10- A MORADA PERPÉTUA
As ruas de Hogsmeade nunca me pareceram tão frias. É certo que com a chegada do outono o clima tendia a ficar mais gélido, mas o frio era, além disso, e principalmente, uma consideração psicológica. Hogsmeade tinha cara, cheiro e gosto de infância e adolescência. Mas antes que as lembranças me deixassem melancólica, aparatei.
Não diferente de Hogsmeade, a Rua da Fiação estava impregnada de uma aura triste naquela manhã. O sol não penetrava por detrás das nuvens espessas, o que atribuía pouca luminosidade, tornando o dia cinzento. Caminhei pela rua sinuosa e quase vazia, salvo por uma garotinha trouxa que fazia o caminho da escola segurando a mão de sua mãe, e olhou com estranheza para minha capa negra. Outro trouxa, este já de meia idade, passou por mim quando me acerquei de sua casa. Olhou-me com a mesma estranheza com que fizera a garotinha, não pela vestimenta, mas porque eu parara para observar aquela residência há muito abandonada. O homem parou ao meu lado e dirigiu a mim um olhar nervoso e lacônico.
— Dizem que é mal assombrada, moça — falou.
Eu sorri pelo pequeno ínterim em que pude controlar as lágrimas.
— Eu gosto de histórias de terror — retruquei.
Ele deu de ombros e saiu meio assustado. Voltei, então, as minhas atenções para a sua casa, sem mais me importar com o trouxa. Abri sem dificuldade o portão e adentrei o jardim malcuidado, com seu mato exageradamente crescido e amarelado. Fiz o percurso até a porta e apontei a varinha para a fechadura, depois de olhar para os lados e me certificar da ausência total de trouxas. Não cheguei a executar o feitiço, porque meus olhos, por um impulso inconsciente ou não, voltaram-se para o lado esquerdo do jardim. A pequena plantação de sândalo estava lá, firme e forte, resistindo a todos aqueles anos, com suas florezinhas vermelhas, dispostas sobre uma folhagem muito verde, irradiando vida em meio a toda aquela vegetação morta. Uma verdadeira sobrevivente. Então alguma coisa nossa perdurara por todos aqueles anos, aquele pedaço de vida que significava que um dia estivemos ali, juntos, e demos àqueles sândalos a chance de nascer e vigorar. Algo que um dia fora feito por nossas mãos, agora era a única vida naquele lugar.
Voltei a minha atenção para a casa, mas desisti de entrar. Talvez uma outra hora, mas naquela eu não conseguiria entornar sobre o meu coração, já pesado, uma torrente de lembranças suas. Era melhor que fizesse de uma vez o que deveria ser feito, o motivo pelo qual eu voltara àquele lugar. Antes de me afastar, porém, senti o impulso de pegar uma muda do sândalo e levar comigo, mas no instante seguinte desisti de fazê-lo, porque me ocorreu o pensamento de que é egoísta e desnecessário o desejo de possuir. Passamos a vida querendo possuir, trabalhando em maneiras de adquirirmos aquilo que almejamos, e, por fim, perdemos tudo tão rápido! Discordo daqueles que dizem que jamais perdemos o que nunca possuímos. Perdemos, sim, aquilo que amamos, mas nunca tivemos. E as perdas, nesses casos, são tão mais irreparáveis...
