Lynne Graham

Adaptação.

Personagens pertencentes a Lynne Grahame e Stephenie Meyer

Historia pertence a Lynne Graham.

AMANTE E ESPOSA

Capítulo 3

Bella não afastou o olhar de Edward enquanto se aproximava dela com passo firme. A terrível boas-vindas que lhe tinha dado, unida à visão de sua imponente imagem deram contraste com sua concentração. Ela, que sempre tinha assegurado que a aparência era algo superficial e que o que realmente importava eram a inteligência e a personalidade, ficou completamente fascinada com a vibrante presença masculina de Edward. Era tão bonito, que só vendo aquele rosto duro e marcado e aquele poderoso corpo começava a sentir-se fraca e enjoada.

- Como pode me dizer isso? - perguntou Bella tão energicamente como pôde, ao tempo que se levantava da cadeira para defender-se. Se não respondia a seus ataques, Edward passaria por cima dela e a esmagaria verbalmente sem dificuldade alguma.

- Era óbvio que a imprensa iria assim que houvesse o mais ligeiro sinal de que tinha reagido à confissão de Denali! - proclamou Edward ainda zangado, mas ligeiramente suavizado pela expressão de horror que ainda se via no rosto de Bella.

- Estava tão alterada com tudo isto - confessou ela com a franqueza que a caracterizava e que de fato tornava parte de seu encanto, - que nem sequer me ocorreu pensar na imprensa.

- Pois deveria havê-lo feito - continuava muito exasperado para deixar-se influenciar pelo sincero arrependimento que nublava seus olhos Chocolates. Os periódicos do dia seguinte mostrariam as fotografias nada favorecedoras de Bella embelezada com aquele vestido que lhe dava aspecto de fantasma a ponto de desintegrar-se. Um acidente estilístico de grandes proporções, certamente aquele objeto se lançou do cabide direto aos agradecidos braços de Bella.

- Bom... poderia me dar uma taça? - pediu ela em tom de desculpa porque ainda se encontrava um pouco enjoada. E não era de sentir saudades, pois não tinha comido nada da hora do café da manhã.

- Outra taça? - perguntou Edward surpreso e com desaprovação. Haver-se-ia aficionado à bebida desde sua separação? Abriu de repente as portas de uma acolhedora sala decorada em diferentes tons de azul.

Bella o seguiu fazendo uma confusão com as mãos, estava tão inquieta, que não sabia o que fazer com os braços.

- Suponho que estará se perguntando por que tornei a vê-lo.

- Não podia encontrar a estação?

- Estou falando sério - repreendeu-o elevando bem o queixo.

No rosto de Edward se desenhou um sorriso que era provocação e insulto ao mesmo tempo.

- Aqui estamos, virtualmente divorciados e nos vendo tantas vezes em um mesmo dia - disse cheio de ironia, ao mesmo tempo em que lhe estendia uma taça de conhaque. - Surpreendentemente, estou muito solicitado. Bom, disse que era sério...

- Por favor, não seja assim - suplicou ela, olhando-o nos olhos, mas mantendo-se reta e firme. - Não sei como chegar a você quando adota essa atitude.

Edward lhe lançou um perigoso olhar.

- Possivelmente se tivesse pensado que este dia poderia chegar, teria se comportado de um modo diferente durante nossa separação...

- Se tivesse tido conhecimento prévio da confissão dessa odiosa mulher, não teria havido tal separação - corrigiu Bella com firmeza.

- Faz dois anos valeu mais a palavra de uma desconhecida que a minha, esse foi o fim de nosso casamento - contra-atacou Edward frio como o gelo.

Bella desejava lhe recordar como tinha sido tudo por aquela época, mas não queria avivar sua hostilidade.

- Quando isso ocorreu já estávamos distanciados... e você sabe. Apenas nos víamos... Você estava em Nova Iorque, depois no iate...

- E você poderia ter estado comigo - espetou Edward.

Bella apertou as mãos e depois as separou de repente em um gesto de frustração.

- Passava tanto tempo trabalhando...

- Já lhe avisei isso quando nos casamos.

