O Síndico
Certas coisas na vida não mudam. Tipo: o chefe nojento, os colegas falsos, os vizinhos barulhentos e insuportáveis e etc. Logo, o que eu podia esperar do síndico do meu prédio? Uma velha rabugenta, fofoqueira, hipócrita e chata. Ninguém pode me culpar por pensar assim, inclusive o sr. eu-sou-lindo-e-maravilhoso-e-cheiroso-e-SÍNDICO!
The Not So Great Steady Middle
- Bonito mocinha... – o que deveria ser uma voz ecoou como um grasnar absurdamente agudo de romper tímpanos para Lily e em vez de procurar a fonte de sua provável surdez, a garota escondeu (protetoramente) o que restava de sua audição debaixo do travesseiro.
– Pode ir parando ruiva – e então relâmpagos pareciam despencar do céu exatamente sobre sua cabeça.
O que claro, a fez se embolar mais ainda no meio dos cobertores e almofadas.
- Beba isso sua teimosa – Samara arrancou habilidosamente a proteção inútil e exagerada da amiga e empurrou algum tipo de chá com comprimidos goela abaixo da "doente".
E Lily chegou à conclusão de que relâmpagos e gralhas eram unicamente Samy. Estranho.
- Seu primeiro porre – agora sim, Lily tinha certeza que estava escutando corretamente a amiga.
De onde tirara aquelas coisas?
- Minha cabeça parece um caldeirão borbulhando... – balbuciou arriscando se sentar e posteriormente reconhecendo o quarto como seu, assim como a cama.
Só poderia ser culpa da bebida da noite passada...
- Até que não fomos tão mal... – comentou pensativamente Samara enquanto Lily começava a sentir algo estranho em seu estômago, sinalizou pedindo ajuda para a amiga e foi ignorada - Teve uma vez que amanheci casada com um travesti vestido de banana split...
A onda de náusea estourou trazendo consigo uma dor de cabeça, que tornava praticamente impossível determinar o que causava o que e o que era conseqüência do que. Nesse mar de confusão e de dor, Lily vomitou.
- Lily! – uma mistura de nojo com irritação e preocupação permeava as faces de Samy – Por que você não me avisou?
- Por que tive a impressão de que o departamento de direitos humanos estava feliz em dar folga à Lily? – Samara acabara de apertar o botão do térreo no painel do elevador.
Alice trouxera mais chá para melhorar a ressaca de Evans e devido à falta de comida humanamente comestível no apartamento desta, as duas tinham que procurar algo fora para se alimentar. Já que a única que cuspia gororoba orgânica sem comer nenhuma gororoba orgânica era Lily.
- Eles devem ter acreditado que Lily fugiu com um latino para se casarem no Havaí – explicou Alice.
- O que é pura asneira. Ela teve uns três caras babando por ela ontem. Por que ia querer se casar desesperadamente? – Samy saiu em defesa da pobre coitada que não podia nem dizer um "ai".
- Nós não devíamos deixá-la sozinha – disse Longbottom como se tivesse acabado de lembrar que ela fora a inventora do teorema de Pitágoras – Ela pode entrar em coma ou sufocar com a própria baba.
- Ou com as penas de ganso do seu travesseiro – acrescentou Samy já contagiada pelo temor de sua acompanhante.
As mulheres pararam no meio da calçada movimentada, os passantes reclamando eventualmente pelo descuido de ambas usando palavras sujas ou esbarrões nada educados.
- Armani em desconto? – Samara apontou para a loja logo adiante e o brilho que ondulava a partir do olhar das garotas indicava que não havia mais uma só lantejoula purpurinada de preocupação destinada para Lily.
Mulheres...
As imagens, que registraram o que levara ao estado em que Lily estava, afloravam em sua mente aos pedaços, sem conexão ou lógica, tornando muito difícil entendê-las. O que a levara a concluir que tomara algo, realmente!, exorbitantemente forte. O que justificava a sensação de ter seu cérebro esmagado e a calota craniana ter sido amassada por uma bigorna. Além do embrulho no estômago, a hiper sensibilidade olfativa e auditiva e, o esmagamento contra suas órbitas.
Tendo consciência de sua situação miserável Lily nem se arriscava a dar uma espiada em um espelho. A dor de cabeça já estava num grau elevadamente prazeroso.
O trabalho era a última de suas preocupações. Pela primeira vez... Isso sim era um motivo mais do que justo para se embebedar... Será que era alcoólatra? Mal vivia uma ressaca horrível e estava pensando em beber mais.
