02 - Agora já sei quem é meu pai

Estava tonta. Não me lembrava de nada, só de uma mulher horrível me perseguindo e uns três seres humanos salvando eu e a minha amiguinha do perigo. Esqueci-me até o nome da mulher. Eu disse, apago coisas ruins da minha mente com facilidade. Senti uma coisa gelada no meu rosto, deduzi que era água. Dei um pulo.

- Precisava isso, Bruna?

- Não sei. Mas foi divertido. - Ela sorriu e saiu da... Enfermaria, ou o que aquilo fosse. Assim que Bruna passou pela porta, a garota loira de olhos azuis vinha falar comigo. Oi? Eu não te conheço, beijos.

- Eu sou Annabeth Chase. - Ela disse, direta. Caso ela não saiba, existe 'oi' e 'olá', as palavrinhas mágicas. - Precisamos conversar, Victoria.

- Pode falar. - Me ajeitei no colchão e a escutei.

- Bem, era pra eu estar falando com você e Bruna ao mesmo tempo. Mas você desmaiou, então conversamos com ela antes. Você é uma meio-sangue.

- Meio de quem menina? - Não entendi.

- Meio-sangue. Você é filha de uma mortal, a sua mãe, no caso, com um deus.

- A minha mãe morreu, eu nem sei quem ela é! - Rebati.

- Isso foi só uma história inventada para... Digamos, acalmar a situação. Sua mãe ainda está viva, só não quis te criar, e foi inventada essa história da morte de seus pais, Victoria.

- E quem é meu pai?

- Não sabemos ainda. Não sabemos quem é o seu pai, e quem é o pai de Bruna. Ele terá que lhe reclamar, e então saberemos quem ele é. - Ela parou para ver se eu ia falar algo, mas fiquei quieta. Ela continuou. - Enfim, esse é o Acampamento Meio-Sangue, para como eu disse, filhos de mortais e deuses. No momento estamos passando por situações difíceis. Luke quer invadir o Acampamento, e precisamos unir nossas forças e lutar contra ele. E ele não está sozinho, está acompanhado das pessoas que são unidas a ele, naturalmente, e de duas novas assistentes.

- Que são...?

- Miley e Frankie. Não sabemos de onde ou nem quando elas surgiram, só sei que elas apareceram e vão ajudar Luke na sua invasão. Não podemos permitir isso.

- Hm. - Suspirei. - Acho que você tem muita coisa para me contar, Annabeth.

Então ela se acomodou na cadeira e me contou toda a história do Acampamento, digamos assim, começando pelo 'roubo' de um raio. Eu sei lá que raio é esse.

Annabeth finalmente terminou de me contar a história, e me puxou para o café da manhã. Era de manhã? Eu nem percebi. Estavam todos organizados, sentadinhos, bonitinhos tomando seu café, huh, não seria desse jeito no meu colégio. Annabeth murmurou algo como 'você ficará no chalé 11', mas eu não fiz questão de escutar. Estava ocupada admirando o Acampamento. É um lugar muito bonito!

- Venha, vamos comer, Victoria. - Bruna apareceu atrás de mim, e nós nos sentamos junto com os campistas do chalé 11, eu acho. Fizemos um brinde aos deuses e depois todos se levantaram e jogaram parte da comida no fogo.

- Porque estamos fazendo isso, Annabeth? - Perguntei.

- Oferenda aos deuses. Eles gostam do cheiro. - Ela pegou parte de sua comida, despejou no fogo e murmurou algo relacionado à Atena. Agora era a minha vez...

- Bem, eu não sei como fazer isso. Mas seja quem você for, apareça e vire meu amigo, ou fique bem longe. Não gosto de mentiras, e é bem chato depois de 12 anos descobrir que você tem um pai e uma mãe, quando lhe dizem que não. Então apareça e venha conversar comigo, prometo que serei... Simpática. - Derramei parte da comida no fogo.

Logo após eu ter feito isso, o Sol começou a brilhar. A brilhar muito, mesmo. Todos olharam para mim (Eu estava no foguinho legal!), e pro Sol. Quíron, o instrutor do Acampamento, foi falar comigo.

- Então você é a novata, Victoria?

- Aham. Essa é a Bruna. - Olhei pra Bruna, olhei pra Quíron, sorri.

- Nós já conversamos. - Que cara direto. - A questão é: seu pai acabou de lhe reclamar.

- E quem é ele, posso saber?

- Deve. - Ele olhou pra mim e suspirou. - Seu pai é Apolo, deus do Sol.

- Ele que venha conversar comigo. - Murmurei. - Bruna já descobriu quem é o pai dela?

- Ainda não. Espero que ele me reclame logo, né... - Bruna disse, se intrometendo. Adoro quando fazem isso (Ironia manda um oi).

Desliguei-me da conversa (Geralmente faço isso) e comecei a observar o Acampamento. Ainda tinham pessoas tomando seu café, outras estavam reunidas, conversando, jogando arco-e-flecha (Jogando? Nem sei), enfim. Olhei para o lado esquerdo e vi o garoto da espada, cujo nome eu não sei, conversando com a Annabeth. Ele parecia estar bem chateado, mas eu não precisava me importar com ele. Não agora. Meu pai é Apolo, e eu acho que preciso ter uma conversinha com ele. E já. Quíron murmurou algo como 'você precisa pegar suas coisas e sair do Chalé 11', assenti e fiz isso. Quíron me acompanhou até o Chalé 7, meu novo lar.

- Bem vinda ao Chalé 7, Victoria.

Muito lindo, só isso que eu tenho a dizer. O Chalé 7 é como se fosse feito, sei lá, de ouro, e meus olhos doíam por causa do seu... Brilho? Arrumei minhas coisas e saí, Quíron havia me pedido para ser breve, porque era a hora de capturar a bandeira. Nunca joguei isso antes, mas é divertido aprender. Se eu não for um fracasso, como no handebol, futebol e afins. Percebi que tinha algo atrás de mim. Sempre percebo coisas assim. Olhei pra trás.

- Você me pediu para conversar, e eu vim. Vamos, comece a falar! - Ele sorriu. - Gostou da rima?

- Olá, papai. Quanto tempo.