Capitulo 2:

Capitulo 2:

"Raito-kun, acorde." O fantasma o chacoalhou. "Raito-kun?"

"Só mais cinco minutos..." Pediu miseravelmente.

"Se eu deixar você descansar por mais cinco minutos, receio que vá se atrasar para o trabalho." O espírito sentou-se na cama, esperando por uma resposta. Não a obteve. Decidiu verificar se o policial não havia morrido, colocando uma mão sobre a carótida e aproximando o seu rosto do outro para verificar se ele estava respirando.

"O que – o que pensa que está fazendo, Ryuzaki?" O rapaz perguntou um pouco envergonhado.

"Verificando sua freqüência cardíaca." O outro respondeu, sem qualquer sinal de emoção na voz.

"Você acha que eu teria um ataque cardíaco assim, do nada?" Raito rebateu sarcasticamente.

"Sim." Respondeu de uma forma sincera.

"Isso é meio impossível, Ryuzaki." Raito revirou os olhos.

"Se você diz." O outro deu de ombros.

"Err..." Ele desviou o olhar. "Por que você me acordou mesmo...?"

"Hu... Uma mulher entrou aqui mais cedo – ela não conseguia me ver, a propósito – e tirou o seu despertador, enquanto falava algo parecido com 'essa é a minha vingança por você ter jogado minha deliciosa torta de morango fora. '"

"Deve ter sido a Misa..." O rapaz jogou o cabelo para trás, inconscientemente. "Que horas são?"

L pegou o relógio de pulso do rapaz, que estava no criado mudo , inclinando a cabeça de uma forma estranha.

'Bem', Raito pensou, 'Não é como se fosse possível para ele quebrar o pescoço... E mesmo se quebrasse não se morre duas vezes, certo?'

"Aproximadamente oito e vinte, Raito-kun. Acredito que você saia para o trabalho às oito...?"

Raito saiu da cama em um pulo, amaldiçoando em altas vozes a descendência e a senhora mãe de Misa Amane enquanto ia ao banheiro. Era seguido do olhar incrédulo de Ryuzaki, que não podia acreditar na existência de alguém tão metódico como o Yagami filho. Ele próprio não era tão perfeccionista com arrumação.

Mas, de novo, era só uma suposição. L não se lembrava muito de sua vida antes de morrer.

XXX

Depois de levar um sermão do próprio pai e ter dado uma desculpa qualquer. (Afinal, seria um pouco humilhante declarar que se atrasara porque sua namorada cleptomaníaca desligara o alarme de seu despertador porque, aparentemente, jogara fora a torta – quando na verdade, fora um fantasma de um assassinado saciando sua fome por doces.)

Seu pai sem dúvida iria interná-lo em um hospital psiquiátrico por muito tempo.

Afastou estes pensamentos, mas outro veio insistente; 'Ryuzaki disse que Misa não conseguia vê-lo. Então, por que eu...'. Ele se preparava para sair quando seu pai o chamou.

"Yagami-san, feche a porta por favor." E, quando fechou, ele o chamou mais intimamente. "Raito." O progenitor disse em uma voz séria.

"Sim, pai, quero dizer, comandante. O que houve?" O filho estranhou. Não era do feitio de Soichirou Yagami ser tão cauteloso.

"Raito, eu preciso que você trabalhe em um caso especial." Começou. "Pode passar seus casos pendentes para Mogi-san ou Aizawa-san".

"Sim, eu posso, mas qual seria este?"

"De certo você conhece o nome L."

"O melhor detetive do mundo? Claro. Você já trabalhou com ele, não foi?" Devolveu, cheio de curiosidade. Ele iria trabalhar com L? Seria uma honra.

"O L é um cargo. Normalmente, um gênio é designado para ele. De fato, eu trabalhei com o 'L' anterior." Explicou. "E foi nesse caso que ele..."

"Como foi... que L morreu?" Raito perguntou.

"Não sabemos." Soichirou entregou uma pasta para ele, que a abriu. "Só suspeitamos disso porque o réu confessou. Mas, agora, ele decidiu revelar onde deixou o corpo em troca de uma oportunidade para fugir da pena de morte..." O Yagami mais velho parecia irritado, mas Raito compreendia isso. Qualquer criatura iria querer dar a localização do corpo do detetive a receber uma injeção ou perder a cabeça, literalmente. "Mas, felizmente recebemos uma dica anônima... Se conseguirmos Ryuzaki antes que o advogado faça um acordo..."

"Ryu-Ryuzaki?" Raito se assustou.

"Sim. L tinha alguns pseudônimos: Ryuga Hideki, L... Mas, ele preferia ser chamado pelo nome Ryuzaki."

Raito folheou a pasta até achar uma foto. Sim. Agora entendia. Certamente era o 'seu' Ryuzaki. Aquele fantasma viciado em morangos...

Agora entendia o porquê de ele ter aparecido no apartamento de Raito Yagami.

XXX

Não é como se Raito não gostasse de Misa. De fato, às vezes, de vez em quando, ela era uma companhia muito agradável.

