LoveGame intuition

Pouco mais de um ano, quase dois se passou desde o dia em que Gina apontou uma arma para seu marido e outra para seu amante. Mas a história havia sido engatilhada pouco mais de cinco anos antes. Cerca de quatro anos deste tempo, Draco Malfoy passou na cadeia. A mulher que ele chantageava e que eventualmente se tornara sua amante fora autora da denúncia. Cansada de ter de se submeter às chantagens de Malfoy, ela escreveu um relatório com tudo o que soubera do homem no tempo em que ele vinha mantendo contato com ela. A intenção do contato que ele mantinha era coagi-la a obedecer suas ordens que diziam respeito a despistar o marido desta, que era delegado de polícia. No entanto, Draco Malfoy era um menino que mesmo mimado, carente e despreparado para o mundo, foi obrigado a entrar numa vida mais complexa do que a que sua mentalidade infantil era capaz de suportar. Solitário e contando apenas com o apoio de um amigo de infância que só o ajudava porque suas ricas famílias eram amigas desde sempre e porque ele estava no mesmo barco que Malfoy, o menino mimado que caiu no crime acabou encontrando companhia na esposa surpreendentemente apagada de Harry Potter, o delegado com sede de justiça que queria prendê-lo. O consolo da carne, porque inicialmente era só isso que ele - e ela - procurava, acabou por fazer bem também ao espírito e Ginevra Potter, como na época era chamada. A série de encontros sexuais acabou sendo uma coisa boa à qual se apegar, no meio de tantos problemas em sua vida. A mulher tinha medo de se envolver, é claro. Era casada com um delegado muito bom que salvara sua vida e era praticamente perfeito. Além disso o sr. Potter era um pouco ciumento, e birrento às vezes, talvez por ter sido um órfão que tinha que brigar para ter o que queria. No entanto, a dedicação profissional do marido levou a esposa, acostumada à liberdades e a ter sempre muitas companhias (era a única menina da família e tinha seis irmãos mais velhos) a se apegar a tudo que se mostrasse mais vivo do que sua rotina monótona de dona de casa. Cabe lembrar que ela havia parado de estudar quando se casou com Harry e retornou depois de ter sido sequestrada por Draco Malfoy. Enquanto ele não voltou para cumprir sua ameaça de tirar do fato de ela ser casada com Potter algumas vantagens, Gina matriculou-se no curso de psicologia novamente. Lá, encontrou uma amiga com tanta avidez por conhecer a psiquê humana quanto ela, mas que por ser de uma personalidade um tanto quanto desprendida das convenções sociais, acabou por ser a cúmplice ideal no seu plano para denunciar Draco Malfoy e livrar-se da chantagem dele. Luna Lovegood tomaria todos os cuidados para que o envelope com um relatório sobre a vida, as atividades criminais de Malfoy e contendo instruções para localizá-lo fossem entregues na polícia da cidade. Os motivo para que Luna fizesse parte do plano eram, em primeiro lugar a preocupação de Gina que Harry soubesse que estava sendo chantageada por Malfoy (o que deixaria seu marido furioso por não ter tomado as rédeas do caso desde o princípio). Em segundo lugar, e isso ela nem sabia com exatidão que sentia, havia a vontade de não se indispor com Malfoy. O relatório seria enviado anonimamente da França, onde Luna tinha parentes e onde Draco Malfoy teria conhecidos que pudessem ser culpados pela delação, sem que ninguém suspeitasse de Gina. No entanto, no mesmo dia em que Luna recebeu o relatório, Malfoy e a senhora Potter acabaram sucumbindo às suas carências e começaram a ter um caso. No tempo até que o plano se concluísse, pouco mais de um mês, Draco Malfoy tornava-se mais dependente da mulher do delegado do que pretendia. Ela era a única coisa boa da vida dela. Ela, no entanto, não se apegou tanto assim. Sentiu a despedida de seu amante, mas levar uma camisa dele para casa foi a única coisa que fez parecer que realmente o fez, porque na verdade ela foi bastante fria e só se arrependeu quando percebeu que ele descobrira que ela o denunciara. O modo como Gina soube que ele havia descoberto que ela é que o havia denunciado foi doloroso. Doloroso para ela, Harry e Draco. O que ela sempre evitara aconteceu, e do pior modo. Draco foi preso como o plano de Gina previa, mas ao interrogá-lo, Harry ouviu confissões que sequer imaginava que ouviria. Malfoy disse a ele da maneira mais sádica que havia transado com a mulher dele, várias vezes. Mas se pensarmos bem, não há maneira que não seja sádica de se dizer isso e Draco apenas descontou sua raiva sendo o mais canalha que pôde, pois estava completamente transtornado. Ele achava que Gina gostava dele, e ele mesmo gostava dela mais do que deveria, por isso, saber de uma traição dessas o deixou com tanta raiva. A história entrou em hiato nesse momento. Draco foi para a prisão, escapou graças ao acordo que fez com Harry, que mesmo estando furioso foi justo como sempre devia ser e quatro anos depois, todos os envolvidos na história ainda estavam presos àquela trama tecida com fios vermelhos.

