Lucius Malfoy era demasiado vaidoso.
Demasiado confiante.
Tivera a sorte de nascer puro-sangue, no seio de uma família rica… logo, gostava de estar rodeado de pessoas importantes e influentes. Amava o poder, e daí escolher amigos poderosos.
Lord Voldemort iria dar-lhe esse estatuto: só tinha de lhe ser o mais fiel.
Falhou.
Falhou em quase tudo na sua vida.
Tudo… talvez, exceptuando Narcissa... Narcissa era bela.
A mais bela em que tinha pousado os olhos.
Pele branca, nariz arrebitado, maçãs do rosto perfeitas e olhos cinzentos.
Maravilhosos olhos cinzentos... arrependera-se de todas as vezes que a traíra em noites de loucura e bebedeira.
Ela era mulher perfeita para si, uma Black!... Matreira, vingativa, sarcástica... uma amante divina... e a mãe do seu filho...
Seu único filho.
Aquele que o olhou nos olhos com todo o ódio do mundo.
Aquele que foi a Azkaban uma única vez para o olhar nos olhos e o informar que Narcissa se matara... A sua bela Narcissa...
Não entendeu.
Bloqueou.
O que pretendia Draco? Acabar com tudo o resto?
Tinha sido ridiculizado pelo Mestre das Trevas, traído por Snape e o seu próprio filho, que o odiava, tinha tido coragem de ir a Azkaban com ar de acusação dizer-lhe que o seu amor acabara com a vida pendurada no lustre da Malfoy Manor?
Como se a estadia em Azkaban pudesse ser fácil!
Fácil?
Ok.
Não era a mesma coisa de alguns anos atrás... só haviam três dementors na ilha, as celas eram realmente mais confortáveis e a comida mais agradável, tudo graças ao Auror Chefe.
Mas olhar naqueles olhos cinzentos iguais aos de Narcissa, cheios de ódio e desprezo, ver no rosto dele o desapontamento... aquele rosto com tantas feições de Narcissa.
Toda a gente dizia que Draco era uma miniatura de si mas, com a idade, desenvolvera feições mais suaves, o nariz arrebitado... e era sarcástico... oh, o sarcasmo! Ninguém o sabia usar tão bem como Narcissa! Já Lucius nunca fora tão hábil com as palavras...
Saber que o amor da sua vida se matara de forma tão cruel fê-lo perder o apetite… ficou doente e perdeu o resto da esperança que tinha dentro de si...
Mas tudo mudou.
Tudo… na noite em que aquele auror entroncado bateu nas grades de forma rude.
- Eh! Tu, escumalha!... Tenho uma notícia para ti... – fitou o auror desconfiado, mas que raios sabia conhecer uma maldição Imperius de longe. Sorriu, satisfeito. Tudo se iria resolver... Tudo iria mudar, e o filho que pensara que perdera... voltara... e em grande!
Afinal, um Malfoy era sempre um Malfoy...
O ar frio parecia uma bênção.
A brisa suave era algo que não queria esquecer tão cedo.
Afinal, não tinha passado assim tanto tempo em Azkaban como tinha pensado.
Agora que estava livre, tinha de pensar num plano.
Primeiro para se esconder, e depois para se elevar ao mais alto nível da magia negra e recomeçar o que o seu mestre falhado tinha começado. Mas sem os erros dele.
Não deveria ser assim tão difícil.
E tinha o seu filho do seu lado.
Não iria ser difícil.
**
- Nem penses! – exclamou Kingsley na sua voz forte e grave. – Sempre tive uma excelente relação contigo Harry, mas tu sabes que as vezes és demasiado impulsivo... não pensas... e o que me estas a pedir não é lá muito razoável...
- Mas preciso que confies na minha intuição... – murmurou Harry. O ministro parecia pensativo, e de vez em quando fitava Harry de lado.
Harry sabia que tinha sido um pedido estranho. Mas a quem iria recorrer?