Em alerta devido seus pensamentos não usuais Lily se levantou. Logo se praguejando por fazê-lo de um jeito tão brusco e descuidado. Pressionando as pálpebras de contra as órbitas, como se quisesse mantê-las onde deveriam ficar (normalmente...) ela rumou para a porta do aposento.
Andou devagar entre a janela, propositalmente vedada por pesadas cortinas escuras, e a cama fofa. A temperatura do quarto poderia mantê-la ali por dias se o cheiro de vômito não tivesse impregnado dentro de suas narinas.
- Que horas... são? – ela tateou o estofado aos pés de sua cama, procurando pelo seu celular ou relógio.
- Droga... – não alcançado nada, ela voltou a posição ereta.
Agora, com todas as suas funções praticamente regularizadas ela poderia... Ela poderia...
Piscando com descrença, os acontecimentos da noite anterior passaram a fazer sentido. Seguindo em ordem cronológica tal quais seus passos eram dados um por um, coordenadamente.
O puxar e expulsar razoável de ar se tornou frenético, ela parecia sofrer de algum tipo de distúrbio respiratório e se anteriormente seus olhos almejavam escapar do seu local usual, agora definitivamente teriam sucesso na fuga.
- Oh não...! Oh... Meu... Deus! – ela levou uma das mãos à boca, o constrangimento a engolindo sem dó.
O que a vergonha pós-ressaca pode ser capaz de provocar, ainda estava por vir...
- Lily? – a primeira coisa que Alice disse ao adentrar o apartamento da amiga.
A segunda coisa foi – Lily? – o que não era algo que provocasse choque, ou fosse original, ou muito menos fosse demover o indivíduo (a quem pertencia o nome) de seus intentos.
- Aonde você pensa que vai? – Samy foi mais objetiva e menos repetitiva.
- Ao meu trabalho. E acabei de agendar um encontro com uma corretora de apartamentos, ela me assegurou que conseguiria um mais próximo do meu emprego – ela jorrou informações como se não sentisse o mínimo de desconforto ao se movimentar e falar tanto.
Desta vez Alice e Samara tentavam ao máximo evitar a troca de olhares. Em vez disso, largaram suas sacolas a esmo e cercaram a única que parecia demente entre aquelas quatro paredes.
- Você está dodói, nem sonhe em sair – Alice tirou o blazer das mãos de Lily.
E antes que a ruiva pudesse protestar Samy a guiou para o sofá – Já ligamos para o seu trabalho e os caras estão mandando o papa rezar uma missa em sua homenagem.
- Você sabe... Santa Lily – completou Longbottom.
- Não, não sei – ela afastou as mãos de Samara e se pôs distante de Lice – Eu estou bem. Graças aos chás, comprimidos, macumba e cuidado de vocês – disse transmitindo segurança e veemência com o olhar.
- Até você vomitar no meu Armani quando estivermos jantando no Greg's – cortou Samara.
- Não irei jantar com vocês, como disse tenho muita coisa a acertar com a corretora: a Dorcas, vocês a conhecem, de Hogwarts – esclareceu, como ao fornecer este dado tudo se resolvesse - E por favor, me deixem. Sou muito grata pelo que fizeram, mas... – ela estava embarafustando pelo closet, procurando a roupa mais discreta e que serviria como disfarce se esbarrasse com certo moreno de óculos por aí...
Talvez uma peruca grisalha, uma maquiagem envelhecedora e um vestido florido tamanho G dessem conta do recado.
- Ela pirou... – Samara não conseguiu reprimir que seu pensamento se materializasse em palavras – Você acha que o Will ainda se interessaria por ela? – perguntou como quem não quer e não teme nada, como se estivesse perguntando qual seria a cor preferida de Lily, nada de anormal.
- Você marcou um encontro pra mim sem que eu ficasse sabendo? – a audição de Lily fora profundamente aguçada pela ressaca, ao menos ela não saíra perdendo totalmente com aquilo.
- Ele não viu você colocando as tripas para fora pelo mesmo local que ele pretende beijar – Samara deu de ombros, indiretamente encerrando o assunto.
- Acho que o problema dela tem a ver com o fato do Will não ser o tal de Jean ou Jamal que ela ficava chamando enquanto dormia – opinou Alice e os berros de Lily cessaram como que se ela tivesse perdido a voz, ou sua língua tivesse sido cortada pela mais afiada e eficiente navalha.
