Respirou fundo.
Precisava de pôr as ideias em ordem.
Tinha um cargo importante no ministério.
Afinal, chefe do gabinete de relações com entidades mágicas... era algo importante.
Ia tentar.
Tinha de tentar.
Nem que se fosse arrepender eternamente, mas achava que ficava pior se não tentasse.
Tinha-se vestido como se fosse para o trabalho: camisa, saia, blaser escuro e salto alto.
Depois de ter perguntado a meio mundo onde o encontrar, foi Tom, do caldeirão Escoante, que a informou do seu paradeiro.
"O jovem Malfoy vive duas ruas abaixo do lado Diagon-Al, e claro..." disse no seu tom de voz untuoso "ele fez algo de mal Miss Granger?"
Não.
Ele não tinha feito nada de mal.
Nada mesmo.
Ela e que ia fazer asneira.
De certeza.
Entrou na Diagon-al.
Tinha sempre aquela sensação boa de quando lá ia.
Aquela sensação de que ia comprar livros para a escola.
Mandar fazer novos mantos na Madam Malkin…
Comer um gelado no Florean Fortescue e esperar por Harry e Ron, que deveriam estar parados à frente da montra da loja de Equipamentos de Quidditch de Qualidade...
O sorriso esmoreceu um pouco.
Ron.
Esquece!
Desceu a rua que tão bem conhecia.
Entrou no prédio decrépito onde Malfoy vivia. Incrível como nunca tinha notado aquele prédio...
Uma bruxa sinistra estava sentada a entrada.
"O senhor Malfoy está em casa?" perguntou ela.
A bruxa fez má cara.
"Acha que eu sei?? Não tenho bola de cristal! Suba e veja! 3º esquerdo!" respondeu azeda.
Hermione encolheu os ombros.
Subiu as escadas.
Hesitou.
Esperou.
Olhou o relógio.
Aquilo era loucura.
O que lhe ia dizer?
Como ia iniciar a conversa?
Ainda pensava em como o abordar, quando a porta que estava diante de si se abriu, ruidosa.
Mesmo no momento em que ela se decidira ir embora...!
Aquele olhar cinzento perfurou-a.
Ela engoliu em seco, fez um sorriso forcado.
"Olá"
Ele nem se deu ao trabalho de responder. Apenas a fitou.
Estava com ar de quem ia sair.
"Venho em má altura?" disse ela numa voz trémula.
Ele levantou um canto da boca em jeito de sorriso.
"Má altura? Estás a gozar comigo, certo?"
"Não... olha, eu queria falar contigo...e..."
"Não vejo o que tenhas para falar comigo..."
"Eu.. eu... queria fazer-te uma proposta..."
Ele levantou a sobrancelha com um ar inquisidor.
"Proposta? Espero que seja bem indecente..."
Ela corou.
Quê?? Indecente?
Realmente aquela era mesmo uma má ideia!
Onde estava com a cabeça?
"Vais ficar a olhar para mim?" disse Malfoy sarcástico."Não tenho o dia todo..."
"Bem... eu trabalho no ministério..."
"Okkkk..." murmurou sarcástico."Eeee?"
"E estive a falar com o Harry... eu sou chefe da... ele disse-me que... então tive a pensar que...talvez se... "
"Ok, Granger... o que raio queres?!"
Ela não conseguia encontrar as palavras.
Estava uma pilha de nervos e quanto mais via o ar de desprezo dele, mais atrapalhada ficava.
"Ok" respirou fundo "Estou a oferecer-te trabalho..."
O queixo dele quase caiu.
Abriu a boca várias vezes.
Mas não saiu som.
Recompôs-se logo.
Os olhos cinzentos estreitaram-se.
Ficou com um ar furioso.
"Dá meia volta e vai para puta que te pariu." sussurrou.
"Mas... o Harry disse-me que estavas desempregado... e que..."
Ele agarrou-lhe no braço. Aproximou o rosto do dela.
"Estou-me a foder para o que o Santo Potter tenha dito, sangue de lama... sai-me da frente antes que eu me passe..."
"Orgulhoso de merda." disse ela "Tu precisas Malfoy...!"
"Não preciso de ajuda nenhuma, muito menos vindas de ti e do Gajo-Que-Sobreviveu-Duas-Vezes..."
"Mas..."
"Mas nada! Metam o nariz na vossa vidinha!... Deixem-me em paz!"
"Odeio-te Malfoy..."
"Sentimento mútuo, Granger..."
"Podias fazer um favor a ti mesmo e não ser tão burro?!... Será que não vês?"
"O quê? O que e que a sangue-de-lama-sabe-tudo vê que eu não vejo?"
"Tens a mania que és auto-suficiente e só te destróis!... Eu vi como estavas bêbado naquela noite!!"
Ele aproximou-se dela com um ar ameaçador.
Foi quando ela notou da proximidade dele.
Estava praticamente encostada à parede.
Ela prendeu a respiração.
Desceu involuntariamente o olhar para os lábios dele.
Sentiu a respiração alterar-se.
O coração acelerar.
Céus!
Ele era realmente bonito.
Como nunca tinha reparado?
Aquele olhar frio, cinzento.
Cor rara para olhos.
Pele muito pálida.
Cabelo louro claro, muito mais comprido do que ele usava em Hogwarts, caindo-lhe na face.
Quase tapava os olhos.