- Eu necessitava de meus estudos para me manter ocupada. Edward, por favor preste toda sua atenção durante um par de minutos para que possa dizer o que tenho que dizer.

Edward demonstrou que estava mortalmente aborrecido sem dizer uma palavra nem mover um músculo.

- Cometi um engano... um terrível engano, admito. Também compreendo que esteja muito zangado.

Ele abriu a boca.

- Cala! Não diga nada! - deteve-o ela-. Sei que tenho muito pelo que compensa-lo e que uma desculpa não serve de nada. Mas também sei que o tempo que estive contigo foi o mais feliz de minha vida.

Edward soprou tentando controlar-se. Como ia acreditar nisso?

- Estou disposta a algo para recuperar essa felicidade - acrescentou ela com um evidente rubor no rosto.

Mas a resposta não foi outra que a ira.

- Tinha essa felicidade e a desperdiçou. O que sente agora não é meu problema, cara.

Seus olhos verdes como esmeraldas tinham uma expressão tão dura que a atravessavam como uma adaga. E embora sua inata prudência lhe dizia que devia render-se e sair correndo antes de deixar ainda mais claro suas intenções, havia algo dentro dela que lhe impedia de calar. O menos que lhe devia era sinceridade.

- Isso sei... mas aprendi muito de mim mesma nas últimas horas. Não tornei a ser feliz desde que o deixei.

- É uma lástima, mas me alegro se soubesse - confessou Edward sem rastro de remorso, embora ao mesmo tempo apareceu em sua mente o aspecto de Bella durante sua lua de mel na Toscana: seus olhos chocolates cheios de sorte, seus carnudos lábios sempre com um sorriso de satisfação. A essa imagem seguiu outra de seu esbelto corpo sobre os lençóis revoltas que despertou sua libido.

Bella se encontrou com aquele olhar escuro com reflexos dourados que tão bem conhecia e o coração lhe deu um tombo como se Edward acabasse de golpeá-lo pessoalmente. Cortou-lhe a respiração e todo seu corpo ficou imóvel como se estivesse à borda de um precipício e o medo de cair bloqueasse, mas agora o medo estava acompanhado de um desejo desesperado. O mesmo desejo que tinha tido que esquecer durante a separação acabava de despertar dentro dela.

-Ainda sinto algo por você - sua voz emergiu quase sem força enquanto fazia um esforço para concentrar-se no que tinha que dizer. - ... Estou pedindo que voltemos a tentá-lo. Quero voltar com você.

O corpo de Edward se encheu da mais escura satisfação, que não fez mais que aumentar a excitação que já sentia.

- Quer voltar comigo? -

-Sim - assentiu ela com os músculos tão tensos, que lhe doíam e tratando de não deixar-se vencer por sua falta de reação e de não sentir-se inferior por tal confissão. A tensão sexual se podia cortar com uma faca.

- Eu não sinto o mesmo. - respondeu ele sem afastar o olhar de sua sensual boca.

A ira que sentia estava expandindo-se dentro dele e ameaçava estalar. Fazia muito tempo que não estava tão zangado, dois anos exatamente. Fazia dois anos que seu casamento veio abaixo, dois anos desde que ela tinha sacrificado sua relação e a plena felicidade de seu filho com uma displicência que tinha arruinado as expectativas que Edward tinha em sua até então adorada esposa.

- Mas ao menos poderia pensar nisso... - persistiu ela.

- Não preciso pensar!

Bella baixou a cabeça para ocultar o profundo pesar que sentia.

- Entretanto - acrescentou ele depois de uns segundos, - embora nosso casamento fosse um engano...

- Não diga isso! - estalou ela ante tão brutal declaração.

-... Jamais a jogaria de minha cama...

Bella o olhou incapaz de entender tão inesperado final. Com a mestria de um homem que se sabia em clara vantagem em presença de qualquer mulher, Edward se aproximou dela e a rodeou com seus braços com o fim de lhe demonstrar o que queria dizer.

