N/A: De volta num instante ; )
Necessidade de Você: 7º capítulo
Saindo do armário
Quando a comentada púbere de olhos azuis e belas curvas atravessou os portões do Colégio Higawa naquela manhã, sentiu uma estranha animação tomar conta do seu ser. Varreu com os olhos a extensão da entrada, procurando um certo aluno de cabelos prateados, mas a surpresa não foi no fato de não tê-lo encontrado, mas sim na sua melhor amiga andando em sua direção.
- Kagome! – Seu sorriso era muito animado. – Não esperava encontrá-la tão cedo.
- Ah sim, hoje consegui acordar bem na hora. – Acabou decidindo ocultar o fato de que sua ansiedade impedira-a de dormir um minuto a mais sequer.
- Vejo que está bem contente. – Ela comentava sobre o sorriso da amiga.
- É, acho que estou bem feliz.
- Algum motivo especial? – Sango já olhava para Kagome com um sorriso falsamente casual.
- Não sei dizer bem. Talvez eu esteja assim por causa de algumas pessoas em especial, quem sabe até meio-youkais. – Decidiu entrar na brincadeira, pois a morena mais do que merecia saber de tudo.
- Que bom que meu plano funcionou! – A risada de Sango foi contagiante quando ela constatou estar em terreno seguro para deixar a conversa fiada de lado. Ansiava tanto saber as novas que não perdeu mais tempo com brincadeiras.
- Eu quase te matei quando quis ir embora, mas depois até que valeu a pena. Estamos te devendo essa.
- Sim, eu sabia que você iria me odiar na hora, mas não tinha outro jeito. Era isso ou esperar um mês até que vocês dois resolvessem fazer alguma coisa.
Assim, depois de mais risadas e confidências, Kagome já havia deixado a amiga a par de tudo que acontecera na última tarde. Na altura em que chegaram ao corredor que levava à sala de aula, a morena de olhos castanhos não conseguia conter as brincadeiras com a garota quanto ao momento em que voltariam a encontrar o hanyou tão presente na conversa delas.
- Está preparada pra resistir ao fruto? – Ela cutucou a púbere com o cotovelo.
- Pare, Sango, eu sei me controlar! – Mas ela também não conseguia conter o riso.
- Mas eu nem sei por quê. Se eu fosse vocês, faria o que bem entendia sem me importar em esconder nada.
- Eu entendo o porquê de você dizer isso, Sango, mas é que eu ainda não sei se está na hora de colocar isso a público, entende? - A outra estudante avaliou a expressão da amiga por uns momentos antes de responder.
-Você ainda não se sente segura quanto ao caráter de Inuyasha? –
- Não, não é isso. Eu acho que ele é sim uma boa pessoa, só não sei bem como ele vai agir. Eu quero esperar um pouco, sabe? Mas acho que preciso sim de um pouco mais de segurança, só que não estou preocupada. – Ela sorriu sinceramente.
- Bom, acho que entendo. Vamos esperar pra ver no que vai dar, não é? Cautela é uma boa precaução no momento. – E as duas assentiram com as sobrancelhas erguidas, avaliando bem a questão enquanto terminavam de discutir.
No momento em que elas entraram na sala, Kagome sentiu uma corrente elétrica disparar por todo seu corpo. Sango conteve o impulso de dar uma enorme gargalhada frente ao modo tenso como a amiga passou andar depois que avistou o meio-youkai sentado em seu devido lugar.
- O que será que ele tem pra você se esforçar tanto apenas para resistir? – A garota não conteve a última piada antes que se aproximassem de Inuyasha o suficiente para ele ouvir. A jovem de olhos azuis repuxou os lábios numa tentativa de expressão contrariada a Sango, a qual ria silenciosamente.
- Bom dia, querido Inuyasha. – Sango parecia divertir-se intensamente.
- Desde quando eu sou "Querido Inuyasha"? – Ele arqueou as sobrancelhas. Apesar do semblante calmo, encontrava-se em uma sangrenta luta interior entre seus instintos: um que seguia o bom senso e mantinha-se em seu lugar de forma educada, agindo como fazia todos os dias. O outro, o mais irracional, esforçava-se para fazer o garoto enlaçar a cintura da jovem de olhos azuis a sua frente o mais rápido que pudesse, beijando-a com toda vontade que tinha no momento.
- Não ligue, ela não está em seu juízo perfeito. – Kagome disse indicando a morena ao seu lado, a qual apenas levantou as mãos em defensiva. A primeira sorriu diante o olhar cúmplice do hanyou, evidenciando que, assim como ela, ele também estava pensando em coisas totalmente diferentes do que estavam falando. Ela resolveu instigar:
- Como passou a noite?
- Pensando em plantas. Uma em especial, se quer saber. – Os dois sorriram mais uma vez, depois procurando encarar outra coisa que não fossem eles mesmos para dificultar menos a tentação que era se agarrarem.
- Não vou tentar entender as piadinhas internas, respeito esse direito que vocês têm. – Sango entrou na conversa de novo.
Porém, na hora em que o jovem ia responder, o barulho de um celular tocando foi ouvido. Este vinha da direção de Inuyasha, indicando que era seu próprio telefone que tocava. Assim, ele o pegou, analisou o visor com uma expressão irritada e atendeu.
- Já quer começar a me encher logo de manhã? Achei que tivesse sido claro quando disse pra não me perturbar mais.
