O Profeta Diário era de certeza o mais rápido e o mais má-língua de todos os jornais do mundo dos feiticeiros.

Rita Skeeter tinha sido apenas uma repórter banal comparada com a terrível Lavender Brown... desde que ela entrara na redacção, tudo tinha piorado… ou melhorado, dependendo do ponto de vista... ela sempre fora do piorio, ela e a sua amiga Parvati Patil, as duas coscuvilheiras de Hogwarts!

O Profeta Diário tornara-se um Tablóide!

Lavender Brown... ou melhor Lavender Flint, era a redactora chefe.

Quem diria? Uma Gryffindor casada com um Slytherin de mau Karma? E pensar que namorara com ela num dos anos de escola. No ano em que se tornara celebridade em Quidditch. No ano em que descobrira o ciúme de Hermione.

Hermione.

Agarrou as pontas do jornal com alguma pressão quase rasgando.

Inspirou fundo. Olhou por cima do jornal.

A figura inerte de um homem louro estava à sua frente.

Sorriu levemente.

Tinha usado a rede de Floo para viajar para S. Mungus.

Estava na ala psiquiátrica, olhando o homem louro.

Com um sorriso irónico nos lábios joga-lhe o jornal para cima.

O louro deu um salto de susto.

E fitou-o, fitou-o como se nunca o tivesse visto na vida.

Ron Weasley olhou para aqueles olhos cinzentos mortiços, esboçou um sorriso, agitou uma mão à frente do rosto do outro, que a seguiu estupidamente com os olhos.

- Isso não se faz! – exclamou a voz de uma enfermeira entrando no quarto. Ron deu um salto de susto.

- Ias-me matando!

- Oh!.... - disse a voz sonhadora da enfermeira - Ron... bem pelo menos estás melhor que esse coitado... – murmurou fitando o louro que fitava admirado as palmas das suas mãos no colo. - Como tens passado?

Ron hesitou, fitando aquele rosto tão familiar. Não esperava vê-la ali.

- Trabalhas cá?

- Pois, assim parece, não é? - disse apontando para a farda verde clara com um trejeito de gozo.

- Não fazia a mínima ideia... - disse honesto.

- Nunca foi o meu objectivo... trabalhar em s. Mungus... mas acabei por fazer os exames... - encolheu os ombros sorrindo levemente.

O homem louro olhava para eles com um ar vazio.

- Ele... tem recuperação? – questionou Ron num tom de voz inocente.

- Nunca... – murmurou ela – Mas o que fazes aqui?

- Hum... nada... eu vinha ver um... humm... familiar que está internado... e acabei por vê-lo a ele... - apontou com o queixo. Ela hesitou, fitando Ron com ar calmo.

- Vão mandá-lo para Azkaban depois da avaliação... – disse ela olhando para o doente.

- Luna como é que raio vieste parar à ala dos feitiços irreversíveis?

- São os que mais precisam de nós, não é?

- São... - lançou um olhar brilhante em direcção ao homem sentado na maca.

- Bem... acredito que não devas estar aqui... vá, raspa-te daqui antes que a curandeira chefe te veja... - disse Luna sorrindo. Ron assentiu com a cabeça e deu meia volta.

- Já leste o jornal? - perguntou ela.

- Já...

- Deixa-o aí, então... quero ler as loucuras da Lavender... - disse divertida.

- Sim, com certeza... tchau Luna... bom ver-te.

Saiu da sala, caminhou pelo corredor. Não se conteve, esboçando um sorriso irónico.

Um deles já estava fora de jogada… agora só faltava o outro...

Merda!

Sabia que envolver-se com a história de Malfoy só ia dar mau resultado, mas daí até ter perdido o título de auror chefe... sentia uma pontada de tristeza.

Aquele emprego era o seu objectivo desde miúdo.

Lembrava-se dos momentos anteriores com frustração; se ao menos Kingsley tivesse ouvido...

Talvez tivesse impedido Lucius de ter fugido, e Draco não tinha desaparecido.

Tivera de aguentar com o olhar rígido de Kingsley que dizia algo do tipo "bem te disse". Que porcaria. E pensar que tinha de contar a Ginny... Suspirou. Só de pensar nisso descia-lhe um mau estar pelas costas abaixo.

