Sem Importância
Primeira resposta
A noite era fresca e o ar se respirava limpo, cheio de uma estranha energia que despertava os sentidos, pelo menos era isso o que sentia Sai. Há pouco se despedira de Naruto, não fizeram nada de proveitoso ao seu parecer, apenas comeram no Ichiraku e passearam pelas ruas de Konoha; tentava entender o comportamento do loiro ante a idéia de ser pai, algo nada simples.
Sentia-se pressionado por tantas coisas que aconteciam ao seu redor e que, para sua desgraça, não podia compreender. A sombra da montanha delineava-se tenebrosa abaixo dos ocultos raios lunares, pois impertinentes nuvens cobriam o astro por completo, ainda que fosse incapazes de ocultar seu esplendor de forma total.
Aos olhos do ex-membro do ANBU raiz, o espetáculo era... majestoso, pois acima das nuvens, a lua espreitava firmemente, iluminando com sua beleza o escuro céu, assustando com sua luz trêmula o véu que cobria tão majestoso mundo noturno. Por mais que o mesmo Danzou o ordenasse, não poderia obedecê-lo, estava fascinado por tão sublime beleza.
Levou uma mão ao peito sentindo o acelerado bater de seu coração, aquela luz distante parecia não só iluminar a noite, mas também sua alma, eram como suaves asas acariciando seu rosto para remover a venda que o havia cegado por tanto tempo. A suave brisa aparentava ser uma delicada carícia que rompia as correntes que o moreno arrastava sem saber; não entendia como um simples fenômeno o revelava o pesado mundo ao qual foi confinado. E por um momento, lembrou-se de Sakura, pois a rosada havia feito com seu coração o mesmo que a lua faz com a paisagem.
Por vários minutos contemplou aquele quadro sem saber o que fazer, quando a lua se mostrou no alto, decidiu usar seu caderno de desenho, sentando-se no telhado onde estava. Fixou a vista na folha branca, porém sua mão negava-se a mover-se; confuso, apertou o giz com força, levantou os olhos, observando ao redor como se procurasse algo. Seu coração começou a bater rapidamente ao dar-se conta da sua solidão. O ar não chegava a seus pulmões, afogava-se, não queria se afogar. Não em meio a essa solidão.
Não sabia o que fazer, não sabia explicar o que acontecia, nem mesmo Sakura podia fazê-lo. Apenas estava ciente de algo, essa solidão na qual estava se afogando e recusava-se a aceitar isso. Não queria afogar-se em meio a solidão. Saltou do telhado e começou a correr sem rumo, como se ao afastar-se daquele lugar também deixaria para trás aquilo que o perturbava. Avançava tão rápido quanto as pernas lhe permitiam, tão desejoso de fuga que, em sua desesperada corrida, chocou-se com alguém, caindo confuso no solo.
-Ouch! Ei, tem mais cuidado! –Reclamou chateado um homem de cabelos castanhos.
Sai levantou o rosto, respirando agitadamente para encontrar-se com Iruka. Conhecia-o devido às constantes visitas ao Ichiraku, o mestre da academia reconheceu o último integrante da equipe Kakashi, surpreso por encontrá-lo com o rosto desfigurado por... dor? Medo? Ou confusão? Talvez todos juntos. Algo mexeu dentro dele quando percebeu que lágrimas silenciosas rolaram das bochechas do menor.
-Você está bem? –Questionou com fio de voz.
Sai observou cuidadosamente sem saber o que dizer, sua garganta doía sem motivo compreensível e um maldito nó que o impedia de emitir som algum.
-E...eu... –Passou saliva ao notar o tremor em sua voz. –N...não sei... –Encolheu-se de ombros encarando o solo totalmente derrotado, não entendeu de repente porque sentiu estar em um beco sem saída. Dúvidas se aglomeravam em sua mente e uma dor aguda se fazia presente em seu peito, mas não estava ferido, não podia ver sangue, no entanto estava certo de que tinha uma ferida que doía muito, uma ferida que doía, e muito mais do que recordava que qualquer ferida que já tivera pudesse doer.
