N.A.: Olá! Desculpe a demora em atualizar, mas estive ocupada nos últimos dias; entre outras coisas: jogo do Brasil, quadrilha da festa junina e duas provas. Simples :D Mas estou aqui saltitante para colocar o próximo capítulo para vocês! Obrigada aos que deixaram review e obrigada a Ana e a Karina que fazem essas coisas tediosas como digitar para mim. Sim, essas duas pessoas nos comentários são elas i-i


Capítulo 3

Os dias passavam rápido, consumidos pela ansiedade geral de todos. Os motivos que atiçavam as rodas de conversa mudaram com a mesma velocidade naquele ano especial: tão logo os campeões foram escolhidos – Fleur Delacor, Vitor Krum, Cedrico Diggory e Harry Potter – todos passaram a discutir calorosamente o que seria pedido na primeira tarefa. E tão logo a primeira tarefa aconteceu ("Vai demorar para aquelas queimaduras do Diggory sararem, é o que eu falo."), o Baile de Inverno e as fofocas sobre os possíveis casais que iriam ser formados animaram os alunos de Hogwarts.

Krum não estava fora dessa euforia, só que sua alegria tinha outra justificativa: a primeira parte de seu plano tinha sucedido mais que satisfatoriamente. Com alguns elogios bem bolados que alimentava a vaidade da garota, ele passara de desconhecido a íntimo amigo de Hermione em alguns dias. Eles se encontravam e conversavam sobre o campeonato e as aulas como velhos amigos. Ele não esperava resultados a tão curto prazo.

Ainda assim, com o passar dos dias em branco ele começou a ficar irritado com a falta de sinais que a segunda parte de seu plano iria acontecer. "Que porcaria de amizade existe entre esses dois que Rony nem ao menos vem com sua amiga à biblioteca?" – ele se perguntava – "Se Rony não aparecer... Se ele não aparecer tudo terá sido em vão."

Mas logo Krum conseguiu motivos para se alegrar. Ou talvez não.

Era uma quarta-feira e ele estava na biblioteca, os livros acumulados por séculos olhando-o por cima das prateleiras. Procurava um livro para Hermione, que estava sentada estudando do outro lado da estante, como um perfeito cavalheiro.

A porta da biblioteca se abriu. Por um momento, vozes de crianças vazaram no silêncio da sala. Passos vieram na direção onde estavam e ele ouviu alguém conversando com Hermione:

– Rony, o que de tão grave fez você vir até a biblioteca?

– Muito engraçado, Hermione, mas eu preciso de ajuda na lição, por favor.

Tão poucas palavras já foram suficientes para prender Krum no lugar, suspenso entre uma respiração e outra, o coração aguardando sem bater pelo desenrolar da conversa.

– Você já está tão acostumado com a minha ajuda que mal se esforça, Rony! – ele ouviu Hermione falar irritada. Segui-se um suspiro audível, resignado.

– Do que é?

Krum se deliciou ao imaginar um sorriso colorindo o rosto de Rony.

Por mais que tivesse se preparado e esperado por aquele momento, Krum estava confuso, indeciso sobre como prosseguir. "Devo continuar a procurar o livro e deixá-lo ir? Talvez me aproximar apressaria muito as coisas... Afinal, talvez ela desconfie de meus sentimentos sobre eles." E ele se lembrou das diversas vezes que se voltou para a mesa da Grifinória, apenas para olhá-lo, cada detalhe lhe prendendo a atenção (como nunca ninguém reparou da forma tão suave que o peito de Rony subia e descia quando ele respirava? Claro que ninguém tinha olhando para Rony com olhos tão apaixonados como os de Krum...)

No final o desejo de olhá-lo foi maior e ele retirou um livro da estante silenciosamente. Rony apoiava seu cotovelo na mesa, a cabeça apoiada na mão esquerda e outra mão enfiada no bolso de forma desleixada. Um sorriso bonito enfeitando o rosto, achando engraçada a cara brava da amiga.

– Rony! Você sabe que eu não sei Adivinhação, eu fugi da aula daquela charlatona da Trelawey – ela balançou a cabeça e gesticulou para a lição como se aquilo fosse um lixo – Onde está o Harry? Vocês não costumam inventar as previsões?

– Detenção com o Snape.

– O que ele fez dessa vez?

– Acho que Snape odeia o Harry só por ele ter nascido, se quer saber o que eu acho – ele pegou o caderno e o abraçou contra o peito. – Então, acho que vou indo, você não tem como me ajudar mesmo...

Krum conseguiu perceber o mal disfarçado tom de tristeza por trás de suas palavras. "Rony..."