Começou a nevar quando adentrei o cemitério, e tomei essa atitude do tempo como um mau agouro. Fui engolida pelo silêncio absoluto, mas ouvia ainda alguns murmúrios inexistentes, como se aquelas almas falassem à minha. Apoderou-se de mim uma vontade infantil de correr, mas resisti, e apenas por um segundo desejei ter aceitado a gentileza de Malfoy, desejo esse que se foi com a mesma rapidez com que chegou. Eu não queria que ele visse as minhas lágrimas, a minha fraqueza. Apesar do tempo que o amadurecera, Malfoy ainda me parecia insensível e debochado. Ademais, eu não queria ter de me explicar, então só pude concluir que fora um desejo passageiro por proteção. Inspirei o ar gélido e comecei a andar por entre os túmulos, lendo cada placa. Obviamente não conhecia nenhum daqueles nomes, por se tratar de um cemitério de trouxas, mas algumas datas de nascimento e morte me causaram desconforto porque que eram muito próximas. O que teria levado tão cedo aquelas crianças? Que justiça divina permitia a morte de tantos inocentes? Notei que, em uma lápide infantil, havia um trecho bíblico inscrito, mas não consegui interpretar muito bem o significado das palavras porque não conhecia o Deus dos trouxas. De qualquer forma, eles acreditavam que as vidas eram dadas e tiradas por esse Deus, e ainda assim vangloriavam-no, pediam a Ele conforto e piedade. E eu ficava sem entender como é que podiam entregar os sentimentos, cegamente, a um Deus que dava a essas pessoas um filho para tirá-lo em seguida, sem dar à criança sequer a oportunidade de crescer. Para tirar dos referidos pais, a felicidade em seu apogeu. Mas, por outro lado, eu pensava que talvez morrer não fosse tão ruim. Minhas crenças sempre me levaram à certeza de que a matéria era consumida, mas a alma, que era a parte essencial, atingia um plano superior, onde aguardava para voltar à Terra encerrada no invólucro de outro corpo. Definitivamente morrer não deveria ser ruim, o outro lado não poderia ser pior. O ruim, certamente, era esse lado, a dificuldade estava em ficar, não em seguir.
Continuei a minha trajetória pelo pequeno cemitério, mas parei de prestar atenção às datas ou aos epitáfios. A neve continuava a cair fina, tristemente, emprestando mais melancolia ao lugar, que já era impregnado dela. Voltei o rosto para o céu e deixei que os floquinhos de neve salpicassem meu rosto. Novamente pensei no Deus trouxa que, segundo acreditavam, morava no céu, acima de todos nós. A despeito dos pensamentos de minutos atrás, desejei poder dirigir-lhe algumas preces, pedir conforto. Desejei poder acreditar em sua existência e benevolência. Mas isso não aconteceria, e eu estava inteiramente sozinha. Não me restava alternativa, que não a de prosseguir em minha busca, e ela não tardou a cessar. E eu vi, aos meus pés, o túmulo de sua família. A pedra com que fora construído era escura e fria, mas o seu nome, abaixo dos nomes de seus pais, dava ao lúgubre jazigo um quê de luz. Ajoelhei-me, ou seria mais correto dizer que meus joelhos cederam? Você, o que restava de você em matéria jazia a alguns metros do chão de terra fria em que eu me apoiava. Ali também estavam todos os meus sonhos, os meus propósitos, os meus sorrisos, a minha ternura... Tudo! Tudo fora ceifado pelas mãos frias e impiedosas da Morte, que, absolutamente cruel, negara-se a estendê-las a mim.
Com a vista turva pelas lágrimas, eu notei uma pequena inscrição entre os nomes dos seus pais:
"O calor da morada gentil"
Balancei a cabeça, sem entender porque meu primeiro pensamento fora a casa onde você passara a infância. Se havia duas coisas que aquele lugar certamente não possuía, segundo o seu ponto de vista, eram elas calor e gentileza. Seria possível que você colocasse aquela frase ali, estrategicamente, antes de morrer, prevendo o próprio fim? Pensando bem, não era uma frase própria de epitáfio. Balancei novamente a cabeça, começando a aceitar aquela ideia absurda e não a repeli, porque me veio à memória as noites tão remotas de meus dezesseis anos, aquelas que passamos em frente à lareira, entregando mutuamente alguns segredos recônditos que adormeciam nos nossos corações. Aquilo me parecia quente e gentil o suficiente, e não hesitei mais. Conjurei algumas flores silvestres e depositei sobre o túmulo, depois me retirei, com um último olhar.
