Capítulo 4 - Love
Rachel POV
Não esperava esse comportamento dele. Na verdade, acho inclusive que ele está cochilando. Mas ele foi tão doce e respeitoso como se ele tivesse voltado a ser o Noah, não mais o badboy, o Puckossauro. Difícil virar pra ficar de frente para ele, pelo menos ele não acordou. Não sei se ele ia gostar que eu ficasse aqui observando-o enquanto ele dorme. Engraçado. Achei que no momento em que a gente terminasse ele ia vestir as roupas e ir embora sem olhar para trás. Incrivelmente, ele deitou do meu lado na cama, me abraçou e dormiu. Talvez tenha sido cansativo para ele se segurar tanto. Ele foi tão doce. Olhando para ele dormindo aqui do meu lado eu penso no motivo de não termos dado certo. Seria tão bom se pudéssemos ajeitar as coisas. Às vezes eu acho que ele é o tipo de homem que eu quero do meu lado. Ele é sempre sincero comigo e eu tenho certeza que ele se importa comigo, caso contrário não teria sido tão gentil comigo hoje.
E enquanto todos esses pensamentos passavam pela minha cabeça, ele acordou e me olhou meio assustado. Sorri e aí ele sorriu de volta e me apertou mais no abraço.
- Quer dizer que a sua loucura também se estende a ficar olhando caras gostosões dormindo? - Ele disse com aquele sorriso sarcástico dele.
- Obrigada, Noah. - Foi tudo o que eu consegui falar.
Sabe, tudo ainda estava muito confuso na minha cabeça. Não me arrependo agora e acho que nunca vou me arrepender de ter perdido minha virgindade com ele. Acho que foi a melhor escolha que eu podia ter feito numa situação dessas. Só que olhando nos olhos dele naquele momento eu percebi que tudo o que eu mais queria é que desse certo entre nós. Só que eu também percebi que não funcionaria nunca. E se antes ele já tinha me olhado estranho por eu ter agradecido, ele ficou decididamente preocupado quando eu comecei a chorar.
- Rach! O quê que está acontecendo? Você tá machucada? Eu te machuquei? Mas você disse que eu podia continuar...
Tive que beijá-lo para que ele calasse a boca. Quando nos separamos ele ainda me olhava com aquela cara assustada. Tentei enxugar minhas lágrimas e conversar com ele.
- Não Noah, você não me machucou. Na verdade, você foi fantástico. Você foi doce e paciente e gentil e eu não me arrependo nem um pouco de ter tomado essa decisão. É só que - e aí as lágrimas começaram a correr de novo e ele me apertou - que eu queria tanto que pudesse funcionar pra gente sabe? Porque você é de verdade. Você é desse jeito e pronto. Você não finge. Com você, ou a gente ama ou odeia. E eu gosto disso em você, de verdade, mas...
- Mas a gente nunca daria certo juntos. - Ele me respondeu com um sorriso triste que só me fez chorar mais. - Rach, não chora. Sério, não consigo te ver chorando.
Já estava de olhos fechados nessa hora, tentando segurar minhas lágrimas e senti a mão dele no meu rosto, secando-o.
- Sabe, queria que desse certo também, de verdade. Você é uma garota fantástica Rach. - Sacudi minha cabeça. - Não, Rach, é sério. Olha pra mim. Você é linda e sabe ir atrás do que quer, mesmo assim não deixa quem importa para você de lado. Além de ser uma cantora do caralho. E eu queria mesmo ser o cara certo para você. Mas eu não sou. Você é mais do que eu poderia ter e se eu dissesse qualquer coisa diferente disso, eu estaria mentindo e faria você sofrer. E você não merece sofrer, Rach. Você merece mais.
- Ai Noah! – Abracei-o envolvendo minhas mãos no pescoço dele. - Sempre soube que tinha muito mais em você do que o Puck. - Soltei o pescoço dele para poder olhá-lo nos olhos. - Lembra aquela época que estivemos juntos? Eu te disse isso várias vezes. Na verdade, acho até que tenha sido uma boa influência para você.
- Você foi. Aliás, você continua sendo, só que eu não vou ficar te falando isso, senão sua cabeça vai inchar tanto que não vai nem passar na porta. - A risada que eu dei foi mais forte que eu. - Viu? E ainda por cima sabe que eu estou certo. - E aí ele me beijou inesperadamente. E eu correspondi.
- Ei Berry. Lembra quando eu disse que não poderíamos ser amigos, quando a gente terminou? Então, acho que a gente pode deixar isso pra lá... O que você acha?
