Capítulo 5 – She Loves You
Jesse POV
Eu meio que estava sem saber o que fazer hoje mais cedo. Passei a noite em claro pensando se isso tudo ia funcionar mesmo. Será que simplesmente não era melhor chegar nela e simplesmente contar tudo ? Bem, sem dúvida, seria mais fácil. Mas não melhor. Não seria eu. Eu não me humilho. Eu sou Jesse St. James e se eu consegui Rachel Berry uma vez, eu conseguiria de novo.
Sei que ninguém naquela escola sequer se compara a mim. Mas a Rachel me troucou pelo Finn quando eu fui embora e aquele garoto certamente está em um nível assombrosamente mais baixo que qualquer outro. O que me leva a crer que ela não está bem. Sendo assim, o que impediria que ela começasse a querer me trocar pelo Puck ?
Decerto que ele não é tão bom quanto eu, mas ele pelo menos não é tão hipócrita quanto o Hudson. Acho que é difícil para assumir até para mim mesmo, mas eu tenho medo de nada disso funcionar. Se não funcionar, eu estou perdido. Eu desisti de tudo pra fazer isso aqui dar certo, não tenho mais o que fazer se a Rachel não me aceitar. Sinceramente ? Meu mundo vai acabar.
Engraçado que eu sempre reclamei dos dramas que ela fazia e aqui estou eu fazendo a mesma coisa. Mas não tem pra onde correr. O nosso amor é melodramático. É teatral e único. Eu sei disso. Agora eu sei disso. Percebi que nenhum título nacional vai me dar a mesma felicidade que o título que eu tive aqui no McKinley antes, o de namorado da Rachel Berry.
Assim que cheguei ao colégio hoje pela manhã, ela foi a primeira pessoa que eu vi. E doeu. Ela estava tão linda. Ela sempre foi linda, na verdade. Mas hoje tinha alguma coisa diferente. Ela estava feliz. Estranho, já que ontem teve todo aquele estresse com o babaca do – espero eu – ex-namorado dela.
Cheguei perto e tentei conversar com ela.
- Rachel. – Ela olhou pra mim e ficou vermelha. Quem sabe ela estivesse pensando em mim? Isso me animou. – E aí? Terminou enfim com aquele cara que não servia para você? Está voltando ao seu senso?
- Isso não te diz respeito. – Ela falou numa voz dura que eu não conhecia. – Nada sobre mim te diz respeito mais. Agora se você puder me dar licença, tenho aulas para assistir, para ter certeza que eu não tenha que voltar para uma escola onde eu não sou querida por ninguém.
Fiquei olhando ela ir embora sem poder fazer nada. Não sei por que, mas aquilo me machucou tanto. Doeu de verdade. Não esperava essa frieza da parte dela. Eu queria que ela brigasse, gritasse, fizesse um drama, porque aí eu saberia que ela ainda era a minha Rachel... Essa Rachel de agora? Eu não conheço.
Passei o dia pensando nisso. Não prestei atenção em nenhuma aula, até porque eu nunca precisei prestar. Me formei com médias altas e sempre fui um excelente aluno. E agora estou preso aqui.
O que eu podia fazer pra ela perceber que não tem outro que não eu? Eu não quero que ela sofra mais do que ela já sofreu. Não quero que ela passe pelo o que eu passei para saber que era só ela que eu queria.
- Hey, St. James. – Estava saindo da sala quando o Azimio me chamou.
Não era como se eu não soubesse o que ele queria. O pagamento. Eu disse que se eles ficassem do meu lado durante o período das aulas e dos treinos eles seriam recompensados. Claro que eles só veriam o prêmio depois que provassem que eu podia contar com eles. O que fizeram.
Pra mim não era nenhuma dificuldade dar um carro pra cada. Tudo o que eu tive que fazer foi vender a minha Rover do Vocal Adrenaline e consegui comprar dois carros num estado condizente com os futuros donos. Não queria mais nada que me lembrasse do meu antigo clube.
- Azimio. Karofsky. – acenei para eles – Os documentos e as chaves estão no armário do vestiário, vamos lá, eu entrego para vocês.