Bella ficou perplexa, olhando-o com os olhos abertos como os de uma ave e deixando-se apertar contra aquele corpo. Em um décimo de segundo, Edward tinha tomado posse de sua boca com uma intensidade sexual que a deixou completamente sem defesas.

Notou como seu corpo se balançava instável após tão apaixonado ataque e teve que agarrar-se a ele, que a levou entre seus braços até a parede contra a que a deixou aprisionada com seu corpo.

- Edward... - sussurrou ela sem a menor intenção de resistir porque sabia que ele jamais falava de sentimentos e que utilizava o sexo como modo de comunicar-se. Por isso quando voltou a tocá-la depois de dois anos, Bella acreditou que tinha atravessado suas barreiras e que a tinha aceitado de volta em sua vida.

- Deseja-me?

- Sempre...

Como única resposta, ele a beijou como se fosse devorá-la. Bella teve a sensação de não poder respirar, mas se agarrou a ele com ânsia e alegria.

Toda ela se derretia com o apaixonado ardor que nem sequer tinha sonhado voltar a sentir. Uma pontada no centro de seu corpo a fez mover-se de maneira instintiva até estar completamente presa a ele.

Um estremecimento quase imperceptível percorreu cada centímetro de pele de Edward. Desejava levantá-la nos braços e inundar-se na doce promessa de seu delicado corpo uma e outra vez, até ter satisfeito o desejo abrasador que ardia dentro dele. Mas no cômodo do lado o esperava outra mulher. Uma mulher a que podia possuir sem promessas nem complicações.

Entretanto um segundo depois chegou a outra conclusão. Não havia motivo para não celebrar sua iminente liberdade levando a sua futura ex-esposa à cama e lhe recordando o que ela mesma tinha rejeitado...

Fechando suas enormes mãos sobre os ombros de Bella, separou seus corpos.

- Agora mesmo não é um bom momento para mim.

- Como que não é um bom momento? - perguntou-lhe ela com os olhos abertos de par e par e ainda brilhantes de felicidade. - Eu só quero estar com você.

Edward ficou imóvel pela ira que se apoderava dele. Acaso tinha pensado que ia resultar lhe tão fácil recuperá-lo? Jamais a perdoaria. Tinha acabado com ela e lhe indignava que acreditasse que se desculparia e se reconciliariam como dois meninos que tivessem tido uma briga.

- Parece-me que estamos falando de coisas diferentes, cara - esclareceu ele com toda a frieza da qual era capaz. - Não tenho o menor interesse em recuperar nosso casamento. Quantas vezes tenho que dizer que isso deixei para trás faz já muito tempo?

Bella tinha ficado petrificada e a cor tinha desaparecido de seu rosto deixando-a lívida como um morto. Tinha a sensação de estar caminhando às cegas por um pântano. Não compreendia por que de repente a olhava como se fosse um estranho espécime de laboratório.

- Mas... faz um segundo estava b... me beijando - gaguejou desconcertada.

Edward a olhou com algo parecido à dor. Aquela mulher via a vida em branco e preto, tudo para ela tão literal e tão simples. Do seu lado não era mais que um acidente que podia ocorrer em qualquer momento, e isso não fazia mais que aumentar sua ira. A culpa de que seu casamento tivesse fracassado era dela não dele.

- Isso era sexo - afirmou com uma simplicidade cruel. Como era de esperar, Bella se ruborizou e olhou para o outro lado incapaz de confrontar essa palavra de quatro letras que sempre tratava de evitar.

- Bom, sim... mas...

- Só por que gostei de ter um bom sexo com você não significa que deseje voltar para o sagrado casamento - acrescentou ele implacável. - Por isso recordo, foi uma tigresa na cama.

Ante tão inoportuno elogio sem dúvida calculado com o propósito de menosprezar ainda mais a pouca dignidade que ficava, Bella lhe deu um bofetão tão forte que lhe doeu a mão. E não se arrependeu o mínimo pois não estava disposta a permitir que lhe falasse assim. Com um pouco de sorte recordaria aquele bofetão mais que sua estúpida rendição ao primeiro beijo.