- Ou delirava – Alice acrescentou fracamente, temendo pela saúde mental da ruiva.
- Não importa! – Evans ressurgiu como um furacão na sala de estar, o mais longe que suas amigas arriscavam seus pescoços e vidas – E preciso ir!
A porta bateu mal a frase reverberara pelo lar.
- O era aquilo que ela estava vestindo? – foi a única coisa que Samara assimilara daquele treco que a ruiva estava tendo.
Existia um enorme contra ponto no "singular" disfarce de Lily. Além da roupa mais chamar a atenção do que ser discreta, os óculos escuros e as unhas compridas vermelho-sangue era um gritante indicativo de que a pessoa por debaixo daqueles trajes excêntricos poderia ser excêntrica e outras coisas mais. Tudo. Menos velha.
Entretanto, para ela isso não era perceptível enquanto que, se o botão do elevador falasse, teria dito adjetivos muito "elegantes" para Lily. Pois ela estava a esmurrar o pequeno mecanismo. Até que entre uma palavra feia e outra, o elevador abriu as portas.
A luz, de tom magnético no topo da caixa móvel, piscou quando todo o conjunto se mobilizou. O que não levou sua ocupante muito distante, no andar debaixo outros moradores aguardavam para fazer uso daquele bem comum, que era culpado pelo sedentarismo, cabelos brancos, estresse e atrasos. Sendo que no caso de Lily, o defeito dele residia em ter parado para pegar um morador em específico.
- Boa noite – ele disse educadamente e o coração de Lily parecia querer rasgar o tecido chamativo sobre seu peito, querendo por força que James olhasse para ele.
- Órgão estúpido... – ela murmurou para si, quando na verdade o que desejaria ter dito era: Lily estúpida.
Independente de sua frase condizer com a sua vontade ou não, Potter não estava com a atenção sobre sua vizinha estranha. Desde que adentrara, ele estava muito ocupado conversando com outras duas pessoas.
E aí Lily reconheceu o porteiro redondo e a velhinha abusada. Eles pareciam não ver com que falta de educação estavam tratando o rapaz ao falarem ao mesmo tempo.
Tanto melhor assim, quanto mais entretido o deixarem, menos ele reparará em mim, ela afirmou contra feita para si.
Depois que fechasse o acordo com a corretora, mandaria a firma de mudanças pegar suas coisas. Dorcas poderia também lidar com o síndico, se é que realmente existia um, para acertar o que fosse necessário...
- Mas você tem que enxergar que nem todos os moradores respeitam o regulamento e por isso existem as multas! – a velha não estava mais amigável e doce do que quando enfrentara Lily, a diferença era que ela não demonstrava a mais perceptível intenção de descer uma bengalada em James.
Claro, ele é homem e é bonito. Até uma velha violenta vê isso, admitiu venenosamente Lily.
- Senhora Umbridge, depende do julgamento do síndico punir o morador com multa e tenho que lhe dizer... – começou ele tão calmo como Lily nunca ficaria, ela tinha certeza que já teria posto o pescoço da velha para fora do elevador e fecharia a porta seguindo para o próximo andar, impiedosamente.
- Somente Agnes, por favor, meu querido – ela pediu, insinuante.
Aquilo havia sido uma piscada? Ela estava dando em cima dele? Meu Deus!, foi a convulsão mental que devastou o interior de Lily.
- ...que a senhorita Evans nunca teve nenhuma reclamação de ninguém – ele terminou seu discurso como se não tivesse sido interrompido.
James era o síndico.
James era o síndico?
Meu Deus!
De repente o elevador se tornara extremamente pequeno e quente para Lily. De repente seu disfarce não era bom o bastante. De repente ela que teve vontade de pendurar seu pescoço para fora da porta do cubículo e ser degolada.
E evidente que tudo aquilo era inútil.
- Senhor Moor fale para Jay que outros moradores reclamaram também! – a idosa se virou para o porteiro que mais parecia um buldogue calvo.
Ela o chamou de... Jay? Foi o que Lily unicamente registrou e para seu amargor não dava para saber como o alvo daquela baboseira estava reagindo, pois James estava de costas para ela.
E que costas... Quantas horas numa academia? Ou será que era o fato de ter que cuidar de vazamentos na calada da noite? Certo que James não era encanador, mas vai que outras moradoras quisessem abusar da gentileza de James querendo vê-lo de camisa molhada? Não era exagero, bastava reparar no que ele fazia com uma mulher sem hormônios, imagina nas que tinham de sobra!