Ele notou uma alteração nela.
Viu para onde o olhar dela se perdeu.
E quando a viu humedecer os lábios, lentamente, não acreditou.
Viu-a baixar os olhos, ficando com um ar envergonhado.
"Eu... eu... vou-me embora..."
"Acho bem... que merda de ideia a tua Hermione..."
Ouviu-o dizer nas suas costas.
Parou.
Ele chamara-a pelo primeiro nome.
Continuou a andar, e na rua Desapareceu para sua casa.
Ok.
Tinha tentado. Sem sucesso.
Também, era um cargo pouco importante, mas era um emprego!
Bah! Ele nem a ouvira…
Simplesmente a repudiara...
Maldito.
Maldito!
E pensar que se ia perdendo naqueles olhos cinzentos!

Cozinha dos Potter.
"Ok, está confirmado, Hermy... és louca... oferecer emprego ao Malfoy?" exclamou Ginny estupefacta."Uma coisa é estender-lhe a mão para o gajo não morrer de hipotermia na neve... outra é fazer de boa samaritana..." pousou a loiça na mesa com a varinha.
Hermione suspirou, desalentada.
Olhou de lado para Harry que abanava afirmativamente a cabeça.
"Sim... a Ginny tem razão... foi doido... ele podia ter reagido pior..." afirmou Harry sentando-se no seu lugar à mesa.
Ela suspirou.
Ele podia ter reagido pior...
"Sim, agora visto de longe, foi uma péssima ideia... mas sei lá... já passaram tantos anos... que pensei que..." murmurou ela tentando-se defender.
Ok… Está bem.
Distância de Malfoy era necessária...
Humpf...
"Deixa isso... anda jantar... a doidice já foi feita, por isso..." disse Ginny sorrindo.
Mas Harry aclarou a garganta.
Quando ele fazia isso era porque lá vinha Ron a conversa.
"Ah, Hermione... recebi notícias do Ron..."
Oh, a sério?!
"Sim? Ele está bem?" disse indiferente aceitando sumo de abóbora.
"Ele volta amanhã... vai para a Toca..."
Não.
Oh não...
Que BOA notícia...
"Porquê?"
"Ele não ia ficar na Roménia o resto da vida, Hermy..."
"Eu sei... mas como ele tinha dito que..."
"Ainda não te sentes preparada para o ver?" murmurou Harry preocupado. Custava-lhe ver os melhores amigos naquela situação.
"Não sei... acho que não..."

Passou-se uma semana desde a conversa na casa dos amigos.
Com Ron em Londres, Hermione dedicou-se a fazer trabalho-casa, casa-trabalho.
Declinou vários convites dos amigos para lá jantar.
Numa manhã em que chegou ao ministério, teve a surpresa da sua vida.
Malfoy.
À porta do seu gabinete.
Estava vestido de negro, o que contrastava com tom da sua pele.
Ela parou ao lado dele.
Suspirou.
Ele abriu a boca para falar.
Ela interrompeu-o.
"Vou mostrar-te o teu gabinete... e dizer as tuas funções... vais ser meu auxiliar..." disse.
Ele ficou num silêncio incómodo, fitando-a com aqueles misteriosos olhos cinzentos.
Mas no fundo, agradeceu silenciosamente a atitude dela.
Ela sabia o quanto lhe deveria ter custado ir ate ali.
Não eram necessárias mais palavras.
Ela precisava de alguém.
Ele precisava do dinheiro.
Ponto final.


3º capitulo...^^
espero que estejam a gostar:)

quero agradecer a minha "betinha" 2Dobbys:) pela revisao.

se gostarem... deixem um commentzito...:)
se n gostarem... tbm...
sugestoes?? digam...:)

bj

T.K.