir fazer seu cérebro funcionar de novo.

- Acho que você está realmente atrasada.- A voz do garoto saiu tão rouca que ele duvidou que tivesse realmente dito alguma coisa. Ele ainda tinha a consciência latejante para as necessidades do mundo exterior, por isso achou melhor falar com Kagome. Mas, apesar disso, suas ações demonstravam o contrário de suas palavras, pois ele continuava a segurar a cintura da menina firmemente.

- É..eu...você tem razão.- Ela ainda não conseguira processar os efeitos do melhor beijo de toda sua vida, por isso seu raciocínio ainda estava lento. Procurou se acalmar e organizar os pensamentos. Olhou para Inuyasha e este a encarava de forma tão abalada quanto ela, fazendo-na achar graça de toda aquela situação.

- É engraçado, é?- O garoto sorria divertido tentando ver melhor uma Kagome que ria com a cabeça em seu ombro. Acabara por abraçá-lo de novo de forma natural.

- Só não me diz que eu tô sonhando.- A estudante disse depois que se acalmou um pouco, mantendo-se abraçada a ele e com a cabeça em seu ombro, próxima ao seu pescoço.

- Caso esteja sonhando, saiba que é um sonho muito bom. Não acorda ainda não.- Ela riu de novo.

- Mas eu tenho que acordar.- Ela se afastou para encará-lo nos olhos. Estava bem vermelha.- Minha mãe vai chamar a polícia daqui a pouco se eu não aparecer.

O hanyou acenou com a cabeça e soltou a jovem. Ela o olhou um tanto aflita e segurou sua mão.

- Eu sei que isso tudo está parecendo estranho, mas acho que vai ficar tudo bem.- Ela sorriu docemente para ele e se aproximou de novo, falando em um sussurro: - Obrigada.

Depois de dar um selinho nos lábios do híbrido de olhos dourados, que parecia um tanto paralisado, ela voltou-se para a escada e subiu alguns degraus, parando quando o ouviu falar com ela.

- Nos vemos na segunda, menina. Eu sei que não há tempo agora, mas depois vamos conversar.- E dando uma piscada para Kagome, ele virou-se de costas e seguiu seu caminho, deixando uma jovem parada na escada sem tempo de responder.

Ela tratou de subir o resto das escadas rapidamente, tentando se preparar para o que viria a seguir. Ela só não esperava que, tendo acabado de ser beijada por Inuyasha de um jeito que nunca fora beijada antes, de uma forma que a faz sentir levitar, ir e voltar da Lua e, ao mesmo tempo, lhe dar a sensação de ser a pessoa mais protegida e segura do mundo; tudo isso ocupava tanto seus pensamentos que, mesmo com uma mãe falando um longo sermão de mais de 30 minutos sobre chegar em casa tarde depois de passar o dia com um garoto, a única coisa para com ela tinha alguma atenção em sua mente era um certo meio-youkai que, mesmo se encontrando a uma distância considerável, pensava nos exatos mesmos acontecimentos que ela.

OoOoOoOo -- Fim do 5° capítulo – oOoOoOoO


É, eu sei que esse capítulo demorou muito mais do que todas nós esperávamos. Isso não é muito bom ''' Eu estive ocupada com os estudos, apesar do meu principal motivo de ausência ser a preguiça de escrever, e por isso demorei esse tempo todo para postar o quinto capítulo. A droga é que eu sinto dizer que talvez seja provável a minha demora para postar o sexto capítulo também, pois eu só consigo escrever quando tenho lapsos de inspiração e paciência. De qualquer forma, as reviews SEMPRE ajudam na hora de escrever...então, se quiserem ler o 6° capítulo logo, seria legal pra mim receber muuitas reviews como estímulo XD

Espero que tenham gostado desse capítulo, pois ele ficou bem grandinho 8D

Respondendo as reviews anteriores..:

Fernanda: Olá : ) O Miroku deve aparecer em breve, mas eu acho que ainda não é no próximo capítulo XD Mas aguarde, ele vai aparecer ; ) E não se preocupe com a Kagome, o Inuyasha está aí pra isso uhauahuhauha Espero que esteja gostando!

Saori Higurashi: Oi :D Nossa, adorei sua review, eu sempre gosto de reviews grandes XD Que bom que está gostando, isso realmente me estimula a escrever mais. Eu particularmente também estou gostando do meu Inuyasha, mas sei que ele ainda precisa de alguns ajustes..XD Espero que tenha gostado do Inu desse cap também ; ) Eu amei ele no final uhauhauhauha E brigada por ler a fic, também adorei ter você como leitora : ) Ainda não faço idéia de quantos capítulos vai ter, mas acho que ela será até longuinha XD O beijo aconteceeeu : ) Gostou? Espero que sim XD Eu fiquei com vontade de ser beijada como a Kagome, omg uhauhahuahuahua Sobre a frase, eu que criei mesmo ; ) Mas pode usar ela que eu não ligo XD Brigada pelo apoio e continue lendo. Beijoos

Huntress Angel: Brigada pelo apoio, Hun(posso chamar assim? Seu nick é muito longo XD preguiçosa). Espero que tenha gostado do Inu nesse cap também. Quanto a revisora, eu preciso do seu e-mail 8D Beijos

Lara do orkut: Obrigada por ler a fic e espero que tenha gostado desse cap : ) Desculpa a demora... Beijos

Luna: Bom, eu dei uma volta por cima mas ela ainda tá meio capenga, né? Uhauhauhauhahua Minha preguiça ainda é bem aguda... Que bom que você recuperou os poemas! Anda escrevendo mais? Sobre a situação com seu Inuyasha, se ele estiver se saindo tão bem quanto o Inu desse cap, você tem um Inu muito bom hein, me apresenta um desses uhauhahuauhauhahu Vc me adicionou no msn mas eu não consegui flaar com vc, não sei se por vc não estar on, não sei se por não ter te achado lá. De qualquer forma, por enquanto acho melhor nos comunicarmos por e-mail: Também acho que vai ser interessante conversar com vc : ) Espero que esteja gostando ainda do que escrevo e que tenha apreciado esse capítulo,a té porque ele ficou particularmente grande( omg 27 páginas no word..) Deize seu e-mail por review caso queira ser revisora ainda : ) Obrigada por ler e gostar! Beijoos

Kaoro Yumi: Bom, o beijo finalmente aconteceu : ) Espero que tenha gostado! Continue lendo e mandando reviews, please. Beijoos

Lali Djibril: Well, faz tempo mesmo. Consertei minha vida no que pude, vou começar facul na UFRJ de biomedicina semana que vem, estou super empolgada. Sobre a fic, sei que demoro a postar e tals, mas é isso que eu consigo...mas espero que esteja gostando. Pra falar a verdade eu também acho meio nosense essa coisa de todos implicarem com eles, mas é que esse é um dos mecanismos centrais dessa fic, aí não tenho muito o que fazer...Vamos imaginar que ensse mundo as pessoas são ruins assim XD ou não XD Adoro receber suas reviews, estarei esperando 8D Bom cap pra vc tbm : ) Beijoos

Bom gente, nos vemos no próximo capítulo, que espero não demorar tanto quanto esse. Grandes beijos para todos e boa sorte(sei lá em que, mas sorte é sempre bom XD).

Carine.