- Oh Meu Deus! Esse é perfeito! – gritava Alice ao ver o milésimo vestido mostrado pela atendente.
Tínhamos combinado de comprar o vestido de noiva hoje, e apesar do meu humor não ser dos melhores decidi vir. Não preciso dizer que minha outra opção para o dia era trabalhar, e como desde sábado a noite estava colocando em pratica o plano 'Evitando Edward' o escritório não era uma boa ideia.
Quando a prima dos Cullen me ligou, avisando que passaria por mim, me preparei para entrar na limusine e passar uma manha olhando vestidos em lojas da região. Mas para variar essa não era a ideia da anãzinha.
Depois de alguns minutos em seu carro reparei em algo estranho.
- Onde estamos indo? - perguntei preocupada ao ver que nos afastávamos do caminho.
- Pro aeroporto, é claro. – ela disse lentamente como se falasse com uma criança retardada, que merecia um explicação nos mínimos detalhes.
- Aeroporto? Por que iramos ao aeroporto? – perguntei no mesmo tom, caçoando dela.
- Bella! Você realmente pensou que compraríamos seu vestido em uma lojinha qualquer de Chicago. – gritou ela ao compreender minha confusão. Não respondi que era exatamente o que eu esperava. Pela sua expressão escandalizada, somente cogitar algo assim era um crime. – Nós vamos para NY, comprar seu vestido na Kleinfeld. Tenho certeza que acharemos um divino. Podemos aproveitar e passar na Tiffany, Chanel, e Victoria´s Secret obviamente, você precisa estar bem abastecida para lua-de-mel. – completou com um sorriso malicioso.
Ela começou a falar de todas as coisas que poderíamos comprar. Minha falta cometida anteriormente completamente esquecida.
Alice é assim, quando você menos espera, ela muda de assunto e começa a falar sem parar sobre este, principalmente se o tema for compras, ai não haverá nada que a faça parar. Seu temperamento e comportamento volúveis a torna fácil de lidar, nenhum erro cometido é recordado por muito tempo.
Resumindo. Eu tentei comprar um vestido qualquer e ir embora, mas Alice jamais permitiria isso. Passamos mais de seis horas na loja até ela encontrar o que julgava ser perfeito. Durante esse tempo perdi a conta de quantos modelos experimentei, desde longos a curtos, com cauda ou sem, simples a extremamente extravagantes.
Frequentemente Alice desaparecia e voltava com dúzias de vestidos. Ela parecia tão emocionada com todo o processo, como se estivesse realizando um sonho. Senti pena por ela, apesar de todo o dinheiro que possuía, a solidão era algo evidente em sua vida.
Como sempre minha curiosidade falou mais alto e perguntei:
- Você não pensa em se casar Alice? – ela pareceu surpresa por minha pergunta repentina, mas ao contrario do que eu esperava respondeu com naturalidade.
- Claro que penso. Quase todos os dias. Pode me chamar de boba, mas acho que tenho um príncipe a minha espera. Um dia vou encontrar um homem que me ame do jeito que eu sou, com meus defeitos e qualidades, e ele não vai se importar com o meu excesso de dinheiro. – Sua voz foi ficando mais fraca na ultima frase, quase em um tom rancoroso. Ficarmos as duas em silencio. Pensei em dizer algo, mas Alice parecia perdida em lembranças desconfortáveis.
Ela parecia tão certa de que encontraria seu príncipe encantado, mesmo sendo obvio uma desilusão amorosa em seu passado, que me deixou com inveja. Eu perdi essas esperanças e idéias fantasiosas há tempos, e duvidava que um dia as recuperaria. Nossos sonhos eram tão diferentes, eu havia tirado os óculos cor-de-rosa.
- Oh Meu Deus! Esse é perfeito! – gritou Alice. Ela parecia ter saído de seu estado de nostalgia e gritava apontando para o vestido nas mãos da assistente. – É tão lindo. E é a sua cara, você tem que experimentar.
Olhei para o vestido com desconfiança, ele parecia tão... tão romântico e delicado. Contrariada fui prová-lo. Eu jamais o descreveria como a minha cara, mas pelos rostos maravilhados da atendente e da Alice quando sai do provador, eu estava errada.
- Ficou magnífico, coube certinho, parece que foi feito para você – disse a atendente. – Se você decidir por esse podemos tirar suas medidas e confeccionar o seu dentro do prazo estipulado...
Concordei com a cabeça e a deixei falando com Alice, as duas pareciam certas de que eu levaria esse, e já planejavam os acessórios necessários. Olhei para o espelho não entendendo como o vestido parecia se encaixar tão perfeitamente em mim. O pensamento de que o vestido era bom de mais para um casamento com Mike Cullen não saia da minha cabeça.
Cheguei em casa morta de cansaço. Alice me fez percorrer NY inteira atrás de sapatos, acessórios e outros. Coloquei as sacolas no chão e olhei para o apartamento vazio. Um sentimento de solidão me invadiu, a maioria das noites eu passava com Edward, mas não acredito que ele queira me ver, ele não me ligou nem uma vez durante esses dois dias.