Draco queria uma pequena vingança contra Gina. Harry insistia no divórcio, mas Gina, com todo o amor que tinha por Harry queria conversar. Gina também se sentia culpada, podia ter resolvido tudo antes, e sem machucar tanto duas pessoas que não mereciam: Harry e Draco. Nesse meio tempo, concluiu seus estudos e junto com Luna começou uma pesquisa sobre a mente dos criminosos. Mesmo com seus conhecimentos completos, não sentia agora vontade alguma de analisar o que sua vida se tornara. Embora soubesse exatamente quais ações e quais fatores psicológicos fizeram sua vida tomar os rumos que tomara, preferia ignorar o que levara ao que ela achava que havia sido desfecho. A tranqüilidade nas ações daquele drama policial logo teve fim. Quando soube da liberdade de Draco, procurava-o sempre. Queria tentar reparar as coisas, mesmo que não soubesse muito bem como fazê-lo. Viu-se presa na armadilha dele, mas logo soube que o ódio vinha do sentimento forte que ele sentia por ela. Não era amor, ela pensava. Não pode ser.

Amor ou não, ódio ou outra coisa qualquer que se misturasse ao sentimento agora a faziam tomar uma escolha. Ajudaria Draco a se livrar dos seus inimigos. Também estava se salvando, já que o revolver que Draco não apontava mais para ela logo seria apontado pelos inimigos dele, que não tinham nada a perder. Pagando suas dívidas com ele, Draco estaria livre para seguir em frente e viver em paz com sua família pela qual ele fora capaz de se arriscar tanto.

Sua escolha não era Draco, nem tampouco Harry. Ela devia admitir, no entanto, que tudo levasse a crer que sua escolha era o lado sombrio e errado, pois ela acabara de deixar com Harry os papéis do divórcio que ele tanto queria que Gina assinasse. Ninguém entendia que ela não queria mais o casamento e nem queria ter um relacionamento quase igual ao anterior, só que dessa vez com Draco. Ela não queria ter que escolher entre os dois, eram muito diferentes e deram felicidade a Gina de maneiras diferentes. Embora a muito não sorrisse com Harry, era com ele que se sentia segura e protegida, e ela não pensava na segurança policial, mas sim na comodidade boa e confortável que a personalidade dele proporcionava a sua mente. Era bom, de algum modo saber que sempre teria o amor dele, embora agora o sentimento estivesse envolto por ódio. Com Draco, a plenitude de não se preocupar com nada era a melhor parte. E ela não queria escolher. Queria ficar quites com os dois e depois começar uma vida nova sem nenhum deles a fazendo hesitar a cada decisão que tinha que tomar. Doeria deixá-los, mas doeria ainda mais escolher um dos dois.

E foi o que ela não fez. Não escolheu nenhum dos dois e despediu-se de ambos. De Draco, mais dramaticamente.

Ela e Luna tinham o projeto de fazer uma pesquisa em um outro país. Ainda não haviam se decidido onde. A amizade delas oscilava bastante quando Luna sugeria ilhas quase desertas e com culturas tão diferentes da delas. Seria fascinante, mas não satisfaria a proposta que tinham de estudar a psicologia forense e a importância desta para o entendimento das mentes criminosas. Tirando isto, Gina não se importava muito com o lugar para que fossem. A única exigência é que neste lugar não pudesse jamais encontrar Harry ou Draco. Assim, ficaria livre da tentação que sempre lhe acometia, de escolher um dos dois e assim, reviver a história que tanto lhe doera.

