Capítulo 3 – Ataque:
Temari sentiu um arrepio percorrer seu corpo com a voz daquele sujeito. Não que estivesse com medo, apenas havia algo de perturbador naquela voz. E por aquele momento esqueceu do ocorrido com o garoto.
Shikamaru que experimentou sensações parecidas franziu a testa. Aquela voz parecia trazer consigo uma ameaça. Rapidamente o shinobi saiu de perto da garota a sua frente, ficando ao lado dela, fitando o local entre as árvores da onde parecia ter saído à voz.
– Kkkkk, o que foi? Estão com medo, pirralhos? – a voz saída das árvores soou debochada, sua risada era certamente sinistra.
Ela, sempre enfezada, respondeu num tom de superioridade a provocação do suposto homem.
– Ora, idiota... Quem está escondido é você, e não nós. Por que não aparece para ver se somos pirralhos?
O garoto ao lado dela não conseguiu evitar pensar:
"Cara, que problemática! Ela nem sabe com quem estamos lidando, desafiar deste jeito é burrice...".
O homem misterioso saiu de seu esconderijo, e a visão dele era algo simplesmente bizarro. Ele era alto e esguio, tinha longos cabelos castanhos amarrados em um rabo de cavalo para trás, só que desciam lisos, e não para cima e espetados como os de Shikamaru. Até aí não era diferente de um homem comum, mas ao contrário dos outros, seus olhos eram roxos e com pupilas felinas, de sua boca saíam dois afiados caninos e seus lábios eram quase inexistentes. Seu nariz tinha um formato estranho e achatado, lembrava um focinho. E em suas mãos magras havia unhas afiadíssimas, que mais pareciam garras. Ele sorriu de maneira sádica para os dois, e foi andando lentamente.
– Kkkk, parecem ratinhos aí encolhidos, eu gosto de ratos sabiam? O Orochimaru-sama me dava ratos para comer. – havia algo de insano no olhar do homem, ele parecia uma espécie de louco.
"Mas o quê...? Que coisa é essa?" Pensou a kunoichi enquanto analisava a fisionomia do homem, perplexa. Ao subir o olhar até a testa da criatura bisonha, ela pôde perceber que havia uma bandana com uma nota musical nela, logo pôde concluir que se tratava de um ninja da Vila do Som, um servo do Orochimaru. Ela o encarou com a testa franzida e um olhar de desprezo, sabia que teria de lutar com Shikamaru, o que não melhorou em nada a situação. Sua mão já se encaminhava ao fecho de seu leque.
"Feh, era o que faltava para deixar isso tudo um saco maior ainda. Vou ter que lutar com essa garota e contra um cara do Som." Foi à conclusão de Shikamaru, após registrar as mesmas coisas que Temari, ele soltou um suspiro cansado ao encarar o homem. Agora ele não estava com a expressão entediada habitual, e sim uma de concentração.
– O que é você, coisa estranha? – Temari perguntou sem tirar os olhos da criatura um só instante.
– Kkkk, o quê? Não sei... Talvez o que chamam de monstro... Nem o Orochimaru-sama me quis, disse que eu fui sua criação mais inútil... – Neste momento o homem fez uma pausa, arregalando seus olhos como se temesse algo – Então eu fugi, não queria morrer...
– E o que quer conosco? – Shikamaru parecia adivinhar o que ele queria, afinal, era um fugitivo e não estava atrás do pergaminho que carregavam.
– O que eu quero coisinha? É óbvio... Quero comida kkkk... – Sua risada desta vez soou maligna, seus olhos se estreitaram e ele farejou o ar, lambendo os lábios.
"Chi... Esta coisa tem sérios problemas mentais..." A garota estava se irritando com aquela enrolação, então puxou seu grande leque das costas e com um movimento rápido de suas mãos o abriu. Ela iria atacá-lo.
– Ninpou! Kamaitachi!
Seguidas a essas palavras ela movimentou o leque de cima pra baixo e novamente para cima. O resultado disse foi uma espécie de tornado, que foi na direção da criatura. Porém esta não estava mais lá, com uma agilidade impressionante, ele estava distante do local atingido, sua risada ecoava entre as árvores.
– Isso, problemática. Gastou chakra à toa, espere um pouco que vou ver se consigo o prender e...
Antes que ele pudesse concluir sua fala, várias kunais foram jogadas na direção deles. Com um muxoxo de impaciência, Temari movimentou seu leque de trás para frente rapidamente, e as armas caíram no chão com pequenos ruídos abafados pelo chão terroso.
"Droga... Só preciso fazer este cara aparecer, aí o Shikamaru o prende com o Kage Mane e eu posso acabar com ele."
