"I have climbed the highest mountain
I have run through the fields
Only to be with you
Only to be with you
But I still haven't found what I'm looking for"
Rachel POV
Não sei porque essas coisas acontecem justamente comigo! Isso está ficando absurdo! É como dizem por aí mesmo, acho que a tal de Lei de Murphy existe mesmo e é um fato. Impressionante mesmo... Quando você acha que tudo que existia pra magoar você já havia acontecido, mais e mais coisas acontecem. Quando vi o Jesse aqui na escola, quando percebi que ele estava nesses corredores mais uma vez, quis acreditar que ele não estava de fato aqui. Até porque não fazia sentido, ainda mais conversando com a Beiste.
Foi aí que ele olhou pra mim. Eu pensei que eu tinha esquecido. Ilusão. Nada, nada foi esquecido. Foi só ele me olhar que eu senti que tudo voltava. Todos os momentos em que estivemos juntos. O calor do abraço dele. O cheiro dele, mesmo quando ele não tinha colocado nenhum perfume. O cheiro que eu ainda sentia quando ia dormir, que parecia que estava impregnado em mim para sempre. E eu podia jurar que eu sentia aquele cheiro dali onde eu estava. Eu não estava preparada para vê-lo de novo. Ainda não tinha conseguido esquecer o que ele me fez passar. A vergonha. A dor. A vontade de morrer. E agora ele estava ali de novo. Perto demais. Longe demais.
E aí de repente ele saiu de perto. Mas tudo continuou borbulhando aqui dentro e eu senti que meus olhos enchiam de lágrimas. De tristeza, de fúria, de saudade. E senti sede. Muita sede. Fui correndo para o bebedouro largando todas as minhas coisas no corredor. Estava lá bebendo toda a água que eu conseguia quando senti uma mão no meu ombro. Praticamente morri afogada. Virei já preparada para falar muitas coisas, quando eu vi que era o Kurt.
- Rachel, tá tudo bem? – Ele me perguntou com aquela carinha de criança dele. – Era o Jesse lá, né? Sabe, aquela oferta que a gente fez de dar uma lição nele ainda vale, eu só tenho que trocar de roupa porque com esse suéter e essa legging não vai funcionar.
A oferta dele me fez rir. Nós nunca fomos muito amigos, pelo contrário, mas ele sabia ser um fofo quando queria. Antes que eu pudesse responder vi o Finn chegando meio afobado. Sem cerimônia nenhuma ele empurrou o Kurt para o lado e me abraçou. Era bom ser abraçada por ele. Claro que ele sempre foi e sempre será desajeitado, mas ele é tão grande que faz eu me sentir protegida. Era o que eu precisava naquele momento. Sei que o Finn não é perfeito. Sei que ele nunca vai ser o Jesse, mas é exatamente por isso que eu estou feliz com ele. Sei que ele nunca vai acabar comigo como o Jesse fez. Nunca vai doer tanto com o Finn como doeu com o Jesse.
- Ei, não fica assim – disse o Finn com a boca encostada na minha cabeça – Já acabou tudo com ele. Eu to aqui. Ele não vai mais te machucar, nunca mais, eu não deixo.
Como eu disse antes, ele não é perfeito. Mas são momentos como esse que fazem valer a pena estar com ele. São momentos como esse que eu sinto que ele realmente se importa comigo, não importa que ele não demonstre tanto assim. O que importa é que ele está comigo de verdade e eu tenho certeza que ele me protege.
- Obrigada – sorri pra ele enquanto me aconchegava mais no abraço e fazia o possível para não chorar. Estava cansada disso.
- Rachel, você deixou suas coisas caírem, aí a gente trouxe pra você – era a Mercedes quem falava agora. – Não deixa aquele metido do Vocal Adrenaline vir se meter com você não! E se ele vier, ele vai ter que se ver com a gente.
Isso tudo só me fez ficar mais emocionada. Quando percebi já estava chorando. Nunca imaginei que me defenderiam assim. Achei que por eu ser a mais talentosa eu só despertava inveja em todo mundo, mas acho que eles se preocupam, pelo menos um pouquinho comigo, isso fez eu me sentir tão bem. Fez eu me sentir forte para passar por cima de quem quer que fosse.
- Muito obrigada a todos vocês. De verdade. Vocês me deram força agora. Podem deixar. O Jesse é passado e o passado só te machuca se você deixar. E eu não vou mais deixar.
Aí eu fui pra aula, sem saber o que me esperava mais tarde.
Finn POV
Não gosto quando a Rachel fica daquele jeito. Quando ela fica triste machuca. Ela é sempre tão falante e mandona e todas essas coisas que eu sempre quero falar pra ela calar a boca. Mas quando ela pára de falar e fica com aquela carinha de cachorro pidão é tão ruim. Parece que tá me machucando também. Sério, que bom que agora tem treino com aquele Jesse problemático que deixou a minha Rachel desse jeito, vou descontar nele toda a raiva que eu estou sentindo.