Kagome e Sango apenas se encararam sem entender muito bem, então deram de ombros e continuaram a conversar sobre outra coisa em meio a exclamações lançadas pelo meio-youkai como "Um histórico? Pra que você precisa de um histórico?" e "Esqueça, não vou fazer isso". Quando, por fim, o ouviram encerrar a chamada com um toque depois de dizer "Tá, eu vejo isso depois", as duas passaram a encará-lo com expressões levemente curiosas.
- Miroku. Ele perdeu a cabeça, só pode ser... – Ele disse como se explicasse tudo, mas vendo que elas continuavam a não entender, explicou:
- Lembra quando eu disse a você que meu primo viria morar aqui? – Ele falou encarando Kagome e continuou após a confirmação dela – Pois então, ele resolveu me encher toda hora com essas coisas a serem resolvidas tanto para a transferência ao Higawa, quanto para a mudança, então basicamente ele, meu tio e meu pai se revezam em me ligar toda hora pra pedir algo ou discutirem coisas inúteis.
- O nome dele é Miroku, não é? – Sango falou.
- Sim, por quê? – Inuyasha não parecia muito curioso quanto a isso.
- Nada, é que o nome simplesmente não me é estranho. – Ela disse com a expressão pensativa, como se tentasse lembrar-se de algo.
- Bom, não acho que exista apenas ele com esse nome, não é? – Kagome disse enquanto sentava em sua mesa, pois o professor vinha adentrando a sala.
- Que seja. – O hanyou simplesmente deu de ombros e ajeitou a posição na cadeira, concentrando-se de novo em não olhar demais para Kagome, antes que sucumbisse aos impulsos.
Os três então simplesmente mantiveram-se concentrados na aula (ou pelo menos até onde era possível), tentando ao máximo não desviar a atenção para coisas que, infelizmente para o professor, eram muito mais interessantes do que o que este último dizia.
- Você só pode estar brincando! – A voz de Sango saiu um pouco alta demais para o que deveria quando esta avistou a amiga saindo da cabine do vestiário. A púbere de olhos castanhos encarava de modo ligeiramente incrédulo a outra, a qual andava sem pressa até ela.
- O que foi? – Kagome sorriu de forma falsamente desentendida.
- Não está exigindo demais do Inuyasha não? Quero dizer, como espera que ele resista assim? – Seu tom de voz já estava bem mais baixo, mas ainda tinha um certo ar incrédulo e divertido. Ela encarava Kagome com um sorriso enquanto apontava para os shorts de ginástica não muito longos, por assim dizer, e a blusa do mesmo tecido dos shorts a qual deixava uma pequena parte de seu umbigo aparecendo às vezes e, pra piorar tudo, tinha um decote pouco discreto, as alças cruzando no pescoço e costuradas atrás da blusa de forma a deixar parte de suas costas à mostra.
- Sango, não seja tão dramática. É só uma roupa para educação física. – Porém, a forma como sorria um pouco desconcertada não deixava muita segurança para suas palavras. A outra riu com vontade quando estavam se dirigindo para a porta.
- Sim, uma roupa que mostra bastante coisa pra quem está interessado em ver. – Ela deu um falso suspiro pesaroso. - Coitado do Inuyasha, vai ter um ataque de nervos.
As duas então saíram do vestiário, Kagome ainda rejeitando as risadas da amiga ao seu lado, esperando não ter exagerado tanto na roupa como a outra dizia. Porém, quando Kagome chegou à quadra e teve de suportar os costumeiros olhares (hoje irritantemente mais intensos) e, pior ainda, quando viu Inuyasha alterar a expressão para uma forma atônita, os braços cruzados e colocando a mão à frente da boca como se estivesse decidido a mantê-la fechada enquanto os dedos contornavam com força excessiva as laterais dos lábios, concluiu que Sango podia mesmo estar certa. Talvez tivesse pegado pesado demais.
- Isso é algum tipo distorcido e cruel de teste de resistência? – Ela sentiu-se arrepiar quando ouviu a voz baixa do hanyou próxima de seu rosto. Ele encontrava-se ao seu lado, os dois de frente para o professor, fingindo escutar o que este último falava. A tensão podia ser medida no ar.
- Não pode estar tão ruim assim. – Kagome não tentou negar.
- Eu concordaria com você se não tivesse que ficar a uma certa distância para manter nossa segurança. O problema é exatamente manter essa distância, se é que me entende. – O meio-youkai tentava a todo custo não olhar de novo para a figura da púbere ao seu lado. Já havia sido suficientemente trabalhoso e difícil manter-se no controle quando a avistara exibindo tanta formosura naqueles pequenos trajes justos. Seu sangue parecia latejar quente e rápido nas veias, a garota realmente testava seus limites.
- Pense numa planta, lembra? – Ela não conseguia deixar de sorrir diante da situação. Inuyasha também deu um sorriso meio maldoso e nervoso ao mesmo tempo, enquanto encarava o chão.
- Você fez de propósito ou todas as suas outras roupas esportivas estavam lavando? Eu custo a acreditar na segunda opção, mas ainda tenho um fio de esperança na sua inocência. – Ele estreitou os olhos e acabou não resistindo em lançar outro olhar a ela, rapidamente, analisando o quão macia e deliciosa parecia ser sua pele nos ombros desnudos, o vale dos seios como um caminho da tentação. Outra vez ele sentiu seu sangue ferver, uma palpitação brotar em suas regiões baixas.
