A hard pair we will be
Gina não tirava os olhos do revólver. Já tocara nele naquela mesma noite ao tirá-lo da cintura de Draco para cuidar dos ferimentos deste, mas ela mal sentira que estava fazendo isso, pois agira rápido e sem pensar muito.
Agora, era outra a situação. Draco segurava a arma pelo cano, oferecendo a Gina a coronha. Talvez oferecer não fosse a palavra certa, mas ela de qualquer modo teria que aceitá-la. Precisou de alguns segundos. Segundos em que fitou com um temor inexplicável aquela arma. Ela nunca tocara em uma arma, exceto na ocasião de hoje, não gostava delas, não gostava que seu marido as levasse pra casa, mesmo que fosse necessário e ela tinha absoluto pânico só de pensar que teria que segurar uma entre seus dedos.
-Anda logo com isso!
Ela estava sentada no banco do motorista, ele no do passageiro. Ela insistira para dirigir pelo menos até o hospital, em cuja porta estavam parados. Agora ele empurrava o revolver em direção a ela. Ela não conseguia tirar os olhos daquele objeto, tão próximo a ela.
-Meu braço está doendo e eu tenho uma costela quebrada, você pode andar rápido?
Os dedos dela se agarraram lentamente à coronha. Com um certo tremor, ela pegou a arma e a trouxe para perto de si. Era pesada, mais muito menos do que ela pensou que fosse. Draco saiu do carro e rumou para o hospital. Ela ficou sozinha com aquele revolver. Ele confiara nela por um instante, ela ainda não entendia as razões que o levavam a fazer isso. Era simples de se ver que ele acabara de abdicar do poder que a mantinha calada e obediente. Talvez ele agora confiasse nela porque ela havia salvado sua vida. Mas ele demonstrara claramente que não temia aqueles homens, então ela não sabia se considerava ter a arma em suas mãos um sinal de gratidão ou de outra coisa.
Gina suava frio em ver o objeto metálico sobre seus joelhos, aninhado como um bebê. No entanto, ao pensar que aquele era um símbolo de poder sobre a situação, algo na arma a seduziu. Talvez fosse o brilho negro do metal, talvez fosse o fato de pertencer ao homem que a chantageava, talvez tenha sido algo violento dentro dela que estivesse adormecido com a convivência com Harry e que despertava agora que ela estava nessa situação que a fazia sentir esse turbilhão de emoções furiosas. Os minutos se passavam e Draco não voltava. Seus dedos foram lentamente se aproximando do revolver. Com cautela sua mão envolveu firmemente a coronha e seu dedo indicador posicionou-se próximo ao gatilho. De repente, ela não estava mais assustada com aquele gesto que ela já repugnara. Ao erguer o objeto e posicioná-lo em sua mão, tudo parecia certo e sob controle. Ela poderia acabar com Draco agora mesmo, poderia voltar a viver tranquilamente com Harry sem ter que dizer que era mentirosa e sem esperar a volta de Draco para atormentá-la.
Ela ficou sentada por muito tempo, esperando no carro e segurando-se à arma com tanta vontade que o sangue se esvaiu de sua mão. Draco aproximou-se do carro. Ela podia acabar com tudo ou mesmo mudar o rumo desta história. Ele abriu a porta, sentou-se e a olhou.
Seus dedos afrouxaram-se e ela estendeu o braço em direção a ele. Embora seu cérebrou, ou seus instintos gritassem que ela não devia fazer isso, ela fez tudo que o rosto calmo dele pedia: devolveu-lhe a arma.
-Onde vamos comer? Estou morto de fome.
Ela não respondeu, deu a partida no carro se amaldiçoando por ter jogado fora uma oportunidade de por fim nessa tortura psicológica que era viver esse tempo todo mentindo para Harry. Ela devia ter tido a coragem pra fazer o que podia ter feito. Porém o ódio a si mesma não durou muito.
-Acredita que eu falei pro cara que eu tinha sido assaltado? – ele riu da ironia
Ela riu. Ele conversava com ela como se fossem amigos. Não poderia te-lo matado. E não conseguiria chantageá-lo, não era boa em ameaças. Gina certamente se perderia se estivesse no comando e a verdade acabaria chegando a Harry. Seu plano atual era melhor, e estava tudo dando certo, de qualquer maneira. Draco já até confiava nela, já lhe dissera mais coisas sobre si mesmo. Era uma questão de tempo até que conseguisse colocá-lo na cadeia.
