N.A.: Olá! :) Hoje eu não tenho nenhum aviso para dar :/ Então vamos direto ao capítulo 5, que se passa no Baile de Inverno de Hogwarts! :D
Capítulo 5
Krum, aflito, andava de um lado para o outro do saguão de entrada. Todos os campeões do Torneio Tribruxo já estavam alinhados para entrar no salão principal, menos ele.
- Senhor Krum, sua acompanhante... - uma senhora de vestes vermelhas e chapéu berrante, que ele reconheceu ser a professora de Transfiguração de Hogwarts, se adiantou.
- Ela está vindo, senhora, ela tem que estar. - Krum emendou rapidamente, afobado.
E como que para confirmar o que ele tinha falado, passos vieram do corredor que dava para as escadas. Krum se virou e viu Hermione aparecer no limiar da porta.
- Ainda bem que você chegou, eu já estava começando a enlouquecer - ele sussurrou quando ela se aproximou, de modo que os outros não ouvissem.
- Não precisa se preocupar tanto, tudo irá dar certo - ela respondeu no mesmo volume, num tom pacífico.
McGonagall se preparava para abrir as portas para o cortejo dos campeões passar.
- Minha confiança já desapareceu há tempos, Hermione. Já lhe disse que não tenho muita fé com esse plano, ele não parece a coisa certa a se fazer - Krum falou transparecendo seu medo e receio.
Hermione olhou firmemente para frente, meditando, antes de responder com voz segura:
- Então haja naturalmente. Finja que nada do que combinamos existe e curta a festa. O que tiver que acontecer, acontecerá.
Ele assentiu, um pouco mais tranqüilo. Apenas mais uma tentativa. O máximo que poderia acontecer era Rony lhe dar mais um não como resposta. Se isso acontecesse, ele sabia que não teria forças para se recompor e persistir em sua empreitada. Mas tudo isso não importava. Hermione tinha razão: quem espera demais por problemas acaba tendo sua recompensa.
Assim, ele deu o braço a Hermione e entrou nobremente no salão principal forrado de gelo e neve.
-x- (Rony POV)
- O que você tem, Rony? Você não para de se mexer na cadeira e morder os lábios - Padma perguntou ao seu lado, visivelmente incomodada por ter um par tão estranho.
- Eu? Eu não tenho nenhum problema - ele respondeu enquanto torcia o pano da camisa com força e não desgrudava os olhos de certo casal que rodopiava no meio do salão.
Sobre a pista de gelo, Hermione girava sorridente guiada por Krum; sereno, sem parecer perceber que os dois eram o centro das atenções do Baile de Inverno. Nenhum outro campeão e seu par atraíam tanta atenção, nem mesmo Potter que quase tropeçava nos pés de Parvati.
Padma seguiu seu olhar, numa tentativa de se enturmar com o cara que teria que passar a noite:
- Você está olhando a Granger com o Krum, certo? Bem, o vestido dela parece saído de uma loja de segunda mão, mas tenho que admitir que eles formam um belo casal - a menina falou, mal disfarçando sua inveja - E Krum... - ela deu um risinho abafado - Estou até pensando em me juntar ao fã-clube depois que o vi tão charmoso em roupa de gala - e mais risinhos pouco contidos foram soltos - O que você acha?
Rony não tinha como responder , deixando a garota encabulada.
Nesse meio tempo, a pista foi aberta para os outros casais. Padma insistiu:
- Vamos dançar, Rony? - mas novamente não conseguiu resposta.
Ele chegou a notar, depois de algum tempo de constrangedor silêncio, Padma se retirar para dançar com um aluno de Beauxbatons. Ele não se importou, ao contrário, até gostou que Padma tivesse arranjado uma companhia mais agradável para o baile. Preso a sentimentos não resolvidos ele não conseguiria articular mais que "Sim" e "Não" pelo resto da noite.
Rony esticou a mão para o enfeite da mesa, um pouco inconsciente de seus movimentos. Levantou um floco de neve delicadamente com a ponta de um dedo e o admirou por um instante, para depois, sem pensar, o esmagar.
Rony suspirou pesadamente. Sentia-se triste e solitário desde que Krum entrara no salão. Odiava cada momento feliz que ele passava com Hermione, querendo que aqueles sorrisos e risadas fossem dirigidos para ele.
Tinha consciência que era tarde demais para voltar atrás. Suas recusas foram firmes e seu rosto era impassível ao conversar com Krum na biblioteca. Seus atos não demonstravam amor, apenas medo e repulsa; sentimentos que deviam tê-lo desconsertado e criado uma mancha em seu coração. Tais "manchas" geralmente nos afetam bastante, sendo difícil encontrar um amor que resista a ela. Ao que lhe parecia, o amor de Krum não tinha resistido se quer um minuto, com a rapidez que tinha convidado Hermione para o baile.
E não devia se sentir feliz? Krum havia feito o que ele pediu, e ao pé da letra, diga-se de passagem. Sim, podia-se dizer que ele gostava que os dois estivessem felizes: Krum, que já superara uma decepção amorosa e Hermione, que aproveitava seu novo amigo. Afinal, não gostava de ser um obstáculo à felicidade ou um causador de tormentos.
Contudo, tudo isso não passava de felicidade alheia, algo que não existia dentro de si. Internamente o peso em sua consciência e a sensação de não ter feito a coisa certa cresciam e lhe incomodavam.
