N/A: De novo, sem desculpas e enrolações. Apenas leiam as notas que deixei no final do capítulo (acho que não vão se arrepender). Boa leitura!
Necessidade de Você: 6º capítulo
Acerto de contas
Aquela segunda-feira estava parecendo uma das mais tensas de todo seu histórico no Colégio Higawa. Apesar de já ter tido outros momentos em que seus primeiros passos do dia na tal escola fossem acompanhados por um imenso nervosismo, ela não saberia dizer se já tivera alguma experiência como aquela. Depois de pensar um pouco, viu que já estivera igualmente transtornada sim, mas, dessa vez, era diferente devido ao motivo do nervosismo. Nunca antes ali ela ficara nervosa por coisa semelhante ao adentrar o local. Não sabia se queria chegar logo ou atrasar mais sua entrada na sala, por isso ora andava rápido, ora devagar. Suas mãos torciam freneticamente, e ela não sabia se olhava para frente ou encarava o chão. Não encontrara ninguém com quem tivesse o hábito de conversar e já estava vermelha dos pés à cabeça, sem nem conseguir pronunciar um mero "bom dia" com clareza.
Foi com o coração na boca que Kagome Higurashi adentrou a sala de aula na primeira segunda-feira depois de seu avassalador beijo com Inuyasha Taisho. Apesar disso, sentiu como se uma pedra de gelo tivesse caído em seu estômago, esfriando todas aquelas sensações anteriores, quando viu que o meio-youkai ainda não estava no lugar. Não sabia se sentira alívio ou tristeza, mas, de fato, não se sentia a pessoa mais confortável do mundo no momento. Sua confusão mental foi apenas amenizada pela voz de sua melhor amiga, sentada ao lado de sua carteira.
- Bom dia de novo para a viajante. - Sango acenava para ela tentando chamar sua atenção. Pelo que tudo indicava, havia falado com a amiga logo quando esta chegara, mas, como Kagome estava mais concentrada em outra pessoa, esta não escutara absolutamente nada.
- Ah, bom dia, Sango. - A jovem de olhos azuis tratou de encarar a amiga com um sorriso um tanto forçado, pois realmente não estava concentrando-se muito no que se passava além do que era relacionado ao hanyou. Seus músculos pareciam enrijecidos demais para que ela fosse capaz de sorrir normalmente. Ela olhava para os lados a todo o momento, e definitivamente não estava feliz por não vê-lo na sala ainda, apesar da perspectiva de tê-lo na sua frente ainda a constranger bastante depois de tudo que acontecera.
- Você está esquisita, hein. O que aconteceu?- Sango a encarava curiosamente, tendo o pressentimento de que aquilo com certeza tinha a ver com o estudante que costumava sentar perto da janela e que estava sempre mal-humorado.
- O... O que, Sango?- O fato de a jovem encarar a porta continuamente e não estar prestando atenção no que a amiga dizia só aumentava as desconfianças da última.
- Eu te perguntei o que aconteceu, menina. - Ela a encarava achando muita graça naquilo, pois Kagome não sabia ser discreta quando estava sentindo alguma coisa.
- O que me aconteceu?- A palavra "menina" a despertara, fazendo-a encarar a púbere de olhos castanhos como se fosse a primeira vez que a visse naquele dia. Ela tratou de responder rápido, de forma muito incomum para o seu normal. - Nada. Não aconteceu nada, está tudo bem. Só acho que estou com um pouco de sono. - Novamente ela sorriu de forma forçada para tentar convencer a outra.
- Tem certeza?- Sango ria da cara que a amiga fazia, pois parecia estar perdida. - Olha, vamos beber uma água pra ver se você acorda, tudo bem?
- Beber água?- O jeito surpreso da garota era tão cômico que, por pouco, Sango não caiu na risada. A jovem de olhos azuis reagira como se tivesse sido convidada para saltar de Bang Jump.
- É, Kagome, água. De beber, sabe? Você está meio sonolenta, pelo visto. Na verdade, acho que ainda nem acordou. - Sango soltou um riso quando levantou ainda olhando para Kagome, pois sabia que esta estava apenas tentando enrolá-la com alguma coisa que ela, em breve, descobriria o que era.
- É, vamos beber água. -
A possibilidade de encontrar Inuyasha no corredor era tão aterrorizadora para Kagome que, por isso, voltou a torcer as mãos e encarar ora o chão, ora o corredor com um ar tenso, e não pronunciou mais uma palavra sequer no percurso. Sango andou olhando atentamente a garota, pois seus modos estavam tão estranhos que não tinha como não desconfiar. Alguma coisa tinha acontecido, e ela mal esperava a hora de fazer Kagome começar a falar. Porém, foram interrompidas no caminho pela garota da qual as duas não gostavam nem um pouco. Ela estava encostada em uma parede conversando com alguma outra estudante, mas, quando vira a colegial de olhos azuis passar, veio andando até ela e falou em voz baixa(o que era muito incomum para aquele tipo de situação, pois sempre gostou de fazer confusão nos corredores).
- Estava aqui me perguntando como anda a minha vadiazinha preferida da escola, sabia? - Seu sorriso debochado era tão irritante para as duas jovens que dava vontade de pular em seu pescoço e estraçalhá-la.
- Você não viu sua vadiazinha preferida ainda porque não se olhou no espelho hoje. Então procure um e pergunte a si mesma quando fizer isso, ok?- Kagome não estava com a mínima paciência de discutir com a tal estudante.
- Anda treinando a língua, é?- Ela se aproximou da menina e sussurrou para que só ela ouvisse. - Fiquei mesmo sabendo que você anda exercitando sua língua com uma gentinha imunda aí, até mesmo cachorros. O que me diz?
A jovem de olhos azuis a encarou com certa incredulidade, sentindo um pouco do ar escapar-lhe. Uma raiva sem tamanho tomou conta de seu ser e, de repente, sua maior vontade era quebrar a cara da garota que a encarava no momento com um sorriso debochado. Acabou demorando um tempo até retomar o controle e responder com a voz contida.
- Pelo menos a boca de um cachorro é mais limpa do que o seu corpo inteiro, Tsubaki.
- Ora, por que tanta agressividade, Kagome? Eu já sei que essa história toda que ando escutando é um completo absurdo. Você não chegaria a tanto, não é? Não se rebaixaria a esse ponto, estou certa? - Seu sorriso de deboche vacilou um pouco ao encarar a expressão letal da outra.
- Preocupe-se com a sua vida, mulher, e não se intrometa na minha. -
A jovem de olhos azuis terminou virando as costas e caminhando rápido para longe dali, pois estava achando difícil controlar o impulso de voar no pescoço de Tsubaki. Esta última ficou parada onde estava, ainda sorrindo, e observado a pessoa com quem estava conversando se distanciar rapidamente. Porém, seus pensamentos não estavam tão calmos, pois aquela reação não parecia ser o que estava esperando. Achava que Kagome fosse negar resolutamente, discutir mais ou sei lá o quê... Simplesmente pestanejar mais. Mas definitivamente não esperava apenas um "cuide da sua vida". Uma sensação ruim tomou conta de sua mente, e ela percebeu que não estava gostando nadinha daquilo...
Depois de se certificar de que as pessoas não estavam ouvindo, Sango, que até então não falara nada, virou-se para Kagome e perguntou:
- O que está acontecendo, Kagome? E nem adianta tentar desconversar porque não vai adiantar, você está nervosa demais desde que entrou nesse colégio hoje. - Ela passara alguns minutos observando a amiga e percebera que esta estava se comportando de forma realmente anormal, pois numa hora mal conseguia falar de tanto nervosismo, e agora pisava no chão com tanta força que ameaçava abrir buracos em todo o caminho.
- Olha, Sango, eu.....- Ela desacelerou os passos, parando no corredor, enquanto encarava os pés procurando algo para responder. Ainda sentia o nervosismo somado à raiva, e isso saturou tanto sua mente que mal conseguia organizar seus pensamentos. Tsubaki não tinha o direito de falar aquelas idiotices sobre quem ela nem conhecia, muito menos sobre sua própria vida.
- Não precisa ficar assim, Kagome. Está tudo bem, não é?- Sango levantara o rosto da amiga para encarar seus olhos.
- É, está tudo bem. Eu só-- Sua voz sumira de repente. Se antes já estava difícil de falar, agora então que não conseguiria soltar uma palavra sequer; não com um meio-youkai de olhos dourados parado a sua frente.
Sango seguiu o olhar da amiga e deu de cara com o indivíduo que ela encarava. Porém, diferente de Kagome, a qual adquirira um tom próximo ao roxo berrante no rosto e estava super-hiper-mega-nervosa, a jovem que a acompanhava apenas sorriu triunfante e assumiu o ar de quem tinha ganhado a bolada do dia.
- Bom dia, Inuyasha. - O sorriso de Sango duplicou quando percebeu que o hanyou demorara em responder seu cumprimento por estar ocupado demais encarando sua amiga.
- Oi. - Ele se restringiu a murmurar baixo com um breve aceno da cabeça, as mãos nos bolsos, mas parando de olhar Kagome para encarar Sango somente após algum tempo.
- Mas vocês estão muito estranhos, hein. Inuyasha respondendo sem resmungar e Kagome sem falar absolutamente nada. Onde está sua educação, garota?- A morena estava divertindo-se intensamente ao provocar o casal. Kagome tratou de se remexer e falar baixo também, tentando decidir se encarava Sango mortalmente ou se concentrava-se em tentar usar um tom normal com o hanyou.