Escolher é marchar sobre o cadáver das outras possibilidades. Harry ou Draco? O revolver em sua mão a fizera escolher não um deles, mas escolher ela mesma. E agora, ela estava partindo para longe dali, na companhia de Luna, mas isso significa que estava praticamente sozinha. E queria aproveitar sua vida sem ver-se presa numa teia entre Harry e Draco.

Ela viveu mais que um ano de felicidade solitária. Luna era uma boa amiga, mas excêntrica demais para ter alguma importância real na plenitude dela. O problema é que, o destino ou qualquer outra força superior, gosta de jogar com as pessoas. As cartas estavam na mesa, e inevitavelmente, as apostas começariam. Por prática, Gina era uma boa jogadora, mas ela descobriria que tinha um pouco de azar. O que ela descobriu sozinha, sem que seus irmãos lhe explicassem junto com as regras do jogo, é que quem joga é que faz a sorte.


Um café. Através do vapor que subia do líquido escuro ele a viu andando pela luz clara da manhã. A visão era bela demais, ele jamais deixaria de identificá-la, mesmo que houvesse centenas de outras mulheres ali. Os olhos dele reconheceram com rapidez o tom de vermelho. Não havia outro vermelho tão vivo no mundo. Distraidamente ela caminhava em sua direção e ele viu os raios de sol através do vestido claro dela, os quadris movendo-se no ritmo lento da respiração dele, que por pouco não parara por completo. Ele se esquecera, durante o segundo que levou para reconhecê-la e alguns mais, de que precisava de oxigênio para viver. Ela atravessou a rua, ia para perto dele. Num ato involuntário, mas conveniente, ele levou a xícara à boca. O coração dele batia rápido, o café quente demais o havia deixado com a sensação de calor. Pousou a xícara no pires sobre a mesa, sem tirar os olhos dela por um só segundo. Era ela, e tão doce quanto o café era a ideia de tirá-la de dentro daquele vestido. Seu coração batia forte e desconfortavelmente, como se o incômodo de senti-lo sendo esmagado pelas costelas pequenas demais para comportar tanto sentimento o fizesse querer confortar o músculo que involuntariamente gritava para ele ir atrás daquela mulher.

Ela estava mais próxima, a cadência dos passos dela fazendo-o se esquecer do café fumegando sobre a mesa. Ele só queria ter alguma coisa para dizer, mas sua mente estava concentrada demais no que queria fazer. Aquela mulher o deixava sem ação. Como homem, sentia a vontade agoniante de aproximar-se dela, mas a força de seus pensamentos não era a mesma de suas pernas e ele não conseguia levantar-se para falar com ela.

O que diria afinal, se encontrá-la não o deixasse mudo? E será que ela queria ouvir tudo que ele desejava sussurrar no ouvido dela? Mas ele a viu mexendo despreocupada na bolsa. Não, o mundo era pequeno demais e aquela mulher estava passando por ele sem sequer notá-lo sentado em uma das mesas externas do café em que estava. Ela passou por ele, a indiferença com que pisava no chão o fazendo querer ser notado. Ela entrou, dirigiu-se ao balcão, sacudiu os cabelos enquanto esperava seu café, balançando o homem que ela não havia notado que a observava. Pagou pelo café com o dinheiro que havia tirado da bolsa, e dirigiu-se para o lado de fora. Mais uma chance para falar com ela, mas a essa altura ele já não sabia se queria ou se teria forças para fazê-lo.

A beleza singular e tão cheia de imperfeições, mas que a seus olhos eram a imagem perfeita da harmonia, a tanto tempo fora esquecida pelos olhos cinza. Agora os olhos prenderam-se àquela visão tão desejada por sua mente e todo o resto do corpo não conseguia agir se não movido por um sentimento ao qual ele não queria dar nome. Ele pôs-se de pé, escondendo as mãos nos bolsos e decidido a se mostrar. No tempo de uma pulsação, ela o viu. Os olhares se encontraram. E o coração dela então disparou, e a cada batida, tão rápida, ela sentia uma emoção diferente.

Espanto, medo, alívio, carinho, saudade, frustração, raiva, alegria e mais um monte de coisas que ela não sabia nomear.