Mas, era muito raramente. Na maior parte das vezes, ela era uma dor de cabeça ambulante que sempre estava atrás de Raito.

Porém, ele gostava dela. Um pouco.

Quando voltou para casa à noite, após passar o dia inteiro repassando ou concluindo casos para os outros policiaism Raito se surpreendeu ao ver o fantasma sentado na frente da porta do apartamento, parecendo... Chateado. Essa seria a palavra mais próxima para descrevê-lo. Então, ele notou a presença de Raito no corredor.

"Oh, Raito-kun."

"..." Raito se aproximou mais. "Ryuzaki? Você está... bem?"

­

"Tirando o fato de estar morto e estar sofrendo de uma leve abstinência de doces, sim, estou. Alguma novidade, Yagami-san?" ele perguntou.

"Sim." Ele mostrou uma pasta amarela, com o carimbo de 'confidencial' vermelho. L leu seu nome na borda. "Eu acho que sei o motivo de você ter... err, voltado."

"Isso é muito bom, Yagami-san."

Raito parou de caminhar em direção à porta. O uso do sobrenome por parte do ex-detetive não passou despercebido. Havia algo de estranho nele (bem, mas que o usual). Será que...

Não. L não tinha motivos de mentir para ele... Certo?

"Sabe, acho que descobri a razão de minha pessoa poder tocar em certos objetos e você me atravessar, como fez ontem à noite." O fantasma começou a mexer em uma caneta qualquer, que deveria estar perdida em algum lugar dentro do apartamento.

A memória dele ainda estava marcada à fogo sobre aquilo. O policial havia se movido durante o sono, bem para onde o local onde o espírito repousava.

Raitou acordou tão rapidamente quanto o faria se tivessem jogado um balde de água fria sobre ele.

Tentando se livrar dessas lembranças, ele começou a procurar suas chaves, e para facilitar, entregou a pasta e a mala para o fantasma.

"Bem, como acredito que eu esteja – por exemplo, comendo uma torta de morango – meu subconsciente percebe esse fato e o concretiza: fazendo-me levantar a faca e cortar o bolo, levar o garfo à boca e degustar um delicioso doce." Ele levantou a caneta na altura dos olhos, e a encarou como se fosse o objeto mais interessante de todo o mundo. "Já você, embora tenha admitido conscientemente minha presença aqui, seu subconsciente ainda precisa de provas da minha etérea existência e por isso apenas acredita parcialmente no meu aparecimento, ocasionando assim, no atravessamento da matéria."

Após ter finalmente achado as suas chaves, Raito disse: " Você realmente ficou pensando e elaborando essa teoria o dia todo?"

"Eu estava um pouco entediado, como pode perceber, Raito-kun." L deu de ombros, enquanto se levantava, embora tecnicamente não fosse impedir Raito de entrar, ficou empatando o caminho do policial.

"Ryuzaki... com licença?" Disse, sentindo-se ridículo. Bem, não é como se Raito pudesse atravessar o fantasma, mas... Ele já tivera essa experiência na noite anterior e fora bastante desagradável.

Como acordar em uma banheira cheia de gelo sem o fígado (frio com um toque de pânico).

Raito não queria passar por isso de novo.

"Não acho uma boa idéia você entrar aí, Raito-kun."

"Você não acha uma boa idéia eu entrar na minha própria casa?"

"Sim. Eu tenho minhas razões."

"Quaisquer que elas sejam, eu acredito que não são tão ruins assim. Preciso discutir umas informações que recebi na delegacia com você."

"Não diga que não lhe avisei."

­

E, ao abrir a porta, tudo o que não esperava era ver Tota Matsuda, agente de Misa Misa Amane, e a suposta namorada de Raito Yagami que se encontrava... seminua. E, embaixo de seu agente.

Não seria possível, se alguém perguntasse, para Raito responder como ele se sentia. Talvez a mínima parte dele que gostava da Misa Misa estava se mordendo de ciúmes e se preparando para acabar de vez com a vida do agente de uma forma bem dolorosa.

A outra parte, a grande parte de sua mente lógica, simplesmente perguntava-se: 'Não tinha outro lugar para fazer isso? Ela realmente precisava tentar uma crise de ciúmes em mim? Será que ela não percebe que isso não vai funcionar?'.

"Eu te avisei." O fantasma disse, dando de ombros.

"Misa. Saia."

"Como?" Perguntou a modelo, visivelmente surpresa com a ordem do jovem Yagami.

"Acontece que sou eu quem paga as contas. Então, quando digo: 'Saia', eu espero que aqueles que pensam morar nesta residência apenas obedeçam. E, educadamente, retirem-se." Afirmou o policial, parecendo entediado com a situação.

Quando percebeu que Amane não iria sequer mover-se, decidiu apanhar as roupas espalhadas no chão e jogá-las para fora do cômodo. Ao terminar, notou que a modelo permanecia estática. Tentou repetir seu pedido anterior, o que apenas resultou em um protesto da garota.

"M-m-mas, Raito...".

"Agora." Respondeu simplesmente, antes de fechar a porta do apartamento e deixar a modelo do lado de fora.