Tomado de inspiração, Shikamaru teve uma idéia que poderia funcionar. Seu plano consistia basicamente no mesmo que o da garota ao seu lado. Franzindo a testa, concentrado, o garoto pensava:
"Se eu fingir ter sido acertado, ele pode vir até aqui ver se 'pegou a presa'... Mas provavelmente ele vai temer a Temari e não sair até a acertar realmente... Chi, se o Neji estivesse aqui seria bem mais fácil. Bem, posso tentar, vai que ela entende o plano. Vou ter que confiar na inteligência dela."
Após concluir o que faria, ele começou a gritar estrondosamente como se estivesse muito ferido.
– AHHH! ESTOU SANGRANDO... – o garoto mordeu o dedo, fazendo com que esse escorresse um filete de seu sangue. O cheiro poderia atrair a criatura para perto – ELE ME ACERTOU COM A KUNAI...
"Mas que diabos ele pensa que está fazendo? Eu neutralizei totalmente o ataque e... Espere, talvez seja algum plano dele... Pense, se ele fingir que foi acertado o cara pode vir conferir e... Yosh! Entendi."
– AHHH! EU VOU MORRER DESTE JEITO! – seguindo o exemplo do garoto, ela gritava para chamar a atenção da criatura. Mordeu também seu dedo, para que o cheiro do sangue exalasse. Porém havia uma falha naquilo tudo, se o "homem" não fosse completamente burro, iria os espirar das árvores. Pensando nisso a garota pegou duas kunais, entregando uma para seu parceiro. Ela segurava a kunai no ombro, como se esta tivesse a acertado e passava o sangue do dedo no local do suposto "ferimento".
"Heh, ela até que é esperta... Conseguiu pegar o plano e até mesmo o melhorar um pouco.".
Utilizando a técnica improvisada pela garota, ele colocou a kunai sobre a coxa, e continuou a gritar o mais alto que podia.
"Kkkk, acho que peguei os ratinhos... Tão fraquinhos... Sorte que não tenho que usar jutsus, porque não consigo kkkk...".
Com um grande sorriso na boca desprovida de lábios, o suposto homem se encaminhou até eles, lentamente, seus pés não faziam o menor barulho ao pisarem no chão coberto de folhas. Espiou por entre as folhas da árvore um pouco atrás deles, e pôde ver que haviam sido "atingidos" por duas de suas kunais. O cheiro do sangue dos dois atraia-o extremamente, logo era levado por seus instintos que o fizeram sair rapidamente do esconderijo e pular bem na frente dos dois com uma kunai em mãos apenas por precaução.
Após largar a kunai, com os dedos da mão direita quase todos flexionados sobre os da mão esquerda, formando o selo do rato, Shikamaru pôde executar seu famoso "Kage Mane no Jutsu". Uma linha que parecia ter saído de sua sombra se moveu de forma ágil em direção à sombra produzida pela criatura que deu um berro surpreso e lançou a última kunai que tinha em mãos, fazendo uma pontaria apressada antes de ter sua sombra tocada pela do garoto.
Ouviu-se um grito abafado de dor e Temari tombou com o joelho direito no chão, mordendo o lábio inferior. Havia sido acertada pela kunai que fora lançada quase a esmo, pois se distraiu ao observar o desfecho do breve combate.
"Merda..."
O garoto pensou, quando viu que a ninja de Suna havia sido atingida diretamente na perna. O que foi certa sorte, considerando que ela precisava dos braços para atacar. Porém Shikamaru tinha em mente se ela conseguiria levantar-se, afinal não era um ferimento muito sério. Ele fez a única coisa que podia naquela situação, prendeu o homem mantendo seus dedos na posição.
– Temari – ele virou a cabeça para ela, e viu o "homem" fazer o mesmo – Você consegue atacar?
Ela sorriu com o canto dos lábios, ele estava a subestimando. Pôs o dedo indicador entre os dentes e usando sua outra mão, puxou rápida e decididamente a kunai de sua perna. Por sorte, essa não havia entrado muito na coxa na garota, era um ferimento grave, mas nada que não pudesse ser resolvido depois. Rasgou um pedaço da barra de seu kimono e amarrou em volta da coxa, para estancar o sangue do ferimento e então, com as pernas ligeiramente trêmulas, se pôs em pé.
– Com certeza, idiota. – ela observou um pequeno sorriso se formar nos lábios do garoto – Agora observe.
Fechou o leque com uma velocidade incrível, olhou com desprezo para os olhos aterrorizados do homem à frente dela e então foi para trás dele. Levando o leque lentamente para trás de seu ombro, ela o trouxe de volta para frente com ferocidade, rumo à nuca do inimigo. Neste momento, Shikamaru soltou seu jutsu a tempo do corpo do "homem" tombar, aparentemente desmaiado, aos pés dele.
– Heh, foi interessante. E agora, o que faremos com o corpo? Ele não morreu, tenho certeza.
Fechou os olhos, com um grande sorriso nos lábios, o qual mostrava todos os seus dentes. Ela gostava quando ele admitia sua força. Voltando a expressão rotineira, disse com displicência:
– Amarre-o e o largue aí. Provavelmente vai ser morto por alguém ou morrer de fome. Quando chegarmos a Suna nós poderemos...
