N.A.: Olá, estou de volta! :) Estava planejando colocar muito mais coisa nesse capítulo, mas quando se passou uma semana e meia, eu ainda não tinha acabado e estava com um mega pilha de papel para digitar, resolvi quebrar o capítulo em dois. Por isso esse capítulo não deve ter muita emoção como prometi, mas tem bastante, posso afirmar! :D Fora que estou com uma preguiça gigantesca nessas férias, hehe. Obrigada a todos que deixaram reviews, e obrigada a Ana que leu isso primeiro e aguentou minhas notas de rodapé malucas...
Capítulo 6
Krum olhou a sua volta para o gramado, agora coberto de neve, dos terrenos de Hogwarts. Às suas costas, o burburinho do Baile de Inverno podia ser ouvido mesmo com a pesada porta principal de carvalho fechada. As luzes da festa escapavam das janelas iluminando o lado de fora; as diversas fadinhas que voavam por ai ajudavam na iluminação. Assim, atrás de uma estátua de rena, ele conseguiu avistar Rony.
Sem pensar duas vezes, se aproximou, lenta e cuidadosamente como experiências anteriores haviam lhe ensinado. Rony sentava-se aos pés da estátua de rena, os braços dobrados junto ao corpo por causa do frio. Devia estar muito distraído, já que Vítor se sentou nas costas da rena sem que ele notasse sua presença.
Olhou para Rony embaixo de si, carinho e dedicação inundando seus pensamentos enquanto ele observava os cabelos ruivos rodopiando no vento e suas bochechas coradas devido ao frio. Teve vontade de se sentar ao seu lado, acariciar seus rosto e brincar com uma mecha de cabelo, ao mesmo tempo em que pedia atenciosamente para que ele fosse para um lugar mais quente e se protegesse da friagem.
Isso o lembrou do porquê de estar aqui. Perguntou, então, inseguro:
- Importa-se se eu sentar aqui com você?
Ele viu Rony ficar tenso assim que reconheceu sua voz. Sem o encarar, ele respondeu:
- Pensei que estivesse se divertindo com Hermione.
Sua voz era rascante, magoada, com um toque de ciúmes. Só isso já era o bastante para surpreender Vítor, mas havia algo mais escondido por trás de seu tom de voz que chamou mais sua atenção. Não eram os ciúmes que o incomodava, ao mesmo essa era a menor de suas preocupações. Outra coisa lhe incomodava-o, algo que ele não sabia o que era. Também não conseguiu impedir-se de pular das costas da rena e ir sentar-se ao lado de Rony, tão grande era seu desejo de ajudá-lo e animá-lo.
Assim que se sentou, Rony inclinou-se para longe como se ele fosse perigoso. Isso não passou despercebido a Krum, que disse:
- Se minha presença incomoda, posso ir embora, mas só estou aqui para te ajudar.
- Ajudar... - Rony repetiu para si mesmo em um sussurro, como se avaliasse a oferta - Não, você não pode me ajudar, ao contrário, você é a pessoa que mais me atrapalha.
Seu coração batia dolorosamente enquanto compreendia essas palavras; como ele ainda estava e já não havia quebrado em pedaços ele não entendia. Respirou fundo uma única vez e escondeu o que sentia, para dizer numa voz contida e com um pouco de orgulho que lhe restava:
- Eu sei reconhecer um "não" quando ouço um - e fez menção de se levantar. Queria sair de lá o mais rápido possível. Notou que os primeiros flocos de neve de uma tempestade começavam a cair e pensou no aconchego de seu quarto no navio da Durmstrang onde, junto a um copo de uísque de fogo, poderia esquecer as últimas semanas.