Ao refazer o caminho para a sua casa, pensei em como era estranha a impressão que eu tinha de que você não estava realmente naquele cemitério. De fato, eu te senti por perto quando me ajoelhei diante do túmulo e chorei, mas foi como se você se erguesse — me erguesse— e me acompanhasse. E não foi diferente quando adentrei a casa, tão igual estivera anos atrás, tendo como única diferença uma grossa camada de poeira e inegável abandono. Voltei os olhos para a lareira, onde havia ainda alguns resquícios de cinzas. Em frente, as poltronas onde costumávamos nos sentar para longas conversas, inalteradas como se acabássemos de deixá-las, desejando-nos mutuamente "boa noite". Sussurrei o seu nome a esmo, não que esperasse vê-lo descendo as escadas ou irrompendo pela porta da cozinha... Foi mais uma forma de inevitável desabafo. Inevitável, mas inútil, porque não chegou perto de aplacar a dor. Embora aquele lugar estivesse impregnado das minhas melhores lembranças, sufocava-me, porque, de fato, eram apenas lembranças, fantasmas de uma vida que eu parecia ter deixado há milhões de anos, e que, no entanto, ao contemplar o conhecido cenário, não poderia ter acontecido há mais de dois dias.
Com um aceno da varinha aticei o fogo da lareira, já há muito extinto. Sentei-me sobre a poltrona poeirenta e fechei os olhos. Novamente eu tinha dezesseis anos e uma vida prodigiosa pela frente. Você desceria as escadas a qualquer momento reclamando dos roncos de Rabicho e eu sorriria, dizendo que lhe buscaria uma caneca de chá. Depois conversaríamos até o horizonte adquirir uma coloração alaranjada. Cheguei a pensar que todo o terror após a sua morte fora um pesadelo que me arrancara da cama e me levara à sua companhia. De olhos fechados, eu podia senti-lo perfeitamente ao meu lado direito, o calor inconfundível de sua presença. Mas quando abri os olhos, a realidade tornou a me apertar o coração com suas garras de ferro, e a sensação claustrofóbica veio à tona. Eu deveria deixar sua casa o mais rápido possível, mas tinha algo a encontrar ali, a chave da tal caixinha. Mas onde? Senti o irrefreável impulso de subir as escadas e o fiz, indo diretamente ao que fora o meu quarto. Procurei nos armários, mas eles estavam completamente vazios. Explorei todos os cantos, inclusive embaixo da cama, porém não havia nada que encontrar ali. Aventurei-me, então, ao lugar onde jamais estivera: O seu quarto. Senti como se adentrasse um mausoléu, tão lúgubre era a atmosfera daquele cômodo. A despeito do quarto em que eu estivera antes, neste havia coisas demais a serem exploradas. Havia pertences seus por todos os cantos; tinteiros, livros, relógios, frascos, tubos de ensaio... Ao contrário do que deveria ser, quanto mais perto de você eu me sentia entre aqueles objetos, mais vontade eu tinha de correr dali. Era o meu limite, e eu não imaginava se conseguiria sentir mais dor, por isso decidi acelerar a busca. Mas que busca, se eu nem mesmo sabia pelo que estava procurando? Entretanto, você, de alguma forma, parecia me guiar, ou eu não teria observado aquele caderno de anotações, com apenas duas palavras, uma sobre a outra, no meio da folha amarelada. O choque foi tamanho que recuei, cobrindo os lábios com as mãos. Eu vira, em sua caligrafia, o que há tão pouco tempo escrevera em meu escritório, numa tão distante Hogwarts. Os nossos nomes alinhados, sem a última letra. O anagrama perfeito. Você chegara àquela conclusão antes de mim. E então eu me dei conta de que não precisaria ter saído de meu escritório para encontrar a chave que abriria a tão misteriosa caixinha. Ela estava lá, sobre a minha mesa, em forma de palavras feitas de tinta e lágrimas.