Estivera no ministério a noite toda depois do incidente com os Malfoy. Resolvera ficar com o resto da equipa de aurors, a sua equipa, apesar das reclamações de Kingsley, e da sua insistência em mandá-lo para casa.

Tinham de resolver o problema de Lucius.

Harry olhou-o no rosto; parecia extremamente abalado, provavelmente porque sabia o destino de alguém que foge de Azkaban.

Já era de dia quando deixara a ilha, e fora para casa.

Olhou o relógio: eram seis da manhã, e só aí se apercebeu de como estava cansado. Só queria ir para a sua cama fofa, e para os braços da sua mulher linda.

Mas as notícias correm demasiado depressa, e o Profeta Diário estava a fazer demasiado alarido.

Ginny Weasley atirou o jornal para cima do marido assim que ele entrou em casa.

- Oi... bom dia para ti também... – disse Harry de mau humor.

- Olha só a primeira página do Profeta! O que se passou Harry Potter? Que história é essa de já não seres auror?

Harry lia, estático, a página do jornal onde se via uma foto da prisão de Lucius e uma foto dele próprio.

- Como é que caralh... - interrompeu-se frustrado - Como é que isto chegou ao jornal? Só são seis da manhã!

- Vai-se saber?!.. Eu fiquei a saber do teu despedimento pelo jornal, Harry! - era incrível como naqueles momentos ela se parecia tanto com Molly.

- Não! Calma, eu não fui despedido!

- Não foste despedido? - disse levantando uma sobrancelha desconfiada.

- Não... fui destituído do cargo... – disse triste.

Ginny fez um ruído de frustração.

- Ok, percebi... e o Draco? É verdade que fugiu? Ele ajudou o pai a fugir de Azkaban?

- Sim, ele fugiu... e não sei de mais nada Gin... – suspirou.

- E agora?....– exclamou Ginny exasperada.

Harry lançou-lhe um olhar carinhoso - Não faço a mínima... mas acho que já tive a minha conta... talvez vá pedir desculpas ao Kingsley... não sei... talvez tenha passado das marcas... – quando algo lhe chamou a atenção. A coruja de Hermione estava na sua janela. Ginny deu um salto de susto ao ver a ave, e abriu as portadas.

Harry tirou a mensagem da pata dela, e leu em silêncio.

-Ok... isto muda um pouco as coisas...

-O que foi agora? - disse exasperada.

- O Malfoy está na casa dela... – murmurou Harry - E ela estará aqui em 5 minutos.

Ginny só o fitou admirada. No mesmo momento, um barulho e uma luz verde esmeralda irromperam da lareira do outro lado da sala.

Hermione Granger surgira, limpando as roupas das cinzas com um ar deprimido.

- Harry!... - disse baixo fitando o rosto do amigo; avançou pare ele, abraçando-o, e fazendo o mesmo com Ginny.

- Como estás? – questionou Ginny

- Nem sei... viste a mensagem? - interrogou a Harry.

- Sim, claro, como é que ele está?

- Estável...

- Estável?... - murmurou Harry, suspeitando que aquilo não era bom agouro.

Tinha-lhe dado uma poção para as dores, febre e efectuado um feitiço bastante complexo para parar o sangue. Ele estava num estado lastimável.

Amaldiçoou o Feitiço maldito. Amaldiçoou Severus Snape... se pelo menos ele estivesse vivo!

Olhou para o rosto pálido de Draco. Os olhos fechados moviam-se rapidamente debaixo das pálpebras, e a respiração era irregular.

Hermione hesitou. Apagou a vela e saiu do quarto: tinha de o deixar dormir...

Sentia-se nervosa. Tinha recebido o Profeta Diário: o dia ainda nem raiara, e foi em choque que leu as notícias.

"Boa!" pensou ironicamente "Draco estava fugido e o Harry já não era auror!". Revirou os olhos, "Idiota!". Apostava que tinha sido ideia de Harry Potter, ele sempre tinha sido demasiado "heróico" e por vezes estúpido, apesar de ser boa pessoa; só gostava de saber como Draco se tinha envolvido. Afinal, as últimas notícias que tinha tido era que ele estava em coma numa cama de , sem previsão positiva de acordar... um dia dá por ele na sua cama a sangrar intensamente dos cortes e fugido dos aurors.

