Disclaimer básico: Bleach e CDZ ainda não me pertencem... quem sabe um dia XDDD surto megalomaníaco

Fic para o desafio SEVEN DAYS do PANDORA'S BOX! Gratidão máxima à Ziegfried pela paciência e apoio.

Boa leitura!

Fantasmas Assolam - parte 2

"O tapete perto daonde eles estavam se encontrava realmente mexido.

- Pode ter sido você correndo desesperadamente... – ele comentou, não muito convencido do que dizia.

- Se importa se eu dormir no seu quarto? – deu um sorriso torto."

Saíram para o corredor escuro. Por um segundo titubearam. Seria o outro quarto verdadeiramente mais seguro? Não sabiam, mas não ficar ali daria a eles pelo menos uma certa sensação de segurança, por mais falsa que fosse e, também, pelo menos o quarto de Milo era mais espaçoso, além do que, não precisariam ficar a noite inteira olhando na direção do banheiro. Rukia ia à frente, tentava vencer o medo e o frio, e Milo ia logo atrás, um pouco menos assustado, mas igualmente cauteloso. A cada dois segundos, mesmo não enxergando muito bem, o loiro virava-se pra trás e olhava para a prima, para ter certeza de que tudo estava certo. Colocava a mão no ombro dela para ser guiado por ela e para dar uma certa sensação de conforto e segurança aos dois.

Quase chegando no quarto dele, ela esbarrou em algo pequeno. Estranhamente não se assustou. Abaixou-se calmamente e pegou. Era sua bolsa. Parecia intacta.

- O que houve? – Milo perguntou, com certa cautela.

- Achei minha bolsa, aparentemente. – mostrou-lhe a bolsa – Ainda acredita que nada aconteceu?

- Deve haver uma boa razão bem racional pra isso ter acontecido. Eu não sei qual é, mas será que dá pra continuar? – deu um sorriso fraco, seus olhos azuis faiscando, nervosos.

O quarto dele estava semi-iluminado por uma lamparina.

- Me diz que você ligou isso antes de sair. – sua prima perguntou-lhe, parando no batente da porta.

- Relaxa, fui eu mesmo que liguei. – empurrou-a porta adentro - Põe essa lamparina aí em cima da outra mesinha de cabeceira. – disse, enquanto fechava e trancava a porta atrás deles.

Ela o fez e sentou-se do lado esquerdo da cama, segurando as pernas com os braços e apoiando a cabeça nos joelhos. Os cabelos cobriam-lhe a face, ocultando suas emoções.

- Ainda não acredito que estamos aqui nessa casa.

- Mas vai ser apenas uma noite e agora só nos resta dormir e... Pode dormir na cama, prima. Sem problemas. – deu um sorriso pacífico.

- A proposta de te deixar dormir no chão é tentadora, Milo, mas acho melhor e mais racional dividirmos a cama. É só você não se mexer muito durante a noite. Além do que, não acho que temos interesse nenhum um no outro. É até estranho pensar em algo assim. Blergh! – fez como se fosse vomitar.

- Também acho, além do que, gosto de mulheres mais "desenvolvidas"! – riu, debochando de Rukia.

- Ah, é? Senhor-estou-morrendo-de-medo?

- É, senhorita-senti-algo-gelado?

- Ah, cala a boca! – e tacou um dos travesseiros que estava na cama em cima dele.

- Ei, quem te deu o direito de fazer isso, criancinha? – perguntou, enquanto pulava em cima da cama – Não sabe quem a senhorita acabou de provocar!

Continuaram implicando por um tempo até cansarem-se. Caíram na cama ofegantes. Foi então que soltaram entre uma respiração e outra:

- Você é um bom adversário, primo.

- Você também, prima.

Esperaram recuperar o fôlego, até voltarem a trocar palavras.

- Acho que já podemos dormir, não?- ele sugeriu.

- Podemos deixar a lamparina acesa? – a garota pediu, num meio riso.

- Tudo bem. – ele resmungou, virando-se para o lado e ajeitando-se para dormir.

Ela também se virou para a borda da cama e fechou os olhos. Seu corpo e sua mente pediam por um descanso. Uma trégua daquele medo. Daquela tensão. Respirou fundo. Era só dormir e, de manhã, as empresas mandariam seus agentes e logo ela nem precisaria mais olhar para aquela casa. Lembrou-se de, por via das dúvidas, chamar um padre ou um sacerdote.

Mal sabia ela que a noite estava longe de acabar. E seria mais do que longa.

O homem acordou no meio da noite com um som de madeira sendo cerrada. Milo olhou no relógio. Eram 11:30h da noite. A princípio, pensou que o som fosse por causa de algum sonho que tivera, porém o som parecia perto. Estava fraco, baixo, quase inaudível, mas estava lá. Aproximou-se da porta. Alguém a serrava! Olhou pelo buraco da fechadura. Também havia um olho do outro lado dela! Aquele olho tinha algo de errado, algo de assustador!

Quando abriu os olhos de novo, estava deitado, ou caído, não sabia o certo, em frente à porta. Um frio percorreu sua espinha. Havia sido um simples sonho ou mais do que isso. Levantou-se rapidamente e esquadrinhou o quarto em busca de alguma evidência. Nada. Pelo menos aparentemente.

Chegou perto da porta num pé-ante-pé. Colocou a mão da maçaneta e preparou-se psicologicamente para o que poderia encontrar atrás dela.

- O que você está fazendo? – uma voz rouca cortou os pensamentos dele, fazendo-o largar prontamente a maçaneta.