Certo, tem alguma coisa errada. Como assim?
Estávamos no treino e eu estava me preparando para dar uma trombada daquelas mais feias no Jesse. Afinal, sou maior que ele, né? Além do quê, o Puck tava do meu lado. Qualquer coisa que acontecesse ele ia me apoiar. Foi muito bom a treinadora ter colocado a gente em times diferentes, assim pelo menos eu tenho uma desculpa e tudo o mais. Só que eu tenho que tentar não machucar muito o almofadinha. Não tínhamos um kicker tão bom assim desde que o Kurt saiu do time. Acho que é mal desses caras ligados em musicais meio afeminados assim.
De qualquer jeito, acho que ele já estava esperando, assim como a Beiste, porque foi só eu encostar nele e ela apitou. Fora que ele não caiu como cairia se estivesse despreparado.
- Hudson! – gritou a treinadora. Muito medo nessa hora, mano. Tipo, muito mesmo. – Você está ficando maluco? Quer deixar o menino em coma? Assim ele vai sair do time e você bem sabe que ele aumenta muito nossa chance de ganhar o campeonato.
- Desculpa treinadora. Mas ele mereceu. Na verdade ele merece muito mais.
- Acho que todos esses anos de pancadas na cabeça afetaram seu raciocínio, Finn. – e ainda por cima ele ficava me provocando. Me preparei pra partir pra cima dele e ele começou a rir. – Sério que você vai partir pra cima de mim aqui? No meio de todo mundo? Qual que é o problema, Finn? Se sentindo ameaçado por mim?
Foi aí que não agüentei mais e parti pra cima dele e acertei em cheio aquela cara arrogante dele.
Só não entendi porque o Karofsky veio pra cima de mim também. Pelo menos o Puck e o Sam vieram me ajudar. E estávamos naquela bagunça quando percebemos uma montanha separando a gente. Só que não era uma montanha, porque né? Montanhas não gritam. Era a treinadora querendo saber o que tinha acontecido
Esse babaca que fez merda com a Rachel e humilhou ela pra caramba, agora bvem dar uma de gostosão aqui no McKinley? Qual é o seu problema, cara? – Isso foi o Puck.
Olha só, se a Rachel tem problemas, isso é com ela. Acho que ela simplesmente esperou demais de mim.
Você é um babaca! Sinceramente! Você veio dando uma de sensivelzinho pra cima dela só pra transar com ela e se mandar? A Rachel não é qualquer uma.
Nessa hora ele parou e me olhou com uma cara de que não tava entendendo o que eu tava falando. Foi diferente ver essa cara em outra pessoa. Geralmente eu que faço ela. E quando eu achei que tinha alguma coisa errada ele começou a rir. Não a rir igual uma pessoa normal, mas rir igual um maluco mesmo, rir de cair no chão. E eu acho que ficou todo mundo assustado, porque ninguém nem me segurava mais.
- Ah... Então é isso que você acha que aconteceu? - Ele tava tentando segurar o riso, mas não tava indo muito bem. E eu, não tava entendendo nada. Olhei pro Puck e pro Artie e eles também, nada.
- Quer dizer que você me acha tão crápula a ponto de ter terminado com a Rachel só porque a gente já tinha transado? Recomendo a vocês uma política de completa sinceridade. Não é surpresa então para mim que você me acha tão desprezível assim. Agora, se vocês se amam tanto, não entendo pra quê ter segredos, mas é só minha opinião.
E ele simplesmente saiu. Assim, sem mais nem menos. A treinadora, que até agora parecida tão sem saber o que estava acontecendo quanto eu, resolveu que ia terminar o treino por ali. Fui para o vestiário pensando nisso. Acho que vou ter que conversar com a Rachel.
Quinn POV
E eu que achava que tinha visto barracos suficientes na TV. NADA se compara ao que aconteceu hoje no ensaio do ND. Estava lá eu chegando na nossa sala de ensaio e abrindo a porta sem cerimônia nenhuma, como é de costume, afinal ninguém costuma fazer nada escondido lá dentro, né? Mas o que imediatamente chamou minha atenção foi que todo mundo estava encolhido num canto enquanto a Rachel tava dando piti com o Finn por algum motivo.
Como o prof. Schuester ainda não tinha chegado, achei por bem me inteirar do que estava acontecendo e perguntei o que estava acontecendo. Em alto e bom som. Na verdade, não me parecia nada demais, já que a Rachel sempre tem seus pitis, mas pelo jeito a coisa estava séria, já que todo mundo olhou pra mim como se fosse eu que estivesse fazendo alguma coisa errada.