– Espere! – Hermione se levantou, impedindo-o – talvez Krum possa te ajudar. – e pegou o amigo pela mão, levando-o para o outro lado da prateleira de livros.

-xX Rony POV Xx-

"Krum? Krum? Foi isso mesmo que Hermione disse?" E como num passe de mágica (perdoem os trocadilhos), o dono daquele nome se mostrou do outro lado da prateleira, lhe encarando com tanta profundidade com seus olhos cinzentos que fizeram Rony corar.

– Já se conhecem? – Hermione falou, vendo que os dois permaneciam quietos se olhando, um toque de esperteza em sua voz.

– Não. – Rony falou depressa.

– Sim. – Krum respondeu.

– Sim? Quando? – Hermione perguntou. Rony percebia que ela mal se aguentava de curiosidade. Ele desviou o olhar o olhar para os botões de seu casaco e começou a brincar de desabotoar e abotoar, nervoso.

Desde que Krum chegara em Hogwarts, Rony tentava fugir de sua presença. Não se sentia capaz de falar um pequeno "Olá, o tempo está bom hoje, não?" para aquele que tanto admirava. Todas as vezes que sentia alguma coragem, se lembrava das vezes que ficou olhando o pôster do jogador por longos minutos, se perdendo dentro dos mesmos olhos que o olhavam tão firmemente agora... E quando adormecera brincando com o bonequinho de Krum entre seus dedos, e ao acordar encontrava o boneco no travesseiro, ao lado de sua cabeça, como o ursinho de pelúcia com que Gina dormia quando pequena? Certamente aquilo não o incentivava a iniciar uma conversa.

Krum colocou um livro de volta à estante e se aproximou à passos lentos, estudados, principescos.

– Ah, claro que não poderia dizer que o conheço, me desculpe, Hermione. Só o encontrei enquanto andava na floresta em torno do estádio da Copa de Quadribol, não é, Rony?

E ele sorriu de forma tão maliciosa e suspeita... A verdade então veio à tona, lhe deixando sem palavras.

Então foi Krum quem passara a mão em seus cabelos de forma tão carinhosa; que olhara dentro de seus olhos de forma tão terna; e o pior: nada menos que sua presença, seu calor e seu toque que ele tão fervorosamente desejara... O sangue subiu em seu rosto. "Como?", gritava em sua mente.

– Ah, eu não sabia disso. Vitor, você sabe alguma coisa de Adivinhação? Rony está precisando de ajuda... – Hermione perguntou.

– Claro que ajudaria, seria um prazer. – Krum respondeu, não dizendo nada mais que a verdade.

Ele puxou uma cadeira em uma mesa no fundo do corredor, ao lado de uma janela – Venha. Sente-se, Rony. – ele acrescentou com um sorriso convidativo enquanto tamborilava com seus dedos na mesa, talvez nervoso.

Rony se aproximou lentamente, um passo mais em dúvida que o outro. Ele não queria tamanha proximidade entre os dois; não queria recordar, sentir novamente aquela "química" que acontecia entre os dois. Ele temia tais sentimentos. Não eram certos, ele não conseguia aceitá-los.

Por fim, sentou-se, assim virando o rosto logo em seguida para a janela e evitando olhar para Krum. O vento corria sobre as propriedades da escola, balançando as folhas de uma árvore ao lado do lago. Duas silhuetas se encontravam quase invisíveis sobre sua sombra. Próximas, provavelmente um casal de namorados. Sua distração foi interrompida:

– Irei deixar vocês a sós. – Hermione disse para si mesma ao virar o corredor, mas Rony conseguiu ouvir.

O que ela estava pensando? Ele certamente não precisava ficar sozinho com Krum! Talvez não precisasse, pensando bem, mas no fundo queria... Queria ouvir sua voz, queria que ele segurasse em sua mão e a guiasse para desenhar os mapas astrológicos... "Concentração, Rony Weasley! Ralhou consigo mesmo. Você precisa de Krum tanto quanto grifos precisam de lasanha. Você não pode amá-lo. Melhor, não deve!", acrescentou com um suspiro.

– Rony, você realmente prestou atenção no que eu disse? – Krum falou com ar de diversão.

Rony piscou duas vezes e pela primeira vez viu seu exemplar de "Esclarecendo o futuro" aberto na sua frente, ao lado de um pergaminho comprido repleto de desenhos e símbolos.

– Não exatamente. – ele admitiu.

Até agora, Krum só parecia achar graça de seu nervosismo, acanhamento e de suas distrações.

