MINHA SOGRA TEM UMA CONVERSINHA COMIGO

Chegamos ao Olimpo cerca de meia hora depois de escaparmos do apartamento. Annabeth foi dar uma olhada em umas colunas de mármore e falar com alguns ciclopes para terem cuidado com todos aqueles pedregulhos pesados. Enfim, ela devia estar adorando isso. Resolvi procurar meu pai, Poseidon. Ele vinha muito ao Olimpo ultimamente e nós sempre conversávamos enquanto eu esperava Annabeth. Entrei na sala do trono esperando encontrá-lo lá, mas a sala estava vazia. Suspirei. Pensei em encontrar alguma coisa para me distrair e quando me virei Atena estava bem na minha frente, dando-me um olhar ácido como se estivesse prestes a me transformar em areia. Digamos que minha sogra não fosse minha maior fã, mas, eu não imaginava o que pudesse deixá-la tão irritada comigo agora.

- Olá, Atena. – disse eu.

- Senhora Atena – cuspiu ela.

- Oh, certo. Desculpe-me, senhora Atena.

- Eu sei de tudo Perseu Jackson e não adianta tentar me esconder o que quer que seja. – Disse ela. Eu realmente não estava entendendo nada. Talvez Atena tenha pirado de vez.

- Não estou entendo, seja mais clara, se puder. – disse eu.

- Mais clara? – Perguntou ela. Eu me senti estremecer com sua voz. – Vou ser bem direta com você, Jackson. Eu sei o que aconteceu entre você e minha filha e sinceramente quis explodir seus miolos, mas não havia como fazer isso sem atingir Annabeth. - Tenho quase certeza que ela repassava o plano do meu assassinato em sua mente enquanto me dizia isso. – Só vim dar um aviso. Estou de olho em você, filho de Poseidon. Se fizer minha filha sofrer, se magoá-la ou deixá-la desamparada por qualquer que seja o motivo, eu irei destruí-lo, vou pulverizá-lo e não me importa quem seja seu pai.

Acho que entendi tudo. Atena estava me dando um ultimato por meu relacionamento com sua filha ter dado um passo à frente? Mas isso não era minha culpa, pelo menos não exclusivamente. Além do mais, se ela viu, viu porque quis. Deuses podem ser tão bisbilhoteiros.

- Não teste minha paciência garoto! – ela disse, como se lesse minha mente.

- Sim, tudo bem. – Eu não queria mesmo testar a paciência dela. – Eu garanto, senhora. Nunca deixarei Annabeth sozinha, desamparada ou qualquer outra coisa porque eu a amo de verdade e não posso viver sem ela. Talvez você possa me dar um voto de confiança e ver por si própria.

Ela me estudou dos pés a cabeça.

- Não fique pressionando meu garoto, Atena. – Poseidon urrou, adentrando a sala dos tronos.

Ela se virou para ele.

- Se ele puxou ao pai tenho certeza que poderei fazer dele pó em breve. – ela disse, estreitando os olhos.

- Ora vamos! Deixe as crianças se divertirem e vá ler alguma coisa naqueles livros de seus filhos filósofos para que você possa se orgulhar de suas frases inteligentes. – Disse meu pai. Confesso que tive de me segurar para não explodir em gargalhadas na mesma hora.

Atena bufou, revirou os olhos e se virou para mim.

- Isto é apenas um aviso, Perseu Jackson. – Ela tremulou e desapareceu.

- Atena é muito temperamental; herança de Zeus, obviamente. – Poseidon riu.

- Às vezes ouço pessoas reclamando de suas sogras. Imagine a minha sogra, uma deusa ''muito temperamental'' que às vezes tem vontade de acabar comigo! – murmurei.

- Não fique tão preocupado, ela não vai fazer nada. – Poseidon declarou. Não sei se deveria levar tão calmamente quanto ele, afinal, não sou um deus imortal. – Me diga, como vão as coisas? A reconstrução está indo muito bem e a menina fez um ótimo trabalho aqui. Vocês estão indo ao acampamento nesse verão?

- É verdade. Bem, sim, vamos rever o acampamento em breve. E como anda o trabalho de reconstrução no palácio?

- Trabalhoso, mas gratificante. Estou fazendo tudo novo e diferente, então passo horas pensando em como fazer as cinquenta salas de jogos ficarem todas diferentes umas das outras. E os quartos então, são mais de setecentos! – Ele disse.

Pensei que meu pai gostaria muito de ter uma conversa com minha namorada. Passamos mais um tempo conversando até Annabeth me chamar para irmos embora. Fomos a uma pizzaria e comemos por lá. Depois ficamos em casa assistindo TV enquanto minha mãe cozinhava um bolo de canela azul.

O resto da semana foi tranqüilo. A festa no Olimpo foi um sucesso e Annabeth foi a grande parabenizada da noite. Nós dançamos e nos divertimos muito. Todos estavam lá. Quíron, Grover, Nico, Hades, todos os grandes deuses, os deuses menores, todos os campistas, ninfas e sátiros. Foi uma grande festa. Devo admitir que Dionísio fez um ótimo trabalho, mas eu me orgulhei mesmo foi de Annabeth e de tudo que ela fez no Olimpo. Com certeza ela foi o melhor presente que eu poderia receber e eu a amo mais que qualquer outra coisa na face da terra.