No, he can't read my poker face
Ela encarava o teto em silêncio por muito tempo, depois, sem aviso, se sentava, se cobria com o lençol e começava a mexer no cabelos. Draco observava. Ela os desembaraçava com os dedos, e sempre pedia pra ele apagar o cigarro. Ele ignorava, ela insistia, argumentando que isso ia deixar cheiro de cigarro no cabelo dela. Ele se sentava também e soprava a fumaça diretamente no cabelo dela. Ela sempre o encarava com olhar mortal e ele ria. "Harry vai desconfiar" ela dizia. "Quero mais que ele descubra." Ele só podia estar brincando, ela pensava. Mas no fundo, sabia que ele não brincava. O que ele dizia era sério. E ele repetia todas as vezes que ela se deitou naquele colchão.
No começo, Gina saía logo depois que Draco dizia aquilo. Se vestia e ia para casa, tomava banho, comia alguma coisa e esperava Harry chegar - o que demorava bastante - e procurava não pensar em nada. Apenas sentia o bem estar que lhe ocorria, ignorando qualquer indício de arrependimento. De que ela tinha que se arrepender? Harry não descobriria nada, de qualquer modo.
Depois, ela começou a demorar mais na velha mansão. Como ela sempre escolhesse noites em que Harry demoraria a voltar para casa, um tempo fazendo a mais fazendo coisas boas - ou más - não faria mal algum a ninguém. Além, é claro, do mal que já era por si só estar naquela mansão. Eles conversavam depois que Draco a desafiava mais uma vez a ficar ali. Ela tentava levar a conversa para algo mais - ou menos - racional. Perguntava sobre o passado, sobre a casa, sobre a família Malfoy, mas sem mencionar o futuro. Era doloroso demais pensar que teria que se separar dele, mesmo que ela soubesse que seria mais rápido do que ele imaginava.
Doía pensar que Gina voltaria para aquela sua vida parada de antes. Por isso, aproveitava ao máximo todo prazer que podia ter com Draco. No entanto, ele sempre trazia algum desconforto àquele colchão tão macio, repetindo: Fique aqui, não vá embora. Às vezes, ele nem dizia isso com palavras. Só a puxava de volta quando ela ameaçava sair e a fazia ficar mais. Mas não o tempo que ele queria que ela ficasse. Gina tinha o coração partido por ter que ir embora, mas também partiria-se o coração se ela ficasse.
No último dia, ele disse mais do que as poucas palavras que costumava pronunciar. E mostrou-se, muito mais vulnerável do que ela podia imaginar. Tão vulnerável que ela sentiu-se mal em deixar que os fatos tomassem o rumo que ela havia planejado anteriormente. Tão vulnerável que ela sentiu como se precisasse de se expor um pouco também.
Naquele dia ela não se levantou de repente, nem mexeu nos cabelos, nem se enrolou nos lençóis. No último dia, ela começou a se vestir rapidamente. Mas parou quando seu olhar encontrou o dele, que já a fazia se sentir nua de qualquer maneira. Faltava vestir a calça, mas a deixou no chão, onde estava, e se deitou no peito dele, coisa que nunca fizera.
Ouvia as batidas do coração dele enquanto sentia os dedos dele afagarem seus cabelos.
-Eu gosto da cor do seu cabelo. É um vermelho... vivo.
Ela sorriu. Continuou ouvindo o coração dele bater, num ritmo leve.
-Você não vai fumar?
-Você não gosta que eu fume, não vou jogar a fumaça em cima de você.
-Não é que eu não goste que você fume... – ela gostava desse hábito comum e incorreto dele – Eu só não quero que o cheiro da fumaça faça algumas perguntas surgirem... – ela não queria falar o nome do marido, não hoje - Mas você pode fumar.