Não dava mais para ficar naquela caixa claustrofóbica!, Lily se exasperou e apertou sua bolsinha mais forte de contra o tórax, rogando forças para se manter relaxada.
- É verdade Potter, teve aquela senhora do décimo quarto... – Clark Moor disse nada convincente e como se ele tivesse visto Lily pela primeira vez – A senhora Olívia aqui!
Meu D...
Todos seguiram a indicação do porteiro e Lily se sentiu coagida, nem empurrar a saliva por sua garganta era possível. Parecia haver uma massa enorme no meio, que só aumentou quando James a escrutinou apuradamente.
Agora a ânsia de vômito havia retornado com tudo quando um vinco sutil se formou debaixo dos cabelos espetados dele, no centro de sua testa e entre suas sobrancelhas.
Se sua identidade não estivesse tão perigosamente em jogo, ela não teria achado situação mais oportuna para que ele a beijasse. Esquecendo absolutamente o fato de ele a ter visto vomitar, de que ela estivera correndo atrás dele como uma maníaca e de que ela estava se camuflando de amiga da velhinha do décimo quinto.
Patético.
Totalmente.
- Senhora Bagges? – ele arriscou e Lily sentiu sua peruca escorregar um pouco para a direita, o que provavelmente faria James crer que ela era careca.
Não que ela estivesse cogitando seduzi-lo nesse disfarce senil, por favor. Mas se lhe rendesse um elogio, por que não?
Oh Deus... Ela começara a delirar e como o elevador estava rodando sobre seu próprio eixo?
A sensação de que o chão rodava mais veloz do que numa montanha russa sob seus pés, e de que levara um soco certeiro logo abaixo do esterno a avisou, tardiamente, o que subia por seu esôfago e forçava passagem pela massa de origem desconhecida em sua garganta.
Ela não viu mais nada.
Tudo se transformara num borrão indistinto e se condensara no alívio que a saída daquela coisa de dentro de si proporcionava.
- Que absurdo! – a voz estridente da velha assanhada lhe chegou aos ouvidos e murmúrios desaprovadores cada vez mais distantes.
Alguém estava levando a mulher dali, talvez fosse James... Oh Deus! Não deixe que ele seja estuprado pela velha safada, por favor.
- Tudo bem? – e ela percebeu que alguém segurava seus cabelos, ou melhor, os verdadeiros e não a peruca grisalha.
Não!
O toque e o perfume, como eram possíveis esquecer?, falavam por si. Não importava se o odor do negócio esverdeado que pusera ali na transição do elevador para o patamar de entrada era forte. Tudo dele parecia transpor barreiras com facilidade.
- Senhorita Evans...? – menos a barreira da formalidade, por que essa infeliz insistência?
Ótimo, vomitando de novo e numa roupa ridícula que só enganou o porteiro burro.
Ó-ti-mo!
Ele passou seu braço em volta da cintura feminina e rumou para além do elevador.
- O movimento deve tê-la deixada enjoada – comentou casualmente e retirou o apoio que dedicava a ela, não que Lily desejasse que ele o fizesse.
Com certeza que não.
- Por que tanta roupa? – ela visualizou o balcão da portaria, no qual estava escorada até James trazer-lhe uma cadeira, que ela recusou efusivamente.
Suas maçãs foram tomadas pela tonalidade das frutas de mesmo nome.
- Estava se escondendo da senhora Umbridge? – ele respondeu por ela e Lily agradeceu a suposição dele, pois vergonhoso seria dizer que era por causa dele!
Ela assentiu vagarosamente e James estendeu as mãos para retirar os óculos escuros modernos do rosto dela.
- Mas esses óculos lhe delatariam – ele disse com um sorriso sutilmente torto no canto direito do rosto, tão lindamente... lindo.
Pigarreando para tentar disfarçar sua cara de apalermada, Lily buscou se concentrar no que diria. Pois ela precisava falar alguma coisa, ficar babando no vizinho era coisa para cachorro, não para uma pessoa normal fazer.
- Você é o síndico – ela podia imaginar seus próprios lábios se mexendo por vontade individual, não que o que dissesse ali naquele momento fosse mudar a forma que ele a via, por mais que Lily desejasse que fosse possível, mas ela precisava dizer alguma coisa, certo?