- Quer dizer que o super malvadão do McKinley quer ser amigo da garota mais loser de toda a escola? - E foi minha vez de sorrir atravessado.
- Não. Quer dizer que o Noah quer ser amigo da Rachel. Claro, desde que certos benefícios estejam incluídos no acordo.
- Você quer o quê? Me subornar pra ser sua amiga? - E logo agora que ele estava indo tão bem – Desculpa, mas não vou fazer nenhum dever seu e...
A pegada que ele deu na minha bunda foi completamente inesperada e... gostosa.
- Não Berry, outro tipo de benefícios.
E o brilho no olhar dele era inconfundível. Isso e o volume que eu comecei a sentir embaixo do lençol. Não sei o que me deu, mas já que a primeira vez tinha sido tão boa, porque a segunda não seria melhor?
- Bem, desde que você esteja preparado.
E o sorriso que ele me deu naquele momento acendeu as faíscas que estavam faltando.
- O Puckossauro nunca é pego desprevenido.
FUCKYEAHSTPUCKLEBERRY
Sue POV
Essas crianças do Glee Club ficam a cada dia que se passa mais libertinas. Aliás, o próprio Figgins me enoja. Ele deveria ser o tipo de pessoa que cede completamente a chantagens. Mas não importa o quanto eu apronte para ele e o chantageie ele sempre encontra um jeito de fazer com que tudo o que eu faço signifique nada.
Ele só não me perturba mais que o Schuester, que não consegue nem controlar todos esses perdedores que ele tem nesse clubinho.
E agora aquele garoto que tem o cabelo quase tão engordurado quanto o do Schuester fica zanzando pela escola como se fosse o dono do lugar. Na verdade, tenho medo do que a presença dele pode causar nessa escola. Já vi que terei que ficar de olho e procurar mais alguma coisa que eu possa usar contra alguém aqui dentro.
Vou ter que conversar com a Santana... Aliás, ela está bem ali, mas parece não estar me ouvindo. Vou tirar mais ainda o tempo dela de bronzeamento artificial e quero ver ela não me responder quando estiver com a pele parecendo uma cobra descamada.
Não acredito que eu realmente terei que me deslocar até onde essa folgada está. Como que ela tem a coragem de me ignorar assim? Não é possível que ela não me responde porque ela está muito ocupada babando pelo Puckermann.
Aliás, ele já está abraçando outra menina? Depois quando eu falo da libertinagem... Mas espera aí, aquela é a Berry...
Acho que o acerto de contas começa agora.
FUCKYEAHSTPUCKLEBERRY
Finn POV
Passei a noite toda pensando na Rachel e em como ela exagerou na reação dela de ontem. Sinceramente? Não é como se eu tivesse traído. Foi pior do que o que eu fiz com a Quinn e ela está super de boa comigo. Inclusive ela quer voltar.
Tudo isso me faz pensar se a Rachel não faz drama demais em cima das coisas. Sério. Tudo pra ela é oito ou oitenta e isso me cansa. Eu gosto muito dela. Mentira. Eu amo a Rachel, mas às vezes fica difícil de lidar com essa personalidade cansativa dela.
Não é como se eu estivesse 100% certo, mas eu não estou tão errado assim. Liguei várias vezes para o celular dela ontem à noite e ela não me atendeu nenhuma. E hoje ela simplesmente fingiu que eu não existia quando eu encontrei ela no armário dela mais cedo.
Ela estava conversando com o St. Jerk. Conversando não, acho que ela estava ignorando ele. Aí quando ele saiu de perto - eu não podia correr mais nenhum risco com ele, estava com medo de ser expulso do time, de novo - eu fui tentar falar com ela.
- Oi babe. A gente pode conversar?
Ela nem falou nada. Me olhou com muita raiva e saiu. Achei melhor tentar falar com ela no ensaio de hoje à tarde.
E agora estou aqui me preparando para ir pra lá e pensar no que falar pra ela.
- Ei. Varapau. - Levei um susto com a voz da treinadora Sylvester.
- Pois não, treinadora?
- Só queria te avisar que essa moda viking é muito século XII e não combina com você. Sabe, todo esse papo de chifre na cabeça e tudo mais. Você é alto demais e tem pêlo de menos.
- Do que a Sra. está falando?