Ela ouviu o clique do isqueiro e logo a fumaça invadia suas narinas. Ela gostava do cheiro de cigarro, porque sempre que via alguém fumando por perto, lembrava-se de Draco. Não que ele cheirasse a cigarro. Ele tinha um cheiro de roupa limpa fortemente mesclado com algum aroma forte que ela não conseguia identificar. Ela gostava do cheiro de cigarro porque ele sempre fumava depois que transavam. Era um cheiro que remetia Gina à satisfação. Hoje, só hoje, ela queria muito que o cheiro impregnasse em seu cabelo e que Harry descobrisse, que fizesse perguntas e ela acabasse tendo que confessar que tinha um amante – obviamente ela não revelaria sua identidade – ela gritaria ou choraria, se conseguisse forçar suas glândulas lacrimais a formarem lágrimas de uma maneira convincente, e diria que precisava de um tempo. Naquele dia, sem um motivo, ela compartilhava com Draco a vontade de que a infidelidade fosse descoberta.
-Quero que ele descubra, Gina.
O coração dele acelerava um pouco, ela ouviu. Gina apertou com força os braços em volta dele. Ele acariciou o braço dela, onde antes ela estava machucada. Não haviam mais feridas nos dois, só cicatrizes. Talvez com as feridas abertas Gina sentisse arder o braço quando ele lhe tocava e isso talvez pudesse dar a ela forças para tornar aquele último dia não uma despedida, da qual só ela tinha ciência que estava acontecendo, mas um até breve, complementado por planos delirantes de fuga.
-Eu não me importo tanto assim.
-Com o que?
-Não me importo se Harry descobrir. – confessou.
-E só agora você me diz isso? Se eu soubesse disso antes, não precisaria evitar seu pescoço.
Ela riu. Eles riam muito quando estavam juntos, porque ele sempre tinha uma coisa idiota para dizer sobre a situação. E ela adorava esse senso de humor bobo, mas ligeiramente corrosivo.
-Certo, eu te deixo morder ou fazer o que quiser com meu pescoço.
Ela se levantou, trocando sorrisos com ele.
Ele se encostou na parede atrás dele e apagou o cigarro em um cinzeiro sobre a pilha de livros ao lado do colchão. Eles trocaram um sorriso com os olhos. Gina puxou os cabelos para o lado, oferecendo a Draco o pescoço. A expressão no rosto dele indicava muitas intenções, mas ele não fez nada mais do que pousar os lábios com suavidade na curva do ombro, depois o hálito quente subiu pelo pescoço e parou na orelha.
-Fica aqui.
Ele levara muito a sério o que ela dissera sobre não se importar tanto assim. Ela recuou. Draco puxou-a de volta e a beijou na boca por menos que um segundo porque Gina já havia se afastado de novo. Ele acendeu outro cigarro, tragou longamente e soltou a fumaça com raiva para cima, mas ela já estava de pé, vestindo a calça. Ele queria gritar, e antes que sufocasse, começou a falar num tom muito mais elevado do que jamais usara com ela.
-Que inferno! Você é a única coisa boa que tem na minha porra de vida e você nem considera o que eu penso. Você só se importa em magoar os sentimentos do Potter. Ele nem liga pra você!
Ela não queria brigar. Gina só queria que hoje tudo desse certo. Mas não era exatamente assim que ela reagiu.
-Você não tem o direito de sentir ciúmes, Malfoy! NÃO TEM! – Ela abotoou a calça e ficou de pé. - E eu não me importo se o Harry não liga pra mim, eu tenho os meus motivos pra ficar com ele.
-Porque ele te salvou daquele assalto? Não seja ridícula, Potter! – Draco gesticulava amplamente com o cigarro nas mãos, a fumaça ao redor dele tornava a cena mais dramática - Arrume um motivo decente pra justificar a sua dependência dele!
Ela terminou de abotoar a calça e lançou a Draco um olhar de piedade. Ela não queria que a discussão tomasse aquele rumo.
Gina se sentou novamente no colchão.
-Eu sou dependente dele porque ele me salvou. Acho meu casamento ridículo porque eu não sei se eu amo ele de verdade. – A expressão no rosto de Draco abrandou-se e ela prosseguiu – Eu só estou com ele porque ele é um homem bom, e porque eu me sinto muito grata a ele, todos os dias por ele ter me salvado naquele dia.
-Pelo jeito você não se traumatizou com quem te agride. Olha só com quem você trepa!
-Não seja infantil, Draco! – Gina parecia à beira das lágrimas – Você não sabe de nada!