Iruka olhou-o ternamente, lembrando do que Naruto havia dito; sabia que além de sozinho, o ex-membro da raiz sentia-se vazio, necessitando poder entender seu desespero ante as coisas que descobria. Lentamente o abraço de forma protetora, procurando dar-lhe um pouco de calor paternal, algo que Sai jamais havia sentido. Por sua vez, o moreno surpreendeu-se ante o gesto, porém nada fez mais que esconder-se entre os braços do homem de cabelo castanho, deixando que seus olhos liberassem toda aquela confusão que o atormentava, chorou até dormir, sentindo-se estranhamente seguro naqueles braços.
O suave aroma de comida recém-preparada foi a primeira sensação que recebeu do meio exterior ao acordar. Piscou várias vezes para comprovar que realmente não estava em sua casa. Levantou-se bastante atordoado, estava vestindo uma camisa cor de creme e calça cinza, aproximou-se da janela e através dela, viu Iruka brincando com um menino de cabelo castanho, de aproximadamente sete anos; o maior perseguia o menor e quando o alcançou, girava com ele em seus braços, nenhum dos dois deixava de rir e logo apareceu outra criança semelhante ao chunin, porém mais jovem, acompanhado de uma menina de apenas três anos.
-Fico feliz em saber que já acordou.
Sai virou-se surpreso para encontrar o dono do Ichiraku sorrindo abertamente, a quem pôde apenas assentir.
-Bem, o almoço está na mesa, esperamos por você, rapaz. –Disse despedindo-se ao sair, mas voltou em seguida como se recordasse de algo. –Espero que não se incomode em usar essas roupas, mas a minha filha estava determinada em lavar a sua, pois estava muito suja. –Sorriu, desculpando-se.
-N... Não tem problema.
-Isso me alegra, agora, siga-me.
O moreno o seguiu em silêncio. No caminho, vozes das crianças que entram nos aposentos da casa chegaram a seus ouvidos.
-Bom dia. –Saudou Ayame acompanhada pelas crianças e Iruka, que ajudava a filha menor a lavar as mãos.
-Bom dia. –Sai respondeu sorrindo.
Em questão de minutos, a cozinha estava cheia de deliciosos aromas e risos, o rapaz de pele branca levemente acinzentada limitou-se a observar em silêncio; o ambiente lhe parecia estranho, porém não o desagradava. Sentia-se em um mundo completamente diferente ao que via todos os dias, demasiado aconchegante e caloroso para seu interior, ou isso foi o único que pôde explicar a si mesmo. Logo, todos saíram da mesa e se dispersaram pela casa. O dono do Ichiraku na cozinha preparando ingredientes, Ayame limpando a casa ajudada por Iruka e o filho mais velho e enquanto os outros dois tentavam ajudar recolhendo alguma coisa que estivesse fora do lugar. Sai o acompanhou durante o dia todo e surpreendeu-se que um ninja como Umino estivesse tão disposto a realizar tantas tarefas domésticas, tais como cuidar dos filhos, fazer compras, cozinhar, trazer comida do restaurante para que todos comessem juntos e isso sem perder o sorriso.
Durante a tarde, Umino e Sai sentaram frente a uma xícara de chá para observarem as crianças brincarem, Iruka fixou o olhar em Sai com tal intensidade que o rapaz olhou para o outro lado, sem acrescentar nada ao que o suspirou o Umino, aparentemente conversar com Sai seria mais difícil do que parecia.
-Fico feliz em saber que já está melhor.
-...Sim, obrigado, Iruka-san.
-Não precisa agradecer. –Sorriu. –Eu te vi muito alterado, por isso achei melhor te trazer para cá. –Coçou o rosto, um pouco embraçado. –Desculpe o escândalo das crianças, mas os pequenos realmente são assim. –Suas bochechas coraram como carmim.
Esta foi a vez de Sai fitá-lo com intensidade.
-Por que seus filhos nasceram?
-Ahn? –Iruka piscou várias vezes sem entender. –A que se refere?
-Bem... –Sai procurou uma forma de expressar-se com clareza. –Sei que as crianças são para perdurar a raça shinobi, e... só. –O rosto do moreno escureceu enquanto franziu a testa um tanto chateado.
-Isso é mentira. –O Umino afirmou com determinação, Sai o encarou confuso.
