Lynne Graham

Adaptação.

Personagens pertencentes a Lynne Grahame e Stephenie Meyer

Historia pertence a Lynne Graham.

*** Espero que gostem e um historia bem legal..***

AMANTE E ESPOSA

Capítulo 2

Bella ficou olhando Edward desconcertada por sua saudação.

- Já sabe por que estou aqui!- Suas sobrancelhas negras como o ébano se arquearam em um gesto de aristocrata, pois inclusive quando queria mostrar seu desacordo, Edward tinha umas maneiras deliciosas.

- Como eu ia saber?

- Porque foi você quem me enviou esse periódico - recordou-lhe com certatensão pelo efeito de seus nervos unidos a uma desagradável sensação de ridículo.

- E bem? - continuou ele igualmente crítico mas elegante.

Bella tentou engolir o nó que tinha na garganta, mas foi inútil.

- Naturalmente vim diretamente para vê-lo.

Edward soltou uma suave risada que provocou um calafrio no mais profundo de Bella.

- Naturalmente? Você se importaria de me explicar como é possível que possa descrever esta repentina visita como natural?

Bella estava começando a sentir-se intimidada pela perigosa tensão ambiental que tão bem conhecia. Sua natureza era muito aberta e direta para compreender o temperamento de Edward, mais complexo e escuro. Aquela visita era para ela de vital importância, mas a frieza com a qual ele a estava tratando a tinha deixado um tanto desorientada.

- É como se não estivesse me escutando. Não seja assim. Não se comporte como se isto fora um jogo!

- Pois você não dê coisas por sentido, cara. Não está dentro de minha cabeça e não tem a menor idéia do que estou pensando.

- Sei que deve estar muito, muito zangado comigo...

- Equivoca-se - contradisse ele -. Estar zangado depois de tanto tempo seria algo completamente improdutivo.

Mas Bella levava muitas coisas dentro de si para conter as palavras que se

amontoavam em seus lábios, lutando por sair.

- Sei que me odeia e que eu tenho a culpa de todo o ocorrido... e não acontece nada, é o que mereço — confessou humildemente.

- Não me faça perder o tempo com tudo isso - espetou Edward frio como o gelo.

Bella levantou seus olhos chocolates e angustiados como lhe implorando que a escutasse e apreciasse a sinceridade com a que falava.

- Sei que dizer que sinto muito é bastante pouco a estas alturas e até resultará enervante, mas tenho que dizê-lo.

- Por quê? - seu olhar escuro e brilhante se deteve nela como um desafio-. Não tenho o menor interesse em ouvir suas desculpas.

- Você me enviou esse periódico... - recordou-lhe de novo com pouco mais que um sussurro. Mas ele encolheu os ombros depreciativamente.

- Queria que soubesse que tinha me equivocado - continuou dizendo Bella tirando forças de fraqueza depois de um comprido e tenso silêncio. - Queria que visse a prova de sua inocência.

- Ou possivelmente queria faze-la sofrer - sugeriu ele brandamente-, Ou possivelmente o orgulho me tenha obrigado a fazê-lo. Mas fosse qual fosse minha motivação, já não importa.

- Claro que importa! - já não ficavam forças para continuar controlando suas emoções -. Tanya Denali arruinou nosso casamento.

- Não! -interrompeu-a ele com calma letal -. Esse logro é única e exclusivamente seu. Se tivesse acreditado em mim, ainda continuaríamos juntos.

Bella deu um passo atrás como se suas palavras a tivessem golpeado realmente. Havia descrito os fatos despojando-os de compaixão e deixandoos na cruel realidade.

- Não é tão simples.

- Eu acredito que sim.

- Mas você permitiu que eu o abandonasse! - protestou desesperada-. Acaso tentou me persuadir com todas as suas forças, ou me convencer de verdade de que essa mulher estava mentindo?