- A blusa era a única mesmo, mas os shorts eu escolhi por opção. – Ela continuava a encarar o professor com um leve sorriso de lado.
- Humpf. – Ele bufou e voltou a cruzar os braços na frente do corpo na tentativa de ajudar a se segurar.
Os alunos então começaram a se separar depois que o professor indicou as atividades, fazendo Kagome e Inuyasha caminharem em direções opostas, os dois sorrindo de forma contida e divertida pelo jogo. Porém, antes disso, a jovem falou baixo perto dele:
- Pelo visto então, é melhor eu não me deixar sozinha com você nesses estados.
Inuyasha arregalou levemente os olhos e conteve a expressão em uma resignada e maliciosa diante tanto atrevimento da jovem. Era um tremendo teste de resistência, se era. Assim, foi com muito esforço que ele virou o rosto na direção contrária ao sorriso divertido e provocador de Kagome, mesmo que não tivesse resistido em dar uma última olhadela nas formas perfeitas de suas pernas, glúteos e cintura quando a dona de tais curvas distanciava-se dali. Parecia ser muito difícil também imaginar que aquela fosse a garota com quem ele andava se envolvendo, pois ela mais parecia uma modelo de revista do que uma colegial, alguém que você não vê andando normalmente pelas ruas. Tais pensamentos o fizeram dar um sorriso um tanto presunçoso, o qual demonstrava seu total bom-humor. Afinal, Inuyasha Taishou andava tendo motivos de sobra para estar de bom-humor, não é?
Contudo, climas agradáveis assim dificilmente duravam muito naquele colégio. Tudo bem que coisas do tipo que se seguiram costumavam acontecer com freqüência, mas, naquele dia em especial, ele realmente esperava ter um final de tarde perfeito e bem humorado. Deste modo, foi com uma indisposição extra que o hanyou se dirigiu ao grupo de garotos com os quais deveria praticar a aula de educação física. Eles se encontravam no canto da arquibancada da quadra que ficava na parte mais posterior do colégio, sendo que, naquele momento, apenas eles e, no caso, o hanyou estavam presentes ali para fazerem suas práticas da aula. Inuyasha sabia que os tais alunos encontravam-se falando dele, tanto por conseguir ouvir partes da conversa quanto pelo fato de todos estarem encarando-o.
- Algum motivo especial para todos vocês estarem me olhando? Que eu saiba, não faço seus tipos. E já deixo claro que não me interesso mesmo. – Ele falou enquanto se aproximava do lugar onde estes se encontravam.
- Tsk, como é ridículo ver você se achando por tão pouco... Como é ingênuo!- O mais próximo dos garotos, um que Inuyasha reconheceu ser parte da turma de Bankotsu, se pronunciou.
- Você acha que eu tenho motivos pra me achar? – O tom irônico da voz do meio-youkai fazia a pergunta parecer mais retórica do que qualquer outra coisa.
- Não se faça de desentendido, hanyou. – A forma como sua boca abriu-se num esgar revelava seu rancor. - Todos nós estamos aqui vendo você exibir esse seu sorriso ridículo só porque Higurashi anda conversando com você.
- E quem te falou que eu estou sorrindo porque ela está conversando comigo? – Inuyasha já tinha um tom de voz mais duro dessa vez.
- Ah, mas é claro. Não haveria mesmo outro motivo além desse para você estar sorrindo, disso eu estou certo.
O meio-youkai achou muito difícil pensar em outra coisa a dizer que não fosse uma resposta bastante reveladora.
- Onde está a bola de handball? – A voz da professora de educação física trovejou na quadra, e Kagome sentiu um desânimo especial quando percebeu o olhar da última em sua direção. – Higurashi, será que poderia buscar a bola com o professor Hajimoto? Creio que ele tenha deixado na sala de equipamentos.
Assim, a aluna simplesmente assentiu e seguiu em direção à quadra posterior do colégio, pois a sala de equipamentos era logo ao seu lado. Entretanto, enquanto contornava o muro que ficava ao lado das arquibancadas de tal quadra, foi com espanto que ela ouviu seu nome ser pronunciado por um aluno. Achou melhor parar onde estava, já que ali não podia ser vista, e passou a escutar silenciosamente.
- Higurashi não rebaixaria tanto seu gosto para dar uma chance a alguém como você. Mas confesso que acho muito divertido ver o quão iludido você parece estar. – Kagome reconheceu a voz, mas não conseguia lembrar-se de seu nome. Contudo, foi com maior espanto ainda que identificou a voz de Inuyasha respondendo.
- Há muitas coisas sobre Kagome que você não sabe. – O hanyou parecia estar esforçando-se para manter a voz neutra.
- O que está insinuando? – Outro aluno à direita perguntou com uma voz de quem duvidava da resposta que o outro pudesse dar.
- Estou dizendo que vocês todos são patéticos. Ficam aí se escorando na sombra de Bankotsu, esperando conseguir alguma atenção. Não pensam com as próprias cabeças, apesar de eu duvidar da presença de neurônios nas suas mentes suficientes pra algo mais além de comer e fazer o que Bankotsu manda. E agora querem se achar espertos o bastante pra sair dizendo o que Kagome faria ou deixaria de fazer sem nunca terem sequer trocado um "bom dia" com ela. Ela não é só um pedaço de carne pra vocês ficarem cobiçando sem nunca perceberem que ela pensa e sente alguma coisa.