-Era mesmo uma costela quebrada?
-Não. O médico nem tirou um raio X pra verificar, - disse ele com desprezo - só me recomendou repouso e mais analgésicos.
-Errei no meu diagnóstico. – ela disse, sem olhar para ele.
-Não se preocupe, você tem que saber cuidar da mente e não do corpo.
Ele olhou para ela, e ela correspondeu ao olhar preferindo o silêncio a dizer alguma coisa. Não podia responder àquele olhar de cumplicidade palavras. Continuou guiando em direção a um restaurante a que não ia fazia muito tempo, desde antes de conhecer Harry.
-Não...
O restaurante não era muito longe do hospital e pelo que ela se lembrava, ficava aberto até tarde, todos os dias. Ela costumava ir até lá com seus irmãos quando sua mãe e seu pai viajavam. Claro que a mãe dela não confiava naquela quantidade de meninos cuidando de uma menina, mas quando era extremamente necessário viajar com o marido por causa de obrigações do trabalho político dele, ela era obrigada a deixar sua única filha sob os cuidados dos irmãos. Eles não cuidavam muito bem dela, e ela gostava. Era bom ter um descanso da super proteção da mãe. Os irmãos ficavam fora o dia todo, aproveitando a ausência materna e os dois mais velhos só voltavam tarde da noite. Como todos ficavam mal alimentados durante todo o dia, costumavam ter fome somente altas horas da madrugada, quando os filmes bons – e proibidos pela mãe – já tinham acabado de ser exibidos na TV. E então, iam a esse restaurante, próximo à casa onde moravam e comiam tudo que a mãe não os deixava.
-Um hambúrguer, por favor. – Gina pediu ao garçom.
-Pra mim também. – Draco pediu – e batatas fritas.
-E coca-cola – acrescentou Gina.
-Pra mim uma cerveja.
-Você não pode beber, está sob efeito de medicação.
Ele fez cara feia, mas não discordou quando ela pediu coca para ele também.
O silêncio pairou sobre a mesa.
Gina saiu da mesa e foi ao banheiro. Depois de usar o banheiro e ajeitar os cabelos, olhando no espelho o quanto estava suja e descomposta. Lavou o rosto e tentou se aprumar, mas sorriu ao ver no espelho uma imagem parecida com a de tempos atrás, a menina que era mais como um moleque e brincava com os irmãos mais velhos. Recordou então das madrugadas com os irmãos ali. Ela sentia falta deles, só mantinha contato próximo com Rony, que era amigo de Harry também. Ela lembrou-se que se não fosse por Rony ser amigo de Harry ele não a teria salvo do assalto e sabe-se lá o que teria acontecido com ela. Agora ela sentava-se numa mesa, em plena madrugada, com um cara que tentara seqüestrá-la, mas dera-lhe todas as chances de escapar. Ela sabia que não precisaria de Harry para salvá-la e queria, mesmo assim, que ele tivesse a salvado no primeiro dia dessa história, assim, tudo teria acabado muito mais rápido. Mas ela sentia-se bem em estar ali. Era estranho, muito estranho. Talvez fosse uma complexa síndrome de estocolmo que tivesse se desenvolvido com a qual não sabia lidar. Quanto mais se envolvia, mais simpatia sentia por Draco, mas também mais vontade de por seu plano em ação sentia.
Gina voltou à mesa e Draco também estava voltando para ela. Ela sorriu com simpatia para ele. Em uma noite, mudara a relação com ele de medo para uma relação parecida com amizade. Esperaram sem trocar palavras até que o garçom, um rapaz que, pelo que Gina se lembrava, parecia muito com o dono do local, trouxe os pratos. Gina não hesitou em começar a comer, Draco também não se demorou muito. Rapidamente haviam acabado com seus hambúrgueres. Ambos só deixaram por último o refrigerante e as batatas fritas.
