Glee não me pertence, se fosse o caso Kurt já estaria namorando e o elenco cantaria Three Days Grace.

Capítulo II:

Sinceramente, não sei o que aquela louca tinha contra esse carro. Para mim, ele era ótimo... por que mulheres são tão complicadas? Certo, vou reformular: por que Rachel era tão incrivelmente exagerada com tudo? Digo isso porque Mercedes era muito mais simples de entender. Bom, isso até alguns meses atrás, pouco depois de ela se casar, quando ela começou a entrar em depressão. O pior era que eu nem podia culpar o cara, ele era um doce e fazia tudo o que podia e o que não podia por ela. Aliás, esse era o problema do Noah: ele fazia um monte de coisas que não podia...

Assim que saí da entrevista, liguei o celular. Cinco mensagens da Rachel em quase duas horas. Um novo recorde. Ela devia achar que eu ainda estava bravo por ontem e, aliás, que eu havia me irritado ontem. O que não era bem assim. Eu só não pensei que ela estivesse tão desesperada a ponto de cometer uma ação tão impulsiva assim. E, óbvio, essa história de ela começar a gritar e, depois, do nada, chorar. Se ela pedisse a minha opinião, diria para começar a freqüentar um psiquiatra outra vez. E de preferência, não o mesmo de antes. Eu passava com ele agora, seria estranho.

Não esperei pela próxima mensagem para ligar para ela.

- Alô – ela atendeu no primeiro toque.

- Rach, tá tudo bem? Você encheu a minha caixa de mensagens...

- Kurt, eu quero muito falar sobre ontem!

- Eu não tenho nada a dizer, e também já aviso que não estou irritado.

Ela hesitou um pouco. Talvez eu não devesse ter dito aquilo desse jeito, realmente soava irritado.

- Mesmo assim, eu... eu tenho. Eu tenho muito o que dizer, então... você já está voltando para casa?

Pensei um pouco.

- Não, eu ainda tenho uma coisinha que eu tinha para fazer... – menti. Não estava com paciência para ela agora. – E também, eu ia até a casa da minha prima, mas eu posso deixar para ir outra hora...

- Não, pode ir. Aquela coisinha deve estar te esperando de braços abertos... – ela respondeu, com sarcasmo, antes de desligar. Isso mesmo, ela desligou. Um dia ainda vou entender o que aquela exagerada tinha contra a Catherine.

Tudo bem, melhor para mim. Não estava mesmo com vontade de discutir com ela de novo. Disquei o número de Mercedes, e Noah atendeu no primeiro toque.

- Quem fala?

- É o Kurt.

- Graças aos céus... – ele pareceu aliviado.

- Tudo bem? Como vai a Cedes?

- Mais ou menos... ela anda meio mal ultimamente.

- Aconteceu alguma coisa?

- Não, não... só está num momento ruim, nada com o que precise se preocupar. Ela tomou uns remédios e foi dormir um pouco.

- Espero não tê-la acordado!

- Tudo bem, eu tirei o telefone do quarto, para o caso de o agente ligar.

Que lindo! Às vezes, eu gostaria de saber como ele consegue pensar em tudo.

- Daqui a uma ou duas horas, o John chega para buscá-la para o almoço com os estilistas, e eu nem sei se vou conseguir me acalmar e comer alguma coisa por aqui...

- Por aí? Você está de folga hoje?

- Pois é.

- Eu também. Se você for ficar nervoso, sozinho aí, eu posso ir buscá-lo para a gente ir almoçar, que tal?

- Você e eu? Claro, seria ótimo. Precisava mesmo falar com você...

- Credo, a Rachel me disse a mesma coisa hoje!

- Sei... – ele deu risada. – Não, nada em especial, mas eu precisava ouvir a sua voz. Escuta, falando na sra Ciclone, será que ela não vai se incomodar muito de eu te roubar um pouco?

- Sei lá. Também, problema dela.

- Que cruel, Kurt... – ele ainda ria. – Bom, por que você não vem, e fica um pouco com a gente até o John chegar? Aproveita para dar um "oi" para a Mercedes.


Ela parecia razoavelmente bem quando acordou. Acho que os remédios estavam fazendo efeito. John, que não demorou muito para chegar, vestia algo parecido com seu visual da última vez que nos víramos. Embora aquela calça branca e a camisa xadrez não lhe caíssem nada bem, ele ainda insistia em vesti-las. Às vezes, era difícil acreditar que ele realmente trabalhava com moda.

Logo que Noah e eu nos encontramos sozinhos, nos sentamos lado a lado no sofá e continuamos conversando um pouco, até que ele decidiu me perguntar:

- Posso perguntar uma coisa?

- Claro.

- Você veio como meu amigo, ou da Mercedes?

Encarei-o por alguns segundos. Ele era realmente uma graça. Seria uma meta e tanto para várias mulheres, se não fosse casado, e...

- Para ser sincero, nenhum dos dois.

Ele riu de leve, segurou meu queixo e me beijou. Sim, na boca, igual a como fazia com sua esposa. Não hesitei em corresponder, esquecendo completamente tudo o que eu poderia estar pensando...

"We are healing but it's killing us inside,

Can we take a chance when faith and fear collide?

We can make it, step out and take it,

We can't live feeling so numb

How long can we hold on…?

Can we hold on, hold on..."

- Ahn, sabe... – interrompi o beijo, sem saber exatamente como completar a frase.

- Vamos indo – ele percebeu meu problema.

