Capítulo 7 – Conversa
– Hm... Certo, Gaara, diga. – começou Kankuro, atento às palavras do irmão.
Temari e Shikamaru sentaram-se em duas cadeiras que haviam sido postas, uma ao lado da outra, em frente ao sofá. Logo, não tiveram opção a não ser olhar para o Kazekage e a garota ao seu lado.
"Por que eu tenho que estar no meio dessa conversa? É algo de família...".
Ino refletia, enquanto manteve-se de braços cruzados e fitando o teto.
Lentamente, o ruivo iniciou seu discurso:
– Vocês não são crianças e sabem o motivo de estarem aqui... – mirou fixamente cada um dos irmãos, com seus olhar que apesar de tudo ainda parecia inexpressivo – O que vi agora me deixou muito irritado.
– Mas Gaara eu não... – começou a se defender Temari, achava aquilo muito injusto.
– Silêncio. Você me deu sermão hoje, só pelo fato de ter me encontrado em uma situação parecida... – ele olhou para a irmã com certo sarcasmo – Porém a sua foi mais constrangedora, devo destacar.
"Esse idiota... Foi só... Eu sou mais velha que ele!".
Pensou a garota, frustrada. Imaginou que o irmão fosse dar um ataque, mas ele parecia um tanto calmo apesar da situação. Só a frieza em suas palavras parecia ser palpável e ela teve um mau pressentimento.
– Enfim... O que importa é que, diante disso, eu tomei uma decisão. Acho melhor que nós nos mudemos daqui. – ele fitou a parede, sem realmente a ver – Pelo menos, eu o farei. – concluiu, sem demonstrar nada a não ser as duras palavras de um Kazekage.
Aquilo foi um golpe para a garota de Suna. Não queria... Não podia ficar sem seus irmãos! Apesar dos pesares, já estava acostumada a viver com eles. Não se importando com a reação do mais novo ela retrucou:
– Você não tem o... o... Você não vai fazer isso, Gaara. – pela primeira vez, ela enfrentava seu irmão. Sabia que as conseqüências viriam, mas não ligava.
Ele pareceu surpreso por alguns segundos, mas logo se recuperou.
– Você não é ninguém para me dizer o que fazer. Estamos velhos demais para não morarmos sozinhos, Temari. Encare, você já é uma mulher e nós... Homens. Logo vamos querer levar parceiros para casa e quero evitar este tipo de cena.
Kankuro que permanecera quieto até então, refletindo, resolveu se pronunciar:
– Mas não acha que é muito precipitado, Gaara? – ele apreciaria um pouco de independência, mas achava que era muito cedo para aquilo.
– Já disse, eu estou indo. Vocês farão o que acharem melhor. Vou para um lugar mais próximo ao meu local de trabalho e receberei quem eu quiser lá. – concluiu.
Ino moveu-se desconfortável, a culpa pareceu pesar sobre ela. Podia ter influenciado o garoto? Ao constatar o estado no qual Temari se apresentava, ela mordeu o lábio inferior. Não queria se meter na conversa, falaria com ele depois.
– Mas... Gaara seja razoável. Não quero que você vá... Você é... Meu irmão mais novo. – ela engoliu o orgulho ao encarar o irmão com um olhar suplicante.
Ele sabia que seria duro, mas havia se decidido há um tempo. Ele precisava de um lugar para ocupar sozinho, não só por sua namorada, mas também por seu trabalho. Tentou aplacar sua dureza ao encarar a irmã.
– Já me decidi Temari, mas isso não é uma espécie de adeus... Ainda nos veremos em visitas. – ele sabia que seria raro de acontecer, pois a maior parte do tempo estava trabalhando.
Kankuro se manifestou novamente:
– Se é o que quer fazer, supõe-se que não haja opção... – ele suspirou, parecendo chateado com aquilo – Mas eu continuarei aqui, Temari. – foi firme ao dizer isso, sabia que talvez tivesse algumas surpresas desagradáveis, mas não largaria sua irmã.
A garota se virou para ele, com um pequeno sorriso.
– Kankuro... Ficaremos juntos então... – voltou-se séria para o irmão mais novo – E quanto a você, Gaara, não acredito que vá largar seus irmãos por uma garota qualquer. – com isso, sem nem olhar para trás, levantou-se e subiu em direção ao seu quarto.
Furiosa, largou-se sobre a cama de barriga para baixo e ouviu passos apressados em direção ao quarto. Quem seria? Seu irmão, talvez admitindo o erro? Duvidava... Talvez fosse seu idiota...
"Opa, 'meu' idiota? Vamos com calma, Temari.".
Não deu outra, lá estava o garoto, batendo na porta do quarto.
– Oe, Temari... ? – sabia que os irmãos dela talvez fossem ficar bravos por ele entrar lá e os largar na sala, mas não se importava com aquilo no momento.
– Que é... – respondeu contrariada e ele não esperou mais para entrar no quarto. Fechou com cuidado a porta e sentou-se ao lado dela na cama.
– Você está legal, problemática? – meio hesitante, ele tocou a cabeça da garota, acariciando-lhe o cabelo loiro.
Na verdade, tinha gostado daquilo. Mas por ser orgulhosa, não queria deixar que ele a visse mal e logo retrucou com brutidez:
– Claro que estou, idiota. Foi só que fiquei surpresa, uma mudança não é n... – sua voz falhou, sentiu algo quente vir a seus olhos. Agora estes se encontravam marejados de lágrimas, mas ela se forçou a não chorar.