- Bom dia, Inuyasha. - Sua voz saiu tão enrolada e mastigada que parecia ter um limão na garganta. Sua dificuldade em encará-lo somada a esse fato fez o garoto achar muita graça naquilo. Resolveu brincar um pouco...
- Desse jeito vai ser difícil conversar qualquer coisa com você, hein... -
Os dois se encararam por uns segundos, Kagome processando o significado daquelas palavras pelo olhar dele. Ah, claro, como se lembrava da última coisa que ele havia dito a ela no sábado!...
"Nos vemos na segunda, menina. Eu sei que não há tempo agora, mas depois vamos conversar", dissera ele.
A realidade era que tinha ficado ansiosa por aquele diálogo por todo domingo tanto quanto esteve pelo momento em que se encontrariam de novo. Desta forma, Kagome foi perdendo aos poucos o entrave na hora de falar, relaxando os músculos. Afinal, ela não podia agir como uma idiota na frente dele. Nem sequer havia um motivo para ficar nervosa, ele era a mesma pessoa de sempre. O mesmíssimo meio-youkai rabugento e mal-humorado. E que beijava estupendamente bem. Tudo bem, essa parte ela preferiu deixar quieta, pois não a ajudava a se acalmar, só piorava tudo. Sim, era só pensar com tranqüilidade e agir como sempre... Ou tentar isso.
Já Inuyasha, este não sabia se ficara nervoso por não saber o que falar na hora H, ou se era por medo de agarrá-la em pleno corredor assim que a visse. Diga-se de passagem que a segunda opção foi extremamente tentadora a ele, ainda mais quando se via de frente com aquela púbere de corpo tão bonito em uma saia leve e uma camiseta de malha que moldava toda sua forma, as pernas à mostra com sandálias rasteiras e que amarravam acima do tornozelo, realçando sua delicadeza perfeita. Sem falar no rosto com aqueles belos olhos azuis e a boca rosada tão convidativa a ele, parecendo chamá-lo para tomar uma segunda dose de seu especial sabor. Seus pensamentos estavam levando sua sanidade para longe, forçando-o a pensar com a cabeça errada, se é que me entendem. E essa constatação só servia para irritá-lo, pois isso era sempre comum quando estava em presença da jovem colegial. Assim, balançou a cabeça levemente, passando as mãos nos cabelos antes de desviar os olhos dela para as outras coisas ao seu redor, mesmo que fossem menos interessantes que seu primeiro alvo de vista.
- E vão precisar conversar mesmo, pois não se esqueçam que hoje é a apresentação do trabalho de geografia. - Sango parou de ficar apenas observando-os e passou a instigá-los a falar um pouco mais, pois suas notas enigmáticas e olhares significativos ainda não lhe traduziam exatamente o que tinha acontecido, apesar de já ter um excelente palpite.
- Como disse?- Inuyasha aproveitou a deixa para mudar o rumo de seus pensamentos para algo mais parado, como o estudo.
- Ai caramba!!- Kagome acordou de seu transe e falou de olhos arregalados quando processou o que Sango dissera. – O trabalho! A gente vai apresentar hoje, Inu!!
- Ah, isso. - Ele falou com mais calma, como se fosse algo nada importante. Achou melhor não comentar o "Inu" dito imperceptivelmente por ela, pois a situação era meio complicada entre os dois.
- Como assim "isso"?- Ela o olhou um tanto surpresa com sua tranqüilidade. - O trabalho que a gente demorou tanto pra fazer e pensar é pra hoje, temos que nos preparar.
- Relaxa, menina, a gente não precisa disso. Já discutimos o suficiente, e eu sei que você já sabe tudo.
- O Inuyasha tem razão, Kagome, fica calma. - Sango falou isso apesar de saber que era impossível para a garota permanecer calma naquela hora. Kagome sempre ficava nervosa na hora de apresentar trabalhos, as circunstâncias atuais só pioravam isso.
- Vamos entrar logo então pra acertar os últimos detalhes, ok?- No fundo, ela aproveitou a situação para fugir daquela tensão de antes, pois o clima criado e, ainda por cima, tendo uma Sango sorridente e triunfante ao seu lado, estavam deixando-a doida. Porém, não foi com surpresa que sentiu a mão da amiga segurando seu braço quando estavam adentrando o recinto.
- No recreio você não me escapa, vai explicar absolutamente tudo que rolou nesse fim de semana. Estamos entendidas?- Ela falava com um sussurro letal em seus ouvidos.
- Creio que não vou conseguir fugir dessa vez, não é?- Kagome apenas sorriu conformada.
- Boa menina. - E o sorriso travesso tomou conta das duas na hora.
A situação não era algo nem comum, nem estranho. Inuyasha estava de costas para as garotas, mas sabia que elas haviam cochichado alguma coisa relativa aos acontecimentos recentes, fazendo-o assumir um ar forçadamente descontraído para evitar suspeitas. Estava sim com vontade de puxar Kagome pela mão e levá-la a algum lugar reservado para agarrar sua cintura, dar um beijo longo e profundo em sua boca convidativa, alisar aquela pele e...... É, é melhor parar. Seus pensamentos afogueados não eram um bom sinal. No entanto, também queria ouvir mais sua voz, saber o que ela iria falar depois do acontecido. Sim, estava bastante curioso com o que vinha a seguir. E não se podia dizer que Kagome estava diferente, pois se encontrava pensando nas mesmas coisas, até mesmo na possibilidade de ser agarrada, sentir o beijo daquele lindo hanyou, sua pele alisada e.... É, é melhor parar. A única diferença entre os dois era que, diferente de Inuyasha, o qual sabia ser discreto, a garota parecia estar com uma febre constante, mantendo suas faces avermelhadas quase o tempo todo só de pensar no que poderia acontecer mais tarde.
Contudo, todos os pensamentos dos dois foram devastados logo que Kagome chegou perto de sua mesa. Ela definitivamente não estava esperando por um par de braços envolvendo-a em torno de sua cintura e nem por uma boca encostando em sua nuca. Na mesma hora sentiu-se congelar e logo tentou reagir para se livrar daquele contato, pois assim que ouviu a voz do homem, a última coisa que ela queria era permanecer próxima a ele daquele jeito.
- Bom dia, meu doce. - A voz calma e maliciosa de Shikato Bankotsu soava logo atrás dela, suas costas coladas ao corpo masculino.
- Me solta, Bankotsu, sai de perto de mim!-
Kagome pegou as mãos dele em sua barriga e tentou afastá-las de si, mas uma das coisas que mais odiava naquilo tudo era saber que não tinha forças para medir com ele, apenas o suficiente para espernear. Algumas pessoas nem se deram ao trabalho de olhar para aquela cena, pois ela era tão habitual que chegava a ser rotineiro. Porém, a maioria ainda desfrutava daquele cotidiano do moreno tentando agarrar a mulher mais comentada do lugar, divertindo-se com as palavras e mãos bobas dele. Contudo, a uma coisa aquela turma não estava acostumada, definitivamente. Não, eles nunca viram ninguém interferir naquela "briga", a não ser Sango, que ainda tentava fazer algo, mas logo era segurada pelos amigos do garoto. Desta forma, foi com surpresa que todos assistiram Bankotsu ser desafiado por ninguém menos que o hanyou do Colégio Higawa.
- É melhor você procurar seu rumo e deixar Kagome em paz, Bankotsu, antes que eu o faça por você. E tenho certeza que já sabe também o que acontece caso tente me segurar. - Seus olhos pareciam perfurar o moreno, sua voz letalmente calma. Alguns dos amigos de Bankotsu estavam na frente de Inuyasha, mas vacilaram diante de suas palavras. O jovem encrenqueiro encarava o meio-youkai com um ódio profundo, pensando no que fazer. A turma inteira agora olhava o espetáculo silenciosamente, prestando atenção nos mínimos detalhes.
- Agora você está querendo marcar território, cãozinho? – Uma veia latejava em sua têmpora, o sorriso vacilante. Ainda se mantinha agarrado a Kagome, praticamente a usando como escudo. Ele dirigiu-se a Kagome em seguida. – Ora ora, as coisas estão ficando mais claras. Por acaso você anda fazendo algum tipo de serviço pra esse hanyou fedorento e, em troca, ele serve de guarda-costas?
- Cala a boca e me solta, seu idiota!-
Ela voltou a se sacudir nos braços de Bankotsu, um tanto nervosa por estar naquela posição e pelo que ele dizia. Estava farta de toda aquela gente encarando-a como se fosse uma atração de zoológico, farta de todos se metendo em sua vida. E daí se queria ficar com o hanyou? E daí se gostava de beijá-lo? E daí se gostava dele? O problema era dela, não era? E ainda tinha que aturar aquele cretino agarrando-a toda semana e ninguém movendo uma palha sequer para ajudá-la.
Inuyasha, que assistia àquilo muito incomodado, voltou a estalar a língua e pronunciar de forma impaciente. Estava realmente irritado, ver Bankotsu aproveitando-se de Kagome era algo péssimo para seu humor. Só não tinha avançado no humano logo de cara por medo de machucar a garota.
