Glee não me pertence, se fosse o caso Mike Chang ainda seria random.
Capítulo III:
De alguma forma, consegui encontrar uma jaqueta da coleção do Marc Jacobs e um par de botas que combinavam perfeitamente com o tom azul-prateado do vestido da nova coleção Mercedes Jones que Rachel escolheu naquela noite. Nem eu mesmo sei como consigo juntar uma peça de cada estilista e ainda fazer com que tudo combine, deve ser um talento.
Bom, o fato é que depois que chegamos Finn não demorou muito. E estava sozinho.
- Machi disse que tinha um relatório para fazer com uma amiga, e não ia poder vir... – ele explicou, durante o jantar. – Ela me contou sobre o assunto em detalhes, mas eu não lembro absolutamente nada.
- Tudo bem, às vezes acontece... – meu pai passou-lhe a tigela de batatas assadas. - ... mas diga, como está se dando com ela? Você disse que já conheceu os pais.
- Bem, eu acho. Os pais dela também são gente boa, mesmo não sabendo... falar inglês fluentemente...
- Isso é muito bom – Carole assentiu. – Não acha, Kurt?
- É, deve ser... – remexi um pouco os grãos de soja no meu prato, sem olhar para ninguém.
- Sabe, Kurt – Finn atraiu minha atenção. – É uma pena que você não goste especialmente da Machi.
- Por quê?
- Ela te adora! Não perde um capítulo da novela, é tipo, sua maior fã!
Não pude conter um risinho discreto de satisfação. Eu tinha meus fãs, mas a verdade era que a maioria das pessoas que assistiam preferia o protagonista.
- A propósito, Kurt – Carole prosseguiu. – Não vi você na novela, ontem.
- É, eu sei. Acontece que o Harry anda dando umas sumidas para manter um certo suspense. Ele vai tentar matar o Sean de novo, mas está tentando ser um pouquinho mais cuidadoso, ele não quer ser pego.
- Vocês vão me desculpar... – meu pai entrou na conversa, estranhamente interessado e um pouco confuso ao mesmo tempo. - ... mas é que a única que eu sei o nome naquela novela é a tal da Rachelle, e isso só porque parece com o da Rachel.
- Obrigada, eu acho – minha esposa se manifestou, pelo que percebi ser estranhamente a primeira vez em alguns minutos. – Sabe, às vezes acontece alguma confusão de roteiro por conta disso.
Verdade, volta e meia chamavam Sean de "Jesse".
- E, diz aí... – meu pai retomou a palavra. – Qual é esse Sean e qual é o Harry?
- Harry é meu personagem – respondi. – Ele é o vilão, você sabe, né? E Sean é o mocinho, aquele de cabelo enrolado, o Jesse St. James.
- Sei, é aquele que volta e meia aparece beijando a sua esposa, não é? - Finn estalou os dedos.
Você não sabe de nada, irmãozinho...
- Esse mesmo – virei meu sorriso falso para Rachel, que tentava dissimular sua vontade de se meter embaixo da mesa. – Algum problema, Rach? Parece desconfortável.
- Eu? N-não... nenhum - ela respondeu, ocupando a boca com um pedaço de torta, para não precisar forçar o sorriso ou falar mais nada.
- Desculpe, eu sei que isso é meio chato de se falar mesmo... – meu meio-irmão enfim percebeu que ela estava pouco à vontade. – Vamos mudar de assunto. Vocês viram que essa próxima semana estréia uma peça...? Acho que é um musical... qual era mesmo?
- Não era aquela, Cats? - sugeriu a mãe de Finn.
- Kurt tem alguém conhecido no elenco, não é? - minha esposa tentou me provocar, atraindo um olhar de extremo desdém.
- À propósito, comentaram comigo que tinha alguém chamado Hummel no elenco, você sabe de algo? - meu pai perguntou, visivelmente interessado.
- É a Catherine. Parece que ela conseguiu o papel da Bombalurina, ou algo assim.
- A pergunta que não quer calar é, "como ela conseguiu?" – Rachel murmurou, apenas alto o bastante para que eu, sentado ao lado dela, ouvisse.
- Fico feliz pela minha afilhada – Burt Hummel evidentemente não via minha prima mais nova com uma fração da maldade que uma certa pessoa (sentada do meu lado) via. – Eu nem sei quem é essa...
- Bombalurina – completei.
- Essa. Não sei quem é, mas mesmo assim.
O resto do jantar correu normal, mais ou menos da mesma forma, e ao final eu e meu meio-irmão nos oferecemos para lavar a louça e, ignorando os protestos da mãe dele, de que ela poderia fazer isso depois, levamos os pratos para a cozinha e começamos a lavar.
- Finn...
- Pode falar.
- Não, fale você. Eu sei que você tem algo a dizer.
Ele hesitou um pouco, até pausando um pouco o prato que estava esfregando.
- Não sei, é uma coisa meio inapropriada...
Suspirei pesadamente.
- Finn, eu posso perguntar se...?
- Sim? - ele me interrompeu.
