Sem importância
Confusos.
Dois meses, as primeiras semanas.
Sakura estava quase completamente feliz, sentia-se plena, ainda que não tivesse conversado com o Sai, mas o faria assim que ele retornasse de sua missão. Terminou de arrumar-se com rapidez, naquele dia iria ao hospital e não precisaria trabalhar. O único que estava ciente da verdade era Kakashi. Tsunade, Yamato e Sasuke apenas suspeitavam, mas Sakura havia pedido ao professor que não confirmasse nada até que tivesse a oportunidade de conversar com Sai.
-Sai... –Murmurou enquanto seu rosto estava envolto por um ar de preocupação.
Era evidente que seu "relacionamento" com Sai não deveria ser considerado como tal, apenas tinham sexo de ocasião, já que em todos os seus encontros, nunca estiveram preocupados em dialogar. Também era correto afirmar que o ex-anbu a havia consolado, ajudando-a a fantasiar-se com Naruto.
Entretanto, isso foi apenas a princípio, ultimamente desfrutava a intrusão do jato no interior de seu corpo. O rosto da Haruno ruborizou ao recordar do último encontro, embora considerasse o rapaz um idiota nato, reconhecia que, no momento em que a tristeza era tão grande a ponto de preferir perder-se entre névoas do álcool, eram os fortes braços de Sai que conseguiam resgatá-la da escuridão.
Sorriu satisfeita diante da imagem que o espelho lhe devolvia, enxergava-se radiante. Saiu de casa, despedindo-se da mãe, a revelação havia caído sobre Sakura como um balde de água gelada, apenas relembrava revisar os resultados do exame, que confirmavam suas suspeitas, um simples 'obrigada' foi tudo o que dissera antes de deixar o edifício.
Caminhou sem rumo, fingindo assimilar a informação. Estava tão distraída que nem notara o exato momento em que Kakashi chegara e ficou à sua frente, não tinha certeza se havia alguém com ele, as palavras escaparam involuntariamente de seus lábios.
-Estou grávida. –Sussurrou antes que o outro pudesse falar.
Passou uma eternidade encarcerada na própria casa quando soube da notícia, em definitivo, não era nada daquilo que esperava; era impossível, inimaginável, inverossímil, era... incrível. Levou ambas as mãos ao ventre, acariciando-o com ternura.
-Estou... grávida –Disse automaticamente. –Grávida –Repetiu incrédula –Gráv... Oh, meu Deus! –Um sorriso se delineou em seus lábios enquanto seus olhos encheram de lágrimas. –Grávida! Por Deus, eu estou grávida!
Cobriu a boca com uma das mãos e, de seus olhos brotaram um rio cristalino, não sabia se chorava de felicidade, mas a idéia lhe parecia incrível, ela... esperava o primeiro filho de Sai, seria mãe. Naquele dia, chorara como nunca antes em sua vida, mal terminara de assimilar a notícia e já se sentia em um mundo completamente distinto, até que lembrou de Sai, precisava avisá-lo.
Lavou o rosto e saiu em sua busca.
-Saiu em missão junto com o resto da equipe. –Anunciou Kakashi.
-Ah, tudo bem...
-Ele é o pai, certo?
Sakura levantou o rosto, surpreendida pela pergunta que Kakashi acabara de fazer.
-Você me disse quando eu te procurei para informar que teríamos uma missão. –O jounin suspirou cansado.
-Oh... –Abaixou o olhar, depois que o professor tocou no assunto, realmente recordara que havia dito isso a ele.
-Como se sente?
-Bem... eu não sei... quero dizer... bom... eu não esperava e... é incrível! –Deixou escapar uma risadinha. –Eu estou... grávida... do Sai... eu e ele... quero dizer... é absurdo... é...
-Real. –Cortou o homem de cabelos prateados.
A médica-nin o encarou assustada e só conseguiram obter um considerável constrangimento.
-Sakura, o que você realmente sente por Sai?