Ele não esperava essa reação. Gina levantou a blusa.
-Olha essa cicatriz. – Ela apontou para uma marca debaixo do braço, na altura do coração, mas na lateral das costelas. – Foi um tiro que eu levei. Eu tive sorte, mas se não fosse por Harry...
Draco estendeu o braço para tocar a cicatriz, e Gina se mecheu sobre o colchão para sentar-se de frente para ele, ajoelhada entre as pernas esticadas dele. Draco tocou quase com cuidado demais a cicatriz, os dedos frios fazendo-a se arrepiar.
-Então é por isso...
Isso explicava porque ela havia se submetido a ele, se ela era tão capaz de se defender quanto dizia ser. Explicava a dependência ao Potter. Explicava porque não queria magoar o marido. Draco já havia se arrependido de agir infantilmente. Mas admitir isso era uma coisa fora de cogitação, mostrando que ele era mais infantil do que imaginava que fosse. Ele só não concordava com o fato de não poder sentir ciúmes dela. Ele tinha o pleno direito de achar que ela era mais dele do que de Potter. Pensava isso sem perceber que Gina não era um objeto e que muito menos pertencia a alguém.
Para mostrar o que restava de seu orgulho estúpido, Draco cruzou os braços e encostou-se de novo à parede. Gina o encarou de um jeito que ela sabia que Draco não conseguiria resistir. Fez um biquinho e seus olhos castanhos de repente pareciam comandá-lo completamente. Ele a abraçou, e puxou as pernas dela para um lado do corpo dele. Ela envolveu o pescoço dele com os braços enquanto ele afagava as costas dela com o cigarro aceso entre dois dedos.
"Certo." Gina pensou "Já disse a ele muito. Já que depois de hoje ele não vai mais me ver, acho que posso dizer um pouco mais."
Gina escorregou um pouco no colchão de modo que seu ouvido ficasse à altura do coração dele, novamente. Suas mãos agora estavam nas costas dele enquanto ouvia o coração dele bater em ritmo tranquilo.
"Só um pouco mais. Não vai fazer diferença agora."
-Eu gosto de você.
Gina ouviu o coração dele mudar o ritmo. Batia mais devagar agora. Quase no mesmo ritmo do beijo que ele logo deu nos lábios dela.
A verdade é que ela sabia que não duraria tanto tempo, por isso permitiu-se ter aquela aventura com Malfoy. Era errado e Harry não merecia, mas ela também não se arrependia por aquilo, já que tudo teria um fim hoje. Foram quase três semanas de libertação física e porque não, mental? Quebrar as regras, ficar do outro lado do jogo depois de sempre jogar no time de Harry era bom.
Ela não podia negar que aprendera que a vida não era preta e branca. Descobriu que ela mesma era tão cinza quanto os olhos de Draco. Ela não queria se arrepender, embora pensar em Draco, e não em Harry, a fizesse quase se arrepender de tudo.
Gina chegou em sua casa vazia e foi direto para o quarto. Abriu o guarda-roupas e tirou do alto do armário uma caixa. Depositou-a sobre a cama e abriu a bolsa. Tirou de dentro dela uma camisa de Draco que surrupiara. Cuidadosamente dobrada, ela a colocou na caixa que continha uma carta da mãe e do pai que ganhara no seu aniversário de vinte e um anos e um baralho com que costumava brincar com os irmãos quando eram crianças. Antes de fechar a caixa e guardá-la novamente, sentiu mais uma vez o cheiro de Draco. Como um criminoso com alguma psicopatia, guardara provas de seu crime consigo, para relembrar-se, quando precisasse, de que um dia o cometera. Depois, entrou debaixo do chuveiro quente para limpar-se de todas as outras evidências. Tirou o sangue nobre dele que havia debaixo de suas unhas e o cheiro dele do seu corpo. Mas ainda haviam marcas pelo corpo dela e, se fechasse os olhos, ainda podia sentir os dedos dele tocando sua pele.
Estava terminando o banho quando Harry chegou. A água quente ainda batia contra sua pele, e ela ouviu Harry gritar da sala.
-Venha aqui agora, Gina!