Draco fisgava algumas com o garfo e as levava à boca enquanto Gina tomava mais um gole da bebida.
-Satisfeito? – ela perguntou.
-Sim. Eu ainda queria a minha cerveja.
-A bebida alcoólica ia cortar o efeito do remédio e você reclamaria de dor o tempo todo. Você não pode beber enquanto estiver tomando essas medicações! É pro seu próprio bem!
Draco amarrou a cara.
-Você gosta mesmo de mandar, não é?
Gina corou. É claro que não.
-Ahn, eu esqueci, o sr. Perfeito é tipo um macho alfa em casa, certo?
-Não! – Gina respondeu quase convencendo de sua indignação
-Então hoje foi um dia especial, certo? Você me mandou pro hospital, me mandou não beber e esteve no comando o tempo todo.
Ela tinha os olhos brilhando de irritação.
-Você até pegou minha arma. – ele disse baixando o tom de voz.
-Isso não foi uma coisa boa!
-Não minta! Você bem que gostou de ter todo aquele poder nas mãos por um tempo...
-Não gostei não! Você sabe que eu não gosto delas... E tenho aflição de ter que... pegar... uma delas nas mãos.
-Isso pode ter sido no começo. Quando eu cheguei no carro não parecia que você estava nervosa. Estava até parecendo... confortável.
-Por que você está falando essas coisas? Você também parece não gostar de...
-Eu uso quando preciso e porque preciso.
Ele não concluiu sua frase, por fim. Queria dizer que na verdade ele nunca atirou em uma pessoa, que não teria coragem se precisasse matar alguém e que ele só usava aquele revolver estúpido para intimidar pessoas... as que se metiam no seu caminho quando ele precisava assaltar algum lugar. Na maioria do tempo, ele é que era intimidado por um revolver de calibre superior. Gina ainda não conseguira apreender que ele era muito mais vítima do que agressor.
Gina ficou em silêncio. Comeu mais uma batata e tomou mais um gole de seu refrigerante, com os olhos baixos. Por um momento, seus pensamentos quase se tomaram completamente de piedade por ele, porque ela entendera o que ele queria dizer. Ele era muito mais vítima de toda a situação e ela estava apenas fazendo drama, afinal ela se sentira mesmo bem com a arma nas mãos. Era perigoso e mais uma coisa descoberta no dia de hoje com a qual não sabia lidar, mas era verdade.
Sua irritação se esvaiu por completo quando ela o observou pedindo a conta e pagando. Gina levantou-se enquanto ele terminava de acertar as contas. Foi para o lado de fora e sentou-se num banquinho de madeira que ficava no passeio, em que costumava sentar-se com os irmãos e tentar acertar carros em movimento com as pedrinhas que achavam no chão. Ela repetiu a experiência. Escolheu uma pedrinha, mas não haviam carros passando. Draco chegou e se sentou ao lado dela. Mais alguns segundos se passaram, finalmente um carro veio. Ela mirou o carro e errou feio.
-Perdi a prática.
Ela disse, mais para si mesma do que para Draco.
Ele abaixou-se e pegou uma pedrinha também. Quando um carro passou, ele atirou-a e acertou na calota traseira. De imediato, sorriu com aquela ingênua vitória, mas logo fez uma careta de dor.
-Meu braço não está bom e eu sou melhor que você. – ele disse, quase sério.
-Se eu praticasse todos os dias, venceria você com os braços amarrados.
Ele riu.
-Você está me subestimando. – ela disse, sorrindo também.
-Talvez.
Mais uma vez, quando o silêncio voltou, ficou entre eles a estranha intimidade que não deveria ocorrer entre eles. E Gina suspirou com culpa por se sentir mais leve e quase feliz perto desse quase desconhecido. Se sentia melhor ali do que perto de Harry.
Ele entrou no carro e ela o seguiu. Ele dirigiu até a casa dela. Ele sabia exatamente onde era e isso já não surpreendeu Gina como deveria.
-Então... eu devo fazer o que você me disse?
-O que? – ele nem se lembrava do que o fizera ir procurá-la. Ele nem mesmo se lembrava de que tinha ido procurá-la e nem porquê. Tudo fluía tão bem e naturalmente entre eles, nem parecia que ela era uma espécie de... refém.