Cedendo ao impulso, aproximou-se dele. Tanto tempo acumulara uma infinidade de coisas a dizer... Ambos, no entanto, sentiam que somente o som de suas respirações devia ser ouvido. Passos medrosos e corajosos os aproximaram e logo ela sentia que precisava fugir, mas queria tanto estar ali. Ele não queria e nem achava necessário, mas precisou dizer alguma coisa, para dar alguma civilidade ao reencontro.

-Que mundo pequeno...

Ela riu e não sabia explicar por qual dos muitos motivos que tinha ao ouvir a voz dele estava rindo. Ele sorriu de volta. O sorriso mais sincero de todos. Só o tempo conseguiu despi-los de tudo que antes os afastava.

Só então os corações se acalmaram e suas respirações voltaram quase ao normal. Ainda havia uma certa apreensão por sentirem no ar o cheiro um do outro que despertava tantas lembranças, mas suas respirações estavam quase normais. Draco queria tocá-la, como que para sentir se ela estava mesmo na sua frente, tão improvável era. Gina sentiu a intenção dele de se aproximar, mas não sabia se queria ou não sentir o toque dele, significaria tanta coisa. Se ela não sentisse a pele dele, talvez pudesse se convencer que era só uma fantasia e ignorá-lo para preservar sua vida das lembranças caóticas dos tempos em que ele fizera parte de sua vida.

-Eu diria o contrário... O mundo é muito grande.

-O que faz o reencontro muito mais...

-Inesperado.

-Inesperado.

Gina riu novamente, desta vez porque era a única ação que poderia realizar sem perder o controle da situação.

Draco fitava o rosto dela, ignorando as pessoas que olhavam para um homem e uma mulher conversando de pé ao lado de uma mesa do lado de fora de um café sem desconfiar que ele um dia já a sequestrara, que ela já o entregara para a polícia e que ambos já apontaram armas um para o outro. Ele não saberia dizer, mas sentia que tudo o que já havia acontecido entre eles era responsável por fazer nascer tanto desejo por ela dessa simples troca de olhares em um reencontro. Ele observava as sardas no rosto dela, queria certificar-se de que as sardas de todo o resto do corpo ainda eram as mesmas, porque ele se lembrava muito bem delas. Ele queria sentir o toque vermelho dos lábios dela e deslizar a mão pela curva da cintura...

-Draco, nós precisamos...

Com os olhos comunicaram-se melhor do que com palavras.

-Precisamos... – Ele chegou mais perto, mas ela se sentou à mesa, porque não tinha mais forças. Ele também não, e achou a escolha silenciosa que ela fizera mais sensata. Sentou-se também, de frente para ela.

-Precisamos nos encontrar, Gina.

-Sim. – Ela não saberia responder de outra forma.

-Onde?

Gina tirou papel e caneta da bolsa e anotou seu endereço no verso da folha colorida. Deslizou o anúncio de um cassino sobre a mesa na direção de Draco. Ele esticou uma das mãos e seus dedos se tocaram. Toda a eletricidade entre eles se descarregou no toque, que teve para ambos sensação parecida com a de um choque de 220 volts.

Ainda concentrado nas sensações de tocá-la novamente, Draco assentiu, guardando o papel no bolso da camisa

Ela levantou-se, sorrindo, mas andando com mais pressa do que a situação lhe exigia. Ele sabia que era sensato até demais ela se levantar, mas os passos dela já não faziam seu raciocínio acompanhar o movimento dos quadris. Agora, cada passada o fazia sofrer, como se junto com ela fosse o ar que ele precisava para viver. Seu corpo sentia a partida, mas ela ainda lhe deu uma nova sensação ao virar-se e dizer:

-Não procure o sobrenome Potter. Procure por Ginevra Molly Weasley.

E ele ficou muito sério. Precisava encontrá-la novamente.


Com ansiedade, Draco esperou até o dia seguinte, inventando desculpas vazias para se ausentar por um dia. As pessoas passavam por ele. Famílias, indivíduos, casais, grupos de adolescentes indo comemorar o dia da independência e ele indo celebrar sua dependência de Gina para ser feliz, que ironia. O caminho intranqüilo o levou até um prédio relativamente pequeno, onde ela parecia ansiar tanto quanto ele, a ponto de esperá-lo na recepção, batendo o pé no chão, impaciente.