Pois rejeitar as propostas de Vítor fora apenas uma decisão tomada seguindo o ponto de vista da razão, não o lado comandado pelas emoções. Naquela tarde na biblioteca, quando descobriu que o homem que esbarrara na floresta era Krum, ele já sabia que o amava. Nenhuma outra conclusão poderia ser tirada depois que ele repassou rapidamente o que Vítor significava para ele, Mesmo agora ele não tinha duvidas sobre isso.
Um sonho que teve na noite seguinte ao encontro na biblioteca lhe veio à cabeça, algo que comprovava tudo isso...
-x- ("Sonho POV")
Ventava em Hogwarts naquela noite, apesar de não estar totalmente frio. À direta de Rony, as três balizas do campo de quadribol tinham até certa sombra, tal era a claridade que a lua cheia lançava.
Ele estava sozinho na arquibancada do estádio quando um vulto veio caminhando dos vestiários. Por alguma razão, geralmente o que acontece em sonhos, ele sabia que o vulto era de Krum.
Uma coruja piou em um lugar distante e Krum montou na vassoura que levava consigo e se impulsionou aos céus. Deu diversas voltas pelo estádio, sempre seguido pelo olhar atencioso de Rony, até parar a vassoura no ar na altura em que ele sentava, como naquela partida da final da Copa de Quadribol... Seus olhares se encontraram e cada um viu exatamente o que queria refletido nos olhos do outra, com a grande diferença que dessa vez ambos tiveram coragem de ir em direção a outro; pelo menos em sonhos essa história descobria um final feliz. Vítor abaixou a vassoura em direção ao chão enquanto Rony descia saltava os degraus da arquibancada.
Krum esperava no meio do campo sorrindo enquanto Rony atravessava o gramado, primeiro em um andar rápido e depois correndo. Se aproximando de Vítor, se jogou em seus braços, que já o esperavam abertos, sem nenhuma hesitação, com plena certeza. Aconchegou-se junto ao seu peito e encostou o rosto na base de seu pescoço enquanto sentia seus braços o enlaçarem em um abraço apertado, como se Krum tivesse medo de que ele pudesse fugir.
Um longo tempo se passou com eles assim, tempo este que serviu para mostrar o quanto cada um precisava da companhia do outro e para firmar em seus pensamentos que nunca mais deixariam algo se colocar entre eles.
Até que Krum se mexeu. Mantendo Rony ao seu lado com um dos braços, colocou seus dedos delicadamente sobre o queixo do menor, levantando sua cabeça suavemente, para que assim pudesse se inclinar e depositar um pequeno beijo em sua testa. Rony sentiu-se um pouco encabulado, mas Krum sorriu e disse docemente:
- Venha.
E o guiou pela mão de volta à vassoura, com que depois de poucos momentos para se ajeitarem os dois se lançaram ao céu estrelado.
Rony mantinha os braços em torno da cintura de Krum para se segurar e pensava que, literalmente, estava no céu. Apoiou sua cabeça no ombro de Vítor e sussurrou com voz macia em sua orelha...
- Bom dia Rony! O café da manhã já começou a meia hora, então pensei em te acordar e...
Neville ainda não devia ter entendido porque Rony jogara o travesseiro em sua cara com tanta força naquela manhã.
-x- (Rony POV)
Agora que seu amor por Krum não passava de uma chama de vela em intensidade era fácil superá-lo e manter suas desculpas para ficar longe dele. Mas este sonho servia para lhe demonstrar o quanto esses sentimentos , mesmo escondidos e controlados pela força da razão, cresciam e amadureciam com velocidade vertiginosa, a ponto de explodir ao menor incentivo.
Ele precisava conter esse avanço. Para tal, continuar no Baile e ver Krum ir buscar uma bebida para Hermione depois dos dois dançarem por meia hora não era o caminho.
Assim, Rony se levantou, cruzou o salão lotado a passos largos, ziguezagueando entre os dançarinos, e correu para fora do prédio da escola.
-x- (Krum POV)
Krum enchia calmamente dois copos com suco de abóbora quando duas mãos bateram em seu ombro, dando-lhe um susto e fazendo com que boa parte do líquido da jarra caísse na toalha branca da mesa.
Ele se virou e viu Hermione, afobada.
- O que aconteceu? - ele perguntou ansiosamente.
- Rony... - ela disse, entusiasmada, como se estivesse aguardando para transmitir essa mensagem há tempos.
Agitação ressurgiu em Krum, mas ele ainda não captara totalmente o teor da conversa.
- Não entendo. Não era você que me pedia calma e paciência? Tudo bem, já que acha que é uma boa hora podemos ir tentar e falar com ele, mas pelo menos me deixava colocar o suco no copo, olhe o que aconteceu com a toalha!
Hermione olhou para os lados impaciente.
- Mudança de planos, Vítor, mudança de planos. Por algum motivo Rony saiu da escola sozinho. Metade do caminho já foi andado sem que precisássemos mover um dedo. Agora o resto é com você...
Krum engoliu em seco, a coragem fugindo no momento oportuno. Contudo a determinação ainda estava lá:
- Eu vou lá fora, já volto. - ele disse casualmente, tentando esconder o nervosismo.
Hermione assentiu com um sorriso ao mesmo tempo acolhedor, preocupado e empolgado.
E Krum se embrenhou entre os alunos em direção à porta e os jardins cheios de neve.
N.A.: Eu estava pensando, vocês já devem ter reparado que eu amo Cálice de Fogo, né? Eu sempre faço alguma coisa especial nesse ano do colégio. '-'
Enfim, volto daqui a mais de uma semana, o próximo capítulo será difícil, longo e interessantíssimo, podem esperar! :)
Bjs, Rosicleide.