-Manter Harry em casa...
-Ah, sim!
Ele olhou bem nos olhos dela, que estavam inquietos, indo dele para a fachada da casa em frente a qual estavam parados. Cada vez que os olhos dela voltavam para ele, depois de terem olhado para a casa em que ela morava, voltavam mais brilhantes. Draco não sabia porque brilhavam tanto, mas aqueles olhares úmidos o atraíam mais do que deviam e quando deu por si, suas mãos estavam ao redor do rosto dela. Ela já não se assustou com o toque dele. Ele não demorou mais que um segundo para tocá-la também com a boca. Mais rápido do que Gina esperava, ele a beijou com mais força e intrusão do que em qualquer um dos beijos que compartilharam antes. Ela não tentou resistir porque as mãos dele rápido estavam em seu pescoço e logo enroscadas em seus cabelos. Ela até esqueceu que estava na porta da casa em que vivia com Harry. Draco tinha uma suavidade ao beijar que a atraía mais para o beijo. E quando ela já estava completamente envolvida no ato, mãos, boca e pensamento, Draco ficou mais agressivo, como se avisasse que ela não podia se separar dele... E eles estavam presos naquele momento, sem querer encontrar saídas. Ela desejou beijá-lo para sempre, ele queria que não acabasse. Porque quando se separassem... tudo mudaria. No entanto, como uma advertência de que estavam indo longe demais, seus próprios corpos resolveram traí-los. Gina apertou forte demais a costela dele. Por instinto, a dor o fez afastar-se, mas a mente dele o fez esticar o braço e puxá-la de volta antes que as bocas estivessem longe demais, porém, seus dedos apertaram o braço ferido dela, fazendo com que ardesse e ela tivesse que repelir o toque de Draco.
Suas bocas não estavam mais unidas, só o pensamento.
Ela abriu a porta antes de pensar. E antes de falar ele pensou bem.
-Faça o que quiser quanto ao Potter.
Gina foi direto para o banho, depois pôs seus pijamas de mangas compridas. Desse modo, Harry não veria as feridas e ela não teria que responder a nenhuma pergunta de resposta desagradável.
Ele estava dormindo, não acordara quando ela chegou. Ele a abraçou, ainda adormecido, quando ela deitou-se ao lado dele. Culpada por enganá-lo, ao ver-se presa naquele abraço que fazia arder as pernas e braços esfolados o sentimento perdeu a força. Gina não dormiu porque sempre que tentava acalmar os pensamentos o suficiente para dormir, eles se agitavam, voltando a focarem-se no que havia acontecido no carro. Ela tentava não pensar nos motivos para terem feito aquilo, nem no que aconteceria em consequência daquilo. Podia inclusive analisar psicologicamente o que levara os dois a agirem daquele modo, mas não queria. Ela não queria justificar um erro com uma teoria, só porque aquilo a faria se sentir menos culpada por não se sentir tão culpada quanto deveria. Aquele beijo não a deixou dormir.
Harry levantou-se para trabalhar, deixando um beijo no pescoço dela. Gina fingiu estar dormindo até que os sons dele dentro de casa tivessem se extinguido. Não teria coragem de olhar nos olhos dele e agir normalmente depois de ter beijado, e dessa vez com vontade, um outro homem, que seu marido por um acaso detestava. Ficou na cama até mais tarde do que o normal. Não tinha apetite, nem vontade de se levantar e seus pensamentos nunca se concluíam e voltavam sempre no tempo, parando no momento em que as mãos de Draco tocaram seu rosto e revivendo toda a cena até que ela deixasse o carro. Ela se lembrou que olhara nos olhos dele, mas não conseguia se lembrar do que havia visto dentro da névoa cinzenta.
Não demorou muito e descobriu que não levaria a nada esperar que conseguisse organizar seus pensamentos, porque ela não conseguiria organizá-los e se conseguisse isso não mudaria nada do que aconteceu. Então ela decidiu se levantar e fazer algo de útil. A coisa mais produtiva que poderia fazer era começar a redigir o relatório que queria sobre Draco Malfoy. Se pensasse mais no momento em que se beijaram, não conseguiria ser tão imparcial quanto precisava ser. Com a maior frieza possível, detalhou tudo que sabia sobre ele, sua origem, suas atividades e concluiu rapidamente aquelas páginas. A primeira parte de seu plano estava concluída. Embora tivesse poucas informações sobre ele, eram suficientes para incriminá-lo, e então ela poderia se livrar dele rapidamente. E da culpa que sentia por não sentir remorso por tê-lo beijado.