Draco nunca foi conhecido como corajoso ou arrojado, tanto que na escola andava sempre acompanhado de dois "guarda-costas". Algo o teria de ter movido com muita força para se ter aliado a Harry Potter.

Escrevinhou um papel à pressa, e prendeu-o à perna de Sol, a sua coruja dourada.

Ficou em silêncio a ver a coruja afastar-se, deu meia volta e dirigiu-se ao quarto. Ouviu a respiração dele, que estava muitíssimo mais calma, e fechou a porta.

Olhou o relógio de pulso, e foi para perto da lareira, meteu a mão no vaso onde tinha o pó de floo e jogou-o na lareira, gritando a morada dos amigos para as chamas verdes esmeralda.

Os rostos dos amigos estavam diferentes do que estava habituada a ver.

Quando desceu daquela lareira, desejou voltar atrás.

- Estável... sim... - confirmou ao amigo.

- Mas ele estava bem... – murmurou Harry preocupado.

- Bem?... Como é que ele poderia estar bem, Harry?... Tu sabes que aquela merda daquele feitiço é difícil de curar!...

- Mas ... - babulciou Harry

- Snape não era para brincadeiras... e se tu visses o que ele sangrou... não sei como é que ainda está vivo! Aliás... como é que raio ninguém me disse que ele tinha acordado do coma?

Harry mordeu o lábio, desconcertado.

- Sim... ele saiu do coma e... - murmurou ele - Temos de o levar para de novo!

- Não!

- Sim, realmente eles até são competentes, Hermy... calma... – interrompeu Ginny.

- Não digo que não...- Hermione estava a perder a paciência - Mas quem foi a única pessoa a curar um Sectumsempra? E que mesmo assim deixou cicatrizes para o resto da vida? -questionou Hermione determinada.

Harry lembrava-se claramente daquele fatídico dia em que lançara o feitiço a Malfoy no WC da Murta Queixosa. Lembrava-se do ódio que sentira por Malfoy e do desejo de o matar. Mas quando o vira magoado por um feitiço louco que simplesmente tinha lido, apercebeu-se da borrada que fizera.

Poderia ter matado Malfoy naquele dia se Severus Snape não andasse sempre de olho no loiro. Lembrava-se claramente de Snape dobrado sobre Malfoy no meio da água e sangue no chão e com um feitiço murmurado foi fechando as feridas, mas mesmo assim Malfoy passou montes de tempo na enfermaria.

E pelo relato de Hermione, ele ainda tinha as cicatrizes.

- Ele é procurado pelos aurors, Harry... eu sei que é uma questão de tempo até ele ir parar a Azkaban... mas eu quero-o vivo... eu preciso do Livro, Harry... – disse Hermione subitamente com ar determinado.

Harry ficou com ar de quem não fazia ideia do que ela estava a falar, e Ginny fez um ar confuso.

- Não me venhas com merdas, Santo Potter... sabes bem do que falo... onde está o livro? – Hermione estava com um ar impaciente. Harry notou o tom de sarcasmo, e só o Draco o chamava de "santo Potter". Tentou não sorrir, pois a situação estava complicada.

- o... o li... livro? Creio que... não sei o que... – murmurou.

- Príncipe de Meio-Sangue, Harry... – Hermione franziu as sobrancelhas.

Ginny falou com ar óbvio -Mas Hermione... o livro já não existe... quando a Sala das Necessidades ardeu, nada restou... tu sabes disso tu, estiveste lá...

-Para quê? -questionou Harry.

Foi quando Ginny reparou no olhar que Harry trocava com a amiga.

- Oh não... – murmurou - Harry James Potter!

- Eu... eu... merda...- murmurou Harry.

Hermione fitou o amigo de longa data com ar desconfiado, Harry deixou os ombros descaírem.

- É o Neville que o tem...

- O quê??? Harry! - exclamou a ruiva - Mas que historia é essa?

- Não... eu não consegui livrar-me do livro... sim, deixei-o lá, mas voltei para o ir buscar... - parou virando-se para Hermione - Para que queres o livro?