- Essa é sua última chance, idiota. Você já sabe o que vai acontecer se não sumir daqui agora, então não diga que não avisei. - Inuyasha deu um passo à frente, os amigos de Bankotsu nem ousaram ficar em seu caminho. Logo estava cara a cara com seu alvo. A sala parecia prender a respiração, Sango ainda com as mãos presas pelos outros, observando atentamente o que acontecia.
- Não vai ousar fazer nada se eu estiver com ela, não é?-
Ele apertou mais o "abraço" com Kagome, os dois encarando Inuyasha. A diferença era que, enquanto Bankotsu parecia temê-lo e desafiá-lo ao mesmo tempo, a púbere o encarava com admiração e gratidão, sabendo que com ele estaria tudo bem. Aquela era a segurança que tinha de Inuyasha, uma das coisas que a faziam se sentir tão bem quando estava com o meio-youkai. Porém, aquilo já esgotara sua paciência. Não, ele não ia tolerar esse tipo de atitude do humano abusado.
Assim, Inuyasha avançou com sua rapidez anormal, puxando o braço de Bankotsu de cima de Kagome sem que este último tivesse qualquer possibilidade de pensar em algo para se defender. Tirando o primeiro braço dele, o hanyou simplesmente girou e parou numa posição que matinha o braço de Bankotsu atrás dele próprio, causando uma dor profunda a cada vez que o pressionava.
- Solta ela e vai pro seu lugar. - Inuyasha falou em alto e bom som nas costas do garoto, que continuava a segurar Kagome com o outro abraço.
- É só isso que você pode fazer, cachorrinho?- A voz de Bankotsu saiu vacilante, pois a força do hanyou era enorme, dando muita dificuldade a ele em resistir. Mas não se entregaria daquela forma... Seu braço pressionou mais a barriga de Kagome, a blusa estava um pouco levantada acima do umbigo devido ao aperto e aos remexos dela, e a mão do moreno tentava se prender ao corpo da jovem de forma que a arranhava e beliscava muito a cada vez que ele apertava mais.
- Vou repetir mais uma vez, idiota, solte-a antes que a situação piore pro seu lado. - O sangue latejava em suas veias com um ódio mortal, ainda mais quando ouvia os resmungos e leves gemidos de dor que Kagome pronunciava às vezes, justamente quando Bankotsu a apertava. Pressionou mais fortemente o braço do garoto, fazendo-o reclamar com a dor que agora já ultrapassava seu limite. Não conseguindo mais conter aquilo, ele largou a jovem colegial, que permanecia respirando forte e com as mãos onde sua pele na barriga adquirira um tom vermelho intenso devido aos arranhões e apertos.
- 'Tá se achando o fodão, não é, hanyou de merda? – Bankotsu tinha um fogo de ódio em seus olhos. - Pois fique sabendo que isso não vai longe não. Ainda mais porque a Kagome sempre vai te deixar na mão. Você que acha que é muito especial, mas vai ver que não é. É só um meio-youkai nojento, e ela simplesmente o suporta por pena e porque está ganhando com as suas "ajudas". Vai se ferrar no final das contas... Ah v--
- CALA A BOCA, Bankotsu!- A voz feminina muito elevada surpreendeu a todos – Já chega!- Kagome respirava fortemente para controlar a raiva. - Não pense que sabe muito sobre mim, porque não sabe, então não vai abrindo essa boca nojenta pra falar besteira. E caso não saiba, Inuyasha tem um valor inestimável, infinitamente melhor que você, burro é quem não enxerga isso. Eu vejo o que vejo, e você e nem ninguém vai mudar isso de mim, entendeu? Então pára de se meter no que eu faço e nos deixa em paz!- Todos pareceram surpresos pela fala da garota, até mesmo o hanyou. Ela já não estava agüentando aquilo tudo, sabia que explodiria alguma hora.
- Pra mim, o que você disse foi simplesmente que o Inuyasha é melhor na cama. Agora fiquei surpreso mesmo, mas não deveria esperar algo diferente disso vindo de você. - Seu sorriso debochado provocava náuseas em Kagome, suas palavras a faziam querer matá-lo. Bankotsu tentava a todo custo compensar seu orgulho ferido, atacando o que pudesse. Mas ele não podia ir longe, não com o próprio Inuyasha ali.
- Já chega. Você vai aprender a não falar mais estupidezes como essa, seu animal.
O hanyou já tinha ultrapassado tanto seu limite de irritação, que nem pôde se segurar quando avançou em Bankotsu e o segurou pela gola da camisa. Na mesma hora, Kagome e os outros arregalaram os olhos e correram para separar, mas, infelizmente, a porta da sala se abriu, revelando o professor de história nela. Ele demorou um pouco para entender o que estava acontecendo para ver aquela aglomeração com Inuyasha segurando Bankotsu pela camisa no meio.
- Mas o que está acontecendo? Que ato de barbárie está se passando nesta sala? Podem ir os dois para a diretoria, JÁ!
Todos imediatamente voltaram para suas cadeiras com expressões alarmadas e, por vezes, animadas com o acontecimento do dia. Todos, exceto Kagome, Sango, Inuyasha e Bankotsu, sentaram e ficaram olhando o que se estenderia dali em diante.
- Professor, não foi isso que está pensand—Kagome ainda tentou começar.
- Não quero saber, senhorita Higurashi, os dois vão sofrer suas conseqüências por seus atos e eles que se entendam com o diretor. A senhorita volte para sua cadeira também. - Ele parecia realmente irritado com a situação.
- A Kagome vai à enfermaria antes. - Inuyasha estava irritado, mas não conseguia deixar de reparar na vermelhidão e os rastros de marcas de arranhões na barriga da jovem. Sua voz saiu tão firme que até o professor achou difícil discutir com ele.
- Como assim "enfermaria"? A senhorita acaso está passando mal?
- Inuyasha tem razão, professor. Kagome precisa passar algo na barriga pelos arranhões, pode ser que inflame se não fizermos nada. - Dessa vez foi Sango que se pronunciou.
- A senhorita está machucada? Mas o que está acontecendo? Você estava brigando também?- O professor pareceu ter ficado mais chocado ainda. -
- O senhor acabou de dizer que não quer saber e que isso será resolvido com o diretor, então por que pergunta?- Kagome não conseguiu conter a língua. Algumas pessoas riram de sua fala, pegando o professor por suas próprias palavras.
- Não fale com estes tons comigo, Higurashi!- Ele estreitara os olhos para ela. Inuyasha e Sango sorriam levemente para a garota. - Vá para a enfermaria e depois veja o diretor também.
- Eu vou com ela. - Sango rapidamente se adiantou.
A confusão foi tanta que o professor nem ousou discutir o porquê de Kagome precisar de uma acompanhante quando conseguia andar perfeitamente sozinha. Assim, os quatro abandonaram a sala em completo silêncio, deixando apenas o professor lidando sozinho com aquela turma agitada e barulhenta pelo ocorrido, todos cochichando uns com os outros toda hora.
- Que coisa mais ridícula, indo para o "diretor" só por causa de uma babaquice daquelas. – Bankotsu parecia realmente irritado. Andava lançando olhares malignos ao meio-youkai ao seu lado e resmungando o tempo todo.
- Cala a boca, idiota, foi você que causou isso tudo. Vê se aprende a não fazer mais essas besteiras, já encheu o saco. E nem pense também que eu vou te deixar falar asneiras do meu lado de novo, eu teria quebrado a sua cara se aquele velho não tivesse chegado pra salvar a sua pele.
- Não adianta mais ficar discutindo, Inuyasha, agora a gente vai ter que resolver isso com o diretor. – Kagome parecia um pouco aflita com isso, pois sabia que aquilo poderia pôr em risco sua bolsa. - Isso não é nada legal...
- Calma, Kagome, você não fez nada. Na verdade, você é a vítima. - Sango andava ao lado dela lançando olhares irritados a Bankotsu.
- Está bem, vão os pobres coitados ficarem reclamando no meu ouvido por causa de uma brincadeirinha idiota...
- Brincadeirinha idiota que já encheu o saco, seu cretino. Eu não gosto nem de ficar perto de você. Por que não aprende logo a se comportar como um ser humano, e não um monstro? – A jovem de olhos azuis o encarava indignada.
- Deixa ele fazer isso de novo que eu não vou ter pena, Kagome, espera só...- Inuyasha estalou os dedos malignamente.
- Pois reclamem o quanto quiserem, eu não vou ter medinho de ninguém. – Bankotsu deu um sorriso debochado aos outros.
- É bom não ter medo do diretor também não, porque é ele que vocês vão enfrentar agora. - Sango apontou a porta ao lado deles.
- Feh. - Inuyasha deu de ombros e Bankotsu apenas resmungou de novo. - Vê se olha esse negócio direito, menina, deve estar cheio de vermes desse animal aí na sua barriga. É melhor passar um anti-séptico bem forte.
- Que engraçado, achei que o cachorro imundo aqui fosse você. - Bankotsu e Inuyasha se encararam de novo, um querendo voar no pescoço do outro.
Sango revirou os olhos e bateu na porta por eles, pois viu que não sairiam dali tão cedo caso não fizesse alguma coisa. Eles ouviram um "entre" e se viraram para a porta logo em seguida.
As garotas ficaram ali em tempo de ouvir a voz do diretor perguntando "O que os traz aqui a essa hora da manhã, garotos?". Elas se encararam e rumaram para enfermaria juntas depois disso. Porém, mal deram dois passos e Sango já disparou:
- Pois bem, senhorita Higurashi, me explique isso. O nervosismo, aqueles diálogos antes de entrar na sala e essas atitudes agora na briga. Pode começar a falar.
