ANNABETH ME PÕE UMA COLEIRA
O pai de Annabeth a trouxe ao altar e então entregou a mim a mão de sua filha. Ela olhou em meus olhos e pude sentir que, a partir daquele momento, estávamos ainda mais conectados. Ou talvez fossem os meus nervos entrando em colapso.
O casamento foi simples, mas também foi emocionante. Várias vezes, enquanto olhava Annabeth pelo canto do olho, poderia jurar que ela estava quase chorando. Dissemos as famosas palavras sim e aceito, que selaram nosso compromisso perante os convidados e depois Quíron nos declarou marido e mulher.
Quando a cerimônia acabou os bancos foram se transformando em mesas com cadeiras, travessas repletas de comida de todos os tipos surgiram e uma música agradável começou a tocar. Dionísio realmente se superou desta vez, a festa estava incrível. Mas festa nenhuma poderia desviar minha atenção de Annabeth, a noiva mais maravilhosa que eu já tinha visto. Ela usava um vestido justo à cintura, que subia marcando o colo e tinha alças rendadas que cobriam apenas os ombros. Não tinha saia muito volumosa e nem cauda muito longa. Os cabelos estavam presos à cabeça de um jeito casual e ela não estava muito maquiada. Não precisava. Seus olhos brilhavam de uma maneira que tornava desnecessário qualquer outro tipo de brilho.
Fiquei olhando seu rosto e pensando enquanto dançávamos. O que ela estaria sentindo agora?
- Então, o que acha de ser a senhora Jackson? – Perguntei.
- Agora sou a senhora cabeça de alga, deuses! – Ela riu. - E eu até me sinto bem com isso! – continuou – Talvez eu possa me adaptar. Sabe, acho que estou gostando um pouco disso. – Ela piscou.
- Um pouco? – fingi um tom zangado. – Está me dizendo que nos casamos para você gostar um pouco disso? De jeito nenhum! Vamos aproveitar que estão todos aqui e desfazer esse casamento porque você está muito exigente e estou pensando em voltar para minha vida de solteiro!
- Nem pense nisso, cabeça de alga! - Ela me lançou um olhar mortal enquanto dizia isso, tentando esconder o riso.
- Você sabe, estou brincando. – Pisquei. – Pelo menos por enquanto.
Ela me deu um tapa no ombro e perguntou:
- E você? O que sente agora que está casado?
- Hm... Sinto como se... Se estivéssemos muito mais unidos. Como se realmente não pudéssemos mais nos separar. Acho que agora não tenho mais que ter medo de que você fuja com algum vizinho mais malhado. – Ela riu. – E ainda tenho alguém para lavar minhas meias! – Provoquei.
- Que absurdo! Vá sonhando! – Retrucou ela.
- Annabeth! – Uma voz musical e estridente soou atrás de mim. Annabeth ergueu os olhos e ao me virar vi Hera de pé, olhando para nós. Estranho. Hera é uma deusa do tipo que guarda mágoas, mas esse não parecia o caso hoje.
- Você está linda, minha cara! – Hera elogiou Annabeth, sorrindo. – Posso lhe cumprimentar? – Ela estendeu a mão e Annabeth apertou a mão de Hera com uma expressão confusa.
- Fico... muito feliz por você ter vindo, Hera. – disse Annabeth.
- Claro! Eu não perderia isso por nada. Agora, vocês sabem, sou como uma segunda mãe para vocês. Ao se casarem eu lhes dei minha benção e vocês passaram a viver em meus domínios. – Hera nos dirigiu um olhar amável – E uma mãe não tem rusgas com seus filhos. Principalmente novos filhos que estão ingressando no casamento e em toda a sua pureza e plenitude. – Fiz um esforço para não fazer uma careta. Pureza e plenitude? Senti-me praticamente assexuado, imaginei Hera nos vigiando com um binóculo enquanto íamos para cama, garantido um casamento pleno e puro. Tenho certeza de que o que ela veria não seria considerado nem um pouco pleno, tampouco puro.
A deusa olhou para mim, uma sobrancelha arqueada, depois se virou sorrindo para Annabeth; como se decidisse não se empertigar com algo de pouca importância.
