EU FAÇO UM PEDIDO MUITO IMPORTANTE

Acordamos cedo e, enquanto tomávamos café-da-manhã, observei o jornal de Quíron sobre a mesa. Apesar da dislexia, um anúncio me chamou atenção e consegui ler: "Alugo apartamento. Nova York. Preço baixo. Precisa de reforma". Abaixo vinha um endereço conhecido. Era próximo à casa de minha mãe. Pensei no que Rachel dissera "Deuses! Vocês poderão viver juntos e tudo mais! Isso é perfeito!". Era isso! Eu já sabia o que faltava para que minha proposta ficasse completa.

- Sim! Isso é perfeito! – Me levantei e corri em direção à porta, pegando a chave do carro no caminho. Ouvi Annabeth gritar atrás de mim:

- Percy! O que está havendo? Volte aqui!

Mas eu já tinha ido.

Cheguei á Nova York pela hora do almoço. Fui até o apartamento e um senhor, o dono, me disse que ia viver no campo e precisava deixar seus imóveis em boas mãos, mas não confiava nas agências imobiliárias.

- Fique tranquilo. Vamos cuidar muito bem do apartamento. Minha namorada é arquiteta e tenho certeza que ficará feliz em cuidar da reforma. – Disse eu.

Quando entramos percebi que iria precisar mesmo de uma reforma. Isso não era tão ruim, provavelmente Annabeth ia se divertir. Almocei com o proprietário e fechamos o negócio.

Dirigi de volta ao acampamento depois de visitar minha mãe e contar-lhe sobre minha mais nova aquisição. Ela parecia que ia flutuar enquanto me dizia "Ah! Percy! Você está tão crescido agora! Vai se casar com Annabeth! Mal posso acreditar! Finalmente!". Porque todos diziam essa coisa de finalmente? Ora, eu estava prestes a me casar com vinte e três anos! Nenhum homem em sã consciência faria isso.

Cheguei ao acampamento ao anoitecer e me deparei com Annabeth me esperando na soleira da porta.

- Pode me dizer o que foi aquilo? O que aconteceu para você sair daquele jeito? Não entendi nada, fiquei preocupada! E você ainda saiu correndo com o meu carro! – Ela estava furiosa.

- Não aconteceu nada. Fui à cidade fechar um negócio. Desculpe por não ter pedido o carro antes. – Respondi.

- E desde quando você tem negócios na cidade, Percy Jackson? Não minta para mim! Eu vou descobrir porque você anda tão misterioso! – prometeu ela.

- Com certeza você será a primeira a saber. – Eu podia ver que ela estava maquinando mil possibilidades para que eu agisse daquela forma. Isso era, de certa forma, divertido. Mas eu não poderia continuar escondendo meu grande segredo dela por muito tempo. Sendo assim, teria que ser esta noite. – Vamos jantar, estou faminto.

Ela bufou e caminhou em direção ao refeitório. Entrei em casa correndo para pegar a caixinha preta aveludada que eu guardara dentro de um pacote de cuecas para que ela não encontrasse. Ei! Minhas cuecas eram muito bem lavadas. Eu tinha um esconderijo perfeito.

Corri para o refeitório. Comemos, cada um em sua respectiva mesa, enquanto ela me lançava olhares terroristas. Após o termino do jantar, Quíron deu seus avisos sobre os jogos do dia seguinte. Quando ele acabou, eu me levantei e fui em direção à sua mesa.

- Deixe-me dar uma palavrinha antes de todos saírem, Quíron? - Perguntei em voz baixa.

- Er, sim. Tudo bem. Vá em frente. - Disse ele, curioso.

Me virei para os campistas que me olhavam atentos. No meio deles estava Annabeth, me encarando com olhos de tempestade.

- Bem, vamos lá. - Comecei. - O que eu quero fazer não é bem um comunicado. É um pedido. - Andei em direção à Annabeth, que estava sentada na mesa de Atena. - Queria que todos estivessem aqui para o caso de eu levar um grande pé na bunda e precisar de um apoio moral... - Agora eu estava bem na frente dela.

- Então, é agora ou nunca. - Me ajoelhei.

Ela me observava atentamente. Parecia confusa.