- Calma, Sango, não vai me metralhando assim. - Ela já estava engolindo em seco pelo que viria a seguir. As duas continuaram andando.
- Não enrola, Kagome Higurashi. Aconteceu alguma coisa no final de semana? Quer dizer, que aconteceu algo eu sei, eu quero é saber O QUE aconteceu. -
- Assim... Por onde você quer que eu comece?- A jovem de olhos azuis já estava vermelha de novo.
- Vocês se beijaram?- A mania de Sango de ser tão direta sempre perturbava muito Kagome. Esta última teve uma ligeira crise de tosses e engasgos após ouvir isso, a amiga era muito perspicaz. Só isso já foi suficiente como confirmação para a pergunta. - Aii!! Eu não acredito, que máximo!! – Ela ria muito, deixando Kagome mais vermelha. - Eu sabia, eu sa-bi-a!! Desde que eu vi vocês dois quando chegaram, eu soube no ato.
- Sa-Sango, não faz isso. Daqui a pouco os outros professores vão sair das salas pra ver por que tem tanto barulho no corredor, você está rindo alto demais. – No entanto, Kagome não conseguia deixar de sorrir diante tanta felicidade da amiga.
- Ah, Kagome, eu não consigo controlar, é mais forte que eu. Mas enfim... Me conte como foi, como aconteceu, quem teve iniciativa...
- Foi no sábado, quando a gente saiu pro trabalho de geografia. - E assim a morena foi narrando todos os acontecimentos daquele dia tão especial para ela e o hanyou. Na altura em que tinha terminado de contar até a hora do beijo, já estavam na frente da enfermaria.
- Garota, estou pasma!! Eu nem acredito que você tomou coragem de chegar nele assim!! Kagome, é perfeito, sério mesmo. E eu ainda não acredito que você não o beijou logo lá na roda gigante, ia ser a coisa mais linda do mundo. - Kagome e Sango não conseguiam controlar a risada mesmo com os acontecimentos de alguns minutos atrás e a perspectiva de encontrar o diretor em seguida.
- Mas já foi bonito do jeito que aconteceu. Você não tem noção, Sango, o Inuyasha é quase... Sei lá... Um gênio nessas coisas. - Nessa hora a morena de olhos castanhos não conteve uma gargalhada escandalosa.
- Espere aí, é isso mesmo que eu ouvi? Você acabou de dizer que o Inuyasha beija muito bem?
- Eu estaria mentindo se dissesse que não. Sério, eu não conseguia pensar em outra coisa o dia inteiro ontem. – Mesmo estando muuuito vermelha, ela achava que tinha de falar aquilo. As duas caíram na risada de novo. – Mas olha só, vamos logo ver esse negócio na minha barriga porque a gente não pode ficar o dia inteiro nesse corredor.
Elas entraram na enfermaria e falaram com a moça que trabalhava lá. Depois de ter feito os devidos procedimentos na barriga da garota, que nem era algo tão urgente assim, visto que eram apenas alguns arranhões, Kagome e Sango se encontravam no corredor de novo.
- Estava meio esquisito mesmo esse negócio na sua barriga, ainda bem que o Inuyasha lembrou. - A púbere estava olhando a camada de pomada com um ligeiro curativo em cima do machucado da amiga, a blusa ainda ligeiramente levantada para esperar o produto secar.
- Bankotsu é um monstro, eu não esperaria outras coisas dele. - Kagome comprimiu os lábios em más lembranças e irritação.
- Mas agora é diferente, não é? Inuyasha é um bom guarda-costas mesmo!- Sango não pôde controlar a piada.
- Na hora que eu ouvi a voz dele quando o Bankotsu me agarrou, eu quase tive um treco. Eu soube que estava tudo bem desde então, não estava mais nas mãos daquele cretino.
- Ohhnnn, que bonitinho. Kagome, você está mesmo gostando dele!!- Sango sorria feliz para a amiga enquanto segurava suas mãos, balançando-as como se estivessem dançando.
- Ah, Sango, a gente só se beijou uma vez e nos conhecemos há um mês... Sei lá. Não sei mesmo... - Mas suas reações claramente confirmavam o que Sango havia dito. Um tímido sorriso se formou em sua face enquanto encarava o chão, as faces ruborizadas.
- Depois de tudo que você me disse agora e lá na hora da briga, ainda tem alguma dúvida? E você mesma disse que o beijo tinha sido ótimo, isso pode ser explicado pelo fato de vocês terem ansiado muito por ele porque se gostam. Um beijo com sentimento é sempre mil vezes melhor do que os outros.
- "Vocês"? Você está achando que ele gosta de mim, Sango?- Kagome de repente pareceu mais animada que antes, mas tentou perguntar meio como quem não quer saber, só por dúvida. Sango simplesmente revirou os olhos e deu uma risada exasperada.
- Se ele gosta de você? Kagome, acorda. O cara te defendeu com unhas e dentes agora há pouco. Interessa-se e se preocupa com você, além de ter feito tudo aquilo no sábado e nos outros dias. Além do mais, sejamos francas: até parece que o Inuyasha também não ficou pensando no beijo horas e horas, provavelmente quer repetir o feito. Você é gata, beija bem e ainda é uma pessoa até suportável. - Sango riu um pouco com o ligeiro empurrão que a amiga ruborizada lhe deu - Inuyasha seria um louco se não estivesse caidinho por você.
- Bom... Não sei, não é? Ele implica muito comigo também, além de ficar falando que eu sou "menina" e tal. Vai ver ele me acha infantil, sei lá... - Ela falou na defensiva, tentando expor os outros lados da questão. Estava muito curiosa sobre o assunto, mas também nervosa. A perspectiva de uma confirmação de que Inuyasha gostava dela a animava muito.
- Ai, Kagome, às vezes você é tão lerda, hein. - Ela deu um leve cutucão na testa da garota. - Ele só faz isso por brincadeira mesmo, é o jeito dele. Inuyasha não é do tipo que fica babando ovo de ninguém, sabe como é. Além do mais, é meio óbvio que ele sabe que você é uma mulher, e não uma menina. - Sango deu um olhar significativo como quem diz "Está na cara". Bom, infelizmente, não estava tão na cara assim para Kagome.
- O que você quer dizer com isso, Sango?- Esta última olhou para a amiga de olhos azuis com uma expressão de "Você-só-pode-estar-brincando". Ela deu outro riso nervoso e exasperado e continuou sua fala.
- Kagome do meu coração, todo e qualquer homem que te conhece alguma vez já olhou pros seus seios, pernas, bunda e qualquer outra coisa do tipo, sabe? Coisas de corpo de mulher. - Riu um pouco com a cara meio alarmada e envergonhada da morena. - Caso você não saiba, meninas não têm corpo de mulher. Homens sentem atração física por corpos de mulheres bonitas, não de meninas, pelo menos os normais. E eu não sei se você sabe, mas metade dessa escola baba pelo que você tem aí, que totalmente é corpo de mulher. A outra metade que não baba é porque ama a namorada que tem ou então é a parcela de mulheres e gays daqui. Não existe possibilidade do Inuyasha não ter reparado em você, se é que alguma vez não ficou desconcertado por ter reparado até demais, ou pensado demais também. Ele definitivamente se inclui na primeira parcela, o clube dos que babam por você, Kagome.
-Você acaba de aumentar umas dez vezes a minha auto-estima, muito obrigada. - Ela não sabia como desconversar o que a amiga havia dito, mesmo achando que não era tudo que ela tinha falado. Mas preferiu se descontrair e levar a brincadeira, já que aquelas palavras sobre ela e Inuyasha a tinham deixado com o humor flutuante. - E nem tente se fazer de desentendida, sabe que uma galera aqui baba em você também, Sango Hiraikotsu!
- Obrigada pelos elogios, mas essa não é a questão agora. - Sango riu também junto com Kagome. – Quero ver como vai ser a conversa, é isso que interessa!
- Nem me fale, eu fico ansiosa só de pensar.
- Hm... Aposto como vai rolar um replay de sábado, hein... - Sango adorava brincar com a morena, que estava vermelha de novo.
- Não vamos falar disso, pode ser que eu fique imaginando coisas. - Elas riram mais. - De qualquer forma, hora de ver o diretor. Deve estar pegando fogo lá dentro.
As duas estavam paradas diante a porta do diretor, já preparadas para o que viria. Ouviram um pouco na porta e puderam constatar que os meninos ainda estavam lá. Assim, bateram na porta e entraram em seguida.
- Ora, eis a senhorita Higurashi para nos descrever seu ponto de vista. –
O diretor Myouga era um velho muito preocupado com a ordem da escola, sendo bem imediato e, ocasionalmente, insensato quanto às atitudes tomadas para garantir tal condição. Não costumava ser uma pessoa injusta, por isso sempre ouvia a opinião de todos quanto ao que acontecia para evitar julgamentos errados. Seu defeito era só que, às vezes, na tentativa de resolver os problemas de forma rápida, ele acabava não tratando das questões direito, deixando que alguns erros acabassem por repetir. Outro problema também era que o diretor era muito chegado em Onigumo, caindo sempre nas conversas moles que o tal lançava quando algum aluno vinha reclamar sobre algumas das injustiças cometidas por ele tão constantemente. Neste dia, ele parecia outra vez disposto a resolver a situação de forma rápida e prática, conversando com os meninos. Porém, parecia estar acontecendo certa discórdia na narração do que ocorrera.