A garota arregalou os olhos e mordeu o lábio inferior,evitando chorar. Durante todo o tempo, nunca havia parado para se questionar quanto a isso. Que lugar ocupava o moreno em sua vida? Foi apenas um brinquedo e nada mais? O que ela gostaria que ele fosse? Era apenas um passatempo, mas e agora? E quanto à criança?
Com certeza, o filho não tinha culpa em relação à imprudência dos pais, contudo não havia mais nada que pudesse ser feito e um bebê estava a caminho, como poderia enfrentar tudo isso? Como Sai reagiria? Ficaria contente? Ou com raiva? Ele a apoiaria naquele momento difícil ou fingiria que nada havia ocorrido? Até o momento, era apenas um jogo para ambos; à noite, faziam sexo, mas de dia, fingiam que nada acontecera, forçando-se a esquecer. No entanto, agora teriam um filho que os lembraria a cada dia sobre o que fizeram e Sakura não estava preparada para lidar com isso.
-Eu... não sei... eu... não pensei nisso... eu... não... –Os soluços sufocaram suas palavras.
Kakashi a envolveu em um abraço protetor, bem sabia que a situação poderia mudar radicalmente em um segundo.
-O melhor da vida surge quando menos se espera. –A rosada agarrou-se a ele, desafogando todos os medos e angústias, enquanto o ex-sensei deixou que ela libertasse todo o peso que se auto-impusera.
-Sai ficará feliz com a notícia, ainda que seja mais provável que ele não se dê conta desse sentimento. Sendo assim, é melhor que tenha paciência. –Aconselhou quando Sakura havia se acalmado.
-É um bobo... –Sorriu fracamente.
-Não duvido, mas isto é uma experiência nova para ambos, especialmente para ele, esclareçam as coisas e resolvam tudo com calma.
-Nós o faremos, obrigada, Kakashi-sensei.
-Bem, terei que me preparar para ser o padrinho, nos veremos em breve... ah, sim, quase me esqueci, Sai chegará esta noite. –Desapareceu em meio à nuvem de fumaça.
Entretanto, Sai não apareceu naquela noite tampouco regressou para casa nas outras que se seguiram. Quando Sakura perguntava à hokage onde o moreno estava, esta o respondia que ele estava em missão. Do fundo de seu coração, Sakura questionava-se com a paciência por um fio se aquele imbecil pretendia fazer missões até o resto da vida. O bebê estava crescendo e, do jeito que as coisas iam, o moreno só ia saber que seria pai depois que a criança nascesse.
-Estúpido! Assim que eu o encontrar, vou arrebentar-lhe a cara!
-Há! Quem é o pobre que sofrerá a sua ira desta vez, testuda?
Virou-se para encontrar Ino Yamanaka, acompanhada de Sai, que carregava caixas de papelão com pertences da loira.
-Sai... –A rosada o encarou, fixamente.
-Olá, feiosa. –Saudou com um de seus típicos sorrisos.
-Por que você não vai mais à sua casa?
-Eu tenho estado muito ocupado.
-Sim, eu vi com o que você está tão ocupado. –Olhou de relance para a loira, visivelmente irritada.
-Eu? Pessoal, eu não...
-Preciso falar com você, Sai.
-Estou ocupado.
-É importante!
-Pode esperar.
-NÃO PODE ESPERAR!
-Er... Sakura, Sai... Se vocês quiserem, posso ir embora. –A Yamanaka tentou chamar a atenção deles, mas não funcionou. Ambos continuavam a se encarar em absoluto silêncio após o grito da Haruno, que parecia abalada enquanto o moreno, por sua vez, mantinha uma expressão de indiferença. Ino passava sua vista, de um para o outro, sem saber o que fazer.
-Preciso ir. –Anunciou o moreno, dando a volta, não queria ouvir a rosada dizer-lhe que havia sido apenas um brinquedo para ela.
-Maldito seja! Preciso falar com você! Por que não entende? –Gritou a médica-nin, porém o moreno continuou avançando sem olhar para trás.
Sakura sentiu-se frustrada diante da negativa do moreno, exasperada por essa maldita atitude de indiferença com a qual ele a tratava e chateada por tê-lo encontrado tão amável com Ino.
