Duas horas! Passaram duas malditas horas desde que liguei para aquele filha da puta desgraçado.

Após minha gritaria inicial, Edward com toda a calma do mundo (o que me deixou ainda mais irritada), disse que estava ocupado, mas viria ao meu apartamento mesmo assim para discutirmos o assunto. Isso aconteceu a DUAS HORAS. Duas horas que passei sentada no meu maldito sofá esperando ele dar o ar de sua graça.

No começo, minha raiva estava direcionada a sua visita indesejada a minha filha. Mas depois de ficar esperando horas pela sua presença, os pensamentos de traição voltaram a minha mente.

Traição.

Não era realmente traição se ele estivesse com outra, não tínhamos um relacionamento de verdade. Estávamos juntos pelo prazer que proporcionávamos um ao outro, o que não o impedia de aproveitar toda sua virilidade com qualquer puta por ai.

Afinal eu tinha o Mike. Tudo bem, ele jamais seria um exemplo de espécime masculino completamente desenvolvido sexualmente, mas era rico o suficiente para esse grande defeito ser esquecido e sua presença irritante se tornar quase suportável.

Repensei nessas conclusões repetidas vezes, mas de nada adiantava. Meu estomago embrulhava só de imaginar Edward nos braços de outra, dando a ela o prazer que deveria ser meu. Então quando ouvi o som da campainha, minha raiva era um acumulo da irritação por seu intrometimento com algo que não era do seu interesse, e o ciúme de imaginar ele fodendo outra.

Contive um suspiro de alivio. A primeira coisa que observei quando abri a porta foi seu aspecto completamente alinhado. Sua roupa era mesma de hoje cedo, e não parecia que ele esteve comendo uma puta qualquer. Mesmo tendo estado com outra, nada sexual ocorreu entre eles.

A segunda foi seu rosto transtornado, e toda minha raiva foi substituída por um aperto no coração. Por mais que eu tentasse jamais poderia ficar brava com ele por muito tempo.

- Não me olhe com essa cara.- disse ele interpretando erroneamente meu olhar - Eu avisei que estava ocupado. Você deveria ter imaginado que eu demoraria. – E como se a casa lhe pertencesse entrou e se esparramou no sofá. Minha raiva voltou por segundos. Além de intrometido e mulherengo, era um folgado.

Levada por um impulso perguntei:

- Eu posso saber com o que, ou quem você estava ocupado? – me arrependi no momento que as palavras saíram da minha boca. O ciúme era evidente na minha voz, e tinha certeza que Edward também o notou.

- Você está com ciúmes? – perguntou confirmando minha suspeita, a gargalhada que se seguiu não ajudou em nada minha vergonha por ser descoberta.

Como aprendi a fazer ao longo da minha vida, tentei esconder meus sentimentos. Aparentar vulnerabilidade não era bom para ninguém, as pessoas acabavam usando isso contra você.

- Claro que não. Mas gostaria de saber se você comeu alguma puta. Porque se isso aconteceu, é bom você ter usado proteção. Não quero pegar nenhuma doença dessas cachorras que você pega no meio da rua. – disse usando da minha arrogância para irritá-lo.

Levantando do sofá, Edward me encarou, e com todo o cinismo que lhe era característico falou:

- Não sei o porquê de tanta preocupação, você já conhece todas as doenças que putas pegam não é? – o som do tapa que lhe dei ecoou por toda a sala. Isso era baixo demais até para ele.

- Não ouse...

- Não ouse o que Isabella? Falar a verdade? Desculpe-me se pra você é difícil viver longe de mentiras, mas eu sou do tipo que valoriza a verdade. – disse enquanto massageava sua bochecha vermelha pelo impacto.

Eu sabia que ele estava certo, minha vida era regada de mentiras, entretanto eu as usava como forma de proteção. Mas Edward, hipócrita como era, jamais assumiria que também mentia, e por motivos completamente egoístas.

- Engraçado como você valoriza a verdade. Mentindo pra mim e fazendo minha melhor amiga mentir também. – Argumentei.

Um tom vermelho atingiu seu rosto, sinal de que ele estava prestes a explodir.

- Foi por necessidade. Se eu tivesse pedido pra ver Jane você jamais teria permitido. – sua voz ficava mais grossa à medida que as palavras saiam de sua boca. - Porra! Você não teve a capacidade de me dizer que tinha uma filha. – falou caminhando nervosamente pela sala.

Olhei para ele surpresa. Quase gritei 'Por que diabos eu deveria ter contado?', mas percebendo o irritado que ele estava resolvi agir com calma. Aprendi a algum tempo que irritar Edward não era uma boa ideia.