- Você quer saber o que aconteceu Quinn? – A Rachel tava completamente exaltada, inclusive me assustou – Aposto que TODO mundo quer saber o que aconteceu, né? Pois bem! Aconteceu que eu descobri o tanto que o Finn é um mentiroso, duas caras, safado e todos esses outros adjetivos que vocês possam pensar! Como você pôde, Finn?
- Sabe, Rachel? O que acontece é que você mentiu pra mim primeiro, além de ter me trocado pelo ridículo do Jesse. Você queria que eu fizesse o quê? Que eu te esperasse pra sempre?
- Não Finn. Nunca pedi pra você me esperar pra sempre. Tudo o que eu sempre pedi pra você foi sinceridade. – Juro, não estava entendendo muito bem, mas estava com pena dela. O Finn, logo ele, tinha traído ela? Depois daquilo que ele me disse? E se não tinha sido comigo, com quem foi?
- Sabe Finn. Eu menti. Menti mesmo. Porque naquela época eu ainda não tinha certeza do Jesse. E se você me pressionasse demais, eu poderia perder minha chance com ele. Eu queria que você se afastasse. Mas você, você mentiu porque você queria "me ganhar" da forma errada. E sabe, não foi a primeira vez que você mentiu pra mim. E eu não vou suportar mais esse tipo de traição. Acabou Finn.
E aí ela saiu batendo a porta, daquele jeito de sempre. Isso só me faz pensar o que ela faria se descobrisse o que ele me disse naquele dia.
Rachel POV
Eu não sei se algum dia eu vou conseguir parar de chorar. Acho que agora eu sinto sede por causa das lágrimas também.
Como ele pôde mentir pra mim daquele jeito? Como ele pôde me trair daquele jeito? E com certeza não se compara de forma nenhuma com o que eu fiz. Se eu contei aquilo pro Finn, foi pra ele para de pegar no meu pé, além do quê, Jesse e eu éramos namorados. Ele e a Santana eram nada!
Ele podia simplesmente ter sido sincero. Claro que eu ia achar um comportamento ridículo, mas é tipicamente masculino e, depois de um tempo, eu talvez aceitasse. Mas não assim. A gente não faz isso com quem a gente ama.
Estou cansada de ficarem mentindo pra mim. Por que os meus namorados têm essa mania? Tinha que achar alguém sincero. Alguém que não importasse o quê, me dissesse a verdade. Será que tem alguém assim aqui?
Acho que não. Acho que só vou encontrar esse alguém quando estiver na Broadway. Por quê? Por que é tão difícil? Agora eu precisava de uma mãe. De verdade. Aliás, tento ligar pra Shelby desde o momento que o Jesse apareceu aqui, mas ela não atende. Será possível que ela sabe alguma coisa sobre isso.
- Acho que você percebeu agora com quem está, né?
Achei que ia ter uma parada cardíaca quando ouvi aquela voz de novo. Mas não. Principalmente por causa do tom dele.
- Que direito você tem de vir aqui e se meter na minha vida de novo? Não estava bom o suficiente pra você estragar tudo uma vez não?
- E por que você acha que tudo tem haver com você Rachel? Não tem. Se você faz mesmo questão de saber, eu estou aqui por falta de opções, mas não é por isso que eu vou ficar calado quando seu "namorado" começa a falar coisas estapafúridas a meu respeito. Sinceramente, você decaiu muito se realmente esperava me substituir por aquele...
Acho que ele não esperava por aquilo. Na verdade, nem eu esperava. Não sou muito uma pessoa violenta, sempre achei que todos os conflitos devem ser resolvidos por meios mais pacíficos, mas chega uma hora que não dá mais. E, mesmo que ele estivesse cheio de hematomas e arranhões, acho que o tapa foi muito bem merecido.
- Nunca quis te substituir Jesse. Até porque substituição implica em colocar uma coisa equivalente no lugar de outra. E eu não quero nunca mais nada equivalente a você, nada que pareça você. Eu já tive o suficiente. E o pior, é que quem eu achei que seria diferente, acabou sendo do mesmo jeito, um mentiroso como você.
Não dei tempo pra ele responder e fui embora. Ainda ouvi ele me chamando, mas não voltei. Falava sério quando dizia que não queria mais nada com alguém como ele. Até porque nunca teria ninguém como ele. Ele era perfeito, até estragar tudo. Acho que é hora de procurar alguém que não seja nem remotamente perfeito. Alguém que me ajude a passar por cima disso tudo e se isso for machucar alguém (ou "alguéns"), tanto melhor. Eu preciso de...
- Rachel? Tudo certo? Todo mundo do ND tá te procurando…
Achei exatamente o que eu precisava.
