EPÍLOGO

Os dois anos que me separaram do encontro com você — dado pela Pedra da Ressurreição — na Floresta Proibida, mudaram-me em absoluto. Não que eu o tenha esquecido ou o ame menos, ao contrário, o meu sentimento sempre foi gradativo. O fato é que aprendi a trancá-lo no meu coração e decidi seguir com a minha vida, como você desejou que eu fizesse. Casei-me com Malfoy, adotamos Emily White como filha e, junto a Scorpius, formamos uma família aparentemente feliz. Vá lá, não se trata só da aparência, realmente somos felizes. Passei a amar Draco, mas com um sentimento mais fraternal do que conjugal, porque ele tem me dado todo o seu carinho e compreensão, deixando-me chorar sozinha quando relembro você. Malfoy sempre soube da magnitude do que sentíamos mutuamente, eu e você, e nunca seria capaz de intervir em algo tão sagrado.

Mas eu não posso deixar de pensar, todas as vezes que vejo Emily brincando, com os seus cabelos negros a caírem sobre o rosto muito branco, que ela poderia muito bem se passar por nossa filha. E, mais que isso, poderia realmente ser a nossa filha. Entretanto, não é algo que me incomode. Não, pelo contrário. Quando estou sozinha com Emily e penteio os seus cabelos cantarolando alguma música de minha juventude, tenho a agradável impressão de que você possivelmente entrará no quarto para avisar que chegou do trabalho e dará um beijo em cada uma de nós. Já passou o tempo dos devaneios, mas que ser consegue viver sem sonhar?

Já é tempo de finalizar este texto. Você me pediu que contasse a nossa história, e aí está. Entrementes, não conseguirei distribuí-la, e meu intento é mostrá-la à única pessoa que consigo amar quase tanto quanto o amei e amo. Emily Parkinson Malfoy lerá este documento, porque não seria capaz de contar-lhe sem me emocionar, e certamente esqueceria os pormenores. Todavia, é fácil notar que o escrito é direcionado a você, como uma carta. A explicação é simples: O destino final desta centena de pergaminhos será a sua casa da Rua da Fiação, deixá-lo-ei dentro da lareira desativada e por lá ficará até que se deteriore. Parece loucura de minha parte, uma vez que você tecnicamente nunca chegará a por os olhos nestas palavras, mas acredito que estando em lugar tão sagrado a nós dois, estará em sua posse.

Termino com a frase que li em um dos muitos livros trouxas a que tive acesso ao longo da vida...

TUDO PASSA SOBRE A TERRA...

Mas completo-a à minha maneira:

...E TUDO AQUILO QUE É INERENTE, PERPETUA NA ALMA.

FIM

Tudo passa sobre a terra é a frase final de Iracema, José de Alencar.