A jovem alvo das conversas ainda se encontrava fora da visão dos garotos, mas não conseguiu reprimir o impulso de prender a respiração ao ouvir as vozes discutindo. Entretanto, ao escutar o que o meio-youkai havia dito em seu favor, sentiu um arroubo de gratidão. Seu coração encheu-se como uma bola e ela teve uma súbita vontade de estar junto a ele naquele momento. Porém, manteve-se onde estava. Enquanto isso, nesses poucos segundos de pausa entre o que o hanyou tinha falado e a respostas dos outros, tudo que se ouvia eram as risadas dos últimos.
- Você vem com essa conversa mole, cheia de babaquices, e nós que somos patéticos? Você deveria se ouvir, hanyou, pra ter noção do quão ridículo soa.
Antes de Inuyasha devolver, outro do grupo inoportuno continuou:
- E veja bem: com todo esse blablablá escroto que você falou, não muda o fato de que você é patético, porque Kagome é sim a gostosa que todo mundo queria comer e você se acha diferente de nós porque vê sentimentos nela. – Ele deu uma risada debochada. – Me poupe, cachorro. Ainda que você fale essas coisas, isso tudo não vai dar em nada. Kagome nunca vai olhar pra você, quanto mais deitar na sua cama fedorenta. Ela só está brincando e você se iludindo!
Nessa hora, todos eles explodiram em risadas. Um deles chegou a cuspir no chão pra enfatizar seu escárnio. Inuyasha, que havia se mantido calado, tremia de tanta fúria que sentia naquele momento. Os pensamentos voavam, as palavras na ponta da língua, mas ele só pensava em manter a discrição acima de tudo. Afinal, Kagome não era um troféu com que ele pudesse se exibir e, além disso, o combinado entre eles era permanecer discretos até segunda conversa. Todavia, bem ali ao lado deles, sem que pudessem dar-se conta de sua presença, ainda se encontrava a jovem púbere de olhos azuis comentada. E pode-se dizer que seus pensamentos não eram dos mais dóceis. A raiva a consumia, os mesmos sentimentos do dia anterior quando explodira na discussão com Bankotsu na sala de aula aflorando novamente, mas em maior grau.
- Calem a boca. Quanto mais falarem, pior pra vocês. – Foi o que Inuyasha conseguiu se resumir a dizer.
- Ou o que? Vai chamar Kagome pra ela mostrar que gosta de você? Porque eu apóio se for, estou doido pra dar uma outra olhada naquele corpinho maravilhoso. Você reparou como ela está gostosa hoje, não é? Mal consegui me controlar nas minhas calças.
Os outros logo se colocaram a concordar assiduamente e a dar outras risadas as quais causavam náuseas na jovem em questão. Já Inuyasha, este por muito pouco não voou em cima daquele que falava da garota de forma tão lasciva. Na realidade, o hanyou estava mostrando-se muito forte por ter conseguido conter-se tanto ao longo daquele dia inteiro.
Mas as coisas não ficariam assim para sempre. O nível de raiva e indignação de Kagome havia chegado a tal ponto que esta já não pensava muito no bom senso ou discrição. Pra que diabos ser discreta diante dessa gente tão idiota, afinal? Assim, quando a jovem resolveu que era hora de pôr um fim à discussão, já se sentindo saturada daquela situação, foi com espanto que os garotos presentes na cena, incluindo o meio-youkai, viram-na caminhar em sua direção, saindo detrás do muro bem ao seu lado.
- Sabe o que eu acho mais engraçado? – O grupo da arquibancada não disse uma palavra, mesmo que alguns tenham assobiado baixo ao verem a mulher caminhar tão sedutoramente, como se fosse um gato. – Vocês adoram pôr palavras na minha boca, mesmo que eu nunca tenha pensado em dizê-las. Como podem ter certeza de todas essas coisas a meu respeito? Acaso são parte da minha consciência?
Ela parou ao lado do hanyou, ainda que um pouco afastada dele, e de frente para os outros. Todos tinham o olhar preso em sua figura, até porque seria difícil não fazê-lo com a garota usando aqueles trajes pequenos e justos.
- Já te disseram que você está uma delícia hoje, Kagome? – O que estava no meio do grupo falou com um sorriso malicioso no canto da boca.
- Não se preocupe, eu já ouvi todas as suas declarações a meu respeito feitas ainda há pouco, inclusive a parte de quase não conseguir se controlar. Uma pena, eu teria vergonha se fosse você. – Ela endereçou um olhar de puro desgosto ao garoto. Os outros em volta riram baixo, enquanto o do meio sentia seu sorriso murchar em uma expressão azeda. A jovem continuou em seguida:
- E justamente quanto a essas declarações, eu me sinto no dever de levantar alguns pontos pra que vocês não cometam o mesmo erro de sair espalhando por aí coisas quanto as quais não dei meu consentimento de dizer. – Ela fez uma breve pausa enquanto encarava o rosto deles, menos o de Inuyasha, que continuava ao seu lado sem nada dizer. – Em primeiro lugar, eu faço o que eu quiser com a minha vida, então eu escolho com quem ando, converso e namoro. Segundo, não iludo ninguém. Se há pessoas aqui com as quais posso dizer que nunca iria para cama, essas pessoas são vocês. Dizer que faria uma coisa dessas com qualquer um de vocês, isso sim seria uma ilusão. Percebem a diferença?