Com os olhos, o contato foi muito mais intenso do que o simples toque de mãos que eles se deram. O beijo dos olhos substituiu o beijo das bocas que ambos desejavam, mas achavam que seria pessoal demais para que o público visse.

Draco tomou uma das mãos dela entre as dele. A pele dele queimava a de Gina, ela o olhou nos olhos e sorriu com o canto da boca. Antes de subirem, precisavam dizer qualquer coisa, mesmo que nenhuma palavra fosse necessária para nenhum dos dois.

-Como você me encontrou, Draco?

E ele quis também que sua boca demorasse mais a encontrar a dela e deixou a mão dela livre novamente

-Eu não sei. Não estava te procurando.

Ela sorriu. Orgulhoso demais para admitir que queria reencontrá-la, depois de ela tê-lo dispensado, com uma arma na mão como argumento.

-Pode admitir, Malfoy. Você me procurou. Mas como me encontrou?

Ele amarrou a cara. Parecia uma criança. Gina riu ainda mais.

-Eu estou falando sério. Não te procurei. Te encontrar foi coincidência e quando eu disse que achava o mundo pequeno, eu realmente queria dizer isso.

Ela deu uma gargalhada gostosa. Ele estava nervoso de uma maneira adorável, tentando provar que estava certo. Draco provavelmente ia ter um acesso de raiva e sair dali se ela não estendesse a ele a mão, com um sorriso agora convidativo nos lábios.

Eles caminharam em direção ao elevador em silêncio e entraram nele. Ela pressionou o botão de seu andar e conferiu se os olhos cinzas ainda tinham o mesmo brilho azulado de antes. Não tinham. Era um brilho muito mais intenso, que ela não sabia, mas estava nos seus próprios olhos também.

Ela se aproximou muito dele, ainda segurando a mão comprida dele, com firmeza.

-O mundo não gira ao seu redor, sabe. – Draco continuou, involuntariamente a conversa anterior, que não estava encerrada na sua mente. Ela tinha que saber que ele não planejara, mas desejara muito reencontrá-la.

-Eu posso acreditar em você...

-É verdade, eu não te procurei!

-Certo, mas você estava mentindo sobre a segunda parte.

Com a mão que não era apertada por Gina, Draco passou uma mecha ruiva por trás da orelha sardenta da mulher cujos olhos ele não conseguia evitar. O mundo dele não girava ao redor dela, é claro. Na verdade, ele não conseguiu evitar o pensamento, o universo inteiro girava ao redor dela e ele não podia negar. Vivera os último tempos sem ela apenas ansiando por encontrá-la de novo e tomando medidas paliativas para sobreviver à falta dela.

Ele aproximou o rosto do dela. Roçou o nariz na bochecha coberta de sardas e ia se aproximando da boca vermelha.

-Você não precisa admitir, Draco. – Ela precisava dizer isso a ele - Mas eu vou confessar que desde ontem, a minha órbita tem sido você.

Olhou de volta para os olhos castanhos. Pelo que conhecia dela e julgava ser verdadeiro, Gina era tão orgulhosa quanto ele. Talvez um pouco menos, mas também lhe custava bastante admitir algo assim. A mão que antes afastara os cabelos do rosto de Gina agora deslizava suavemente pelo pescoço em direção ao vermelho dos cabeles dela. Lentamente ele sentiu a pressão da mão de Gina sobre a sua cessar e sabia exatamente para onde as mãos se conduziriam.

Olhos castanhos e cinzas, um sobre o outro. Dedos pálidos nos cabelos vermelhos, mão na cintura, na exata curva que ansiara por tocar. Mãos no pescoço, quase chegando aos fios loiros. O cheiro dele invadia suas narinas e um arrepio ardente percorreu o corpo todo, por culpa da mente, que agora relembrava e imaginava as tantas outras maneiras que Draco tinha de tocar Gina. No olho um do outro viram o tempo que ficaram separados e, finalmente o beijo, que as bocas ansiavam e tentaram adiar com palavras, veio. O encontro dos lábios tinha gosto de saudade, que se acabaria tão logo o beijo se tornasse muito mais do que um encontro de corpos.