Tinha de tentar, por muito bizarro que fosse.
Só viu o ministro abanar negativamente a cabeça.
Ok, não o iria demover, tinha de tentar de outra maneira. Deu meia volta para sair do gabinete.
- Harry, tu sabes que o Draco pode estar a mentir, e ter-se aproveitado do teu bom senso para te meter em apuros...
- Eu sei... mas...
- Tu sabes... julgar mal as pessoas é algo que acontece a qualquer um... mas cair na asneira de confiar em alguém que conheces desde sempre e que sabes que não vale nada... é arriscado...
- Sim? – disse, virando-se e fitando Kingsley – E o que lhe contei do Ron?
O ministro abanou a cabeça.
- É muito improvável que ele tenha mudado tanto Harry... ele é o teu amigo de infância... não tem cabimento...
- Ele mudou... definitivamente...
- Claro, pelo que me contaste ele sente que o Draco lhe roubou a namorada! E Harry, só houve uma pessoa que fugiu de Azkaban na História da Magia... tu sabes bem quem e como... e Lucius não é nem metade do feiticeiro que Sirius era...
- Eu sei... – murmurou Harry triste.
Ainda hoje lhe custava falar de Sirius e sabia que fora por sua imprudência que ele morrera, que fora atraído para uma armadilha... Não valia a pena.
Kingsley logo veria no fim quem é que teria razão.
**
- Claro... era óbvio. - disse Draco com um meio sorriso triste – Não podia ser diferente... quer dizer... o Kingsley..
- Olha, tem-se é que se resolver a situação de maneira diferente... fazer o quê? – disse um Harry abatido.
- Sim... ok... mas o Lucius não se vai deixar enganar... se eu não estiver naquele cais, assim que ele meter os pés em terra desaparece e vocês nunca mais o vão poder apanhar...
- Sim, eu sei...
- E que ideias brilhantes saltam dessa cicatriz? – disse escarninho.
- E ela? – disse a voz hesitante de Harry Potter, mudando de assunto.
- Ela?... O quê?...
- Draco... vou contar -lhe que acordaste...
Ele hesitou, e olhou para Potter com ar duro.
- Não. - a voz não tremeu.
- Não? - admirou-se o moreno - Porquê?
- A decisão é minha, Potter...
- Se é para a evitar, devias deixar ela decidir isso... - disse Harry indeciso, concordava com ele, Hermione era demasiado boa para ele. Mas ela é que sabia. Draco sorriu, triste, adivinhando o pensamento de Harry.
- Eu sei, eu sei... mas ela merece melhor... muito melhor...
- Então não lhe conto...
- Não... – concordou.
- Mas ela era capaz de querer ajudar...
-Acreditas em mim?
- Ainda não sei... há muitas coisas pendentes, Malfoy... - e hesitou. Era agora ou nunca - Preciso de uma memória tua...
Draco tentou sentar-se na cama do hospital. Harry estava junto da janela, e o luar batia-lhe no rosto. Fitou Draco.
- Memória? Que memória...?
- É algo que me tem dado a volta à cabeça... o dia em que Arthur Weasley morreu...
Harry viu Draco empalidecer.
- Porquê?
- Porque preciso...
Draco revirou o olhar.
- Foi o Weasel que te meteu isso na cabeça... eu não matei o pai dele...
- Eu sei... mas... preciso dessa memória...
- Eh pá, não sei... não me agrada isso... as minhas memórias a passearem por aí...
- É importante, Malfoy... não estou a brincar...
- E tem de ser agora?
- Não... pensa um pouco... – e o seu semblante modificou-se, ficando com o olhar mais distante - Agora tenho outra ideia em curso... quero ver como vou resolver... - suspirou Harry. - Quando e a que horas ele chega ao cais?
- Hoje à noite... às 23h.
Harry olhou para o relógio - Temos pouco tempo... muito pouco tempo... – disse o moreno enquanto estendia um manto negro de viagem a Draco.