Enquanto discursava, seu rosto ia virando-se para encarar cada um dos garotos da arquibancada, enquanto estes se mantinham meio boquiabertos e embasbacados por suas palavras. Por fim, ela virou-se para o hanyou e pronunciou em alto e bom som:
- Sabe que eu não estou brincando com você, não é? – Ela deu um passo em sua direção. – Eu amo cada minuto que passo com você e não me arrependi de nada.
- Você não vai começar a me agradecer de novo, não é? Porque se for, eu passo. – Ele exibiu um sorriso no canto dos lábios que encantava Kagome. Esta sorriu de volta e deu outro passo à frente, enquanto respondia:
- Pode deixar que eu te poupo dessa parte. Mas só quero deixar uma coisa bem clara: é você que eu quero, Inuyasha Taishou. E isso definitivamente não é uma brincadeira.
E dizendo isso, ela deu o último passo até colar seu corpo ao do meio-youkai, unindo seus lábios no beijo que os dois esperavam ansiosamente para repetir desde o momento em que se separaram ainda no dia anterior.
E em meio às exclamações de surpresa e indignação dos garotos à sua volta que viam os braços de Inuyasha envolverem o corpo da garota de uma forma que eles sonhavam fazer, o casal terminou o beijo (contra suas vontades) e se separou.
- Eu avisei que quanto mais continuassem a falar, pior ia ficar pra vocês. - O hanyou piscou um olho na direção deles.
- E eu espero ter sido clara quanto ao que realmente penso. Agora vocês podem espalhar por aí a verdade.
E dizendo isso, os dois se afastaram dali, deixando um grupo de garotos encrenqueiros estupefatos com a cena presenciada e, principalmente, sentindo uma inveja do meio-youkai como nunca tinham sentido na vida.
- Como assim você o beijou na hora?
Sango parecia extremamente chocada com a ousadia da amiga, principalmente quando ela comentara naquele mesmo dia que ainda não pretendia espalhar pela escola seu nível de relacionamento com Inuyasha.
- Você não imagina o quão irritada eu fiquei, Sango! Eles se acham donos da verdade, ficam soltando montes de besteiras por aí a meu respeito. E, ainda por cima, me ofenderam!
- Tudo bem, Kagome. Caso não se lembre, eu mesma havia lhe dito pra não esconder de todos que você queria sim Inuyasha. Só achei que estava planejando ser discreta. – Ela deu uma risadinha contida.
- Duvido que se fosse você no meu lugar, não teria feito o mesmo. E eu planejava dar um tempo antes de assumir tudo simplesmente pra ter real certeza de que estaria em terreno seguro com Inuyasha, mas acho que ele já mostrou isso.
- Ah, eu nem hesitaria em fazer o mesmo, minha querida. Você fez mais do que certo! – Ela riu mais abertamente dessa vez. – Como eu queria ter visto a cara daqueles idiotas!
- Não se preocupe, eles continuaram com cara de idiotas. Só pareciam um pouco mais idiotas que o normal, mas ainda idiotas.
As duas jovens caminhavam de volta à sala de aula enquanto conversavam. Kagome não havia conseguido esperar até a saída para contar à amiga o ocorrido da aula de educação física, então já a tinha colocado a par de tudo. Porém, ao adentrarem a sala, foram surpreendidas com um aviso colocado no quadro da sala de aula.
- O professor Koburo passou mal? – Sango parecia desconfiada do aviso.
- Parece que teve um problema com a gastrite. Não sabemos o quão grave, mas ele não pôde vir e sua substituta está de licença maternidade. – Um garoto que se encontrava numa das carteiras da frente tratou de responder.
- Isso quer dizer que não teremos aula? O resto do dia livre pra irmos pra casa? – Kagome parecia esperançosa.
- Parece que sim. – O menino deu de ombros, pegou a mochila e passou por elas em direção à saída.
- Ai, mas que bom! – As estudantes desataram a fazer uma pequena comemoração.
- Isso aí é sério? – Inuyasha encontrava-se à porta atrás das duas garotas e olhava o quadro com as sobrancelhas erguidas.
- Sim, parece que fomos liberados. Como eu adoro ser liberada no último tempo e ir pra casa mais cedo! – Sango parecia radiante tanto pela notícia, quanto pelos ocorridos do dia.
Kagome estava calada ainda olhando para o hanyou a sua frente. Enquanto o olhava, sentia o rosto ruborizar e uma súbita vontade de se agarrar a ele como se os dois fossem dois ímãs gigantes que são atraídos por uma força magnética. Inuyasha, que fora rapidamente convencido da veracidade da notícia, voltou-se para as duas garotas, procurando não encarar uma delas em especial para que não pudesse surtar e agarrá-la de novo. Já havia sido bem difícil solta-la depois de toda aquela cena durante a aula de educação física. Afinal, ele estava errado: o dia ia sim acabar com um ótimo clima e deixá-lo de bom-humor, melhor impossível.
- Vamos logo cair fora daqui, não é?
Os três então pegaram suas coisas, embrenharam-se pelos corredores (estranharam o fato de não terem escutado muitos comentários a respeito do casal, mas deduziram que a notícia ainda não tinha conseguido tempo suficiente para se espalhar) e logo se encontravam caminhando pelas ruas do lado de fora do Colégio Higawa.