- Vamos logo com essa novela Peter Johnson, não tenho a noite toda! - Dionísio parecia impaciente. Eu queria lhe dar um soco por interromper meu pedido de casamento. Mas achei melhor continuar.

Annabeth, - Era melhor falar tudo de uma vez, antes de perder a coragem. - sei que você deve estar magoada comigo por minhas atitudes estranhas desde que chegamos aqui. Eu lhe disse que você seria a primeira a saber e vou te contar agora. Nós namoramos há bastante tempo e com você eu vivi os melhores momentos da minha vida. Sou completo com você. Dentre todas as pessoas, você é a única que me faz sentir isso. Então, eu gostaria de passar o resto da minha vida ao seu lado, se você quiser. Quero passar muitos anos admirando sua inteligência e ficando boquiaberto ao pensar que eu tenho ao meu lado a mulher mais linda de todas. Sei que você pode ser muito rabugenta quando está irritada, mas, se você me quiser, acho que posso pagar esse pequeno preço. - Eu pisquei para ela. - Eu te amo muito, sabidinha. Por isso, eu tenho que te perguntar... Annabeth Chase, quer se casar comigo?

Ouvi um murmúrio pasmo vindo dos outros. Rachel já estava comemorando. Grover arregalou os olhos e tossiu como um bode sufocado. Clarisse revirou os olhos. Dionísio bocejou e Quíron sorriu. Annabeth estava petrificada, ela parecia congelada.

- Então... Não tem nada a me dizer? - Perguntei a ela em um sussurro. Meu coração estava acelerado e minhas mãos suavam em bicas. Se ela continuasse com esse suspense eu teria um ataque cardíaco precoce.

Finalmente, ela falou:

- Percy! Você acaba de... de... me pedir... para casar... com você? - Ela olhou em meus olhos.

- Hm... sim. - Confirmei. - E então, quer se casar comigo ou não? - Eu já estava ansioso o suficiente.

- Sim! - ela falou com uma voz falha. Parecia que estava prestes a chorar. - É claro que eu quero me casar com você, cabeça de alga! E ficar com você até ficarmos velhos e ranzinzas! - Ela riu, brincando. - Finalmente! Pensei que fosse esperar a virada do século para me pedir!

Ela se levantou e pulou em meu pescoço. Me beijou e eu senti que ela estava radiante. Eu também estava prestes a explodir de felicidade.

- Então... - Dionísio falou em voz alta. - Parabéns Peter Johnson, você vai se casar. Acho que temos algo para comemorar! - Ele bateu palmas e as mesas começaram a ser cobertas com toalhas bordadas com cachos de uvas, surgiram então bandejas de comida de todos os tipos, a música começou a tocar e os campistas explodiram em vivas.

Mais tarde, enquanto nos preparávamos para dormir, enfiei a mão nos bolsos para me certificar de não ter perdido o molho de chaves de nossa futura casa. Eu ainda tinha mais uma novidade para contar a ela.

- Annabeth. - Chamei. - Você sabe por que fui à cidade hoje mais cedo?

- Para comprar um anel? - perguntou ela, sorrindo.

- Não! Isso eu já havia feito há muito tempo. Fui por uma coisa mais importante. - Ela se sentou na cama, penteando os cabelos.

- Então, o que foi fazer na cidade hoje? - Perguntou ela.

- Fui conseguir seu mais novo trabalho.

- Seja claro, não estou entendendo.

Tirei as chaves do bolso e coloquei em sua mão.

- Bem, eu vi no jornal o anúncio de um apartamento. Em Nova York, perto de minha mãe. Então eu fui lá vê-lo e gostei muito. Só tem um problema; precisa de uma reforma. Pensei que talvez você se interessasse em reformar nosso futuro lar, para onde vamos depois de casados. O que acha?

Ela arregalou os olhos.

- Percy Jackson! Você alugou um apartamento para nós? Quer dizer... eu e você? Vamos morar juntos? Não acredito! Isso é incrível!

- Você vai ter que reformá-lo... Vai dar um pouco de trabalho...

Antes que eu pudesse terminar ela já estava me beijando. Me puxou para o seu lado e disse:

- Venha, cabeça de alga! Vamos comemorar estreando essa cama! - E então começou a diversão.


Ps: Casamento no próximo capítulo do trecho dois.