— Todo mundo é culpado até que se demonstre sua inocência...? É assim que justifica o que fez? Está tentando me colocar a culpa, mas não havia maneira de demonstrar que Denali estava mentindo. Dormi sozinho aquela noite e todas as demais que se passou naquele navio, mas não havia nenhuma testemunha presencial além de mim mesmo - recordou-lhe com a frieza de um advogado em meio de um julgamento. - As mulheres como ela sempre procuram a sua presa entre os homens ricos e você sabia quando se casou comigo. A única maneira de proteger nosso casamento era confiando um no outro, mas você falhou na primeira prova.

- Possivelmente teria acreditado mais em você se tivesse negado com mais ímpeto! - justificou-se elevando o tom de voz pela raiva que lhe dava perceber aquela frieza e aparente falta de interesse. - Mas parece que foi muito orgulhoso para tentar me convencer de que estava cometendo um engano e estava sendo injusta com você...

- Controle-se, cara. Esta reunião resulta muito embaraçosa para ambos e não me agrada ter que lhe dizer isso.

- Não vai deixar que me desculpe, não é?

Era tão sincera, tão direta e tão desastrosamente inocente. Estava buscando problemas, pedindo-o a gritos. Ao casar-se com ela, refletiu Edward com certa amargura, tinha planejado protegê-la de todo mal. Nunca lhe ocorreu que pudesse acabar exilado em zona de inimizade e que o único modo de escaper fosse comprometer seus próprios ideais. A luz do sol interrompeu seus pensamentos ao refletir-se diretamente sobre o rosto de Bella. A perfeição de sua pele cor nata contrastava com seus olhos chocolate, profundos e brilhantes como duas jóias. Seu corpo reagiu imediatamente endurecendo-se de um modo exasperante ante a visão daquele rosto com essa boca suave, vulnerável e apetecível como uma fruta amadurecida.

Nesse momento o olhar de Bella se uniu àqueles olhos ardentes e sentiu que se derretia por dentro. A temperatura de seu corpo aumentou de repente e se sentiu fraca e enjoada; aquela automática reação à sua agressiva masculinidade resultava tão familiar. Aquelas largas pestanas negras como as de seu filho se abriram ao máximo para lhe lançar um frio olhar.

- Não sei por que veio para me ver - resumiu com uma total falta de expressão no rosto.

- Sim, sim sabe... Sabe perfeitamente! – insistiu ela com as bochechas ruborizadas. Estava fazendo um esforço por concentrar-se apesar de que tinha a sensação de que ele tinha percebido sua humilhante reação a sua proximidade.

- Mas possivelmente não queira afundar agora nesse tema. Por que melhor não me conta como está Masen?

Bella piscou surpresa, mas a tensão não demorou para desaparecer de seu rosto empurrada pelo tenro sorriso de uma mãe.

- Está muito bem... aprende tão rápido, já sabe...

Inclusive aquele sorriso serve para aumentar a ira de Edward.

- Não, não sei.

- Como? - Bella não entendia. Tinha a esperança de que falar de seu filho, que naquele momento era o único ponto que tinham em comum, poderia esquentar um pouco o ambiente.

- Porque não sei quão rápido aprende Masen porque não vejo meu filho bastante freqüentemente para poder me dar conta de algo assim. É obvio, sempre que o vejo que aprendeu algo novo da última vez.

Bella ficou gelada ante aquela explicação.

- Evidentemente, tampouco lhe ocorreu pensar que perdi seu primeiro sorriso, seu primeiro passo e sua primeira palavra. Várias lágrimas apareceram em seus olhos e teve que lutar para evitar que caíssem fazendo-a sentir-se ainda mais ridícula. - Suponho que tenho sorte de que continue me reconhecendo de uma visita a outra - acrescentou Edward com a mesma frieza.

Bella enfrentava toda aquela amargura pela primeira vez. Engoliu a saliva tão forte que fez mal na garganta e teve que olhar para outro lado até recuperar o controle. Compreendia o que devia ter sentido ao ser excluído dos momentos mais importantes da vida de seu filho. Como poderia culpá-lo por tanta hostilidade? Não podia dizê-lo, mas o certo era que estava falando como um pai muito mais carinhoso do que jamais teria acreditado possível nele. Uma das piores lembranças de sua vida era o aborrecimento de Edward quando se inteirou de que ficara grávida.

