Russian Roulette is not the same without a gun

Um revólver nas mãos, nunca tão seguras em volta de uma arma quanto agora. O dedo, o mesmo que aponta e escolhe, tão próximo do gatilho quanto poderia estar. O coração batendo com tanta rapidez e força, que ela temia que a força do sangue pulsando em suas veias pudesse impulsionar a munição para fora do revólver. Quando ela pediu que eles parassem, eles não a ouviram, julgando aquela ser uma questão que devia ser resolvida por homens. Mas ela é quem começara a se questionar, e agora ela é quem resolveria o questionamento. Harry ou Draco?


Gina chegava à mansão. Cansara de esperar por sinais de Harry ou Draco e decidiu procurar saber o desfecho da história. Esperava encontrar um cerco policial à porta da casa à qual havia mandado Harry, mas apenas uma viatura estava à porta. Além de meia dúzia de curiosos, que, agrupados no jardim de uma das casas, comentavam arduamente a presença da polícia, a única pessoa na rua era um colega de trabalho de Harry a quem ela perguntou sobre o que ocorrera, já que tão rápido se dispersara a confusão que ela havia imaginado que encontraria. Foram realizadas as prisões de pessoas importantes dos comensais da morte e a agitação devia estar na delegacia, mas Harry continuava dentro da casa, interrogando Draco Malfoy, o dono da casa, porque era muito suspeito que Draco estivesse com eles. Era uma boa desculpa, mas não convencera Gina. Ela já podia imaginar o que veria quando entrasse na mansão. Um tentando, irracionalmente, matar o outro. Agora, ela entrava na casa e ouvia sons que a deixaram completamente tensa. Ainda que temesse o que iria encontrar, seguiu o barulho e deparou-se com a exata imagem que imaginava. No mesmo cômodo em que havia sido mantida refém mais cedo, viu Draco Malfoy e Harry Potter atacando um ao outro.

Os dois continuaram a brigar, mal notavam a presença dela. Estavam tão irracionalmente envolvidos na luta física que não podiam sair do estado de ódio em que se encontravam. Para ambos, a presença de Gina era mais um motivo para que brigassem ainda mais arduamente. Como animais, estavam lutando pela posse da fêmea.

Apavorada, Gina observava atônita o ambiente e a luta. Harry tinha um revólver ao alcance das mãos, mas Draco foi mais rápido e tirou seu próprio revólver da cintura, entre um soco e uma joelhada de Harry. Com igual agilidade, Harry fizera a arma voar pelo ar com um golpe, escapando da mão de Draco, que, fechou-se em punho e atingiu o rosto de Harry, entortando-lhe os óculos no rosto.

Eles continuaram sem ouvir os gritos de Gina. Ela implorava para que parassem, mas a briga continuou. Harry conseguiu deixar Draco no chão imóvel por tempo suficiente para pegar seu próprio revólver. A seus pés, Gina via a arma de Draco: Sua única chance de parar a briga dos dois sem que nenhum deles saísse ferido demais ou morto.

-PAREM!

Um último e definitivo grito, desta vez ouvido porque fora anunciado pelo som baixo, mas paralisante do engatilhar da arma.

Os dois se imobilizaram. Gina respirava ferozmente, seus pulmões demandavam o máximo de oxigênio possível. Ela precisava de ar para refrescar seus pensamentos ferventes, agora que tinha uma arma nas mãos. O coração disparado, a mão firme e não mais hesitante empunhando a arma, o dedo próximo demais do gatilho. O mesmo dedo que aponta e escolhe. Gina mirava os dois, e não mirava em nenhum.

Harry saiu de cima de Draco e este deixou-se cair ao chão, limpando um pouco de sangue em seu rosto. Devagar, ambos colocaram-se de pé, emudecidos pela atitude inesperada de Gina.

Draco ficou parado em frente a ela, encarando-a desafiador. Você não atira em mim, Gina. E ela não atiraria. Harry, por outro lado, tinha o mesmo olhar de desafio, mas misturado à real vontade que ela atirasse. Se ela atirasse nele, então começaria a realmente se sentir culpada por toda a dor que já lhe causara?