**
O Beco Zurzidor tinha o mesmo aspecto sujo e nojento de sempre. Saiu do barco com o seu ar arrogante, varrendo o sítio com o olhar.
Onde estava ele?
Olhou para o barqueiro que o tinha trazido de Azkaban. Não lhe vira o rosto, mas sabia que nada sairia daquela boca. Se tivesse uma debaixo daqueles mantos.
Viu-o afastar-se devagar na névoa.
Envolveu-se mais no seu manto.
Subitamente, viu movimento junto aos prédios degradados.
Os seus olhos habituados à escuridão, devido à longa viagem que fizera nos mares, viram alguém mover-se nas sombras, e mais atentamente viu a fraca luz de uma ponta de cigarro. A sombra moveu-se, e finalmente se desviou para a luz fosca da lua.
O cabelo não deixava enganar.
Draco estava ali, como McLaggen lhe dissera.
-Draco... – murmurou pomposo.
Draco aproximou-se lentamente.
Atirou o resto do cigarro para o chão.
E fitou o rosto do pai.
A sua vontade honesta era pregar-lhe um enorme murro.
- Fumas, agora?...
- Desde o tempo de escola... – murmurou Draco.
Raios! Que merda de conversa era aquela?
Fugira de Azkaban, e estava tão calmo e seguro de si que a primeira coisa que faz é dar-lhe nas orelhas por fumar!
- Planos? – disse Draco.
- De momento necessito de uma refeição decente e depois temos de nos meter a milhas daqui...
Draco fez um meio sorriso sarcástico.
- Não te questionas pela razão em que te meti fora dali?
Lucius hesitou. Abanou a cabeça.
- Não... porquê?
- Não te questionaste? Não te perguntaste? – Draco estava incrédulo. Se nunca tinha tido uma relação boa com ele, como poderia ser tão confiante?
- És meu filho...
- Achas que isso é razão suficiente? Que só e apenas isso é razão?
- Eu sei que ficaste chateado quando a mãe morreu...
- A mãe?... – exclamou furioso. Aquele homem era completamente alienado. E achava que não tinha culpa nenhuma na história!
Lucius fitava Draco com ar confuso.
- Sabes... – murmurou Draco aproximando o seu rosto do dele – Tu não imaginas o quão feliz eu estou ao ver-te aqui... fora daquela prisão...
Lucius não sorriu. Aquela afirmação tinha-lhe soado demasiado agressiva.
Hesitou.
- Estou felicíssimo... porque o que tu mereces não é estar preso. Tu mereces algo pior que isso...
- Draco…? – murmurou o Malfoy sénior, não acreditando no que percebia nas entrelinhas.
- Isso mesmo... mereces um cruciatos até perderes a sanidade... ou um beijo meigo de um dementor...
- Mas foste tu que me tiraste de lá...
- Eu?... Eu não mexi um dedo...
- Mas o Cormac estava sob uma imperius!...
- Ah... boa... uma parte do plano que nem eu sabia! – exclamou Draco sarcástico. Os olhos de Lucius estavam agora assustados. A mão de Draco agarrou-lhe o braço com força.
- Tu destruíste tudo... és a maior merda existente... Eu queria ver-te cá fora para ter o prazer de te lixar a vida! De saberes bem o que sou, e o que fizeste...
- Mas eu sou teu... – nem teve hipótese de acabar: Draco deu-lhe um murro valente, quase deslocando-lhe o maxilar.
- Draco! – exclamou Harry Potter saindo das sombras ao ver Draco com a varinha na mão apontada ao pai.
O momento seguinte foi uma confusão de movimentos e de silhuetas que surgiam das sombras. Uns quantos feitiços ecoaram no beco.
Draco não se desviou a tempo, acabando por levar com o peso de Harry em cima.
- Estás bem? – perguntou Harry ansioso quando o movimento acalmou.