– Espere um minuto, ele disse ter sido servo do Orochimaru, não?
– Ao que parece, sim.
– Então temos de mandar uma mensagem para alguém de Konoha, avisando que temos um prisioneiro. Ele pode dar informações do paradeiro do Sasuke.
– Certo, e como vamos os avisar, idiota?
Ele ignorou a ofensa e fechou os olhos, pensativo. Como poderiam fazer? Levar aquela coisa com eles não era opção, pois ele poderia acordar. Faltava apenas dois dias de viagem... Se ele conseguisse demarcar a região, assim que chegassem em Suna poderiam avisar alguém para que viesse buscar... É, parecia à única solução viável. Abriu os olhos inexpressivos e a encarou.
– Bem, acho que o devemos o deixar aqui amarrado e contar com a sorte. Assim que chegarmos em Suna, mandaremos alguém para cá.
A garota suspirou longamente.
– Certo, era o que eu ia dizer. Mas ainda acho idiotice vocês ficarem atrás daquele traidor e...
– Não vamos falar sobre isso. – o tom do garoto foi mais firme do que ele imaginara o que fez a garota se calar, surpresa – E sua perna, está podendo andar? Assim podemos seguir viagem, é um saco, mas não temos tempo para descansar.
Temari não respondeu, apenas se dirigiu mancando até o homem e retirando um carretel de linha de sua bolsa, amarrou-o o mais firmemente que pôde.
– Vamos então, minha perna poderá ser uma atraso, não vamos perder tempo.
Sem mais palavras, começou a andar mancando o mais rápido que podia.
"Ah, ela vai me matar por isso...".
Sem pensar muito no que fazia, Shikamaru pegou a garota no colo e pulou sobre uma árvore, parando em um de seus mais altos galhos.
– Você tem algum tipo de problema? Por que fez isso? – a garota se debatia nos braços dele, tentando descer. Parecia furiosa.
– Yare yare, pelas árvores será mais rápido. Agora suba nas minhas costas. – com um olhar cansado, ele soltou-a no galho e depois se virou de costas para ela, inclinando ligeiramente o tronco para baixo.
Ela não hesitou. Usando sua perna boa, chutou o garoto, que quase caiu da árvore.
– Você é quem tem problemas... Se eu me machucasse você... Ah, esquece. Agora suba logo, você não quer chegar à sua Vila o quanto antes? – sabia que ela não resistiria contra aquele argumento. Por tanto se manteve de costas e inclinado, esperando que ela subisse.
Muito contrariada, a garota equilibrou-se como pôde e subiu no garoto. Passou os braços em torno do pescoço deste, para que pudesse se segurar e ele a segurou com firmeza.
– Então... Vamos. – Com um breve impulso, ele saiu do tronco da árvore e logo passava velozmente pela floresta, cada vez mais ganhando terreno.
Atravessaram sem problemas a floresta, não tendo mais surpresas e nem tocando no assunto da discussão que haviam tido antes da breve luta com a criatura, mesmo que aquela discussão ainda estivesse presente na mente de ambos. Fizeram pequenas pausas nas quais pouco conversaram. Ambos estavam exaustos demais para ficarem conversando, principalmente Shikamaru, que agora bocejava constantemente. Ainda assim ele estava decidido a levar a garota por todo o percurso. Logo ao anoitecer, já se viam no enorme deserto que antecedia a Vila de Temari e pararam num lugar conhecido pela garota para passar a noite. Ao amanhecer, garota começou a se empolgar, dando coordenadas para o garoto sempre que necessário, sempre o guiando pelo caminho. Era engraçado como podiam se dar bem quando trabalhavam juntos e não falavam muito. Tiveram a sorte de não pegar nenhuma tempestade de areia, atravessando velozmente o deserto.
Finalmente, quase no fim do dia, eles avistaram as grandes muralhas que envolviam Suna. A garota bateu os pés em Shikamaru, como se dissesse para este a soltar, e assim ele o fez. Correndo o mais rápido que pôde, com sua perna já melhor, ela seguiu até a fenda de entrada da Vila, com o garoto logo atrás dela.
Ela deu um grande sorriso, finalmente haviam chegado a Suna.
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Yosh! Aí está o terceiro capítulo o/! Eu sei, é maior que os outros x-x, mas eles crescem com o tempo xD...
Enfim, de novo, obrigada pelas reviews!! E em resposta à Mokona Kuramae, não tenho beta não ii! Consegui, né )o) ?
Para explicar novamente, esta fic eu já postei no orkut e estou postando aqui aos poucos, por isso é rápida. Lá já existe até o capítulo 7.
Comentem, sim n.n ?
Espero que tenham gostado do inimigo n.n! As falas e ações dele estão destacadas para que vocês possam ler melhor.
No próximo capítulo, finalmente, Suna! Aguardem e leiam!
See ya'!