- Eu gostaria de poder dizer algo - começou a dizer torpemente.

- Não me venha com convencionalismos... por favor - burlou-se Edward. - Possivelmente esteja me dando conta de que, como a maioria dos casais divorciados, não temos muito do que falar.

- Ainda não estamos divorciados...

- Como se estivéssemos, cara minha — a contradisse ele com uma insolência que lhe cravou no coração. - Há alguma outra coisa da qual queira falar antes de partir? Estou seguro de que não quererá chegar muito tarde.

Sentia-se horrivelmente culpada e incapaz de ordenar seus pensamentos, mas ainda tinha que cumprir o que lhe tinha prometido à sua irmã.

— De dinheiro.

Edward franziu o cenho desconcertado.

- É que... - tentou explicar-se sem poder lutar contra a cor vermelha intensa que deu lugar em seu rosto-. Estou tendo alguns problemas econômicos. Sou consciente de que fui eu a que decidiu aceitar só uma mínima ajuda econômica quando nos separamos.

- Não nos separamos - corrigiu Edward-. Você me abandonou.

Bella apertou os dentes. Não necessitava que ninguém recordasse, como tampouco desejava lembrar-se de quanto tinha valorizado em outro tempo sua capacidade para valer-se por si mesma sem o dinheiro de seu marido.

- As coisas mudam. Supunha-se que este ano ia escrever um livro, por isso no departamento me reduziram as horas de tutoria. Desgraçadamente, a editora decidiu que o tema era muito rebuscado para o público e retirou a oferta. O caso é que até o próximo curso não poderei voltar a trabalhar em tempo integral no departamento de botânica.

- Deduzo então que não tinha assinado nenhum contrato com a editora...

Bella assentiu odiando-se a si mesma por ter acabado falando de um pouco tão alheio às emoções que percorriam seu corpo em enormes quebras de onda de tristeza e remorso.

- Meus advogados entrarão em contato com os seus e elaborarão um acordo. Não há problema. Pensava que haveria? É por isso que aproveitou a oportunidade de vir para ver-me hoje com todas essas desculpas? - perguntou-lhe Edward de um modo tão repentino que a pegou despreparada.

- É obvio que não... - conseguiu dizer totalmente aflita.

- Possivelmente pensou que me comportaria como um néscio e que me negaria a ajudá-la? - continuou falando com desdém.

- Eu não tinha pensado nada disso! - mas havia se sentido profundamente ferida em seu orgulho ao ter que admitir quanto necessitava a ajuda econômica que em outro tempo tinha rechaçado.

- Apesar de não ter sido o culpado de nossa separação, sempre fui muito generoso. Foi você que me atirou o dinheiro no rosto - censurou-a duramente. - Embora tivesse todo o direito do mundo de ajudar a manter meu filho, seu egoísmo e sua intransigência obrigaram a não contribuir mais que uma ridícula quantidade.

Aquele ataque tinha deixado Bella pálida e tensa.

- Não tinha a menor idéia de que se sentisse assim.

Edward apertou a mandíbula e voltou a encolher os ombros ao mesmo tempo em que a olhava como se fosse uma criatura insignificante.

- Dio mijou. Como eu ia saber? Desde que me deixou só nos comunicamos através de nossos advogados. Quer que lhe dê um cheque?

Bella se sentiu como se acabassem de lhe dar uma bofetada e um enorme nó de angústia e tristeza lhe bloqueou a garganta. Parecia que estava disposto a algo com tal de livrar-se dela.

- Não... Esse não é o motivo pelo que vim vê-lo, Edward.

- Entretanto um motivo tão materialista como esse parece ter mais sentido que nenhum outro - afirmou com o maior dos desprezos-. Tem sorte de que não possa te demandar por me pôr em ridículo.

- Coloca-lo em ridículo?

- Não tem um aspecto muito refinado que digamos, meus inimigos devem pensar que sou um miserável.

- Não vim aqui pelo dinheiro! - protestou consternada por sua atitude-. Tão difícil lhe resulta aceitar quão destroçada que me deixou ler a confissão de Tanya Denali nesse jornaleco? - Lucca arqueou uma sobrancelha.