Mas na mente de Gina, só o que lhe ocorria é que agora, a arma nas mãos lhe dava um poder a mais. Ela conseguira separar a briga. Podia também escolher um dos dois, para sempre. O poder do fogo, o poder da arma. Não os mataria. Jamais seria capaz disso, embora, se pensasse mais friamente, esta fosse uma solução definitiva para todos os problemas. Mas podia fazê-los prometer, jurar, perdoar, explicar pedir e entender, se estivessem sob a mira de um revólver.

-Me passa seu revólver, Harry. – Gina apontou a arma em suas mãos para Harry.

-Gina, você...

-Põe o revólver no chão, agora. – Dessa vez, Gina apontou o revolver precisamente para a cabeça de Harry.

Harry obedeceu, ainda que ódio pulsasse em suas veias, e devagar, pôs a arma no chão e a empurrou para os pés de Gina.

-Escutem aqui, os dois.

Draco limpou um pouco de sangue que escorria em seu supercílio e cruzou os braços, mal-humorado.

-Eu não sou uma fêmea pela qual vocês disputam. Vocês não são animais e eu não sou um prêmio. Independente disso, se vocês fossem machos em algum bando de animais e um de vocês vencesse essa disputa ridícula, EU não sou um bicho irracional. Eu tenho tanto direito de escolha quanto vocês e não ficaria com o vencedor dessa rixa imbecil.

Harry tirou os óculos do nariz que sangrava.

-Vocês dois precisam entender que esta não é uma disputa. Eu não vou escolher entre um ou o outro. Eu não escolhi me casar com você, Harry, nem ter um caso com você, Draco.

Harry contorceu o rosto de irritação ao ouvir a palavra caso.

-O que foi Harry? – Gina perguntou, meio impaciente;

-Eu não vou discutir a relação com você na frente dele, se você quer saber.

-Você está nervoso porque ela falou a palavra caso? – Draco interveio, sarcástico.

-Caso é o que eu resolvo no meu trabalho... o que vocês dois faziam... – havia raiva na voz de Harry.

-Nós transávamos. Em todos os cômodos dessa casa.

-Draco, cale a boca – E Gina mirou o peito de Malfoy.

-É a verdade. – retrucou Draco, presunçoso.

-Cala a boca, eu é quem vou falar hoje. – Gina prosseguiu, levando a arma de volta a uma posição que deixasse os dois homens a sua frente sob ameça – Eu só queria que ficasse claro que eu não vou fazer uma escolha. A partir de hoje, somos três pessoas sem a mínima conexão entre uma com a outra, certo? Cada um vai seguir seu caminho e não quero ser procurada por nenhum de vocês.

Harry fez menção de falar, mas Gina aumentou o tom de voz para impedi-lo de interrompê-la.

-Harry, eu dei a você o divórcio que você queria.

-Que... Como?

-Você vai ver quando voltar à delegacia. Estamos livres um do outro.

Harry mais uma vez abriu a boca para falar, mas depois de um segundo, calou-se.

-Draco, eu te ajudei a se livrar de quem te perseguia. Faça o que ainda precisa fazer aqui e depois saia desse país. E não me procure. – Os lábios dele se entortaram no canto. A marca vermelha de um soco (o dela ou de Harry, ela não sabia qual) deu àquela espécie de sorriso uma sombra macabra e mesmo que não visse perigo nos olhos dele, ela não pôde evitar de acrescentar – Não me procure nem pra se vingar.

Gina finalmente apanhou o revólver de Harry no chão. Agora, com uma arma mirando o rosto de cada um deles, ela pediu:

-Agora, me prometam.

-Isso é ridículo – Draco não conteve-se. Harry parecia concordar.

-Me prometam que não vão me procurar.

-Eu prometo – Harry disse, primeiro.

Draco não olhava diretamente para Gina, mas pareceu notar a seriedade na expressão dela.

Não porque estava sob a mira de uma arma, mas porque estava sob a mira do olhar perigoso dela, Draco não soube negar a exigência.

-Eu prometo, Gina.

Ele manteve os olhos fixos em alguma coisa atrás dela.

-Certo – disse ela. – Harry, saia daqui.

-Mas...

-Vamos, Harry, vá embora, volte para a delegacia! Pelo que eu sei, você ainda tem muito trabalho depois de ter efetuado as prisões de alguns dos homens mais importantes dentro dos Comensais.