- Obrigada por vir, senhora. – disse Annabeth, sorrindo também. – Espero que goste da festa.
- Sim, sim. – a deusa do casamento olhou em volta, distraída – Vim apenas dar-lhes meus parabéns. Onde estará Zeus? Tenho de encontrá-lo. Felicidades, meus queridos! – Ela disse antes de se afastar de nós.
- Uau! – comentei – Isso foi estranho!
- Com certeza – minha mulher concordou antes de voltarmos a dançar.
Mais tarde, logo depois de Annabeth me perguntar se já era hora de "escaparmos" da festa, Poseidon apareceu, batendo levemente em meu ombro.
- Então, já viram meu presente?
- Não. – Respondi, confuso. Provavelmente ele deixara alguma coisa junto com os outros presentes que abriríamos depois.
- Então não foram até a praia? – perguntou ele, sorrindo para mim.
- Está na praia? – perguntei. – O que é?
- Não vou contar, vão até lá! – Respondeu ele. – Espero que gostem.
Quando chegamos à praia vi o que nos esperava na água, próximo à areia, ondulando levemente com o balanço do mar: um barco. Um barco não, o barco. Era magnífico! Branco e brilhante, eu podia sentir suas cordas em minhas mãos, era como uma parte de mim. Sabia exatamente à que velocidade seria melhor navegarmos e qual a melhor rota para qualquer lugar que eu pensasse em ir.
- Um barco para a viagem de lua-de-mel. Fiz reservas em vários hotéis no litoral da Europa, Ásia e America do Sul, vocês podem escolher; há um roteiro de viagens na suíte do barco. Pode ser útil depois da viagem também se quiser trabalhar com ele, por enquanto é só um brinquedo... – Meu pai dizia enquanto eu só conseguia ficar paralisado com a boca aberta olhando o meu mais novo "brinquedo".
- Está nos dando esse barco? – Annabeth foi quem conseguiu falar. – De presente de casamento?
- Não exatamente. – Poseidon respondeu. – O barco é de vocês, é claro. Mas o meu presente é, na verdade, a viagem e não somente o barco.
- Francamente! Um barco? Uma casca flutuante que balança e dá enjoos? – Athena estava bem ao lado de meu pai, olhando com desdém para nosso barco. – Eu teria pensado em algo mais criativo, muito mais útil...
- Sério? – Poseidon riu. – Como o que, por exemplo? Uma enciclopédia com as setecentas maiores maravilhas do mundo, que pode ser muito útil como um peso de portas?
- Claro que não! Não me subestime, velho do mar! - Athena o fuzilou com os olhos.
– Pode dizer o que quiser. – Poseidon deu de ombros. - Sei que está morrendo, metaforicamente, por meu presente ser muito melhor que o seu! Vamos Percy, Annabeth, as malas já estão no convés; está na hora de partirem! – disse ele, enquanto um feixe de areia se estendia até a escada do barco.
Annabeth abraçou seus pais enquanto eu dei um abraço em meu pai e minha mãe. Logo todos estavam em volta de nós para se despedirem. Quando estávamos à bordo, do pequeno convés de nosso barco podíamos ver as pessoas acenando e se tornando menores à medida que ganhávamos velocidade rumo à alto mar.
Na suíte encontramos uma TV enorme, duas garrafas de vinho, aperitivos e, o melhor de tudo, uma cama king-size muito espaçosa cheia de almofadas. Olhei para Annabeth, pensando em atirá-la sobre elas e então não deixar pedra sobre pedra.
- Sente-se na cama, volto em dois minutos. – disse ela, correndo para o banheiro.
Esperei sentado, literalmente, enquanto ela se trocava. Minutos depois ela veio em minha direção usando uma lingerie azul marinho que era realçada por seu cabelo loiro esvoaçante e sua pele sutilmente bronzeada. Ela me empurrou para a cama e enquanto desabotoava minha camisa, disse:
- Esta noite, e todas as outras noites de nossas vidas, você é todo meu.
Espero que me desculpem pelo atraso na postagem, sei que faz mais de um mês e tanto que postei mas estava viajando e quando voltei demorei a reorganizar todas as minhas coisas e tarefas, perdoem-me.