- Espere! - Rony gritou e segurou seu braço. Vítor parou e o olhou com uma expressão confusa e aflita ao mesmo tempo - Rony mordeu o lábio inferior agitado, sabendo que teria que dar uma explicação convincente - É esse o problema. Eu quero que você fique mas isso só dificultaria. Tenho certeza que a coisa mais certa a se fazer é ficar longe de você, mas eu nem ao menos consigo deixar que você saia por conta própria! Sou mesmo um estúpido que se deixa apaixonar quando sabe que isso é errado. - parecia esquecido da presença de Krum, que só conseguia olhar para ele com a boca aberta. "Como ele consegue declarar amor sem ao menos perceber ou se preocupar, como se fosse a coisa mais simples do mundo", pensava.
- Como você tem tanta certeza de que não viver esse amoré o caminho certo? - Krum falou em um sussurro.
Rony hesitou.
- Porque tenho... Ora, não é algo que eu já pensei a respeito, é um pensamento pronto!
- Sim, é um pensamento pronto, mas dos outros. - sua voz ia alteando à medida que se tornava sério - Um pensamento pronto de outras pessoas que você toma emprestado para bajulá-las. Você não precisa agradar, Rony, não precisa mostrar aos outros que você existe, porque você nunca esteve nas sombras. Você pensa que andar com pessoas famosas faz com que os outros sejam indiferentes a você; isso não é verdade! Você tem qualidades suficientes para mostrar o quanto você é importante e especial, sem que precise se sujeitar ao que os outros pensam.Eu, Hermione, seus amigos e sua família vemos essas qualidades; você não precisa ser quem você não é.
Ele descobriu a mão de Rony apoiada na neve ao seu lado e a segurou sem medo, apertando suavemente tentando transmitir segurança. Rony olhou com os cantos dos olhos as mãos unidas por um tempo, até que sorriu apoiando.
- Obrigado.
Vítor assentiu, felicidade transbordando por todas as direções. "Não haveria problema, não é?", ele perguntou para si mesmo. "Não, agora não há nenhum problema", concordou feliz. Sorriu de volta para Rony enquanto desvencilhava sua mão da dele. Com algum atraso, conseguiu acariciar a pele macia de sua bochecha, e achou engraçado que dessa vez não soubesse dizer porque ela estava vermelha.
Rony devia ter percebido suas próximas intenções, pois falou:
- Vítor...
Era primeira vez que ouvia Rony chamando-o pelo primeiro nome, o suficiente para fazer com que ele ignorasse seu alerta. Passou seu braço pelas costas de Rony e o trouxe para perto, para que assim pudesse colocar seus lábios sobre os dele no que imaginou ser um beijo suave, mas fora demais para Rony. Nem bem Krum conseguiu sentir o gosto de seus lábios e seu delicado cheiro, parecido com o ar puro que vem da floresta, foi empurrado para trás, afundando pateticamente na neve. Quando tirou os flocos de neve do rosto, Rony já estava longe, desaparecendo na tempestade de neve que piorava.
Krum suspirou.
- Eu nunca me canso de correr atrás dele, não é? Eu devo merecer.
Ele se levantou e olhou o projeto de anjo que ficou marcado na neve. Voltou-se para a direção que Rony desaparecera, oposta ao castelo. "Além do que, não posso deixá-lo fora do castelo no meio de uma nevasca", acrescentou aos motivos para segui-lo.
- Lumus - murmurou e sua varinha se acendeu.
Nunca tinha tido sucesso ao ir atrás de Rony, mais isso nunca o impedia de desistir, não importando os motivos. Ajeitou seu casaco junto ao corpo e começou a caminhar pela neve.
"Ou gosto muito de Rony ou sou incrivelmente idiota", pensava consigo, "Talvez os dois", acrescentou.
N.A.: Tem umas partes bem "água com açúcar" nesse capítulo, deve estar uma tragédia para ler... Ah, mas eu adorei essa estátua de rena, acho que vou pedir uma de Natal :3 Erm, obrigada por ler, e melhor ainda se você deixar um comentário interessante pra mim *-*b
Até mais, Rosicleide.