- Vejo vocês amanhã! E juízo, hein! – E piscando um olho para os dois jovens, ela virou à esquina de sua rua, sendo a casa de Kagome e de Inuyasha um pouco mais a frente, deixando eles sozinhos ainda a caminhar.
- Então, enfim sós.
Não foi esperar Sango se afastar muito, Inuyasha virou-se automaticamente para Kagome, enlaçou sua cintura e a beijou. A morena não demonstrou resistência alguma.
- Desse jeito nós só vamos chegar em casa amanhã. – A garota sorria enquanto mantinha-se agarrada ao garoto.
- Você está se importando muito com isso? Porque eu não estou. – Ele começou a fazer uma trilha de beijos pelo maxilar da púbere em direção ao seu pescoço, arrancando-lhe diversos suspiros.
- Você me viu reclamar alguma vez?
Dessa forma, os dois demoraram um bom tempo até chegar à escada de Kagome, a qual tinha se tornado lugar oficial de suas despedidas. Tinham curtido bastante o caminho em meio aos beijos, abraços e a caminhada de mãos de dadas.
- Ai ai, que dia, hein. – Kagome subiu no primeiro degrau para ficar na altura do garoto, voltou-se para ele e enlaçou seu pescoço.
- É, chegou a me surpreender. E olha que isso não é fácil!
- Mesmo com aqueles idiotas, tudo acabou bem no final. – Ela sorriu e deu um selinho no hanyou.
- Acabou bem e de forma divertida. Sabe o quão interessante é ver você com raiva e explodindo nos outros? Eu deveria te enfurecer mais vezes pra poder ver mais dessas cenas.
- Humpf, fale isso até o dia em que eu explodir em você. – Kagome mostrava uma expressão falsamente emburrada, porém, não a manteve por muito tempo.
- Não sei por quê, mas tenho a impressão de que vou adorar quando isso acontecer. – O sorriso de Inuyasha era tão malicioso e divertido que Kagome chegou a corar, mesmo que tivesse tentado ser mais dura como forma de resposta.
- Você é ridículo. – Foi a única coisa que lhe veio à mente. Não conseguia tirar o sorriso do rosto e nem lançar uma única palavra ríspida naquele momento, sentia-se mais mole do que nunca. Por fim, nada importava, pois já havia sido novamente capturada para mais um beijo arrasador de corações que Inuyasha lhe dava.
- Sabe, é uma tortura ter que esperar até amanhã pra te ver de novo. – Ele não pôde controlar aquele pensamento e acabou confessando sua ansiedade.
- Acredite em mim, eu sei exatamente como você se sente.
- Nós poderíamos pensar numa forma de solucionar esse caso.
Por mais que fosse imensamente difícil para Kagome pensar naquela situação, sentindo Inuyasha deslizar o polegar por seu pescoço em direção ao seu braço, passando pelo ombro e parando nas pontas de seus dedos(um arrepio lhe subia por todo corpo quando sentia aqueles toques tão leves e delicados), a garota não pôde deixar de avaliar as palavras ditas por ele. Oras, a solução para aliviar a ansiedade de se verem novamente era diminuir o intervalo em que ficavam longe um do outro. Isso era claro e óbvio. Como não havia sido feito nenhum convite para passeio, Kagome não pôde refrear o pensamento de que aquilo podia ser um convite para ir à sua casa disfarçado de uma frase indireta. E se ele a estava convidando para sua casa, o que teria em planos para fazerem lá? Ao pensar nisso, a jovem sentiu um certo receio. Não, ainda não estava pronta para aquele passo. Mas como dizer isso sem que soasse como um fora?
Contudo, Inuyasha, sentindo a ligeira mudança de humor de Kagome, logo se adiantou.
- Acho que o jeito é esperar mesmo, não é? Vai ver estamos praticando algum ritual exótico de aprimoramento de paciência e auto-controle. E Deus sabe como tenho sido bom nessa parte!
Ele endereçou a Kagome o sorriso sincero e doce que a fazia derreter. E por mais que aquela decisão de simplesmente se separarem não fosse a mais atraente para ela, pelo menos a livrava da obrigação de enrolar alguma coisa para justificar o fato de preferir ir com mais calma no nível daquele relacionamento. O simples fato de pensar em suas razões para ser tão cautelosa já a deixava a nervosa, por isso contentou-se com aquela resolução. Inuyasha, intuitivo como era, percebeu que era melhor não forçar demais a garota, e por isso não se incomodou em simplesmente bater em retirada, mesmo que isso não fosse refrear suas divagações quanto ao porquê dela se mostrar tão inquieta com tais tipos de situação(não era a primeira vez que Kagome demonstrava tais reações).
- Sentirei muitas saudades até lá. Acho que vou jogar videogame com meu irmão pra ver se passa o tempo mais rápido... Que sabe ajuda. – Ela terminou a frase dando de ombros e estreitando mais o abraço com o meio-youkai para que pudesse beijá-lo com mais intensidade. E por mais que Inuyasha ainda estivesse divagando um pouco, isso tornou-se impossível ao sentir os toques e beijos tão embriagadores de Kagome.
- Ah, essa noite será dolorosa. Mas tudo bem, faz parte. – Ele deu um selinho na púbere. – Até amanhã, planta.