- Não, isso posso aceitá-lo perfeitamente. O que não entendo é por que sentiu a necessidade de compartilhar esse sentimento comigo.

Bella abriu a boca sem poder emitir som algum.

- Estamos virtualmente divorciados.

- Isso não é certo... deixe de dizê-lo!

- Mas nosso casamento está acabado, morto e enterrado tão fundo que não voltará a ver a luz do dia - sentenciou arrastando as palavras para maior escárnio-. Desperte já e deixe de brincar de Bela Adormecida porque não acaba de despertar nenhum príncipe. Passaram-se dois anos. Logo que recordo já o tempo que passei com você. Além disso, tampouco estivemos juntos tanto tempo.

Cada palavra era como uma adaga envenenada que lhe cravava no peito fazendo-a sofrer mais do que podia suportar. Uma parte dela queria gritar, refutar todas as suas acusações, mas a outra parte de seu ser só queria encolher-se e morrer em algum canto escuro e solitário. As lembranças do tempo que tinha passado junto a ele continuavam estando tão frescos em sua memória como se tivessem acontecido no dia anterior. Possivelmente tinha acabado mau, mas ela não o tinha recordado com amargura, mas sim tinha entesourado aquelas lembranças como as mais especiais de sua vida.

Entretanto Edward estava lhe dizendo o que nenhuma mulher desejava ouvir; que ela não tinha sido mais que uma história entre tantas do passado, que tinha ficado já completamente esquecida. Tinham passado já dois anos?

Como tinha feito para não dar-se conta de todo o tempo transcorrido? Bella parecia estar a ponto de deprimir-se, a palidez de seu rosto rompeu a agressividade de Edward. Por acaso tinha se proposto deliberadamente ser cruel com ela? Acreditava que não, só lhe havia dito a verdade, só a tinha feito ver o irracional e pouco prudente de seu comportamento. Não obstante, pediu-lhe que se sentasse e quando ela se negou, ofereceu-lhe uma taça.

- Eu não bebo - balbuciou com o olhar fixo no relógio, tentando recuperar o controle de si mesma.

— Sei, mas como uma exceção, possivelmente viesse bem tomar um conhaque - sugeriu-lhe Edward incomodado com sua própria preocupação -. Quando você comeu pela última vez?

- No café da manhã.

Não disse nada. Sabia que jamais se detinha comer quando estava imersa

em algo que absorvia sua concentração. Recordou que quando ele não estava, seus empregados sempre tinham tido que controlar que ela comesse algo enquanto se encontrava na metade de alguma importante investigação. Era uma mulher incrivelmente inteligente no que se referia às estranhas plantas que estudava, mas nela, praticamente brilhava por sua ausência.

Bella levantou o olhar deixando ver aqueles olhos Chocolates agora frágeis pelos fantasmas do passado.

- Não quer que te diga quanto lamento o ocorrido porque não pode me perdoar - sussurrou tensa -. Compreendo-o perfeitamente porque agora mesmo acredito que eu tampouco serei capaz de me perdoar nunca.

Edward não podia responder à intensidade que desprendiam suas palavras e seu olhar, quando a única coisa que podia fazer era lhe aproximar a taça.

- Vou pedir uma limusine para você. Veio de trem?

- Sim, e não necessito nenhuma de limusine - aproximou o fino cristal aos lábios e deixou que o álcool a queimasse por dentro como se estivesse engolindo fogo líquido. Sob seu atento e fascinado olhar, Bella bebeu até a última gota de conhaque como se se tratasse de água. Depois ficou em pé e caminhou para a porta mantendo-se erguida com muita dificuldade.

- Insisto em que espere que venha uma limusine para levá-la a estação - afirmou Edward taxativamente.

- Já não tenho por que atender a suas insistências - respondeu ela levantando bem o rosto apesar de ferida que estava. «Nosso casamento está acabado, morto e enterrado tão fundo que não voltará a ver a luz do dia».

