I'll get him hot, show him what I got

Ela assistiu à próxima aula particularmente desatenta à tudo. Quando Luna perguntou enquanto saiam da sala se podiam fazer o trabalho em dupla juntas Gina concordou, mas não sabia nem do que se tratava nem exatamente sobre o que aquela aula falava. Ela ficou pensando em uma maneira de escapar daquilo tudo, mas não encontrou. Não havia escapatória, ela teria que jogar o jogo dele.

-Seu marido vem te buscar? – Luna perguntou antes de saírem.

-Ele está parado ali – Ela apontou para um carro preto a alguns metros das duas. Havia um homem de cabelos pretos e óculos dentro e Luna olhou com estranheza.

-E quem é o outro?

-Quem?

-O que veio mais cedo te ver... Loiro...

Gina havia se esquecido deste pequeno detalhe: Draco, se é que esse era mesmo o nome dele, havia se apresentado à Luna como seu marido. Gina enrubesceu sem saber direito o que dizer. Ia começar a explicar quando Luna a interrompeu:

-Não se preocupe, também não acredito em monogamia. – disse ela, parando de andar.

Gina também parou e olhou-a ligeiramente surpresa.

-A mente humana não está preparada para isso – Luna complementou batendo com o indicador na têmpora.

-Er... Tchau, Luna.

-Até amanhã – a amiga respondeu sorridente.

Ela mal sentiu o beijo suave que Harry deu em sua bochecha quando entrou no carro. Tentava fazer parecer que tudo estava bem.

-Como foi a volta?

-Foi bem – mentiu com perfeição – Foi um pouco difícil relembrar algumas coisas, mas acho que devagar eu volto ao ritmo.

-Você é muito esperta... – Ele acariciou o joelho dela com a mão que não estava no volante – Logo vai voltar a ser a melhor aluna.

Ela riu e deixou-o tocando seu joelho. Em silêncio admirou sua própria capacidade de mentir. Na verdade, chegava a ser assustador. Encostou a testa no vidro do carro e observou as ruas passarem ao seu lado. Tudo nelas tão calmo e certo e era tudo mérito do trabalho árduo de Harry em combater o crime naquela cidade. Ele era um herói e ela, que já não era nem nunca fora a melhor pessoa do mundo mentindo para ele. Ela devia se sentir mal por isso.

O carro parou, ela desceu e entrou em casa correndo, não esperando para dar as mãos à Harry como costumava fazer. Entrou no banheiro à passos rápidos e se trancou lá. Encarou o enorme espelho sobre a pia dourada. Era uma casa ricamente ornamentada, graças à boa posição econômica de seu marido. Não era aquele rosto sardento que devia se refletir no espelho. Ela chorou observando a si mesma desmanchando-se em lágrimas. Ela não era boa o suficiente para ele e ainda o enganava. Quem era essa pessoa no espelho? Ela chorou pela primeira vez depois de tudo. De seus olhos saiam gotas de consciência pesada e medo que transbordavam de seu corpo já esgotado por essa tortura psicológica que era manter um segredo tão perigoso. E as coisas ainda nem haviam começado. Harry bateu à porta.

-Está tudo bem?

Ela chorou mais algumas lágrimas para lavar a alma de uma só vez.

-Gina? – ele bateu mais uma vez na porta, seu tom de voz era preocupado.

Ela estava sendo fraca, e sempre detestara esse lado em si mesmo. Sempre fez questão de mostrar-se forte e de uns tempos pra cá havia esquecido disso. Mas agora ela seria uma nova pessoa e resolveria esta situação sozinha. Lavou o rosto e secou as lágrimas. Depois se encarou uma última vez no espelho. Ela faria o que fosse preciso para reverter a situação a seu favor.

Harry já batia impaciente na porta quando ela finalmente abriu a porta. Ele a olhava confuso e ela o abraçou com força, chegando a fazê-lo tombar um pouco para trás. Beijou-o com agressividade. Ele correspondeu com semelhante exaltação. Ela enlaçou-o com as pernas e ele deu alguns passos para trás chegando até a cama, onde se sentou enquanto ela agarrava com os dedos os cabelos pretos dele. Suas bocas separaram-se e enquanto ela tentava tirar a camisa dele e ele perguntou:

-Mas o que aconteceu?

-Só decidi que tenho que ser como antes – ela disse com a voz fraca.

-Antes? – Ele perguntou, mas o final da palavra foi abafado porque ele já estava beijando o pescoço dela.

-Antes de te conhecer.

Não exatamente antes de conhecê-lo, mas antes do que havia acontecido a ela para que se conhecessem. Ele sabia do que ela falava. E a beijou com suavidade no pescoço.

Na manhã seguinte ela acordou na cama vazia. Como era habitual, Harry já havia saído. Ela se trocou rápido, comeu alguma coisa que encontrou na geladeira e tomou um café para deixá-la mais dispersa. Ela iria à biblioteca pesquisar tudo que fosse possível. Queria encontrar uma maneira de derrotar seu inimigo, ou no mínimo ter alguma maneira de jogar contra ele, tornando a vitória dele pelo menos mais difícil.

