N/A: Um agradecimento especial a Galatea e a Empty, por estarem sempre me ajudando, me incentivando e botando ideias na minha cabeça.
Capítulo Nove
Zacharias deu-lhe um soco do lado direito, tirando sangue de sua boca. Mais um veio com força, do mesmo lado, derrubando-o no chão.
- Sabe, Castiel, de todos os anjos, eu não imaginei que logo você fosse cair pelos humanos. – ele pegou Cass pela gola da camisa, acertando seu nariz em cheio. – Você sempre foi tão obediente, tão exemplar...
Outro soco acertou seu olho, que começou a latejar. Zacharias estava furioso, sentia pelo jeito como ele segurava-o, com uma firmeza tão grande, que achou impossível soltar-se.
- Mesmo depois de Anna, – ele fez um gesto com as mãos, dando ênfase ao que disse em seguida – o amor de sua vida, cair na Terra... Achei que fosse segui-la, mas não! – outro soco – Você simplesmente baniu-a de seus pensamentos. Ignorou-a, como o anjo caído que é merece!
O soco que se seguiu derrubou Castiel no chão. Ele apoiou as mãos no cimento frio, sentindo o sangue escorrendo e acumulando em sua boca. Olhou para o mais velho, o olhar de maníaco que surgiu em seu semblante irritado.
- Então, depois dessa demonstração de obediência e fé, eu lhe nomeei chefe da falange. Você ficou lá, paradinho, só observando os Winchesters, coisa que Anna deveria ter feito em seu lugar.
Castiel cuspiu o sangue no chão, passando a mão na boca, para limpar qualquer resquício vermelho dela.
- E fez um ótimo trabalho tirando Dean do inferno, passando por todos aqueles demônios de maneira tão espetacular... A cara de Alastair quando você tirou o pupilo dele... Nossa! – Zacharias riu. – Foi hilário!
Castiel começou a levantar vagarosamente, encarando o superior com firmeza.
- Mas então... – Zacharias sacudiu a cabeça – Então você decidiu cair de amores por Dean Winchester! – levantou as mãos para o céu, num gesto exasperado. – O que foi que deu em você, Castiel?
- Dean me mostrou coisas que antes eu não podia ver.
- Lhe mostrou coisas, hum? – Zacharias ficou sacudindo a cabeça afirmativamente durante um tempo, antes de dar-lhe um soco no estômago, fazendo Castiel dobrar-se ao meio, sem conseguir respirar direito. – Eu posso imaginar as coisas que ele anda lhe mostrando... – uma joelhada atingiu o ponto dolorido, derrubando Cass novamente – Ou melhor, o que você anda tomando por verdade.
Um chute nas costelas pegou-o desprevenido. Cass já não sabia onde colocava a mão naquela vã tentativa de parar a dor. Tudo doía. Inclusive sua alma, por um dia ter confiado naquele anjo.
- Ah, mas você pode confiar, Cass – Zacharias pegou-lhe pelos cabelos, trazendo sua boca para perto do ouvido do anjo machucado. – Pode confiar que eu vou lhe mostrar as coisas do meu jeito. Ou melhor, do jeito que realmente são. – ele sussurrava como uma cobra, perigosa e letal, prestes a comer seu coração – Vou mostrar-lhe como os humanos são mesquinhos, sujos, corruptos. – cuspiu a última palavra com todo o desprezo que conseguiu reunir: - Indignos.
Jogou a cabeça dele para frente, e Cass precisou espalmar as mãos no chão para não cair de cara. Precisava levantar, precisava reagir. E foi o que fez. Depois de sentir o primeiro chute, esperou pelo próximo, silenciosamente, clareando sua mente, para que o outro não pudesse adivinhar suas intenções.
Quando Zacharias aproximou-se, o pé levantado para dar-lhe um pontapé, Cas segurou-lhe a perna, derrubando o mais velho no chão, subindo em cima dele e desferindo golpes certeiros e ferozes. Toda a raiva acumulada por toda a tortura, física e psicológica, foi para seu punho, arrancando sangue de Zacharias, deformando-lhe a face.
Castiel, num surto de ódio, segurou o pescoço de seu carrasco com toda a força que ainda lhe restava, querendo vê-lo morto em seus braços. Zacharias lutou com as mãos fortes que o seguravam, mas não conseguia soltar-se de jeito nenhum. A visão de um Castiel frenético em cima de si foi mais aterrorizante do que o fato de estar quase sucumbindo à inconsciência.
No último minuto, porém, Elemiah entrou na sala, chamando silenciosamente pelo chefe. Ao ver a cena, correu socorrer o anjo, usando seus poderes para prender Castiel à parede.
- Você está bem? – ajudou Zacharias a levantar, puxando-o de uma só vez. Ainda engasgado, o superior balançou a cabeça afirmativamente. Castiel tentava soltar-se, mas Elemiah era mais forte do que ele. Encarava-o com certa surpresa e admiração, nunca imaginava que Cass fosse perder a cabeça daquele jeito.
Zacharias aproximou-se de Castiel quando se sentiu melhor. Falou baixo, sua voz cheia de uma promessa velada, que deixou Cass tonto.
- Você vai se arrepender amargamente, Castiel. Marque minhas palavras. Vou mostrar o inferno terreno, que você sequer imaginou existir. Prepare-se.
E saiu, seguido por um Elemiah ainda espantado. A porta fechou-se e Castiel caiu no chão. A magia, enfim, findando. Respirou fundo, várias vezes. Dean Winchester o tornara um guerreiro, um lutador. Olhou para as mãos, que sufocaram seu superior. Aquela sensação, de poder fazer o que quisesse, era maravilhosa. Ele sentia que podia finalmente ser um bom filho.
Agarrou-se àquele poder fortemente. Então, era assim que se sentia quem estava no controle da sua própria vida. Agora entendia porque Anna decidira cair. Sentir-se dono de seu próprio destino, poder fazer suas próprias escolhas, era a melhor sensação do mundo.
Mas a alegria não durou muito. Lembrou-se de Lela, arrancada brutalmente de cima do corpo dele. O que será que acontecera a ela?