Pensei na minha filha e nas saudades que eu estava dela, sem hesitar peguei a chave do carro e fui para o apartamento que comprei para Rose. Com o dinheiro de Mike, é claro.
Entrei usando minha copia da chave. A imagem que surgiu a minha frente me fez sorrir. Jane estava sentada no sofá assistindo televisão com seu pijama de gatinhos, e um grande bichinho de pelúcia descansava ao seu lado. Ela tentava dar sorvete para o ursinho melando-o todo.
- Oi meu amor! – chamei minha filha. Ela me olhou com seus grandes olhos castanhos arregalados.
- Maee– gritou correndo em minha direção. Agarrei-a dando um abraço apertado, seus braçinhos gordinhos circularam meu pescoço, não me permitindo abandoná-la. – Bocê naum bem mais aqui. – reclamou fazendo biquinho.
- Eu sei amor. Senti tantas saudades de você. Prometo não sumir mais. – falei dando beijos no rosto dela.
Nesse momento vi Rose aparecer na porta da cozinha sorrindo.
- Pensei que você não viria. – disse ela em recriminação pela minha demora.
- Eu falei que vinha. Alice me levou as compras hoje. – falei como justificativa . Rosalie somente riu e voltou para a cozinha. Até ela conhecia a fama da pequena Cullen.
Levei Jane que continuava agarrada a mim até o sofá.
- Dando comida pro ursinho? – perguntei sorrindo.
- Sip – respondeu com ingenuidade. – Mas achu que ele naum gosta!. – concluiu triste.
- Nós já falamos sobre isso. Lembra? – Perguntei, ela fez que não com a cabeça. – Os ursinhos tem uma dieta especial, você não pode dar sorvete pra eles.
- Mas o tiu Ed falo que ele comi de tudo. – falou ela confusa.
- Tio Ed?
- É. Ele é muuuuuuito legal. Ele me dá muito ulsinho.
Sabia que Edward visitava minha filha, mas ouvi-la chamando ele de tio Ed era chocante. E ela parecer gostar dele não ajudava.
Depois de ler um conto para Jane ela adormeceu em paz. Permaneci ali para observá-la, parecia um anjinho dormindo com seus cabelos castanhos meio encaracolados.
Levei-a até o quarto, e fui para a cozinha falar com Rose. Encontrei-a sentada na mesa da cozinha com uma xícara de café.
- Edward esteve por aqui? - perguntei sentando na cadeira a seu lado.
Rose me lançou um olhar de reprovação. Não deveria ser a primeira coisa que pergunto quando chego.
- Não. Pensei que se apaixonar por ele novamente não estava nos seus planos. – disse ela irônica.
- Eu não estou e nunca estive apaixonada por ele. Eu era uma boba que caiu no encanto do primeiro homem bonito que viu. – tentei me defender, mas a falta de convicção em minhas palavras não convenceria ninguém.
Rose encheu uma xícara de café e colocou na minha frente. Seu rosto impassível me causou certo desconforto. Ela sempre fazia essa cara quando ia me passar um sermão.
- Marie. Você sabe que eu te amo, você é a irmã que eu nunca tive. – sua expressão carregada de carinho. - Eu sei que prometi não interferir pois não sei quais são seus planos, mas é isso que você quer? Toda essa confusão com Edward, Mike e Carlisle? Você não acha que esta indo longe de mais? Podemos acabar com tudo isso, mudar para o interior, ou para Los Angeles, todo mundo vai lá para recomeçar...
- Não – a interrompi. – Você não entende. Eu não posso e não quero parar. Todas as horas que passo aturando os Cullen não serão em vão. – gritei - Você quer voltar para como estávamos antes? Enfrentar todos os dias aqueles homens nojentos?
- Não grite, você vai acordar Jane. E não, não quero voltar para aquela vida, mas não precisamos voltar. Podemos arranjar um emprego decente e viver como pessoas normais.
- Eu não posso. Não posso desistir de tudo.
- Você esta apaixonada por ele, Marie.- não foi uma pergunta, ela estava afirmando uma verdade clara a todos que prestassem atenção.
- Sim. Não pude evitar, Rose.
- Querida. –disse ela me abraçando – era o que eu temia. Não quero te ver machucada novamente. E sejamos realistas isso vai acontecer cedo ou tarde.
- Eu sei, mas não vou deixar o que eu sinto interferir nos meus planos. Eu prometo.
- Infelizmente nem você pode me prometer isso.- ela estava certa, mas eu ainda poderia tentar.
Estou sem tempo e desmaiando de cansaço. Mas não podia deixar vcs sem post.
Obrigada a BellinhAmor95 e laurenhay por add a fic e autor como favoritos
Elizandra: Pensei que tinha me abandonado. Se vc esta com raiva agora, vai ficar bem pior!
Bjs e até semana que vem!