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Respirei profundamente enquanto segurava a pena na destra. As palavras deveriam ser claras, para que não ocorresse nenhuma confusão, então era essencial que a minha mão não tremesse. Após um segundo suspiro, escrevi lentamente os nossos nomes, sem a última letra, sobre a tampa da caixinha, entre as rosas talhadas em prata. Esperei, com o coração batendo freneticamente, e por meio minuto nada aconteceu. Com um gemido de cansaço, eu começava a aceitar o meu engano, mas as palavras apareceram sobre a tampa, abaixo de nossos nomes, em lugar da frase anterior:
"Por um pequeno feixe de luz, a escuridão deixa de ser absoluta."
O desânimo me abateu e por alguns segundos senti raiva de você. Para que tanto mistério? Por que você me fizera voltar àquele lugar? Para castigar-me com lembranças? A tristeza, a decepção e a fúria venceram momentaneamente a curiosidade, e guardei a caixinha no lugar mais fundo e escondido do armário. Sentei-me à escrivaninha e me pus a cismar, olhando para o teto. Fora longo aquele dia, demasiadamente longo. Eu estava fatigada de lágrimas, frio, lembranças e dor, absoluta dor, como se a cicatriz instável se rompesse e o sangue jorrasse. Deitei a cabeça sobre a escrivaninha e permiti que a inconsciência devastadora levasse toda aquela tormenta para bem longe.
INTERLÚDIO
Já há algumas horas caíra a noite, novamente fria, a despeito do verão. Frente à lareira, eu esboçava uma figura humana, ainda sem rosto ou quaisquer características que a identificasse como alguém conhecido. Há muito eu não desenhava, mas parecia não ter perdido o jeito com os traços. Você lia o Profeta Diário, não à poltrona ao meu lado, mas a uma próxima à porta principal. O ambiente era plácido e agradável, e em meio ao silêncio só se ouvia o ruído do meu lápis sobre o papel, e de vez em quando o farfalhar das páginas do Profeta, além, é claro, do som suave das nossas respirações.
— E o Profeta cada vez mais sensacionalista — você comentou, de repente, com a voz impregnada de azedume.
— Não sei porque você ainda lê essas porcarias — respondi meio distraída.
— Nem eu.
Mais alguns minutos de silêncio, quebrados novamente por você.
— Não sabia que você desenhava, Pansy.
Admirou-me que você prestasse atenção ao que eu fazia, e ergui imediatamente os olhos do pergaminho, lançando-os, de esguelha, a você.
— Ah, isso — sorri meio constrangida — é só um esboço.
— Eu desenhava na adolescência.
— É mesmo? Ainda guarda alguns?
— Talvez, preciso procurar.
— Eu gostaria de vê-los.
Você sorriu muito brevemente, calando-se em seguida. Estabeleceu-se novamente a quietude, que foi interrompida bruscamente por batidas inesperadas à porta. Sobressaltei-me.
— A essa hora? — sussurrei.
Com um gesto característico, você pediu silêncio. Uma sombra perpassou o seu semblante, e temi que a noite trouxesse alguma notícia ruim a respeito de meus pais. Você se esgueirou até a porta e por um momento olhou através de uma fresta, depois abriu. Tremi ligeiramente à aparição da intimidadora Bellatrix Lestrange e sua irmã Narcissa Malfoy. Percebi que havia lágrimas nos olhos desta, que olhou para mim com certa curiosidade, mas não se manifestou. Bellatrix, sim.
— Virou babá agora, Severus? — caçoou a Comensal.
— Os Parkinson mandaram-na para cá — você respondeu sem emoção alguma na voz.
— Estou sabendo, e é uma vergonha. Meu sobrinho Draco tem a idade dela, e já...
— Não vem ao caso questionarmos os procedimentos dos Parkinson com relação à filha — você interrompeu — e a menina não me incomoda, pelo contrário.
Bellatrix riu maliciosamente.
— Ah, Severus, olhe a sua idade! Você não se envergonha?
Enrubesci, e quase instantaneamente me esqueci de minha curiosidade com relação a Malfoy. Você, porém, continuava impassível, com os lábios levemente crispados.
