N/A: Capítulo betado por Galatea Glax. Obrigada, amor.
E obrigada a todos que continuam acompanhando a fic.


Capítulo Onze

Cass parou perto do acampamento, olhando diretamente para baixo. Viu várias crianças correndo e brincando, mulheres lavando roupas em grandes bacias de alumínio, conversando enquanto sorriam umas às outras. Velhos sentados nas portas das tendas, manuseando estacas de madeira, esculpindo-as em formato de cachimbo.

Alguns homens mais novos estavam espalhados pelo campo também, conversando e cozinhando numa grande fogueira. As armas encostadas nos bancos improvisados, prontas para serem usadas ao menor sinal de perigo.

Uma menina olhou diretamente para Cass, e ele virou para trás, para ver o que ela estava olhando. Não havia nada, a não ser deserto. Nem mesmo o céu tinha algo de errado. Ele se virou mais uma vez, capturando os pequenos olhos amendoados nos seus, imaginando se ela realmente podia vê-lo.

Por via das dúvidas, Cass fez um sinal de silêncio para a garotinha que, depois de olhar para os lados para ver se alguém prestava atenção nela, afirmou discretamente com a cabeça.

- Zacharias, seu filho da mãe, o que você quer agora?

Um sorrisinho ecoou em seu ouvido, trazendo-o à realidade dura de que algo muito ruim aconteceria ali. Pensou em continuar caminhando, andar até que Zacharias desistisse, mas algo o impelia a continuar ali. Precisava protegê-los. Proteger aquela pequena menina indefesa que o olhara com seus olhos curiosos e escuros.

Então, ele sentou. Sentou no grande descampado, observando atentamente tudo ao redor. Com sorte, ele veria o perigo chegando e conseguiria alertar as pessoas ali embaixo. Com sorte, ele poderia até mesmo afastar o perigo de perto deles.

Esperança e fé. As duas coisas que mantinham Castiel de pé. As únicas coisas que ele tinha de sobra, e que Zacharias nunca poderia tirar dele.

Ele esperou. No topo, vigiando, sentado, ereto, desconfiado e atento. Observou as pessoas vivendo normalmente lá embaixo, a garotinha lançando olhares para ele ocasionalmente, quando achava que não havia ninguém olhando. Viu o sol cair ao longo do dia, escondendo-se atrás das montanhas, dando espaço para a lua surgir, grande e cheia de luz.

A noite passou, virando madrugada. O vento fresco que carregava as poucas nuvens pelo céu passava pelo corpo de Cass, balançando seus cabelos e as tendas lá embaixo, das quais ele não tirara os olhos o dia todo.

Prestava atenção em todo e qualquer barulho e movimento, então não se assustou quando viu a garotinha sair de onde dormia, olhar ao redor, conferindo se não havia ninguém de olho e subir a encosta da montanha de onde Cass vigiava.

Ela parou à sua frente, olhando curiosa para dentro dos olhos azuis brilhantes. A manta que carregava nas mãos foi usada para forrar o chão perto de Cass, onde ela se sentou em seguida, cruzando as pernas e sorrindo para o anjo.

- Oi.

- Olá.

- Meu nome é Aysha. – ela apontou para si mesma e depois para Cass – E o seu?

- Castiel.

Ela riu, alegre.

- Que nome engraçado. – ela entortou a cabeça para o lado – O que é você?

Cass sorriu. Ele gostava de crianças. Elas geralmente tinham um sexto sentido natural para coisas místicas. O mundo as moldava para desacreditarem nas coisas sobrenaturais, mas todos os humanos nasciam com aquela capacidade de perceber o mundo mágico ao seu redor.

- Sou um anjo.

- Um anjo? – ela examinou-o com grande interesse – Cadê suas asas?

- Elas são invisíveis.

- E o que você faz aqui, anjo?

Essa era uma boa pergunta. O que Castiel fazia ali?

- Você é meu anjo da guarda? – a criança perguntou numa voz doce e animada.

Castiel riu da inocência da pequena garotinha. Com o sorriso que ela lhe dispensava, como dizer não?

- Sim. Sou seu anjo da guarda.

- Você é bonito – ela se aproximou, colocando a mãozinha no rosto de Cass.

- Obrigado. Você também é muito bonita.

A garotinha corou, desviando os olhos do anjo, olhando para o acampamento onde estava alojada. Ela viu um movimento repentino numa das tendas perto da sua e levantou-se de um salto.

- Você vai ficar por aqui, anjo?

- Por enquanto.

- Então eu volto mais tarde pra conversar com você. Preciso ir antes que mamãe acorde e veja que não estou lá. – ela deu dois passos em direção o acampamento, mas depois mudou de ideia, voltou até Cass e deu-lhe um beijo no rosto – Obrigada por cuidar de mim, Castiel.

E ela correu silenciosamente pela areia, voltando ao acampamento, olhando para todos os lados, atenta. Antes de entrar, porém, ela parou e voltou para a montanha onde Castiel estava e acenou-lhe brevemente, antes de se esconder, bem a tempo de evitar ser pega por um dos homens, que havia levantado para ir ao banheiro.

Castiel jogou o corpo para trás, pousando a cabeça nos braços, observando o céu por um instante antes de fechar os olhos. Ele pressentia longos dias à sua frente.