- Bells, seja sensata. - Aquele apelo carinhoso a feriu ainda mais fundo, mas continuou caminhando com aparente serenidade para o refúgio que encontraria no elevador enquanto todos os olhares se cravavam nela ao cruzar o vestíbulo e sem poder se separar de sua memória as outras vezes que Edward a tinha chamado assim:

- Bells, não seja pesada - estava acostumado a lhe dizer quando ela tinha tentado por todos os meios convencer de que passasse com ela uma tarde por semana. Uma tarde só para eles, sem trabalho nem compromissos sociais. - Terá que economizar tempo quando se têm filhos e nós graças a Deus não os temos.

- Bells... o aroma de sua pele me deixa louco - tinha-lhe sussurrado tantas vezes enquanto despertava beijos com a mestria pela que era célebre e com a que lhe tinha proporcionado a Bella o único paraíso que tinha conhecido na vida, que tinha descoberto em seus braços.

- Bells... a vida vai lhe ser tão doce agora que me tem - tinha-lhe prometido com total convencimento em sua noite de núpcias, e ela o tinha acreditado.

O elevador se deteve devolvendo Bella de repente ao presente. Já na rua descobriu sua própria imagem no reflexo de uma cristaleira que lhe arrancou uma triste gargalhada.

Muito típico nela, não lhe tinha ocorrido pensar em seu aspecto. Nada mais abandonar Edward, tinha decidido que esse tipo de frivolidades já não eram necessárias para ela. Mas acabava de ficar horrorizada pela extrema palidez de seu rosto e o desastroso aspecto de sua roupa. Deveria haver-se arrumado para ir vê-lo; possivelmente assim a tivesse escutado. Ao fim e ao cabo ele era italiano até a medula e desprendia elegância por cada poro de sua pele.

- Por que não olha por onde vai? - disse-lhe zangada uma senhora com a que tinha se chocado.

- Signora Cullen...?

Bella olhou do outro lado da rua surpresa, era Marcus, o chofer de Edward que a esperava com a porta do passageiro de uma enorme limusine aberta para ela. Os transeuntes a olhavam enquanto ela se perguntava quanto tempo levaria ali parada, olhando-se na cristaleira e se pareceria tão estranha como se sentia. A suspeita de que assim fosse era motivo suficiente para aceitar que a levassem na limusine.

«Nosso casamento está acabado, morto e enterrado tão fundo que não voltará a ver a luz do dia».

Por que demônios não podia tirar essas palavras da cabeça? O sentimento de humilhação a estava carcomendo por dentro. Kate tinha reagido muito mal quando ela havia dito que precisava ver Edward, agora era evidente que deveria ter tido em conta a opinião de sua irmã mais velha. Edward tinha se comportado com frieza, brincadeira e hostilidade; não tinha mostrado o menor interesse por nada do que ela tivesse que lhe dizer e entretanto tinha demonstrado estar impaciente por vê-la partir. Tinha-a acusado de estar pondo-os em ridículo a ambos. Qualquer um teria pensado que tinha irrompido em seu escritório gritando que ainda o amava e que queria voltar com ele. Como se... colocou a mão no queixo para impedir que lhe tremesse a boca e tratou de compassar a respiração entrecortada.

Parecia impossível que fazia pouco mais de três anos, Edward tivesse se comportado como se ela fora um verdadeiro troféu que queria ganhar a todo custo e a que tinha estado tentando persuadir durante semanas de que lhe desse uma oportunidade...

O primeiro conhecimento que tinha tido Bella da existência de Edward tinha sido quando lhe tinha arrebatado um lugar para estacionar enquanto ela manobrava para colocar seu carro na parte de trás. Sabendo que tinha havido gente que havia falecido de ataques de ira provocados por coisas como aquela, Bella tinha preferido partir e continuar dando voltas pelo campus até dar com outro estacionamento. Depois havia tornado a passar caminhando pelo local roubado e havia olhado com desdém a luxuosa Ferrari estacionada ilegitimamente.

Sua sorte não tinha melhorado precisamente quando um companheiro a tinha informado que uma visita de grande importância estava utilizando seu escritório para fazer algumas ligações.