– Eu repito, sem nenhum problema. Só me diga que irá prestar atenção. Eu sinceramente prefiro quando você olha para mim, sabia?

– E eu prefiro conversas diretas, sem segundas intenções em cada frase. – Rony retrucou.

– Pois, estou feliz que você entendeu as minhas frases... Entendeu quem eu sou e o que represento para você, Rony – Krum falava de forma séria, decidido.

– O que significa esse sol com um pentágono mesmo? – Rony fugiu do assunto rapidamente.

Krum suspirou profundamente.

– Já que insiste... – e ele lhe explicou cada um dos símbolos novamente, com uma infinita paciência. Ao acabar, Krum levantou a cabeça e olhou-o mais uma vez, profundamente como se pudesse ler seus pensamentos e esclarecer o que se passava em seu coração. E quando Rony se permitiu encontrar seu olhar, nada mais que amor, carinho e dedicação encontrou em seus olhos.

– Você esqueceu essas frases aqui – Rony se recuperou e apontou para algumas linhas no canto do papel. Por mais que tentasse, não conseguia ler. Parecia que estavam escritas em outra língua.

Krum, entretanto, deu uma breve olhada no texto e pareceu compreendê-lo, pela cara de espanto que fez.

– Me desculpe por isso, eu escrevi algumas besteiras no calor do momento. – e pegou a borracha para apagar as palavras.

– Não, não apague! Me diga o que você escreveu. – Rony pediu.

– Você não ia gostar de saber, Rony, eu sei. – e em sua voz Rony percebeu tristeza e dor.

– Por favor. – Rony provocou.

– Não brinque com meus sentimentos mais do que fez hoje, Rony...

– Eu não sei do que você está falando! – Rony levantou depressa, derrubando a cadeira. Cansado da conversa na biblioteca, se virou para ir embora, mas deu de frente com uma instável parede de livros, que com o encontrão, balançaram precariamente e caíram em sua direção.

– Rony!

Alguém o puxou para trás. Rony tinha fechado os olhos por causa da nuvem de poeira que se levantou quando os livros caíram na sua frente. Mas nada tinha acontecido com ele, estava seguro, junto ao corpo de Krum. Seus braços rodeavam em um aconchegante abraço, sua respiração morna em sua nuca. As mãos de Rony descansavam no lado esquerdo do peito de Krum, ele conseguia sentir seu coração batendo forte e rápido sob elas.

Vitor hesitou alguns segundos, mas não conseguiu resistir em levantar o braço, segurar o queixo do menor em sua mão e levantá-lo, forçando Rony a olhá-lo. Tomando coragem, ele se inclinou em sua direção. Roçou os lábios rapidamente na pele macia abaixo da orelha antes de sussurrar no ouvido:

– Então, eu vou dizer o que eu escrevi... "Você conhece alguém que consiga ler seus pensamentos e como por adivinhação lesse seus pensamentos? Alguém que a sorrir transforme seu mundo num recanto de poesia e faça você realmente feliz? Eu queria ser esse alguém."

Mas a nuvem de poeira já tinha abaixado não dando tempo para Rony formular uma resposta para a declaração de Krum. Madame Pince, a bibliotecária, já vinha correndo e gritando.

– Olhe o que fizeram com meus livros! Esses livros que estão no chão são do tempo de Godric Griffindor!

Hermione estava do outro lado do pó que ia abaixando, sorrindo enquanto Rony se livrava rapidamente dos braços do outro. Krum estava com uma aparência abatida, como se tivesse perdido a razão para viver.

Os três foram expulsos da biblioteca com os berros da Madame Pince ("Isso não vai ficar assim, ah, não! Vou falar com Dumbledore hoje! E com Karkaroff, ouviu senhor Krum? Melhor! Cornélio Fudge ficará sabendo!") E com 60 pontos a menos para a casa da Grifinória.

Eles ficaram parados no corredor, a tensão pesada no ar e ninguém com vontade de falar.

Rony quebrou o silêncio:

– Eu vou para o dormitório. Tudo isso me deu dor de cabeça.

Hermione se virou para Krum e segurou seu braço.

– Vitor, preciso falar com você. Me acompanha até a Torre de Astronomia.

Krum não havia entendido o porquê, mas aceitou.

E cada um seguiu seu caminho, sob o olhar curioso do grupo de alunos do primeiro ano.


N.A.: O poeminha do Krum não é meu, eu tirei de uma outra fic que não me lembro o nome, só sei que era Krum/Hermione. Autora dessa história, se por acaso você vier a ler isso, não fique triste que usei seu poema em uma história um pouquinho... diferente XD
Bjs, Rosicleide.