-E o que são?
-Bem... –O chunin sorriu bastante. –São a consumação do amor de duas pessoas, é simples assim. –Sorriu abertamente.
O ex-anbu observou confuso, analisando o que foi dito. Bom, sem dúvida Naruto amava Hinata, mas e quanto a Sasuke? Sai questionou-se se o Uchiha amara alguém além de seu próprio clã e, em relação a Sakura, Sai não estava certo se a amava porque era mais do que óbvio que a Haruno não sentia nada por ele. Fechou o cenho atordoado, não sabia por que repetir aquela verdade o fazia sentir como se estivesse ferido.
-Não é sempre assim... –Sai deixou escapar a frase distraidamente.
Iruka observou-o, franzindo a fronte e analisando suas palavras cuidadosamente.
-Isso não muda nada, se não há amor entre os pais não é culpa do filho, ao contrário, esse é um motivo para amá-lo ainda mais. –Encarou o rapaz, sorrindo ternamente.
-Oh... –Sai abriu os olhos em sinal de surpresa. –E como supor que um pai ama um filho? –Demonstrou curiosidade.
-Pois bem... –Iruka cruzou os braços, reflexivo. –Amar é querer protegê-lo e cuidá-lo, deixar que nada lhe falte, preocupar-se para que ele seja uma boa pessoa, vigiar o que faz e quem são seus amigos, falar com ele sobre seus problemas e... muitas outras coisas que não poderia te explicar em tão pouco tempo.
-Entendo... –Sai disse com suavidade, encarando a mesa. -...Mas, eu faço tudo isso pelo Naruto e sei que não o amo. –Ergueu o olhar.
Uma gotinha de suor escorreu pela nuca de Iruka.
-Bem, Sai, é porque não é a mesma coisa.
-Por quê?
-P...porque Naruto é seu amigo e... porque... porque, bom... porque é diferente e... porque... –Observou fixamente e suspirou resignado. –Porque saberá quando tiver um filho nos braços e não se arrependerá de nada que aconteceu em sua vida pelo simples fato de tê-lo feito. –Sorriu, como havia feito durante o dia todo.
Porém, o moreno o encarou por alguns minutos antes de desviar o olhar com certa melancolia, fato que Iruka percebeu, entendendo de imediato a necessidade que o rapaz tinha de ter a quem pertencer.
-Sai. –Chamou para encará-lo de novo. –Não importa como você cresceu ou o pouco que sabe sobre emoções, quando você tiver a oportunidade de carregar seu filho saberá que você deve protegê-lo a qualquer custo, e esse sentimento é chamado amor; te dará medo, mas isso é natural e não se preocupe porque sei que te fará muito bem, ainda que, isso acontecerá quando desejar formar uma família ou engravide alguém por acidente. –Coçou a bochecha inocentemente, pensando que a última parte era uma ideia descabida.
O moreno não acrescentou mais nada, mas permaneceu na casa de Iruka por mais uma noite, isso o fez sentir-se confortável lá, entendeu por que Naruto admirava tanto o sensei da academia.
No dia seguinte, sem saber como ou por que, encontrou-se batendo à porta de Sakura.
-Pois não? –Atendeu um homem de cabelo rosa, analisando de cima abaixo o moreno.
-Eu gostaria de falar com a Sakura, por favor. –Disse, sorrindo falsamente.
-Ei, querida, tem alguém aqui que quer falar com a nossa filhinha. –De imediato, atrás dele surgiu uma linda mulher de cabelos negros.
Por motivo desconhecido, os sentidos de Sai anunciaram perigo, muito perigo, algo estranho, pois estava apenas rodeado de civis.
-Ela não está, saiu para o hospital. –Anunciou a mulher, estreitando o olhar. –Por que queria falar com ela?
-Para falar do filho que teremos. –Disse despreocupado antes de seus sentidos de alarme dispararem, ordenando-o para correr por sua vida. A pergunta era... Qual seria o motivo?
Continua...