- E o que se supõe que devo fazer? - tinha rugido ela porque tinha trabalho pendente. - Quem é essa importante visita?

- Edward Cullen... provavelmente o empresário mais importante que se graduou nesta universidade - tinha-lhe explicado seu veterano colega. - É tão rico que essa Ferrari que está estacionada aí fora poderia levar ouro líquido como combustível. Além disso, está pensando em doar uma nova equipe de investigação à faculdade.

- Cullen... - repetiu Bella tentando averiguar por que lhe resultava tão familiar esse nome. - Eu tenho uma aluna que se chama Alice Cullen...

- Sua irmã mais nova, que está aqui fazendo um curso de intercâmbio - confirmou seu companheiro.

Depois da breve conversação, Bella ficou esperando à porta de seu escritório com tremenda paciência. No começo do curso, a jovem Cullen tinha sofrido uma terrível saudade e tinha confiado seus problemas a Bella, que tinha acabado tomando carinho à moça.

- Por quê? - ouviu-se a voz masculina com um ligeiro acento estrangeiro e Bella não tinha podido resistir a aparecer à porta entreaberta. - Não há nenhum motivo, Irina. Passamos muito bem juntos, mas as coisas mudam e eu devo continuar. Para mim não vai isso de fidelidade e compromisso.

Bella sentiu um estremecimento. Uma pobre mulher estava sendo abandonada por um tipo arrogante que tinha um bloco de concreto em lugar do coração. Estava a ponto de afastar-se até onde não pudesse escutar o que

acontecia no interior do escritório, quando se aproximou seu chefe de departamento, o professor Crowley, acompanhado de uma loira ostensivamente aborrecida. Justo então, aconteceram três coisas de maneira simultânea: um homem alto saiu do escritório de Bella, a loira pareceu adquirir uma repentina energia que a levou a agarrar o braço do homem alto e lhe sussurrar algo ao ouvido, e por último, o catedrático se aproximou para apresentar Bella.

- Doutora Swan - murmurou Edward Cullen depois de uma longa pausa.

- Senhor Cullen... - Bella se encontrou com um rosto tão incrivelmente belo e masculino, que por um momento todo o resto deixou de existir a seu redor. Aqueles olhos verdes a privaram por um momento da capacidade de respirar com normalidade e não pôde fazer caso de nada mais que não fosse ele.

Mas então sua amiga ficou literalmente entre ambos e fez com que Bella se desse conta morta de calor da falha que acabava de cometer. Edward Cullen era um homem muito rico, arrogante e mulherengo... em resumo, o tipo de homem que ela estava acostumada evitar. Ele tentou alongar a conversação, mas Bella não voltou a olhá-lo nos olhos e suas respostas foram tão pouco alentadoras como sua postura. Assim logo que foi possível, escapou para o interior de seu escritório pondo o tempo como desculpa.

Dois dias mais tarde, Bella estava dando uma conferência sobre o livro que ela mesma tinha escrito sobre samambaias sendo ainda estudante, quando esteve a ponto de sofrer um ataque de nervos ao ver entrar na sala

Edward Cullen. Depois do ato, esperava-a junto a sua irmã Alice para convidá-la para almoçar e Bella tentou declinar o convite.

- Por favor... - insistiu a inquieta jovem. - Todo mundo sabe quão tímida é, mas Edward só quer lhe agradecer por me haver ajudado quando estava passando tão mal.

— Não é certo — interveio seu irmão. - Na realidade só queria desfrutar do prazer de sua companhia, doutora Swan - esclareceu Edward sem deixar de olhá-la com esses maravilhosos olhos verdes que faziam com que a boca ficasse seca.

Bella acabou por concordar em acompanhá-los porque não queria ferir os sentimentos da moça. Durante a comida, logo que provou o que havia no prato e enquanto, Edward fazia uma multidão de perguntas pessoais que ela não tinha a destreza de esquivar. Depois, Alice teve que ir correndo a uma conferência e quando Bella tentou seguir seus passos, Edward tentou dissuadi-la:

- Por que decidiu não se dar bem comigo?

- De onde você tirou essa idéia? - protestou Bella assustada de que tivesse lido seus pensamentos.

