8. A Campista e a Morte

Fez dois dias que não paramos de procurar a suposta entrada para o Labirinto e Annabeth. Percy ainda se sentia magoado, óbvio, mas era a realidade. Annabeth tinha passado para o lado malvado, como eu gostava de chamar, e então nós nunca mais tínhamos tido contato com ela, nem com Luke. Nico arriscava dizer que eles eram um casal, e eu concordo com ele. O problema é Percy. Ele sempre gostou de Annabeth, quer dizer, desde que chegou ao Acampamento, e acho que mesmo ele namorando Rachel, ainda sentia aquela fagulha de paixão dentro dele. Não tínhamos dias certos para voltar ao Acampamento, era tudo muito incerto, e quando estávamos chegando numa avenida que eu não sabia qual era, percebi que era 31 de dezembro. Ano novo. Eu iria passar longe da minha 'família', por assim dizer, mas estava bem junto com os outros. O Acampamento agora era minha verdadeira família, e eu estava feliz de estar lá com eles. Bruna olhou uma lojinha que vendia café e guloseimas, e então falou a frase que todos nós estávamos esperando.

- Que tal entrarmos e fazermos um lanchinho, huh? Estou meio cansada de andar em círculos por aí. - Ela não esperou ninguém concordar e entrou. Percy murmurou algo como 'também estou com fome' e me deixou sozinha com Nico na porta do café.

Lembro-me de quando éramos crianças, sabe, eu, Nico e Bianca no orfanato. Tudo bem que teve toda aquela história do Cassino Lótus, mas eu os conheci depois disso. Eles foram para um orfanato e então sumiram do meu caminho. Eu era muito próxima de Bianca, e me senti mal quando Nico disse que ela havia morrido.

- Pensando, Victoria? - Ele ganhou minha atenção. - Cuidado com os neurônios, podem queimar.

Sorri para ele.

- Só refletindo algumas coisas, Nico. Você sabe como eu queria que outra pessoa liderasse a missão. Eu não me sinto... Bem, digamos. Acho que eu não tenho preparação o suficiente.

- Muita gente já lhe disse isso, agora é a minha vez, Victoria. Precisa confiar mais em si mesma. Você pode, você consegue, eu sei disso. Vamos entrar, estou morrendo de fome.

Ele deu um beijo na minha testa e senti borboletas no estômago. Borboletas? Estômago? Nico? Não, nunca me senti assim. Recuperei-me do choque, entrei no café e pude ver Bruna e Percy conversando com um cara muito estranho que me lembrou o Mick Jagger.

- Ahn, olá filho, espero não estar interrompendo nada. - O cara estranho finalmente falou. Hades estava na minha frente? Para fazer o quê, eu não sabia.

- Pai? - Nico falou com uma expressão estranha. - O que você está fazendo aqui? Quer dizer, não quero ser indelicado nem nada, mas... Os deuses não podem interferir numa missão.

- E não vamos interferir. Só estou dizendo que terá uma nova campista se unindo a vocês, me pediram para dizer isso, e é só.

- Quem é essa campista? - Perguntei.

- Vocês saberão quando a virem. Boa sorte.

Hades saiu do café e desapareceu, nos deixando com a maldita pergunta entalada em nossas mentes: quem era a nova campista?

- Jessica! Vamos querida, você me disse que vinha! Lembra quando eu disse que era importante para você?

Revirei os olhos. Quando minha mãe queria que eu fizesse alguma coisa, sempre dizia o quanto era importante pra mim e pra ela, era sempre a mesma desculpa. Mas dessa vez eu não queria ir, por mais que eu tivesse prometido e tal. Não queria conhecer o cara que me gerou e depois largou a minha mãe, e eu iria dizer umas boas verdades a esse pamonha desnutrido.

- JESSICA! Você está atrasada querida, vamos! - A propósito, minha mãe se chama Katie. E eu sou Jessica Carnfulls, e eu odeio meu sobrenome, porque lembra cereal. Eu odeio cereal.

- Estou indo! - Peguei minha mochila e entrei no carro com minha mãe, que estava com uma expressão que significava que iríamos conversar naquela viagem sobre coisas sérias. Ah, não.

Estávamos na metade do caminho-para-lugar-nenhum quando minha mãe finalmente resolveu falar.

- Você sabe que está indo conhecer o seu pai, certo Jess? - Assenti com a cabeça. - E você precisa saber desde já que ele é... Bem, especial. Assim como eu.

Minha mãe é uma pessoa extremamente bonita, do tipo bem bonita, superando a Jennifer Lopez. Quando eu tinha três anos, fui para o interior dos Estados Unidos morar com a minha avó, Miranda. Sempre que eu perguntava coisas do tipo 'cadê a minha mãe e o meu pai' e 'porque a minha mãe não vem me visitar?', a minha avó sempre me respondia:

- Ah, querida, isso são assuntos que você irá compreender mais tarde... - E sorria.

E então eu ficava com todas essas coisas na minha mente desde pequena. E claro, tinha dislexia e TDAH. Que maravilha. Minha mãe continuou.

- Eu sinto muito por não ter te criado, por não ter ido te visitar quando era menor, por só ter acompanhado a sua adolescência. Eu sinto muito mesmo! - Ela suspirou. - Mas quanto mais afastada de você eu estivesse, melhor seria, Jessica. Você não iria agüentar viver comigo naquelas condições.

- Quais condições, mãe? Eu já não tenho mais 7 anos. Pode contar tudinho.

Mamãe suspirou e continuou a conversa.

- Quando você era menor, eu passei um bom tempo em depressão. Porque eu tinha feito uma coisa horrível, querida. Eu pertencia a um grupo, e eu traí esse grupo.