- Estes meninos estão me contando sobre uma briga que aconteceu na sala de vocês agora, a qual envolvia a senhorita. O senhor Shikato diz que não fez nada, só a estava cumprimentando e, de repente, o senhor Taisho levantou irritado e, com isso, começou a briga. - Kagome lançava olhares irritados a Bankotsu. - Já o senhor Taisho, ele disse que Bankotsu a machucou e a importunou, digamos assim, quando você pedia para que se afastasse e depois começou a briga. Por favor, senhorita Higurashi, poderia sentar-se e contar-me exatamente o que aconteceu?
- Bom- Ela começou, sentando-se ao lado de Sango em uma cadeira. Ninguém parecia se importar que ela estivesse presente quando não tinha nada a ver com a questão. - Eu estava chegando na sala e aí Bankotsu me segurou por trás. Eu pedi para sair e me deixar em paz, mas ele não me atendeu. Daí, Inuyasha veio e falou que deveria me soltar, mas Bankotsu ainda assim não atendeu. Foi então que Inuyasha o forçou a me soltar segurando o braço dele. O Bankotsu ficou irritado e me machucou e, além disso, depois ficou falando algumas coisas para nos irritar. Foi quando o Inuyasha se irritou e eles iam começar outra briga, mas antes disso o professor chegou. – Kagome tentava ao máximo possível não colocar palavras que incriminassem Inuyasha, mostrando que ele estava caindo na briga.
- A senhorita se machucou?- Myouga parecia meio alterado. Kagome confirmou com um aceno e levantou a blusa, mostrando o curativo.
- Acabei de voltar da enfermaria, o senhor pode confirmar.
- Ruim, realmente ruim... Isso deixa as coisas piores para o seu lado, senhor Shikato. - Bankotsu parecia muito irritado, e passou a encarar a janela. - O senhor Taisho também não está livre das acusações, pois ele não deveria ter caído nas provocações. Tinha que ter vindo me procurar logo no começo, não resolver as coisas por meio da força física.
- Mas diretor, até chamarmos o senhor, Kagome estaria sendo forçada e humilhada por Bankotsu, e isso foi o que nos fez tentar resolver as coisas ali mesmo. - Sango se pronunciou para defender o casal.
- Mesmo assim, senhorita Hiraikotsu, nada justifica a atitude agressiva de Inuyasha, muito menos o fato de Bankotsu a ter machucado. - Os quatro ficaram em silêncio, pois viram que era melhor não discutir.
- Sendo assim, darei uma advertência para o senhor Taisho e uma suspensão para o senhor Shikato. - Kagome e Sango respiraram aliviadas, mas Inuyasha pareceu nem se importar. Sua postura era de alguém que esperava uma rotineira consulta médica na recepção, sem se importar com o que viria depois, apenas mal-humorado por estar esperando. Contudo, Bankotsu não estava igual.
- Por que ele leva só uma advertência? E o meu braço?- Bankotsu não parecia preocupado com o que acontecia com ele, simplesmente queria que o hanyou levasse alguma punição pelo menos tão séria como a dele.
- Bankotsu, sejamos francos. Você começou a briga toda, importunou a senhorita Higurashi e, ainda por cima, realmente chegou a machucá-la. E se tivesse sido pior? Ela é uma garota, é uma covardia o que você fez. - Kagome nunca sentira tanta afeição pelo senhor Myouga.
- Obrigada, Diretor. - Ela agradeceu. Bankotsu a encarou raivoso.
- E se a contusão no meu braço fosse séria?-
- Então saberei que tenho que pegar mais leve com você, Bankotsu, e olha que nem sei como, porque não coloquei força nenhuma naquela hora. - Inuyasha estava adorando.
- Inuyasha, não piore as coisas ou vou mudar de idéia quanto à sua punição. - Myouga o encarou feio. Inuyasha simplesmente acenou com a cabeça, mas exibindo um sorriso satisfeito. Já Bankotsu, este parecia espumar.
- O senhor, Bankotsu, sabe muito bem que é diferente de uma dama. Não aconteceu nada com você e, ainda assim, se tivesse acontecido seria porque você o quis, pois deveria ter soltado a jovem. Não digo que Inuyasha não agiu errado, não, tanto que dei a advertência. Mas seu caso é outro e eu já decidi o que fazer a respeito dele. Então, se me dão licença- Ele falou entregando dois papéis diferentes para os meninos assinarem. - Eu tenho outras coisas para fazer, os senhores já estão livres. Senhor Shikato, espere apenas um minuto para eu lhe colocar o aviso na caderneta do colégio.
Assim, os três estudantes restantes saíram da sala juntos, todos sorrindo triunfantes com o acontecido.
- No final das contas até que nem foi tão ruim, não é? Um dia sem Bankotsu!- Kagome falou quando já estavam no corredor.
- Você está com a barriga vermelha e arranhada e diz que nem foi ruim?- Sango perguntou com as sobrancelhas erguidas, mas entendendo o porquê da outra estar satisfeita. -
- Ah, nem foi tão sério assim. Acredite, é cem vezes pior sentir ele te agarrando do que o machucado depois. - Kagome deu um fraco sorriso incomodado. Inuyasha pareceu mais carrancudo e mal-humorado que o normal nessa hora.
- É bom que ele se ferre agora, mas eu estaria muito mais satisfeito se tivesse quebrado a cara dele. Por que diabos aquele velho foi chegar bem na hora?-
- Vai ver foi melhor deixar vocês pros cuidados do diretor naquele momento mesmo, porque acho que o Bankotsu não ficaria vivo pra contar a história se você o tivesse pegado pra valer. - Sango falou avaliando a questão.
- E não ficaria mesmo, a raiva que me deu... -
Sango e Kagome se encararam um tanto cúmplices, pois elas haviam discutido antes o fato de Inuyasha se irritar com as coisas que envolviam Bankotsu e a púbere de olhos azuis. Esta última encarou os pés sem conseguir conter os pensamentos sobre a conversa que tivera antes com a amiga a respeito dos sentimentos dos dois.
- E como ficou mesmo o negócio que ele te fez?- Inuyasha virou-se para encarar Kagome.
- Ah, sim. Aqui. -
Ela falou levantando a blusa. A princípio, pareceu que ele realmente tinha olhado o machucado com sua expressão irritada, murmurando algo como "Aquele idiota". Porém, depois pareceu ter percebido que a barriga de Kagome estava quase toda à mostra, o fazendo reparar em sua pele lisa e macia, o formato tão perfeito de suas curvas e aquela cintura que ele tanto apreciara segurar. Além disso, ainda tinham os seios fartos bem emoldurados pela blusa de malha, o decote mostrando o início de seu próprio vale. Ah, aquilo o deixava louco...
O tom ligeiramente vermelho e a forma com que ele desviou o olhar nessa hora fizeram com que Kagome percebesse a diferença de seu comportamento, fazendo-a ruborizar também. Sango, que observava tudo, mal conseguiu conter a vontade de gargalhar, levando a amiga a encará-la de forma repreendedora, pois tinha medo que o meio-youkai percebesse.
- Feh. - O garoto disse, colocando as mãos nos bolsos e seguindo corredor afora, procurando sair daquela situação.
- Isso significa um "Estou indo para sala, alguém vai também?" ou um "Vou ficar andando por aí até o intervalo"? – Sango perguntou com as sobrancelhas erguidas e um sorriso divertido no rosto.
- Acertou na segunda. - Ele disse simplesmente.
- Era o que eu esperava. - Disseram as duas meninas em uníssono.
- Mas pera aí, Inuyasha, a gente tem que rever o que vamos falar pro trabalho. - Kagome de repente lembrou-se da apresentação de forma um tanto alarmada.
- Podem falar disso agora, a aula é a próxima depois do intervalo mesmo...
- Concordo com a Sango. - Kagome parou encarando o hanyou e esperando sua resposta.
- Mas eu não. Antes vou comer, estou com fome.
- Se for assim, a gente não faz nunca. Você come como um porco!
- Fique quieta e vamos logo, menina. - Ele virou-se de costas e foi andando, deixando uma Kagome encarando-o com os olhos estreitados.
- Pare de me chamar de menina!- Ah, ela saberia devolver aquilo.
- Deixa de besteira, menina. - Ele estava pedindo... Sango encarou Kagome, que o olhava de forma maquiavélica. Ela deu um sorrisinho.
- Não sabia que meninas faziam homens babarem só com um gesto simples de mostrar a barriga. - Sango teve que olhar a amiga e a cumprimentar em silêncio pela jogada, as duas prestes a rir muito.
Nessa hora, Inuyasha estacou onde estava um tanto desconcertado. Porém, ele logo substituiu a expressão de desconforto por um largo sorriso cheio de intenções. Ele tratou de responder:
- Tudo que é bonito é pra ser admirado, contemplado e, por vezes, tocado. – Agora foi a vez de Kagome ficar desconcertada, não sabia o que responder. Ela se sentiu um tanto besta também, pois um elogio dele já a deixava sem saber como agir. Disputar um duelo de frases sugestivas com o hanyou parecia ser uma furada no final das contas. Sango pareceu querer rir mais ainda, a tempo desta chegar perto da amiga e sussurrar pra que apenas ela ouvisse, piscando um olho em seguida:
- Eu disse que ele era da primeira parcela. -
- Do que vocês estão falando? Que parcela?- As estudantes haviam esquecido que ele escutava mais do que o normal, por isso tomaram um susto quando o ouviram perguntar.