Ela sorriu para o agora ex-marido. Para seu alívio, ele sorriu de volta e embora houvesse sangue no nariz dele e ela estivesse com uma arma apontada para ele, ela lembrou-se do dia de seu casamento. Os mesmos sorrisos, e só agora as promessas de felicidade plena estavam se cumprindo.

Gina estendeu a ele sua arma. Harry a pegou e saiu da casa. Ela pôde ouvir, bem baixo, o portão da frente rangendo e logo em seguida, o motor da viatura policial se afastando.

Um silêncio, quase palpável, tão tenso, instalou-se entre ela e Draco. Ele finalmente a olhou nos olhos e ela baixou o revólver que restava em sua mão.

Sem quebrar a tensão entre eles, Gina estendeu a arma para ele para devolver a ele o que lhe pertencia. Ele se aproximou muito mais rápido do que ela previra e quando ela notou, a arma já estava nas mãos dele, e apontando para a cabeça dela.

O coração dela disparado e dessa vez ele podia sentir o quanto ela se sentira nervosa com o descontrole dele. Ele gostava disso, significava que a havia dominado.

Os corpos muito próximos, ele tinha olhos novamente desesperados e intensos violando o inocente olhar castanho que ela lhe dava.

-Porque você me fez prometer?

Com mais calma do que se julgara capaz, Gina pôs uma mão sobre a mão dele que apontava o revólver para sua cabeça e a outra no rosto cansado de Draco.

-Draco, não seja idiota. Foi só uma promessa. Você pode muito bem quebrar.

-Mas você me pedir pra prometer significa que não quer mesmo que eu vá atrás de você.

-Talvez não agora. Mas você pode me procurar daqui a um tempo e nada garante que eu não possa querer ficar com você. Eu só não quero ter outro marido, sabe? Não quero repetir o que tive com Harry, você me entende?

Draco percebeu que nunca teve controle sobre ela. Sempre ela decidira muito bem o que fazer e ele obedecia, quase cegamente. E se ele resolvesse atirar agora, ele sabia que seria por ordem, influência ou, de algum modo pelo comando ainda que imperceptível dela. Esteve, sempre, sob o domínio daquela mulher.

Ela sentiu, enquanto falava, a pressão do objeto metálico diminuindo contra sua têmpora. Aliviada, quase sem pensar acariciou o rosto dele. Ela não teve tempo para se esquivar, porque logo os lábios quentes demais dele estavam sobre os dela, e Draco a envolvia com as mãos, uma delas ainda segurava o revólver, que ela sentia tocar suas costas. O objeto já não lhe causava arrepios de repulsa, mas ela tentou, com a mão, afastar o braço com a arma de perto dela. Uma de suas mãos deslizou pelo peito dele enquanto a outra tentava com cuidado afastar o objeto dela. Finalmente Draco afastou o braço um pouco, porque ele concentrava-se agora em empurrá-la de encontro a parede atrás deles. No movimento, Gina aproveitou-se e lentamente tomou o revólver dele, distraindo-o com uma mordida no lábio, um segundo depois que ele a pressionou contra a parede. Com todas as forças que tinha para resistir, Gina colocou o revólver muito rápido entre ela e Draco, sobre o peito dele. E esta barreira ele não conseguiria transpor.

-Estou falando sério, Draco, eu preciso ficar longe de você. - A expressão do rosto dele se tornou dura e séria demais e ela teve a bondade ou o bom senso de acrescentar: - Por um tempo.

Ele não tinha nada a dizer, porque seus olhos já haviam dito tudo que queria. Saiu do cômodo, bateu a porta e a deixou para trás. Gina recompôs-se e deixou o revólver sobre a mesa de jantar encostada à parede.

Não conseguia não pensar em tudo que acontecera e que acabara lhe levando a estar presa em um triângulo amoroso com um delegado e um bandido, e foi para casa refletindo todas as reviravoltas do drama policial que sua vida se tornara. O romance policial parecia ter finalmente chegado a um final relativamente feliz.

N.A.: Leitoras/es, espero que tenham gostado. Tá acabando, gente! A fanfic tá acabando! Me contem o que vocês estão achando até agora e o que gostariam pro final. Não prometo nada, mas posso ler as sugestões e pensar em como deixar todo mundo feliz. Obrigada pelas reviews.