O certo era que não sabia o que lhe dizer porque nem sequer sabia o que sentia. Jamais poderia confessar a ninguém, e menos ainda a ele, que desde que o tinha visto pela primeira vez não tinha podido deixar de pensar nele nem um minuto. Até fazia tão somente uns dias, não tinha sido mais que um desconhecido e entretanto, tinha a sensação de conhecê-lo. Do momento em que se viram, entre eles tinha surgido uma estranha conexão da qual não podia desfazer-se.

Edward lhe pediu que saísse para jantar com ele e que ela mesma escolhesse um dia para assim não poder pôr a desculpa de ter outro compromisso.

Bella observava atônita o genuíno interesse que mostrava porque ela tinha dado por fato que a atração que tinha percebido procedia só de sua parte.

- Parece-me muito bela - disse-lhe então Edward desfrutando do poder de ler sua mente.

- Eu não sou bela! - exclamou Bella acreditando que estava burlando dela. Depois, assegurou-lhe que ela não saía com homens e que não havia nada pessoal em sua falta de interesse e partiu do restaurante.

Durante as duas seguintes semanas, Edward lhe enviou um buquê de flores cada dia; mas se tratava dos Ramos mais preciosos e imaginativos que jamais tinha visto. Na terceira semana se apresentou em seu pequeno apartamento com uma cesta de piquenique em que levava o jantar. Penetrou em sua casa com o maior dos encantos e compartilharam uma ceia muito agradável. Só quando estava a ponto de partir pediu outro encontro.

- Está louco - resmungou Bella ao ver que não se dava por vencido. - Por que ia querer alguém como você sair com alguém como eu?

- Pois é a única coisa no que posso pensar ultimamente.

- Isso não tem nenhum sentido.

- Mas lhe acontece o mesmo – assegurou Edward sem titubear. - O que tem que ver o sentido com tudo isto?

Mas para ela ter sentido comum era tudo. Ela não era das que perseguia arco íris, mas sim sabia respeitar suas próprias limitações. Era um desastre com os homens e bastante inteligente para não entregar seu coração a alguém que o trataria como um balão que atiraria ao lixo uma vez que se aborrecesse dele. Mas sim, por muito que lhe doesse admiti-lo, era certo que morria de vontades de estar com ele; embora fosse muito mais duro tê-lo e logo perdêlo. Assim riu e lhe assegurou que se equivocava por medo de confirmar que estava certo.

Edward começou a chamá-la, e não de maneira ocasional. Ela começou a esperar aquelas chamadas e se sentia decepcionada e inquieta se não chegavam. Por telefone o encontrava incrivelmente ameno sem fazê-la sentirse ameaçada, por isso continuou sem enfrentar seus sentimentos por ele, que eram cada vez mais fortes. Em todo esse tempo, sua tranqüilidade foi desaparecendo, e com ela sua outrora completa concentração no trabalho.

Não suspeitava que Edward penetrou em sua couraça, até que foi à festa de despedida da Alice e o viu com outra mulher. Destroçada pelo que considerou uma profunda traição, teve por fim que confrontar o que sentia por Edward Cullen. Comparando aqueles sentimentos do passado com o desafiante presente, Bella se deu conta de que se encontrava em uma situação parecida. Olhou pelo guichê da limusine e não viu nada. O que sentia exatamente por seu marido? Assim que tinha lido a confissão de Tanya Denali, tinha deixado de lado todo o resto pela repentina necessidade de ver Edward. Bem era certo que a honra a obrigava a desculpar-se por não ter acreditado nele. Mas realmente era essa a única razão pela qual tinha ido a Londres com toda pressa?

Estremeceu-se ao expor-se tão delicada pergunta, mas mesmo assim se obrigou a respondê-la com total sinceridade. E a resposta a fez envergonharse de si mesma. Nada mais a desaparecer da barreira de sua suposta infidelidade, tinha desejado recuperá-lo imediatamente. Sem pensar-lhe duas vezes, tinha ido a ele com a esperança de salvar seu casamento antes que o divórcio fosse definitivo. Por acaso não tinha sido esse o motivo de sua visita?