- Não... tira o traseiro de cima de mim, Potter! – exclamou empurrando-o.
Harry sacudiu a roupa e estendeu a mão para ajudar Draco a levantar, que o ignorou.
- Kingsley! – disse Harry – Pensei que me tivesses ignorado.
- Não, Harry, tu é que me ignoraste... o que é que te passou pela cabeça? – disse o ministro numa voz calma, de desapontamento - Eu avisei-te que isto ia acontecer... – e voltou o rosto para Draco, que olhava com um ar enigmático para Lucius que estava deitado no chão; provavelmente um dos feitiços acertara nele. Estava inconsciente. Draco virou os olhos acusadores para Harry Potter.
- O que é que se passa pá?... Foda-se... está aqui o ministério em peso...
- Eu sei...
- Foste tu... que... – disse desconfiado. – Fizeste-me sair de S. Mungus para...
- Nada disso.... – murmurou Harry.
- Era este o teu plano?!? - Exclamou Malfoy, furioso. - Não devia ter saído da cama do hospital!! Se eu soubesse que...!
- Calma... nós tínhamos de arriscar!... Não fazia ideia que o ministério vinha, eu não lhes dei a morada!! E não te armes em santinho, Malfoy!... – exclamou com fúria.
Aurores agarraram Malfoy com força.
- São precisos dois? – disse o loiro, fitando Kingsley – Devo ser mesmo uma ameaça!
- Como é que souberam que estávamos aqui? – questionou Harry.
Kingsley fitava Draco.
- É confidencial... - disse no seu tom de voz rouco. – Com que então, Draco... a ajudar o papá a fugir de Azkaban...
- Filho da puta! Eu queria matá-lo! Com as minhas mãos.... nem precisava de magia! Que merda pá, larguem-me!! – gritou Malfoy tentando afastar as mãos dos aurores que o agarravam. Um deles apertou-lhe um dos braços com força.
- Cala-te!... Merdoso... – cuspiu o auror com arrogância.
Malfoy deu-lhe uma cabeçada para se tentar libertar, mas o auror defendeu-se dando-lhe um murro de lado nas costelas.
O mundo de Draco girou.
A dor fora incrível.
Com tanto sítio para ser atingido… tinha de ser logo na ferida!
Merda.
Merda.
Merda!!
Felizmente tinha movimentos rápidos; o outro mal viu a sua varinha sair da sua mão. Só a viu apontada a si.
- Crucio! – exclamou Draco sem misericórdia.
- Draco nããããoooo! – exclamou Harry sendo agarrado por outro colega auror.
Draco deu um meio sorriso, o seu típico, sarcástico.
E deu meia volta, desmaterializando-se.
- Bonito! – exclamou Kingsley. – O que foste fazer, Potter... estás fora do grupo de Aurores até que eu mude ideias...
Harry ficou mudo.
Boa.
Fantástico.
- Agora diz-me... como soubeste onde estávamos?
Kingsley hesitou.
- Ron Weasley. – disse – Ele disse-me onde o Draco ia buscar o pai fugido....
- Como é que achas que ele sabe? – questionou Harry.
- Ele é o teu melhor amigo...
- Mas questionaste-o?
- Não... ele disse que sabia do teu plano e resolveu avisar-me...
- Merda! O plano é dele!! – gritou Harry. Kingsley fitou-o com descrença.
Harry estava incrédulo.
Estava tudo contra eles.
Tinha mesmo de voltar a agir debaixo dos narizes deles.
Outra vez.
Iria provar que tinha razão. Mas depois do show do Malfoy iria ser difícil...
Para onde teria ido ele?
**
Ele não sabia a o porquê de ter ido para o apartamento dela.
Sabia que não se deveria ter desmaterializado. Mas já que o tinha feito, deveria ter ido directamente para o beco zurzidor. Era o que deveria ter feito. Em vez disso, estava em frente da porta dela!