— Presumo que não foi para isso que vieram até aqui...
E imediatamente Narcissa Malfoy irrompeu em lágrimas.
— Eu preciso de sua ajuda, Severus.
Aquele pedido choroso da Sra. Malfoy me atiçou novamente a curiosidade, e decididamente deixei de lado o desenho sem rosto. Você indicou a elas o sofá, no qual Bellatrix sentou com uma expressão de nojo. Pelo jeito podia sentir que estava em uma casa antigamente habitada por um trouxa, como eu soube posteriormente. Pedindo silêncio à mãe de Draco, você abriu, com um aceno da varinha, a porta oculta às nossas costas, de onde apareceu Rabicho, que cumprimentou as recém chegadas com devoção.
— Rabicho — você disse num tom despido de delicadeza — sirva-nos uma bebida e volte para o seu quarto.
— Não sou o seu empregado — o homem miúdo respondeu fazendo uma careta.
Você discutiu com Rabicho por alguns segundos, sempre displicente, munido de argumentos. Depois ele se retirou, mas ao chegar à outra porta oculta que dava na cozinha, retomou a palavra.
— Para a fedelha também?
— Nada para Pansy, que também já passou da hora de dormir.
Fingi não entender a indireta, e pus-me a contemplar o fogo. Enquanto discutiam, Bellatrix olhava desconfiada para a minha direção. Você percebeu.
— Ela está conosco, Bellatrix, não se preocupe.
Se por um lado a minha presença incomodava Bellatrix, por outro parecia estratégica à Narcissa, que em seguida se dirigiu a mim.
— Você não é amiga de Draco?
— Sou, sim, senhora.
— Eu poderia lhe fazer um pedido, menina?
— Claro.
— Tente ficar o máximo possível ao lado do meu filho, sim? Uma presença feminina, uma paixão, talvez...
— Cale-se, Narcissa! — repreendeu a irmã — Não seja tola.
Mas aquela história me intrigava cada vez mais. Dentro em pouco, após algumas discussões com Bellatrix, nas quais você se saiu absolutamente bem, Narcissa pareceu perder o controle, pedindo que você realizasse uma tarefa à qual Voldemort incumbira o seu filho Draco, que o protegesse. Por fim, ela sugeriu o Voto Perpétuo, e eu não fui mais capaz de me manter na aparente apatia em que eu me encontrava.
— Não! — exclamei, erguendo-me da poltrona, o pergaminho e o lápis escorregaram para o chão — O Voto Perpétuo, não!
Senti três pares de olhos sobre mim, mas não me intimidei, embora a minha postura de desafio fosse ligeiramente infantil. Bellatrix soltou uma gargalhada.
— Agora você tem de seguir ordens, Severus? — desdenhou a megera, mas eu a ignorei completamente.
— O Voto Perpétuo implica em morte — prossegui, meus olhos marejando como os de Narcissa — você não pode fazer isso, Snape.
Outra gargalhada estridente, e Bellatrix adquirira uma expressão maníaca de júbilo.
— Olha como ela se preocupa com você, Severus! O que você andou prometendo a esta criança?
— Ainda não cheguei ao patamar baixo em que você se encontra, Bellatrix. Pansy, recolha-se ao seu quarto.
— Não — resisti — eu não vou permitir que você cometa tal desatino.
Pela primeira vez senti em mim o seu olhar gélido, e a sua voz ríspida se propagou pelo ambiente que outrora emanava paz.
— Cale-se, Parkinson, não se meta nos meus assuntos com a Sra. Malfoy.
— Eu simplesmente não...
— Eu não gostaria de me repetir.
Derrotada, subi as escadas e adentrei o quarto, fechando a porta atrás de mim. Lágrimas grossas escorreram pelo meu rosto e chegaram aos meus lábios, amargas como fel. Pude ouvir o juramento, a execução do Voto Perpétuo. O princípio do fim.