Só esperava que ao menos Edward não tivesse descoberto seu ridículo segredo. Mas ainda ficava uma dúvida: estava voltando para casa só porque lhe havia dito que o fizesse? Esse era todo o esforço que estava disposta a fazer? Tentou recordar todas as vezes que Edward tinha recebido suas negativas antes que finalmente caísse rendida a seus pés e concordasse em sair com ele.

Edward era muito orgulhoso, e já era fazia três anos; entretanto não se rendeu apesar de suas negativas. Para ele teria sido muito mais simples escolher a qualquer das muitas mulheres que o teriam recebido com os braços abertos. Mas tinha decidido que a queria e não tinha permitido que o orgulho se interpusesse em seu caminho.

Ficou reta como se alguém lhe tivesse parecido algo nas costas. Tinha claudicado ao primeiro indício de fracasso, enquanto que Edward tinha lutado por ela muito mais... ela teria a coragem para lutar por ele do mesmo modo?

Estava disposta a deixar o orgulho de um lado e fazer tudo o que estivesse em sua mão para convence-lo de que ainda havia uma oportunidade para seu casamento? Não demorou muito em chegar a uma conclusão: viver sem Edward era como estar só meio viva.

A limusine estava chegando à estação quando pediu ao chofer que a deixasse ali mesmo. Reparou então nas manchas de sorvete que tinha na saia e que fora obrigada a comprar roupa nova antes de tentar voltar a encontrarse com Edward, que fazia já muito tempo lhe havia dito que gostasse ou não, a gente julgava a outros se apoiando muitas vezes na aparência.

Demorou algum tempo em encontrar uma zona de lojas e ainda mais em dar com a indumentária adequada; mas por fim saiu da boutique embelezada com um elegante vestido azul. A princípio estava um pouco tensa porque detestava levar algo que pudesse fazer que a gente se fixasse nela, entretanto recordou o que gostava Edward quando usava roupa de cores claras e deixava o cabelo solto.

Um táxi a levou até a preciosa casa georgiana que Edward tinha em uma distinta zona residencial de Londres. Seu decorador de interiores tinha vendido as fotos a uma revista que sua irmã Kate se apressou a lhe ensinar. Saiu do carro com o coração na mão e com a mente dominada pelo desafio que supunha voltar a falar com Edward. Então alguém gritou seu nome e ao voltar-se para olhar, um tipo com uma câmara lhe fez uma foto e lhe pediu que ficasse onde estava para poder tirar outra. Ao mesmo tempo, outros jornalistas se aproximavam dela correndo e sem deixar de lhe fazer perguntas. Por um momento ficou paralisada pela surpresa, mas em seguida baixou a cabeça e correu tão rápido quanto pôde até a porta principal da casa.

- Como se sente depois da confissão de Tanya Denali, senhora Cullen?

- Esta tarde a viram no escritório de seu marido - disse outro jornalista lhe pondo um microfone a só um centímetro do rosto. - É certo que a tem feito esperar várias horas até que finalmente concordou em recebê-la?

- Você sabia que Edward está saindo com Lauren Mallory, uma das mulheres mais belas do mundo? O que sente a respeito? Intimida-a?

Bella se sentiu atacada e encurralada por aquelas impertinentes perguntas que a tinham deixado literalmente contra a parede. E teria caído de costas quando se abriu a porta não fosse pelo amável braço que a sustentou.

- Isabella... você está tentando salvar seu casamento? -ouviu-se uma última pergunta antes de que a porta se fechasse.

- Você está bem? -perguntou-lhe seu amável salvador levando-a até uma cadeira da entrada. Tratava-se de Emmett, o chefe de segurança de Edward, que sempre tinha sido muito amável com ela.

- S... sim - gaguejou ela ainda tremendo.

— Me alegro, cara - disse outra voz muito menos amável. - Teria me dado muita raiva não ter a oportunidade de dizer que vir aqui esta noite é o mais estúpido que tem feito em sua vida.

***** Thanks pelas Review *****

E ai o que acharam ?

Gess...