N/T: A autora decidiu continuar, espero que tenham apreciado este novo capítulo tanto quanto eu ^^ Na verdade, ele já está pronto há algumas semanas, mas não postei antes por problemas de saúde (como já devem ter notado, não apenas esta, mas todas as minhas fics estão atrasadas i.i). Derama17, a autora da fic original, com toda sua compaixão e compreensão, disse que eu deveria pensar em minha saúde em primeiro lugar, mesmo não sendo minha culpa, eu me sinto mal por não conseguir honrar meus compromissos Ç.Ç Voltando a fic: uma coisa que eu acho muito bonita é a presença de alguém que fornece apoio e orientação em um momento difícil, antes o Kakashi ajudou a Sakura e agora, Iruka aconselhou o Sai, acreditem: isso faz toda diferença. Uma coisa é estar completamente perdido e desorientado e outra é ter um foco ou alguém qe ajude a guiar seus passos. Se não fosse assim, acho que o Sai passaria o resto da vida achando que Sakura não sente nada por ele e sem ter coragem de encará-la e vice-versa. É por essas e outras que eu não me canso de dizer que adoro esta fic =3
Ah, sim, quase esqueço XD A autora disse que, a partir de agora o clima será menos melancólico e teremos um pouco de comédia, por exemplo... Foi apenas eu ou mais alguém rachou de rir quando soube que o pai da Sakura tem cabelo rosa? Eu só imaginei o Sai questionando-se com cara de desespero "será que meu filho vai nascer com cabelo rosa também?" XD~
Eu traduzi para o espanhol e enviei para Derama17 todas as reviews que já recebi e ela fez questão de responder a todas e, aqui estão as respostas *-*
Reviews do primeiro capítulo
Double Side: É verdade que Unknow-chan é genial porque tem tantas coisas na cabeça e se dá ao trabalho de traduzir uma fic, tem que deixar para ela muitas reviews e espero ansiosa para ler a fic 'Essência' em espanhol. (N/T: É que eu traduzi 'Essência', uma fic minha SaiSaku, para o espanhol para Derama17 ler. Ela gostou o/)
Nyx: Fico feliz que tenha gostado do primeiro capítulo, ainda não sei quantos capítulos serão ao total, mas Unknow-chan está ajudando a iluminar-me, hehehe. Aguarde o próximo capítulo.
Valki Fanto: Então, o nome do autor é Derama17, hehehe, olá, sou eu. Agradeço por seu comentário, me faz muito feliz por ter gostado da história e também tem que agradecer a Unknow-chan por traduzi-la.
Reviews do segundo capítulo
Valki Fanto: Hahaha, sim, a mexicana continua, a passos lentos, mas continua e agora a mexicana se une a brasileira em busca de inspiração para dar um bom término a esta fic, agradeço por sua review e aguarde futuros capítulos.
Sra Jansen: Hahaha, obrigada, que bom que está gostando da fic, me custou bastante trabalho e tempo, o segundo capítulo me pareceu um pouco deslocado, mas não vou falar, obrigada pelo comentário, aguarde próximo capítulo.
Camila Limaverde: Hahaha, ao fim do terceiro capítulo, espero que não possa se decepcionar.
Clara: Hehehe, também considero que essa amizade bastante estranha é genial, em especial por parte da Ino, pois apesar de tudo segue cuidando da Sakura, Sakura ao princípio me caiu muito mal porque deixou de ser amiga de Ino somente por Sasuke e isso me parece falta de maturidade. Espero que o novo capítulo seja de seu agrado.
Double Side: Hehehe, para comunicar-me, creio que será necessária ajuda de Unknow-chan, hehehe. Agradeço por seu comentário e sim, Ino é uma grande amiga, me atrevo a dizer que é muito melhor amiga que Sakura, he. De novo, obrigada e espere o próximo capítulo.
Himitsu no Tsuki: He, desculpe a demora, prometo que não voltará a acontecer. Sim, a tradução de Unknow-chan é fabulosa. Obrigada por seu comentário e aguarde o próximo capítulo.
Nyx: Obrigada, me alegra muito saber que está gostando da fic e deseje melhoras a Unknow-chan, que é ela que quebra o coco traduzindo esta fic. Obrigada por sua review e espere o próximo capítulo.
N/A: Nossa, não pensei que seriam tantas reviews, obrigada a todas e espero não causar muitos problemas a Unknow-chan.