- Até amanhã, Inu Baka.
E separando-se, por fim, a garota subiu a escada em direção a sua casa rapidamente, mesmo que tenha parado uma vez para olhar a figura do jovem de olhos cor-de-mel distanciar-se dali.
No fim das contas, a espera era mesmo insuportável. Kagome tentou de tudo: tomou banho, estudou, ajudou a mãe com o jantar, arrumou o quarto, varreu a casa, assistiu tv e até mesmo, de fato, jogou videogame com Souta, mas nada pareceu ajudar sua mente e corpo a se livrar da ansiedade que era esperar até o dia seguinte para tornar a ver Inuyasha. As lembranças eram tão vivas em sua cabeça que parecia estar deslocada no tempo, ainda presente com o meio-youkai naquelas cenas que compartilharam durante a tarde. A vontade de vê-lo de novo era tão grande que mal podia agüentar. Queria sentir seu abraço quente e protetor, ser beijada e ouvir sua voz baixa e grave sussurrando em seu ouvido. Durante esse tempo, quando não estava revivendo os momentos agradáveis que tivera com ele até ali, ficava a pensar nas possibilidades de seu relacionamento e que rumo poderia tomar. Pensava em quais seriam as melhores atitudes, em coisas que gostaria de conversar e no que pretendia fazer em sua companhia. Porém, uma dos assuntos em que mais pensava era sobre o seu caráter.
Inuyasha a tinha surpreendido desde o momento em que a ajudara naquela terrível ocasião em que Bankotsu a perseguira e, desde então, não parava de encantá-la a cada vez que tinha oportunidade de conhecê-lo melhor. Seus modos eram gentis e doces, mesmo que aparentasse ser rude e grosso. Era carinhoso e sedutor como nenhum outro garoto com que já havia se relacionado, ainda que possuísse um gênio forte, teimoso e, tinha de admitir, mal-humorado (mas essa parte ela achava bem divertida, pra falar a verdade). Sua presença era suficiente para deixá-la completamente feliz e satisfeita, e ainda a preenchia com uma sensação de proteção e segurança que a deixava completamente confortável com ele.
Assim, pensando sobre tais qualidades, não pôde deixar de não se arrepender de ter tornado público seu envolvimento com o hanyou. Por mais que, como instinto, tivesse a princípio pensado em ser cautelosa, já não via objeção quanto a agir livremente em meio a qualquer pessoa do Colégio Higawa. Inuyasha já lhe dera provas suficientes de sua confiança para que pudesse deixar outras pessoas saberem de sua situação, vide sua atitude durante todas as vezes em que aquelas pessoas tinham ousado se intrometer tanto em suas vidas privadas, até mesmo pelo exemplo daquela própria tarde(Kagome realmente sentira-se lisonjeada pelo seu cavalheirismo e persistência em se manter calado quanto ao que podia contar, quando aquilo poderia silenciar todos os garotos presentes).
Deste modo, num assomo de espontaneidade e sem pensar nas conseqüências, Kagome simplesmente saiu porta à fora, gritando para a mãe que voltaria dali a pouco (esta nem teve tempo de discutir, coisa que certamente o teria feito caso a filha tivesse sido um pouco menos rápida). Ela pouco refletiu sobre possíveis arrependimentos ou em situações constrangedoras que aquilo podia gerar, mas saiu caminhando decidida em direção à casa de Inuyasha Taishou.
Entretanto, Kagome não parou pra pensar durante aqueles poucos minutos de sua súbita decisão que tudo que estava passando por sua cabeça estava também presente na mente do meio-youkai. E, sendo este o caso, o outro também estaria muito ansioso e poderia igualmente ter tomado a mesma decisão louca e impensada de ir atrás dela. Assim, qual não foi a surpresa para a menina de olhos azuis ao pisar no último degrau da escada e dar de cara com o hanyou?
- O que está fazendo aqui a essa hora? – A jovem não conseguiu reprimir a pergunta. Pouco conseguia pensar, encontrava-se imensamente atônita.
- E o que faz saindo de casa a essa hora? –
Apesar da expressão aparentemente tranqüila, ele não pôde deixar de erguer as sobrancelhas. As mãos nos bolsos, camiseta simples e bermuda, sua visão no pé da escada quase tinha causado um infarto em Kagome. Mas ele também não se encontrava em diferente estado, apenas disfarçava melhor.
Por fim, depois de dar um profundo suspiro e se aproximar um passo da escada, Inuyasha falou com franqueza:
- Eu já não agüentava mais. Precisava te ver. - Ele deu um meio sorriso. - Acho que não passei no tal ritual de desenvolvimento de paciência e auto-controle, no final das contas.
Kagome só fez encarar o chão e enrubescer intensamente, ao passo que respondeu:
- Eu também não agüentava mais esperar. Acho que paciência não deve ser nossa virtude. - E dando um ligeiro sorriso, a garota levantou o rosto e encontrou os olhos do hanyou.
- Mas por que toda essa ansiedade, Kagome Higurashi? – Sua expressão era neutra, mas tinha um quê de malícia pouco perceptível. Ele deu mais um passo em direção à jovem.