- Quero o contra-feitiço do Sectumsempra...

- Mas... tu não sabes se lá está.

- Tenho de tentar, Harry... manda a Sol ao Neville... vamos a Hogwarts!

- Mas e o Draco? Não está sozinho em tua casa? - disse Ginny. Hermione suspirou.

- A poção das dores faz dormir... mas ficava bem mais descansada se fosses lá para casa até eu voltar...

- Ok... vou fazer babysiting! Yey! - disse desmotivada. - Mas vai lá... e espero mesmo que o maldito livro sirva de algo! - disse entre dentes furiosa; lançou um olhar mortífero a Harry - Obrigada por me mentires!

- Mas eu não menti... nunca mais falámos do livro!

O olhar gelado que ela lhe mandou calou-o. Harry fez um sorriso tosco.

- Eu vou para a casa da Hermione... - agarrou no pó de Floo e desceu pela lareira.

Harry fitou Hermione.

-Então?... Hogwarts?

-Sim, senhor... - e deu-lhe o braço.

- Hermione? - murmura Harry antes de desmaterializar. - e se não houver nada naquelas páginas velhas?

Ela hesitou, suspirando fundo.

- Não sei... a sério que não sei...

E subitamente teve aquela sensação de estar a ser esmagada por um tubo.

- Então e como é que ele está?

- Como uma concha vazia... assim, sim, vale a pena...

- E o outro?

- Desmaterializou-se a seguir à entrada do ministério... é impossível saber onde está...- murmurou pensativo.

- Nunca pensei que tu... - murmurou a voz grave. – Mudaste, pá... só espero que não te esqueças do nosso acordo... e que sejas um bom Weasley e que metade do dinheiro venha já para o meu cofre...

- Acordo é acordo... - murmurou o ruivo com um meio sorriso.

- Sim, porque eu não andei a matar muggles só porque gosto... - disse fanfarrão, batendo com o punho na mesa do bar fazendo tremer a frágil mesa onde o largo copo de firewisky se agitou.

- Cala-te Crabbe! Gostaste tanto de o fazer que não te calas com isso...metes nojo...

O outro riu-se.

-Mas o que me interessa mesmo... é um pedaço de Malfoy para maltratar... também está no acordo...

Ron Weasley fitou o rosto grosseiro do outro. Hesitou.

- Sim... mas dos Malfoy só restou o Draco...

- Eu sei... sempre quis dar-lhe uma coça... o cabrão sempre teve a mania que mandava... não vejo hora de lhe deitar a unha...

- Tareia? - questionou Ron com um ar divertido.

- Até ele cair do seu metro e noventa... merda de gajo...

- Desde que o Potter o perdoou... - murmurou Ron. Crabbe interrompeu.

- Esse merdas... realmente surpreendeu... ainda pensei que ele deixasse a tua irmã e se juntasse a Draco... bah... foi ridículo...

- Bastante...

- Então, qual o próximo passo do plano? -disse rude esfregando as mãos uma na outra.

Um clarão verde irrompeu debaixo da mesa deles. A cabeça de Crabbe bateu com força na mesa.

- Eliminar o desnecessário... - murmurou Ron Weasley para a figura inerte.

Levantou-se da mesa.

-O que se passou com ele? -questionou o empregado de trás do balcão que voltara do fundo do bar com mais bebidas para reabastecer as prateleiras.

- Hum? - disse Ron fazendo-se de despercebido. - Quem? Aquele na mesa?

- Sim...

-Não sei... talvez demasiado firewisky... - encolheu os ombros e saiu do bar.


N.B.: OMG… O.O o Ron mete-me nojo… parabéns! ^^

Fiquei super surpresa quando vi que o Harry tinha entregue o livro do Príncipe ao Neville… realmente ninguém iria suspeitar… ^^ Gostei de ver a Ginny 'à nora'. xD

Fogo, o Draco anda sempre a sofrer… espero que matem o Ron beeeem lentamente… esse filho da p*!

*respirando fundo*

Enfim, a fic está espectacular…

Bjinho!!!

2Dobbys

N.A: Ui a demora! lol peço desculpas e espero que gostem e comentem!!