Olhou para a origem da voz. Ali estava sua prima, olhos azuis, cabelos despenteados e cara de cansada.

- RUKIA! Você me assustou!

- Já estava na hora da revanche. – riu, sarcástica – Por que se assustou tanto? Estava fazendo algo ilícito?

- Não, é que você parece a assombração em pessoa.

- Nossa, você é TÃO engraçado.

- Deixa só eu ver uma coisa, garota. – ele disse, fazendo sinal para que ela esperasse.

Milo abriu a porta abruptamente. Olhou o corredor, mas não havia nada fora do lugar. Ia fechar a porta de novo, quando se abaixou perto do batente da porta. Sua prima se esgueirou, curiosa, para ver o que ele fazia. O homem passou a mão por um pó caído ali. Levou o pó ao nariz. Tinha cheiro de serragem. Tremeu ligeiramente. Olhou novamente o corredor. Voltou para dentro do quarto. Mexeu na bolsa de Rukia e tirou a lanterna de dentro.

Tornou a sair e foi explorar o corredor.

- Hei, hei! Calma aí! – demorou a sair atrás dele, pois ficara abobalhada com a atitude atípica dele – O que houve? – perguntou-o, alcançando-o e virando-o para olhá-la.

Pararam perto da escada. A visão da escada em nada os ajudou a recuperar a tranqüilidade. Assim como o resto da casa, ela exalava abandono e fragilidade. Seus degraus esculpidos em mogno não inspiravam a menor confiança. Pareciam esperar apenas o momento de se partirem em um rangido lamentoso. O corrimão, que antes deveria ter sido uma obra de arte de beleza considerável, era decorado nas extremidades com pares de pequenos anjos. Alguns deles haviam cedido aos cupins suas cabeças e asas.

Ele contou do sonho-incidente para ela. A cada palavra, ela olhava mais e mais para os lados. Sua insegurança crescia.

Ouviram um barulho no quarto. De longe puderam ver que estava mais escuro. Correram ate lá. Uma lamparina estava apagada e a outra caída. Palavras vermelhas piscavam para eles na parede: "Estranhos não são bem-vindos!".

Rukia se agarrou ao primo com força. O que era tudo aquilo? Ambos estavam perdidos. Um arrepio tomou conta da garota. Milo a abraçou com força.

- Não vou deixar nada acontecer à você, Rukia! Tenha certeza disso. Nada, seja mortal, imortal, místico, nada vai te fazer mal. Eu prometo. – disse, com a voz falha, mas com um alto grau de seriedade.

Ele não mentia. Ela podia sentir que ele faria de tudo para protegê-la, como o irmão que sempre fora para ela. Sim, irmão. De verdade, eles nunca foram primos. De coração, desde a primeira vez que ele a ajudara a se levantar depois de um tombo e cuidou dela, ele se tornara seu irmão. Estava sempre ali pra ela, mesmo que fosse do jeito mais descuidado e largado, ele estava ali. E se ele dizia que nada iria lhe acontecer, então era verdade. Mas naquele momento, acreditar em qualquer coisa que não fosse o fato de que havia algo estranho naquela casa era difícil.

- E agora, o que vamos fazer? – ela perguntou, com a voz um pouco embargada.

- Não sei, mas tenho certeza que eu não vou mais dormir hoje. Não até o sol nascer e eu sair daqui.

Ouviram um carrilhão tocar no andar de baixo. Doze badaladas. Acabava de dar meia-noite. Ainda faltavam horas até que o sol aparecesse no céu de novo. Longas horas.

- Sinto sono, mas não vou conseguir pregar o olho. – ela comentou.

Um clima tenso estava instalado entre eles. Não havia como negar isso.

- Poderia haver alguém aqui desde o início. – ele começou a falar.

- Você quer dizer que...?

- Que deveríamos ter checado a casa inteira. Quer dizer, demos uma olhada, mas não prestamos atenção em quase nada. Podia ter gente aqui antes de chegarmos. Até porque, seres imateriais não são capazes de escrever palavras.

- Tem certeza? – ela questionou-o, levantando uma das sobrancelhas e chegou mais perto das palavras, tocando-as – Isso é sangue. – afirmou, após cheirar – Tenho quase certeza.

- Quem quer que tenha feito isso nos quer bem longe daqui. Saiba que EU TAMBÉM NÃO QUERO ESTAR AQUI! QUERIA ESTAR BEM LONGE DAQUI! – gritou bem alto, segundos antes de ser arrastado brutamente por alguma força invisível.

Bateu a cabeça no chão severas vezes e foi perdendo os sentidos lentamente.

- MILO!! – Rukia gritou, imóvel perante a situação.

Sua prima gritando. Estava intacta. O que quer que fosse apenas o atacava. Manteve sua promessa. Só então pôde desmaiar.

Somente depois de minutos Rukia foi capaz de se mover. Seu corpo tremia violentamente. Sentia um frio tremendo. Mas não tinha escolha. Colheu dentro de si toda a coragem que tinha e estava prestes a sair do quarto, quando uma voz soltou um aviso.

- Eu não faria isso se fosse você, Rukia... Pelo menos não despreparada assim.

Um homem alto, de cabelos na altura dos ombros, porte altivo e roupas ligeiramente surradas apareceu detrás da porta do banheiro.

- Quem é você? E como sabe meu nome? – ela perguntou, encarando-o.

FIM DO 2º CAPÍTULO

Ah é... Thanks à Juli.chan (que pensou nesse tema) e aos leitores (esses seres magnâmios que permitem que as fanfics continuem)
Beijos,
Yuki.