- Por que está namorando aquela garota? Quero dizer, ela não é burra nem feia, mas não chega a ser exatamente atraente – e, assim que ele abriu a boca para responder, acrescentei: – E eu já percebi que você não gosta tanto dela quanto diz.
Ele fechou a boca, hesitou um pouco e voltou a abri-la, demorando alguns segundos para começar a emitir algum som.
- Não sei. Mas eu já percebi que você também não ama a Rachel tanto quanto diz. Mas se casou com ela, e estão juntos há alguns anos. Você sabe me explicar por quê?
Foi a minha vez de pausar o que estava fazendo para pensar numa resposta.
- Isso... não é bem assim...
- Kurt, você e ela não se amam, dá para perceber. Vocês até se gostam, e eu super entendo por quê, mas não se amam. Ela gosta de você porque você a entende, e você gosta dela porque ela não vai te deixar. A relação de vocês não é muito diferente da minha.
- Vamos enxaguar – abri a torneira. – Por que se importa tanto com isso?
- Eu... – ele voltou a hesitar, enquanto começávamos a enxaguar a louça. – Bom, é meio que aquele... assunto inapropriado.
- Desembucha, Finn.
- Eu... acho que estou apaixonado pela sua mulher.
Quase deixei cair a vasilha que estava segurando. Definitivamente aquele assunto não combinava com vasilhas ensaboadas.
- Está bravo comigo, Kurt?
Quantas vezes ainda vão me perguntar isso essa semana?
- Não.
- Não mesmo?
- Mesmo.
- Que bom...
- Pois é. Na verdade, eu estava mesmo cogitando pedir o divórcio, mas eu ainda não encontrei um momento seguro o suficiente para falar disso com a Rachel.
- Como assim, seguro? Ela é tão adorável...
- Só se for perto de você. Nos últimos dias, ela tem estado meio bipolar, gritado, chorado, corrido para o lado da casa oposto a mim... – tendo terminado com a louça, enxugamos as mãos.
- Eu bem que achei que nos últimos tempos ela andava meio... sei lá, quieta demais. Sem querer reclamar nem nada, mas normalmente ela não pára de falar...
-Agora que você mencionou... mas sabe o que também é estranho? Ela meio que tem se vestido um pouco melhor, sem precisar tanto da minha opinião como antes - ao perceber a risada leve dele, continuei: - Não, é sério! Isso é ótimo, mas não é o normal dela, e eu estou começando a ficar preocupado. Não acredito que vou dizer isso, mas se ela não voltar ao normal logo eu a mando de volta para o psiquiatra. Mas, olha... essa conversa fica entre nós?
- Claro, claro... eu também tenho a perder.
Assim que voltamos à sala, perguntei a Carole onde estava minha esposa, tínhamos que ir embora, porque precisávamos acordar cedo no dia seguinte.
- Ela disse que precisava retocar a maquiagem, foi até o banheiro e já volta – Carole sorriu, eu não soube identificar se era apenas o normal dela ou se eu estava perdendo alguma coisa.
Rachel logo voltou do banheiro, e fomos embora. Ela ficou pensativa durante todo o percurso, uma das cenas mais estranhas que eu já presenciei. Falamos pouco também ao chegarmos em casa, acho que aquele clima de estranheza ainda pairava entre nós desde ontem.
Pouco depois de me deitar e começar a tentar dormir (talvez parecesse que eu já havia conseguido), senti o colchão mexer um pouquinho. Rachel levantou, e pude escutar os passos deixando o quarto e a porta fechando de leve.
"is it too late?
nothing to salvage
you look away
clear all the damage..."
Ela começava a cantar, lentamente.
"... the meaning to
all words of love
has disappeared..."
Com um pouco de atenção, percebi que conhecia a música.
"... we used to love one another
give to each other
lie under covers, so
are you friend or foe?
love one another
live for each other
so, are you friend or foe?
cause I used to know."
Baixo o suficiente para ela não escutar, comecei a cantar junto.
"... the promises
hollow concessions
and innocent show of affection
i touch your hand
a hologram
are you still there?
.
we used to love one another
give to each other
lie under covers, so
are you friend or foe?
love one another
live for each other
so, are you friend or foe?
cause I used to know..."
Continua...
^.^
N/A: para quem estava esperando, e para quem não estava... o terceiro cap. Uma das vantagens de escrever fic do Kurt é a proximidade com o terceiro casal mais lindo de Glee: Burt e Carole! Adoro eles! Aliás, a música q a Rach e o Kurt cantam é "Friend or foe", intérprete: t.A.T.u.
Será q o Kurt vai pedir o divórcio?
Será q o Finn vai conseguir o coração da cunhada?
Será q a Rachel vai voltar ao normal?
Será q a Mercedes vai ficar boa de novo?
Será q eu escrevi Bombalurina certo?
No próximo capítulo, não sei se será PoV do Kurt, da Rachel, ou talvez meio a meio, porque preciso dos dois. Mas uma coisa é certa, conheceremos a prima do Kurt, Catherine Hummel.
Don't stop reviewing, hold on to that feeling...