Gina telefonou para Luna e marcaram um encontro em um restaurante perto da universidade sob o pretexto de que esta devolvesse a bolsa de Gina. Entregou à amiga as páginas escritas à mão e deu também todas as instruções necessárias para que seu plano se concluísse com sucesso. Luna não fazia mais perguntas do que era necessário e não chegava à inconveniência com os poucos questionamentos que fazia, tinha uma personalidade amiga e confiável. E, era a única pessoa conhecida o suficiente para que ela pedisse um favor desse e desconhecida o suficiente para ela não ter vergonha de pedir. Elas almoçaram juntas e Gina recebeu sua bolsa que havia ficado com Luna.
-Muito obrigada, Luna!
-Pode confiar em mim...
-Eu confio.
Gina não estava tão certa disso, mas foi embora deixando com ela todas as possibilidades de se livrar do peso das mentiras que contava. E da culpa que sentia por querer mais uma vez estar junto de Draco Malfoy.
Harry telefonara. Dizia pra ela não o esperar para o jantar. Gina ainda não havia decidido se devia ou não fazê-lo ficar em casa. "Faça o que quiser quanto ao Potter" Parecia uma vontade inconsciente de Draco ser apanhado, talvez porque lhe daria prazer pensar que tinha uma espécie de envolvimento com a mulher de alguém que odiava. Mas também não deixava de parecer uma maneira de deixá-la no comando, para que ganhasse uma certa confiança nele. Isso também demonstrava que Draco se submetia às vontades dela e que ela podia fazer o que bem entendesse quanto ao destino dele. Tão diferente do homem que agora estava no telefone com ela. Céus, ela não podia analisar as pessoas assim, principalmente quando o caso era tão próximo e ela seria tão parcial. Decidiu que não faria nada. Já havia produzido seu relatório e agora não podia ir na direção contrária. Despediu-se de Harry mandando-lhe um beijo, como resposta a um eu te amo.
Já havia escovado os dentes e se preparava para trocar-se e dormir. Gina foi fechar as cortinas do seu quarto e viu um carro, o carro dele, na porta de sua casa. Draco Malfoy? Ali? Merda, o que ele queria? Correu até a porta da frente, passou pelos jardins correndo e entrou no carro.
-O que você veio fazer aqui? Está louco?
Draco não respondeu com palavras, mas com certeza o que ele disse com atos significava "Sim, estou louco". Agarrou-a, beijou-a e não obteve rejeição por parte dela. Eles voltaram no tempo para o dia de ontem, os acontecimentos tomando o rumo que deveriam ter tomado anteriormente. A boca dele já não se contentava em ficar junto dos lábios dela, a queria inteiramente. Logo suas mãos também iam pelo corpo dela, enquanto a boca se concentrava no ponto estratégico que era o pescoço. Gina sentia seu coração disparar e seu corpo enviava mais sinais de que queria tanto quanto Draco. As mãos dele queimavam por baixo de sua blusa e sobre sua pele. Se havia uma competição entre o fogo que vinha do corpo dele e o gelo que vinha da mente dela, o fogo ganhou e dominou-a. Logo ela já estava lutando a favor do fogo contra o que restava de sua consciência e as armas que usava eram suas mãos, que atacavam o cinto dele. Ela gemeu com a mordida que levou na orelha e tentou se posicionar sobre os joelhos de Draco, mas o espaço curto do carro não permitiu que ela se encaixasse sobre ele e ela ainda bateu as costas no volante.
Luzes se acenderam na vizinhança e sua mente se esfriou de repente, congelando-a no movimento que fazia de tentar ficar sobre ele.
-Aqui não, Draco.
Ele olhou pra onde ela mirava e entendeu.
-Então, onde?
Os olhos dele foram para a casa dela, é claro.