Preocupada, Gina desligou o chuveiro e colocou o roupão. Se Harry estava gritando e com pressa suficiente para interromper alguma coisa que Gina fazia, algo sério devia estar acontecendo. Desceu as escadas prendendo os cabelos molhados. Chegou na sala e Harry estava ajoelhado calmamente no chão em frente à televisão. Ligou o aparelho e disse friamente:
-Você precisa assistir esse vídeo.
Harry entregou nas mãos de Gina o controle remoto e ficou de pé ao lado dela, que se sentara no sofá de frente para a TV.
-Vamos, aperta o play.
-O que você quer que eu assista? – Gina tentava manter a calma, mas estava preocupada de verdade.
-Aperta logo essa porra de botão!
Gina nunca vira Harry tão alterado. Agora via que ele estava com as roupas desarrumads, os cabelos mais despenteados do que costumavam ser e por trás dos óculos seu rosto estava ligeiramente avermelhado. Ele gritara de um modo insano, coisa que nunca fizera com ela, nem nas piores discussões. Gina apertou o play com a mão trêmula e ele saiu andando. Entrou no quarto e ela o ouviu abrindo armários.
Simultaneamente ao som de portas de armários sendo abertas e fechadas, imagens começaram a aparecer na tela da TV. Dois homens estavam sentados um de frente para o outro. Um deles era Harry, com semblante sério. E o outro, agarrado aos braços da cadeira em que se sentava era... Draco Malfoy. Com uma expressão de ódio no rosto que deixara todo seu rosto tenso e o olhar maligno, Draco começou a falar, fazendo Gina, que assistia àquela imagem sem respirar, recuperar o fôlego.
-Eu comi a sua mulher, Potter.
Harry estava relaxado, não se deixou abalar pelas baixarias que acabara de ouvir. Naquele ambiente ele tinha vantagens. A sala de interrogatório tinha um espelho dupla-face, pelo qual as imagens foram feitas, que dava para uma ante sala na qual ele tinha todo o apoio de outros policiais. As pessoas que ele prendia iam para aquela sala desarmadas e Harry só tinha que contar com astúcia e um pouco de ajuda no ponto em seu ouvido para tirar das pessoas sentadas à sua frente as informações que queria.
-Muita gente que passa por essa sala fala isso.
-Mas aposto que poucos podem provar que realmente fizeram isso.
-O relatório anônimo que foi entregue à polícia disse que você tem ligações com os comensais da morte. – continuou Harry, ignorando as palavras do homem à sua frente. – Conte pra nós o que você sabe sobre eles e nós poderemos te dar alguns benefícios.
-Ela é bem safada, sabia? Aposto que não sabe como ela pode fazer qualquer coisa para o homem que faça ela gozar como eu fiz.
Gina deixou o controle remoto cair da mão. Seus olhos encheram-se de lágrimas.
-O que você pode nos contar sobre eles, Malfoy? Nós podemos diminuir seu tempo na cadeia, podemos te dar uma cela especial, longe deles e de qualquer vingança que eles tentem contra você...
-Ela é uma ruiva muito gostosa. E todas aquelas sardas...
-Pára de falar sobre a minha mulher! A sua merda de vida está sendo decidida agora, você quer colaborar ou não?
-Ela tem um corte no pescoço. Nunca perguntei a ela, mas deve ter sido alguma cicatriz de quando ela era criança.
Harry estava perdendo a paciência. Gina assistindo àquilo, acabava de descobrir que perdera o controle da situação. Draco iria dizer tudo a Harry naquela gravação e isso fizera seu marido chegar em casa abalado desse jeito. Para testemunhar sua própria humilhação, Gina continuou assistindo as imagens na televisão.
-Você deve ter visto em alguma foto de jornal em que ela estava comigo. Nós aparecemos bastante nos jornais por prender pessoas como você. Agora vamos esquecer disso. Eu quero saber o que você tem a dizer sobre essa máfia da qual você faz parte!
-Não acho que nos jornais tenha uma foto da marca em forma de coração que ela tem na coxa direita, Potter.
Harry olhou nervoso para o espelho dupla-face.
-Nem da cicatriz que ela tem perto do peito. – Draco continuou.