- É, culpado – o sorriso aumentou e ele levantou as mãos para o alto.
- Potter, realmente me desculpe pela besteira que fiz ontem, pelo som e pelo que disse sobre sua gestão sem nem saber o que você faz e o que atura, eu sou uma... – ela iniciou o que tecera mentalmente como a melhor desculpa que poderia dar.
E que seria grande.
- James – ele disse e com essa simples palavra ela enrubesceu e, desta vez os óculos não poderiam disfarçar nada.
Ele poderia perder essa mania de encarar as pessoas quando sorri! Na verdade, deveria andar com uma sacola na cabeça!
- Ahm... Okay, James - estava sendo difícil chamá-lo pelo nome de batismo - Bem... James... – sua língua se recusava a dizer a parte mais importante ao se fixar no nome dele e seus olhos não desviarem sua atenção do rosto masculino, que para tornar tudo mais árduo para Lily, permanecia com aquele amaldiçoado sorriso bonito!
Socorro...
- Ah! Então era por ele que ela ficava chamando enquanto dormia – a voz jovial e animada de Alice alcançou o casal que estava apoiado no balcão, ela denotava o quanto sua dona estava satisfeita consigo mesma por ter chegado àquela brilhante conclusão.
O que não significava que ela tinha que compartilhar com todos, assim, aberta e indiscriminadamente. Ou que todos estavam tão contentes quanto ela. Especialmente uma ruiva...
Ele ouviu? Ele entendeu? Ele não pode saber que era de mim que aquela louca estava falando, pode? Ah meu Deus!
O "ah meu Deus" acima se dirigia ao fato de Lily estar ferrada devido à indiscrição da amiga e o que vem a seguir se deve a:
- Ah meu De...! – ela não conseguiu pronunciar toda a exclamação, afinal todo aquele carrossel do diabo estava alcançando seu estômago já fragilizado.
É, ela vomitou mais uma vez.
E o alívio que acompanhava o esvaziamento do vácuo que preenchia seu intestino, tantas sessões resultaram nisso, não deu o ar de sua graça, porque a vergonha tinha dominado a parada.
Dominado com louvor, mais eficiente do que Aragorn decepando as cabeças dos orcs sob comando de Sauron e mais certo do que a Hello Kitty não tem boca.
O abraço dele ao menos não permitia que ela o encarasse, o que era muito bom. Para não dizer: supimpa! E ignorando completamente a sensação excelente que aqueles braços proviam.
- Eu não sei como agradecer e nem como me desculpar... Hm... James – ela findou confusamente após Alice e Samy a rodearem.
Corrigindo: rodearem ela e James, os dois estavam abraçados, realidade boa demais para ser verdade e vergonhosa demais para ser prolongada.
Provavelmente Lily já se via pedindo beijo, o que era suicídio! Poxa! Ela praticamente vomitou em cima dele.
O bafo devia estar uma coisa...
- Ela precisa deitar e cheirar folha de laranjeira do quintal da minha avó é tiro e queda. Digo, recuperação – corrigiu-se Samara encarando desolada o estado de Lily.
- Descanso e bastante líquido é o mais importante – interpôs Alice sabiamente – Ela está desidratando há horas – continuou observando as faces de Evans perderem o rosado sutilmente usual.
- Mas por que deixaram que ela descesse? Lily deveria estar em absoluto repouso – ele disse firmemente.
Se fosse as amigas Lily tremeria de medo. Contudo, ela era a tal de Lily.
Qual a probabilidade de uma garota vomitar num cara gato e ele deixar de chamá-la pelo sobrenome? Não que em vez de usar o primeiro nome ele tivesse começado a xingá-la ou usar apelidos vergonhosos... Ele realmente estava usando o nome de batismo dela!
- Como se não tivéssemos tentado impedi-la – argumentou na defensiva Samara.
- Ela é a maior cabeça dura da face da terra, acredite – concordou Longbottom.
Potter permaneceu calado e provavelmente lá no seu íntimo, concordava.
- E você é o namorado dela? – Lice perguntou muito direta.
Às vezes a beleza de Alice a fazia esquecer que educação e discrição eram muito importantes no relacionamento humano.
- Não, meu vizinho. Por favor, Alice! – Lily juntou forças debaixo da vergonha para responder e teve a ligeira crença de que James sorria ao seu lado.
Para variar… Ela não conseguia relaxar quando ele sorria. Pois o receio de parecer uma boba babona após o nocaute (que era o sorriso dele, óbvio), era muito grande.