Repentinamente, sentiu-se inseguro. Que diabos! Nem se lembrava de ter decidido ir para, foi como se estivesse em piloto automático! Hesitou… era tão tarde.. ou melhor, era tão cedo, tendo em conta que eram duas da manhã.
Levantou a mão para bater à porta, mas não o fez. Não deveria estar ali… mas também não se sentia em condições de ir para casa, para aquela casa bolorenta e mal cheirosa da humidade.
Mais uma vez, levantou a mão para bater, mas não o voltou a fazer. Ela deveria estar a dormir. Devia estar, era tarde... não, era cedo.
Fechou os olhos por uns momentos, e deu por si com a testa encostada à porta. Sabia bem, a madeira fresca na sua pele quente. Ele precisava, queria.
Não deveria ter vindo, mas não conseguiria chegar a casa, não se devia ter desmaterializado.
Hesitou. Agarrou na varinha, apontou-a à porta e com um feitiço silencioso, abriu-a. Entrou, sentindo uma pontada de dor; dobrou-se, fazendo uma careta. Tentou ficar silencioso, não a queria acordar. Fechou a porta com cuidado.
Queria deitar-se, mas não devia. Sentia-se nojento. Precisava de um duche. Era isso que iria fazer, e só depois iria rastejar para a cama e dormir o que merecia. Iria sentir-se melhor de manhã. Só que... já era de manhã... enfim, iria sentir-se melhor depois de dormir, de certeza! O mundo iria parar de rodar e não iria sentir-se tão enjoado.
Estava perto do quarto quando se lembrou que devia acordá-la. Por mais cuidadoso que poderia ter sido, tinha de ser. Ou então iria assustá-la de morte se ela acordasse com ele a tomar banho, ou deitado na sua cama. Precisava de a acordar para que ela soubesse que ele estava ali.
- Granger? – murmurou avançando para a cama dela. Ela não se moveu. Ele deu mais um passo olhando para a forma dela debaixo dos lençóis.
- Granger? – tentou de novo. Ela moveu-se, mas ele não teve a certeza se a acordara.
-Gran...?
- Humm?... – disse ensonada, virou a cabeça devagar na direcção dele.
- Sou eu... – disse suavemente – Volta a dormir... era só para saberes que estou cá...
- Mmmmmhummm....
Ele esboçou um sorriso, enquanto ela se aconchegava de novo no edredon. Ele deu meia volta e foi para a casa de banho.
Despiu a roupa. Precisava mesmo de um banho. Fitou a banheira, deveria enchê-la, mas estava tão cansado que provavelmente acabaria afogado acidentalmente. Entrou e ligou o chuveiro. Sentia-se muito zonzo, com dificuldade em manter o equilíbrio.
Sentiu frio, da água demasiado fria, e sentiu-se a tremer. Mudou para mais quente, encostou-se à parede e deixou a mente divagar na sensação maravilhosa da mudança de temperatura.
Agarrou no gel de banho. Maçã?... Estava elucidado sobre a origem do cheiro principal dela, só faltava saber de onde vem a canela. Aquele cheiro era reconfortante… lavou-se e deixou-se ficar uns largos momentos debaixo da água do chuveiro, deixando que a força do jacto lhe relaxasse os músculos dos ombros; estava demasiado tenso.
Puxou a toalha fofa do suporte, limpou-se devagar, e pendurou de novo a toalha, molhada, quase pingando, mas estava demasiado cansado para pensar....
Entrou de novo no quarto e deslizou para dentro dos lençóis. O corpo dela estava quente; ele hesitou, o seu coração batia muito forte ao aproximar-se dela. Ele sabia que não deveria estar ali, mas precisava mesmo de ali estar, ele queria.