O ódio escorria por seu rosto em forma de suor e o modo como ele falava era realmente ameaçador. Tão ameaçador quanto Draco estava Harry, com os punhos fechados por sobre a mesa.
-Ela me contou – sua voz era assustadoramente calma. – que a ganhou em um assalto que não terminou muito bem. Você a salvou e agora ela carrega a cicatriz, alguns traumas e você até hoje.
-Do que você está falando? Como descobriu essas coisas? De onde você tirou...
-Da boca da sua querida esposa, é claro. Aliás, aquela boca já esteve em partes do meu corpo que...
-CALA ESSA BOCA! – Harry gritou, se levantando da cadeira.
Gina estava perplexa com a perversidade de Malfoy em dizer aquelas coisas. Ela devia ter esperado uma reação dessas, mas ela foi estúpida para pensar que ele seria simplesmente preso e se conformaria. Lágrimas de vergonha corriam por seu rosto, amargas como tudo que Draco dissera.
Draco agora sorria e Gina queria evitar, mas não conseguia não comparar aquele sorriso com o que ele sempre dava quando ela tinha um orgasmo. Um sorriso de satisfação por ter atingido o que queria. Só que antes, o que ele queria era satisfazê-la, para provar-se melhor que Harry, ou talvez - ela tinha essa esperança - porque simplesmente quisesse que ela tivesse o prazer que merecia. Agora, tudo que ele queria era rebaixá-la, e também para provar-se melhor do que Harry. Ela pensava agora que o tempo todo, ele estivera com ela só porque essa era uma maneira de atingir seu inimigo. E junto com essa conclusão, emergia-lhe a vontade de arrancar aquele sorriso malévolo daquele rosto maldito.
No vídeo, Harry estava paralisado, de pé, com os punhos fechados. Draco agora sentava-se com postura mais relaxada, mas suas mãos continuavam a agarrar os braços da cadeira.
-E sabe o que eu mais gosto na sua mulherzinha, Potter? Ela é uma vadia, de verdade. Casada com você e ela até disse que gostava de mim. Ela não presta! Vê o que ela fez comigo? Depois de tudo ela me fode desse jeito, me jogando na cadeia, junto com meus inimigos! Quero dizer, ela já tinha me fodido antes, mas não desse jeito.
Um olhar de verdadeiro rancor saiu dos olhos de Draco. Uma tempestade cinza ocorria dentro deles, o ódio fazendo a íris cinzenta brilhar insanamente.
Harry apoiou-se sobre a mesa como um animal prestes a atacar. Também havia raiva mortal nos olhos verdes dele.
-E sabe, eu adoro quando ela goza. Eu fiz ela gozar todas as vezes que nós trepamos, sabe? O rosto dela fica cor de rosa, e isso combina com os cabelos dela...
Harry não se agüentou, passou por cima da mesa e acertou um soco em cheio no rosto de Draco. Ao mesmo tempo, outros policiais abriam a porta da sala de interrogatório, pareciam ter estado prestes a interferir a qualquer momento, mas só agiram agora. Separam os dois e tiraram um Draco sorridente e com a boca ensangüentada da sala. Deixaram para trás Harry, respirando com raiva, a aparência em desordem e os punhos ainda fechados.
O video acabou, deixando na televisão uma tela preta. Gina observou seu reflexo e sentiu-se envergonhada. Mais lágrimas corriam por seu rosto e Harry passou por ela carregando uma mala e uma mochila.
-Eu estou saindo de casa.
-Não Harry, você não pode...
-Posso. E se você quer ficar com o cara mau, não pode depender tanto assim do cara que faz tudo certo.
A mágoa no olhar dele doeu mais em Gina do que as palavras ou das imagens que acabaram de passar diante de seus olhos. Ele bateu a porta e foi embora. Gina voltou ao banho, suas lágrimas salgadas se misturando à água doce que lavava o corpo e a alma. Depois do que pareceram horas debaixo da água quente, deitou-se na cama, muito menos confortável do que o colchão no sótão da mansão abandonada do Malfoy. Encarou o teto, muito mais baixo, e sentiu-se vazia. Muito mais do que... Muito mais vazia.