Pigarreando, a garota prosseguiu:
– Não é nada. Ficarei muito bem... Sozinha. – ao dizer isso, enfiou a cabeça no travesseiro com força. Como seu irmão podia ser tão idiota? Largá-la daquele jeito... Por uma garota qualquer... O garoto permaneceu com a mão no cabelo dela, acariciando gentilmente. Aquilo era certo consolo para ela e ela resolveu se levantar. Ajeitando-se sentou ao lado dele e encostou a cabeça no ombro do mesmo.
– Feh, você é mesmo problemática... Não consegue nem admitir que está triste. – ele provocou a garota, preferia que ela o xingasse do que ficasse triste.
– Ah cala a boca, seu idiota. – ela esboçou um sorriso e repentinamente percebeu o quanto ele era importante. Dessa vez, sem hesitação, segurou a mão do garoto com firmeza – Escuta eu... Queria... Você sabe... Agradecer... – parecia um animal acuado, tinha problemas para agradecer devido ao seu enorme orgulho.
– Yare yare, não precisa... Agora descanse um pouco, dormir faz bem... – ele soltou um breve bocejo, estava cansado.
– Você só pensa em descansar, não é? – perguntou com irritação – Mas é o melhor mesmo e... – olhou para a sua cama, ela poderia servir para duas pessoas. Depois, olhou para a porta e a raiva do irmão voltou como uma onda escaldante dentro dela – Você pode dormir comigo, se quiser. Mas só dormir. – achou bom acrescentar, ele estava se saindo mais pervertido do que ela imaginava.
Ele abriu um sorriso simples.
– Seria ótimo, problemática. – eles se deitaram e a garota apagou a luz. Ele a abraçou por trás (N/A: Sem besteiras uu! Bwhahah mentira ¬! Se fosse eu...) e ficaram ambos de lado, a cabeça dele apoiada no ombro dela. Ela podia sentir a suave respiração do garoto em seu pescoço e logo se deixou adormecer com o pensamento de que, no dia seguinte, se preocuparia com o irmão e todas as outras coisas. O que importava naquele momento, era que ele estava com ela.
Na sala, Gaara se levantou no momento em que viu o ninja de Konoha se precipitar em direção ao quarto dela. Não deixaria aqueles dois sozinhos de novo enquanto ele estivesse em sua casa. Porém sentiu uma mão macia segurar seu pulso.
"Aquela vaca, ainda assim fala de mim... Não acredito que vou a ajudar...".
Pensou Ino, enquanto segurava o Kazekage. Ele se virou para ela com uma expressão arrogante.
– O que foi? – ela rapidamente o soltou e meio gaguejando falou com ele para tentar salvar a pele da garota.
– G... Gaara, você deu uma notícia difícil para ela. Eles não farão nada, acredite. Talvez ele até a ajude a superar. – a loira deu um pequeno sorriso confiante para ele.
Ele parou para pensar, talvez ela tivesse razão de fato... Fechou os olhos parecendo pensativo e voltou a sentar no sofá ao lado da garota. Kankuro que apenas observava com os dedos entrelaçados em frente à boca finalmente se manifestou:
– Bem, se acabaram vou para o meu quarto... Boa noite para os dois. – ele também estava abatido, havia sido rejeitado e recebido uma notícia daquelas ao mesmo tempo. Logo se arrastou escada acima, parou uns segundos na frente da porta da irmã e colocou o ouvido nesta para ver o que ouvia. Percebeu que não tinham "barulhos suspeitos" e pôde ir dormir mais sossegado.
Enquanto isso, na sala, Gaara e Ino mantinham uma conversa interessante:
– Então Gaara, tem certeza que quer ir embora? Eu não vou ficar limpando casa para você nem fazendo comidinha e... – poderia se dizer que era quase um monólogo, pois ela tagarelava enquanto Gaara apenas fitava a garota, pensativo. Seria mesmo a melhor decisão? Ir embora e deixar seus irmãos? (N/A: Oh! Que terrível decisão! Sorry, precisava fazer rima n.n'''.) Ele não tinha certeza e aquela falação da garota estava o irritando um pouco.
– Fique quieta um pouco Ino. – disse ele, de maneira um tanto grossa.
– Ai, Gaarinha... Não fale assim! – ela era um pouco manhosa e o Kazekage não estava com muita paciência.
– Certo. É melhor você ir agora, preciso pensar um pouco.
Ela reconheceu a ordem vinda dele e viu que era hora de sair dali.
– Okaay. – ela foi mais séria – E pense direito, ok? – deu um suave beijo nos lábios do Kazekage e ele corou um pouco. Isso fez com que ela desse um pequeno sorriso. Levantou-se energicamente e acenou para ele.
– Atéé! – e meio pulando foi até a porta, fechando-a com um baque.
O Kazekage suspirou e foi até a porta, trancando-a. Tinham deixado a porta aberta na "pressa". Ele queria que a garota passasse a noite com ele, por isso a deixou entrar no quarto da Temari para pegar uma camisola da irmã. Pesaroso, subiu as escadas e fez o mesmo que seu irmão havia feito frente a porta da irmã. Não ouviu nada além da respiração calma dos dois, indicando que ambos dormiam.
Foi então até seu quarto, trocando os mantos de Kazekage por uma roupa mais simples, um short preto e uma blusa de um vermelho muito escuro. Deitou-se e ficou a contemplar o teto de seu quarto enquanto milhares de pensamentos e responsabilidades rodavam em sua cabeça.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Pobre Gaara n-n! O sr. Kazekage também tem seus problemas D:!
Aí está a conversa, está quase chegando aonde o orkut está... Obrigada novamente pelas reviews! Leiam e comentem de novo, sim? Próximo capítulo está mais agitado o/.
Enjoy o/!
See ya'!