Ela criou coragem para continuar. A encorajei, assentindo com a cabeça.

- Você se lembra de quando sua avó dizia todas aquelas coisas sobre deuses gregos para você, quando era menor? Suas histórias favoritas, eu lembro. Tudo aquilo é verdade, Jessica. Você é filha de um deus do Olimpo, e eu sou uma meio-sangue... Uma ex-caçadora de Ártemis.

Muita informação. Caçadora de quem? Deus da onde? Então tudo aquilo era verdade? Assenti com a cabeça para minha mãe, de novo, e ela começou a contar sobre um deus do Olimpo que se apaixonara por uma Caçadora de Ártemis, e então essa Caçadora engravidou, e como Caçadoras não se relacionam com homens, mamãe foi expulsa disso. E então ela entrou em depressão, e quando a minha avó morreu, ela voltou e começou a morar comigo, a tomar conta de mim, a realmente agir como uma mãe.

- Acho que eu já imaginava isso. - Sorri. - Então, quem é meu pai?

- Depois. Quando você chegar ao Acampamento, você saberá, Jessica.

Todos ainda estavam meio confusos com a repentina aparição de Hades no café onde estávamos. E ainda por cima, uma nova campista. De quem raios ele estava falando, hein? Estávamos todos esperando Percy, prontos para partir. Ele estava num orelhão falando com Rachel, matando as saudades. Confesso que sentia falta de Rachel, afinal eu posso considerá-la a minha melhor amiga do Acampamento, e então, bem, era natural eu sentir falta dela.

- Temos que voltar ao Acampamento. - Percy chegou dizendo - Rachel disse que temos que voltar por causa da nova campista que irá chegar, ela irá conosco na missão.

- Então vamos voltar. - Assenti sorrindo, precisava de alguma pista que me ajudasse nessa bendita missão.

- Vocês entenderam algo sobre a tal nova campista? - Bruna disse refletindo - Quer dizer, pra quê tanto mistério sobre ela e o fato dela ser filha de quem, isso vai mudar em que?

- Pode mudar muitas coisas, Bruna. - Nico falou lentamente - O fato de Annabeth ter se juntado a Luke significa que estamos sem uma campista preciosa ao nosso lado.

Percy estremeceu, não gostava de falar sobre Annabeth. Nico deu de ombros e saiu do café, eu o acompanhei. Percy comentou algo sobre Rachel ter conseguido um carro para nós irmos para o Acampamento em segurança, e então o carro chegou. Não era um carro qualquer. Era uma limusine. Que maravilha.

Entrei no carro, só foi o tempo do motorista dar a partida e eu dormi como um anjinho. Não como um anjo, necessariamente, porque aqueles sonhos não paravam de me incomodar. E dessa vez tinha se tornado pior.

"Luke Castellan estava com a pior cara de todas. Ele não gostara de ser abandonado por Thalia, quando ele mais precisava dela. Enxugou as lágrimas e levantou-se. Precisavam voltar ao Labirinto e achar a passagem para o Acampamento.

- Não se sinta assim, Luke, na verdade até eu estou realmente decepcionada com Thalia, quer dizer... - Annabeth começou a falar, mas Luke a interrompeu.

- Você mudou muito. - Ele disse, calmo - Você não entende o quanto Thalia é importante pra mim. Você é minha namorada, Annabeth, mas Thalia é como se fosse uma irmã, e eu realmente preciso dela. Eu queria que fosse como antes. Nós três, realmente unidos... Eu... Não entendo!

- Luke, não se preocupe. Thalia deve estar pensando sobre isso, tenho certeza. E você não deveria chorar por ela. Eu estou aqui, lembra? Sou sua namorada.

- Acho que você está nessa comigo mais por ciúmes do Jackson do que outra coisa, Annabeth.

- Ciúmes? De Percy? Agora, Luke? Por favor! Você sabe quanto tempo... Quanto tempo levou para que eu pudesse esquecê-lo? E agora você vem com essa de ciúmes! Se eu estivesse sentindo ciúmes de Percy, eu já teria dado um jeito naquela ruiva. Entenda que eu... Pensei melhor quando me uni a você, e agora eu quero essa vingança mais do que tudo, Luke!

- E se eu não quiser mais? E se eu estiver cansado de tudo isso, Annabeth? E se eu finalmente tiver pensado sobre o que Thalia me disse, e resolvido ser uma pessoa melhor? Hein? E se eu não quiser mais NADA DISSO, ANNABETH? - Luke agora gritava.

- Então eu só lamento por você, Luke. Agora sou eu que quero essa vingança. Por ciúmes, por arrependimentos, por saudade de tudo como era antes, por saber que eu vou acabar com essa palhaçada de conto-de-fadas dos deuses. Eu te amo Luke, entenda, mas você... Sabe demais.

Annabeth puxou a espada da sua cintura e cravou-a no peito de Luke. Ele olhava para Annabeth sem entender, e ela puxou a espada de volta, melada de sangue. Luke deu um berro de dor, e depois caiu no chão, morto. Annabeth limpou a espada e colocou-a de volta na cintura. Enxugou as lágrimas teimosas que caíam de seu rosto e murmurou.

- Não seja tão fraca, Annabeth. É só o Luke. Você conseguirá tudo o que quiser daqui pra frente. Tudo, Annabeth Chase. Tudo..."

N/A: Que capítulo tenso, haha. Um dos maiores que eu já escrevi, acho :s E eu não queria matar o Luke, sério, eu amo ele, mas foi necessário. A Annabeth ta envolvida nessa história toda da vingança, e ela ficou louca pelo poder, paranoica, e também com ciúmes do Percy. Rewins não matam ninguém, certo? Beijos!