FUCKYEAHSTPUCKLEBERRY
"To really love a woman
To understand her - you gotta know it deep inside
Hear every thought - see every dream
N' give her wings - when she wants to fly
Then when you find yourself lyin' helpless in her arms
You know you really love a woman"
Mercedes POV
Já está ficando chato esse papo de o Finn entrar na sala como se quisesse matar alguém. Tão chato quanto a Rachel saindo batendo o pé. Mentira. O Finn está mais chato. Como se já não bastasse ontem ter vindo com todo aquele papo pra cima da Rach, hoje veio todo emputecido de novo.
Claro que todos nós achamos estranho o Puck e a Rach de conversinha. Porque obviamente a Rachel não terminaria com o Finn em um dia e no outro já estaria nos braços do Puck. Quer dizer, eu acho.
De qualquer forma, estávamos (Kurt, Mike, Tina, Quinn e eu) todos na moita tentando entender o que tinha acontecido. Aí me entra a Britt e a Satan. Parecia que a Britt tava consolando a Satan por alguma razão, o que me fez achar que talvez Puckleberry tivesse voltado. Mas aí a Santana disse qualquer coisa tipo: "não sabia que você preferis mãos masculinas, Puckermann, mas pra isso não seria melhor pelo menos um homem de verdade?"
- Do que é que você está falando, Santana? - Isso foi Puck. Só que antes que ele pudesse responder o Finn chegou parecendo um maluco e empurrou ele da cadeira.
Na mesma hora o Puck levantou todo "qualé-o-teu-problema-mermão" empurrando o Finn de volta.
- Como é que você tem a cara de pau de me furar o olho duas vezes? - Ou seja, Puckleberry era verdade novamente.
- Qual é o seu problema, Finn? O que qualquer pessoa faz ou não faz comigo já não te diz o menor respeito. Você perdeu qualquer chance de se meter em qualquer parte da minha existência. - Cara, acho que nunca vi a Rachel com tanta raiva assim.
- Você fica quieta aí Rachel! Não esperava que você fosse uma dessas que não se dá ao respeito e vai abrindo as pernas pro primeiro que chegar j...
Nunca vi um soco tão bem dado quanto esse. Sério? Depois que tudo que o Finn fez a Rachel passar ele ainda vem querer dar uma de santinho? Ela nem é muito minha amiga, mas me incomodou de verdade o jeito que esses meninos vêm tratando ela. Pelo menos o Puck teve a boa vontade de defendê-la.
Antes que o Finn pudesse revidar, os meninos pularam para separar.
- Me deixa quebrar esse idiota! Como que vocês podem me segurar? Esse cara precisa de uma surra.
- Não Finn. Ele não precisa de surra nenhuma. - Levei um susto quando o Kurt levantou do meu lado e começou a falar. - O que ele fez ou deixou de fazer com a Rachel realmente não te diz mais respeito. Acho que ela deixou bem claro ontem que não quer ter mais nada haver com você.
- Ela simplesmente nem me deu tempo de falar nada e já se jogou em cima dele.
O Puck tentou pular pra cima do Finn de novo, mas o Mike não deixou.
- Escuta aqui seu debilóide. - O Puck estava praticamente espumando de ódio. - Você não tem bolas o suficiente pra falar NADA a respeito dela. Você tem mais é que ficar calado. Você não soube tratar ela bem e agora vem querer dar pitaco em qualquer coisa?
- E desde quando você sabe como tratar uma mulher, Puck? Você é um galinha sem medida.
- É, eu sou. Mas eu nunca escondi isso de ninguém Finn. Eu sou sincero com meus sentimentos e eles condizem com as minhas ações. E se...
A Rachel colocou a mão no ombro do Puck e ele parou assustado. A expressão da Rachel era puro ódio. Os olhos dela desprendiam um calor que poderia derreter rocha.
- Escuta aqui Finn. Não quero mais você abrindo a sua boca para falar a respeito de mim. Aliás, não quero que você fale nem comigo, nem para me pedir desculpas. Até porque eu te agradeço de certa forma. Você me fez ver que eu não preciso de você. Eu não preciso de um estepe Finn e isso foi tudo o que você foi. Um estepe que nem se comparava à qualidade do.. da minha primeira opção. Você nunca soube me ouvir, você nunca se importou com quem eu era de verdade, tudo o que você queria era alguém que te idolatrasse. E muito obrigada por me mostrar que eu não sou assim.
E desse jeito ela saiu. E essa foi uma saída triunfal. O Finn ficou meio de boca aberta ainda e o Puck se soltou do Mike e estava saindo quando eu falei pra ele não ir atrás da Rachel, que o Kurt, a Tina e eu íamos.
- Não é atrás dela que eu vou. - E saiu de um jeito teatral não muito característico dele.