Afastou-se dele lívida, mas com a cabeça bem alta. Não podia arriscar-se a derrubar-se e fazer o ridículo em sua presença.

- Nenhuma mulher se atreveu a me bater jamais... - disse ele apertando a mandíbula e agarrando-a pelo braço para impedir que chegasse à porta.

— Percebi - murmurou ela sem querer ver a marca vermelha que lhe tinha deixado sua mão na bochecha. - Não importa o que fizesse no passado ou o muito que lhe tenha feito zangar hoje, quero que saiba que o fiz com boa intenção e nunca quis fazer dano nem ofende-lo. Não mereço que me fale como se fosse um lixo...

- Eu não...

- E não vou permitir que me faça sentir culpada por tentar salvar nosso casamento...

- Há dois anos não tentou tanto! - contra-atacou Edward com uma fúria que paralisou Bella.

Estava fazendo um verdadeiro esforço por conter a angústia que a estava destroçando por dentro. Tinha-o perdido para sempre, já não haveria volta nem segundas oportunidades. Ele a desprezava e não sabia se podia culpá-lo por isso. Parecia que tudo o que tinha ocorrido tinha sido por sua culpa, embora no mais profundo de sua tristeza ela sabia que não era totalmente certo. Possivelmente tinha sido mais feliz com ele que sem ele, mas nem muito menos seu casamento não tinha sido perfeito e ela tinha sido a única disposta a transigir em qualquer ocasião.

- Pode que seja muito tarde, mas o estou tentando agora - explicou cheia de dor. - É isso tão mau?

De repente se abriu a porta deixando lugar a uma muito alto e chamativa mulher.

- Lauren... já acabo - sussurrou Edward brandamente. - Em seguida estou com você.

«Lauren?» Lauren Mollory. Bella não tinha reconhecido o nome quando tinha ouvido um dos paparazzi, mas sim reconheceu seu belo rosto, era a impressionante modelo que aparecia nessa campanha publicitária de perfumes.

Como um ratinho assustado ante uma cobra, Bella se encontrou olhando atordoada à mulher mais bela do mundo. Não podia evitar olhá-la porque era incrivelmente bonita. Com um suor frio lhe cobrindo o corpo, deu-se conta de que em todo o tempo que ela tinha estado ali com Edward, Lauren devia ter estado esperando-o. Enquanto ela tinha estado imersa em sua luta torpe e impetuosa por convencer Edward de tentá-lo de novo, ele teria estado desejando que partisse de uma vez.

- Isabella... -disse a modelo com invejável desenvoltura, - não nos apresentaram, mas tenho a sensação de conhecê-la graças a seu filho.

- Meu filho...? - Bella tinha a sensação de estar a ponto de derrubar-se.

- Masen é encantador... e se parece tanto a seu pai - acrescentou Lauren lançando um íntimo olhar a Edward. - É que adoro os meninos.

- Claro - balbuciou Bella baixando o olhar para esconder sua mortificação.

Sentia-se humilhada e completamente fora de lugar, mas não só pelapresença daquela mulher, mas também pela familiaridade com que tratava Edward. Ela era a visita não desejada, pois Lauren estava como em casa e certamente não parecia sentir-se muito ameaçada pela aparição da esposa de Edward. Contar-lhe-ia ele que Bella lhe tinha suplicado uma segunda oportunidade? Ririam juntos à sua custa? Comparada com Lauren Mallory... na realidade não podia nem comparar-se com ela. Bella era pequena e imperfeita em todos os sentidos. Até seu muito caro vestido recém comprado parecia um disfarce comparado com o simples traje cor nata da modelo.

Com os olhos embotados com as lágrimas a ponto de cair, Bella se dirigiu para a porta que comunicava com o vestíbulo.

- Será melhor que espere - informou-a Edward. - Não queremos dar mais que falar com a imprensa. O mais prático é que Lauren saia antes pela porta de trás, chega tarde a um ato benéfico.

Bella fez um esforço sobre-humano por conter as lágrimas e manter nos lábios um sorriso que parecia lhe haver pintado. Ver-se obrigada a contemplá-los juntos era uma tortura que não desejava nem a seu pior inimigo. Por fortuna, Edward acompanhou a modelo até a porta, onde ela já não poderia vê-los.