Eles eram estranhos. Bem aquele estereótipo de atleta grandalhão e brutamontes do ensino médio. Mesmo assim. Eram estereotipados demais. Pareciam aqueles caras que fingem ser homofóbicos simplesmente por não estarem certos da sua própria sexualidade. Mas tanto faz, eu não tinha nada haver com isso. Só espero que eles não queiram que eu entre pro clubinho deles empurrando caras como o Kurt em armários. Não tenho nada contra eles e acho todo esse processo brutal simplesmente bárbaro e desnecessário.
Depois que eles saíram do vestiário, fiquei olhando uma foto que eu tinha guardado. Uma foto minha e dela. Será que algum dia as coisas ficariam certas de novo? Será que eu ia conseguir me livrar desse pesadelo?
- Ei, St. Jerk.
Primeiro pensei que fosse um dos meus dois "seguranças", aí eu registrei o apelido maldoso. Só tive tempo de guardar a foto novamente antes de me virar e me deparar com um punho vindo na minha direção.
Dor.
É. Acho que o meu pesadelo ainda está longe do fim.
FUCKYEAHSTPUCKLEBERRY
"You think you lost your love,
Well, I saw her yesterday.
It's you she's thinking of
She loves you
And you know that can't be bad.
Yes, she loves you
And you know you should be glad. "
Puck POV
Alguma coisa dentro de mim estalou enquanto a Rachel discutia com o Finn. Eu percebi de repente que por mais que eu quisesse transformar a cara dele em uma pasta irreconhecível isso não ia trazer nada de positivo pra ela.
Só que eu não fazia idéia de onde aquele polha podia estar. Se fosse como na época que ele esteve aqui antes, ele provavelmente estaria na biblioteca ou no auditório ou na sala do coral. Só que ele conhece a Rachel e acho que ele não se meteria em nenhum lugar onde ela pudesse estar. No chute, acertei. Ele estava no vestiário do time. Chegando lá vi que o Azimio e o Karofsky estavam saindo. Ainda ia descobrir o que estava acontecendo lá, mas agora não era o momento.
Para minha sorte, ou para a falta de sorte dele, ele estava sozinho mexendo no armário. Mas eu não sou covarde, sou homem o suficiente para não atacar pelas costas.
- Ei, St. Jerk. – Foi ele olhar pra mim com aquela cara de que não gostava do apelido e meu punho encostou na mandíbula dele, enquanto eu segurava a camisa com a outra mão.
Fazia muito tempo que eu queria dar essa surra nele. Só não fiz isso antes porque a Rachel não quis. Mas agora nem ela me faria parar. E ele sabia que estava errado e que merecia aquilo, tanto que nem quis revidar. Quando eu consegui descontar toda a raiva que eu estava sentindo dele, do Finn e de toda essa situação de merda, eu soltei a camisa dele e ele escorregou para o chão. Pelo menos não estava desmaiado, afinal ele ia ter que ouvir tudo o que eu ia falar pra ele.
- Queria saber por que você que está me batendo e não o contrário Puckerman. – ele disse cuspindo o sangue que tinha ficado na boca – Eu vi você beijando a Rachel ontem, se alguém tinha que tirar satisfações era eu.
Aquilo me enfureceu e eu quase voltei a bater nele, só não fiz isso porque eu precisava que ele ouvisse o que eu tinha a dizer.
- Agora presta atenção, seu canalha. – Ele estava me olhando meio assustado, mas não com raiva. Quer dizer, com um pouco de raiva, mas não a raiva capaz de fazer com que ele viesse pra cima de mim. E parecia sei lá, envergonhado talvez? Não importa. – Eu vou falar e você vai ouvir. E eu não quero ouvir um "ah" da sua parte, a não ser que você esteja querendo ficar inconsciente. Não? – Ele ficou quieto. – Ótimo. Você simplesmente não tem absolutamente nada haver com o que aconteceu ou deixou de acontecer entre a Rach e eu, você abriu mão desse direito quando quebrou aquele ovo na testa dela. – Ele se encolheu como se aquela lembrança machucasse, o que só provou meu ponto. Respirei fundo e sentei no banco de frente para ele.