-Estou grávida de você, Sai. –Finalmente soltara a frase, apertando os punhos com firmeza.
O eco de vários cristais rompendo-se ao atingir o solo ecoaram pela rua, como se fossem o único sinal de realidade daquele lugar. Os braços do rapaz perderam as forças, deixando cair os pertences da Yamanaka, mas Ino também pouca importância deu ao feito diante de surpreendente revelação, a boca aberta após ouvir inesperadas palavras era um evidente sinal disso.
Por sua vez, Sai sentiu como se uma adaga tivesse transpassado seu tórax, impedindo-o de respirar; a falta de ar começou a fazê-lo ter tonturas, tudo ao seu redor parecia girar. A árvore à frente de seus olhos parecia uma espécie de monstro feroz que começaria a mover-se, destruindo com seus galhos as casas mais próximas; aproximando-se dele a cada segundo. Com dificuldade, Sai pôde esquivar-se apenas para reparar que havia outro monstro atrás de si, muito maior e imponente.
O corpo do moreno estava bastante pesado e em seu coração fluíam infinitas sensações que lhe eram desconhecidas, porém entre todas, estava algo que era terrivelmente familiar: medo. Medo de não saber o que estava acontecendo, medo de não saber o que as palavras de Sakura significavam, medo de ter que encará-la, mesmo sabendo o que significava para ela e um terrível pânico por não entender por qual razão as malditas árvores estavam contra ele.
Ao tentar se esquivar de um novo obstáculo, o peso de seu corpo foi mais forte, provocando um choque certeiro contra o tronco, não foi capaz sequer de fazer algo para evitar a queda. Do solo, era limitado a ver apenas a terra abaixo de sua face, as centenas de formigas em movimento descontrolado devido à sua presença, sentiu-se tão pequeno e insignificante que a única coisa que podia fazer era abraçar a si mesmo, encolhendo-se o máximo que podia. E ficou ali, imóvel, desejando que o bosque ao seu redor tivesse as respostas que precisava; sem perceber, lágrimas escorriam de seus olhos.
Lágrimas que uma mulher de cabelos róseos também derramava por sua aparente covardia. Sakura deixou-se cair de joelhos com um nó na garganta, bem sabia que Sai era uma pessoa difícil, mas nunca pensou que ele ruiria daquela forma. Por que ele simplesmente foi embora? Por que não voltou para vê-la? Por que justo quando mais necessitava... ele a deixava sozinha?
Frágeis braços a rodearam e Sakura simplesmente se deixou consolar no ombro da Yamanaka, mas a verdade é que ela não queria a companhia de Ino naquele momento, queria a de Sai. Ela desejava do fundo do coração que fosse o moreno que a tivesse nos braços, fazendo-a sentir-se protegida, queria que Sai estivesse com ela para que seu coração parasse de doer, em especial, porque agora tinha dois motivos para que ele ficasse com ela.
Continua...?
O que acharam do segundo capítulo?^^ Eu devo dizer que esperava aquela reação do Sai, ainda mais da maneira como Sakura falou a verdade para ele, Sai não entende direito de sentimentos e acho que ele não estava preparado... Outra parte que eu gostei bastante foi a amizade da Ino pela Sakura, geralmente se vê a Ino como a vilãzinha chata que atrapalha o casal de protagonistas (no caso, Sai e Sakura, mas também já vi acontecer em fics SasuSaku), eu pensava comigo mesma 'puxa, eu gosto da Ino, por que tratam a amizade das duas como se não significasse nada?' Eis que a Derama17 me presenteou, explorando a personalidade da Ino de modo diferente e eu ergui minhas mãos para o céu, muito agradecida. XDgradecimentos:
Na verdade, o segundo capítulo está pronto desde o dia 23 de maio se não me engano, porém mais ou menos na mesma época minha saúde ficou uma lástima e eu precisei interromper minhas fics, depois disso, perdi contato com a Derama17, autora da fic, e só agora estou conseguindo retomar. Se nós incentivarmos a autora, quem sabe não vem ainda um terceiro capítulo? =3
Agradecimentos:
Double Side, Nyx, Valki Fanto