— Espero voltar a vê-la — disse Lauren efusivamente antes de sair da habitação.

Bella apertou as mãos fortemente para impedir que continuassem tremendo. Por que demônios havia tornado a ver Edward? Que loucura apossou dela? Quando lhe tinha faltado a companhia de alguma mulher? Naquele momento soou o telefone celular que levava na bolsa.

- Onde está? - inquiriu James Hunter do outro lado. - Estou há meia hora esperando-a.

- James... - limitou-se a balbuciar Bella atordoada. Tinha esquecido por completo que tinha ficado com seu companheiro para assistir a uma conferência enquanto a mãe dele cuidava de Masen. Tinham concordado com o encontro fazia semanas pelo que a senhora Hunter estaria justificadamente ofendida por tal desplante. - Sinto muitíssimo... é que me surgiu algo. Como posso me desculpar? Tinha esquecido que íamos sair.

Edward não se desconcertava facilmente, mas aquilo conseguiu deixá-lo imóvel no lugar. Olhou perplexo o delicado rosto de Bella. Tinha agido de um modo tão inocente, até lhe tinha dado a entender que ainda sentia algo por ele. Inclusive tinha cansado rendida em seus braços fazia tão somente uns minutos. E entretanto havia outro homem em sua vida, Edward se sentiu ultrajado. James? Que nome tão repulsivo! Certamente se tratava de um camundongo de biblioteca que se sentiria perdido entre os lençóis sem seus livros, imaginou Edward com sarcástico desagrado.

Bella continuou falando sem suspeitar que tinha público pois a primeira coisa que queria era emendar o tremendo engano de haver dito a James que tinha esquecido seu encontro.

- Será melhor que chame sua mãe e me desculpe pessoalmente... depois que foi tão amável de oferecer-se a ajudar.

- Já lhe disse que havia ficado doente, não tem por que chamá-la hoje.

Aliviou-a comprovar que sua resposta tinha aplacado um pouco o ânimo de James.

Edward por sua parte presenciava tão inaudito descobrimento. A relação de Bella devia ser muito sério se já conhecia a mãe do sujeito. Dio mijou, significaria isso que a última puritana do século vinte estava deitando-se com o camundongo de biblioteca? Edward estava indignado, profundamente indignado pelo desaparecimento dos estritos preceitos morais de Bella. É obvio não lhe negava o direito a refazer sua vida, entretanto acreditava que as necessidades de Masen deviam ser o primeiro para ela e não lhe parecia que um padrasto fosse o melhor para seu filho.

- Disse a Kate onde estava? -perguntou Bella a James com certo desconforto.

- Não, Kate não está. As luzes estão acesas, mas não parece que haja ninguém.

Bella ficou de pedra para ouvir aquilo. Sua irmã teria tido que tirar o menino da cama para sair de casa e Masen não era fácil de apaziguar quando despertava. Franziu o cenho preocupada e só então descobriu que Edward estava de volta no cômodo.

- Estas chamadas são muito caras - queixou-se James.

Encolheu-lhe o coração ao ver a expressão do rosto de Edward. Como podia ser tão suscetível a tudo o que ele fizesse ou pensasse? Devia resultar penosa para ele e para sua bela amiga. A pobre e triste Bella perseguindo um sonho romântico e a um marido que pensava que sua relação com ela não tinha sido mais que um engano. Esboçou um falso sorriso porque estava segura de que Edward estaria envergonhando-se dela, por não estar à altura de sua sofisticada atitude. E com o tom mais jovial de que era capaz, disse a James que o veria na sexta-feira na faculdade.

- Será melhor que me vá - anunciou depois de guardar o telefone e sem atrever-se a olhá-lo diretamente.

- Não pode partir.

- Como?

-A casa está rodeada de paparazzi. Lauren as arrumou para que não a vissem, mas não podemos voltar a nos arriscarmos - explicou secamente-. Terá que passar aqui a noite e escapar pela manhã.