- Granger? – murmurou, a voz dele soou rouca. A mão dele aproximou-se do rosto dela, acariciando-a, passando pelo cabelo suave dela… Deus, como aquilo era errado! Não deveria mesmo estar ali, mas o corpo parecia não estar de acordo com a sua consciência. Aproximou-se mais, metendo o rosto no pescoço dela e passando um braço sobre a sua cintura.
- Draco? - Ela estava confusa, tinha tomado um comprimido para dormir... não, dois comprimidos, e acordava com ele deitado na sua cama. Estava alarmada, mas não conseguia reagir.
A boca dele pareceu secar repentinamente. Não conseguiu falar. Roçou o nariz no pescoço dela.
- Draco... – disse ela mais suavemente. Ele fez um som curioso com a garganta, mas nada disse.
Ela começou a virar o corpo e afastou-se dele devagar. Um momento depois fitava-o com aqueles enormes olhos castanhos.
Oh Merlin… ele estava... ele...
Ele não estava em si, não conseguia pensar com exactidão... não deveria estar ali.
Deveria ter ido para casa.
Casa?
Que casa?...
Deveria ter ido para qualquer lugar excepto a casa dela... ele deveria...
Desviou o rosto.
Não deveria mesmo ter vindo.
E então sentiu o corpo dela contra o seu. Virou o rosto, fitando-a, a expressão dela não era de zangada, mas de preocupada. Sentia o coração bater com força contra as costelas, tentou pedir desculpas mas as palavras não saíam, apenas moveu os lábios... a sua respiração acelerou, abanou a cabeça negativamente, tentando concentrar-se, engoliu em seco. Fechou os olhos cinzentos, e virou de novo o rosto, envergonhado.
- Shhhh... ok... está tudo bem...
Mas ele não estava bem...
Hermione ainda estava muito dormente devido aos comprimidos. Que situação! Havia uns dias, semanas, que não dormia decentemente… e na noite em que decidira tomar qualquer coisa para ajudar, ele aparece na sua cama!
Sentou-se muito direita na cama. Finalmente estava a pensar direito!
Ele estava em coma!!
Mas estava ali deitado a seu lado!
O que se passava?
Entrou em parafuso.
Tocou-lhe na pele quente.
Demasiado quente.
Estava febril.
Passou a mão pela testa a ferver dele.
Não estava a perceber nada.
Ele estava em S. Mungus, em coma! Entregue aos aurores. E assim que acordasse iria recambiado para Azkaban.
Mordeu o lábio, preocupada.
Em que enrascada se tinha ele metido de novo?
Pensou em Harry Potter.
Olhou para ele. Parecia adormecido.
Ia mandar uma coruja a Harry.
O mais devagar possível, levantou-se da cama.
Dirigiu-se à casa de banho e ficou à porta, fitando com horror o estado em que a divisão se encontrava. Realmente tinha ouvido o som de alguém a tomar um duche, mas pensou estar a sonhar.
Draco tinha usado a casa de banho, deixando um rastro de sangue por onde passara.
A toalha estava pendurada no suporte, e estava de tal modo manchada que era quase impossível saber a cor original.
Deu meia volta, em pânico.
Entrou no quarto e afastou as mantas do corpo dele.
Merlin!!!
N.B.: Aiiiiiii………
O rapazinho está assim tão mal??? Chiça… -.-' Hermione… faça o favor de ser inteligente e não dizer nada ao amiguinho que o loirinho tá aí em casa, sim??? E faça o obséquio de tratar do dito-cujo, siiiim????? Ò.Ó hum, bem bem!!!
Continua, continua!!! Isto tá a ficar interessante… e só me apetece escangalhar o Kingsley!!! COMO É QUE ELE NÃO ACHOU ESTRANHO A ATITUDE DO Ron???? *Dobbys, respira…. Humpf, pfuuu*
Bjinho a todos!!!! Dêem força à Telma!!! E um grande aplauso, pela maravilhosa fic!!!
\o/
2Dobbys
N.a: Demorei imenso... ufff que me dizenm pah? e que ideias me dao? ehehehehe