- Nada que te interesse, Inu Baka. - Kagome deu um sorriso satisfeito por ver que ele não estava sabendo do que se tratava.
- Agora vão ficar de segredinhos, é? Parem de enrolar e falem logo. - Ele pareceu impaciente (nada de anormal para Inuyasha).
- A curiosidade matou o gato, Inuyasha. - Sango apenas disse pra implicar.
- Achei que eu fosse um cachorro, mas tudo bem. - Elas riram.
- Tudo bem, esqueça isso e vamos logo planejar a apresentação, ok?- Kagome puxou o grupo para o pátio.
- Ok, mas eu não me esqueci do negócio de "parcela" não. - Inuyasha as encarou de lado, mas foi andando também.
- Uhum, depois eu falo.
E ela e Sango sorriram cúmplices outra vez, sabendo que de jeito nenhum falariam. Mas seguiram seu rumo e lá ficaram até depois do intervalo, quando deveriam apresentar seu trabalho na aula de geografia.
Se já tinha sido difícil suportar os murmúrios de toda escola durante o intervalo, agora, quando estavam diante de toda turma, parecia que estavam prestes a serem julgados por algo muito crucial. A história sobre o torneio de disputas e brigas entre Bankotsu e Inuyasha tinha se espalhado por todo lugar com extrema rapidez, até mesmo para os padrões do Colégio Higawa. Assim, por onde passavam podiam perceber os cochichos e o "zunzunzum" intenso, muitos os encarando como se esperassem que eles fossem começar um escândalo ali mesmo pelos corredores. Das frases que conseguiam captar dos alunos curiosos, dentre elas estavam algumas como:
- "Ele agora está até peitando mais o Bankotsu por ela".
- "Kagome está fazendo alguma coisa pro hanyou, só pode ser..."
- "É só farsa, estão querendo chamar atenção"
Tudo isso fazia o casal ficar ainda mais nervoso e estressado. Porém, esse não era bem o momento mais oportuno para ficar estressado, visto que era a hora da apresentação dos trabalhos de geografia.
Kagome e Inuyasha encontravam-se de frente para a turma, esperando o sinal da professora para que começassem suas falas e apontamentos sobre as fotos tiradas. A jovem retorcia as mãos na frente do corpo obsessivamente e procurava não encarar nenhum aluno em especial, pois isso a deixava mais nervosa. A coisa toda ficava mais difícil ainda quando via que muitos continuavam a murmurar e apontar para ela e seu companheiro de trabalho e, unido a isso, os velhos e costumeiros olhares maliciosos e risonhos de meninos da turma persistiam, o que nunca deixava de incomodá-la. Inuyasha não costumava ligar para apresentações, mas hoje parecia estressado também. Isso porque não estava mais suportando ouvir os comentários e aturar os olhares, seja pra ele ou para a donzela.
Logo que a aparelhagem do datashow e a tela de projeção haviam sido montadas, o casal estava completamente pronto para iniciar a apresentação das fotos. Após alguns instantes suficientes para silenciar um pouco a turma, a professora pigarreou e falou em seguida:
- Bom, como os senhores podem perceber, vamos iniciar agora a apresentação das fotos, a segunda parte do trabalho. Hoje também entregarei as notas da primeira parte do trabalho, mas isso apenas no final da aula. Podem começar, Kagome e Inuyasha.
Depois de alguns minutos, os quais tinham sido monótonos para a turma e ligeiramente tensos para o casal, estes finalizaram sua apresentação. Passados alguns aplausos educados e desconcertados dos alunos, a professora falou:
- Olha, estão de parabéns! Fizeram um trabalho excelente tanto na parte escrita, quanto nas fotos. Gostei muito da forma como captaram as imagens e relacionaram com as questões levantadas nos mapeamentos e relatórios. Fizeram realmente bem! Não poderia estar mais satisfeita em dar uma nota máxima a uma dupla dessa sala do que para vocês dois. Continuem trabalhando assim!
Inuyasha sorriu satisfeito diante da imagem de uma Kagome radiante e um pouco trêmula ao pegar a pasta da primeira parte do trabalho com um grande "dez" escrito em vermelho logo na capa. Voltaram para suas mesas ao som de mais cochichos e murmúrios assombrados acerca do sucesso da dupla e sua aparente proveitosa interação.
- Ai, que máximo! Estou muito feliz por termos conseguido essa nota, muito feliz mesmo!- Kagome sorriu para Inuyasha.
- Calma, menina, é só uma nota. - Mas ele não conseguia deixar de ficar feliz devido à tamanha satisfação da jovem a sua frente.
- Eu acho que isso merece uma comemoração especial, não é? – Sango não conseguiu deixar de jogar a direta para os dois, os quais riram (Kagome um pouco nervosamente), mas não falaram mais nada depois.
Quando o sinal tocou indicando o final das aulas, o ânimo do casal parecia tão bom que nem aparentavam lembrar-se do ocorrido daquela manhã relacionado a Bankotsu. Sango, que também fora muito bem, só conseguia participar alegremente da conversa dos dois. Depois de terem levantado com as mochilas arrumadas, os três seguiram corredor afora, desta vez com disposição extra e especial para agüentar os comentários alheios sobre todos os acontecimentos bombantes daquele dia. Pelo que puderam perceber, a notícia de que a dupla de trabalho Kagome e Inuyasha havia obtido um grande sucesso se espalhara rapidamente também, mas aquilo pouco importava para os dois. Na realidade, o interesse do hanyou pareceu concentrar-se intensamente em outras coisas, principalmente depois que Sango se pronunciou na saída.
- Por que não vamos almoçar ou qualquer outra coisa assim lá na praça? Esse dia foi especial, afinal, conseguimos nos livrar de Bankotsu por um dia e ainda arrebentamos em geografia. Isso precisa de uma celebração!- Os três caminhavam em direção à saída do Colégio Higawa, o barulho do intenso fluxo de estudantes abafando as vozes do trio.
- Por mim, tudo bem. Acho uma idéia interessante. - Kagome sorriu e encarou o meio-youkai junto com Sango, a qual ria internamente pela amiga ainda não ter percebido sua real intenção.
- Tanto faz, mas pode ser. - Inuyasha deu de ombros como quem não se importava muito, mas percebendo que havia alguma coisa estranha naquela história.
A confirmação das suspeitas do meio-youkai veio quando já estavam próximos do lugar. Um amplo espaço com alguns estabelecimentos relacionados a lazer era o cenário ambiente daquele momento no qual Kagome, Inuyasha e Sango se encontravam. Passados alguns minutos de conversa durante a caminhada, a morena de olhos castanhos pronunciou:
-Ah, caramba, como sou burra! -Ela fez um gesto de tapa na testa - Esqueci completamente que tinha marcado com a minha tia de ir com ela fazer as compras do mês lá de casa!- A garota tentou forçar uma expressão convincente para sua lamentação, mas Kagome captou o sentido e Inuyasha não conseguiu não rir maldosamente por dentro ao perceber as intenções da garota.
- Ah, você esqueceu, Sango? – A amiga deu um sorriso forçado com um olhar para a outra de vou-te-matar-depois. - 'Não acredito que ela armou tudo isso pra me deixar só com o Inuyasha! Eu nem pude me preparar psicologicamente!!!' Por dentro, Kagome parecia estar numa grande confusão mental, expressa em puro embaraço dela.
- Bom, divirtam-se por mim. É uma pena, mas já tinha prometido à minha tia. Mil desculpas!
- Vai lá, Sango. - Inuyasha se resumiu a dizer, também pensando em várias maneiras de fazer a garota pagar depois por tê-lo pego tão desprevenido. Tinha planejado ficar a sós com Kagome em várias outras circunstâncias, todas muito longe de uma tarde na praça naquele mesmo dia em que tinham se reencontrado logo após o primeiro beijo, apesar de seu ser ansiar intensamente pela aproximação o quanto antes.
A morena de olhos azuis ficou um tempo encarando o ponto ao longe, que era Sango, com uma expressão meio alarmada e frustrada. Inuyasha também ainda não havia se pronunciado, apenas ficou olhando para o mesmo lugar que Kagome. Depois de algum tempo, resolveu fazer algo que não fosse agir como uma planta inútil.
- Então, o que quer fazer? – O hanyou tentou usar um tom descontraído, mas pôde sentir a tensão no ar. Kagome imediatamente readquiriu o tom rubro na face e encarou o chão em seguida.
- Não sei, qualquer coisa.
- Ora vamos, você não pode me deixar fazer tudo sozinho.
Kagome abriu e fechou a boca sem nada dizer. Sinceramente, ela ficou em dúvida sobre o comentário do garoto ter sido por não ter opinado em nada para escolher o que fazer naquela tarde, ou se era porque não havia falado ou feito coisa alguma para desfazer aquele clima tenso e irem logo para a conversa que realmente interessava. Assim, os dois se encararam por um longo minuto até ela tomar coragem para falar.