- Eu lhe faço a mesma pergunta, Inuyasha Taishou: por que toda essa ansiedade? - Seu sorriso era discreto, mas correspondia o do meio-youkai. Já este, não vendo saída para aquele jogo, pôs um fim à distância entre eles, enlaçou a cintura da colegial e disse enquanto olhava diretamente para seus olhos:
- Eu já estava ficando maluco. Nada do que eu fazia pra me distrair conseguia ser suficiente pra tirar você da minha cabeça. Seu sorriso, seu cheiro, a textura da sua pele, seus beijos... Não é como se não conseguisse parar de pensar em tudo isso, era mais como se você nunca tivesse saído de perto de mim. Eu poderia fechar os olhos, olhar pro lado e tapar os ouvidos, mas você ainda estaria ali. É inevitável.
Suas palavras atingiram Kagome de tal forma que foi com muito esforço que esta evitou que uma lágrima descesse por seu rosto. Ele não só confessara o que sentia na maior sinceridade, como tudo o que descrevera era exatamente o que ela mesma tinha sentido. Assim, tomada pela emoção do momento, ela simplesmente encostou seus lábios nos dele, sorriu levemente entre pequenos beijos que depositava em sua boca e então o beijou com toda a vontade que tinha. Os braços rodearam seu pescoço, sua cintura fortemente enlaçada, os suspiros pouco perceptíveis na rua deserta. Ao se separarem, a bonita garota disse:
- O que você acabou de dizer foi estranhamente familiar pra mim, porque não pareceu uma confissão sua, mas sim uma descrição do que eu mesma senti ao longo dessa penosa tarde e noite.
Os dois permaneceram calados durante alguns segundos para depois simplesmente unirem as testas e ficaram assim até retomarem os beijos aos poucos. Demorou um tempo até que se afastassem de novo. Inuyasha, tão absorto pelos lindos olhos azuis a sua frente, encarou-os profundamente e falou com a voz séria:
- Tem uma coisa que quero lhe falar, Kagome. Acho que foi o que mais me impulsionou a vir até aqui, apesar de que acho que teria vindo nem que fosse simplesmente pra te ver.
A forma como ele a olhava fez suas pernas amolecerem e agradeceu mentalmente por ele a estar segurando com tanta firmeza, caso contrário teria caído no chão.
- Todo minuto que passo com você tem sido ótimo. Tenho me divertido muito e, como pode ver, ansiado por cada momento que passamos juntos. Hoje o dia foi maravilhoso, e eu acho que não vai ser diferente amanhã e depois de amanhã e depois, caso eu possa estar com você. - A cada frase, Kagome sentia que o coração saltava mais para perto de sua boca. Não conseguia despregar seus olhos dos dele. - E eu quero poder estar com você, aproveitar o máximo que puder esses momentos e sem me preocupar com os outros. Kagome Higurashi, eu quero você pra mim.
Apesar das palavras soarem possessivas demais para os ouvidos de alguém imparcial e insensível, Kagome não conseguiu deixar de se sentir indescritivelmente feliz, satisfeita e, sobretudo, completa com aquela frase. Suas pernas já não só estavam moles, como agora tremiam muito. Porém, não pôde controlar uma lágrima de se formar nos cantos de seus olhos e muito menos o enorme sorriso quando o garoto completou:
- Quer ser minha namorada, Kagome?
É, eu voltei como prometido. Tudo bem que não em 3 dias, e sim uma semana, mas pelo menos voltei. Não tenho muito a declarar tempos de espera, mas acho que vocês já perceberam que estou um pouco empolgada e com surtos de inspiração. Óbvio que todas vocês também já sabem que reviews ajudam MUITO na minha inspiração. Quanto mais, melhor.
Sobre a fic, quero chamar atenção quanto a um ponto: primeiro, percebam a hesitação de Kagome. Ela gosta de Inuyasha, acredita em seu caráter, mas não conseguiu confiar totalmente nele logo de cara. Como vocês vão ver, minhas amigas, essa é a semente para os problemas de nosso casal e acho que logo entenderão o porquê ; )
Agora vamos às reviews:
carolshuxa: nossa, realmente não esperava encontrar alguém das antigas ainda acompanhando a fic. Muito obrigada! : ) Espero que tenha gostado desse cap também e até o próximo!
DaySerafini: Muitíssimo obrigada pelos elogios, eles me cativaram muito! : )
Sim, sei do que você está falando sobre fic de colegiais e eu realmente não teria me proposto a começar essa se não achasse que vale a pena. O ponto que vou explorar como diferencial nessa fic não vai ser as intrigas de colégio e a história do bulling, mas sim a sutileza de alguns detalhes da relação entre a própria Kagome e o Inuyasha. Como eu já disse a outra leitora, o maior problema deles não vai ser um monte de pessoas invejosas ; )
Espero que tenha gostado desse cap também a te o próximo!
Kaoro Yumi: Ai, não sabe como é bom ver que ainda tem gente acompanhando a fic!! Muito obrigada pelo apoio, mesmo!! Mil perdões pela demora e espero que esse novo cap venha a me ajudar a me redimir melhor. E acredite em mim, Kagome terá situações muuuito piores em termos de dificuldade pra largar o Inu ; ) Um beijão e até o próximo cap!
Queridas leitoras, agradeço muitíssimo(íssimo-íssimo) pelo apoio de vocês e pela paciência. Espero postar o próximo capítulo em muito breve, mas não garanto nada. Os rascunhos dele ainda estão muito miseráveis pra que eu possa dar uma previsão, mas juro que tentarei me adiantar.
Encarecidamente,
Carine.