-Não! Na sua casa.
Gina voltou para o banco do carona, ele deu partida no carro enquanto ela se sentava abraçando os joelhos. Pensamentos que beiravam o arrependimento prévio passavam pela mente dela. O carro andava rápido, mas não o suficiente para que ela não se arrependesse se eles demorassem mais.
-Acelera esse maldito carro. - Gina ouviu-se dizer.
As palavras escaparam de sua boca, bem como tudo isso havia escapado de seu controle. Ele pisou fundo no acelerador e rápido já estavam estacionados à porta daquela enorme casa abandonada. Draco deixou a chave na ignição e dessa vez ele passou por cima de Gina, a beijando. Abriu a porta com uma mão enquanto a outra já estava por baixo da blusa dela novamente. Ele saiu do carro, puxando-a junto de si e bateram no portão enferrujado da propriedade. Um rangido se fez quando ele se abriu, e logo estavam dentro da casa, a porta ficando aberta. Gina viu uma escada e ia por lá, quando Draco a agarrou por trás.
-Por aí não - ela sentiu o hálito quente dele em seu pescoço, e logo os lábios dele deslizavam ao longo do pescoço, parando na parte superior das costas sardentas dela, ainda cobertas pela blusa.
Ela se virou para ele e eles tombaram sobre os degraus. Ali ele tirou sua camisa e segurou Gina pela cintura. Com as pernas enlaçou a cintura dele enquanto ele a conduziu até o elevador antigo. Aos rangidos do elevador se adicionaram os sons da respiração pesada de ambos. Gina tirou a própria blusa e voltou as mãos para o cinto da calça dele, e depois para o zíper. As mãos dele deslizavam pelas pernas de Gina e quando foram para a parte interna das coxas dela, ela tirou as mãos de dentro das calças dele para desabotoar a própria calça. Finalmente chegaram ao último andar e entraram no cômodo que fazia de quarto, ele a puxava para mais perto de si enquanto andavam, as mãos ao mesmo tempo tirando as calças dela e apertando as nádegas de Gina. Livraram-se do sutiã e caíram sobre o colchão, ela por cima dele, fazendo-o gemer com dor, uma vez que na queda ela acabou batendo com o braço sobre a costela machucada dele. Desta vez, a dor não o fez se afastar, ele apenas deixou que ela se encaixasse sobre ele e impusesse seu próprio ritmo. Uma das mãos tentava tirar de sua frente os longos cabelos vermelhos que impediam que eles vissem o rosto um do outro. No comando, ela arranhou o peito branco de Draco quando ele passou a ficar por cima, os dois tentando com urgência obter alguma satisfação. O ritmo era de desespero e pressa. A respiração de ambos acelerava-se gradualmente, e Draco assistia seus movimentos deixarem Gina com o rosto cada vez mais rosado. Ela não conseguia conter gemidos e isso o fez pensar em uma só coisa: precisava fazer que ela gozasse. O contorno dos lábios dela enquanto sons de prazer saíam daquela boca rosada... Mais um, dois, três movimentos e e ela chegou a um ápice, cravando as unhas com força nas costas dele, e quase ao mesmo tempo, ele, com um suspiro alto. Quando se separaram, Gina ficou calada sentindo consigo mesma seu coração desacelerar aos poucos e ele se deitou ao lado dela, observando o modo como ela havia ficado tão rosada.
Os dois permaneceram deitados com os corpos relaxados por algum tempo. Ele acendeu um cigarro e ela pensou em como sentiu falta de fazer sexo de verdade. Ela havia trepado com um marginal procurado por seu marido, mas e daí? Ela devia sentir remorso? Ela devia se sentir mal com isso? Não sentiu o mínimo arrependimento enquanto esteve deitada naquele colchão, tão confortável. Ela sentiu-se melhor consigo mesma. Sentia-se tão bem quanto não se sentia a muito tempo, ela estivera tão entediada com a maneira morna com que Harry a tratava. Era bom sentir-se em chamas novamente.
N.A.: Vejam, uma cena de sexo! Gostaram? Mereço review por ela? #chantagem Mereço, né? Me conta o que vocês acharam de tudo, tá? Obrigada e voltem sempre.