- Eu não tinha nada em mente, fui pega totalmente desprevenida. – Sorriu um tanto sem graça procurando encarar o chão ao invés dos olhos cor-de-mel perfuradores. Eles retomaram a caminhada até se encostarem a um cercado de pedra aos arredores da praça.
- Eu me encontro na mesmíssima situação, mas estou tentando arrumar algo enquanto você só fica com essa cara lerda aí olhando os brinquedinhos do parque dos pirralhos. – Tentava provocá-la para fazê-la falar. A garota empurrou levemente o companheiro, o rosto expressando sua pirraça infantil.
- Cara lerda? Eu não tenho cara lerda!-
- "Não sei de nada, me pegaram de surpresa, blá blá blá". Isso é coisa de gente lerda, oras. – O meio-youkai riu um pouco diante dos pequenos tapas que recebia da jovem, a qual apenas murmurava negações e leves insultos.
- Você é muito bobo. – Ela disse por fim, parando enquanto voltava a encarar o parque.
- Que bela dupla nós fazemos então. O bobo e a lerda. Que coisa mais madura, não? Ah, mas é verdade... Esqueci que estava conversando com você, Menina-Kagome-Cinco-Anos. – Ele sorriu de forma humorada e levemente debochada.
- Já te dei uma resposta pra esse "menina". – A jovem cruzou os braços e voltou a olhar o companheiro.
- Desse jeito não vamos sair do lugar, ainda por cima com você voltando a conversas de horas atrás.
- E o que você quer fazer então?
- Achei que tivesse perguntado isso antes.
Os dois emudeceram novamente, voltando a encarar a vista daquela tarde. Inuyasha sentia uma ânsia por pular aquela parte de enrolação e ir direto ao que interessava. Porém, até mesmo ele não sabia como fazer isso direito naquela hora, então demorava em escolher as próprias palavras e ações. Contudo, após algum tempo, foi Kagome quem voltou a falar:
- Acho que ainda estou processando as informações dos últimos acontecimentos, sinto-me um pouco estagnada. Sabe como sou meio lenta, não é?
- É, acho que sei. – Ele suspirou. – Olha, sei que não planejamos isso. Eu mesmo tinha pensado em coisas muito diferentes para essa conversa, mas não contava com a brilhante iniciativa da Sango de nos colocar aqui. – Inuyasha desencostou-se um pouco do muro e virou-se para Kagome, a qual sentiu o coração acelerar diante da figura do meio-youkai a sua frente e pela proximidade do assunto que tanto a afligia. Era a hora de agir e parar com as enrolações, pois ele sabia que, por mais que brincassem, o que os dois realmente estavam pensando era sobre os ocorridos do último sábado. – O que não podemos fazer é ficar aqui apenas desviando do assunto o qual sabemos que, hora ou outra, teremos de falar sobre.
- Você está certo. Não podemos adiar. – Porém, ela não sabia bem o que dizer.
- Tudo bem, eu esperava que você dissesse algo mais além de me deixar com toda a responsabilidade de falar sozinho outra vez.
- Você não está falando sozinho.
- Mas é claro que estou. Você ainda não deu opinião de nada, nem sequer sobre o que quer comer ou sei lá o que.
- Eu já disse que estou confusa!
- E isso não muda o fato de que continua sem falar nada.
- E o que você quer que eu diga?! – Sua expressão era alterada, sua voz de repente mais descontrolada - Que eu fiquei pensando no seu beijo o domingo inteiro? Que mal consegui dormir? Que eu nunca tinha sentido nada tão intenso assim antes? Porque foi isso que aconteceu! Satisfeito? – Ela respirou fundo como se tivesse corrido quilômetros. Mal acreditava que tinha falado tudo aquilo, apesar de atribuir toda essa coragem ao fato de Inuyasha a ter colocado sob pressão. Sempre que isso acontecia ela acabava explodindo e, normalmente, isso não indicava coisa boa.
Depois de um curto espaço de tempo sem que os dois pronunciassem nada, Kagome apenas encarando intensamente o hanyou e este último com uma expressão levemente chocada, mas séria, ela continuou, a voz mais branda:
- Eu não contava com o fato de que você mexeria tanto comigo, e isso me faz ficar confusa quanto ao que devo falar e como agir.
- Normal, as pessoas costumam se sentir assim depois que me beijam.
Por um momento, Kagome não achou que tinha escutado aquilo quando tinha acabado de expor tão abertamente seus sentimentos. Porém, a verdade era que Inuyasha não sabia como explicar seus pensamentos (os quais eram muito parecidos com os de Kagome) sem que parecesse idiota, o que, pra ele, fazia uma grande diferença, visto que tinha uma personalidade tipicamente orgulhosa. Na realidade, ele também não esperava que Kagome tivesse sentido tanta coisa por um único beijo seu, afinal, aquela era Kagome Higurashi. Ele não sabia muito bem o que esperar de uma garota que ele não conhecia tão profundamente, sendo esta tão assediada.
Assim, a jovem bufou raivosa e virou-se com uma expressão dura, porém, a tempo do hanyou segurar seu braço.
– Calma, calma, eu estava só brincando.
Ela estreitou os olhos em uma expressão acusadora.
- Ah é? Porque eu venho aqui falando sério e você simplesmente me vira e age como aqueles montes de idiotas da escola que ficam apontando e rindo o tempo todo. Eu imaginava você um pouco diferente, sabe? – Kagome parecia realmente irritada com a brincadeira, fazendo Inuyasha achar muita graça com toda aquela reação exagerada da garota frente a uma mera piada. Assim, quando a menina percebeu que o meio-youkai estava rindo, ela ficou com mais raiva e começou a se esforçar para soltar seu braço da mão dele.
- Olha, você está entendendo tudo errado. Provavelmente é coisa de estresse, relaxa.
- Estresse?! Eu não quero saber de estresse e nem das suas piadinhas idiotas! Me solta, Inuyasha!!
- Droga, menina, se você não parar de se agitar, eu não posso te soltar! Eu vou acabar tendo que fazer alguma coisa! – A voz do garoto já demonstrava exasperação, fazendo-o não conseguir parar de pensar em uma única solução.
- Não, Inuyasha, você não tem que fazer n—
Bom, foi aí que todo e qualquer argumento e esperneação de Kagome acabaram. Se ela antes queria apenas deixar o hanyou falando sozinho enquanto rumava irritada para sua casa, a última coisa que faria agora seria afastar-se daquele lugar. Não poderia fazer isso; não com Inuyasha segurando-a firmemente pela cintura, os braços envolvendo-a enquanto a boca era capturada por aqueles lábios tão tentadores.
A morena sentiu todo o seu corpo relaxar e despencar no abraço do meio-youkai, tão envolvida no beijo que até passou a rodear o pescoço dele com seus braços enquanto procurava sugar e memorizar toda a essência dele que conseguia naquele beijo. Inuyasha reviveu a sensação de ser embriagado pelo perfume e a maciez de sua pele, os beijos e toques fazendo-o sentir como se estivesse fora da realidade. Ele alisou a pele dela na região dos quadris com os dedos indicadores por baixo da blusa, como se fosse um costume que adquirira com ela. Depois que a tinha encostado na mureta de novo, permanecendo a sua frente e ainda abraçado, ele separou as bocas e falou baixinho no seu ouvido:
- Eu queria que você me respondesse como seria possível que eu agisse normalmente depois daquele beijo. Que eu simplesmente o trataria como uma brincadeira? – Ele passou a encarar seus olhos. - Kagome Higurashi, se você mal conseguia parar de pensar nisso, eu sentia como se tivesse ficado preso àqueles poucos minutos na sua escada durante o domingo inteiro. O toque da sua pele, seu cheiro... Tudo isso ficou gravado na minha mente de tal forma que seria impossível passar despercebido.
- Você está falando sério? – Ela o encarou enquanto semicerrava os olhos levemente, o jeito tão manhoso quanto o de um gato que pede carinho, a expressão doce e esperançosa.
- Você quer que eu prove de novo o quão sério estou falando? – Ela sorriu travessa diante dos pequenos carinhos que o hanyou fazia em sua face, distribuindo beijinhos enquanto alisava a pele com o seu próprio rosto.
- Não sei... Você faz questão de provar isso?
Ela continuava a sorrir enquanto sentia o jovem híbrido rir levemente, sentindo-se ser vencido pelo fato de que, mesmo que quisesse brincar e fazer um charme para obrigá-la a correr atrás de outro beijo seu, ele mesmo já havia sido vencido pela intensidade das sensações que a proximidade com Kagome provocava nele.
Era incrível a influência que a púbere tinha sobre o meio-youkai, pois um de seus meros sorrisos ruborizados já era suficiente para fazer todo e qualquer argumento seu contra ela ir por água abaixo. Ele se sentia de certa forma encantado pela garota, e isso até o fazia agir de forma estúpida às vezes, como se estivesse tendo um efeito retardatário por todo aquele encanto.
Dessa forma, ele simplesmente correspondeu o sorriso dela, ambos encarando-se intensamente antes de unirem os lábios de novo para mais um beijo arrasador. E foi assim que eles passaram aquela tarde: dentre risadas, chamegos, agradecimentos às idéias brilhantes de Sango, mais alguns assuntos que pouco importavam e, sobretudo, com muitos e muitos beijos, os quais garantiriam motivo para reflexão durante toda longa noite.