- Você foi um filho-da-puta e merecia muito mais que essa surra e eu acho que você sabe. A única coisa que me consola é que a Rachel vai acabar com você até que vocês voltem
- Do que você está falando Puckerman? Eu e a Rachel? O que faz você pensar que eu quero ela de volta? – Ele era um bom ator, isso eu admitia. Mas uma vez que a Rachel passa pela sua vida, ela não é apagada dessa forma e eu podia ver isso escondido nos olhos e na expressão dele.
- Você não me engana. Por que outro motivo você estaria nessa escola repleta de Lima losers em vez de estar na sua Universidade cheia de frutinhas? Você quer a Rachel de volta. E quem não ia querer?
Ele ficou me olhando como se não esperasse que eu dissesse uma coisa assim nem em mil anos.
- A verdade é que eu não tenho amigos, não tenho ninguém que se importe comigo de verdade. Desde que meu pai foi embora de casa, minha mãe teve que se preocupar em sustentar minha irmã e eu e não pôde se preocupar mais tanto comigo. Então por muito tempo eu não soube o que era se sentir querido. Eu não terminei de falar, é bom você ficar quieto se não quiser apanhar mais. – Estava sendo muito difícil falar dessas coisas pra alguém, mas ele precisava saber que eu falava sério. – O que acontece é que a Rach se preocupa comigo, de verdade. E quando nós ficamos juntos bem antes de você, eu não consegui lidar com isso, eu ainda achava que a Q era o que eu queria. Agora eu sei que não é. Aliás, pode ficar calmo, eu sei que não é a Rachel também. A Rach agora pra mim é como a minha irmãzinha que eu sempre tive que proteger. Eu vou protegê-la enquanto eu puder. E eu quero o melhor pra ela. E por mais que me machuque dizer isso, por enquanto o melhor pra ela é você. Então eu vou te ajudar a conquistá-la novamente. E você fica me devendo essa. Pra sempre. E se você fizer qualquer coisa que a machuque, eu vou quebrar seus ovos na sua cabeça, estamos entendidos?
Foi aí que ele perdeu toda a pose arrogante. Pareceu triste e cansado, como se estivesse fazendo o caminho que os hebreus fizeram voltando do Egito.
- Agradeço muito a sua "ajuda", mas simplesmente não vai adiantar. – falou ele com um sorriso triste que me fez quase esquecer a raiva que eu estava sentindo. – A Rachel me despreza. Ela foi procurar conforto com você, um brutamontes que tem todo o jeito de um marginal. Por que você acha que eu quis entrar pro time de futebol? Talvez se ela achasse que eu tinha mudado completamente ela fosse me querer de volta, mas acho que não.
E ali eu podia ver o que a Rachel tinha causado nele. Ele era um cara arrogante cheio de si e metido, depois dela ele virou um cara inseguro e triste. Ele precisava dela do mesmo tanto que ela precisava dele.
- Sabe, você não estava aqui depois. Você não sabe como ela ficou. Ela ficou arrasada. E quando você voltou, ela ficou do mesmo jeito. A verdade é que ela ainda te ama. E eu acho que ela vai continuar te amando. E vocês precisam resolver logo isso, a Rachel é uma pessoa boa demais pra ficar se sentindo assim.
- Então você realmente acha que pode me ajudar?
- Se eu acho? Cara, quando eu me proponho a fazer alguma coisa é porque eu não tenho dúvidas. Tô tendo esse papo de bichice com você aqui, mas continuo sendo o mesmo Puckerone de sempre. Eu sei do que eu estou falando. Só que você tem que dar um tempo pra ela primeiro. De qualquer forma, eu vou continuar com ela. Assim fica mais fácil de ela ver as diferenças entre nós dois e perceber o que todo mundo já sabe.
Claro que eu ia ajudá-lo a conquistar a Rachel de volta. Por ela. Por mim, ele podia definhar de tristeza e morrer se ficasse tudo bem com ela. Mas não ia.
E aí se formou a parceria mais inusitada. Puckerone e St. Fruity.
A sorte está lançada.
N/A: Okay, só um adendo... A cena do Puck esmurrando o Jesse era pra ser uma coisa mais ou menos baseada num episódio que eu vi de The Walking Dead, o link vai estar no perfil, pelo menos na minha cabeça. Com a diferença que o Jesse não vai estar caído no chão e que eles estão num vestiário...