- Eu não disse porque não era necessário. Nós nunca tivemos algo sério, e não quero misturar minha filha nessa merda toda. – tentei fazer ele raciocinar.

- Quando você diz misturar sua filha nessa merda toda, quer dizer que tem medo que a menina conheça Mike? – perguntou em um tom ameaçador.

- Você esta me ameaçando? – Respirei fundo, não queria acreditar nessa possibilidade. Edward sabia o suficiente para ferrar minha vida e destruir todos os meus planos.

Minha pergunta pareceu deixá-lo chocado.

- Se você me conhecesse saberia que jamais faria isso com uma criança inocente. – Tudo bem, ele não usaria minha filha, mas isso não o impedia de revelar meus outros segredos.

Resolvi acabar logo com toda essa merda e perguntar o que estava entalado na minha garganta durante as duas malditas horas.

- Então o que pretendia visitando ela?

Ele parou de andar e me olhou com um sentimento desconhecido em sua face.

- Ela é uma criança adorável – não sei se foi impressão minha, mas sua voz parecia recheada de orgulho e adoração. - e eu estava no meu direito, Isabella.

- Que direito? Você não tem nada a var com ela. – minha voz assumindo um tom agudo, eu estava com medo de onde essa história iria parar.

- Tenho sim e você sabe. Não adianta mais esconder, Isabella. Eu sei que ela é minha filha. – suas ultimas palavras transformadas em gritos.

- Não sei do que você está falando. – disse me fazendo de desentedia.

- Sabe sim e não adianta fingir. Pretendo fazer um exame para confirmar minhas suspeitas. – olhei para ele assustada, o assunto estava indo longe demais. Eu tinha de fazer algo.

- Essa obsessão com Carlisle e Mike está te deixando paranóico, nem todo mundo fica armando para você e escondendo coisas, Edward.

Irado ele gritou:

- Esta dizendo que Jane não é minha filha?

- Eu...

- Ela é minha filha?- Meu silencio pareceu irritá-lo ainda mais, seus gritos pararam, mas sua voz atingiu um tom grave e horripilante - Só vou perguntar mais uma vez Isabella, ela é minha filha?

- Já chega Edward! Você tem problema ou não sabe contar? Se nos conhecemos há cinco meses, é impossível termos uma filha de três anos.

- Não nos conhecemos a cinco meses. Lembro-me de visitar frequentemente a pocilga onde você trabalhava, e sair de lá bêbado. Em uma dessas noites poderíamos...

- Não nos conhecíamos, você nunca falou comigo, não sei como lembra do meu rosto. – o ressentimento era evidente na minha voz. Na época, ele olhava para todas aquelas mulheres que o rodeavam feito moscas, mas nunca para a atendente apaixonada. – E se fosse assim, qualquer mulher que trabalhasse ou freqüentasse o bar poderia ter um filho seu Edward.

- Você é tão cega. – Murmurou, como se falasse consigo mesmo. Não entendi o que ele queria dizer com isso, mas achei melhor não perguntar.

- Isso tudo é passado. Eu achei um lugar melhor e sai do bar, fiquei grávida de um cara e pronto. – tentei acabar logo com o assunto antes que saísse alguma bobagem dos meus lábios. Mas Edward não parecia concordar. Olhando-me intensamente perguntou:

- Quem é o pai?

Tive vontade de jogar um vaso naquele cabeça-oca. Era difícil de entender que eu não iria falar nada.

- Se não é você por que o interesse?

Ele me olhou resignado.

- Você nunca vai parar de mentir?

- É a única coisa que eu sei fazer.- sussurrei enquanto ele saía pela porta.


Eu sei, o cap está horrível, mas tenho explicações:

1ª Enquanto eu escrevia o totoso do Rob aparecia no MMA, pergunta: que mulher conseguiria se concentrar?

2ª Hoje acordei com uma cólica filha da ****, que me fez desejar nascer um gay musculoso e gato na próxima vida. E isso me impediu de fazer uma revisão decente.

Então sobre o cap minha maior duvida é: entenderam? se alguma parte ficou confusa é só perguntar.

Outra coisinha: Uma das minhas leitoras, do outro site onde posto, sugeriu que eu mudasse a sinopse. Achei uma boa ideia, mas não estou conseguindo escrever. Então se alguém tiver uma opinião de como eu posso fazer-lo mande pra mim.

Só a Acsa Black deixou review :( Obrigada querida por me dar forças para postar.

E um SUPERMEGAHIPER OBRIGADA pra BellinhAmor95 por adicionar a fic aos favoritos.

Bjs e até semana que vem!