- Só para me certificar, né Lily! Que cara em sã consciência ficaria perto do vômito de uma garota se não fosse seu namorado? – retorquiu o que não diminuiu os planos malignos que Lily reservava para aquela morena ousada – Às vezes, nem os namorados ficam perto... – acrescentou, num tom melancólico.
James a fitou com pena.
- Calma garotas – intercedeu Samara, antes que o negócio desandasse de vez – E não se altere Lily, não vá nos sujar com o seu vômito.
- Como se eu estivesse fazendo isso de propósito – resmungou ela e acidentalmente aspirando do perfume de James à sua direita.
Ainda era o mesmo que a fizera quase cair ao atravessar a garagem. E ela nunca estava bem quando encontrava com o dono daquele bálsamo. Que injustiça!
- Eu não duvido, talvez ela pense que isso é charme. Foi assim que ela lhe fisgou Jamal? – Alice se virou, compenetrada no moreno de óculos e sua reação.
- Alice! Você sabe que eu nunca faria algo do tipo! E é JAMES! Não Jamal, sua anta – Lily estava atingindo níveis não benéficos de irritação.
Era hoje que ela esganava uma Longbottom...
- Ei, ei! Vocês duas não estão mais no colegial, não. Lice vá embora, eu cuido da Lily e vá Alice! – ela insistiu com maior energia – Seu marido ligou ainda agora procurando por você, vá!
- Mas eu posso ajudar e o Frank já é bem crescido, ele pode passar uma noite sem mim – ainda tentou argumentar.
- Sim e olha o estado da Lily, isso não é hora para brincadeiras – e assim as duas permaneceram discutindo no elevador, enquanto James e Lily adentravam o apartamento desta.
- Arrumado – Potter disse ao passar pelos primeiros aposentos do lar de Lily.
- O oposto do que estava no dia da festa – ele justificou quando ela o encarou na interrogativa.
Se aquele mesmo cara gato que lhe deu uma chance, apesar de você destruir uma segunda camisa dele com algo fedorento e orgânico, menciona que seu apartamento é arrumado você estranharia, não? Pois a primeira coisa que ele deveria dizer é: eu preciso ir!
- Você vai me deixar levá-la ao seu quarto? – mas James parou em frente ao pequeno corredor que daria nos quartos do apartamento e um brilho dançou peralta nas orbes dele.
Evans sentiu a infeliz massa começar a crescer em sua garganta de novo e poderia ser pior se James a tivesse olhando, graças ao seu cavalheirismo em continuar a abraçá-la que ele não podia fazê-lo. O que não a impedia de ver o fulgor que acendia nos olhos dele.
- Eu estava com meu discernimento avariado, não vale relembrar isso – ela arranjou uma desculpa qualquer para que ele não fizesse o assunto da festa ressurgir.
- Um porre não é motivo de vergonha. Existem coisas piores – ele falou com um pesar grande.
O que levou a não só uma massa enorme se instalar por definitivo na garganta de Lily, como uma tonelada se depositar sobre seu peito.
James engravidara uma mulher quando estava bêbado?
Não existe coisa pior do que estar nas alturas e engravidar alguém, não é? Não era esse o pior dos pesadelos para os homens? Seu chefe falara algo do tipo para ela. Era algo a ver com isso, não conseguia lembrar direito...
Tipo o que?, Lily se imaginou perguntando o mais irreverente possível. O que era impossível, pois as letras: p-a-i ficavam passando por sua cabeça como num placar de jogo de baseball. Grudadas ali com super bonde dos bons. E para se juntar as famigeradas letrinhas vieram: e-s-p-o-s-a. Estas muito mais poderosas que as anteriores e devastadoras da mais arraigada fé.
Fé em ter algo com James.
Todavia, alguma parte racional do cérebro de Lily se sacudiu. Não adiantava jogar a bandeira para o alto, se um cara é casado ele usa um anel. Para simbolizar que era casado, lógico.
Relutante Lily olhou para o a mão de James.
O que veio a seguir foi mais uma onda de pura bile, ela não tinha mais muita coisa para por para fora.
N/A: Um porre é meio clichê, mas eu comecei a fic brincando e ela estava mofando na minha pasta aqui... Além do q, ela é curtinha e na época eu a escrevi somente p minha diversão, então, dá p entender, né?
Dia dos namorados 'tá próximo! E o último cap tb! /o/
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