Bella o observou consternada e depois se encaminhou à porta.

- Não posso ficar... não.

- A imprensa está aí fora a esperando - murmurou ele com suavidade. - Sua aparição faz uma hora não tem feito mais que despertar seu apetite, agora serão muito mais agressivos.

- Sei - admitiu Bella aterrada por tal possibilidade. - Mas não posso ficar...

- por que não? É o mais simples. Os paparazzi não vão ficar aí esperando toda à noite, poderá sair discretamente a primeira hora da manhã. - com a naturalidade de quem não estivesse oferecendo mais que um pouco de hospitalidade a sua futura ex-esposa, a quem até o momento tinha dado tão fria acolhida, Edward a olhou atentamente enquanto esperava sua resposta.

Não queria estar sob o mesmo teto que ele, mas aqueles paparazzi já lhe tinham resultado muito amedrontadores antes para ter que voltar a enfrentálos. O que Edward dizia parecia bastante lógico, ele sempre tinha destacado por seu sentido prático. Se tomasse o primeiro trem da manhã, chegaria em casa a tempo para despertar Masen e levar o café da manhã à cama de sua irmã como modo de agradecimento.

- Está bem... ficarei... obrigada - acrescentou com pouca naturalidade.

- Deve ter fome.

- Não - respondeu ela sinceramente pois o certo era que não tinha o menor apetite. - foi um dia muito comprido e estou cansada. Poderia subir e dormir já?

- Surpreende-me, cara - sussurrou ele com os olhos brilhantes cravados nela. - Pensei que aproveitaria a oportunidade para continuar lutando por reviver o nosso.

Estava-se rindo dela com a maior crueldade imaginável. Sua mordacidade tinha sido sempre o lado escuro de sua grande inteligência.

- Possivelmente tenha que reconsiderar se merece tanto esforço - replicou dignamente.

— Em termos econômicos... sim, vale a pena. Em outros aspectos, teríamos que negociar.

- Não sei do que fala e não quero saber - estava muito tensa para pensar com clareza e muito exausta para correr o risco de continuar a seu lado. - Só quero ir a meu quarto.

- Acompanho-a.

Durante um décimo de segundo, permitiu-se o prazer de olhar Edward pois sabia que certamente não voltaria a vê-lo antes de ir. Não pôde evitar perguntar-se o que havia nele que o fazia tão irresistível. Sua escura e poderosa beleza masculina ou essa inteligência sofisticada e analítica que sempre a tinha desconcertado? Tinha-lhe ensinado que inclusive com a segurança que dava uma aliança de casamento, amar outro ser humano podia ser uma experiência angustiosa.

- É muito inteligente para a maioria das coisas - disse-lhe de repente detendo-se ao final da escada, - mas não se dava muito bem estar casado - acrescentou em tom ausente e com voz baixa.

- Pode repetir? - pediu-lhe Edward ostensivamente desconcertado.

- O casamento era o único que não tinha provado... era toda uma novidade para você - começou a dizer olhando o vazio porque sabia que se o olhasse perderia a coragem. - Uma vez gastou dois milhões de libras em um quadro que teve um só dia em seu apartamento para depois doá-lo a um museu, e não acredito que tenha ido vê-lo uma só vez. O que o excitava era se fazer com ele.

- Isso é uma tolice - tinha a mandíbula apertada enquanto acendia as luzes do enorme dormitório ao qual a tinha levado.

- Eu era para você como esse quadro. Uma vez que me conseguiu, perdeu todo o interesse - acrescentou bruscamente.

- Não tenho a intenção de tentar rebater tão imaginativo raciocínio. Utilize o telefone se necessitar algo - dirigiu-se à porta com o andar de um predador arrogante, masculino e seguro de si mesmo. - Dormi bene.

«Que durma bem?» Devia estar brincando. Uma gargalhada histérica ficou presa na garganta enquanto o resto do corpo lhe tremia sem parar...

E ai o que acharam? REVIEW?

Gente Thanks pelo os Review, acho que ainda hoje posto mais um capitulo vamu ver... Bjos Gess