Ela tinha um nome agora, Draco Malfoy. Talvez nem fosse o verdadeiro nome, mas era algo que ela tinha em mãos. Não encontrou nada sobre ele. Apenas o registro antigo de uma família muito rica de origem francesa que deixara a cidade há cerca de 20 anos. Eles tinham uma mansão na parte antiga da cidade que não fora vendida, mas estava abandonada. Pode ter sido pra lá que Gina havia sido levada. Ela anotou o endereço em um pedaço de papel e guardou. Talvez ela não pudesse ir até lá agora, mas podia mandar alguém ou coisa assim. Se a estavam vigiando, a área onde o casarão ficava provavelmente devia ser um dos lugares em que ela nem podia pisar sem causar suspeitas. Ela guardaria essa carta na manga e usaria o trunfo mais tarde, quando tivesse algum controle a mais sobre a situação, pois por enquanto ela mal sabia o que fazer com essas informações que nada tinham de garantidas.

Ficou alguns segundos apenas encarando os resultados de sua pesquisa. Ele era novo na cidade, seu comparsa dissera. Poderia muito bem ser da tal família Malfoy, ter deixado a cidade quando ainda era criança e agora ele retornava sabe-se lá por quais motivos. E por falar nisso, ela também tinha o nome do homem que conversara com Malfoy. Voz grave, mas ela não vira o rosto. Blaise. Não era um nome muito comum, se ele já era da cidade e tivesse sido preso seria ainda mais fácil descobrir a ligação entre os dois e consequentemente mais informações que pudesse usar contra eles.

Gina decidiu procurar nos jornais da cidade primeiro, segurando-se à esperança que o tal Blaise fosse da cidade, já tivesse sido preso e tivesse sido algo notório o suficiente para figurar nas páginas policiais.

Os nomes com esse nome envolvidos em crimes eram Blaise Morgan, Blaise Patrick Holmes e Blaise Zabini. A família Zabini habitava na parte antiga da cidade também e a mãe dele era uma conhecida viúva negra, cuja guarda do filho já fora inclusive questionada (levando-o pela primeira vez às páginas dos jornais), mas no fim das contas ele foi mesmo criado por ela. Já fora preso por assalto à mão armada (primeiro em um banco, depois em um casino) por duas vezes em uma cidade próxima, mas fora liberado por ter bons advogados. O caso obteve alguma atenção da imprensa local porque o modo como ele assaltou foi considerado cavalheiro e gentil. Coisa que só uma pessoa de classe seria capaz de fazer. Blaise recebeu a alcunha de Sir. Blaise, uma referência aos cavaleiros ingleses que a imprensa não hesitou em usar, já que ele cortejara uma das reféns do banco.

Gina não tinha dúvidas de que Blaise Zabini era o cúmplice de Draco Malfoy. Blaise Morgan cometera um crime passional e assassinara a mulher que o traía e Blaise P. Holmes era um homem que vendia produtos roubados. Só podia ser Zabini. O nome não era muito comum e Gina esperava que fosse ele mesmo, se não estaria sem nada nas mãos para jogar.

O fato mais interessante que encontrou sobre o tal Blaise Zabini é que quando ele foi preso, fora acusado de ser parte de uma espécie de gangue ou máfia chamada "Os comensais da morte". Gina não conteve um risinho quando leu o nome. Quanta pretensão... De qualquer modo, eles eram conhecidos por tatuar seus membros com imagens significativas de hierarquia e importância dentro do grupo. Ele não tinha tatuagens. Não foi provado seu envolvimento com o grupo.

Ela mordeu o lábio, pensativa. Isto era muito interessante. Pesquisou mais sobre a organização criminosa. Originou-se de um grupo de extermínio, daí o nome (que não deixava de ser ridículo). Posteriormente eles se subdividiram em uma extensa rede criminosa que cometia desde assaltos à tráfico de drogas e crimes contra o governo e se espalharam por todo o país. Funcionavam como uma espécie de máfia russa, e sob a influencia desta também tatuavam seus integrantes com desenhos significativos da hierarquia no grupo e sua função. Gina não tirava da cabeça que o Malfoy poderia fazer parte do grupo. Ela não tinha nenhuma razão específica para pensar assim, mas o assunto não saía da sua cabeça. Era uma intuição forte que ela não podia negar. Como não podia provar nada, tentou pensar em outras coisas mais palpáveis para incriminá-lo, mas teve que se concentrar no fato de que a vida de Harry e a dela estavam sob ameaça. Ela só poderia mostrar suas cartas quando tivesse algo forte e decisivo para por em jogo.

N.A.: Obrigada pelas reviews! Sempre me incentivam. Continuem lendo e mandando reviews e falem o que vocês estão achando da história!