- Sim, é melhor mesmo…


O almoço foi bom. Mas vou logo explicar um ponto que posso ter deixado um tanto quanto confuso. E quando digo "confuso", quero dizer: "propenso a dar a impressão de que estou traindo minha esposa com o marido da minha melhor amiga e que isso me torna bissexual". O que, devo dizer, não é exatamente verdade. Bom, quero dizer, sei que estou... como direi... envolvido com ele, mas eu sou gay. Não sei dizer exatamente como acabei me comprometendo com Rachel, mas não tenho a menor intenção de ser um marido como o Artie, que só não beija o chão atrás da Tina por ser paralítico.

E eu sei que é errado trair a Rachel. Acha que eu não sinto culpa? Eu sinto, não sou completamente sem coração. Mas sejamos sinceros: ela não é muito diferente, eu sei, especialmente depois do incidente de ontem. Tirando o fato de eu estar de caso com a mesma pessoa faz tempo, eu faço o mesmo que ela, sou apenas um pouco mais discreto...

Droga, a quem estou tentando enganar¿ A culpa está me corroendo por dentro, mas nem é tanto pela Rachel. É mais pela Mercedes. Veja bem, ela é minha melhor amiga, está em depressão, e eu ainda tenho um caso com o marido dela. O que aconteceu comigo?


Rachel não era exatamente o tipo de esposa controladora. Quero dizer, admito que às vezes ela não confiava muito na autonomia das pessoas, mas ela não era dessas que ficavam o dia inteiro para saber onde o marido está. Isso normalmente, mas o detalhe: hoje não era um dia normal, era apenas o dia seguinte ao flagra da pulada de cerca dela com o Jesse. Ela simplesmente não conseguia controlar sua necessidade de saber se eu estava bravo e, se não estivesse, por quê. Pela primeira vez desde que deixei o colégio, comecei a imaginar modos criativos de matá-la sem deixar provas.

Como eu parei de atender o celular desde que saí para almoçar com meu... seja lá o que Noah fosse, ela não demorou muito mais do que meia hora para desistir de ligar. No entanto, uma ou duas horas depois chegou a mensagem de texto.

"Carole acabou d ligar, eu dice q t avisaria. Qro falar sobre ontem, q horas vc volta?"

- O que deu nela? - meu companheiro riu ao terminar de ler comigo. – Você andou aprontando alguma?

- Cínico – fi-lo rir com mais vontade, antes de ele me deixar continuar. – Não, na verdade foi ela que fez... eu meio que a peguei com outro cara ontem, e agora ela está arrancando os cabelos, acha que eu devo estar morrendo de raiva dela.

- Estranho, da última vez que eu perguntei você estava...

- Sim, mas eu não tinha um motivo específico. E pare de se divertir às custas da minha situação.

- Desculpa, cara... é que isso é tudo tão irônico que eu não me contenho.

Ele era muito fofo. Ainda bem que eu tinha que ligar para a Carole, senão iria agarrá-lo de novo. Imaginando o que poderia ter acontecido, encontrei o número na discagem rápida e não precisei esperar muito para ela atender.

- Alô, Kurt, querido! Tudo bem?

- Levando...

- Eu e seu pai estávamos tentando falar com você, mas não conseguimos encontrá-lo. Querido, hoje é sexta, por que você e a Rachel não vêm jantar aqui? Vou chamar o Finn e a namorada também.

Sinceramente, havia várias idéias que me desagradavam nesse plano. Entre eles, a mais recente namorada do meu meio-irmão Finn, Machi. Uma japonesa, estudante de oceanologia (alguém por favor me explique o que exatamente leva uma pessoa estudar oceanologia!), para quem ele vendeu um apartamento e, depois, começaram a sair. Não que ela fosse feia, até que era passável, e tinha certa inteligência... e mais nenhum atrativo. Ela era extremamente comum, em todos os fatores, físicos ou de personalidade.

Mesmo assim, resolvi aceitar o convite. Não perderia a chance de ver meu pai.

- Vou falar com a Rachel. Às 7?

- Sim, mais ou menos às 7.

Desliguei, pensando no que fazer em seguida. Eu não queria voltar para casa, mas...

- Noah... – chamei sua atenção. – Eu não queria ter que ir, mas eu e a Rachel vamos jantar na casa do meu pai. E eu preciso comprar alguma coisa, porque de jeito nenhum ela vai usar aquele vestido vermelho da semana retrasada.

Ele riu de novo.

Continua...


^.^

N/A: Purt é errado. Eu não deveria fazer isso. Mas essa fic acabou virando Purt por falta de opção. Finn e Artie já têm um final planejado, Sam foi cortado da minha fic por ser parecido demais com o Finn, Mike foi cortado da fic por ser completa e absolutamente sem graça, Matt por ser absolutamente sem graça E random, Jesse não é gay (a prova está no capítulo anterior), Blaine não apareceu o suficiente para eu conhecê-lo (ele ficaria um tanto OC, e eu não quero isso), e eu não queria inventar mais ninguém. Ah, e para os que viram para frente do episódio 2.06 - Never been kissed, eu preferia morrer a colocar o Kurtie com vocês-sabem-quem. Só nos resta o bom e velho Noah Puckerman.

Por algum motivo, Puck está casado com a Mercedes. Na verdade não tenho nem ideia de por quê fiz isso. Cruel, eu sei.

A música de quando Kurt e Puck estão se beijando chama-se "Collide", da banda Skillet. Na verdade, não existe nenhuma ligação entre a letra da música e a situação, eu apenas tive a ideia de pôr Skillet tocando na cabeça do Kurt para representar a culpa. É mais por causa da melodia, e embora não seja uma das melhores deles, indico a quem não conhece escutar.

O ponto de vista no próximo capítulo será do Kurt outra vez. Desculpem, fãs da Rachel...

Reviews são bonitinhas, simpáticas e estimulam a postagem. É cientificamente provado, rsrs.