O som dos suspiros ecoou levemente pela rua deserta, mais exatamente na frente da residência da família Higurashi. As árvores pareciam ser a única testemunha da cena, o vento balançando as folhas como se cantasse uma música, os cabelos dos dois únicos indivíduos presentes acompanhando tal movimento.
– Nos vemos amanhã? – A estudante de olhos azuis deu outro selinho no rapaz enquanto mantinha-se pendurada em seu pescoço.
- Com certeza sim. Apenas me ajude a resistir para não te agarrar assim que a avistar. Sabe como é uma tentação terrível, não é? – Ele sentia a textura da pele de seu rosto com o nariz, apreciando o toque e o cheiro que tanto o embriagavam.
- Deixe de ser bobo, Inuyasha. – Porém, ela não conseguia controlar as risadinhas, deixando-se ser beijada mais uma vez. Era como se estivessem colados um no outro e não pudessem mais se soltar.
- Tudo bem, vou fingir que você é uma planta ou coisa parecida. Vai me ajudar a superar. Pena que plantas não têm pernas nem seios, porque aí seria mais fácil imaginar você como uma delas. – A garota deu leves tapas nele, o rosto corado, mas sem deixar de rir consideravelmente.
- Vou tentar pensar em você como uma planta também. Sinto que será difícil mesmo resistir ao impulso de te abraçar, beijar e morder esse seu pescoço cheiroso.
- Olha só, Kagome Higurashi está perdidinha por meus encantos. E olha que não é só meu pescoço que é cheiroso não! – Ele deu um sorriso convencido.
- É, eu sei o quão cheiroso e macio você está sendo, por isso é tão bom de morder! – A púbere deu leves mordiscadas, entre beijos, no pescoço e queixo do hanyou, fazendo-o sentir até o último fio de cabelo arrepiar.
- Mulher, você é tão absurda! – Ele estava quase revirando os olhos de tão alterado que se encontrava pelos toques da menina. – Não sei se você faz isso intencionalmente ou se realmente não tem noção do efeito que pode causar. – Ele passou a encarar os olhos dela com um sorriso vacilante, pois tentava mesmo manter o controle, e estava sendo difícil.
- Achei que fosse você o cheiroso irresistível. Ou a Menina-Kagome-Cinco-Anos é demais pra você? – Ela abriu um largo sorriso diante do olhar ligeiramente incrédulo de Inuyasha.
- Deus, dê-me forças! Você é uma das criaturinhas mais perigosas que conheço!
Ela voltou a sorrir divertida e, quando viram, os dois já estavam presos a mais um beijo de tirar o fôlego. As mãos do hanyou mostraram-se tão ágeis que já estavam alisando mais do que os quadris, a força do abraço mostrando toda a possessividade do garoto (encontrava-se um pouco estimulado pelas mordiscadas anteriores de Kagome). Foi quando a menina começou a sentir uma das mãos dele descendo sorrateiramente dos quadris para as coxas e, então, tendendo a levantar bem devagarzinho, trazendo consigo um pouco da saia de Kagome, que aí ela abriu os olhos e separou-se devagar dele.
- Hora de ir, não é? – A face ruborizada complementava a voz arfante dela. Sua expressão incomodada deixou o hanyou intrigado.
- Suponho que sim. – Ele piscava os olhos e esfregava as têmporas ligeiramente na tentativa de retomar o controle e a realidade. Sabia que fazer qualquer coisa além daquilo seria avançar demais para o momento. – É melhor não fazer mais essas coisas se não quiser ser acusada de atentado ao pudor. E não se preocupe – ele completou diante da permanência da expressão incomodada - não vou te atacar nem nada do tipo.
- Pode deixar, vou tentar me controlar. – Ela deu outro sorriso ruborizado enquanto deixava-se ser abraçada seguramente, sendo tomada pela sensação de tranqüilidade que ele passava. Era estranho como ele fazia todo o seu ser relaxar e se sentir tão bem com gestos tão simples.
- Até amanhã, planta mais linda que eu já vi. – Ele deu um leve e último selinho em seus lábios.
- Nos encontramos às 8h, planta mais cheirosa e deliciosa que beijei. E mordi também. – O sorriso travesso unido àquelas palavras despertava sensações em Inuyasha que ele nem julgava ser capaz de sentir. Não pôde conter o riso em resposta.
Eles se separaram e caminharam em distâncias opostas, dessa vez sem se preocupar com o dia seguinte, mas sim ansiando por cada minuto que passariam juntos de novo. O bem-estar era tão grande que Kagome não se conteve em responder para a mãe, quando esta lhe perguntara como estava, que nunca se sentira tão bem desde que viera morar em Tokushima.
Fim do 6º capítulo.
Sei que muitos tiveram uma surpresa quando viram essa atualização hoje, pelo menos aqueles que acompanham a fic já há algum tempo. Quem o faz, sabe do meu mau hábito de escrever com tão pouca freqüência. A vocês, perdoem-me. Creio que já tenha explicado, mas ainda vale repetir: simplesmente não consigo escrever uma palavra sequer se não tiver vontade de fazer isso. E muitas vezes esse período de tempo em que me encontro desestimulada acaba sendo longo demais, mas paciência.
Não, eu não larguei a fic. A história está planejada na minha cabeça, os fatos meio ordenados em um projeto da fic feito mal e porcamente no Word. A questão é que eu não decido postar um capítulo quando acho que ele está grande o suficiente, mas sim quando todos os fatos que planejo colocar no capítulo já aconteceram de forma ordenada e lógica. Eu já estava escrevendo esse capítulo há séculos, o que demorou foi justamente acrescentar tudo que eu queria que aparecesse nele.
Assim, a boa notícia é que, no caso desse capítulo, eu tinha planejado tantas coisas pra ele que, no final, vi que estava grande demais e por isso decidi dividir em dois capítulos. A parte boa da história é que o que inicialmente seria a 2º parte do 6º capítulo e agora é o 7º capítulo... Bem, essa parte já está pronta. Só não postei hoje pra atiçar um pouco de suas curiosidades XD E podem ir se preparando, porque se gostaram desse capítulo de agora, mal podem esperar pelo que vai acontecer no próximo ; )
Quanto às reviews, aí vai:
Kaoro Yumi: Obrigada pelo apoio, Kaoro. Me sinto até envergonhada de ter feito você esperar tanto, mas espero que tenha valido a pena.
Beijos e não desista de NdV!!
ana luiza espoleta: bom... muitas coisas ainda estão planejadas pra esses três aí, você nem imagina!!
Luna: Oi, Luna. Você é mais uma de minhas leitoras as quais tenho vergonha de me dirigir, pois a fiz esperar demais. Desculpas eternas!! Eu realmente estacionei legal nesse tempo... Enfim, espero MUITO que tenha valido a pena e que venha a gostar bastante do que tenho planejado para a história. As coisas vão realmente ficar mais complicadas pra eles ; ). Espero que esteja tudo bem com vc, trabalhando bastante e se dando bem por aí. Continue lendo! Beijos!
Lali Djibril: Olá, Lali. Muito obrigada por gostar da fic, isso realmente me anima a escrever mais e a tentar sempre escrever melhor. Quanto aos personagens, alguns desses que são mais comuns como Kikyou e Kouga ainda não apareceram na fic porque tenho um planejamento pra eles pra daqui a um bom tempo. Quanto ao Sesshoumaru e a Rin, eles aparecem sim, eu já sei em que situação, mas ainda não tenho noção de quando vai ser isso. Quer dizer, eu tenho alguns fatos bem planejados em uma linha cronológica, mas ainda não tinha definido bem em que parte eles apareceriam. O foco realmente vai ser bem maior na Kagome e Inuyasha, com maior participação do Miroku e da Sango ao lado deles. Mas Sesshy e Rin vão sim aparecer : ) Espero que tenha gostado do capítulo!! E desculpe a demora quase eterna! Beijos
Tamara: Olá! Muito obrigada pelos elogios, sinto-me muito lisonjeada. Espero que tenha gostado(caso tenha sobrevivido no acompanhamento da fic durante esse tempo todo -.-)
Shuji: Thais?
Lalah-Chan: Espero que tenha gostado muito desse cap também. E não perca o próximo em breve!!
Acdy-chan: Tudo bem, outra leitora que me faz ter vergonha de mim mesma. Muitas desculpas, sério mesmo. Eu não planejava demorar tanto, e se ainda estiver acompanhando a fic, espero muuuito mesmo que ainda esteja gostando. Quanto à história, sim, o que importa é que o amor está no ar. Mas o que mais me motivou a fazer essa fic em torno dos clichês é porque decidi focar os problemas do nosso casal em outro assunto. O que quero dizer? Bom, com o tempo vc vai ver que pessoas invejosas não vai ser o maior problema deles ; ) Mil beijos! Não perca o próximo cap em breve!
Sophie-sama: Espero que tenha gostado desse cap tbm, mesmo que tenha demorado taaanto a sair. Mil beijos e não corra de sua mãe XD
carolshuxa: olá, Carol! Muitas desculpas, mas demorei demais :/ Se ainda estiver aí, espero que tenha gostado do cap. Não perca o próximo em breve!! Beijos
Mais discussões reservadas para o próximo capítulo. Até segunda-feira, no máximo, colocarei aqui pra vocês. Muitos e muitos beijos a todas minhas leitoras. Espero que me perdoem por minha negligência e que continuem a ler e gostar da minha humilde história.
Sem mais delongas e enviando muitos beijos,
Carine.
